Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Scooter mania nacional

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(A scooter vai mudar a cara da cidade... para melhor)

A paisagem urbana já está diferente com a popularização dos scooter

É fácil entender as razões para escolher um scooter em vez de uma moto:

  • Estilo: hoje em dia as motos estão muito parecidas entre si e a imagem negativa – alimentada por eles mesmos – dos motociclistas profissionais (motoboys e motofretistas) fizeram com que as pessoas quisessem se afastar das motos pequenas, na faixa de 100 a 160cc, preferindo o scooter.
  • Facilidade de pilotagem: O simples fato de não precisar trocar de marcha já determina um dos primeiros argumentos de compra, especialmente pelo público feminino que representa 40% do mercado (por enquanto).
  • Baú porta-objetos: Esta foi uma das grandes sacadas dos primeiros projetos. Ter uma compartimento para deixar o capacete, capa de chuva ou mesmo a mochila faz toda diferença. O porta objetos sob o banco já resolve bem a vida, mas além dele os scooters são preparados para receber um bauleto extra no bagageiro, o que aumenta ainda mais a capacidade de carga.

scooter_elite1.jpg

(vantagem do scooter com piso plano: levar coisas!)

Olhando para os números do mercado, pode-se notar que o universo das motos cresce uma média de 9 a 11% ao ano, depois de experimentar mais de cinco anos de queda livre. Já o segmento dos scooters cresce a uma razão de 25% ao ano, em uma curva ascendente constante.

Tudo começou com as velhas Lambretta e Vespa nos anos 50. Com a Europa quebrada depois de duas guerras, era necessário um veículo fácil de fabricar e barato para adquirir. A configuração das scooters atuais deriva daquelas velhas senhoras, com motor traseiro, acoplado à roda, chassi monobloco em forma de U e posição de pilotagem sentado. Os japoneses melhoraram ao incluir um câmbio automático por polia variável (CVT), quadro de treliça tubular, partida elétrica e motor quatro tempos.

Com esse formato os scooters invadiram primeiro a Europa e Ásia, depois o resto do mundo, incluindo o Brasil. Os primeiros scooters chegaram em terras brasileiras importados pela Caloi que, na época, tinha licença da Suzuki do Japão para vender aqui o Address 50 e Address 100, com motores dois tempos.

elite_2.jpg

(Honda Elite 125: bagageiro de fábrica e alto índice de skatabilidade)

Logo que vi o primeiro virei fã de carteirinha e comprei um Address 100, em 1994, que foi devidamente “envenenado” com algumas traquitanas para correr mais, chegando ao mesmo desempenho das motos 125 da época. Eu gostei tanto que depois comprei mais um igual (ainda tenho os dois jogados em algum canto). Depois tive um Dafra Citycom e um Honda PCX 150 que está comigo até o momento.

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(Da esquerda para direita: eu, Santo Feltrin, Zanandrea, Gadó e Bruno Theil)

Uma curiosidade sobre minha experiência com scooters. Para promover o Jog 50, a fábrica japonesa sediada em Guarulhos organizou umas corridas no kartódromo Schincariol em Itu, acho que em 1994 (não lembro bem a data). A primeira bateria foi destinada a jornalistas especializados e eu ganhei, me tornando o primeiro vencedor de uma prova oficial de scooters no Brasil. Mas depois teve outra bateria para pilotos “de verdade” junto com os jornalistas. E eu levei o primeiro tombaço oficial de uma prova de scooters no Brasil (sim, dois títulos importantes no mesmo dia). Apesar do tombo terminei em quinto lugar lugar, atrás do Zanandrea, Gadó, Santo Feltrin e Bruno Theil!

Assim, entre glórias e Merthiolate eu já convivo (e sobrevivo) com scooters há 25 anos!!!

scooterpcx150.jpg

(Honda PCX 150 2019, com freio ABS e suspensão melhorada)

Os tipos de scooter

O mercado oferece scooters a gasolina basicamente em três versões:

