Segunda-feira, 25 de Maio de 2020

A história da foto: minha vida de jipeiro

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A Thuga foi o carro que me deu mais alegrias e boas lembranças! (Foto:Tite)

Como foi minha experiência com uma Rural 4x4

Fora de estrada é um vício difícil de curar. Se não acredita vá a uma reunião de jipeiro ou trilheiro e tente conversar sobre qualquer assunto que não seja relacionado a este mundo sem asfalto nem pavimento.

Fui inoculado com essa doença muito cedo. Em 1969 minha família se mudou do asfaltado bairro do Brooklin para um fim de mundo chamado Jardim Prudência. Nascido do desmembramento de sítios e propriedades rurais, esse bairro não tinha rua asfaltada, iluminação pública, nem esgoto! Nossa casa tinha fossa e poço artesiano.

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Parte da minha infância e adolescência foi num bairro que não tinha rua asfaltada. (Foto: Pai)

Nesse bairro meu meio de transporte era a bicicleta e transformei minha Caloi Berlineta numa biciross trocando os pneus originais por tipo “balão” e arrancando os para-lamas. Também foi nesse bairro que aprendi a dirigir carro e, naturalmente, a passar por lama, erosões, pedras etc.

A garotada do bairro era tudo ciclista off-road por natureza, mas ainda conseguimos melhorar transformando os terrenos baldios em pistas de bicicross na base da pá e da enxada. Uma delas, a maior de todas, era onde hoje é o Shopping Interlagos. Essa pista permaneceu por décadas, virou pista de motocross e eu cheguei a fazer fotos para a revista Duas Rodas voando numa coisa estranha feita com motor de Honda CG 125.

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Pista de bicicross/motocross onde hoje é o Shopping Interlagos. (foto: Mario Bock)

Quando a moto entrou na minha vida, em 1972, esse bairro só tinha uma rua asfaltada e tive de aprender na marra como pilotar na terra e na lama com a Suzuki A 50II com pneus originais. Talvez minha off-dependência tenha nascido aí. Cheguei ao absurdo de pilotar a Suzukinha nas nossas pistas de bicicross, o que não recomendo a ninguém. Isso custou o primeiro tombo e amassado no tanque de gasolina.

Além dessa vivência, meu tio-avô tinha uma casa em Bertioga, na praia do Indaiá. Nos anos 60/70 não tinha estrada para chegar lá e a viagem, feita de Kombi, passava por todas as dificuldades de um fora-de-estrada raiz, incluindo pontes feitas apenas com duas toras de madeira! Era aventura a cada férias! Meus tios deixavam a criançada dirigir nas ruas de terra e minha experiência de piloto fora-de-estrada foi só aumentando.

No comecinho dos anos 80 lembro claramente de ver o anúncio da Yamaha DT 180 em uma revista e correr até a concessionária pra fazer um consórcio. Para minha sorte demorei para ser contemplado e quando minha DT 180 saiu já era a versão com câmbio de seis marchas, em 1983. Com essa moto fiz altas viagens fora-de-estrada, incluindo uma desesperadora para Visconde de Mauá (RJ), debaixo de muita chuva, frio e à noite, com aquele farolzinho ridículo.

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Com a Yamaha DT 180, participando do meu primeiro enduro. (Fotos: Mário Bock)

Logo depois descobri outros infectados pelo vírus da trilha como Carlão Coachman, Julio Carone, Eduardo Dória que transformaram minha vida num mar de lama, poeira e ossos quebrados. Depois comecei a praticar enduro e foi o fim do poço de uma dependência. Por mais de 10 anos meus finais de semana se resumiram a terra, lama e poeira.

Vida rural

Nos começo dos anos 90 o fora-de-estrada explodiu no Brasil com a abertura de importação de veículos. Além de motos especiais como KTM, Husqvarna e Cagiva, chegaram também os carros 4x4. Alguns icônicos como os Jeep Wrangler e Cherokee, mas também um monte de SUV com cara de jipe de Barbie. As trilhas começaram a receber esses carros 4x4 e logo apareceria certa rivalidade entre pilotos de moto e jipeiros, principalmente porque os veículos 4x4 abriam enormes erosões nas trilhas que a chuva se encarregava de aumentar até se tornar inviável.

