Domingo, 22 de Novembro de 2020

MotoGP: Um ano marcante

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Vitória maiúscula do português Miguel Oliveira no GP de Portugal. (MotoGP.com)

O mundial de motovelocidade termina como começou: surpreendente. Miguel Oliveira, Remy Gardner e Raul Fernandez foram os vencedores na MotoGP, Moto2 e Moto3.

Que ano, que campeonato e que corridas! Vai ficar para história o campeonato de motovelocidade de 2020. Teve de tudo: etapa com apenas duas categorias (a primeira no Qatar), interrupção por conta de pandemia, acidentes apavorantes, pilotos com Covi-19 e todo tipo de zebra. Para coroar um ano tão cheio de surpresas nada como uma etapa de tirar o fôlego em uma das pistas mais lindas e desafiadoras do calendário.

Desde os treinos de sexta-feira o mundo viu que o circuito de Portimão, na belíssima região de Algarve, Portugal, premiaria os pilotos que tivessem alguma intimidade com a pista. Com uma topografia singular, a pista de 4.592 metros tem subida, descidas, curvas cegas, frenagens em descida, frenagens em curvas cegas, ou seja, um cardápio de tudo que pode complicar a vida de motos e pilotos. Neste tipo de pista muito técnica se dá bem que descobre os “atalhos”, que são traçados incomuns mas que dão resultado no cronômetro. Nesta pista nem sempre o caminho mais curto entre dois pontos é o mais rápido e quem acha o caminho primeiro fica quieto e se dá bem.

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O romano-pernambucano Franco Morbidelli fez uma temporada impecável com a moto velha. (MotoGP.com)

Dois pilotos se destacaram na MotoGP desde as primeiras voltas: Stefan Bradl (Honda/Repsol), porque correu lá de Superbike; e Miguel Oliveira (KTM/RedBull), porque já treinou de todo tipo de moto na pista perto de casa. Alguns pilotos treinaram com motos de série só para conhecer a pista, mas não dá muito resultado, porque uma coisa é chegar no fim da reta a 280 km/h e outra é chegar a 328 km/h!

Por isso não foi surpresa que o piloto português (que é formado em odontologia) fizesse a pole position no sábado. O que assustou foi ver o fraco desempenho da Suzuki que não se acertou na pista e seus pilotos ficaram no fim do pelotão. Na verdade só Alex Rins tinha de mostrar serviço para tentar beliscar o vice-campeonato, porque Joan Mir já estava com a cabeça nas férias desde a segunda-feira passada. Mais uma vez Franco Morbidelli (Yamaha/Petronas) foi o que conseguiu melhor representar a Yamaha, e o agressivo (mas gente boa) Jack Miller (Ducati/Pramac) foi o melhor de Ducati. Na corrida de despedida Cal Crutchlow (Honda/LCR) surpreendeu e conseguiu a melhor posição de largada no ano em quarto.

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Na largada da MotoGP Miguel Oliveira partiu em primeiro e simplesmente ignorou os adversários, colocando mais de oito segundos de vantagem na bandeirada. Fez a pole, vitória e melhor volta, bem diferente da primeira vitória (na Estíria) que viu a vitória cair no colo na última curva. Jack Miller ficou a prova inteira colado em Franco Morbidelli e só garantiu a segunda colocação na última volta. Franco fechou o pódio e conquistou um heróico vice-campeonato, com três vitórias, usando a moto de 2019.

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Triste a situação da Yamaha oficial que só andou para trás. Mais ainda quando se sabe que a marca recusou uma moto 2020 para Franco Morbidelli. No meio do ano Valentino Rossi deu uma entrevista afirmando que “o mais triste não é ver que a moto 2020 é pior que a 2019, ela é igual!”. No mundo das corridas, quando um equipamento mais novo é igual ao anterior significa que andou para trás! Após a corrida Valentino já começava a dar pinta de desilusão com relação a 2021. Certamente ele fez um contrato que permite parar quando bem entender.

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Valentino Rossi teve um ano cheio de problemas, nova equipe em 2021. (motogp.com)

Muitos pilotos deixarão suas equipes e alguns até se despediram da categoria, como foi o caso de Adrea Dovizioso (Ducati) e Cal Crutchlow. Foi muito bonito e emocionante ver como as equipes e mesmo os pilotos se despediram de seus pilotos. No caso de Dovizioso os pilotos o cumprimentaram ainda na pista, mostrando que parte mas deixa uma legião de amigos. Não creio que ele faça um “ano sabático”, porque todo mundo viu o ritmo cardíaco dele na prova de hoje; 181 bpm é muito alto para essa atividade, basta comparar com Maverick Viñales, Fábio Quartararo e outros na faixa de 20 anos que mantém o ritmo na casa de 120 bpm. É a idade mandando o recado. Queria ver o do VR46!

O título de 2020 da MotoGP ficou em ótimas mãos: Joan Mir, jovem, talentoso, humilde e um verdadeiro gente boa!

Moto2, o revés

Até a etapa de Teruel tudo levava a crer que Sam Lowes (Marc VDS) seria o campeão da Moto2, principalmente depois de três vitórias seguidas. Mas uma queda do GP da Europa jogou areia nos planos. Pra piorar caiu novamente nos treinos do GP da Comunidade Valenciana e aí a maioneses desandou de vez porque machucou o punho direito e marcou apenas dois pontos numa corrida heróica. Confesso que torci por ele, mas a queda no GP da Europa foi um baque, porque bastava ele manter o segundo lugar para levantar o caneco, pena que arriscou demais.

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Enea Bastianini: final de temporada avassalador e título na Moto2 (motogp.com)

Com isso o italiano Enea Bastianini (Italtrans) somou pontos importantes e assumiu a liderança do mundial de forma mineira, somando pontos e três vitórias. Nesta última etapa, em Portugal, precisava apenas ficar perto de Lowes e Luca Marini (Sky/VR46). Fez a lição de casa, terminou em quinto e deu mais um título mundial para a Itália.

A surpresa positiva da corrida foi a pilotagem madura e equilibrada de Remy Gardner (SAG Team) que largou na pole, mas passou quase a corrida toda em segundo, comboiando Marini. Antes da largada eu mesmo não acreditava nele, porque já tinha dado muitas provas de instabilidade, intercalando bons desempenhos com quedas infantis. Mas dessa vez queimei a língua (de novo!), porque a duas voltas do fim partiu para o ataque e conquistou a primeira vitória na categoria, que teve um pouco de Brasil: o dono da equipe é o brasileiro Eduardo Perales. Luca Marini terminou empatado em pontos com Sam Lowes e só prevaleceu o critério de desempate porque teve um terceiro lugar a mais.

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O pai, Wayne, tocava muito; o filho, Remy toca muito: esta é a verdadeira Família do Remy. (motogp.com)

Moto3, decisão na última volta

Como sempre a Moto3, categoria mais equilibrada e emocionante, abriu a programação com uma corrida de acabar com os nervos de qualquer torcedor. Três pilotos tinham chances matemáticas de título: Albert Arenas (KTM), Ai Ogura (Honda) e Tony Arbolino (Honda). E até a última volta não houve refresco.

Alheio a tudo isso e já com o pé na Moto2, Raul Fernandez (KTM) fez a pole, largou bem e sumiu na frente até a bandeirada, algo raríssimo de acontecer na Moto3. Ogura até conseguiu sair na frente de Arenas, mas aos poucos foi perdendo ritmo. Enquanto isso, Tony Arbolino foi escalando o pelotão e apareceu na frente no terço final da prova. Mas as emoções estavam reservadas para as duas últimas voltas.

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TOCA RAUUUL: Raul Fernandez foi soberbo na Moto3. (motogp.com)

Albert Arenas começou a ter problemas no pneu traseiro, deu uma desgarrada assustadora, recuperou mas foi parar na 12ª posição. Já Ogura conseguiu se livrar do tráfego e se colocou em oitavo. Se estas posições se mantivessem na chegada Arenas seria campeão por dois pontos de vantagem. Mas na última volta Ogura colou no sétimo, Celestino Vietti (KTM) que estava grudado no Darryn Binder (KTM), que vinha colado em Arbolino. Se Ogura conseguisse passar os três seria campeão. Mas não foi!

Ogura terminou em oitavo, Arenas em 12º e o espanhol conquistou um título mais que merecido com três vitórias no ano. Detalhe curioso da carreira desse espanhol: ele estreou no mundial substituindo Eric Granado no GP de Valência em 2014.

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Arenas (75) teve de segurar um rojão na Moto3 para ser campeão mundial. (motogp.com)

Os basti...dores!

Amigos dessa vez eu quase morri mesmo. De verdade! Tudo porque dei aula no sábado e esqueci o carregador do notebook lá no Shopping D, que fica do outro lado da cidade a 25 km da minha casa! Pior: só percebi quando fui ligar hoje às 7:30 e o sinal seria aberto às 7:55 para a largada da Moto3. A bateria do notebook não duraria as mais de três horas de transmissão porque o vídeo consome muito mais energia.

Ah, mas eu tenho o desktop iMac de última geração, que custou os zóios da cara e mais um rim. Legal, corri pra ele e descobri estarrecido que o microfone externo deu pau. Isso deve ter sido no século passado, mas eu nunca tinha testado. E o tempo correndo. Tentei de tudo e... nada.

Ah, mas tudo bem, porque eu tenho ainda o PC da editora Oficina 259 (leia-se Reginaldo Leme), para quem eu trabalho há 200 anos. Pluguei fone de ouvido, microfone, acessei o link da vídeo conferência e... tela azul! Nada! Nadica de nada. Chamei o pessoal da técnica da FoxSports, que acionou remotamente o PC e instalou uns programas trick-tricks de simulador de câmera e, quando faltava UM minuto pra abrir o sinal, eis que eu entro na sala!!! Todo estabanado, chamando Raul Fernandez de Raul Seixas e Ogura de Miagi Sam!

A resolução do PC não chega nem perto da do iMac ou do MacBook Air, por isso demorei pra identificar os números das motos. Mas passado o susto foi tudo bem...

Assim completamos todas as provas de 2020. Agradeci publicamente no ar os meus colegas de bancada Edgard Mello Filho (uma honra enome trabalhar com ele), Hamilton Rodrigues (que elegantemente lembrou de Téo José), Alexandre Barros, Rodrigo Mattar, minha professorinha querida de locução, Mariana, aos técnicos da FoxSports, o motoboy, todo mundo que de alguma forma ajudou a enfrentar essa bucha de canhão que pegamos.

Também agradeço à minha esposa pelos domingos de sol perdidos e por manter os cachorros em silêncio por mais de quatro horas!

Nunca fui de mídia eletrônica, sempre fui redator, fotógrafo, cinegrafista e escritor (além de professor). Enfrentar esse desafio foi insano e sei que dei várias bolas fora, mas também fiz muitos gols, como é tudo na vida. Aprendi demais com esses profissionais e tive um retorno muito positivo por parte da diretoria da FoxSports/ESPN, que foi um alívio. Como diz Fausto Silva, “fazer ao vivo não é pra qualquer um”.

Não sabemos nada ainda do que será em 2021. A FoxSports sai de cena e entra oficialmente ESPN. Mudarão diretores, sede, gerência e não sabemos nada sobre a manutenção ou não desta equipe. Eu espero de coração estar com vocês em 2021. Mas se não rolar saibam que foi uma experiência única, assustadora e valiosíssima!
Até a próxima!!!

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Meu super estúdio caseiro, com três computadores ligados ao mesmo tempo. (Tite)

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Obrigado por ficarem quietinhos nas manhãs de domingo! 

 

publicado por motite às 23:03
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Domingo, 15 de Novembro de 2020

Dó, ré, Mir, Olé!

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Jovem, arrojado e campeão: Mir foi o melhor em 2020. (MotoGP.com)

Espanhol Joan Mir dá a Suzuki o título mundial na MotoGP, Jorge Martin surpreende na Moto2 e Tony Arbolino vence a primeira na Moto3

Depois de confirmada a ausência de Marc Márquez, logo na primeira etapa, o mundo todo já sabia que campeonato mundial de MotoGP em 2020 reservaria muitas surpresas. Só não se esperava tantas assim. Nenhum prognóstico pré-temporada apontava a Suzuki como possível campeã. Muito menos o jovem Joan Mir (23 anos) como campeão. Mas ele fez exatamente o que se espera de um campeão: marcou mais pontos do que os outros, punto e basta! Mesmo com apenas uma vitória (por enquanto) levou o título antecipado de forma merecida e profissional.

A história desse simpático espanhol de Palma de Maiorca começou em 2009 aos 10 anos de idade quando começou a correr de minimotos em kartódromos. Em 2013 subiu à categoria de motos no competitivo Red Bull MotoGP Rookies Cup, o maior celeiro de pilotos de nível mundial. Os bons resultados o credenciaram a estrear no campeonato espanhol de Moto3 em 2015, mesmo ano que fez uma prova como convidado no mundial de Moto3 na Austrália.

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Para a Suzuki foi a quebra de um jejum de 20 anos! (motoGP.com)

Esta prova deixou uma boa imagem e resultou no convite para fazer a temporada completa em 2016, quando conquistou sua primeira vitória. Finalmente em 2017 veio o título mundial vencendo 10 etapas na Moto3 e deixando uma marca particular: a combatividade nos momentos finais da prova.

Em 2018 teve um ano de passagem pela Moto2, conseguindo quatro pódios que lhe renderam um convite para integrar a equipe oficial Suzuki em 2019 na MotoGP. Foi um ano de aprendizado no qual conseguiu 10 vezes ficar entre os top10, mas uma queda deixou de fora de várias etapas.

