Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Pecado original

 

 

Recentemente publiquei uma crítica sobre o excesso de livros de auto ajuda nos corredores da Bienal do Livro em São Paulo. Veja o link: http://motite.blogs.sapo.pt/11701.html) . O que pouca gente – e eu mesmo – nunca se deu conta é que o mais antigo, famoso e vendido livro de auto-ajuda da História chama-se Bíblia!
 
Na Bíblia tem resposta para várias das angústias que assolam a humanidade. Falta de amor? A receita está lá. Falta de grana? Também está explicado tudinho, inclusive com uma aula sobre negociação salarial. A auto-estima anda baixa? Tem explicação para mudar nas páginas fininhas da Bíblia. Até aquele livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” é uma cartilha infantil perto da Bíblia que, afinal trata da vida de um personagem que mais fez amigos e influenciou pessoas da História da Humanidade.
 
Neste momento que estou diante de um daqueles grandes golpes que a vida nos reserva fui buscar a resposta na Bíblia. Calma, não pensem que fiquei louco, pastor ou prestes a virar padre, mas eu vejo a Bíblia como um livro que tem várias respostas para muitas das nossas dúvidas. Basta ver como um livro repleto de boas dicas de auto-ajuda e não como um oráculo. Sem exageros, pessoal.
 
Tem um capítulo que trata do “pecado original”. É uma visão extremamente sábia e bem interpretada deste nebuloso capítulo da História Humana, afinal dizem que todos nós carregamos esse pecado. Tudo porque a Eva pisou na maçã, quer dizer, no tomate!
 
Segundo o Livro, Deus teria dito à Eva e ao Adão que podiam viver no paraíso na boa. O casal inaugural podia nadar nos rios cristalinos, dormir pelados ao relento e se alimentar do que a Natureza lhes proviesse. Uma beleza!
 
Mas Ele advertiu apenas para uma ordem: “Não comam o fruto daquela árvore” e apontou o dedo de Deus pra uma macieira forrada de frutas madurinhas. Ô tentação!
 
Na representação bíblica apareceu uma serpente e sibilou no ouvido da Eva:
 
- Vai lá, é só uma, Ele nem vai dar falta!
 
Bom, de tanto a cobra sibilar, a Eva foi lá no ouvido do Adão e começou a buzinar. Adão e Eva foram lá na macieira e NHOC! mandaram ver na fruta!
 
Bom, aí veio aquele mise en scéne todo, com o céu escurecendo, trovões, raios e tudo que a Natureza produziu de pior. E Deus expulsou Adão e Eva do paraíso.
 
O problema veio na interpretação dessa passagem da Bíblia. Rapidamente a ideologia judaico-cristã da Idade Média viu nesse episódio a oportunidade de implantar uma lei-seca sexual. Afinal, sexo era permitido apenas para procriação e olhe lá. E a inocente maçã passou a ser sinônimo de sacanagem. Mas o que o mais antigo livro de auto-ajuda estava se referindo ao classificar o “pecado original” nada tinha a ver com sexo, mas com DESOBEDIÊNCIA!
 
No momento que Deus pediu UM sinal de obediência, o casal inicial foi lá e desrespeitou o menor e mais simples dos regulamentos já criado até hoje. Por isso foram expulsos do Paraíso.
 
O drama que passei no domingo dia 31 de agosto me fez lembrar dessa passagem da Bíblia. Durante os quase 10 anos que ministro o curso de pilotagem sempre frisei a necessidade de respeitar só UMA regra: não ultrapassar os instrutores! Todos os mais de 1.000 alunos que formei nesse período obedeceram. Exceto um. E a desobediência, a exemplo do que foi retratado na Bíblia, com todos os significados e significantes, resultou na expulsão desse aluno do Paraíso.
 
Não sei qual destino a justiça dos homens nos reserva após esse episódio, mas prefiro acreditar na justiça divina. Afinal, se existe um pecado antigo e severamente punido é o da desobediência.
 
Amém. 
 
publicado por motite às 16:09
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