Sábado, 4 de Abril de 2020

Capacete, aqui cabe uma vida - Parte II

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Capacete integral de qualidade, sua vida vale esse investimento.

Como escolher o tipo certo

Já não basta ter de escolher a moto que atenda as necessidades, ainda tem de decidir pelos equipamentos, de forma a atender a segurança sem levar o motociclista à falência. Hoje existem dezenas de marcas e centenas de modelos à venda, o que torna tudo ainda mais difícil.

O capacete é o único equipamento de segurança obrigatório por lei. Essa exigência gera controvérsias no mundo todo, sendo que em alguns países o uso nem sequer é obrigatório. Independentemente de legislação, o que determina o uso do capacete é o velho bom senso. Afinal trata-se de uma questão de sobrevivência.

Quando as motos ainda eram novidade no Brasil o capacete nem sequer fazia parte dos equipamentos. Foi só a partir dos anos 1970, quando inauguraram as fábricas brasileiras, que as cidades passaram a conviver com estes veículos em quantidade. Neste começo, a moto ainda tinha um aspecto romântico, ligado à liberdade e rebeldia. Por isso eram raros os motociclistas de capacete, apesar de já termos fabricantes nacionais.

A aceitação do capacete começou sendo uma expressão da identidade. Cada um queria ter um desenho próprio, como os pilotos de corrida. Assim, gastavam-se tubos de tinta em spray e quilos de lixa para ter um capacete exclusivo. Na garupa dessa moda, surgiram os primeiros estúdios de pintura que faziam obras de arte e isso ajudou a convencer da necessidade de usar capacete.

Logo em seguida veio a lei que obrigou o uso e daí pra frente o esquisito passou a ser rodar de moto sem o equipamento na cabeça.

Os tipos

Basicamente existem quatro tipos de capacete: integral, com a proteção fixa no queixo; aberto, sem a proteção na frente do rosto; basculante (também chamado de Robocop), que a proteção do rosto pode ser levantada e off-road, com ou sem viseira, ideal para uso fora-de-estrada.

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Os modelos abertos devem obrigatoriamente ter viseira. (foto: divulgação)

Antes de mais nada vale lembrar uma pesquisa feita por uma associação de motociclistas dos EUA que revelou um dado importante: 35% dos traumas crânio-encefálicos em motociclistas tem origem pelo maxilar. Portanto o capacete aberto, logo de cara, não é um equipamento que oferece 100% de proteção. O curioso é ver que donos de scooters e de motos custom adotam esse tipo de equipamento na ingênua crença que esses tipos de veículos não caem! Costumo argumentar que o asfalto não fica mais macio dependendo do tipo de moto; ele é sempre duro e áspero!

É bom lembrar que para usar um capacete aberto ele precisa obrigatoriamente ter viseira ou óculos específicos de motociclista, que acaba custando quase tão caro quanto o capacete!

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O modelo basculante é versátil para uso na cidade e estrada (Foto: divulgação)

Outro tipo que transmite uma falsa impressão de proteção são os basculantes (ou Robocop). Esse tipo de capacete nasceu para ser usado pela polícia, para funcionar tanto como proteção na moto quanto para proteger em casos de conflitos. Quando começou a ser usado por civis rapidamente se popularizou especialmente entre viajantes. A preocupação com relação a esse tipo de capacete são basicamente duas:

- Eficiência das travas da queixeira: como todo mecanismo que tem travas e molas, depois de um número de operações esses mecanismos podem falhar, tanto por desgaste natural dos materiais, quanto perda de eficiência das molas. No caso de um choque a queixeira pode abrir expondo o rosto.

- Rodar com ele aberto: obviamente que esse mecanismo foi pensado para facilitar algumas operações, mas não para rodar com a frente do capacete levantada. Principalmente acima de 80 km/h porque o vento empurra a cabeça para trás, forçando a musculatura do pescoço e ombros.

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Sem dúvida o modelo integral é o mais seguro. (Foto: divulgação)

Sem dúvida o modelo que oferece mais segurança é o integral, com queixeira fixa. Também é o mais vendido.

Por último, o modelo on-off road, com queixeira fixa, com ou sem viseira. Esse capacete é muito bom para usar na cidade, já que a velocidade é baixa. Porém, na estrada, acima de 120 km/h, a pala provoca muita resistência aerodinâmica, forçando a cabeça para trás.

Foto Capacete_5: Os tipos fora-de-estrada podem ser usados na cidade. (Foto: divulgação)

Materiais

Normalmente os capacetes são feitos de dois materiais: plástico injetado e fibras sintéticas (aramida, carbono ou vidro), que podem ser puras ou composta, (mais de uma fibra misturada).

A calota de plástico tem a vantagem de ser mais em conta pelo uso de material mais barato e pela facilidade de fabricação. Como a calota é feita em injetora a produção é de larga escala e isso reduz muito o custo final. Já os capacetes de calota de fibra tem processo industrial bem mais lento, quase artesanal e, obviamente, isso eleva o custo unitário. Além de materiais mais nobres.

Em termos de proteção, ambas as tecnologias são aprovadas pelas normas brasileiras. A grande diferença está na forma de absorção dos impactos. Por ter camadas sobrepostas, os capacetes de fibra distribuem as ondas de choque de forma mais uniforme, dissipando a energia pelo casco. Já os de plástico concentram a onda de choque no local da batida. Além disso, a calota de fibra não “quica” quando bate no asfalto, enquanto o plástico tem uma resposta elástica maior e pode quicar várias vezes.