Finalmente chegou 2020 e sua campanha começou de forma bem discreta, porém constante. Começou com uma queda na primeira prova de Jerez, mais uma na República Tcheca, mas a partir da Áustria engatou uma série de bons resultados que foi somando pontos enquanto seus adversários viviam verdadeiros infernos de altos e baixos.

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Para se tornar campeão neste domingo precisou apenas se manter na pista e terminar na sétima posição. Foi um título mais do que justo e merecido e quem vier com a conversa de que “ganhou porque o Márquez não correu” estará jogando no lixo todos os títulos mundiais do Michael Schumacher que venceu sete títulos na Fórmula 1 após a morte de Ayrton Senna!

Dá-lhe Mórbido!

Outro piloto que merece todo destaque nesta estranha temporada é o ítalo-pernambucano Franco Morbidelli que deu um show de pilotagem no GP da Comunidade Valenciana, liderando praticamente de ponta a ponta com a Yamaha de 2019! Apontado como um piloto que não consegue ser combativo em disputas de posição, desta vez ele fez uma última volta impecável. O australiano Jack Miller (Ducati) chegou a ultrapassar duas vezes, mas Franco devolveu as duas e cruzou a linha de chegada com 50 cm de vantagem!

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Sereno, rápido e combativo: 2020 foi o ano do Morbidelli. (MotoGP.com)

Após a corrida, Franco explicou que na última hora decidiu largar de pneu dianteiro duro, em vez de médio. Isso fez ele perder um pouco nas curvas de baixa velocidade, mas ganhar confiança pra forçar até a última volta. Deu certo!

Pela segunda vez Pol Espargaró terminou em terceiro com a KTM e pode anotar esse nome em 2021, porque ele vai correr na Honda oficial! Pena que Fabio Quartararo (Yamaha) tenha perdido qualquer vestígio de equilíbrio emocional neste final de temporada, porque começou muito bem e foi se afundando. E também uma pena ver que a Yamaha oficial não consegue dar um equipamento melhor para Maverick Viñales e Valentino Rossi. Este voltou do tratamento de Covid-19 ainda meio jururu, mas claro que pode reverter em Portimão na semana que vem. Se serve de consolo, Joan Mir foi o primeiro piloto campeão mundial da MotoGP que frequentou a Academia VR46.

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Moto2, o bote de Martin

Quem se recuperou muito bem do Covid-19 foi o espanhol Jorge Martin (KTM) na Moto2. De malas prontas para a MotoGP ele deu uma aula de estratégia ao largar bem e assumir a primeira posição logo na primeira curva. Depois percebeu que o vento forte e frio estava esfriando o pneu dianteiro e resolveu ficar entre os três primeiros só acompanhando a turma.

Marco Bezzecchi (SKY/VR46) assumiu a ponta, seguido pelos desesperados Hector Garzo (FlexBot40) e Fabio Di Giannantonio (MB Conveyors) que buscavam a primeira vitória na categoria. Enquanto isso, lá atrás, Enea Bastianini (Italtrans) ficava só mantendo um ritmo seguro para acumular o máximo de pontos, porque Sam Lowes (Marc VDS) estava vivendo um sufoco. Lowes caiu nos treinos e machucou o punho direito, justamente o mais solicitado na moto. Não conseguiu treinar mais, largou 18º e conseguiu heroicamente terminar em 14º.

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Jorge Martin foi muito estratégico para vencer na última volta. (motoGP.com)

Até que veio a última volta. Primeiro Di Giannantonio assumiu a ponta de forma espetacular, mas durou pouco porque caiu faltando poucas curvas. Garzo foi pra cima de Bezzecchi, que deixou a moto desgarrar um tiquinho suficiente para Jorge Martin chegar e passar os dois. Faltando poucos metros para a bandeirada os três se alinharam e a chegada foi digna de corrida de cavalo. Martin carimbou seu passaporte para a MotoGP e Bastianini conseguiu terminar em sexto para abrir uma confortável vantagem de 14 pontos para o bravo Sam Lowes. O título será decidido semana que vem em Portugal!

Moto3, o décimo vencedor

Antes de começar a prova a expectativa era sobre a postura do líder Albert Arenas (KTM), já que ele tinha apenas três pontos de vantagem para o segundo, o japonês Ai Ogura (Honda). Bastava ele terminar na frente, sem correr riscos. Mas largar nesta categoria já é correr riscos.

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Deu tudo certo para Tony Arbolino se tornar o 10º vencedor na Moto3. (MotoGP.com)

Arenas fez exatamente o que estava combinado no script: largou na segunda fila, manteve-se longe dos enroscos e terminou em quarto para se consolidar ainda mais na liderança, agora com oito pontos a mais que Ogura.

Mas o pega foi mesmo nas primeiras posições. Tony Arbolino (Honda), Sergio Garcia (Honda) e Raul Fernandez (KTM) se engalfinharam a prova toda. Faltando quatro voltas Arbolino era o terceiro, passou pra segundo faltando três voltas e na penúltima volta assumiu a ponta. Sergio Garcia tomou a segunda posição de Raul Fernandez na última volta e fez uma festa contagiante no pódio. Arbolino se tornou o décimo vencedor da temporada de Moto3 no mais equilibrado e emocionante campeonato da temporada. Agora é esperar mais uma semana para definir em Portugal.

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Três telas pra ver com apenas dois zóios!

Basti...dores!

Desta vez nada a declarar. Só que o Edgard de Mello Filho levantou a suspeita de o Rins não ter errado uma marcha no GP da Europa, semana passada. Segundo ele o câmbio dessas motos é sequencial e por isso imune a erro. Mais ou menos, mestre Edgard. O câmbio é sim sequencial e conta com quick-shift, mas a única possibilidade de erro é justamente da primeira para segunda e vice-versa. Como o ponto-morto fica entre as duas primeiras marchas, se o piloto não meter uma sapatada com força pode sim entrar ponto-morto. Quando isso acontece o piloto pode sair voando da pista, mas Rins conseguiu segurar a moto e voltar para a pista. Não acredito em jogo de equipe porque Rins também tinha chances matemáticas.

E vou aproveitar para mostrar como é meu estúdio de transmissão. São três computadores ligados ao mesmo tempo. O maior fica ligado no site MotoGP.com, o notebook fica no link da transmissão, e o PC fica aberto no Google para levantar dados como “qual é a ave de rapina que avua nas planícies de Valência”, etc.

Eu fico no meio dessa bagunça toda com meu super mega fone de ouvido com um super mega microfone. Olhar as três telas ao mesmo tempo não é fácil! Vamos nos reencontrar domingo que vem!

 

publicado por motite às 19:52
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Domingo, 8 de Novembro de 2020

Acabou o mimiMir, Joan Mir vence o GP da Europa

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Fantástico desempenho da Suzuki com vitória de Joan Mir no GP da Europa. (MotoGP.com)

No GP da Europa finalmente Joan Mir (Suzuki) vence na MotoGP e coloca a mão na taça. Bezzecchi (VR46) confirma favoritismo na Moto2 e finalmente Raul Fernandez (KTM) vence na Moto3.

Que campeonato este de 2020. Antes de comentar a corrida, vamos analisar o campeonato todo. Havia muitos anos que não se via um campeonato tão equilibrado em todas as categorias. Desde a segunda etapa começou a chiadeira sem sentido de “ah, sem Marc Márquez perdeu a graça”. Sério mesmo? Ano passado ele foi campeão com tanta antecedência que as últimas seis etapas poderia ter tirado férias. Foi menos emocionante? Não, porque ao contrário da modorrenta Fórmula 1, as vitórias de MM93 foram todas mega disputadas. Eu tive a paciência de olhar todos os resultados e a maior diferença que ele obteve para o segundo colocado foi de... seis segundos! E em duas ocasiões que ele chegou em segundo a diferença foi de menos de um décimo de segundo!!! Vai me dizer que foi monótono? 

Agora estamos a duas provas do fim e não tem nada definido em nenhuma das três categorias. Quem poderia ter esperado mais emoção? E 2020 ainda guardaria uma surpresa para os apaixonados pela Moto Velocidade: a FoxSports comprou os direitos de uso de imagem dos treinos de sexta-feira, algo inédito na TV brasileira. Então, quem gosta de moto e de corrida de moto tem sexta, sábado e domingo pra ficar grudado na TV. Quer mais?

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Estes dois quase me deixaram sem unha hoje! (MotoGP.com)

Pela primeira vez na história deste país temos uma equipe de comentaristas que sabe tudo e mais um pouco. Principalmente o ex-piloto e vencedor de seis provas do Mundial, Alexandre Barros, que nesta etapa de Valência deu uma verdadeira aula de técnica de pneus, amortecedores, gerenciamento de equipe etc. Não há do que reclamar.

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Caiu? ralou o macacão? Não fique triste, clique na foto porque tem conserto! (MotoGP.com)

Chove, seca, molha & cai

Os treinos de sexta e sábado do GP da Europa, em Valência, foram em clima de muita chuva e umidade, normal nesta época do ano na região. Tempo nublado significa asfalto frio e pneus de corrida simplesmente odeiam asfalto frio. Pneu gosta de calor, muito calor e isso causou um festival de quedas nos dois dias de treino, causando algumas baixas.

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O bebê Raul Fernandez finalmente venceu a primeira e viu toda a sua vida pela frente. (MotoGP.com)

Passado o susto dos treinos, domingo a programação começou com a Moto3 ainda sob céu nublado e trechos da pista com umidade. O pole-position (de novo) foi Raul Fernandez (KTM), mas as primeiras voltas rolou aquele conhecido arranca-toco, com tantas trocas de posições que o locutor pira. Dava pinta que Albert Arenas (KTM) ficaria “cozinhando” para atacar nas voltas finais. Ele só precisava marcar o japonês Ai Ogura (Honda) e terminar na boa.

Estava dando tudo certo até que Celestino Vietti (KTM) derrapou, voou e Albert Arenas teve de frear para não atropelar o italiano. Pena que Alonso Lopez (Husqvarna) não conseguiu desviar e estampou a traseira do Arenas, caindo e arrancando o escapamento da KTM. Era tudo que o líder da Moto3 não podia esperar, porque mesmo sem cair teve de voltar aos boxes para tentar consertar. Ainda voltou para a pista mas recebeu bandeira preta por ter desrespeitado a bandeira azul. Na verdade ele quis, espertamente, ajudar a tirar pontos do Ai Ogura, mas não deu certo... E coube a mim a batata da transmissão ao comentar que era aniversário de Celestino Vietti. Não era, a confusão é porque a geradora mencionou que até aquele momento ele tinha sido o vencedor mais jovem da Moto3 em 2020, aos 18 anos. Esta informação passou rápido e eu só vi os 18 Y.O. Sem conseguir abrir o site da MotoGP dei a comida de barriga, foi maus! Ele fez aniversário dia 13/10.

A partir daí vimos uma cena rara na Moto3: o líder Raul Fernandez conseguiu uma diferença de dois segundos e despachou todo mundo, obtendo sua primeira vitória no Mundial. Ai Ogura fez de tudo para conseguir o máximo de pontos e arrancou um ótimo terceiro lugar, logo atrás do surpreendente espanhol Sergio Garcia (Honda). Ao final, Raul declarou que “se conseguir um pódio já foi ótimo, vencer foi maravilhoso, na volta final eu vi toda a minha vida pela frente”. Uma vida que está só começando porque tem apenas 19 anos.

Arenas ainda lidera o mundial, com 157 pontos, apenas três a mais que Ai Ogura. Ainda tem 50 pontos em jogo e tudo pode acontecer.

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Se não tivesse caído tanto Bezzecchi poderia estar liderando o mundial de Moto2. (MotoGP.com)

Marco histórico

O treino de classificação mais maluco dos últimos tempos foi na Moto2. Os minutos finais foram de enfartar, quando Sam Lowes (Kalex) tinha a pole-position parcial, mas faltando menos de dois minutos o espanhol Xarvi Vierge (Kalex) apareceu com um tempo absurdo e cravou a pole. Joe Roberts (Kalex) brigou por mais uma pole mas no final teve de se contentar com o segundo lugar no grid de largada.

No momento da largada da Moto2 já dava para ver um fiapo de sol. A temperatura subiu um pouco e isso dava um tiquinho de tranquilidade para os pilotos. Mas foi só até apagarem as luzes vermelhas. Logo na largada Vierge perdeu a posição e Joe Roberts surgiu como um foguete cheio de apetite. Pena que durou pouco. Logo após assumir a ponta e parecer se distanciar Roberts caiu na segunda de 25 voltas, jogando um balde de água fria na prova.

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Bezzecchi assumiu a ponta com Sam Lowes dando impressão de ter a corrida sob controle. Ledo engano! Na décima volta foi a vez do inglês escorregar a sair da pista. Ainda tentou voltar mas não deu. Foi um momento decisivo porque Enea Bastianini (Kalex), que saiu na 15a posição estava em segundo na tabela do mundial a apenas sete pontos do britânico. No momento da queda Bastianini estava lutando pela oitava posição e isso reduziria um pouco os danos para Lowes. Mas nas últimas duas voltas “La Bestia” conseguiu se livrar do tráfego, ultrapassar Lorenzo Baldassarri (Kalex) na última volta e terminar em uma ótima quarta posição, o que lhe rendeu a liderança temporária do mundial de Moto2, com 184 pontos, seguido por Lowes com 174. Completou o pódio Jorge Martin (Kalex) e o surpreendente Remy Gardner (Kalex) que ao final se dizia feliz, mas triste, vai entender... Tive de suar pra traduzir o inglês australiano, mas o discurso é sempre mais ou menos o mesmo!

