Terça-feira, 30 de Março de 2010

Que filhos deixarás para o mundo?

(Olhe bem essa muda. Ela vai desaparecer)

 

Quem acompanha o Motite viveu junto comigo a triste história do pau-brasil agredido. Era uma muda que eu estava cultivando com muito cuidado por ser da primeira florescência da árvore-mãe que vive no meu quintal há mais de 15 anos. Quando já estava com dois anos e cerca de 1,0 metro de altura decidi plantar na frente de casa para acompanhar o crescimento dela. Em maio de 2009 os vândalos do bairro, delinqüentes mirins preservados por uma Lei irresponsável e omissa, quebraram a gema principal quando a muda já estava com 1,20m e muito saudável. 

Graças a um paciente trabalho de recuperação, consegui fazer o galho secundário crescer a ponto de assumir a sustentação da muda e ela se desenvolveu de forma saudável e forte até chegar a 2,0 metros com muitos brotos e projetando uma árvore adulta tão linda e frondosa quanto a mãe. Além disso, fiz uma proteção de madeira para evitar que alguém atropelasse a muda acidentalmente. 

Até que na manhã de domingo, 14 de março, veio o mais duro golpe que levei nos últimos anos. Os mesmos vândalos-mirins, protegidos por ONGS e outras formas de benesses aos fora-da-lei, simplesmente quebraram a árvore, com proteção e tudo, de forma tão violenta que sobrou apenas um toco de 10 cm. O que restou da muda e proteção foram jogados no mato perto de casa. Essa agressão ocorreu por volta de 6 horas da manhã, quando não havia vigilância na rua.

 

(Sumiu! Esse toco de 10 cm foi uma muda de pau-brasil de 2,0 metros)

 

Esperei muito pra escrever porque fiquei em estado de choque. Não lembro de ter sentido um vazio tão grande e uma raiva tão profunda que rogo a Deus não encontrar essas pessoas na rua.

Poucos dias antes, o ipê amarelo que eu também plantei cerca de 20 anos atrás desabou solenemente depois de atacado por cupins e pelo desprezo municipal frente às várias solicitações que fiz à Prefeitura, pedindo o tratamento da árvore. O pau-brasil foi até celebrado pelos vizinhos como o natural substituto ao ipê tombado. Além disso, aquele pau-brasil era uma forma de mostrar ao mundo que a natureza era mais forte do que o vandalismo. Que nada! 

Nada nem ninguém consegue reverter essa tendência de queda no material humano. A humanidade está caminhando a passos largos rumo a uma individualização irreversível. Se na Idade Média o conhecimento era repassado por meio de histórias contadas de pai para filho, criando um laço familiar muito forte, nosso futuro está fadado a ser formado por pessoas autômatas e individualizadas, cujo conhecimento será obtido via fibra ótica ou freqüência de onda. O conceito de família já está em franco processo de mudança. Filhos cada vez mais são criados por empregados e professores da escola “Mickey Mouse Feliz”, com “modernos” recursos de informática e comunicação. Estamos à beira do terceiro grande paradigma universal, que é a reprodução assexuada, e filhos poderão ser “adquiridos” como se fosse um filhote de dálmata. A família está com seus dias contados.

 

Quando a formação do filho não é feita pelos processos televisivos e pedagógicos pasteurizados, o que sobra para os pais é a educação social. Aí começa a desgraça, porque o mais primário dos preceitos pedagógicos está na afirmação que aquilo que um professor fala é infinitamente menos importante do que ele FAZ. Por mais que um professor de jardim da infância tente mostrar aos seus pequenos que fumar faz mal à saúde, todo esforço se perde se ele acende um cigarro na frente das crianças. De nada adianta um pai gastar horas tentando ensinar os filhos e não sujar a cidade se ele joga “apenas” uma bituca de cigarro pela janela do carro. Crianças aprendem por imitação e não por discursos bonitinhos. 

Passei esses dias pensando que tipo de monstro é capaz de arrancar uma muda de árvore? Não importa se é criança, adolescente, adulto, se essa pessoa hoje arranca uma muda pelo prazer de destruir o que será capaz de fazer de posse de uma arma de fogo? Ou de um taco de basebol? ou de um metro de corrente? Fiquei pensando como será o pai dessa pessoa, como será a casa dele, a educação que recebeu? Quais princípios morais essa pessoa levará para a vida? 

Então, desci hoje a rua de casa e vi como são formados esses monstros. Um caminhão de bebidas parou solenemente ao lado de uma placa de proibido estacionar, em uma estreita rua de mão dupla, obrigando os motoristas a invadir a contra-mão para passar. Nessa operação, sem visibilidade, um motorista quase me pegou de frente! Cansado de passar por isso todo santo dia, parei e fotografei para que o mundo saiba quem são os formadores de monstros. Que tipo de educação esse motorista pode transmitir aos seus filhos? Qual conceito de respeito ao próximo esse tipo de imbecil pode pregar? Pode até ser um desses insuportáveis cabeças-ocas pregadores de religiões fajutas e picaretas. No “culto” prega o amor ao próximo e deixa o dízimo para seus “bispos”  se locupletarem em mansões milionárias, mas na rotina estaciona um caminhão de forma ilegal e expõe o próximo a riscos por pura preguiça, que também é pecado, por sinal.

