Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020

VerXátil: como é a Honda CB 500X

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Confortável e econômica na estrada (foto: Divulgação)

A roda de 19 polegadas deixou a CB 500X uma verdadeira uso misto

(Texto: Tite Simões. Fotos: divulgação * veja galeria de fotos lá depois da ficha técnica)

Uma moto pode ser confortável na estrada, econômica na cidade ou eficiente no fora de estrada. Ou pode ser tudo isso ao mesmo tempo. Assim é a Honda CB 500X, que a partir de 2020 ficou ainda mais versátil com a roda dianteira de 19 polegadas. É como ter três motos pelo preço de uma.

Tudo bem que um bom desempenho no fora de estrada depende 100% da capacidade do piloto, mas a moto ajuda bastante. E um dos itens que mais contribui para a moto ser eficiente no uso severo fora de estrada são as rodas, principalmente a roda dianteira. Por isso uma das principais novidades na Honda CB 500X 2020 foi a adoção da roda dianteira de 19 polegadas no lugar da roda 17”.

Uma das grandes sacadas da Honda foi usar a mesma base para fazer duas motos bem diferentes: a CB 500F e a CB 500X. Elas usam o mesmo quadro e motor, mas mudam as rodas, guidão e o propósito, claro. Na 500F o usuário terá uma moto muito boa na cidade, confortável na estrada, mas que sofre nas vias esburacadas e no piso de terra. Já a 500X se desenvolve muito bem na cidade, confortável na estrada e segura a onda bravamente na terra. É a moto 3 em 1!

Tive a chance de usar na cidade, na estrada, no autódromo e na estrada de terra e a melhor palavra para descrever esse modelo é: versátil com x!

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Um dos pontos altos é a ergonomia. Para minha dimensões (1,68m) a 500X vestiu sob medida. O banco tem dois níveis, com o assento do piloto mais baixo (834mm), as pedaleiras recuadas e guidão largo (de secção variável, sem cross-bar). Em relação à versão anterior o guidão ficou mais alto e aumentou também o ângulo de esterço (que ainda não é ideal). Como descrevi, parece ser feita sob medida para quem tem por volta de 1,70m. A cereja do bolo é o para-brisa que é maior em relação à primeira geração, mas ainda não desvia totalmente o vento da cabeça. Para se proteger basta inclinar o tronco e abaixar a cabeça, numa postura pouco natural. Uma boa dica é instalar um a bolha maior.

Com essas mudanças a CB 500X se distanciou mais da CB 500F. Agora não pode mais ser chamada de 500F com guidão alto!

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O guidão tem perfil cônico e está mais alto: conforto

Roda viva

A importância da roda numa moto é fácil de entender na medida que é um veículo que só se equilibra graças ao movimento delas. O efeito giroscópico está presente em todo corpo circular em movimento. Quanto maior o perímetro, a velocidade ou a massa do corpo maior será o efeito. Por outro lado, rodas grandes gostam de manter a trajetória, enquanto as rodas menores são mais fáceis de inclinar. Mas o maior benefício da roda maior é reduzir o momento nos impactos contra buraco, pedra ou lombada. Quanto maior a roda, menor a transferência de impacto produzido por obstáculos.

Em suma, quando a CB 500X tinha a roda dianteira de 17 polegadas a maneabilidade (handling) era melhor, mas sofria mais nos buracos e nas estradas de terra. Agora melhorou muito para rodar em uma cidade como São Paulo e suas crateras, mas tem mais resistência para “dobrar” na hora do desvio. Devo admitir: se a moto não for usada em ruas de excelente pavimento a roda de 19 polegadas é muito melhor.

CB500X_rodadiant.jpg

Toda diferença na roda dianteira de 19 polegadas

Mas a teoria na prática é outra coisa. Tive a chance de pilotar a CB 500X no autódromo ECPA, em Piracicaba para ministrar um curso de pilotagem. Além de desenvolver bem na cidade e nos 135 km de estrada lisinha foi uma boa surpresa ver que também permite curvas tranquilas no limite das pedaleiras. O teste definitivo foi no exercício de contra-esterço, quando pude conferir que a tal maneabilidade não ficou comprometida com a roda de maior diâmetro. A roda traseira continuou de 17 polegadas.