Ficou só a sensação de que Marco Bezzecchi , o piloto mais veloz do domingo, poderia estar lutando por este título se não tivesse tido dois acidentes em duas provas seguidas. Mas em corridas “se” é uma possibilidade que simplesmente não existe.

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Que temporada, meus amigos! Na MotoGP Jack Miller tirou leite de pedra da Ducati. (MotoGP.com)

Mirlagre!

Durante metade do campeonato o espanhol Joan Mir (Suzuki) teve de aguentar o mundo todo comentado a possibilidade de ele ser campeão mundial sem nenhuma vitória. Pronto, acabou. Ele conseguiu em Valência sua primeira vitória na MotoGP disparou na liderança do mundial, calou a boca de muita gente e pôs fim ao mimimir.

E foi uma vitória maiúscula, construída já no grid de largada quando optou por pneus médios. Depois da impressionante largada de Pol Espargaró (KTM), que fez a pole-position, seguido de Alex Rins (Suzuki), Mir ficou num ritmo bem tranquilo só vendo o circo pegar fogo. As duas Suzuki estavam muito bem no miolo do circuito, enquanto a KTM chegava melhor no final da reta.

Depois de estudar com cautela, Rins assumiu a liderança e na volta seguinte foi a vez de Mir também passar o piloto da KTM. Tudo caminhava para uma dobradinha da Suzuki com Rins em primeiro. A equipe já tinha avisado que deixaria os dois pilotos livres para decidirem o título. Não haveria favorecimentos. E não houve mesmo! Só que Rins errou uma marcha, alargou a curva e viu Joan Mir passar para abrir quase um segundo de vantagem.

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Ow, dureza! Depois do Covid-19 foi a vez de Valentino sofrer com a Yamaha claudicante. (MotoGP.com)

Joan Mir é um piloto com histórico de pressionar muito no terço final da prova e mostrou isso abrindo uma confortável distância. Rins e Espargaró fecharam em segundo e terceiro lugares. Festa da Suzuki e alívio enorme para o super gente boa Joan Mir, que declarou no final da prova: “acho que continuo sendo o mesmo cara, mas muito mais feliz”. Ele foi o nono piloto a vencer na categoria no ano e a Suzuki lidera o mundial com dois pilotos entre os três primeiros algo que não acontecia desde 1986!

Ótimo quarto lugar do japonês Takaaki Nakagami (Honda) que ultrapassou o português Miguel Oliveira (KTM) na última volta!

A casa da Yamaha caiu de vez mesmo. O piloto mais bem colocado da marca foi Franco Morbidelli (Petronas) que terminou em 11º. Fabio Quartararo (Petronas) caiu logo no começo. Valentino Rossi teve de abandonar por problemas mecânicos e Maverick Viñales largou do box para terminar em penúltimo. Climão ruim também na Ducati, que viu no Jack Miller seu melhor piloto, chegando em sexto e Dovizioso pode realmente preparar para as férias, porque este final de ano está horrível para o italiano.

Más notícias vindas da família Márquez, dando conta que Marc reclamou muito de dores no braço fraturado e poderá ser submetido a uma nova cirurgia para trocar a placa do úmero. Se isso se confirmar pode ficar de fora até mesmo dos testes pré-temporada. Vamos torcer para ser só uma suspeita.

O mundial tem novo encontro no domingo, 14, com o GP de Valência, no mesmo circuito Ricardo Tormo.

Basti...dores!

Desta vez correu tudo na mais absoluta normalidade. Acho que o Alexandre está dando um show nos comentários sábado e domingo. Edgard de Mello Filho lê tudo que sai sobre MotoGP até em javanês, o Hamilton está cada vez mais empolgado e eu, bom, cuidando da minha voz como se fosse o William Boner e berrando feito louco a cada ultrapassagem. Prometo até o final do ano mostrar um filme de como é meu estúdio de gravação!

publicado por motite às 21:24
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Domingo, 25 de Outubro de 2020

We Lowes You

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Play it again, Sam: terceira seguida de Sam Lowes na Moto2. (Foto: MotoGP.com)

Sam Lowes vence pela terceira vez consecutiva na Moto2, Franco Morbidelli vence pela segunda vez na MotoGP e Jaume Masiá ganha a segunda na Moto3 em Teruel

Outro domingo para tirar o fôlego de quem gosta de motovelocidade. Foram três provas que embolaram mais ainda o campeonato, abriu disputa nas três categorias e ainda restam 75 pontos em jogo. Nada está decidido e havia muitos anos que o público não tinha um campeonato de MotoGP tão equilibrado.

Tudo em função da ausência de Marc Márquez (Honda) que fraturou o úmero na primeira etapa e viu piorar a gravidade com uma segunda fratura no mesmo local. Só relembrando, Marc quebrou o braço na primeira etapa na Espanha no dia 19 de julho. Menos de uma semana depois tentou voltar à pista, sentiu que seria impossível e foi pra casa. De forma irresponsável começou a malhar feito louco e poucas semanas depois teve uma segunda fratura no mesmo local, alegando que “foi abrir uma janela”. Daí em diante sua recuperação é uma incógnita, porque a equipe blindou o piloto. Fala-se em uma nova cirurgia, que seria para retirada da placa que sustenta o osso, portanto ele só volta mesmo em 2021.

Eu trabalhei em hospital por 18 meses como fotógrafo e cinegrafista. Vi dezenas de cirurgias de osso e aquilo parece uma funilaria e pintura das quebradas. Quando um osso quebra duas vezes no mesmo lugar – com placa de platina – os médicos precisam abrir de novo, alinhar o chassi e pregar a placa de volta. Essa placa é parafusada e não se pode parafusar duas vezes no mesmo local para não fragilizar o osso. Então toca fazer mais furos, com uma furadeira mesmo, broca, lixa, que nem remendo de lataria de Fusca.

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Se não calcificar é preciso abrir o cabra de novo, inclusive no quadril, retirar um pequeno pedaço da osso do quadril (perto da crista ilíaca) e fazer um enxerto. Isso mesmo, tipo uma roseira de jardim. Isso acelera a formação do “calo ósseo”, mas a placa continua lá. Não foi o caso do Marc, mas fala-se em uma quarta cirurgia (melhor colocar logo um velcro no cara) para a retirada da placa. O que não sabemos é a extensão das lesões em nervos e tendões. Se houve lesão é grande a chance de perda da capacidade preênsil da mão direita, justamente a mais solicitada por causa do acelerador e freio dianteiro. Em suma, quem for das lidas religiosas, reze; quem não for, torça, porque o quadro é preocupante. Vai precisar muita fisioterapia e treino com moto para voltar em 2021 com ritmo.   

Com ele na pista, em 2019, a seis etapas do fim já era campeão antecipado. Aliás, 2019 foi um campeonato com uma das maiores diferenças de pontos entre campeão e vice, chegando a impensáveis 150 pontos! Para 2020 tudo mudou. Sem o bicho papão da categoria tivemos oito vencedores em  11 etapas e somente Morbidelli e Fabio Quartararo venceram mais de uma vez, ambos da equipe Yamaha-Petronas.

Já Valentino Rossi continua se recuperando do Covid-19. Deve estar tomando cloroquina, Arlequina, estricnina, qualquer coisa pra poder voltar ainda nesta temporada mas, claro, sem ritmo.

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Jaume Masiá faturou com autoridade a segunda seguida. (MotoGP.com)

Jaume demasiado veloz

A programação do GP de Teruel começou com a eletrizante Moto3. A categoria mais equilibrada de todas largou com pinta de que o espanhol Albert Arenas (KTM) cruzaria em primeiro para ampliar a vantagem sobre o segundo, o japonês Ai Ogura (Honda). Antes da metade da primeira volta os cinco primeiros colocados já tinham trocado de posição pelo menos meia dúzia de vezes. Este foi o tom da corrida. Eu ficava com um olho na tela e outro na tabela do living time. Uma loucura. Tive pena do Hamilton Rodrigues...

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Caiu? arranhou o macacão de couro? Não se desespere, clique na foto aí em cima porque tem conserto!(MotoGP.com)

O piloto Sergio Garcia (Honda) largou na última fila, em 28º lugar e na metade da corrida estava em quarto! Deu até a entender que poderia vencer, mas acabou caindo por culpa do japonês Tatsuki Suzuki (Honda) na penúltima volta!

Faltando duas curvas para a bandeirada Albert Arenas estava em segundo e parecia ter um pódio garantido, mas um pequeno erro, milimétrico, o fez perder duas posições e cruzar em quarto. Ainda lidera o mundial de Moto3 e é o franco favorito, só que agora com 19 pontos sobre Ogura e 20 sobre o italiano Celestino Vietti (KTM), quinto colocado na prova. Jaume Masiá tinha um pouquinho mais de velocidade no final da reta e ficou com a merecida vitória, que teve um marco importante: foi a 800ª vitória da Honda em provas do mundial desde 1961.

Este final de campeonato vai ser aquela briga de foice no elevador com a luz apagada, vale a pena acordar cedo.

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Dai Franco! Segunda vitória de Morbidelli o coloca na briga pelo título. (MotoGP.com)

Franco atirador

A MotoGP fez a segunda prova do dia, com o surpreendente japonês Takaaki Nakagami (Honda) na pole-position. Um feito notável para uma equipe satélite e que colocou a Honda de volta no topo de um grid de largada desde 2019. Ao lado dele o italiano Franco Morbidelli (Yamaha) e o espanhol Alex Rins (Suzuki). No sábado eu li uma entrevista do Nakagami afirmando que já na etapa anterior o engenheiro da HRC passou uma “cola” pra ele com a telemetria de MM93. Com isso o japa estudou tudo que MM93 fazia e fez igual. Foi difícil, claro, mas conseguiu, o que mostra que tudo é possível com um pequeno esforço e alguma espionagem.

Nakagami era o favorito, tido como franco atirador, porque tinha um bom ritmo nos treinos e, sem chance de título, poderia correr apenas pensando na vitória. Pena que essa alegria durou apenas duas curvas, pois ele caiu logo depois da largada, por conta do pneu dianteiro ainda frio. Morbidelli largou muito bem, assumiu a ponta e não perdeu mais até a bandeirada, impondo um ritmo frenético. Alex Rins que saiu em terceiro, até tentou, mas não conseguiu chegar nem perto do italiano, terminando em segundo. Joan Mir (Suzuki) largou em 12º, fez uma corridaça e fechou o pódio em terceiro, ampliando a liderança no campeonato. Ele pode se tornar o segundo espanhol a conquistar um título mundial sem vencer nenhuma prova. Antes dele foi Emilio Alzamora, em 1999, campeão mundial na 125cc, sem nenhuma vitória.

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Brilhante corrida de Alex Rins, mas não conseguiu buscar Morbidelli. (MotoGP.com)

Bom, aqui cabe uma explicação: Alzamora realmente foi campeão e eu vi, porque estava lá no Rio de Janeiro. Mas o vice foi o Marco Melandri, com cinco vitórias na temporada. As carreiras de ambos seguiram. Alzamora foi ladeira abaixo e caiu no esquecimento. Melandri foi campeão mundial na 250cc em 2002, venceu cinco corridas na MotoGP e curtiu a aposentadoria vitoriosa na Superbike. E Alzamora? Virou “coach” do Marc Márquez pro resto do tempo. Dizem que foi ele que descobriu o pequeno gênio espanhol. Isso prova que nem sempre o título vai pro melhor, mas para aquele que erra menos.

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Ótimo trabalho de Johan Zarco com uma Ducati velhinha (MotoGP.com)

Fantástica prova do francês Johan Zarco (Ducati) que se manteve sempre entre os primeiros e conseguiu segurar o ímpeto do português Miguel Oliveira (KTM) nas últimas voltas para arrancar um excelente quinto lugar, atrás do também surpreendente Pol Espargaró (KTM).

Com esta vitória, Morbidelli se coloca como um dos candidatos ao título, porque agora tem apenas 25 pontos de desvantagem para o líder, Mir. Por outro lado, Fabio Quartararo (Yamaha) mais uma vez fez uma corrida decepcionante, mas ainda marcando pontos pelo apagado oitavo lugar.

Sobre o Morbidelli, mais uma vez: tecnicamente falando, ele só pode ser chamado de ítalo-brasileiro se tiver dupla cidadania. Eu duvido que ele tenha passaporte brasileiro, dada a inutilidade perante ao da Comunidade Europeia. Senão um quinto dos paulistanos nascidos nos anos 40 e 50 poderão ser tratados como ítalo-brasileiros ou luso-brasileiros porque esta cidade foi praticamente povoada por imigrantes italianos e portugueses (inclusive eu, que seria um ítalo-luso-brasileiro). Como eu não sei se ele tem cidadania brasileira, nem nunca li nada a respeito (se alguém souber me avisa), continuarei a tratá-lo como ITALIANO, nascido em Roma. Porque sou avesso a pachequismo!