Quando se pesquisa preços, pode-se encontrar desde equipamentos de R$ 70,00 até mais de R$ 8.000. Sinceramente, com toda experiência acumulada em quase 50 anos como motociclista, não dá para confiar a sua vida em um capacete de menos de R$ 600,00 (valores de São Paulo). Sei que não é fácil tomar essa decisão, mas se ajuda, pense em quanto custa um dia de internação na UTI.

Prazo de validade

Uma das maiores polêmicas sobre esse tema é sobre o prazo de validade. Que seja bem esclarecido: todo produto têxtil voltado para a segurança tem um prazo de validade. Os chamados EPI – equipamentos de proteção individual – tem o prazo determinado pelo fabricante, independentemente do uso. Até os pneus tem prazo. No entanto, alguns equipamentos tem prazo de validade indeterminado A MENOS QUE tenha sofrido as consequências de um acidente. É o caso, por exemplo, dos cintos de segurança dos carros, que devem ser trocados em caso de colisão.

Já sobre os capacetes essa regra do acidente é válida. Se o capacete sofreu acidente que bateu no asfalto ou em outro veículo, deve ser trocado. Jamais retocado para voltar a utilizar! Mesmo que a estrutura esteja aparentemente intacta, não se sabe se esse casco resistiria a uma segunda pancada no mesmo local. Mas sem exageros! Já vi motociclista querer trocar de capacete só poque deixou cair de uma altura de meio metro. Calma, esse tipo de queda não chega a comprometer a estrutura, mas pode matar um motociclista de raiva.

O período aceitável para aposentadoria de um bom capacete é de cinco anos, mesmo que não tenha sofrido acidentes. Porém, uma revista especializada americana foi mais longe. Pegou um capacete com cinco anos de uso e outro da mesma marca e modelo totalmente novo. Submeteu os dois aos mesmos testes de homologação e descobriu que o capacete usado apresentou rigorosamente os mesmos resultados.

Então por que trocar a cada cinco anos?

Porque fica largo! Tem itens no capacete que se desgastam com o uso e o principal deles é o poliestireno expandido – conhecido popularmente como isopor. Ele é o principal elemento de absorção e dissipação de impacto. Tem uma enorme durabilidade, porém não tem efeito memória: se apertar um pedaço de isopor ele não retorna ao formato original (como faz a espuma) e o ato de vestir e tirar o capacete, aos poucos, causa a compressão do poliestireno, deixando o capacete largo. Capacetes não podem ficar soltos na cabeça, senão o vento pressiona contra o rosto e dificulta a visão.

Algumas empresas substituem essa calota interna de poliestireno, assim como a forração, deixando o capacete praticamente novo. Não é uma solução totalmente reprovada, mas se fizer a conta de quanto é o investimento em um bom capacete, diluído pelo período de cinco anos, percebe-se que não chega a ser um custo tão alto assim por algo que salva nossas vidas.

E o que fazer com o capacete usado? Por mais que doa no coração, deve ser destruído. Isso mesmo. Ou, se for do tipo que se apega a bens materiais, guardá-lo como recordação. Jamais descartado no lixo – mesmo reciclável – porque ele vai aparecer em alguma cabeça.

Cuidados

O capacete é um item pessoal, que nem cueca! Não se empresta capacetes e cada um deve ter o seu. Por ser uma peça íntima, a higiene é uma preocupação e o cuidado é muito simples. Sempre que possível deixe o capacete virado com o interior para o sol. Também pode-se aspergir desinfetante em spray e sempre guardar o capacete com a viseira aberta para arejar.

Para limpeza do casco deve-se usar apenas com esponja, água e sabão. Pode ser polido com cera, mas cuidado com a viseira! Ela só deve ser lavada com água e sabão neutro, sem uso de álcool ou solventes. Para não acumular água de chuva pode-se polir com lustra móveis e algodão.

O maior inimigo do capacete são as bactérias. Uma reportagem do jornalista Celso Miranda fez uma revelação assustadora: ele levou um capacete de motofretista para análise em laboratório e descobriram que tinha mais bactéria do que uma latrina! Ecah!

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Guarde o capacete com a abertura para cima para evitar a proliferação de bactérias. (Foto: divulgação)

Nossa sugestão é realmente aposentar os capacetes com mais de cinco anos por questões de segurança e higiene. Ah e um recado aos românticos: nada de comprar um capacete de 70 reais para quem vai na garupa! Lembre: o asfalto é o mesmo para piloto e passageiro!

Por fim, não basta vestir o capacete, é preciso afivelar! Um capacete desafivelado tem a mesma função protetiva de um chapéu de palha. Em muitos acidentes que causaram o trauma crânio encefálico o motociclista estava usando capacete no momento do choque, porém o capacete saiu da cabeça e ao chegar ao solo o motociclista estava desprotegido. O mais difícil é vestir o capacete; faça o mais simples que é fechar a fivela. Importante: não pode haver folga entre a cinta jugular e a pele do pescoço. Para uma real proteção a cinta deve encostar na pele. Sim, num dia quente essa cinta irrita, mas não tem nada que irrita mais do que um dia de UTI.

publicado por motite às 23:00
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Minhas Motos

(A primeira: tudo começou com ela - Suzuki A 50II. Foto:Pai)

 

 