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Exercício de contra-esterço com a CB 500X: boa maneabilidade mesmo com roda grande. (Foto: Sampa Fotos)

Hoje em dia a preocupação das fábricas é oferecer uma moto desfrutável sob várias condições e também que “converse” com o piloto. Esta conversa é feita pelo painel, totalmente digital, que conta com indicador de marcha (item cada vez mais pedido entre os usuários), computador de consumo médio e instantâneo, conta-giros (pequeno pra quem tem mais de 60 anos) e uma shift-light. Trata-se de uma luz que vem programada para acender quando o motor atinge 8.500 RPM, rotação da potência máxima (50,4 CV), mas o usuário pode customizar esse regime de rotação entre 5.000 e 8.750 RPM dependendo do que quiser alcançar: mais economia ou desempenho.

capacete_MT.jpg

Capacete usado neste teste: MT KRE

Neste teste eu programei para acender a 5.900 RPM que corresponde a 120 km/h em sexta marcha para não exceder os limites de velocidade da estrada. É uma boa forma de evitar multas! Nesta velocidade a vibração do motor ainda é bem contida, mas acima de 6.500 RPM já se percebe vibrações nas manoplas e pedaleiras. Num motor de dois cilindros é difícil reduzir as vibrações sem comprometer o desempenho. Nesta CB 500X a Honda optou por defasar os cilindros em 180º, assim o movimento de um pistão compensa o do outro (além, claro, de um eixo contra-rotor). Dá certo, mas o funcionamento do motor fica mais “áspero”, como se tivesse falhando. Isso persegue os motores de dois cilindros em linha há décadas. Como o escapamento é enorme e reduz muito o ruído – e emissões – esse efeito indesejável é menos percebido.

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O painel digital é completo, com shift-light

Não gosto muito do funcionamento dos motores 500/650cc de dois cilindros em geral. Essa sensação de que está sempre falhando tira um pouco do prazer de pilotar, mas é isso ou aguentar uma vibração monstruosa! A solução adotada pela BMW nos motores bicilíndricos de 800cc, por exemplo, com uma terceira biela que gira no sentido inverso, tem um efeito mais agradável, mas envolve custos e complexidade no processo industrial. Por isso BMW são caras...

Pão dureza

Um dos pontos altos deste motor é a incrível retomada de rotação em última marcha. Para esta segunda geração a linha CB 500 teve pequenas alterações no motor para melhorar a distribuição de potência. Já a partir de 3.000 RPM o piloto sente boa dose de potência o que representa um alívio na cidade, sem exigir tantas trocas de marcha.

Além de suavizar as curvas de torque (4,55 Kgf.m a 6.500 RPM) e potência, essas alterações deixaram o motor ainda mais econômico. Na minha tocada de pão duro severo, o computador de bordo revelou médias de até 25 km/litro, algo que tempos atrás só seria aceito em motos com a metade da capacidade volumétrica. Mas se torcer o cabo esse consumo cai para menos de 18 km/litro. Para ser sincero, consumo de 20 a 22 km/litro em uma moto de 500cc é mais do que satisfatório. Com um tanque de 17,7 litros dá até pra esquecer de abastecer.

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De acordo com o press-release da Honda: O motor bicilíndrico paralelo arrefecido a líquido da família Honda 500 conta com dois comandos de válvula no cabeçote (DOHC) que atuam por meio de balanceiros roletados nas quatro válvulas de cada cilindro. O acionamento dos comandos se dá por corrente com tratamento da superfície em Vanádio, que garante grande durabilidade. Um preciso trabalho de aperfeiçoamento foi realizado neste motor para incrementar torque e potência em regimes entre 3.000 e 7.000 rpm. O melhoramento de 4% foi conseguido graças à antecipação em 5º do fechamento das válvulas e a ampliação do levantamento em 0,3 mm (agora 7,8 mm).

A melhoria na entrega de potência e torque também se beneficiou do trabalho realizado nos dutos de aspiração, que tiveram sua eficiência aumentada pelo reposicionamento da bateria, o que permitiu criar espaço para um percurso mais retilíneo dos dutos da caixa do filtro de ar até as borboletas do sistema de injeção PGM-FI”.

Só pra complementar a viagem na estrada de asfalto, o banco com espuma de densidade bem macia permite viajar por horas seguidas. O conjunto de suspensão é o mais simples possível, com garfo telescópico na dianteira e monoamortecimento regulável na pré carga da mola na traseira. Por questões de segurança não fazemos mais testes de velocidade máxima em estrada, mas pode chegar a 180 km/h sem dificuldade.