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Mineiramente Joan Mir vai se consolidando na liderança da MotoGP. (MotoGP.com)

Play it again, Sam

Desta vez ninguém precisou cair para Sam Lowes (Marc VDS/Kalex) vencer de ponta a ponta. Largou na pole, ignorou os adversários e colocou abissais 8,5 segundos sobre o segundo colocado, o italiano Fabio Di Giannantonio (Lightech/Speed Up). Surpreendente terceiro lugar de Enea Bastianini (Italtrans/Kalex). Quem fez a prova mais divertida foi o espanhol Jorge Navarro (Lightech/Speedup). Saindo na segunda posição, ele se desconcentrou na largada, deixou a moto empinar e caiu para a 15ª posição. Fez uma corrida de recuperação fantástica e terminou em quinto bem perto do australiano Remy Gardner (Onexox/Kalex).

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Mais certinho que Big Ben: Sam Lowes correu como um relógio, sem falhas. (MotoGP.com)

Mais uma decepção na conta do italiano Luca Marini (VR 46/Kalex). O meio-irmão de Valentino Rossi teve um começo de temporada fulminante, mas com duas provas sem marcar pontos viu sua liderança ser pulverizada. Na prova de Teruel até começou bem, mas perdeu ritmo e terminou em 11º a 24 segundos do vencedor. Pra mim tem a ver com a ausência do irmãozão, porque nas duas provas que o VR46 faltou ele despencou ladeira abaixo.

Com este resultado Sam Lowes assumiu a liderança com 178 pontos, sete a mais do que o segundo, Enea Bastianini. Marini ainda está em terceiro, com 155 pontos e com 75 pontos ainda em disputa. Esta terceira vitória consecutiva do inglês Lowes deu-se 49 anos depois de Phil Read conseguir três em seguida para a Inglaterra na categoria intermediária (na época 350cc).

A próxima etapa será dia 8 de novembro, em Valência, Espanha. A título de curiosidade, muita gente pergunta porque muda o nome da prova se é realizada na mesma pista. Por isso mesmo: para não confundir qual “GP da Espanha” estamos nos referindo. Mas também por questões de direitos autorais de marca. Cada GP tem um registro e não pode haver mais de um com o mesmo nome. E de quebra, dá-se a oportunidade de mudar de patrocinador e faturar duas vezes.

Outra curiosidade: por que não tem mais as (sem adjetivos qualificativos) grid girls? Por causa da maldita pandemia que voltou com tudo na Europa. Sinto muita falta daquelas mocinhas pouco vestidas da Monster Energy. Eu e todos vocês!

E hoje não tem bastidores porque meu único incidente foi cortar o dedo no café da manhã. Dessa vez correu tudo bem! Até a próxima! Açulera Brasil!!!

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Pow, Naka Sam, relaxa porque você pilotou muito! (MotoGP.com)

 

 

 

 

publicado por motite às 18:50
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Domingo, 18 de Outubro de 2020

Cálculo de Rins, como foi a etapa de Aragão de MotoGP

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A festa dos Alexis: Rins e Marquez no pódio, imagina com público! (Foto: MotoGP.com)

Alex Rins – Suzuki – se torna o oitavo piloto a vencer na MotoGP e embola o campeonato. Sam Lowes vence na Moto2 e Jaume Masia dá a 100a vitória para Honda na Moto3.

Desculpe o trocadilho, mas o espanhol Alex Rins (Suzuki) usou uma estratégia calculada na escolha de pneus para se tornar o oitavo vencedor nesta super emocionante edição do mundial de MotoGP. Ainda  a Suzuki voltou a liderar o mundial de MotoGP de novo desde o ano 2000 com Kenny Roberts Jr.

Se os espanhóis já estavam felizes com a vitória de um filho da terra, o pódio foi completado pela motivado Alex Márquez (Honda) e o agora líder do campeonato, Joan Mir, também de Suzuki. Só deu bandeira da Espanha, no belo circuito de Motorland, em Aragão.

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A linda imagem dos Alex com o famoso "Muro de Aragón" ao fundo. (MotoGP.com)

A corrida começou novamente com uma hora de atraso, por isso o público brasileiro, mais uma vez, perdeu as entrevistas pós-corrida e o pódio, pois a programação da FoxSports já estava comprometida com o sinal do campeonato espanhol de futebol às 10:52. Desta vez o motivo do atraso foi mais do que justificável: com a interrupção do campeonato por conta da pandemia de Covid-19, o calendário chegou nas últimas etapas já no outono europeu. Com temperaturas que chegaram a 8ºC, os pneus não davam aderência suficiente e os pilotos estavam caindo que nem fruta madura.

Mesmo situada bem ao sul da Europa – quase na África – a região de Aragão amanheceu na sexta-feira com 12ºC o que causou um festival de quedas. Por isso a Dorna decidiu atrasar a largada da Moto3 em uma hora.

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Joan Mir fez ótima prova e lidera o mundial de MotoGP. (MotoGP.com)

Os treinos colocaram duas Yamaha na primeira fila, com a 10a pole-position de Fabio Quartararo, seguido de Maverick Viñales e da Honda do inspirado Cal Crutchlow. Quem deu piti nos treinos foi o italiano Andrea Dovizioso (Ducati) que alegou ter sido atrapalhado pelo colega Danilo Petrucci (Ducati), ficando apenas na 13a posição, algo terrível para quem briga pelo título. Alex Rins fez o 10º tempo e Alex Márquez o 11º.

Na largada Viñales partiu como um Exocet e abriu uma distância que dava a entender que seria uma vitória de ponta a ponta, seguido de Quartararo e Franco Morbidelli (Yamaha). Mas lá de trás começavam a despontar Alex Rins – que fez excelente largada – e Alex Márquez. Enquanto Fabio Quartararo começava a perder ritmo, a dupla de Alex escalava o pelotão.

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Antes da metade da corrida já dava para perceber que Viñales não sustentaria a liderança. Na nona volta Rins ultrapassou e se consolidou na liderança até a bandeirada. Alex Márquez com uma Honda muito bem equilibrada continuou a escalar o pelotão até chegar a segundo e encostar no líder. Chegou a quase ultrapassar na penúltima volta, mas uma escorregada do pneu traseiro fez ele reduzir e finalmente Alex Rins cruzou para sua terceira vitória na categoria, primeira de 2020 e subir à sétima posição geral na tabela.

Quem saiu de Aragon com sorriso de orelha a orelha foi Joan Mir, que se manteve em terceiro, se preservando de eventual queda na traiçoeira Curva 2 e assumiu a primeira posição depois de uma corrida sofrível do ex-líder Quartararo. O francês da Yamaha Petronas foi perdendo ritmo e sua dificuldade em curvas era visível. Terminou em 18º com problema de perda de pressão no pneu dianteiro. É uma daquelas situações que se diz “é raro, mas acontece sempre”!

Ainda tem 100 pontos em disputa, mas Joan Mir pode repetir o feito do também espanhol, Emilio Alzamora, que foi campeão mundial de 125cc em 1999 sem vencer nenhuma prova.

A nota curiosa dessa etapa é que pela primeira vez desde 1999 a MotoGP teve uma corrida sem um campeão mundial da categoria. Porque Marc Márquez ainda está no estaleiro e Valentino Rossi foi dispensado depois de testar positivo para Covid-19. Melhoras ao doutor.

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Mais elegante que filho de barbeiro: Sam Lowes venceu de novo. (MotoGP.com)

Maledetta 2

Vai ser difícil para os italianos da Moto2 esquecerem a Curva 2 de Motorland. Foi ela a responsável por embaralhar o campeonato durante toda a corrida. Logo no começo o líder Luca Marini (VR 46) caiu na Curva 2 depois de perder aderência do pneu dianteiro.

Sam Lowes (Marc VDS), que fez a pole, estava em segundo, tranquilo com Marco Bezzecchi (VR46) na liderança e com toda pinta de vencedor. Como Marini estava fora, a vitória de Bezzecchi o colocaria na liderança do mundial. Mas... quando tem condicional é porque não deu! Ele também foi vítima da Curva 2, numa queda que parecia replay da do Marini. As duas motos da equipe VR 46 foram embora na mesma curva!

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O motivo dessas quedas é que os pilotos vem de uma longa curva à esquerda, depois a reta de chegada, outra curva à esquerda e chega na 2 para a direita. O pneu vem superaquecido do lado esquerdo e quando faz a transição para a direita o piloto precisa ser muito suave. O autor desta “receita” foi o vencedor, Sam Lowes que explicou depois da vitória. “Fiquei preocupado com a Curva 2 o tempo todo, mas depois de alguns sustos passei a ser mais suave e deu certo”.

Melhor para Enea Bastianini (Italtrans) que arrancou das mãos de Jorge Martin (KTM) a segunda posição na metade da última volta. Com isso, ele passou a liderar o mundial de Moto2 com dois pontos de vantagem sobre o sereno Sam Lowes e cinco de vantagem para Luca Marini que despencou para a terceira posição. Mas ainda tem 100 pontos em disputa!

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Quem viu, viu

A Moto3 é aquele tipo de categoria que não permite o espectador nem sequer piscar. Principalmente na última volta e mais ainda na última curva. O que aconteceu nessa chegada da Moto3 em Motorland é difícil de descrever. Para identificar os seis primeiros colocados só com auxílio de replay.

A principal preocupação do líder do campeonato, Albert Arenas (KTM), era manter uma distância segura do segundo colocado, Ai Ogura (Honda). Com uma briga ferrenha pelas primeiras posições, Arenas conseguiu cumprir a meta até quase a bandeirada. O “quase” fica por conta das últimas duas voltas que foram desastrosas pra ele. Na penúltima perdeu a liderança, deixou a moto escorregar demais e foi para o quarto lugar. Mas nada é tão ruim que não possa piorar: a poucos metros do final foi ultrapassado por Jeremy Alcoba (Honda) e John McPhee (Honda) para cruzar em sétimo.

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Jaume Masia deu show em Aragón. (MotoGP.com)

Enquanto isso, lá na frente Jaume Masia (Honda) que havia largado em 17º ganhava posições, enfileirando ultrapassagens em sequência até assumir a ponta faltando duas voltas. Foi o nono vencedor em 10 etapas e deixou a classificação ainda mais tranquila para Arenas porque Ai Ogura terminou apenas em 14º lugar, sem esboçar menor ânimo para combate.

Completaram o pódio, Darry Binder (KTM) num sprint fantástico e Raul Fernandez (KTM) que ainda está buscando a primeira vitória do ano.

Próximo domingo, 25, os pilotos voltam ao grid de largada na mesma pista para o GP de Teruel.

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Este meu macacão branquinho correu sérios riscos no Rio de Janeiro. (Foto: Fabio Arantes)

Basti...dores!

Vou começar explicando pela enésima vez como funciona esse papo de sinal. Se a corrida começa no horário combinado, ela termina muito antes dos jogos do campeonato espanhol de futebol. Pra ser bem exato, 45 minutos antes. Mas se as corridas começam com uma hora de atraso ela invade o sinal do futebol e não tem choro! Oito minutos antes de a programação do futebol entrar no ar nós temos de entregar o sinal. Pura questão de grade. Isso já aconteceu com outros esportes, com F-1 e até com futebol, quando atrasa e ameaça o horário do Faustão! Por isso não teve entrevistas nem pódio.

Mas eu assisti pelo canal privado e posso garantir que foi igual a todos os outros! O Alex Rins disse que sabia que chegaria na frente desde a primeira volta, só não imaginava tão na frente. Que ele esperou ser atacado pelo Alex Márquez, mas sentiu que tinha ritmo para segurar a posição. Agradeceu à equipe, família e foi muito fofo ao agradecer também à namorada! Garantiu a noite!

Dito isso, vou contar que os bastidores desta etapa foram terríveis. Sempre achei que o maior pesadelo de quem trabalha com rádio e TV era acordar sem voz. Tem coisa pior. A voz dá pra fazer exercícios e recuperar. Mas descobri que nada é mais grave do que um piriri! Para ser mais científico: gastrenterocolite, popular diarreia! Sim, amigos(as), não sabe como um macarrão com frutos do mar pode mandar um comentarista à pique.

No meio da madrugada acordei com um vulcão em erupção no meu estômago. Felizmente o banheiro fica a poucos (e pequenos) passos da cama, porque foi cronometrado. O que se seguiu deixaria o acidente com o Exxon Valdez parecer um gota no oceano.

Pensa que acabou? Nada, meu celular não sabe ler e não foi informado que neste ano não teríamos horário de verão. Ninguém avisou e ele me acordou uma hora antes do previsto, porém sem me avisar que era uma hora antes. Fiz todo ritual de aquecimento de voz (sem muita forca, por motivos óbvios), preparei meu café bem fraco e vesti o fone de ouvido precisamente às 7:00, esperando o link da transmissão. Deu sete horas, nada. O tempo foi passando e nada. Mandei um zap pro Edgard de Mello Filho e pro Hamilton Rodrigues e nada.

Pronto, pensei, o mundo acabou e vou chegar atrasado por causa de um piriri! Só fui perceber que meu relógio estava errado quando olhei pro chat da transmissão e vi que tinha uma diferença de uma hora!

No meio da Moto3 veio a pontada. Aquela que endurece até os pelos do sovaco. Mas eu não podia sair. Quando deu a bandeirada avisei pelo chat BANHEIRO!!!

Poizé, e você achava que vida de comentarista era puro glamour! Visitei o sagrado trono real e depois foi tranquilo. Aprendi a lição: véspera de corrida só canja de galinha ou biscoito de polvilho!

Sabe do pior? Isso já aconteceu comigo quando eu corrida de 125 Especial. Numa corrida no Rio de Janeiro eu confiei na macarronada do hotel e passei a noite de sábado me debulhando em suor e outras secreções. Na manhã de domingo acordei em estado líquido e minha largada seria precisamente ao meio dia, num calor de 40ºC. Era a receita da desgraça.