Confesso que nunca tive muita paixão por carros 4x4 mas novamente a vida traçou meu destino e me rendi a tentação de comprar um terreno em Paraibuna (SP), às margens da represa, no finalzinho dos anos 80. O local era acessível por uma estrada de terra até que transitável, mas os últimos oito quilômetros eram infernais. Como a estrada levava apenas às propriedades particulares a Prefeitura não fazia manutenção, que tinha de ser feita por nós, os moradores.

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Caminho para o terreno era um sufoco e só passava veículo com tração. (Foto:Tite)

Depois de atolar vários carros comuns cheguei a conclusão que precisava de um 4x4. Mas que coubesse no meu orçamento, claro, portanto já estavam excluídos todos os carros com menos de 20 anos de uso. Os jipes de verdade, Ford e Willys, tiveram um aumento de preço exponencial por causa da maior procura, além disso precisava de um carro que pudesse levar a família com algum conforto pelos 125 km de asfalto, pela Via Dutra. Então fui atrás de uma Rural.

Criada nos anos 50 para ser a versão “família” do Jeep, a Rural foi a primeira Station Wagon que se tem notícia. Ele nasceu para dar uma sobrevida civil ao valente Jeep, que foi projetado para fins militares. E começou a saga em busca da Rural perfeita.

Em épocas de Primeira Mão e Feira Livre do Automóvel, comprar um carro usado era uma epopeia romana. Os jornais classificados chegavam nas bancas às cinco horas da manhã e às seis já tinha acabado todos os bons negócios. Já na Feira Livre, no Anhembi, era tipo feira mesmo: ou madrugava na fila ou só pegava a xepa.

Nesta busca pela Rural só tinha duas possibilidades: ou carro barato, despedaçado; ou carro inteiro, mas a peso de ouro. Estava quase desistindo quando um colega professor na mesma faculdade que eu lecionava comentou que o sogro tinha morrido e deixado uma Rural 1974 de herança. E mais: era 4x4, super conservada e ele não sabia como se livrar daquilo.

Mal acreditei quando vi a Rural e foi amor à primeira vista: ela era azul e branca, estava com todos os itens originais, só não funcionava a tração 4x4. Ela pertencia ao dono da concessionária Ford de Atibaia, que a manteve intacta por anos. “Putz, pensei, justo o que mais preciso!”. O valor pedido era de 3.000 dinheiros (seja lá qual era a moeda na época).

Falei com meu consultor para assuntos 4x4, Ricardo Panessa, que logo de cara aconselhou:

– Esquece a 4x2 porque é pior do que um carro normal. Se a ideia é passar por atoleiros e puxar carga tem de ser 4x4!

Foi aí que ele deu a dica mais valiosa:

– Olha por baixo do câmbio, porque 99% das vezes está faltando apenas um pequeno braço de acionamento da tração que custa uma merreca!

Fui ver novamente a Rural e ... bingo! O Panessa estava certo! O cara acertou por telefone! Faltava um bracinho com terminais tipo ball-joint, bastava encaixar e nem precisava ferramenta. Mas quando o meu colega me viu interessado, fuçando as entranhas da Rural achou que era um problema grave e refez a proposta:

– Olha, me dá 1.800 dinheiros e some com esse carro da minha garagem!

Pronto, começou minha vida de jipeiro!

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Trilha do Verde, em Cotia: já conhecia de uma prova de quadricilo e achava muito fácil. (Foto: Cristina Reis)

Camel Trophy é aqui

Nunca fui de dar nome a carros e motos, mas esta Rural era fofa e rústica, que nem a Thuga, namorada do Piteco, personagem do gibi de Mauricio de Sousa. Não comprei a Thuga pensando em fazer trilha, raid, nada disso, era um veículo de carga, de baixo custo, para levar a família até nosso pedacinho de terra, curtir um pic-nic na serra do Japi ou simplesmente passear com as crianças.. Mas meus colegas de trilha logo espalharam a notícia que eu tinha me bandeado para os lado dos quadrúpedes. E não demorou muito para surgirem convites para trilhas de jipe, todos solenemente recusados.

