
(Curva para a direita, joelho esquerdo pressiona o tanque! Foto: Café)
A moto se caracteriza por ser um veículo que só existe quando está em movimento. Daí a origem do nome, já que “moto”, em latim, significa “movimento”. Ao contrário dos carros, quando uma moto se movimenta ela se auto-equilibra pela ação das rodas, porque todo corpo circular em movimento tende a se equilibrar quanto maiores forem a velocidade, o perímetro ou a massa (peso) do corpo. Essa força invisível, chamada de efeito giroscópico, mantém a moto equilibrada e é contra ela que temos de brigar na hora das curvas.
Quando a moto está em linha reta, em equilíbrio, nem precisamos fazer muita força: basta acelerar e frear. É nas curvas que o nosso corpo terá de trabalhar para vencer essa força e mais outra que mantém os veículos em suas trajetórias, chamada de inércia.
Parece que as leis da Física não gostam de moto, porque toda vez que um motociclista precisa virar isso exige um pequeno esforço físico. Para não brigar contra a Física o motociclista precisa usar o corpo e aí que entram as pernas e pés.
Quando Deus estava projetando a gente ele já sabia que iríamos pilotar motos. Claro, afinal Ele é Todo-Poderoso e sabia das coisas antes de todo mundo. Por isso Ele nos equipou com um corpo todo feito para pilotar motos. E quando escrevo “todo o corpo” é todo mesmo, da cabeça aos pés. Ele nos deu pernas com os músculos maiores, mais elásticos e mais resistentes do corpo.

(Sem a mão, manhê! Toda força nas pernas e ebdomen)
Na briga para a moto fazer a curva é essencial que ela se incline para o lado da curva. Esse ato de inclinar (ou deitar) a moto é que será o maior responsável pelo sucesso na luta contra as leis da Física. Isso exige força, e basta uma rápida olhada no espelho para percebermos que temos mais músculos nas pernas do que nos braços!
A ação para deitar a moto na curva começa com a ponta do pé pressionando a pedaleira para o lado interno na curva. Se for uma curva para a esquerda, pressione a pedaleira esquerda, forçando o pé esquerdo para baixo. Em seguida o piloto precisa pressionar o tanque da moto com o joelho da perna externa à curva. Nesse exemplo, na curva para esquerda, o motociclista pressionará o tanque com o joelho direito, como se quisesse amassar o tanque com o joelho.

(Só a ponta do pé na pedaleira.)
Para que a ação seja eficiente e não exija força exagerada é fundamental respeitar a postura correta dos pés. Todas as motos (que não sejam custom) exigem que o motociclista mantenha apenas as pontas dos pés nas pedaleiras. Hoje em dia é comum ver motociclistas pilotando apenas com o calcanhar nas pedaleiras e a ponta do pé apontada para baixo. Isso representa um enorme risco de o pé atingir algum obstáculo no solo e dobrar sobre a pedaleira. O que pode causar uma grave lesão, além do desequilíbrio da moto.
Ao apoiar apenas as pontas dos pés nas pedaleiras o motociclista consegue controlar melhor os movimentos, equilibrar a força aplicada nos pés e também tem maior capacidade para sentir tudo que se passa com a moto.
Jamais mantenha a ponta do pé direito repousada sobre o pedal do freio. Muita gente acha que essa postura reduz o tempo de reação na frenagem, mas não é verdade, senão todos os motoristas seriam obrigados a dirigir carros com um pé apoiado no pedal de freio. O correto é frear e depois voltar a ponta do pé para a pedaleira. Além de não reduzir o tempo de reação, quando o motociclista mantém a ponta apoiada sobre o pedal do freio, sem perceber, encosta no pedal, que é suficiente para fazer as pastilhas encostarem no disco. Depois de algum tempo o freio superaquece, assim como a pastilha, que transmite o calor pro fluido. Aí, quando o motociclista for usar o freio traseiro descobrirá que está “borrachudo”, porque o fluido superaqueceu. Canso de ver motos na estrada, em plena reta, com a luz de freio acesa!