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Foi preciso muita concentração pra eu levantar esse pesado troféu sem sofrer acidentes! (Foto: Idário Araújo)

Domingo de manhã, no caminho para a pista, parei numa farmácia e comprei soro fisiológico e um pacote de fralda geriátrica. Afinal eu só tinha UM macacão... e era branco!

Na hora do warm-up fui me vestir escondido para colocar a fralda. Pensa numa coisa desconfortável! Parecia que tinha 15 mil reais enfiado no ... lá mesmo. Só senador consegue! Ficou tão desagradável que dei só duas voltas para texturizar os pneus (slicks) e voltei pros boxes pensando em como melhorar aquilo.

Foi quando minha namorada sugeriu usar absorvente! Afinal ele já foi feito pra viver naquela região. Quer dizer, geograficamente falando, um pouco mais à frente. Para a corrida lancei mão do absorvente, aderente à cueca, e fui pra largada pensando no tamanho do possível desastre que seria um simples espirro.

Quando acendeu a luz verde os problemas acabaram, porque correr numa moto de 60 kg, com 56 CV, pneus slicks, no saudoso autódromo de Jacarepaguá, chegando a 212 km/h no final da reta, no meio de um bando de loucos faz o esfíncter travar de um jeito que não passa nem ultravioleta!

Por incrível que pareça, ainda consegui um pódio! Mas subi os degraus com passinhos bem pequenos e sem fazer força!

 

 

 

publicado por motite às 20:14
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

EXCLUSIVO: Eric Granado fala do desafio de correr no Mundial de Superbike

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O jovem paulistano terá um enorme desafio neste fim de semana (Foto: BestPR)

Desafio será neste fim de semana em Estoril, Portugal

Aos 24 anos e com a carreira em ascensão, o jovem brasileiro Eric Granado fará sua estreia no próximo final de semana no Mundial de Superbike, principal campeonato internacional de motos de fábrica – e portanto uma importante vitrine esportiva para a indústria. Convidado pela Honda do Brasil para disputar a última etapa do torneio, no Estoril, em Portugal, em poucos dias Eric se viu às voltas com muitas novidades e um grande desafio.
A própria Honda está em sua temporada de retorno ao campeonato após 18 anos de ausência, contanto a equipe oficial HRC e a satélite MIE Racing Honda Team. Granado irá pilotar a nova moto Honda CBR 1000 RR-R SP preparada pela MIE Racing. O brasileiro competirá na categoria WorldSBK, a principal do campeonato. Abaixo, Eric analisa o que tem pela frente neste final de semana.

O que você espera fazer nessa corrida de estreia?
Eu não vou entrar na pista pensando em resultado. Eu vou subir na moto e entregar o melhor que puder. Essa que vai ser minha perspectiva no final de semana. A única vantagem que tenho inicialmente é conhecer a pista. Conquistei no Estoril duas vitórias quando fui campeão europeu de Moto2 em 2017. O traçado foi recapeado, então deve estar melhor do que quando eu competi lá – deve estar mais rápido. De resto, tenho muitas variáveis novas. Desde a equipe, a moto, os rivais na pista, meu companheiro de equipe, tudo será um aprendizado. Espero mesmo aprender muito.

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O Mundial de Superbike é uma alternativa para sua carreira?
Eu acredito que a Superbike nunca esteve em um nível tão alto. Temos grandes pilotos, equipes de fábrica muito preparadas e motos de grande potência e tecnologia. É um pacote muito interessante e é impossível, como piloto profissional, não sonhar em estar lá definitivamente. Claro, minha meta sempre foi a MotoGP. Mas tudo tem seu tempo. Dito isso, quero muito agradecer à Honda do Brasil por esta oportunidade. Eu vejo isso como um fruto especial do nosso relacionamento, já que deste 2017 conquistamos títulos na Superbike Brasil juntos. Estou muito grato por essa história que estamos construindo.

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No Brasil ele corre com uma Honda CBR 1000RR Fireblade. (Foto: BestPR)

Falando em Superbike Brasil, correr nesse campeonato vai ajudar a se adaptar no Mundial de Superbike?
Existem diferenças técnicas entre as motos dos dois campeonatos. A que usamos no Brasil é potente e veloz, mas a do Mundial tem um pacote de freio, chassi, eletrônica e motor diferentes. Na eletrônica, coisas como anti-wheeling, controle de tração e outros dispositivos vão exigir um aprendizado, pois durante a corrida eles podem ser decisivos, dependendo da condição da pista, com ou sem chuva etc. Então, o meu principal foco será entender como isso tudo funciona na moto e como ajustar em cada condição de aderência, temperatura e desgaste dos pneus.

Fisicamente, é uma categoria exigente?
Sempre que você tem pilotos de alto nível, a corrida te leva a um limite físico ou psicológico. E a Superbike tem um grupo muito forte, além de as motos serem potentes e rápidas. Motovelocidade já é normalmente é um esporte muito físico. Mas eu tenho uma rotina de preparação muito completa. Treino não apenas de moto, mas também de bike e faço uma preparação específica bastante intensa. Acho que isso não será problema e por isso vou poder me concentrar em trabalhar com a equipe para chegar a um bom acerto da moto para o classificatório e a corrida. Se conseguir isso, farei uma boa estreia.

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Eric lidera o campeonato brasileiro de Superbike invicto. (Fotos BestPR)

O que essa estreia representa para você?
Se eu te disser que não estava preparado, estaria mentindo. Me preparei a vida toda para correr em categorias desse nível. De outro lado, se disser que estava preparado, também não será 100% verdade, por que essas coisas são sempre um desafio grande. E foi algo que a Honda do Brasil resolveu me proporcionar. E eu topei na hora. O certo é que eu chego em um grande momento, o campeonato nunca esteve tão competitivo. O nível é altíssimo. E é isso o que realmente me motiva.

Você estará em uma equipe satélite, a MIE Racing. O que espera encontrar na pista?
Eu sei que é um time muito profissional e está contribuindo para que esse retorno da Honda seja bem sucedido. Meu companheiro de equipe, Takumi Takahashi, é muito rápido e tem uma boa experiência. Acho que vão me ajudar muito nessa estreia.

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A Honda voltou ao Mundial de Superbike depois de 18 anos de ausência. Como você vê esse retorno?
Eu sou piloto Honda no Brasil. A marca tem uma imagem de seriedade, incluindo nos carros, mas é interessante quando você está dentro do time e vê as coisas acontecerem de perto, como é o meu caso no Brasil. Eu acredito que em breve veremos esse time fazer grandes coisas no Mundial. É uma questão de tempo.


Corridas – O encontro do Mundial de Superbike no Estoril terá esta sexta-feira (16) dedidada aos treinos livres. No sábado (17), os pilotos entram na pista para o classificatório e a disputa da primeira corrida do final de semana. O domingo (18) verá outro classificatório, no formato de corrida, e a disputa da prova que encerra o final de semana e também a temporada 2020 do Mundial.

Fonte: Assessoria de Imprensa BestPR - São Paulo.

publicado por motite às 13:38
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Domingo, 11 de Outubro de 2020

Que domingo! Mais uma etapa de tirar o fôlego no mundial de Motovelocidade.

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Petrucci (9) Divizioso e Miller: trio Ducati na frente! (Foto: MotoGP.com)

Danili Petrucci, Sam Loews, Celestino Vietti e Niki Tuuli vencem em Le Mans

Que domingo, que alegria fazer parte disso e quanta emoção! O que foi essa etapa do mundial de Motovelocidade! Danilo Petrucci (Ducati) foi o sétimo vencedor diferente até o momento. Sam Lowes (Marc VDS) manteve a fleuma britânica para vencer na Moto2. Celestino Vietti (KTM) venceu mais uma vez nas últimas voltas. E na MotoE o vencedor foi Niki Tuuli, mas a gesta foi de Jordi Torres que conquistou o título mundial, em mais uma corrida desastrada para Eric Granado.

Como sempre vou começar pelos bastidores. Desta vez correu tudo certo na transmissão. Em um dado momento o microfone do Alexandre Barros deu pau, depois foi com o Edgard de Mello Filho, depois com Hamilton Rodrigues e só eu escapei ileso. E de novo pude acordar um pouco mais tarde porque a programação foi atrasada novamente por causa da F-1, mas dessa vez fomos avisados com bastante antecedência. Ainda fico meio nervoso antes de começar, mas pelo menos já consigo dormir bem na noite anterior. O aquecimento de voz ainda é um problema porque ficar fazendo ruídos assustadores às 5 da manhã incomoda os vizinhos, cachorros, gatos e acho que até os pernilongos!

A primeira prova do dia foi a Moto3 já pra acordar ligado em 220V. Antes da largada eu tinha previsto que Albert Arenas (KTM) faria uma corrida pensando no título. Principalmente porque seu adversário direto, Ai Ogura (Honda) estava largando em 17º lugar. Era controlar a emoção e chegar inteiro ao final. Dito e feito. Largou na frente que nem um míssil, se manteve sempre entre os quatro primeiros e só foi surpreendido pelo Celestino Vietti porque o italiano percebeu – a cinco voltas do fim – que poderia vencer. E venceu mesmo! Arenas conseguiu cumprir o objetivo de terminar inteiro em terceiro, com Tony Arbolino (Honda) em segundo.

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Um cara de bem com a vida: este é o italiano Celestino Vietti da Moto3. (MotoGP.com)

Ai Ogura fez uma estratégia de marcar o máximo de pontos e ficou lá atrás, terminando em nono. Falando em nono, a presepada do dia ficou por conta do vecchietto Romano Fenati (Husqvarna) que estampou a traseira do seu companheiro de equipe Alonso Lopez. Fenati, que já tem uma extensa ficha corrida, ficou ainda mais queimado na categoria.

Arenas saiu de Le Mans num baita lucro com seis pontos de vantagem sobre Ogura, mas ambos viram um Celestino Vietti chegar a apenas 16 pontos do líder. Ainda tem 125 pontos em jogo!

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Mamma mia

O box da equipe Ducati emudeceu por quase 46 minutos. Nem mosca circulava naquele ar carregado. Durante metade da corrida da MotoGP os três primeiros colocados eram pilotos Ducati: Danilo Petrucci, Andrea Dovizioso e Jack Miller. Com o asfalto molhado, pneus de chuva e temperatura congelante tudo podia acontecer com estes três cascas-grossas liderando o pelotão. Especialmente Jack Miller que já tem um currículo extenso de destruição de motos.

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Fabio Quartararo preferiu não correr riscos. (MotoGP.com)

Fabio Quartararo (Yamaha) percebeu que não era hora de se arriscar e se preservou pensando no título. Em compensação os franco-atiradores, sem chances de grandes classificações no campeonato, partiram pra cima que nem vikings numa aldeia de virgens. Dois deles se destacaram: Alex Rins (Suzuki), que chegou neste bloco, passou Miller e Dovizioso, se preparava pra dar o bote em cima do Petrucci mas caiu (de novo). Outro foi Alex Márquez (Honda), que já estava devendo uma boa atuação desde a primeira etapa e viu uma chance de ouro. Largou em 18º e chegou em segundo a 1,3 segundo do vencedor! Ganhou o respeito do mundo todo.

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Desta vez Alex Márquez mostrou porque foi campeão mundial duas vezes. (MotoGP.com)

Láureas também para Pol Espargaró que levou a KTM ao pódio, em uma corrida segura. Andrea Dovizioso preferiu salvar os pontos do quarto lugar em vez de arriscar marcar nenhum. E Johan Zarco (Ducati) fez uma manobra imcrível ao ultrapassar Miguel Oliveira (KTM) na última curva da última volta para terminar em quinto. Grande pecado para Valentino Rossi (Yamaha), que tinha tudo para fazer outra grande corrida, graças à vasta experiência na chuva, mas caiu na segunda curva!

O campeonato ainda está sorrindo para Fabio Quartararo e na próxima etapa, na Espanha, comenta-se que Marc Márquez poderá voltar. Pena para Stefan Bradl que conseguiu sua melhor colocação no papel de substituto, ao finalizar em oitavo. Mas ótimo para dar ainda mais emoção e este já eletrizante campeonato.

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Quer um capacete leve? MT KRE.

Fleumático

De todos os temperamentos da psicologia – sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático – o que melhor traduz o inglês Sam Lowes (Marc VDS) é fleumático. Ele desce da moto depois de 25 voltas e um quase tombo com aparência de quem chegou de um chá das cinco. E limpo, ainda por cima! A Moto2 começou quando a pista já formava um trilho seco. É a pior condição de asfalto para os pilotos. A chamada nem-nem: nem seco, nem molhado. Alguns pilotos saíram dos boxes com pneus lisos (slicks) e outros com intermediários (mais ou menos de chuva). E deixaram para decidir a escolha na hora da largada.

Foi aquele festival de trocas de pneus. Mas uma equipe vacilou: a Tennor American Racing do simpático Joe Roberts. Quando o fiscal de pista levantou a placa de 3 minutos a roda traseira da moto dele ainda estava fora. O fiscal mandou todo mundo da equipe pros boxes e Joe Roberts teve de deixar a pole-position livre para largar em último.