  • Pequenos com piso plano – são os mais parecidos com as saudosas Vespa e Lambretta. Têm rodas entre 10 e 12 polegadas e até 125cc. Nesta categoria estão a Honda Elite 125, com injeção eletrônica e o Hao Jue Lindy 125 (leia-se Suzuki Burgman) carburado.
  • Motonetas com piso plano – aqui vale uma explicação mais comprida: com a popularização dos scooters algumas fábricas notaram a resistência pelas rodas de 10 e 12 polegadas. Então juntaram a estabilidade das rodas da motoneta (conhecidas como CUB, com câmbio sequencial) com a praticidade dos scooters de piso plano e surgiram os scooters “altos”, com rodas de 16 polegadas e uma aparência mais de moto. Nesta categoria estão os Honda SH 150i e SH 300i e a Dafra Cityclass 200.
  • Scooter tipo jet – são aqueles baixos, com rodas entre 12 a 16 polegadas e com túnel central (os pés ficam separados) com quadro tubular. O Honda PCX 150 e a Dafra Citycom 300i são os exemplos deste estilo que recebeu o apelido de Jet pela semelhança com um jet-ski.

Além desses tem os big scooters como o Suzuki Burgman 650, BMW 650 e o interessantíssimo Honda X-ADV 750.

Já pilotei todos estes citados (menos o X-ADV) e vou fazer um resumo de cada um:

Honda Elite 125 – Acho que na categoria 125 é a opção que apresenta melhor relação custoxbenefício. Passa uma sensação de segurança maior do que o Lindy pelas rodas maiores. Como já vem com bagageiro pode receber um bauleto sem necessidade de instalar um bagageiro. Além de ser mais confortável para levar alguém na garupa. O desenho segue aquele estilo “Jaspion” de hoje em dia, mas tem opções de cores mais vivas.

Hao Jue Lindy 125 – É exatamente o Burgman 125, sem os logotipos Suzuki. Não me senti tão seguro por causa das rodas muito pequenas e ainda traz o anacrônico carburador em pleno século 21. É melhor para rodar com apenas uma pessoa e sua grande qualidade é o preço de aquisição, menor do que o Elite.

Honda SH 150i – Rodei muito com esse scooter na Itália antes de vir para o Brasil, mas lá o motor é 125cc. Hoje é o scooter mais vendido na Itália e parece uma infestação. Alguns com para-brisa alto, a maioria com bauleto, mas quase todos em cores muito mortas. Quando a Honda apresentou o SH 150 na cor azul claro achei que viriam outras opções mais legais, mas danou-se: é um tal de cinza, prata e preto... Na categoria até 150cc hoje eu considero a melhor opção tanto pela sensação de segurança que transmite pelas rodas de 16”, quanto pela postura mais ereta e confiança para levar garupa. Meio caro pelo que entrega, mas tem esse papo de chave presencial e blablabla que acaba “dando aquele ar de sofisticação” dos textos de press-relase.

Honda SH 300i – Esse esteve nas minhas mãos em duas ocasiões: em uma viagem para Campos do Jordão com minha filha na garupa e aqui na neurotizante cidade de São Paulo. Na estrada foi até surpreendente porque dá pra manter 120 km/h sem crise, mesmo com garupa. Só precisa maneirar nas curvas pra esquerda porque raspa o cavalete. Mas na volta, sob forte calor preferi não ter o para-brisa! Já na cidade eu retirei o para-brisa (são apenas 4 parafusos) e achei bem mais gostoso, além de não bater a testa no entra e sai, sobe e desce. Seria uma das minha opções de mobilidade não fosse tão mais caro que um Citycom, por exemplo.

scootersh300i.jpg

(Honda SH 300i: capacidade para três skates sem esforço)

Dafra Cityclass 200 – Mais um bom exemplo de scooter estilo motoneta. Rodei muito pouco e senti um pouco falta de desempenho para ser 200cc. Não fez tanto sucesso quanto o Citycom talvez por falta de investimento em propaganda, porque é um bom produto.

scooter_citycom.png

(Meu Citycom 300i, foi muito companheiro por 15.000 km)

Dafra Citycom 300i – Fui proprietário de um por 15.000km. É uma baita relação custoxbenefício, principalmente os novos com motor mais potente e freios CBS. Sou meio suspeito pra avaliar porque sou fã de carteirinha desse produto. Passa muita segurança e permite viajar até com garupa, além de ser super econômico. Acredito que só não vende mais porque a Dafra não tem uma rede muito grande. Também ficou parado no tempo e não tem nenhuma renovação visual desde o lançamento.

Honda PCX 150i – Deixei esse por último de propósito porque acabei de chegar do teste da linha 2019. Hoje é disparado o scooter mais vendido no Brasil e a nova versão está totalmente diferente. Você pode ler o teste completo AQUI. Acho realmente um produto feito especialmente para quem nunca teve scooter nem moto, porque agrada na primeira volta. Além de fazer quase 40 km/litro!