Minhas motos
 
Graças à um post no Orkutinsson ocorreu a idéia de escrever sobre “As minhas motos”. Toda vez que tento lembrar quantas motos eu já tive acabo percebendo que alguma ficou fora da lista. Só de XL/XLX 250 foram quatro!!! Por isso – e para poupar meus neurônios da estafante missão de lembrar coisas – fiz um relatório das motos que já tive por categorias. Vamos lá:
 
A primeira moto: Suzuki A 50II (1972~1973) – Na verdade a moto era do meu irmão mais velho. Eu só tinha 12 anos e mal alcançava os pés no chão. Era linda e eu a colocava na sala de casa pra ficar olhando até pegar no sono. Com ela aprendi a gostar de velocidade e levei o primeiro tombo em cima de um canteiro de espinhos! O fim dela foi triste: um bêbado passou o farol vermelho e pegou bem na roda dianteira. O cara tentou fugir e arrastou a moto presa ao pára-choque do Fusca por uns 60 metros. Eu escapei por milagre porque naquela época não usávamos capacetes. Mas a moto foi vendida como sucata!
 
A mais querida: Honda CB 400Four (1976~1986) – Também foi comprada para o meu irmão, mas essa eu roubei mesmo, na cara dura. Rodei mais de 120.000 km em 10 anos. Nos últimos anos eu poupava a velhinha porque já tinha outra moto. Com a 400Four eu viajei muito, namorei muito, caí muito e corri tanto que é admirável ainda estar vivo! Depois de ficar alguns anos guardada na casa dos meus pais, criando poeira e teia de aranha foi vendida por US$ 1.000 e hoje me arrepende demais de tê-la vendido!
 
(CB 400Four n versão tuning. Não repare no terno, eu era executivo! Foto M.Bock)
 
A primeira fora-de-estrada: Yamaha DT 180S (1982~1983) – Foi minha professora de off-road. Fiz a Rio-Santos várias vezes (na época pré-asfalto); viajei pelo interior de Minas, passei o maior frio da minha vida na Serra do Mar e gostei tanto dela que logo depois comprei mais uma! Essa segunda está com o Felipe Passarella até hoje!
 
A mais perigosa: Yamaha RD 350LC (1988~1990) – Nuca tive nada mais rápido na vida. E a mais arisca também. Comprei exclusivamente pra correr, porque tinha uma Hondinha 125 pra usar no dia a dia. O motor foi feito pelo Gaeta, os escapamentos eram originais por fora e tudo alterado por dentro. As suspensões eram jóias preciosas e numa medição feita no litoral ela chegou a 222 km/h de velocidade máxima. Decidi vender depois de levar um tremendo susto voltando pra casa. A história dessa RD continuou porque vendi pra um garoto sardento que achei não duraria nem três meses com a moto. O resto dessa história eu conto outro dia.
 
A mais chocante: Agrale SXT 27.5 Explorer (1990~1992) – Quando achei que iria morrer com a RD decidi voltar pro fora-de-estrada e comecei a disputar provas de enduro de regularidade e velocidade. Consegui patrocínio da Agrale e tinha como ofício desenvolver e moto e passar tudo pra fábrica. Novamente com ajuda do Gaeta e mudamos tudo na moto, da suspensão às manetes, escapamento, tudo! A parte chocante é que num Enduro das Montanhas instalei um Compass e tivemos de improvisar uma bateria (a Explorer não vinha com bateria), mas alguém esqueceu de ligar um fio terra. No primeiro dia de prova fiquei em primeiro na categoria. No segundo dia choveu e cada vez que eu passava em poça d’água levava choque nas mãos! A moto era tão boa que meu amigo Ralph Theil herdou essa Explorer pra correr no Paulista de Velocidade, entrou na metade do campeonato, ganhou três corridas e foi campeão!!!
 
A melhor: Yamaha XT 600 Ténéré 1988 (1993~1994) – O critério “melhor” tem muito a ver com aquilo que cada um julga importante. Essa moto é uma “journey-bike” feita para quem quiser rodar milhares de quilômetros. Com ela fiz algumas das minhas melhores viagens como a inesquecível estrada de dunas de areia fofa para Jericoacoara, CE. Vendi só para comprar uma moto zero km, que viria a ser a pior de todas!
 
A pior de todas: Cagiva W16 (1994) – Provavelmente a Cagiva mandou essas motos pro Brasil pra se livrar do mico. A Agrale era representante e fez uma venda com super desconto aos jornalistas. Comprei uma e só tive dor de cabeça. Nunca funcionou direito e nenhuma concessionária conseguia resolver o problema. Quando quis vender a moto de volta na concessionária a segunda surpresa: os caras desvalorizaram quase 50% o valor da moto com TRÊS meses de vida!!! Justificativa do concessionário: “a moto era muito ruim”. Só que depois eles revenderam a moto pelo dobro do preço!!!
 
(Honda RS 125 - a mais divertida! Foto: Donini)
 
A mais divertida: Honda RS 125 (1997~2007) – Com essa moto corri os campeonatos brasileiros de 1997 a 1999. Com motor 125cc, dois tempos, cerca de 45 CV era muito difícil de pilotar, mas uma delícia! Depois da última etapa guardei-a na sala de casa e ficou lá repousada até meu velho amigo Alexandre Simões Zaninotto arrematá-la para guardar em seu museu particular. Aliás, só vendi porque ele prometeu mantê-la intacta!
 