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Com a calma britânica e paciência chinesa, Sam Lowes venceu mais uma. (MotoGP.com)

Aí aconteceu a segunda grande presepada do dia, essa muito mais perigosa. As motos estavam alinhadas no grid e nada de Joe Roberts chegar. O fiscal de grid acenou a bandeira verde mas Roberts ainda estava chegando. Resultado: quando deram a largada Joe Roberts estava saindo da curva e atrás do carro de segurança, o que é absoluto e totalmente proibido pelo regulamento. A largada deveria ter sido anulada, mas... fingiram que nada aconteceu! Eu dei um grito na transmissão e acho que acordei muita gente!

O líder do campeonato, Luca Marini (VR 46) achou melhor se preservar, pensando que tem cinco corridas encavaladas pela frente, e decidiu aliviar tanto que nem sequer marcou pontos, terminando em 17º. Mas esquece ele. O pau comeu foi lá na frente.

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Primeiro o inglês Jake Dixon (Petronas) assumiu a ponta e foi embora, levando junto outro inglês, Sam Lowes. Os dois se isolaram na frente. Logo atrás o trio formado por Marco Bezzecchi (VR46), Remy Gardner (TKKR) e Augusto Fernandez (Marc VDS) se atracou até a bandeirada. Foi o duelo mais emocionante da prova, tanto que o diretor de imagem esqueceu dos líderes e focou nestes três. Mas... eu ouvi o som de uma queda pelo áudio original e ficamos esperando pra ver quem tinha sido a vítima: Jake Dixon, simplesmente perdeu a frente e viu o que seria a primeira vitória no mundial escorrer pela caixa de brita. Uma grande pena porque colocaria o piloto em evidência e dificilmente teria outra chance. Mas pista úmida é traiçoeira mesmo.

Com Sam Lowes seis segundos à frente o mundo grudou o olho naquele trio. Quando entraram na última volta Remy estava em terceiro e mostrou muita precisão para dar o bote faltando duas curvas para o fim, de forma inesperada e milimétrica. Bezzecchi terminou em terceiro, desapontado, mas num tremendo lucro porque Luca Marini nem pontuou.

A TV mostrou o choro do Dixon ao chegar nos boxes. Achei ótima essa demonstração de humanidade para que o mundo saiba que por trás daqueles capacetes vivem heróis sim, mas que sofrem como todo ser humano. Eu já perdi uma corrida na última curva mas só fui chorar quando cheguei em casa...

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Jordi Torres, um campeão muito gente boa! (MotoGP.com)

MotoEeeeee...

É um campeonato curto, com provas curtas e, desculpe o trocadilho, sujeito a curto circuito! O campeonato mundial de MotoE teve duas etapas em Le Mans, encerrando a segunda temporada. No sábado, com a pista seca, mas gelada, vimos um festival de absurdos. Primeiro com a queda de Matia Casadei (SIC 58), quando a moto ficou parada no meio da pista e a prova teve de ser interrompida. Os fiscais não podem encostar nas motos elétricas sob risco de esturricar numa descarga elétrica. Só os “minions” devidamente preparados podem remover a moto e isso demora.

Na segunda largada outra pancadaria, dessa vez com Dominique Aegerter (Dynavolt), meu professor Nicolò Canepa (LCR) e Xavier Simeon (LCR), logo em seguida o líder Mateo Ferrai (Gresini) também foi catapultado da moto. Como as motos não ficaram na pista a prova não foi interrompida. Mas para desviar da confusão Eric Granado (Avintia) caiu para última posição. Remou uma barbaridade para conseguir o sexto lugar.

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Niki Tuuli, finlandês gosta de frio! (MotoGP.com)

Lá na frente Jordi Torres ignorou tudo e todos e venceu, colocando uma mão na taça. Depois vieram Mike Di Meglio (Marc VDS) e Niki Tuuli (Avant Ajo).

No domingo foi a última e decisiva prova. Dessa vez com a pista úmida e Jordi Torres só precisava o oitavo lugar para ser campeão. Cumpriu a tarefa, terminou em sexto e levou o caneco. A prova foi vencida pelo finlandês Niki Tuuli (que foi o primeiro vencedor desta categoria), com o francês Mike de Meglio logo atrás e o australiano Josh Hook (Pramac) em terceiro.

Eric Granado teve uma corrida pra esquecer. Largou muito bem, mas na segunda curva perdeu o ponto de frenagem e escorregou, levando junto Alejandro Medina (Aspar). No balanço o brasileiro teve um ano difícil. Começou muito bem com uma vitória na primeira etapa, mas na segunda foi abalroado quando estava em segundo brigando pela vitória. Daí em diante muitas provas difíceis e acidentes o fizeram despencar na classificação para o sétimo lugar. Para 2021 ainda não tinha uma equipe definida, mas com chances de voltar para a Moto2. Vamos torcer!

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Eric começou bem, mas foi sofrendo problemas ao longo do ano. (Foto: BestPR)

O que eu não disse

No intervalo da Moto3 para MotoGP comecei a contar uma história do dia que pilotei uma superbike (Aprilia RSV Mille) em um circuito oval em Las Vegas, EUA. Depois não consegui terminar porque chegou o Alexandre Barros e o ômi fala pra caramba! E depois esqueci...

A história é a seguinte: no ano 2000 eu fui para os Estados Unidos, mais precisamente em Las Vegas, para testar os novos pneus Dragon Evo da Pirelli para Superbikes. A pista Las Vegas Motor SpeedWay eu já conhecia porque tinha feito um curso lá no ano anterior, mas dessa vez incluíram um trecho do oval da Nascar. Parecia moleza, mas aquela curva inclinada é literalmente uma parede. Tentei subir a pé e na metade já estava com os bofes de fora!

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Eu na Aprilia RSV Mille no circuito de Las Vegas: de 285 km/h para 60 km/h em uma frenagem.

A pista era sossegada, mas esse trecho do oval fazíamos de mão no fundo, motor cortando giro e mantinha a moto dando final por uns 5 segundos. Uma eternidade quando você está em cima da moto. Depois uma frenagem para primeira marcha e uma curva de 60 km/h. Imagina o soco no estômago!

Estava tudo tranquilo, mas antes de eu entrar na pista o mecânico me puxou no canto e falou “cuidado com a transição do circuito misto para o oval”. Guardei essa informação, saí para a primeira volta e não vi nenhum problema nessa transição. Sim, eu estava a uns 80 km/h.

Na segunda volta completa cheguei nesse ponto a uns 180 km/h. Quando saí do misto para entrar no oval foi como se tivesse passado por cima de um degrau invisível. Deu um tranco tão forte que bati o queixo no painel e os miúdos no tanque. Fiquei grogue, voltei pros boxes encolhido que nem um feto, desci da moto, pedi um saco gelo pro queixo e outro pro... você sabe. O mecânico veio calmamente na minha direção e falou com o sotaque napolinado: “mas que cazzo, eu te avisei!!!”. Depois disso o teste correu normal mas demoraria alguns meses para eu voltar a ser fértil.

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Eu, de Suzuki GSX-R 600 no circuito misto de Las Vegas: deita muito! 

Bastidores

E não poderia deixar de comentar sobre o lado de cá do balcão da transmissão. Revi as corridas e posso afirmar peremptoriamente: somando os treinos de sábado e as corridas de domingo, neste fim de semana NUNCA se deu tanta informação sobre motos, pneus, pilotagem etc.

Ainda estamos aguentando as viúvas, claro, mas se pegar tudo que explicamos, eu, Edgard e Alexandre Barros nos dois dias de provas teve mais informação do que todos os 13 anos da emissora anterior e seu locutor engraçadinho. Não criticamos a sua sogra, não te chamamos de pobre, não falamos que você chegou da balada agora, não torcemos pra nenhum piloto, nem mesmo para o brasileiro Eric Granado, não fizemos a louca fã de nenhum piloto e muito menos inventamos apelidos para ninguém. Mas ainda tem gente que sente falta disso...

Pra você que acha que faltam detalhes técnicos, existe o canal para fazer perguntas: Twitter! Eu tenho, mas não uso. O narrador Hamilton Rodrigues que controla isso. Manda a pergunta pra ele que nós respondemos. Mas se não mandar depois não fica mimimizando no Facebook “ain, eles não dão detalhes técnicos, mimimi...”. Manda, pow, coloca a cara lá que nós respondemos, mas se não perguntar eu não vou ficar enchendo o saco dos outros explicando octanagem, arrefecimento, velocidade angular de virabrequim, cáster, trail o escambau a quatro. Tem dois ex-pilotos, um ex-chefe de equipe de moto pra responder tudo sobre moto, fiquem à vontade porque agora são especialistas de verdade.

 

 

publicado por motite às 23:21
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2020

Primeiro, primeiro e primeiro. Grande Prêmio da Estíria

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Às armas: primeira vez de um português na MotoGP: obrigado Miguel Oliveira (fotos: MotoGP.com)

Em um domingo histórico Celestino Vietti, na Moto3, Marco Bezzecchi, na Moto2 e Miguel Oliveira, na MotoGP vencem pela primeira vez.

Como a ausência de um super piloto como Marc Márquez pôde fazer tão bem para a categoria MotoGP? Simples, sem ele a bordo da Honda os terrestres tiveram chances de conseguir suas primeiras vitórias. Nas cinco etapas da MotoGP tivemos quatro vencedores diferentes: Quartararo duas vezes, Brad Binder, Andrea Dovizioso e Miguel Oliveira. Destes, apenas Dovi não era estreante em vitórias e esse monte de primeiras vitórias só foi possível porque o extra-terrestre MM93 está no estaleiro.

Que corridas! Até encerrar os últimos metros das três categorias da mundial de Motovelocidade no GP da Estíria, na Áustria, não era possível afirmar quem seria o vencedor em cada categoria. Como disse uma vez o falecido Niki Lauda: quem gosta de carro assiste Fórmula 1, mas quem gosta de corrida assiste motovelocidade.

Foram três corridas que fizeram jus à declaração de Lauda. Cada categoria com suas particularidades, marcas e equipes diferentes, mas cada corrida com muito equilíbrio como se fosse uma prova de 100 metros rasos no atletismo.

Estamos vivendo um ano esquisito em várias modalidades. No automobilismo e motociclismo a preocupação em viajar com uma enorme caravana pelo mundo fez o calendário encolher e à repetição de pistas em dois fins de semana seguidos. Como resultado, as equipes conseguem afinar melhor os equipamentos para a segunda corrida na mesma pista. Por isso as segundas corridas são mais emocionantes.

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Glub, glub: pode beber, Celestino Vietti, sua vitória foi maiúscula.

Moto3

Eu já estava de olho no Celestino Vietti desde a etapa de Brno. O italiano faz parte da Academia VR46 do Valentino Rossi, uma espécie de criadouro de talentos. Estrou na Moto3 em 2018 substituindo o piloto titular na equipe Sky e os ótimos resultados o levaram a ser efetivado na equipe em 2019, ano que fez a primeira temporada completa. Só faltou a vitória!

Na primeira corrida em Spielberg, Vietti conseguiu arrancar o terceiro lugar praticamente na última curva. Chegou a ser entrevistado após a corrida, mas foi punido por ter excedido os limites da pista. Ficou tão “mordido” que desta vez mostrou muita consistência desde os primeiros treinos, principalmente no warm-up, sempre entre os cinco primeiros.

Mas quem fez a pole foi o surpreendente argentino Gabriel Rodrigo. Apesar de ter apenas 23 anos, Gabriel já zanza pela Moto3 desde 2014, sempre fazendo provas esporádicas, convidado por algumas equipes, quando conseguia uma grana. Chegou a fazer quatro poles antes desta, um pódio em 2018, quando conseguiu fechar uma temporada completa por uma equipe de ponta e terminou o ano em sétimo. Nas primeiras corridas de 2020 esteve sempre entre os primeiros nos treinos, mas nas corridas não confirmava a velocidade. Desta vez se manteve sempre entre os três primeiros e só não pegou um pódio por muito pouco, terminando em quarto. Mesmo assim não cravo ele como favorito porque alterna bons desempenhos com corridas medianas.

Completaram o pódio: o italiano Toni Arbolino que liderou o maior número de voltas e deu a impressão que venceria, mas como reza a tradição, vence quem lidera os metros finais. Não adianta liderar todas as voltas, menos a última! Em terceiro o japonês Ai Ogura, que deixou escapar a vitória na última volta.

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O 13 da sorte do italiano Vietti.

O líder do campeonato, Albert Arenas, não foi bem nesta segunda prova da Moto3 na Áustria. Correu pensando mais no campeonato e foi beneficiado pelas quedas para terminar em quinto lugar e manter uma folgada diferença de 25 pontos sobre o segundo, Ai Ogura.

Como sempre uma corrida de prender a respiração da largada até a bandeirada!

O que eu não disse na transmissão: na verdade eu disse. Antes da largada falei que essa é uma categoria que não tem preocupação com desgaste de pneus, que até sobra pneu no final da corrida. Mas no fim, na hora das entrevistas dos três primeiros o Toni Arbolino me quebra as pernas ao afirmar que ficou preocupado com os pneus! Espero que tenha escolhido os pneus errados. Mas desconfio seriamente que foi apenas uma desculpa esfarrapada.

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Moto2

A pole-position foi do espanhol Aron Canet. Apesar de ter apenas 20 anos já está na quarta temporada no mundial, três na Moto3, onde foi vice-campeão em 2019. Bastaram menos de 300 metros para ele perder a liderança. Pena que ao lado dele estava o também espanhol Jorge Martin, que largou como um torpedo, assumiu a liderança e abriu uma enorme diferença (para os padrões da motovelocidade) de 2 segundos. Mas na 16a das 25 voltas o italiano Marco Bezzecchi começou a fazer voltas de classificação e encostou no líder na penúltima volta. Na linha de chegada Martin cruzou em primeiro, mas não levou. Quando saiu da última curva ele excedeu alguns poucos centímetros o limite da pista. Como já tinha sido punido pelo mesmo motivo, acabou perdendo o primeiro lugar.