(sem a mão, manhê...)
Há décadas me dedico à pilotagem de motocicletas. Desde a pilotagem simples e preventiva até a sofisticada e esportiva. Fiz cursos de pilotagem aqui na Honda e nos Estados Unidos. Estudei profundamente o assunto e vou contar um segredo: pilotar nada mais é do que um adestramento. Isso mesmo, da mesa forma que consegui ensinar minha fiel cachorra Valentina a fazer xixi sempre em cima do jornal, aprender a pilotar é apenas uma questão de fazer sempre tudo igual. O problema da Valentina é que ela não sabe distinguir o jornal velho do jornal de hoje!
Também há décadas insisto que não se ensina a pilotar por escrito, porque a pilotagem esportiva exige um nível de sensibilidade que é impossível de ensinar. Só o treino – ou adestramento – pode fazer alguém ser mais sensível. É possível ensinar as técnicas de pintura a qualquer pessoa, mas fazer dela um Caravaggio só o tempo e sensibilidade conseguem dar a resposta.
Durante anos me recusei a criar um “manual de pilotagem”, mas a pedido de muitos leitores decidi então fazer a parte fácil: dar os elementos para adestrar os motociclistas de maneira a pilotar melhor e mais seguro. Esta decisão veio depois de descobrir que às vezes uma pequena dica, quase elementar, mudou a vida de vários amigos que pilotam motos.
Então aqui vai a primeira dica para adestramento da sua pilotagem: moto se pilota com as pernas!
Pare na frente do espelho e dê uma olhada no seu corpo. Observe que Deus te proveu com mais músculos nas pernas do que nos braços. Portanto, temos mais forças nas pernas do que nos braços. Então por que não usar essa força naturalmente maior para ajudar na pilotagem?
Deixe de lado um pouco as motos e observe os cavaleiros. Quem já viu um filme de faroeste ou bang-bang à italiana, pôde reparar nas cenas de índios e mocinhos cavalgando enquanto atiram com a espingarda ou com arco e flecha. Como eles conseguem fazer o cavalo correr na direção certa sem usar as mãos?
(Índio não usar mãos pra pilotar cavalos, hau!)
A resposta está nas coxas. Ou melhor, nos joelhos. Basta comprimir o corpo do cavalo com o joelho na direção que quiser virar e o animal responde imediatamente. Você também responderia se alguém lhe cutucasse as costelas com o joelho!
Nas curvas nós precisamos vencer a tendência de a moto ir sempre reto. Para quebrar essa inércia é preciso usar a parte mais forte do corpo, que são as pernas. A seqüência é a seguinte:
- Comece suavemente a forçar o joelho, na lateral do tanque no sentido da curva. Por exemplo, se a curva é para esquerda force o joelho direito empurrando o tanque da moto para a esquerda. É uma operação inversa mesmo, por isso a necessidade de adestramento.
- Em seguida apóie o peso do seu pé na pedaleira interna da curva. Nesta curva para esquerda deve-se apoiar o peso na pedaleira esquerda. Sim, aqui é uma ação direta: curva pra direita apóie-se na pedaleira direita e vice-versa.
Com o uso dos pés e pernas a curva sai mais “redonda” e o motociclista se cansa menos, porque não faz força nos braços. Mas, para complementar esta técnica o piloto precisa:
- Pilotar sempre com a PONTA dos pés nas pedaleiras internas. Se o piloto deixa o pé apontado pra baixo pode raspar no asfalto, assustar o caboclo e desequilibrar a moto.
- Forçar o abdome no tanque. Pilotos de motos têm abdome saradão, que nem atleta porque a pilotagem esportiva exige muita força nos quadris e no barrigón!
- SEMPRE inclinar o corpo junto com a moto. Nem mais, nem menos, mas junto!
Esta técnica do uso das pernas serve para qualquer tipo de moto (menos scooter e motonetas porque não têm tanque, dã!). Inclusive no fora-de-estrada pode-se (e deve-se) usar esta técnica.
Treine inclusive nas retas. Experimente usar as pernas em “X”: force o joelho direito no tanque e empurre para baixo a pedaleira com o pé esquerdo e sinta a reação da moto. É sempre uma operação cruzada: joelho de um lado pé do outro.
Por favor, estas técnicas são o embrião da pilotagem esportiva (que serve também para pilotagem urbana). Como expliquei anteriormente, a pilotagem é muito complexa para ser ensinada por escrito. Contudo vá fazendo experiências com suas pernas por enquanto. Depois mostrarei como se usa as mãos corretamente.
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Vem aí a Biz com injeção eletrônica!
(Eu quero uma Biz com injeção!!!)
Acabo de ser informado por espiões que a Honda prepara o lançamento da Biz 125 iE, com injeção eletrônica para o próximo dia 10 de outubro. As principais mudanças são no motor (claro), escapamento, painel e um tapa no visual. O preço anunciado será apenas R$ 100,00 a mais, será?
Mas ainda não foi desta vez que será lançada uma moto flex, o que acho um tremendo vacilo. A Biz seria um belo balão de ensaio pra moto flex e eu adoraria rodar com uma moto movida a álcool. Vamos esperar mais um pouco que logo mais chega uma foto!