O máximo de aventura que me permitia era colocar as crianças e “procurar caminho ruim”. Subíamos a serra do Japi, em Jundiaí, em busca de estradas ruins sem ter a menor noção de uma das regras de ouro do trilheiro: nunca entre sozinho na trilha. Mas, como todo iniciante cabeça dura me embrenhei em trilhas que terminavam em lugar nenhum, enfrentamos atoleiros melequentos sem ajuda de guincho e atravessamos um rio tão fundo que a água fazia onda no para-brisa.

A única preparação "profissional" da Thuga era um truque que aprendi com meus tios kombeiros: pegar uma luva cirúrgica e “embrulhar” o distribuidor, dava certo e ficava imune a infiltrações. Outra coisa que aprendi nas viagens para Bertioga: 90% do sucesso para transpor um obstáculo no fora de estrada é a experiência do motorista. E um carro bem alto! Eu vi Fuscas e Kombis fazerem coisas incríveis naquelas estradas de terra e lama.

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Não tinha caminho ruim para a Thuga, ela enfrentou todo tipo de terreno e passou na boa. (Foto: Tite)

Depois de muita insistência decidi aceitar o convite de um grupo de jipeiros para percorrer a famosa trilha do verde em Cotia, que eu já conhecia da minha única participação em prova de quadriciclo. Preparei um lanchinho básico, coloquei numa cesta de pic-nic, peguei as filhas e fomos fazer a tal trilha do verde.

Estranhei a grande quantidade de veículos 4x4, mas achei melhor não comentar. Finalmente entramos no trecho de trilha bem cedo, coisa de oito horas. Fazer trilha de jipe é bem mais lento do que de moto, ainda mais com tanto carro. Chegamos num atoleiro não muito difícil, do tipo que eu passava com minhas filhas nas nossas buscas por caminhos ruins, mas logo um dos primeiros jipes atolou que nem um crocodilo do pântano.

Antes que eu pudesse lamentar já tinha um grupo reunido em volta, com o que parecia ser um líder dando ordens:

– Vamos usar o guincho! Você, lace aquela árvore, você, vá buscar a pá, você prepare os suportes!
Me senti num acampamento de escoteiros. Conseguiram desatolar o carro, passaram mais alguns e logo atolou outro. E começaram as mesmas ordens de novo: pegar guincho, buscar pá etc etc e tal. Percebi a dimensão da roubada que tinha me metido quando já tínhamos comido tudo que estava na cesta, a minha filha mais nova dormia que nem uma rainha no banco de trás, era quase meio-dia e não tínhamos andado nem 10 km!!!

Chegou minha vez de passar no atoleiro e fiquei perplexo com a facilidade com que a Thuga atravessou sem nem roncar e nem acordar a Luna, que continuava dormindo. Tive uma estranha sensação de que eles celebravam cada carro que atolava como se fosse uma festa. Enquanto um grupo desatolava os carros, outro oferecia víveres como se estivéssemos numa competição tipo Camel Trophy.

Muitos sufocos depois chegamos em um trecho de erosões enormes e os 4x4 inclinavam como se fossem capotar. A Thuga rangeu, a porta traseira abriu com a torção do chassi mas passou lindamente. Um Jeep 1954 que vinha logo atrás começou a passar e de repente escutei um estalo. O motor funcionava mas o Jeep não saía do lugar. Quando alguém gritou, como se o seu time tivesse feito gol:

– Quebrou o diferencial!!!

Dito isso imediatamente as pessoas começaram a pegar suas geladeiras de isopor e se servir de cerveja, espetinhos, todo tipo de salgadinho como numa festa de celebração da colheita dos europeus do século XVI.

Olhei pra minhas filhas, as duas já de saco na lua, com fome e necessidades (pai de menina precisa ser treinado para ensinar a fazer xixi no mato sem constrangimento) e perguntei:

– Vamos fugir?

- Vaaaaamoossss!

E foi assim que saímos de fininho, terminamos a trilha quase ao anoitecer, sem nenhuma atolada, nenhum eixo quebrado e encerrei minha carreira de jipeiro.

Em busca do impossível

Desde sempre, quando decidi comprar a Rural, a ideia não era me tornar um jipeiro, trilheiro, sócio de clubes de jipes, nada disso. Era apenas vencer os 8 km de terra, só isso. Além, claro, de transportar material de construção, mudança de amigo e todo tipo de carreto que a família solicitar.