A atual: Suzuki DR 650 RE (2001 ~ ?) – Na verdade tive duas dessas (uma 1996 e a atual 2000). Uma das motos mais versáteis que conheci: enfrentou longas viagens, encarou trilhas com pneu off-road, rodou milhares de quilômetros de congestionamento paulistano e tem uma incrível capacidade de entrar e sair do asfalto e da terra sem necessidade de nenhuma regulagem. Um trator. Pena que as peças sejam tão caras e o vazamento de óleo no cabeçote seja incurável.

 

publicado por motite às 21:58
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

SpeedMaster neste final de semana

(este salame em pé, de macacão sou eu mesmo!)

 

CURSO MOTORSCO/SPEEDMASTER EM PIRACICABA

 

Ae, Motiters, neste final de semana teremos o curso SpeedMaster/Motorsco de pilotagem na pista do ECPA em Piracicaba. Começa sábado de manhã e termina domingo às 17:00. Quem quiser aparecer pra conhecer o curso e passar um domingo cheirando a gasolina é só baixar na pista (veja o mapa no site www.ecpa.com.br).

 

E agurdem para breve o curso para motos abaixo de 500cc. Especial para quem curte moto pequena mas quer pilotar com estilo!

 

Para saber mais sobre o curso entre no site www.speedmaster.com.br

 

Espero vocês lá!

 

Tite

 

publicado por motite às 14:31
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Até o fim do Mundo

(Foto @ João Montovani)

 

Com a nova BMW GS 1200 viajar é melhor do que chegar
 
Imagine-se estressado. Tipo prestes a explodir. Uma forma de relaxar é pegar a estrada e deixar a mente livre de qualquer preocupação. Se a estrada é a cura, o melhor remédio no frasco de duas rodas é a BMW GS 1200. Nascida para ser a moto-para-dar-a-volta-ao-mundo ela chega ao Brasil na versão 2008 ainda mais viajável e com altíssimo poder anti-estressante. Posso garantir que é bem mais divertido – e econômico – do que ficar deitado de barriga pra cima, olhando o teto branco do consultório de um analista freudiano. Ah, e a BMW não tem contra-indicação e ainda melhora sua auto-estima (ou moto-estima).
 
A aparência volumosa engana e assusta. Mas na prática quase nem se percebe os mais de 230 kg (a seco). Boa parte desse peso está no motor de dois cilindros paralelos – também conhecido como boxer – de exatos 1.198 cc, que desenvolve 105 cv a 7.000 rpm. Esse motor é a prova de que a tecnologia supera muitos preconceitos. Quando alguém poderia imaginar em pleno século 21 que uma das motos mais desejadas do planeta teria motor arrefecido a ar de cilindros opostos?
 
Pois a insistência alemã em manter o motor com a mesma arquitetura do primeiro propulsor com o logotipo BMW de 1929 rompeu com todos os paradigmas da mecânica. Se alguns engenheiros apocalípticos condenaram os motores refrigerados a ar, alegando alto consumo e excesso de poluição, a tecnologia provou o contrário. Equipada com injeção eletrônica e catalisador essa BMW pode ser ligada na sala de casa sem matar ninguém. E dentro da proposta de ser uma moto pra dar volta ao mundo, um sistema de arrefecimento a ar elimina uma grande preocupação que é um radiador, uma ventoinha e suas válvulas.
 
Sobe e desce
Antes de colocar a big (e bota big nisso!) trail em movimento foi preciso uma aula sobre os comandos. Claro que nada é simples em se tratando de alemães. Se o idioma deles tem três gêneros (masculino, feminino e neutro) não seria diferente com as motos. Todas as motos têm apenas um botão para ligar e desligar os piscas. Na BMW são três: um pra esquerda, um pra direita e um terceiro pra desligar. O projetista deve ser polidáctilo! Até acostumar com o botão da buzina o novo dono de uma BMW viverá fortes emoções apertando o pisca!
 
A lição mais comprida foi do ajuste das suspensões. Essa GS conta com um sistema ESA – electronic suspension adjustment – que permite alterar 12 parâmetros de acerto das suspensões dianteira e traseira sem mexer um parafuso nem tirar o traseiro do banco. Basta ir clicando o botão ESA no punho esquerdo e sentir a moto subindo e descendo. E como o vocabulário alemão é cheio daquelas palavras com 9 consoantes e uma vogal, esses ajustes aparecem no painel de cristal líquido na forma de infográficos. Também no punho esquerdo está o controle de atuação do freio ABS e do controle de tração. Pra rodar na terra recomendo desligar o freio ABS e deixar o controle de tração na posição intermediária. Hehe, na verdade eu desliguei o controle de tração porque é muito divertido ver as pedras voando a cada acelerada! Até a calibragem dos pneus pode ser conferida pelo painel.
 
Há muito tempo as fábricas perceberam que os donos de motos big-trail usavam-nas quase exclusivamente nas estradas asfaltadas. A partir dessa ótica a BMW passou a oferecer duas versões da GS: uma mais on-road e a Adventure, com itens mais endurísticos como tanque de gasolina maior, rodas raiadas e proteções de alumínio para não despedaçar a moto a cada simples queda. A versão que avaliamos é a GS “normal”, voltada para uso mais civilizado. Mesmo assim ela encara uma estrada de terra de forma muito dócil, ao contrário do que sua aparência mastodôntica poderia supor. O banco tem até regulagem de altura para que pilotos prejudicados verticalmente possam colocar os pés no chão em situações de emergência. Posso atestar que funciona... felizmente!
 