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Na terra ela se saiu muito bem e pode ser pilotada em pé

Depois de rodar na cidade, estrada e autódromo foi a vez de enfrentar uma estrada de terra. Como fui criado num ambiente fora-de-estrada essa é pra mim a parte mais divertida de qualquer teste. Volto a repetir um mantra que escrevo há mais de 30 anos: o item mais importante no fora de estrada é a habilidade do piloto. A moto ajuda se tiver suspensões de curso longo, pneus com sulcos mais espaçados e permita pilotar em pé. Tudo isso a CB 500X tem com folga. Os pneus Dunlop 110/80-19 na frente e 160/60-17 atrás. 

O passeio na estrada de terra foi totalmente tranquilo. Pode-se pilotar em pé e só precisa ficar esperto porque o ABS não pode ser desligado e portanto esqueça qualquer possibilidade de derrapar com a roda traseira. Claro que a estrada estava seca, porque um off-road com lama muda tudo. Aí só mesmo com muita paciência.

Resumindo, a Honda CB 500X tem a proposta de ser uma moto versátil, que agrada bem em todos os terrenos. Sua principal concorrente é a Kawasaki Versys 650 (R$ 37.990) com motor mais forte (69 CV a 8.000 RPM), mas ainda traz a roda dianteira de 17”. O preço da CB 500X (em SP) era de R$ 31.260, com três anos de garantia.

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A CB 500X foi minha ajudante no curso de Pilotagem em Piracicaba. (Foto: Sampa Fotos)

Por que comprar? extremamente versátil, econômica, garantia de 3 anos e enorme rede de assistência técnica.

Por que não comprar? Alta probabilidade de sumiço involuntário, preço do seguro e funcionamento “áspero” do motor.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – quatro tempos, dois cilindros, DOHC, 8 válvulas, arrefecimento a líquido.

Cilindrada – 471 cc

Diâmetro x curso – 67,0 x 66,8mm

Potência – 50,4 CV a 8.500 RPM

Torque – 4,55 Kgf.m a 6.500 RPM

Taxa de Compressão – 10,7:1

Alimentação – injeção eletrônica PGM-FI

Câmbio – seis marchas; embreagem acionamento por cabo

Transmissão – coroa, corrente (com O-rings) e pinhão

Quadro – tubular de aço, Diamond

Suspensão dianteira – garfo telescópico, 150mm

Suspensão traseira – monoamortecedor regulável, 135mm

Distância entre eixos – 1.443 mm

Freio dianteiro – disco/ 310mm

Freio traseiro – disco/ 240mm

Pneu dianteiro – 110/80-19

Pneu traseiro – 160/60-17

Comprimento total mm – 2.156

Largura total mm - 828

Altura do assento mm – 834

Peso seco – 183 kg

Tanque – 17,7 litros

Consumo de combustível – 18,5 km/litro (média geral)

Velocidade máxima (estimada) – 180 km/h

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publicado por motite às 17:57
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2020

Mundial de Motovelocidade: Equilíbrio obrigado

 

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Vini, vidi, Viñales: espanhol finalmente deu a volta por cima (Fotos: MotoGP.com)

Mais um vencedor na MotoGP e as três categorias estão super equilibradas

Havia muito tempo que o campeonato mundial de Motovelocidade não apresentava tanto equilíbrio em todas as categorias. A necessidade de fazer duas corridas na mesma pista contribuiu demais com o equilíbrio porque deu chance de as equipes trabalharem mais nas motos. Assim, o Grande Prêmio da Emilia Romagna, novamente no circuito Marco Simoncelli, em Misano, viu as provas ainda mais emocionantes.

Na MotoE foi uma rodada dupla com corridas no sábado e domingo e vitórias de Dominique Aegerter e Matteo Ferrari respectivamente. Na Moto3 a surpreendente vitória de Romano Fenati (Husqvarna), o mais velho do grid. Na Moto2, em corrida confusa com duas paralisações, quem levou a melhor foi o italiano Enea Bastianini e na MotoGP finalmente Maverick Viñales conseguiu sua primeira vitória em 2020, atestando a ótima fase da Yamaha.