Suzuki Burgman 650 e BMW C 650 – Dois exemplos de que tamanho não combina com scooter! São caros, pesados, gastões, difíceis de usar na cidade e só servem mesmo para ostentar no clube de bocha!

O que precisa saber antes de comprar um?

Primeiro: scooter não é moto! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Um dos erros cometidos pelos novos donos de scooter é compará-lo com moto, principalmente conforto e estabilidade.

O mais importante é entender que scooter se pilota SENTADO, enquanto na moto se pilota MONTADO. Essa diferença de postura passa a impressão de que os scooters são mais “duros” de suspensão, mas é porque todo impacto do solo vai direto pra bunda do(a) piloto(a). Logo a capacidade de amortecimento está diretamente relacionada com a quantidade de carne nessa região. Na moto as pernas dobradas funcionam como extensão dos amortecedores e aliviam as pancadas no traseiro. Portanto não ponha a culpa da sua escoliose na suspensão do scooter!

Todo corpo circular em movimento produz uma reação chamada de efeito giroscópico. Esse efeito será maior quanto maiores forem o perímetro do círculo, a massa ou a velocidade. Se os scooters têm rodas menores do que as motos é natural que passem uma sensação de instabilidade, principalmente em baixa velocidade. Não é sensação não, é fato! Quem nunca pilotou uma moto nem vai notar, mas para os motociclistas experientes, em pouco tempo, isso fica absorvido na pilotagem.

Não vou ficar enumerando as diferenças todas porque já fiz isso. Portanto, para saber mais apenas clique AQUI.

Vou encerrar vendendo o meu peixe, claro. Cerca de 83% dos donos de scooters vieram dos automóveis e isso é fácil de entender porque é um veículo que se aproxima mais dos carros do que das motos. Além disso, 40% dos compradores são mulheres. Juntando essas duas informações temos um grande paradoxo, porque se algum novo usuário quiser pilotar scooter terá de aprender numa moto!!!

Isso mesmo, as moto-escolas só fornecem scooter para aula se for para carta especial – por motivo de dificuldade física. Assim, temos uma baita legislação tacanha primeiro por exigir habilitação de moto para pilotar um veículo automático, segundo porque não tem scooters disponíveis para aprendizado.

Quer dizer, não tinha, porque lá na minha escola, a Abtrans, nós temos scooters e atendemos muitos novos candidatos. Minha sugestão é se habilitar primeiro e depois fazer o curso de scooter comigo. Para saber mais basta acessar este LINK

Leia também este ARTIGO.

publicado por motite às 18:34
link do post | favorito
De Anónimo a 20 de Março de 2019 às 21:16
Tio, e quanto aos da Yamaha, qual sua impressão sobre eles?!
De motite a 21 de Março de 2019 às 14:11
Nenhuma. Eles não me consideram jornalista e eu não considero eles como fabricantes.
De Antonelli a 22 de Março de 2019 às 18:10
Não vi que o meu comentário saiu anônimo.
Putz, que droga essa situação!
Tenho pensado na neo ou na nmax, por isso a pergunta.
Nesse mesmo sentido das Scooters tenho tentado buscar alguma opção elétrica com uma autonomia descente e de preferência que possa ser usada nas ruas, regulamentada, emplacada, tudo certinho, para não ficar refém muitas vezes da regulamentação de cada município ou interpretação da PM... Fica aí até uma sugestão de pauta se estiver com saco kkkkk agora sério, chegou a ter contato e opinião sobre as elétricas?
Obrigado!!!
De motite a 22 de Março de 2019 às 19:07
Então. eu sou um dos maiores incentivadores de scooters elétricos. Já vi muitos na Europa, especialmente em Amsterdã. Acho que está bem perto de popularizar, mas ainda esbarra na insegurança das baterias de lítio.

Por enquanto acho que o motor a gasolina ainda tem muita lenha para queimar (literalmente).

Só pra esclarecer o lance da Yamaha. Nada contra os PRODUTOS, que acho tão bons quanto qualquer outro. Minha restrição com a Neo e a NMax é com a infeliz escolha dos pneus. Na Neo os pneus são muito finos para muito freio. Na NMax decidiram por um pneu indiano duro pra caramba que escorrega demais no molhado. São dois casos de economia que cagou com os scooters.
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