 
Nas estradas de asfalto essa BMW passa a sensação de que o fim do mundo fica ali na esquina. Extremamente confortável para piloto e garupa, silenciosa e deliciosa de pilotar, chega a dar certa tristeza quando a viagem termina. O aspecto de moto de tiozão é enganoso porque ela chega fácil a 220 km/h (206 km/h reais) e tem estabilidade de sobra pra acompanhar motos mais esportivas. E só pra não ficar rasgando elogios, o pára-lama traseiro tem algum erro de projeto porque na chuva joga muita água e sujeira nas costas de quem está na garupa. Geralmente esse “alguém” já é naturalmente faladora. Imagine o tamanho da bronca!
 
Com um consumo médio na faixa de 15 km/litro, a autonomia da versão GS é de 300 km, enquanto na versão Adventure é de 495 km. Dá pra ir até o fim do mundo... e voltar!

 

+     +      +

Publicado originalmente na revista Car & Driver número 6.

 

E eu que prometi não publicar mais testes...

 

Não liguem se faltam dados como consumo, mas teste de moto em revista de carro é diferente mesmo!

publicado por motite às 00:34
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

A escolha de Sofia

 

 

Um dos filmes que melhor retrata a angústia de uma decisão é "Escolha de Sofia", baseado no romance homônimo. A história se passa na Europa, durante a II Guerra Mundial, sob a dominação nazista. Uma mulher judia é obrigada a escolher qual dos filhos seria levado à câmara de gás e qual sobreviveria. Se ela se recusasse a escolher o oficial mataria os dois filhos.

 

Só quem tem mais de um filho pode sentir a profundidade dessa cena. A atriz Maryl Streep merecia todos os prêmios do mundo pela interpretação desse momento de crueldade.

 

Essa introdução é só pra refletir sobre a importância de uma escolha. Seja ela qual for. Da simples decisão entre comer uma paçoca ou tomar sorvete, até a escolha por qual filho será sacrificado para que outro sobreviva.

 

Imagine, então, escolher qual moto comprar!

 

Quando percebo o nível de desequilíbrio emocional presente em comunidades do Orkut ou fóruns da Internet sempre lembro do filme "A Escolha de Sofia". Pow, se um cara é capaz de ofensas desequilibradas para defender uma motocicleta, o que seria capaz de fazer para decidir qual filho morrerá?

 

Por isso evito responder à famosa pegunta "Que mot'eu compro"?

 

"Compre a que te fará mais feliz". Essa é a resposta certa.

 

E se há uma maneira de saber qual fará mais ou menos feliz: comprando, rodando, usando, pagando as despesas etc etc.

 

Por isso é tão difícil fazer testes comparativos, pois o simples fato de ser feito por este ou aquele jornalista já compromete a decisão. Posso escrever "A Twister é a melhor 250 do mercado, mas eu recomendo comprar a Fazer" e não há nada de errado nisso, porque o conceito de "MELHOR" é tão amplo e variado que pode levar um sujeito à loucura.

 

Quem leu o livro "Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas" pode lembrar que o personagem principal, professor de filosofia, elouquece tentando definir o conceito de "qualidade". Se esse conceito leva alguém à loucura, imagine tentar definir qual a melhor moto?

 

Por exemplo: melhor é a que vende mais?

 

Não, claro que não, senão os Rolls Royce seriam os piores carros do mundo. E o Fusca seria o melhor!

 

A mais econômica é a melhor?

 

Também não, porque a economia é obtida geralmente em sacrifício de outro elemento, como desempenho, retomada de velocidade etc.

 

Então a mais veloz é a melhor?

 

Não, porque ninguém em juízo perfeito usa uma moto 100% do tempo na velocidade máxima.

 

O mesmo vale para freios, estabilidade, estilo etc

 

A melhor moto é aquela que satisfaz AS SUAS NECESSIDADES.

 

Por exemplo, entre as big nakeds Suzuki Bandit 1250 e Honda CB 1300 eu acho a Honda melhor em vários aspectos. Mas não compraria, porque é um veículo perfeito para assaltos e isso a faz muito visada e ter uma taxa de seguro elevadíssima.

 

Já no caso das 250 que tanto polemizam, eu gosto mais do estilo da Twister, mas compraria a feiosa Fazer, porque tem um motor mais econômico e menos exposição ao roubo/furto. Pelo menos até agora!

 

Cabe ao futuro usuário decidir qual das qualidades da moto mais lhe agrada. Eu prefiro ter uma moto mais econômica e menos visada a ter uma outra mais bonita e com rendimento em tiquinho melhor.

 

Sou um especialista em moto, mas de carro eu sou apenas um usuário normal. Quando estou interessado em um carro novo leio alguma coisa, sempre levando em conta QUEM escreveu, vejo quais itens do teste são relevantes, faço uma média e só depois vou nas concessionários olhar, fuçar, testar e terminar de decidir. Se mesmo assim uma outra concessionária concorrente oferecer um pacote econômico mais vantojoso dou uma banana pra todas as "qualidades" vejo como melhorar o carro escolhido com o dinheiro que sobrou.

 

Nas motos é a mesma coisa. Por exemplo, se eu comprasse uma Fazer um dia, faria as alterações estéticas e mecânicas para deixá-la do MEU jeito. Pena que algumas coisas são imexíveis, como o painel horroroso e a falta da sexta-marcha.

