Quarta-feira, 14 de Maio de 2014

A arte de fazer carros de corrida

 

Ralliart Brasil: Mitsubishi Motors apresenta nova divisão de alta performance

 

Equipe será responsável por projetar, fabricar, desenvolver, preparar e customizar veículos que encarem os mais difíceis desafios no asfalto e na terra

 

A Mitsubishi Motors apresenta a Ralliart Brasil, divisão de alta performance que agora chega ao país trazendo ainda mais tecnologia e desempenho para os veículos Mitsubishi em competições na terra e no asfalto.

 

“Em todo o mundo, os veículos com a grife Ralliart têm o equilíbrio perfeito entre performance dinâmica e prazer ao dirigir. Mais do que isso, a grife representa o aprendizado adquirido em quase três décadas de desenvolvimento e produção de carros de competição”, garante Robert Rittscher, presidente da Mitsubishi Motors do Brasil.

 

Ao longo dos anos, os veículos Ralliart conquistaram os maiores títulos do automobilismo mundial: foram 12 vezes campeões do Rally Dakar, maior prova de rali do mundo, quatro vezes do World Rally Championship (WRC), mundial de rali de velocidade, 11 títulos no P-WRC, com carros de produção, além de inúmeras conquistas em campeonatos nacionais, regionais e europeus.

 

“A Ralliart Brasil será responsável por projetar, fabricar, desenvolver, preparar e customizar veículos que encarem os mais difíceis desafios da terra e do asfalto”, explica Guilherme Spinelli, diretor da Ralliart Brasil. “As competições são nosso grande laboratório, onde podemos testar todos os componentes no limite máximo e desenvolver produtos mais resistentes e com uma tecnologia superior”, completa.

 

 

A Ralliart Brasil já nasce com uma grande estrutura. Com sede na cidade de Mogi Guaçu, interior de São Paulo, está instalada em uma área de 10.000 m2, com todos os equipamentos necessários para projetar e preparar veículos de alta performance. Tem um escritório de engenharia avançada na França, chefiada por Thierry Viadort, que esteve à frente da Ralliart Japão por 26 anos e conquistou, entre outros títulos, 12 vezes o Rally Dakar. Além disso, conta com todo o complexo do autódromo Velo Città, local de testes e adequação dos veículos, e o apoio da fábrica da Mitsubishi Motors em Catalão, responsável pela produção de peças e veículos.

 

Hoje, a equipe da Ralliart Brasil é responsável por 84 veículos, entre picapes L200 Triton utilizadas na Mitsubishi Cup, os modelos Lancer, que disputam a Lancer Cup, os protótipos de desenvolvimento, além dos carros que enfrentam o Rally Dakar, Rally dos Sertões e o Campeonato Brasileiro de Rali Cross-country.

 

“Esses veículos participam de diversas competições durante o ano e em várias partes do Brasil e do mundo. Além da manutenção antes e depois de cada prova, nossa equipe está sempre trabalhando para aperfeiçoar ainda mais os modelos em durabilidade, resistência e tecnologia”, afirma Spinelli.

 

São 30 anos de história, trabalho e comprometimento. Hoje, a Ralliart está presente em mais de 20 países, mas somente no Brasil está ligada diretamente à fábrica, adquirindo um importante know-how e troca de experiências para um melhor aproveitamento dos veículos.

 

Sit&Drive Ralliart Brasil

Além de toda a tecnologia, comprometimento e alta performance, a Ralliart Brasil destaca-se pela comodidade e equilíbrio que oferece aos pilotos através do sistema sit&drive. Desde a preparação, passando pela logística, até a manutenção no local da competição, é de responsabilidade da equipe de profissionais especializados da Ralliart Brasil.

 

 

(sobrou até pra mim... volta rápida ao lado do Ingo)

 

Os pilotos só precisam chegar no dia da prova com seu macacão e capacete. O carro estará pronto para largar, devidamente revisado e abastecido. “Isso possibilita que nos concentremos somente na pilotagem. É ótimo poder chegar de manhã e saber que iremos largar com o carro pronto, totalmente revisado por uma equipe que entende do assunto. Isso nos ajuda a conquistar resultados ainda melhores”, comemora o piloto João Franciosi, campeão do Rally dos Sertões com uma L200 Triton.

 

A Mitsubishi Motors oferece um pacote completo para o piloto. Além do carro de fábrica e de toda a preparação para uma competição, há mais de 15 anos organiza o principal campeonato de rali cross-country do País, a Mitsubishi Cup, referência no cenário nacional. E, pela segunda temporada, realiza a Lancer Cup.