MotoE, rapidinhas

A pressão é o pior dos mundos para um piloto de moto, especialmente os que brigam por títulos. O brasileiro Eric Granado viveu uma tremenda pressão depois de começar o ano com vitória na abertura em Jerez, Espanha. Na segunda prova foi abalroado por Matteo Ferrari e a partir daí foi uma sucessão de contratempos. Nesta primeira corrida de Misano conseguiu a quarta posição na largada, largou mal, consegui se recuperar mas caiu ao tentar passar por Xavier Simeon, levando o piloto espanhol junto. Quem venceu foi o suíço Dominique Aegerter.

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Eric: pressão e luta por uma vaga na Moto2.

Na segunda corrida o grid de largada foi definido pela posição de chegada da corrida 1 e isso fez Eric largar muito atrás. O que se viu depois da largada foi uma primeira volta inacreditável do brasileiro: ultrapassou oito motos! Chegou a estar em sétimo, mas superaqueceu os freios, aliviou, perdeu três posições e conseguiu se recuperar para terminar em sétimo. A vitória mais uma vez foi de Matteo Ferrari, que assumiu a liderança da categoria depois de Aegerter ser derrubado e não marcar pontos.

Para o Eric a situação do campeonato ficou bem crítica. Restam duas rodadas e ele ficou 43 pontos atrás do líder. Mas uma coisa é certa: ele já está de malas prontas para a Moto2. O que ele mostrou, independentemente de resultados, já o credencia para subir de categoria. Só precisa esperar pela equipe certa.

Moto3, Fenati de volta

Mais uma daquelas corridas de testar o coração. É a categoria mais disputada do mundial, os pilotos são jovens entre 16 e 25 anos, as motos muito leves, pequenas e difíceis de pilotar. Mas em cada volta tem mais ultrapassagens que toda a temporada de F-1. Imagina o sufoco para narrador e comentaristas. E não é raro um piloto largar lá de trás para vencer a corrida. Para ficar mais emocionante ainda, as provas são decididas praticamente na linha de chegada.

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Fenatti: tiozinho Bad Boy se deu bem na última volta.

Depois de zerar em duas etapas, o espanhol Albert Arenas (KTM) precisava correr pensando no campeonato. Seguiu o roteiro. Ficou sempre no pelotão da frente, chegou a estar em segundo, mas na penúltima volta precisou alargar uma curva para evitar um choque e perdeu várias posições. Conseguiu terminar em quarto, mas viu seu rival Ai Ogura (Honda) fazer uma corrida fantástica, saindo do 12º lugar para cruzar em terceiro.

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O vencedor foi o polêmico Romano Fenati. O piloto italiano já foi protagonista de dois episódios de mal comportamento na pista. Em 2015, correndo na Moto3, deu um coice no finlandês Niklas Ajo depois dos treinos e foi punido. Mas o pior veio em 2018, já na Moto2 quando numa atitude irresponsável e imperdoável acionou o freio dianteiro da moto de Stefano Manzi que poderia ter causado um grave acidente. Fenati quase foi banido do motociclismo, mas ainda conseguiu uma vaga na Moto3. É o piloto mais velho da categoria (24 anos) e brincou com isso na entrevista do parque fechado. Toni Arbolino completou o pódio.

No campeonato Arenas ainda lidera com apenas dois pontos de vantagem sobre o japonês Ogura.

Moto2 bestial!

A categoria já estava caminhando para uma liderança isolada do italiano Luca Marini. O meio irmão de Valentino Rossi vinha de vitória, liderou praticamente todos os treinos e dava pinta de que sairia de Misano com uma liderança ainda mais tranquila. Mas veio a chuva.

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Bestial: La Bestia correu com a faca entre os dentes na Moto2.

Na verdade quase nada, não durou nem 10 minutos, mas foi suficiente para provocar um salseiro na direção de prova. Na sétima volta o americano Joe Roberts caiu e os fiscais acionaram a bandeira branca com um xis vermelho, muito parecida com a bandeira que indica carro de serviço na pista, que é branca com uma cruz vermelha (muito original). Na confusão alguns pilotos continuaram acelerando e um deles foi Enea Bastianini, que assumiu a ponta, por pouco tempo, porque mostraram a bandeira vermelha interrompendo a prova.

Assim que as motos entraram nos boxes a garoa parou. E ninguém trocou pneu nenhum. Na Moto2 não tem aquela opção de ter uma moto extra pra deixar com pneus de chuva. Tem de desmontar tudo e dá muito trabalho.