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Bezzecchi (72) a primeira vitória caiu no colo.

Uma tremenda injustiça, porque ele já estava voltando para a pista e não obteve vantagem nenhuma. Seria mais justo se a direção da prova analisasse o tempo do piloto na última volta para saber se obteve alguma vantagem, porque tirar uma vitória de ponta a ponta por causa de centímetros é muito triste. Surpreendente terceiro lugar de Remy Gardner que, finalmente, correu mais concentrado sem cometer erros costumeiros.

Andando sempre no pelotão intermediário, Luca Marini conseguiu terminar em sétimo e viu sua vantagem na liderança do mundial cair para oito pontos sobre Enea Bastianini, décimo colocado nesta etapa e Jorge Martin. A categoria ficou muito equilibrada e Martin nem se mostrou tão frustrado com a perda da vitória porque sabe que já garantiu seu passaporte para a MotoGP em 2021.

O que eu não disse na transmissão: que estava prestes a elogiar o Sam Lowes quando ele perdeu o ponto de frenagem e acertou o Denis Oncu a meia-nau. Montou na moto, voltou pra corrida e... caiu de novo! Nesta hora eu ia comentar que meu recordo foi três quedas num único treino em Goiânia, mas fiquei com vergonha!

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Bandeira de Portugal no lugar de honra da MotoGP. 

MotoGP

A principal tensão pré-corrida foi o sumiço do Alexandre Barros! A produção mandou o aviso pra ele às 8:15 e nada. Chegou 8:45 e nada de Alexandre. Na largada ele ainda estava sumido e finalmente ele entrou no link da transmissão quando a corrida foi interrompida. Ficou sem internet em casa. Você sabe, já expliquei zilhão de vezes que estamos cada um na própria casa. Morro de medo de acabar a luz na minha rua, algo absolutamente corriqueiro graças à desgraça de fornecedora Enel. Depois desta manhã fiquei mais apavorado ainda.

Até o acidente do espanhol Marc Márquez na primeira etapa, os pilotos da MotoGP largavam pensando em quem seria o segundo colocado. O domínio da dupla Marc/Honda em 2019 foi tão avassalador que marcou 151 pontos a mais que o vice, Andrea Dovizioso. Essa contagem equivale a seis vitórias de diferença! Mas veio o acidente, o erro grosseiro na recuperação, que causou uma nova fratura e agora o anúncio oficial de que não voltará antes de três meses. Ou seja, dificilmente correrá em 2020. A MotoGP agradece essa ausência.

As duas Honda oficiais continuaram amargando posições no final do grid de largada. Mas nesta etapa tivemos uma surpresa: o segundo tempo de Takaai Nakagami com uma... Honda da equipe privada LCR. Novamente fica a dúvida se o problema está na construção de uma moto feita sob medida para Marc Márquez ou se a equipe oficial ficou perdida sem um piloto de ponta para ditar o ritmo.

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Sem freios, Maverick Viñales foi obrigado a pular da moto a 200 km/h!

A corrida foi de acabar com as unhas e enfartar até adolescente. Na largada o espanhol Joan Mir, de Suzuki, pegou todo mundo no contra-pé e partiu como um Exocet abrindo espaço para o resto do pelotão. A KTM conseguiu a primeira pole-position, desta vez com Pol Espargaró. Estes dois, mais o japonês Nakagami se destacaram do resto do grupo e Mir começou a imprimir um ritmo forte com a Suzuki.

Aqui vale uma observação. Na MotoGP tem dois tipos de motores: os de quatro cilindros em V das Honda, KTM, Ducati e Aprilia e os motores de quatro cilindros em linha da Yamaha e Suzuki. Os motores quatro-em-linha tem virabrequim mais largo e isso ajuda a ser mais estável e veloz durante as curvas. Já os motores em V (na verdade em L, porque tem ângulo de 90º) são mais rápidos em aproximação e saída de curvas. Os pilotos da Yamaha e Suzuki conseguem fazer as curvas mais rápidos, mas só quando estão sozinhos, sem nenhuma moto com motor V-4 por perto. Pode conferir: as duas vitórias da Yamaha neste ano foram de ponta a ponta, quando Quartararo largou em primeiro e sumiu na frente. É um papo técnico chato pra caramba, mas tem a ver também com comprimento de bielas, configuração em V, efeito giroscópico do virabrequim etc. Já escrevi um texto técnico sobre isso no passado, mas procurar e atualizar.

Desta vez quem largou na frente foi Mir de Suzuki e ele já tinha dois segundo de vantagem quando o mundo viu uma cena horripilante. Na 17a volta Maverick Viñales ficou sem freio na Yamaha número 12 a 250 km/h. Não teve outra escolha senão pular fora da moto. Isso mesmo, ele se ejetou do banco a 200 km/h. Haja coragem e confiança no equipamento!

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Uma chegada típica da Moto3, mas com muito mais potência! Oliveira (88), Miller (43), Pol (44) e Mir (36)

A moto seguiu reto, bateu no airfence e pegou fogo. Bandeira vermelha, de novo. E lá se foram as chances de a Suzuki de vencer. Com a nova largada aquelas equipes que ainda tinham pneus macios no estoque se deram muito bem: Jack Miller (Ducati) Pol Espargaró (KTM) e o português Miguel Oliveira (KTM). Estes três se isolaram nas três primeiras posições, com Miller e Espargaró num pega suicida. Oliveira ficou só comboiando e quando entraram na última volta parecia uma corrida de Moto3. Espargaró tentou passar na última curva, abriu demais e levou Miller junto. Oliveira aproveitou, passou os dois e deu a primeira vitória para Portugal, o que levou muita emoção a todo box. Como prêmio por ter vencido a 900a corrida da classe rainha, Oliveira ganhou um belo BMW M4.

Quem ficou bicudo foi Joan Mir, claro, que não tinha pneus macios e viu sua chance de vitória pulverizada, mas ainda fez um bom quarto lugar. Divizioso em quinto e a outra Suzuki de Alex Rins em sexto.

Um esclarecimento: as equipes têm um número limitado de pneus por etapa. Essa regra é justamente para equilibrar os orçamentos e não dar vantagens para quem tem mais ficha no brinquedo. Durante os treinos os pilotos testam várias combinações de pneus e consomem boa parte deles. Deixa um jogo pra corrida e quando tem essa interrupção com nova largada nem sempre sobrou pneu macio na prateleira. Foi o que aconteceu com Jack Miller na primeira prova da Áustria.

Decepção total das Yamaha. Com problemas sérios de freios, Viñales deu aquele susto, Valentino Rossi ficou em nono, Quartararo em 13o e Franco Morbidelli em 15o.

A falta de Marc Márquez deixou o campeonato muito equilibrado, que ainda tem Quartararo em primeiro, com 70 pontos, Dovizioso em segundo com 67 pontos e Jack Miller com 56. Olhando assim não dá pra dizer que estamos com saudades do genial Marc Márquez. Mentira, estamos sim!

O que eu não disse na transmissão, ou melhor, o que eu disse: assim que o monitor mostrou a moto espatifada do Viñales enfiada no airfence eu cantei a bola: ficou sem freios! Mas demorou pra acreditar que ele tenha simplesmente pulado da moto como um assento ejetor do James Bond. A impressão era de que ele tinha perdido o pé de apoio na frenagem e escorregado da moto. Isso é tão comum que foi o que vitimou o querido e saudoso Marco Simoncelli, quando escapou o pé direito da pedaleira e, sem apoio, fechou a curva e foi atingindo por Colin Edwards e Valentino Rossi. Mesmo assim, depois de rever a cena deu pra ver que o cabra realmente se jogou no asfalto naquela velocidade. Depois o Alexandre confirmou.

Mas a cagada maior veio depois da bandeirada. Nós temos um chat entre todos os comentaristas e produtores o tempo todo informando sobre intervalos, detalhes técnicos, recados em geral. Eu pisquei o olho e perdi a cronologia pós pódio e achei que não teria mais comentários. Desliguei o microfone, tirei o fone e já estava longe da mesa quando escutei a voz to Téo José me chamando! Voltei correndo, coloquei o fone, esperei minha deixa de novo e... esqueci de ligar o microfone! Assim as pessoas acharam que eu tinha simplesmente sumido, quando na verdade estava aos berros gritando para um microfone desligado. Desculpem por isso...

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Segunda-feira, 20 de Julho de 2020

Os bastidores da segunda etapa do Mundial de Motovelocidade.

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Eric, Eric, Eric Granado do Brasiiiiiiiiiillll! Narrei uma vitória brasileira no Mundial!

Como foi a jornada da primeira etapa completa do mundial de Motovelocidade

Acordei atrasado! Simplesmente esqueci de colocar o despertador para 4:30 da manhã e quando despertei já era mais de 6:00 hrs! Mandei um whatsapp desesperado para o produtor da FoxSports que laconicamente me disse que eu tinha sido substituído por outro comentarista. Desesperado liguei a TV e realmente tinha outra pessoa comentando e eu estava definitiva e eternamente fora da Fox!

Felizmente isso foi um sonho, na verdade um pesadelo. Acordei desesperado, olhei no relógio e era 3:05. Nada daquilo tinha acontecido de fato. Voltei a dormir e acordei pontualmente às 4:25 com o despertador de verdade.

Toda véspera de um avento importante sempre me gerou pesadelos horríveis. Perdi a conta de quantas vezes sonhei que estava faltando um minuto pra largada e tinha esquecido o capacete em casa. Isso dá uma dimensão do tamanho da responsabilidade que me coloquei ao ser chamado para comentar as provas do mundial de motovelocidade. Foi uma overdose de adrenalina na primeira etapa três meses atrás e outra nesta madrugada. Assim como as corridas, espero que isso pare com o tempo, mas encharquei o pijama de suor!

Jornalistas, pilotos, campeões mundiais, médicos, advogados, engenheiros são pessoas normais como eu, você e a dona Maricota que mora no interior do Pernambuco. E pessoas normais tem os mesmos medos e expectativas. O medo de um comentarista ou narrador de eventos ao vivo é errar. Porque uma vez que a palavra sai da boca não tem mais como colocar de volta. Já saiu, ganhou a liberdade como um passarinho que fugiu da gaiola. Não tem volta. Já era.

Essa pressão mexe até com o mais experiente profissional de mídia eletrônica. Sou jornalista de mídia impressa há quase 40 anos. Impresso pode ser conferido, lido e revisado um zilhão de vezes, mas eletrônico ao vivo não. Temos de pensar, elaborar, editar um texto na nossas cabeças enquanto estamos falando. E quando o narrador chama “o que você acha, Tite Simões?”, o texto precisa estar revisado, relido, corrigido e editado antes de eu abrir a boca. E nunca sai como pensei!

Neste domingo, 19 de julho de 2020 fiquei das 5:00 às 10:00 diante de um monitor de notebook criando, editando, corrigindo e narrando pequenos textos para milhares de ouvintes. Só tenho uma coisa a pedir: desculpe se eu errei.

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Eric Granado do Brasiiiiiiiil

Na transmissão da primeira etapa eu fui até o estúdio da FoxSports no Rio de Janeiro e fizemos de dentro de uma cabine, com equipamentos profissionais, diretor, produtor, tudo ali perto. Desta vez cada um estava na própria casa, usando os equipamentos caseiros e sujeitos a todo tipo de interferência caseira como campainha que toca, cachorro que late, vizinho que ouve Los Hermanos etc.

No sábado eu não pude comentar os treinos porque estava dando aula na ABTRANS. No final do dia fizemos uma reunião online para ajustar microfones, luz ambiente e coordenar as pautas. Nesta reunião o Téo José estava aborrecido porque estavam criticando demais as pronúncias dos nomes dos pilotos. Conheço o Téo há quase 40 anos. Trabalhamos juntos em várias ocasiões e sei do esforço que ele dedica nas transmissões. Não é do tipo de fazer piadinhas e é extremamente estudioso. Ele fez um trabalho apurado de pesquisar os 100 nomes dos quatro grids de largada para saber como era a pronúncia nas línguas de origem de cada um. Ele faz isso com futebol, basquete, vôlei, qualquer esporte que narra. Confesso que eu jamais teria essa paciência. Mas ele teve. Mesmo assim estava sendo criticado. Porque o público ficou 13 anos acostumado com outras pronúncias, sem se dar conta de saber quem estava certo ou errado.

Tentei contemporizar explicando que não tem como acertar a pronúncia de 100 nomes de diversos países. E olha que eu estudei alguns idiomas esquisitos na minha vida! Mesmo assim ele estava super chateado com as críticas. Por isso no domingo ele desabafou no ar sobre esse assunto.

O meu pesadelo quase se tornou realidade porque na manhã de sábado um caminhão baú passou na minha rua e arrancou os fios do poste. Os três: da luz, internet e TV a cabo!!! Isso é de enfartar qualquer cidadão. Felizmente foi só uma descarga de adrenalina a mais porque as três empresas vieram rapidamente e consertaram tudo. Mas eu perdi alguns meses de vida...