 

Tanto na terra, como no asfalto, a Ralliart Brasil oferece os carros e um pacote completo de serviços para atender os pilotos e suas famílias, que podem usufruir de um lounge, com espaço confortável, bebidas e alimentação, durante todo o dia de disputas.

 

“Para nós, é um sonho de consumo. Não nos preocupamos com nada. É como o nome diz: ‘sit&drive’. Nós sentamos e corremos”, comenta o piloto Sergio Maggi, que participa da Lancer Cup pelo segundo ano.

 

O sistema sit&drive Ralliart Brasil também está presente nas maiores provas off-road do mundo, como Rally Dakar e Rally dos Sertões, além das etapas do Campeonato Brasileiro de Rali Cross-country. “Temos os veículos certos para cada competição, seja uma etapa de fim de semana do Brasileiro ou os 15 dias de Rally Dakar. Nossa equipe está preparada para fornecer todo o suporte e logística para os pilotos se preocuparem apenas com o prazer da corrida”, destaca Guiga. Além disso, a Ralliart também tem veículos de competição que são customizados de acordo com a preferência de cada piloto e o tipo de prova que pretende disputar.

 

Próximos passos

A Ralliart Brasil já trabalha na criação de kits exclusivos para os veículos Mitsubishi.

 

“Estamos empenhados no desenvolvimento de kits de customização. O cliente poderá adquirir uma personalização exclusiva, seja para melhorar a performance ou mesmo criar um aspecto inovador, único”, explica Fernando Julianelli, diretor de Marketing da Mitsubishi Motors.

 

Ralliart Brasil

Site: www.ralliartbrasil.com.br

Facebook: www.facebook.com/RalliartBrasil

 

publicado por motite às 19:43
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Duas histórias

(Mandacaru, quando flora lá na serra... Foto: Tite)

 

Alguns anos atrás o Ricardo Ribeiro, na época assessor de imprensa da equipe Petrobras de Rally, me procurou com uma missão pra lá de honrosa: escrever uma história real que pudesse integrar o livro criado por ele e Klever Kolberg contando os bastidores dos ralis. Imediatamente lembrei de uma dúzia delas, afinal eu passara alguns 15 anos cobrindo rali, enduro e raids pelo Brasil e exterior.

 

Na primeira consulta do Ricardo eu tinha um bom espaço e decidi escolher duas histórias que ilustravam bem o que representava os bastidores das competições off-road, mas que não falava de motos, carros ou pilotos. Uma delas, a que foi publicada, foi uma cena que presenciei em Lima, no Peru, quando uma patricinha metida à besta tentou humilhar um fotógrafo local. A história é meio comprida e quem se interessar está no livro “Rali – abrindo os caminhos do Brasil” (mas acho que está esgotado).

 

Só pra resumir, um fotógrafo peruano, com uma máquina bem velha, roupas puídas e um velho chapéu fez as fotos do prólogo do Rally dos Incas, ampliou em formato 12x18 cm, preto&branco e foi no dia seguinte oferecer aos pilotos e equipes por algo como 10 dólares cada. Os pilotos verdadeiramente profissionais compraram, como fez o falecido e admirável Fabrizio Meoni. Outros nojentos não percebiam que aqueles 10 dólares eram o mínimo que podiam deixar a um cidadão que vivia num país caindo aos pedaços, violento e doente como era o Peru de 1989.

 

Foi a patricinha australiana que deu a maior mancada, primeiro pechinchando o valor e depois ironizando o fotógrafo, a máquina dele, as roupas e, claro, o país. Só que eu estava a meio metro ouvindo tudo em silêncio, até que minha alma latina explodiu, meti o dedo na cara dela e soltei o verbo no melhor estilo Viva Zapatta:

 

- Escuta aqui, gringa, você pode sacanear com essa gente, porque daqui 10 dias vai entrar num jato e voltar para seu país chique e rico, mas esse cara vai continuar aqui desse mesmo jeito, com essa mesma roupa, a mesma máquina fotográfica e a mesma falta de futuro. Então paga logo e não enche o saco!

 

Por motivos óbvios a história publicada no livro não foi exatamente nestes termos

 

A segunda história não foi publicada por falta de espaço, porque o livro recebeu um novo projeto gráfico e também seria biligue, o que custou um pouco de textos deletados. Não achei o original nessa bagunça que chamo de home-office, mas tenho uma teoria que tudo escrito pela segunda vez fica menor e melhor, então aqui vai a história, devidamente condensada e revisada.

