Sexta-feira, 25 de Março de 2011

É guerra!

No pacífico Brasil acontecem mais homicídios do que em qualquer guerra da História!

 

A violência no Brasil atingiu níveis maiores do que em qualquer luta armada da história da humanidade

 

Durante muitos anos eu tinha o hábito de tirar férias na Ilha Grande, em Angra dos Reis, RJ. Em uma dessas viagens conheci um grupo de médicos e enfermeiras holandeses que estavam aproveitando os dias de sol, enquanto faziam um curso de especialização no Rio de Janeiro. Como um jornalista nunca deixa de ser jornalista 24 horas por dia, 365 dias por ano, nós não conversamos como pessoas normais, nós as entrevistamos!

 

Nessa entrevista descobri que estávamos em guerra e nunca fomos avisados. Aqueles médicos e paramédicos vieram ao Brasil para aprender como tratar vítimas de armas de fogo. Os baleados! Segundo eles, com a queda desse tipo de “acidente” na maioria dos países europeus, sobretudo no norte, os profissionais de medicina estavam sem prática para atender os (raros) casos que apareciam.

 

Segundo os holandeses, desde o fim da guerra fria e do terrorismo o número de vítimas de armas de fogo tinha caído tanto que os profissionais perderam a prática no tratamento. Além disso, as armas e munições estavam diferentes do que eram na II Guerra Mundial, em 1945.

 

Para adquirir experiência estes estudantes e residentes europeus tinham a opção de estagiar em países que estivessem em guerra. Só que havia o risco de os médicos serem alvejados, seqüestrados ou até – como acontecia com assustadora freqüência – pisarem numa mina terrestre. A outra opção era estagiar em países com alto índice de violência e aí chegaram ao Brasil, mais especificamente no eixo Rio-São Paulo.

 

Foi aí que começou a parte triste da entrevista. Estes holandeses e holandesas, tão brancos quanto seus aventais, revelaram que a grande vantagem de estagiar no Brasil era a segurança (?) de ser um país em paz (??) e ter um número muito maior de vítimas do que nos países em guerra (???). Também tinha o aspecto da diversidade de armamentos e até uma especialização grátis em ferimentos por armas brancas (faca, estilete, machado, enxada etc), além de garrafadas e outros instrumentos perfuro contundentes.

 

Segundo um dos médicos, no primeiro dia de plantão no hospital municipal de Heliópolis, em São Paulo, ele viu mais baleados do que em toda carreira dele! Passado o susto, ainda foram estagiar no hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro. Aí sim, foram surpreendidos novamente!

 

Só para ilustrar, dados da violência no Brasil mostram que em 2010 tivemos uma média de 137 homicídios por dia! O que é praticamente 10 vezes mais do que um dia de conflito armado na Líbia, que é nossa mais recente guerra civil. A mesma estatística revela que o Brasil é o sexto país mais violento do mundo em números relativos (por 1.000 habitantes), com média de 46 e 50 mil homicídios por ano, mas é PRIMEIRO em número total! Finalmente o Brasil está em primeiro lugar em alguma coisa!

 

Em outras palavras: estamos em guerra!

 

Cruzes

O mundo tem 208 países (pela última convenção de 2008) e o Brasil ocupa o primeiro lugar em números absolutos de homicídios, sendo o sexto na medição por 1.000 habitantes. Sim, eu sei que já escrevi isso, mas precisa ser reforçado porque vem mais.

 

Se contabilizarmos as mortes de vítimas de trânsito, estatística na qual o Brasil é o quinto do mundo, com média de 35.000 vítimas fatais por ano temos algo em torno de 85.000 mortes causadas de forma violenta por ano no Brasil. Este número representa a população de muitas grandes cidades do mundo. Imagine se colocássemos uma cruz branca no chão onde cada uma dessas vítimas tombaram. Faltaria chão pra tanta cruz.

 

Como esta é uma coluna sobre motos, agora estou chegando finalmente no mote desta conversa: os motociclistas são duplamente alvejados, porque ou morrem vítimas de acidente no trânsito, ou morrem baleados na hora do assalto.

 

Recentemente vimos dois assassinatos de motociclistas em tentativa de assalto. No Rio de Janeiro, Paulo Viola foi assassinado com seis tiros em uma tentativa de roubarem sua Yamaha XT 660. Você não ficou sabendo dessa notícia, porque a mídia divulgou como “mãe do jogador Roger, do Cruzeiro, foi baleada no braço”. A morte do motociclista – namorado da mãe do jogador – foi uma notícia de menor importância.

 

Já em São Paulo, um jovem estudante de direito Leandro Bruno Longo, 26 anos, foi assassinado e teve sua Honda CBX 250 Twister levada pelos criminosos que primeiro mataram o motociclista para depois, sem a menor dificuldade, retirarem o corpo de lado, facilitando a fuga. Tudo filmado por câmeras de segurança.

 

Amigo(a) leitor(a), estamos sendo dizimados. Se você ainda não se deu conta disso, comece a sintonizar a TV em canais de programa policiais ou simplesmente sintonize seu rádio em uma estação AM de notícias. Não passa um santo dia neste país sem que a mídia divulgue um assassinato, seja passional ou latrocínio.

 

Confesso que cada dia eu tenho mais medo de sair de casa, até pra ir à padaria, afinal já fui assaltado a mão armada na rua de casa! Estou com uma moto esportiva de 1.000cc na garagem, um sonho de consumo alimentado há décadas, mas não tenho coragem de por as rodas na rua.

 

Os ladrões estão cada vez menos pacientes (eles já foram mais “profissionais”), sobretudo com os rastreadores e sensores de presença. Para evitar surpresas é melhor primeiro atirar, matar bem matado, depois revistar o defunto em busca de um sensor e então subir na moto e ir embora. A moto terá alguns arranhões, mas vai render uma graninha extra pra comprar mais bagulho, uma arma nova, equipar a moto de fuga, enfim, investir nos negócios.

 

Há alguns anos escrevi um artigo no qual dizia que queria mudar de ramo: entrar para esse comércio de produtos bolivianos em pó e até fiz as contas de quanto de investimento seria necessário para começar e quanto de lucro poderia render. Sem falar nas vantagens de não pagar impostos, ter a liberdade de matar os clientes inadimplentes (quantas vezes você não quis fazer isso?), atuar em várias frentes e se livrar da fiscalização simplesmente pagando algumas contribuições voluntárias aos agentes fiscalizadores.

 

A desvantagem é ser morto pela concorrência, mas no mundo corporativo é assim mesmo: os concorrentes querem se matar.

 

Nem vou perder tempo comentando teorias fajutas assistencialistas que justificam o aumento da criminalidade, porque isso eu deixo aos assistentes sociais de gabinete. Mas estamos sendo caçados, dizimados bem debaixo dos narizes das autoridades e os inimigos desta guerra civil nem se preocupam porque sabem que nunca ficarão presos. Nesta guerra declarada ainda tem um aspecto cruel, invisível só aos olhos das autoridades: só um dos lados está (bem) armado!

 

A notícia de um motociclista assassinado dura na mídia só tempo de outro assassinato mais espetacular. Um intervalo cada vez menor. A sociedade está ficando anestesiada com tanta notícia de latrocínios que passa por um corpo cravado de balas como se fosse mais um cachorro atropelado na Fernão Dias.

 

Mesmo assim, o seguro obrigatório dos motociclistas aumentou 300% em poucos anos, mas a proteção a esta categoria não cresceu nem meio por cento.

 

Caro(a) leitor(a): nossa espécie está sendo dizimada! E não há ONG que nos defenda...

 

publicado por motite às 19:34
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