Domingo pontualmente às 5:00 da madrugada eu estava no ar junto com Edgard Mello Filho e Téo José Auad para a largada da categoria Moto-E com o Eric Granado largando na primeira posição. Eu sempre brinco com ele dizendo que “te conheço desde quando você era um heterozigoto” e é verdade! O pai dele já corria de moto no meu tempo de piloto e chegamos a dividir a pista em duas ou três ocasiões. Ver ele ali no grid de largada em primeiro mexeu com meus intestinos!

Depois da largada recebi uma mensagem do pessoal técnico que meu áudio estava ruim! Eu não tenho um microfone direcional e meu som estava muito “sujo”. Tive de sair correndo pela casa, com a corrida rolando, para achar pelo menos uns fones de ouvido. Achei mas perdi parte da corrida da Moto-E. Quando voltei o Eric já tinha mais de dois segundos de vantagem. No final da corrida tive de controlar a emoção. Na hora do Hino Nacional também deu aquele nó na garganta. Espero acostumar com isso, mas fico imaginando os narradores e comentaristas que tiveram de controlar a emoção diante das conquistas dos brasileiros em diversas categorias. Galvão Bueno está perdoado pelo éééé teeeeetra, éééééé teeeeetra!

A corrida todo mundo viu: Eric perdeu a liderança só nas primeiras curvas porque deixou a moto empinar na largada. Depois passou o Dominique Aergeter e sumiu. No intervalo entre a Moto3 e a Moto2 conseguimos entrevistar Eric ao vivo. Ele contou que na primeira volta lançada conseguiu ser um segundo mais rápido do que seu tempo da pole-position! Isso não é pra qualquer um e mostra que as corridas da Moto-E são 7 voltas de classificação pura! Que corrida!

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Albert Arenas fez outra corrida totalmente sob controle. (Foto: MotoGP)

Na Moto3 tudo levava a crer que Albert Arenas não repetiria a vitória da primeira etapa no Qatar, porque estava cometendo muitos erros. Que nada, depois de quase se arrebentar ao sair da pista em plena reta, o espanhol focou no pelotão da frente e conseguiu ultrapassar na última volta. Que corrida e que vitória, a segunda consecutiva e que abriu uma larga vantagem sobre o segundo colocado na tabela geral. Nesta categoria vimos muitas quedas e é normal porque são tudo uns retardadinhos cheios de hormônios. Mas já era um indicativo que a pista de Jerez é bem traiçoeira.

Moto2 - Luca Marini: 'O meu sonho é correr na MotoGP com Valentino ...

O irmão do campeão: Luca Marini tem DNA de Valentino Rossi nas veias. (Foto: divulgação)

Na Moto2 eu já comecei pisando na bola ao elogiar o americano Joe Roberts. O desgraçado andou o tempo todo lá atrás e fez eu queimar a língua pela primeira vez ao vivo. Pelo jeito, aquela pole dele no Qatar foi o que se chama de voo de galinha: dura pouco!

O Edgard cantou a bola antes da largada ao sinalizar que o mais constante nos três dias de treinos tinha sido o Luca Marini, mezzo-fratelo do Valentino Rossi. Ele mandou na prova do começo ao fim e quando o Nagashima tentou chegar perto deu duas escorregadas de enfartar, acalmou e manteve a segunda posição. O que foi ótimo porque sai desta etapa líder tranquilo do campeonato.

&%$@#$**& Marquez!!!

Nunca fui muito de idolatrar piloto, nem ninguém na verdade. Mas tenho de admitir que Marc Marquez é tudo aquilo que se admira num piloto: é rápido, divertido, super simpático, ri o tempo todo e tem aquele plus a mais que só as grandes estrelas tem. Mas é doido! Se normal fosse, piloto não seria.

A pole do Quartararo não abalou nem surpreendeu ninguém. Todo mundo vai ouvir isso muitas vezes, mas a posição de largada na motovelocidade não é tão decisiva quanto no automobilismo ou kartismo. Por isso todos nós sabíamos que MM93 partiria para a liderança em pouco tempo. E foi assim, liderando o pelotão que ele exagerou e deu aquela desgarrada de frente que só não terminou em tombo porque Deus não quis. Revendo a cena várias vezes percebe-se que ele apoiou o cotovelo e o joelho esquerdos para trazer a moto de volta, coisa de sobrenatural. Perdeu várias posições, voltou em 16º na frente só do irmãozinho, a 8,5 segundos do primeiro colocado.

O que se viu nas 20 voltas seguintes só foi crível porque o mundo todo estava vendo: nunca vi um piloto baixar o tempo de volta ultrapassando outros pilotos. Ele se impôs um ritmo tão fora do normal que passou 13 pilotos como se fossem de uma categoria menor. Estava em terceiro lugar com o Maverick Viñales na mira quando passou com o pneu dianteiro na zebra interna e foi arremessado que nem um míssil Exocet. Caiu e foi atingido pela própria moto quebrando-lhe o braço direito.

Na hora que a câmera mostrou ele pedindo para o fiscal desafivelar o capacete já vi que era grave, mas fiquei na minha. Não queria ser o arauto da desgraça, mas mandei um recado pelo chat interno avisando que era caso de fratura, mas achei que era punho ou escafoide. Não deu outra, foi o úmero.

Quartararo.png

Quarta, El Diablo, venceu a primeira de muitas provas na MotoGP. (Foto: MotoGP)

Fabio Quartararo administrou a vantagem sobre Viñales e quem deu o pulo no gato nas últimas voltas foi Andrea Dovizioso arrancando um ótimo terceiro lugar, mesmo com o ombro recém operado.

Foi uma corridaça, que poderia ter entrado para a História se MM93 não tivesse caído. Mas... não existe “se” no mundo das corridas. Foi um erro (causado por outro erro) que vai custar caro porque foram 50 pontos jogados fora, na premissa de que venceria as duas etapas. Domingo que vem será mais emocionante ainda porque as equipes já sabem o que corrigir pra segunda etapa. Aposto nas Yamaha de novo porque a Ducati não vai bem nesta pista e a Suzuki ficou sem Alex Rins. Não sabemos se a Honda chamará alguém para pilotar a moto do Marc Marquez nesta segunda etapa. Agora era um bom momento para chamar Casey Stoner e ver como o australiano está pilotando.

Depois da bandeirada fomos informados que a transmissão seria encerrada às 10:05, quando eu e o Edgard faríamos os comentários finais. Mas para nossa surpresa entrou uma chamada antes e não pude agradecer três pessoas especiais que ajudaram na transmissão: Nenad Djordjevic (este sobrenome é difícil), Eduardo Minhoca Zampieri e Marco Granado.

Também queria dizer aos PENTELHOS de plantão que um cara que fica narrando QUATRO categorias seguidas ao vivo pode se permitir cometer erros. Fiquei puto ao ler alguns mega especialistas comentando que o Téo José falou "manete do acelerador". Porra, vamos cobinar que manete e manopla são palavras bem parecidas e o cara deve ter falado dois milhões de palavras nestas cinco horas, errar UMA está totalmente dentro das expecativas. Pelo menos ele não te chamou de pobre ao vivo ao comentar que sua televisão foi comprada nas Casas Bahia em 24 prestações, ou gritou pra você aumentar o volume e acordar a avó, como fazia o outro locutor...

Semana que vem tem mais, vamo que vamo!

publicado por motite às 19:43
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2016

Embolou tudo

Lorenzo.jpg

Ué, cadê todo mundo? Lorenzo chega 10 segundos na frente. (foto:MotoGP.com)

Depois do GP da França o campeonato equilibrou 

Ainda bem que o GP da França foi atípico. Essa coisa de um piloto largar, abrir 10 segundos e vencer sem ser incomodado por ninguém é coisa de Fórmula 1. Na motovelocidade os vencedores não costumam ter vida fácil da largada até a chegada. É só comparar as diferenças entre os primeiros colocados na linha de chegada da MotoGP com os grande prêmios de F-1. Enquanto na moto essas diferenças raramente passam de um segundo, nos monopostos ela raramente é menor de 10 segundos. Só mesmo o Galvão Bueno acha a F1 emocionante, mas ele recebe comissão dos contratos de patrocínio. 

Só que já é segundo GP da temporada que o vencedor abre um quarteirão e some na frente dos outros. No GP das Américas, nos EUA, foi a vez de Marc Marquez enfiar quase sete segundos no Jorge Lorenzo. Isso procupa? Não, porque na motovelocidade continua sendo raro ver o que Jorge Lorenzo fez e fez bem feito: impôs um ritmo de classificação nas 28 voltas como se não houvesse amanhã. Um domínio de quem tem uma frieza fora do comum, o que aliás é esperado de um campeão mundial. 

Quem patinou na largada foi Valentino Rossi. Depois de um treino sofrível que lhe deu apenas o sétimo lugar no grid, a oito décimos da pole do Lorenzo, Rossi largou no pelotão da merda e, claro, deu merda! Foi atrapalhado, se atrapalhou e cruzou a primeira volta em sexto. Depois fez uma sucessão de ultrapassagens com precisão cirúrgica e se mandou em segundo atrás do Lorenzo, que já tinha 5 segundos de vantagem... Na F1 isso é titica, mas na MotoGP é uma eternidade.

Ianonne.jpg

Ianonne: melhor correr a pé mesmo. (foto: MotoGP.com) 

Aaah Ducati. Acho que o único consolo da equipe italiana é saber que em 2017 vai ter um piloto com a frieza do Jorge Lorenzo, porque os calientes Andreas estão dando um prejuízo enorme. Se olharmos os tempos de volta da Ducati percebe-se que estão exatamente no mesmo ritmo das japonesas Honda e Yamaha. Está faltando aquele piloto “redondo” que consegue andar no limite sem escorregar na própria baba. 

Bom, esse GP da França foi um festival de quedas. Segundo o locutor da SporTV a culpa era do asfalto, mas os pilotos todos afirmaram que o pneu dianteiro da Michelin pra essa corrida não passava o feeling de limite. Simplesmente saía de baixo e deixava o piloto de nariz no asfalto. Mais uma vez os pilotos “cerebrais” como Lorenzo e Rossi sabem identificar o limite antes de a moto sumir debaixo das pernas. 

O tombo sincronizado de Andrea Dovizioso e Marc Marquez foi a prova definitiva de que o problema estava nos pneus dianteiros. Ambos caíram igualzinho e não acredite no que se escreve nas redes sociais: o MM não reclamou do Dovizioso quando se viu no chão, ele reclamou consigo mesmo! Sim, isso acontece com todo mundo. Também não foi causado pelo remendo no asfalto, senão os outros 15 pilotos teriam caído também. 

Depois da corrida os dois se explicaram ao canal Fox. Dovi disse que foi traído pelo pneu dianteiro no momento que estava apertando o ritmo para não deixar Rossi fugir e se proteger dos ataques do Marquez. Já MM deu a mesma explicação: a moto saiu de frente no momento que tentou dar um tiquinho a mais de gás. Segundo ele, esse pneu já tinha apresentado o mesmo problema em Jerez e dicidiu reduzir o ritmo para garantir o terceiro lugar, pensando no campeonato. Mas por que então em Le Mans decidiu apertar? 

- Porque já tinha três motos na frente e isso seria ruim para a tabela geral. Não podia ficar só mantendo o ritmo, precisava atacar! Explicou o espanholito. 

Ao final da corrida, a equipe Ducati divulgou o mapa da telemetria do Dovizioso confirmando tudo que o italiano disse. No momento da queda ele havia inclinado a moto dois graus a mais do que o normal e... chão! 

Para o campeonato essa prova embolou de vez e trouxe mais emoção. Dos três primeiros colocados cada um já teve seu chão. No caso de Lorenzo e Rossi isso representou zero ponto. Já Marquez amadureceu tanto no ano passado que levantou a moto e foi buscar três pontinhos que podem ser decisivos num ambiente tão equilibrado. 

Destaque também para Maverick Viñales, de 21 anos, que fez uma corrida de gente grande dando o pódio à Suzuki. Já de contrato assinado com a Yamaha para 2017, ele vai ter uma baita moto nas mãos e um companheiro de equipe com título de “doutor”. Vai crescer muito! 

Entre as motos, a Yamaha é a moto mais bem resolvida para os compostos da Michelin. Quando Lorenzo afirmou que perdeu o GP da Espanha por causa dos pneus não estava mimimizando, foi uma escolha errada mesmo. Um grande piloto não comete o mesmo erro duas vezes, como acabamos de ver. A Honda ainda não mostrou constância e intercala corridas excelentes com outras medianas. Não pode contar com Dani Pedrosa para ajudar MM e ainda tem de ver seu piloto chegando atrás de Suzuki e Ducati... Esta, por sua vez, tem tudo para ganhar uma etapa em 2016, tudo em termos de engenharia, mas está faltando piloto... 

Moto2 e 3

Na Moto2 continua a torcida para Franco Morbidelli, o ítalo-brasiliano que leva a bandeira do Brasil no capacete. O cabra é bom, ninguém chega entre os cinco primeiros em uma prova do mundial sendo um bobo. Mas ainda falta aquele toque de gênio para chegar lá na frente. Mas a disputa está bem equilibrada entre Alex Rins e Sam Lowes. É uma categoria que dá gosto de ver porque tem um zilhão de motos escorregando de lado. 

Já na Moto3 parece que Brad Binder venceu a segunda consecutiva, abriu uma larga vantagem na tabela para administrar o campeonato. E o malaio Khairul Pawi foi mesmo fogo de palha: só vai no piso molhado, portanto é bom fazer uma dança da chuva a cada prova. 

Para saber classificação, estatísticas, tabelas, calendário etc clique AQUI.

 

publicado por motite às 16:59
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