Sábado, 3 de Julho de 2010

Feita no Brasil? Mais um testículo de moto...

A calça camuflada é pra pilotar no mato. Foto: Daniel Rosa

 

Como é a BMW G 650GS montada em Manaus pela Dafra

 

A BMW G 650 GS é pioneira. Primeiro por recolocar a BMW na categoria monocilindro lá atrás, em 1993, com um modelo F 650 fabricado pela italiana Aprilia, com motor austríaco Rotax e a marca alemã BMW. Ou seja, era um produto totalmente globalizado. A partir de 2000 a BMW assumiu a produção total do modelo, que teve mais um capítulo de pioneirismo porque o motor passou a ser montado na China. Agora a mais importante de todas: é a primeira moto da marca alemã a ser 100% montada fora da Europa.

 

Aparentemente é exatamente o mesmo modelo que foi importado para o Brasil até 2007. Mecanicamente também é a mesma, com motor monocilíndrico, 652 cc, que desenvolve 50 cv a 6.500 rpm. Só a injeção eletrônica teve uma alteração com pequeno aumento do diâmetro da borboleta. Este motor tem como principal característica o bom torque em baixa rotação, grande economia de gasolina, chegando a impressionantes 24 km/litro, mas tem um funcionamento bastante ruidoso com vibração excessiva, denunciando a antiguidade do seu projeto.

 

Na Alemanha esse modelo é considerado como de entrada da marca, ou seja, o mais barato e acessível, especialmente indicado para iniciantes e mulheres. Por isso a posição de pilotagem é estranha, com o piloto afundado no banco de dois níveis e a apenas 79 cm do solo. Os baixinhos agradecem! Já o guidão é exageradamente largo, com avantajados pesos nas extremidades. Pode ser bom para o fora-de-estrada, mas na cidade atrapalha bastante na hora de zanzar entre os carros.

 

(Feia ou bonita? Hum, quem decide é você)

 

Antiquado também é o painel de instrumentos que fica devendo um marcador de gasolina, adotando a luz de advertência de reserva. Com um tanque de 17,3 litros (4 de reserva) a autonomia média é de 360 quilômetros. Um painel mais moderno e com marcador digital de marcha seria bem vindo.

 

Não há qualquer motivo para subestimar a qualidade desse produto apenas pelo fato de ser montado no Brasil pela Dafra. Porque o controle de qualidade é todo exercido por técnicos treinados na matriz em Munique. Mesmo assim nota-se algum descuido no acabamento do chicote elétrico, por exemplo. Outro detalhe irritante são os comandos dos punhos elétricos, totalmente anti-ergonômicos e fora do padrão, com a buzina no lugar do pisca e vice-versa. Parece que os alemães da BMW se especializaram em criar confusão aos motociclistas.

 

Que é isso? Buzina no lugar do pisca e vice-versa!

 

Na rua

A primeira impressão ao acionar a partida da G 650 GS é de um motor áspero. Com a marcha lenta a 1.500 rpm essa sensação é ainda amplificada. Como já foi explicado, o projeto está completando 11 anos e isso aparece nestes detalhes. A principal concorrente, a Yamaha XT 660 tem um motor notadamente mais silencioso e suave.

 

Por enquanto aqui será fornecida apenas a versão GS estandard (já existiu a versão Dakar, com roda dianteira de 21 polegadas), com rodas de liga leve, sendo a dianteira de 19 polegadas. A vantagem da roda de 19” é deixar a moto mais estável e maneável nas curvas, sobretudo no asfalto. No entanto a roda raiada pode até ser mais confortável e absorver melhor as irregularidades do piso, porém impede o uso do pneu sem câmera, mais seguro e eficiente.

 

Até que essa BMW aceita bem o uso no fora-de-estrada e esta é a proposta: ser uma moto de uso on-off road. Só que na hora de sair do asfalto é importante desligar o freio ABS por meio de um feioso botão no painel. Se no asfalto o ABS já funciona com alguma dificuldade quando passa por irregularidades, na terra é preciso desligar. Ao contrário do sistema adotado pela Honda XRE, a BMW ainda não conseguiu desenvolver um sistema que consiga interpretar as irregularidades do piso.

 

Neste modelo avaliado este botão do ABS estava defeituoso e ligava sozinho, quase me matando de susto quando esperava a roda traseira travar e o freio simplesmente não funcionou e por pouco não saí reto na curva!

 

Na estrada

Rodei quase 500 km e dois dias em um percurso com trecho de terra, asfalto, curvas, tanto de dia quanto à noite. Se a distância entre-eixos pode sugerir problema em curvas de raio curto, essa impressão logo desaparece nas primeiras curvas. Os pneus Metzeler Tourance são projetados para 70% de uso em asfalto e 30% de terra e essa mistura é muito bem balanceada, pois eles seguram bem nas duas condições. Para ter uma idéia, cheguei mesmo a raspar o cavalete no asfalto em uma curva mais abusada. E no trecho de terra foi bem tranqüilo. Dessa vez peguei só seco, mas já rodei com essa moto na lama. Não foi fácil, mas dá pra encarar.

 

Painel completo, mas meio antigo...

 

O grande destaque está no conforto. Tanto piloto quanto garupa viajam em amplo espaço, com um bagageiro também avantajado e até equipado com um pequeno porta-objeto. A grande contribuição é do conjunto de suspensões bem balanceadas, inclusive com uma regulagem da suspensão traseira bem acessível para se adaptar às condições da estrada e do peso.

 

O farol de lente única ilumina muito bem e os protetores de mãos ajudam a afastar um pouco do frio. Se a BMW fizesse um pacote de opcionais para este modelo poderia incluir um aquecedor de manoplas e um pára-brisa maior, porque falta um pouco de proteção aerodinâmica.

 

Porta-objeto no bagageiro.

 

A briga no mercado ficou bem aquecida e interessante, porque na faixa de preço da BMW G 650 GS (R$ 29.900 em São Paulo) podem-se encontrar boas opções como a já citada Yamaha XT 660 de um cilindro (R$ 27.000), a Kawasaki ER-6 de dois cilindros (R$ 25.500) ou a nova Yamaha XJ6 de quatro cilindros (R$ 27.500). Honestamente, nesta faixa de preço a BMW seria minha última opção. Para uma moto com motor monocilíndrico, de tecnologia meio defasada, pagar 30 mil reais é um pouco exagerado. A explicação mais usada está no freio ABS, que representa um benefício na mesma proporção do preço. Outro argumento a favor é o seguro menor, que compensa a diferença de preço em pouco tempo.

 

Ficha Técnica

PREÇO: R$ 29.900

ORIGEM: Brasil

MOTOR: monocilindro, 4T, duplo comando, 652cc, alimentado por injeção eletrônica, arrefecido a líquido. Potência máxima de 50 cv (a 6.500 rpm) e torque de 6,1 kgfm (a 4.800rpm)

TRANSMISSÃO: Câmbio de cinco marchas. Secundária por corrente

SUSPENSÃO: Dianteira com garfos telescópicos e traseira monoamortecida

FREIOS: Dianteiro a disco e traseiro a disco, com ABS

PNEUS: Dianteiro 110/90-19 e traseiro 130/80-17

DIMENSÕES: 2.185 mm de comprimento, 905 mm de largura, 1.160 mm de altura e 1.520 mm de entre-eixos

PESO: 175 kg

TANQUE: 17,4 litros

publicado por motite às 04:05
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