Logo na primeira viagem pra Paraibuna fiz a equação que todo dono de 4x4 faz: será que compensa mesmo pular que nem um cabrito durante 125 km de asfalto só para superar os míseros 8 km? Sendo que desses 8 km apenas UM era o trecho realmente encardido? Bom, não sei os outros donos de 4x4, mas assim que cheguei no subidão de terra, num dia de chuva, cheio de barro, com a Rural toda carregada, engatei a tração e passei como se estivesse numa pacata rua asfaltada, sim, a resposta é sim, compensa!

A Rural tem suspensão por feixe de molas, igual às carroças medievais, o que é ótimo para transportar carga (capacidade para 750 kg), mas desesperadora quando estava vazia. Um simples palito de sorvete já fazia todo mundo pular e bater a cabeça no teto! Além disso a velocidade máxima daquela velha senhora era de 95 km/h com muito esforço na descida. Portanto as viagens se tornaram bem mais demoradas.

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Minha vida de sitiante: montar a cavalo com botas de motocross! 

Quando chegávamos em Paraibuna a brincadeira era procurar caminho ruim. Enfiei aquela Rural em cada trilha, buraco e pirambeira que jamais acreditaria ser possível um carro de 1.500 kg atravessar. A principal mudança que fiz foi colocar pneus Pirelli Scorpion e rodas 15 polegadas. Um erro, porque os pneus ficaram mais largos que os para-lamas e voava barro até o teto, além de ser proibido por lei. Depois voltei para o aro 16 polegadas e pneus mais finos, o que melhorou muito em termos de velocidade e economia.

Certo dia o administrador do condomínio me pediu para ajudar a refazer o mapeamento e remarcar os lotes. Para isso era preciso levar um negócio chamado corpo de prova, que logo imaginei um cadáver. São cilindros de concreto que se usa em obras para medir dureza de material da concretagem. Esses cilindros são perfeitos para muros de contenção mas gerava um problema para as concreteiras para se livrar daquele material todo. Por isso eles doam pra qualquer um que pedir com jeitinho.

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Corpo de prova: cada um tem 12,5 kg x 100 = 1.250 kg de pura emoção!

Consegui a doação de 100 unidades sem fazer a menor ideia de quanto pesava cada um. Olhando as fotos imaginei de 5 a 6 kg cada. Seria moleza levar 600 kg num carro com capacidade para 750 kg. Por garantia levei uma velha carreta de moto que transformei em fazendeira e que podia carregar mais uns 300 kg fácil.

Nunca confie na matemática de um ser formado em humanas! Quando parei a Rural, com a carreta engatada, no estacionamento da Falcão Bauer o porteiro me olhou e perguntou:

– Você vai carregar 100 CPs nisso aí?

Diante da minha resposta afirmativa ele fez a segunda pergunta embaraçosa:

– Pra onde?

Quando respondi “Paraibuna” ele saiu da cabine, encostou na janela, com um sorriso estranho e continuou o interrogatório:

– Você sabe quanto pesa 100 CPs? Esta carreta tem freio?

Eu estava achando que cada CP pesava quanto mesmo? De 5 a 6 kg? Pois eles pesam 12,5 kg, CADA UM! Eu tinha 1.250 kg para transportar numa Rural de quatro cilindros, 1974, puxando uma carreta! Quando fui abrir a minha boca o porteiro adiantou:

– Não, não dá pra levar só metade e buscar o resto depois, tem de sair com os 100; ou nada!

Deitei o banco traseiro da Rural e fui colocando CP, fazendo as contas:

– Dez são 125 kg, se eu encher o porta-malas até o teto Rural acho que dá!

Mas, claro, não podia passar o nível da carroceria, porque se um CP batesse no vidro iria arrebentar e voar pela Marginal Tietê. Obviamente depois de uns 35 CPs eu já tinha perdido a conta e fui só carregando, escutando os feixes de mola fazerem o nheeeec, como se pedissem pra eu parar.

Quando os pneus traseiros encostaram nos para-lamas ainda tinha uma montanha de CPs. Comecei a carregar a carreta também até quase os pneus encostarem nos para-lamas. Mas ainda tinha uma dúzia de CPs, que acabei espalhando pelo interior da Rural.