Os comissários liberaram a pista, todos voltaram de pneus slick, alinharam para a largada e... começou a chover forte! Nova paralisação, motos de volta para os boxes e... parou de chover!!! Parece que o clima estava delirante porque enquanto os mecânicos decidiam o que fazer saiu um belo sol, secando a pista.

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Capacete MT KRE: leveza e beleza!

Novo alinhamento, mas tiveram de encurtar a prova para apenas 10 voltas o que deu um tempero ainda mais apimentado. Nesta terceira largada Bastianini justificou o apelido de Bestia e sumiu! Abriu uma vantagem confortável para cruzar em primeiro, com Marco Bezzecchi em segundo e Sam Lowes em terceiro. Luca Marini fez uma corrida pensando em minimizar as perdas e ficou em quarto, mantendo a liderança da categoria. Mas a diferença para Bastianini caiu para apenas cinco pontos.

MotoGP, la vendetta

Aconteceu de tudo com Maverick Viñales em 2020. Fez três pole positions, pulou da moto a 240 km/h, sofreu com pneus e finalmente chegou ao degrau mais alto do pódio. Não foi fácil. Durante o intervalo entre a primeira e a segunda prova em Misano as equipes tiveram um treino livre e a Yamaha testou um escapamento pra lá de estranho na tentativa de ganhar velocidade nas retas. Não funcionou e nos treinos de classificação as Yamaha eram as motos mais lentas, alcançando 290,1 km/h enquanto as Ducati chegavam a 302,1 km/h.

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Pecco Bagnaia: falta pouco pra ele vencer a primeira.

Mas quem cravou a pole foi Viñales com a Yamaha (com o escapamento normal). Como explicar isso? Simples: é a diferença entre ser rápido e ser veloz. Nem sempre a moto mais veloz em reta é a mais rápida na volta completa. As Yamaha são mais rápidas no contorno de curva, enquanto as Ducati são mais velozes em reta. Como as pistas tem mais curvas do que retas, isso explica a diferença. É mais rápido quem contorna melhor as curvas!

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Mas na largada as Ducati nem deram bola pra essa teoria e Francesco Bagnaia sumiu na liderança. Caminhava para sua primeira vitória na categoria mas o excesso de vontade custou uma queda inexplicável, porque estava dentro de um ritmo normal. Ainda restava a Ducati de Jack Miller para fazer frente às Yamaha, mas um problema insólito tirou o australiano da corrida: a sobreviseira que Fabio Quartararo tirou no momento da largada grudou no radiador da moto de Miller, superaqueceu e o sensor de temperatura avisou que era melhor parar antes de explodir o motor.

A partir da queda do líder, Bagnaia, Maverick Viñales só precisou administrar os mais de quatro segundos de vantagem e deixou a briga pelo segundo lugar entre Pol Espargaró (KTM) e Fabio Quartararo (Yamaha). Ninguém lembrou do Joan Mir (Suzuki), que partiu da 11a posição para o quarto lugar, cravando voltas rápidas em sequência. A Suzuki é um caso curioso: não vai bem nos treinos, mas a partir da metade da corrida cresce de rendimento. E o mundo viu como Joan Mir chegou, passou e conseguiu um brilhante segundo lugar. Quartararo terminou em terceiro na pista, mas excedeu o limite da pista e foi punido em três segundos, entregando o lugar no pódio para Pol Espargaró.

Depois da bandeirada Viñales estava visivelmente emocionado por ter tirado uma carga enorme dos ombros. Foi o sexto vencedor diferente em 2020 e o quarto piloto da classe principal a largar na pole e vencer em Misano. O que pode ter determinado sua conquista foi a decisão de trocar de pneus com a moto já no grid de largada. Um golpe de mestre!

Destaque para Alex Marques (Honda) que fez o melhor tempo no warm-up e terminou em sétimo, seu melhor resultado no ano. E mais uma corrida apagada para Andrea Dovizioso, que conseguiu um sexto lugar suado, melhor piloto da Ducati. Ele correu com a palavra “desempregado” em inglês no macacão, o que pode ter criado um clima estranho na equipe. Ainda lidera o mundial, com 84 pontos, um a mais que Quartararo e Viñales e quatro à frente de Mir. Estes quatro pilotos certamente decidirão o título do estranho ano de 2020 na temporada mais equilibrada dos últimos tempos.