 

(Que tipo de ser humano esse motorista pode formar?)

 

Faz duas semanas que alimento uma sede de vingança insaciável. Fico imaginando o que seria capaz de fazer se tivesse flagrado essa covardia contra o filhote de pau-brasil. Pode até ser um exagero da minha parte, mas para quem viu uma semente germinar, brotar, crescer, sofrer uma agressão, se recuperar e depois morrer covardemente é uma indignação sem remédio. 

O grande gênio da nossa história, Albert Einstein, disse: “quando se agride o Homem ele se defende; quando se agride a natureza ela não pode se defender, mas pode se vingar”. Não tenho a menor dúvida que estamos vivendo uma nova era na qual a natureza mostrará alguma forma de vingança diante de tanta agressão. Quem sabe a profética hecatombe natural prevista pelos maias para dezembro de 2012 não seja baseada na vingança da natureza. Espero que sim, e que esse monstro que arrancou uma muda de pau-brasil pelo prazer da destruição tenha um fim muito lento e dolorido. Algo como ser atingido pela queda de um pau-ferro de duas toneladas! 

A melhor frase que li recentemente sobre a preocupação com a natureza foi “todo mundo se preocupa em deixar um mundo melhor para nossos filhos, mas quem está trabalhando para deixar filhos melhores para nosso mundo?”. Esse motorista da Antarctica certamente não faz parte dessa segunda preocupação.

publicado por motite às 19:38
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

VANDALISMO

(O que esperar de quem destrói por prazer?)

 

Amigos, leitores e blogueiros.


Quem acompanha o Motite desde os primeiros passos sabe que eu realizo um trabalho de formiguinha individual e levemente digno: devolver ao meio ambiente um pouco do que foi retirado. Já fiz um trabalho de reflorestamento na região do vale do Paraíba, com plantio de mais de 6.000 mudas de espécies nativas.


Depois criei um pequeno viveiro de mudas especialmente de pau-brasil (Cesalpina Echinata). Quem não conhece essa história é só clicar aqui: http://motite.blogs.sapo.pt/31696.html A única razão desse viveiro é distribuir as mudas a amigos e qualquer pessoa que se disponha a cuidar delas.

 


Depois de criar uma muda desde a semente por cinco anos decidi plantar na frente da minha casa mesmo. Quando eu a plantei já tinha 1,21m e gostou tanto do local que em pouco tempo desenvolveu e cresceu mais de 10 cm em poucas semanas.

 

 

(A muda principal, poucos dias antes de ir para o solo)

 

Até que uma sexta-feira abri o portão e tive um choque: QUEBRARAM MINHA MUDA!!!


Minha, não, de todos vocês, de todos nós, de todo paulistano. Um grupo de delinqüentes mirins de uma "comunidade" da região tem como diversão sair pelas ruas e quebrar árvores e destruir canteiros. 


A cesalpina não foi a única vítima desse grupo de pequenos vândalos, outros vizinhos também foram atacados. Já tive meu carro avariado por essa corja de mini-bandidos que roda pelas ruas infernizando os cachorros, coletando lixo reciclável e pedindo esmolas.


Não sou porta-voz do assistencialismo paternalista do Estado, mas já impedi que esses catadores recolhessem o lixo reciclável por uma questão técnica: eles não são capazes de destinar a totalidade desse lixo e parte dele acaba voltando para o ambiente. Os coletores oficiais têm condições de destinar até lixo tóxico como pilhas e baterias.


A minha decepção foi tão grande que parei temporariamente de criar novas mudas. Pra mim foi um golpe. Como confiar no futuro de uma cidade que tem cidadãos incapazes de preservar uma simples e inocente muda de árvore? Eu já tinha lido a respeito no site da Prefeitura. Segundo dados oficiais mais de 30% das mudas plantadas na cidade não atingem a idade adulta por puro vandalismo!!!


É muito triste! Não posso conviver com pessoas que destróem a vegetação pelo simples prazer de ser vândalo!


Felizmente ela não morreu, mas já não terá mais um desenvolvimento natural porque perdeu a gema principal. Ela está cheia de brotos, com pouco mais de 80 cm de altura e agora vai se recuperar por forças próprias porque era a muda mais saudável do viveiro.


Senti como estivesse perdido um filho, mas vou seguir a cultivar as mudas que ainda tenho e depois decidir se continuo ou não a manter o viveiro. Acho que a cidade não merece mais esse benefício. 


 

publicado por motite às 13:45
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