Lá fui eu, rumo à via Dutra, transportando 1.250 kg de CP, mais uns 2.000 kg de carro com carreta.

Montanha russa a 90 km/h

Foi um tremendo teste para a Rural e a viagem corria até que dentro da normalidade. Quer dizer, fazia um calor infernal, mas ela tinha um equipamento muito melhor que ar-condicionado: uma entrada de ar no capô que depois de aberta parecia um túnel de vento.

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Depois de me acostumar com a carga na carreta comecei a me entusiasmar na Via Dutra até chegar em um trecho perto de Jacareí com uma descida de mais de um quilômetro. No meio da descida estava todo empolgadão porque tinha chegado a 90 km/h quando vi pelo canto do olho uma placa que sinalizava algo como “curva perigosa”. Comecei a frear e senti que tinha alguma coisa me empurrando. Olhei pelo retrovisor e só tinha a carreta. Era ela. Foi quando entendi a pergunta do porteiro da Falcão Bauer sobre a carreta ter freio. 

Percebi que quanto mais eu pisava no freio, mais sentia algo me empurrando e a nada de a velocidade diminuir. E a curva chegando. Pisei com mais força no pedal e senti um cheiro familiar entrando pelo túnel de vento. Era lona de freio brûlée. A curva foi chegando e só então me dei conta do porque naquela curva tinha tanto resto de carga de caminhão espalhado pelo asfalto. Agora estava prestes a derramar vários cilindros de concreto com 12,5 kg cada, além das minhas tripas.

Lembra que essa Rural tinha pertencido ao dono de uma concessionária Ford? Pois este abençoado homem achava o freio da Rural muito duro e mandou instalar o servo-freio do Landau. Mantive o pé no freio, a velocidade diminuiu um pouco, consegui fazer a curva, com a tangente quase no acostamento e terminei ileso só porque em uma das reformas da Dutra aumentaram o grau de inclinação daquela curva. Depois deste susto continuei a viagem a 60 km/h.

Pensa que acabou? Finalmente veio o trecho de terra e assim que eu e Thuga entramos na estrada desabou uma tempestade típica de verão. Rápida e intensa. Suficiente para ensaboar justamente o trecho da maldita subida. Mas eu estava de Rural, minha imparável Thuga, companheira de aventuras e mal chegamos na subida, engatei a tração (por dentro, ela não tinha roda-livre) e começamos a subir. A certa altura ela começou a patinar e aquela maldita carreta com uns 600 kg de carga parecia puxar ela pra baixo. Parecia não, ela estava me puxando de volta pra baixo!

A Rural foi escorregando de ré totalmente sem controle até os pneuzões encostarem no barranco na beira da estrada e o incrível aconteceu: os pneus começaram a aderir pela lateral e vencemos o subidão! Aquilo sim era um 4x4 raiz!

Na volta pra São Paulo, à noite, aliviado e com a carreta vazia, bem devagar pra não sofrer mais sustos a Thuga apagou! Puf! Do nada apagou os faróis, painel, motor, tudo. “Fundi a pobrezinha”, pensei. Parei no acostamento, abri o capô e vi a bateria caída, apoiada no motor. Coloquei de volta no lugar, amarrei com arame e chegamos em casa.

Turma da Mônica - Coleção Oficial de Miniaturas Ed. 50 -THUGA - A ...

Pra quem não conhece, essa é a Thuga.

Poucos anos depois o sonho de ter um sítio se tornou um pesadelo com a invasão das terras por famílias sem teto. Minhas filhas se mudaram para a Alemanha e decidi que era hora de a Thuga fazer a felicidade de outra família. Foi uma decisão difícil demais, mas não sou do tipo que gosta de manter qualquer tipo de veículo se não for pra usar. Além disso ela começou a cobrar o preço da idade, exigindo manutenções mais frequentes e caras.

Anunciei a Thuga por 3.000 dinheiros e foi vendida no mesmo dia para uma jovem família de Lençóis, na Bahia. De todos os carros que tive na vida só a Thuga deixou histórias e saudades!

 

publicado por motite às 15:40
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