O que eu não disse na transmissão

Meu domingo começou pontualmente às 3:30 da manhã. Dessa vez o despertador tocou na hora certa e tive tempo de tomar café tranquilamente, fazer as abluções matinais normais e às 4:30 estava logado na plataforma de transmissão. Sem sustos!

Na MotoE é aquele sufoco de uma corrida de sete voltas, quando a gente pisca o olho, puf, acaba! Como foi a primeira corrida do dia eu troquei uns nomes, mas nada de grave e acho que nem perceberam. Vou contar uma coisa: é difícil pacas identificar pilotos numa tela pequena. No estúdio temos uma tela de quase 1,5 metro e agora tenho uma telinha de 14 polegadas.

O Eric fez uma primeira volta insana, mas depois teve problemas de freio e conseguiu se recuperar. Pela andar da carruagem acredito piamente que ele já tem vaga garantida na Moto2, mas pra conseguir uma equipe de ponta vai ter de fazer resultado top 3 nas duas provas que restam. Quanto melhor sua posição no ranking maior a chance de entrar numa boa equipe sem levar um caminhão de dinheiro.

Na Moto3 tudo correu no maior sossego. Fora o fato de ter mais ultrapassagens por metro quadrado do que qualquer categoria. Isso é um desafio para qualquer narrador. Pra piorar as equipes montam duas motos totalmente iguais e só conseguimos identificar quem é quem ao ver o number plate. Mesmo assim temos conferir o tempo todo no live timing tudo que está rolando. E não é que o gerador do live timing deu pau! De repente a classificação mudou no painel, mas na imagem estava igual. Deu um nó, mas o Hamilton Rodrigues segurou a onda e consertou ainda no ar!

bandiere.png

As bandeiras internacionais: nossa como a bandeira branca é MUITO diferente da branca com xis vermelho!

Mas confusão mesmo foi na Moto2. Tudo por causa de uma garoa à toa. Foi aquela papagaiada que todo mundo viu: motos nos boxes, ninguém trocou pneu, voltaram pra pista, choveu de verdade, voltaram pros boxes, não trocaram pneus e largaram de novo. Foi o maior intervalo que tivemos entre as corridas e tive a chance de finalmente dar algumas dicas de pilotagem na rua e estrada, com o tema chuva e pneus. Sobre tecnologia de capacete, macacão etc. Quem ouviu, ouviu, quem não ouviu não vai ouvir mais porque os VTs são editados e só passam as corridas.

Pela primeira vez na história da Motovelocidade as transmissões tem dois ex-pilotos como comentaristas, dois especialistas que estudam profundamente o tema e mesmo assim temos de aguentar as viúvas da SporTV! Tem gente que prefere ouvir que comprou a TV em 24 vezes nas Casas Bahia, ou pra aumentar o volume pra acordar a vó. Sério, tem gente que sente saudades disso!

E chegou a MotoGP. Nesta categoria a regra é deixar o Alexandre mais livre pra comentar porque ninguém conhece mais o que rola lá dentro do que ele mesmo. As viúvas também reclamam disso: que o Alexandre só fala de pneus. Só que são os pneus que decidem quem vai ganhar ou perder uma corrida na MotoGP. Só isso!

O que eu não disse neste domingo: que eu gosto do estilo do Viñales, ninguém chamou ele de "Mavecão V-8", graças a Deus! Acho que ele sofreu muito com a característica das Yamaha, que andam bem quando estão isoladas, sem disputas. Pouca gente sabe, mas Maverick Viñales é um baita pilotaço de motocross. Chegou mesmo a pensar no mundial de cross, mas quando conheceu o asfalto se apaixonou. E ele morou anos com a italiana Kaira Fontanesi, seis vezes campeã mundial de motocross feminino. Imagina como era a conversa no café da manhã! Aliás, pra quem acha "normal"  aquele sotaque italiano falando inglês, sugiro que procure a entrevista da Kaira para TV americana para ver como é possível um italiano falar inglês perfeitamente!

Também não falei: não frega niente a Ducati ser mais veloz em reta se as Yamaha são mais rápidas em curvas! Como ficou provado semana passada na vitória de Franco Morbidelli e neste domingo com Viñales. Mas pode escrever: Bagnaia vai vencer sua primeira corrida na MotoGP ainda neste ano!

 

 

 

publicado por motite às 12:50
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