 

Numa das primeiras edições do rali Piocerá (ou Cerapió) eu acompanhei os pilotos com uma moto cedida pelos organizadores. Acho que fui um dos primeiros jornalistas a cobrir enduros e ralis de dentro, passando pelos mesmos sufocos e perigos. Quando se tem 25 anos de idade e uma paixão doentia por motos esse emprego era tudo que um jornalista poderia sonhar: ser pago para se divertir (muito) e pilotar (mais ainda)! E ainda por cima podia correr junto com os outros pilotos sem gastar um centavo!

 

Eu já conhecia boa parte do Nordeste, mas como bom turista só a parte que faz fronteira com o oceano Atlântico. Nunca tinha mergulhado no sertão pra valer. Então foi um choque quando viajei pelo interior do Ceará e maior ainda do Piauí, na época o Estado mais pobre do Brasil. Todas as aulas de sociologia e antropologia pareceram conto da carochinha perto da realidade cruel da uma área tão seca que só cresce coisa com espinho.

 

Espinhos tão grandes que furavam os pneus das motos! Bendita hora que inventaram o protetor de mão nas motos de trilha, porque em determinados trechos tínhamos de passar tão perto dos mandacarus que um vacilo e a gente virava almofada de alfinete.

 

Em determinada altura olhei na planilha e estava escrito “Paisagem Lunar”. Não entendi até chegar na região mais abandonada que vi na vida. Uma aridez que nem Graciliano Ramos seria capaz de descrever. Nem a lua é tão vazia...

 

Depois de alguns litros de água de côco parei pra fazer um pipit-stop e quando estava lá, reduzindo um pouco da aridez da região, surgiram duas crianças. Do nada! Olhei em volta e não vi nenhuma casa. Seria miragem? Seres das profundezas?

 

- De onde vocês saíram? Perguntei.

 

- Daquela casa ali, ó! E apontaram para um vazio que confundia minha vista até que identifiquei uma casa de adobe e cobertura de palha.

 

Do alto da minha ignorância sulista não resisti a fazer a pergunta que deixaria meu professor de sociologia roxo:

 

- E do que vocês vivem? O que vocês comem?

 

Tava na cara que foi uma pergunta idiota, por isso eles baixaram os olhos e responderam um muxoxo misto de vergonha e resignação:

 

- Feijão, tapioca e farinha.

 

Já estava me odiando pela pergunta sem noção quando levei outro susto. Por trás de um enorme mandacaru saiu um senhor bem negro, bem velho e bem encurvado. Pôs-se de cócoras na beira da estrada pra ver as motos passarem e puxou assunto:

 

- É carreira?

 

“Carreira” é como alguns nordestinos chamam corrida.

 

- Sim, é uma carreira.

 

- E vem de onde?

 

- Teresina!

 

- E vão pra onde?

 

- Fortaleza!

 

- Ave Maria, mas é muito chão!

 

Ele perguntou, eu respondi e tudo voltou ao silêncio de antes, até que mais uma vez fiz uma pergunta típica sulista:

 

- Aqui é sempre seco assim?

 

O preto velho quase nem me olhou. Levantou com dificuldade, olhou aquela paisagem toda em volta e meio sorrindo respondeu:

 

- Nãããão, quando chove isso fica tuuuudo verde.

 

Quando ele disse “tuuuudo” fez questão de levar a mão de um lado a outro, como se varresse todo o infinito que só existia nos olhos dele, porque na minha visão não tinha uma folha verde num raio de muitos quilômetros.

 

Então fiz a mais idiota das perguntas:

 

- E quando vai chover?

 

Ainda sem me olhar e sem sorrir ele encerrou com aquela resignação de quem passa a vida esperando:

 

- Ah, meu filho, isso só Deus sabe...

 

Montei na moto e fui embora da “paisagem lunar”.

 

Em vários momentos da minha vida pensei nesse homem. Principalmente quando tudo parecia seco e sem vida. Várias vezes tive vontade de desistir, de jogar a toalha diante de dificuldades tão efêmeras. Quantas noites passei em claro ruminando problemas tão mesquinhos. Momentos que olhei para o horizonte sem nenhuma folha verde e a esperança escorria pelos meus dedos como água. Nessas horas é só lembrar daquele senhor, cuja única certeza da vida é a esperança.

 

Quando eu achava que encerraria o ano de 2009 numa seca de fazer inveja ao deserto do Kalahari, com perspectivas bem áridas veio a chuva e 2010 será o ano da colheita.

 

Pois espero que em 2010 vocês todos não abandonem a esperança. Porque quando chove fica tuuuudo verde! Se Deus quiser.

publicado por motite às 02:56
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