 

Ah, minha Biz está quase chegando: a ES amarela e já estou pensando nas minha personalização titeana!

 

publicado por motite às 02:19
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Qual custom comprar

 

(Suzuki M 800 - Foto: Tite)

 

Da série "que mot'eu compro?"  Aqui vai um pequeno compara das 4 customs...

 

Suzuki M 800 Boulevard - É a melhor opção porque tem estilo mais moderno, suspensão confortável e freia melhor. Só acho os escapamentos um show de horror, eu mandaria fazer um escape 2x1 com uma saída menor e preto-fosco com fibra de carbono.

 

Honda Shadow 750 - Seria a segunda opção agora que ganhou injeção eletrônica, mas é mais feia que bater na vó com a Bíblia. Eu mandaria fazer dois novos pára-lamas.

 

Yamaha Dragstar 650 - O motor arrefecido a ar não gosta de rodar em baixa velocidade sem ventilação constante, em pouco tempo começa a fritar as juntas. Além disso o banco do garupa é uma piada de mau gosto. Mas o estilo é bem legal, gosto do tanque largo e baixo.

 

Harley-Davidson 883 - A última opção, porque só existe pra agradar o público feminino, é dura como tamanco holandês e o que é aquele tanque de gasolina ridículo??? O motor é muito fraco... Dizem que tem a vantagem de não ser visada. Claro, ladrão sabe o que é verdadeiramente cool! Se for pra comprar Harley, tem de ser com motor de 1.200 pra CIMA.

 

 

publicado por motite às 20:44
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Clássicas

(Ducati 250 Manx - foto:tite)

 

A convite dos amigos - porque eu não curto muito coisa antiga - fui ver o encontro de motos clássicas realizado o Patéo do Colégio - em SP, no domingo qualquer de julho.

 

O que prometia ser mais emocionante que salada de chuchu acabou em um divertido domingo, cheio de lembranças de encontros inesperados.

 

Assim que bati o olho numa Ducati 250 (óia a foto) lembrei de um amigo que tinha uma igualzinha nos anos 70. A moto tinha guidão baixo e os comandos dos pés eram invertidos: cãmbio na direita e freio na esquerda.

 

O cara tinha maior ciúmes daquela moto, mas mesmo assim consegui dar uma volta e quase morri quando quis frear e fiquei empurrando a alavanca de câmio pra baixo. Ah, além do câmio ser do lado esquerdo, era invertido: primeira pra cima e o resto pra baixo. Voltei pra casa só em terceira marcha e nunca mais pilotei aquela moto.

 

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Depois dei de cara com uma CB 400Four azul, idêntica a minha, comprada em 1976 e que passou 10 massacrantes anos nas minhas mãos.

 

(Honda CB 400Four - foto: Tite)

 

Rodei mais de 110.000 km com a CB 400 Four e só vendi porque ela começou a quebrar e vazar óleo por todo lado. E cada vez que eu saía com ela voltava rebocado.  Um dia encostei ela num canto e ficou assim por mais 5 anos, até alguém aparecer em casa, oferecer qualquer quantia e levou embora. Não sou muito saudosista, mas aquela CBzinha enfrentou as mais doidas viagens da minha vida, inclusive por estradas de terra! O problema era o motor muito fraco (38 cv) e os vazamentos de óleo!

 

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(Honda CB 125 não sei que ano - foto:Tite)

 

Também vi a CB 125 de dois cilindros que andava menos que uma enceradeira, mas era a moto dos meus sonhos quando eu tinha 10 anos. Quando saiu a versão mais nova com partida elétrica que alucinei, mas meu irmão acabou comprando a Yamaha 123 AS3, que andava mais que notícia ruim e não freava nem por reza brava! Os donos de Honda 125 queriam morrer quando a genet passava a milhão por eles com as Yamaha. E lógico que eu ainda fucei o motor... que nunca mais ficou bom!

 

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Pátio do colégio, onde SP nasceu - foto:Tite)

 

Foi um domingo nostálgico e me convenceu a comparecer mais aos eventos clássicos (um eufemismo pra coisa véia).

 

Até as mulheres adoraram o passeio. Foram as esposas: Míriam (que não quer mais ser chamada de dona Tita), Michele (sra. Leandro Panadés) e Karla (sra. Minhoca, devidamente recheada)

 

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(Da esq. pra direita: Míriam (Tite), Michele (Leandro) e Karla (Minhoca): essas são novinhas!

 

Aqui, tem genet que ainda não sabe onde encontrar meu livro de crônicas. Por favor, basta entrar nos sites www.motonline.com.br ou www.livrariacultura.com.br e fazer a pesquisa. Comprem logo porque a segunda edição já tá acabando!

 

Comprem meu livro, caramba!

 

 

+      =     +    %

 

Já que todo mundo sempre me pergunta que moto comprar, tá aí uma boa opção: Honda Varadero 1000. Pode gastar sua grana nessa motoca que vai ser muito feliz...

publicado por motite às 18:43
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

O espírito da coisa

 

 

Parece que algumas pessoas realmente não têm o chamado espírito da coisa!

 

Depois de muito tempo longe dos testes de motos decidi escrever um artigo sobre a Biz 125. Num blog. Uma opinião exclusivamente pessoal, baseada numa experiência de quem já testou milhares de motos. Sem a menor pretensão de ser um teste, muito menos de celebrar a Biz como o melhor veículo já concebido pela humanidade em todos os tempos.

 

Escolhi um título "A Melhor Moto do Mundo" como forma de ironia pra dizer algo tipo assim: "olha aqui, moto boa é aquela que te leva pro seu trabalho, traz de volta pra casa, sem gastar um puto dum tostão de gasolina".

 

Mas abri a comunidade do Motonline no Orkut e qual não é minha surpresa ao perceber um festival de antices. Tem vários tipos de antas:

 

A anta científica-psicopática - é aquele sujeito que escreve "pô, o Tite é louco, onde já se viu escrever que a Biz é a melhor moto do mundo!". Claro, pra esse tipo de anta não existe meio termo: ou é a crueza da ciência ou não é nada. Cientificamente a Biz NÃO é a melhor moto do mundo, por isso a anta fica indignada.

 

A anta psicótica-persecutória - Esse é mais grave, porque aproveita um texto que nasceu para ser um depoimento pessoal, mais ainda, um desabafo pela alegria de descobrir o prazer em motos pequenas para escrever "o tite só elogiou a Biz porque tem raiva da Yamaha" e ainda completa com um leque de vantagens da Neo em relação à Biz.

 

A anta neo-complexada - é o maluco que lê uma coisa, interpreta a partir do seu mundinho rasteiro de parco conhecimento e perspectiva social e regorgita as impressões distorcidas como "pow, ele escreveu que freio a tambor é melhor que disco e vai comprar uma Biz com roda raiada só por causa do preço da peça". Um engenheiro de motocicletas pode confirmar que rodas raiadas são mais confortáveis para motos pequenas porque ela sofre pequenas deformações quando sob impactos, enquanto a roda de liga leve é mais "dura" e passa mais as pancadas do solo ao piloto.

 

A anta sabichona-especializada - é aquele que lê um texto com opinião pessoal e usa como argumento para julgar toda a carreira do autor. Do tipo "pow, se o Tite acha a Biz boa, então ele acha as outras motos é uma merda", dãããã!

 

A anta neurótica-bipolar - É aquele tipo de leitor que acredita na teoria da bipolaridade, ou seja, se um jornalista elogia a Honda é porque recebe uma grana da marca... Eu queria saber em qual conta as fábricas depositaram toda essa grana, porque na minha não foi!

 

A anta mãe-Dinah - aquela que faz previsões do tipo "pow, agora que o Tite jogou merda no ventilador, se a revista Maxim não der certo ele nunca mais poderá voltar ás revistas de moto". Primeiro: a revista Maxim JÁ deu certo. Segundo, pelo andar do universo de motos EU não quero voltar a trabalhar nesse mundo!

 

E finalmente, a maior de todas...

 

A anta concreta - é o cara que não pegou o espírito da coisa, que acredita nas instituições, que tem fé na objetividade e não é capaz de usar alguma parte qualquer do minguado cérebro para CRIAR. Essa é a anta que se limita a ler e absorver, sem perceber as jogadas, as ironias etc etc.

sinto-me:
publicado por motite às 01:16
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Sábado, 14 de Junho de 2008

Por que não publico mais testes?

 

Nos meus últimos meses como editor do Motonline muitos leitores cobravam a publicação de mais testes. Muito simples: cansei!

 

CANSEI de correr atrás dos fabricantes implorando quase de joelhos para que me entregassem uma moto pra teste. À exceção da Honda e Suzuki - que faziam o inverso, ou seja, pediam para que eu testasse seus produtos - as outras marcas agiam como se estivessem fazendo um imenso favor ao ceder um de seus modelos. Cansei de fazer papel de pedinte pra marcas e empresas que deveriam bater à minha porta!

 

CANSEI de ser enxovalhado por um público de baixa capacidade intelectual. O leitor de revista especializada no Brasil é muito particular. Se um jornalista faz um teste positivo sobre determinada moto é sinal que a moto é boa. MAs se o jornalista critica um modelo (e você sabe que eu critico mesmo), o jornalista é uma anta!

 

CANSEI de ser a anta! Pior de tudo é receber as cartas desses leitores com erros grosseiros de português a ponto de a mensagem ser incompreensível! Então, depois de levar muita patada de pessoas que falam "nóis fumo e nóis vortemo" fiquei cansado...

 

CANSEI de ser fornecedor gratuito de conteúdo! Periodicamente eu faço uma busca no Google com algumas palavras-chaves e encontro dezenas (ou centenas) de sites de filhos das putas que chupam o conteúdo do outros e publicam. Caras de paus como Bizclubes, sei lá o que do Japi, blogueiros etc usam as teclas Ctrl C + Ctrl V com a maior cara de pau do mundo e ainda escrevem no rodapé "Todos os direitos reservados". É o máximo da filhodaputagem estelionatários etc! A Internet virou total no men's land. Cada um chupa o que bem entende e publica. Eu sempre me preocupo em usar apenas fotos do meu arquivo e criar textos novos, diferentes do convencional aí nego escroto vem, copia, cola no site dele e ainda escreve "direitos reservados". Direito são as putas que pariram eles!!!

 

CANSEI de trabalhar de graça. Essa é a parte mais cruel de tudo. Juro que eu esperava um pouco mais de remuneração. Até quando lancei o livro e o filme esperava que o público respondesse de forma mais animada. Na minha ingenuidade imaginei que se uma revista especializada no Brasil vende em média 12.000 exemplares/mês eu venderia fácil os primeiros 1.000 exemplares. Que nada! Levou quase UM ano pra vender 1.000, o que dá menos de 100 por mês! Mesmo assim rodei a segunda tiragem com 1.500 exemplares e espero ficar nisso. Idem com relação ao filme, com o agravante de o filme ser mais fácil de piratear. Já soube que tem até "amigos" pirateando o DVD. Nunca mais...

 

CANSEI de ver o mercado crescer cada ano (em número de motos), mas encolher a cada ano em investimentos. O mercado de motos no Brasil é grande, mas é pobre! O desgraçado vai na loja gastar 100 paus e quer pagar em 10 vezes!!!

 

Cansei da miserabilidade do mercado...

 

+   +   +

 

Alguem sugeriu que eu contasse as mentiras que as revistas publicam. Em vez disso prefiro contar as VERDADES. 

 

A primeirda delas: elas vendem muito menos do que anunciam no mercado! Hoje, uma revista especializada que vende 10.000 exemplares/mês pode se considerar uma vencedora. Ah, e elas tb não têm circulação nacional porríssima nenhuma. O Brasil tem 5.500 municípios (maomenos), mas as revistas são chegam a 2.000. Se não acredita entrem nas comunidades do Orkut das revistas e experimente perguntar quando e onde chegam as revistas...

 

Chega, porque também cansei desse papo... 

 

sinto-me:
publicado por motite às 17:24
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Mais sobre a Biz e mulheres

 

SOBRE MULHERES, VOCÊS TÊM razão... A melhor mulher do mundo é a que está em casa. Posso garantir que a melhor mulher do mundo é dona Tita, flagrada nessa foto singelamente costurando a barra de alguma calça. Claro que ela não percebeu minha sorrateira foto, mas mesmo assim você pode ver que realmente ela é uma coisa...

 

E também é linda:]

Além de ter a melhor mulher do mundo eu tenho as duas melhores motos do mundo: a SpeedMaster 650 e a futura Biz 125.

 

E vocês nem conhecem a minha cachorrinha Valentina... au, au!

 

+        +      +

 

SOBRE A Biz, anotei mais algumas cositas:

 

A localização da chave do banco é horrível. Fica difícil de visualizar e um sujeito velho e acabado como eu sofre de dores nas costas na hora de abaixar para acertar o buraquinho (da chave, da chave...).

Também fala uma luz de cortesia sob o banco (como tem na minha velha Address 100). Eu até estou pensando em como instalar uma luz de cortesia na minha futura Biz.

 

Ah, não será mais a Biz+. Tive um momento de lucidez e decidi ligar numa concessionária Honda pra pesquisar o preço da roda traseira. Sente! TREZENTOS E NOVENTA REAIS!!!

 

DEcidi pela Biz 125ES e terei de amargarm a p*** do freio a tambor em nome da bolsa família.

 

Outra coisa que me incazza profundamente é por que caraios de asas o pneu da Biz 125+ tem câmera se a moto tem roda de liga leve??? A única vantagem da roda de liga é permitir o uso de pneus tubeless, aí nego vai lá e enfia uma câmera. É de c*** sangue com verme!

 

+      +      +

 

SOBRE a pilotagem de motos pequenas...

 

Meus caros estrupícios leitores. Motos pequenas não podem ser pilotadas como se fossem motos grandes encolhidas (dã!)

 

Por exemplo: NUNCA jamais trafegue em vias de trânsito rápido à noite, quando só tem mangüaçeiro e speedracers à solta. Não tem nada pior prum motoquento do quer ser atingido por trás. Aliás só o Ronaldo Fofômeno gosta de ser atingido por trás. E ainda curte um abalrroamento triplo...

 

Use as vias menos movimentadas e só pegue as vias expressas quando tiver tudo congestionado (aqui em sumpaulo significa TODAS as vias expressas).

 

Pilote com um olho no peixe e outro no gato. Olhe  pra frente, mas esteja sempre ligado no que se passa atrás de si. Pra isso existe espelhos. No plural, porque são dois!

 

+     +     +

 

SOBRE os Blogs

 

Quando eu fiz esse blog (blog parece barulho de pum debaixo dágua) não queria ser uma extensão do Motonline. Não estou aberto a críticas nem a ironias e vou apagar todo comentário que me encher o saco. Quero e vou escrever só o que me der prazer, da forma que quiser e para quem eu quiser.

 

Olhem, sinceramente não estou a fim de responder perguntas sobre pilotagem, compras, capacetes, manutenção etc. Pelo menos não de graça!!! Um dos motivos de eu parar com o Motonline é cansar de ser o bom samaritano que não paga as contas.

 

Meu amigo e guru Renato Gaeta tem uma oficina no centro de SP. Na parede tem uma placa: "Consulta Técnica R$ 30,00". Ou seja, ele cobra 30 pilas dos pentelhos que vão lá perguntar qual o tipo de óleo usar, ou o que pode ser esse tic, tic, tic aqui no motor.

 

Bom, o Tio Tite (ou Doctor Tite) tb não dará mais consultas grátis. O preço é o mesmo R$ 30 pilas e o perguntelho ganha de brinde o livro "O Mundo É Uma Roda". Quem já comprou basta me escrever no e-mail do sapo motite@sapo.pt e responder meu questionário pra saber se comprou o livro mesmo ou se tá me enrolando. Ah, e tem mais R$ 6,0 do frete, tá?

 

Ah, doce liberdade sem chefe nem "amarrações comerciais".

 

publicado por motite às 19:20
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