Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

O tigre, o menino e o trânsito

 

(Devido ao número de acessos, não é possível mais publicar comentários neste post, se quiser pode fazer nesta sequência)

 

Como um acidente pode explicar o comportamento humano

 

O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre. O "acidente" ocorreu em um zoológico de Cascavel, PR, quando o garoto, acompanhado do pai, pulou uma cerca de proteção, ignorou os avisos de manter-se afastado e provocou primeiro um leão e depois o tigre. O desfecho todo mundo viu: teve o braço amputado na altura do ombro e terá a vida inteira para refletir sobre esse ato "corajoso". Esse acidente é exemplar, em todos os sentidos.

 

Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade. Especialmente no Brasil, país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.

 

Felizmente alguém filmou e mostrou uma imagem que retrata o que vem acontecendo em uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade. O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte, conhecidos por qualquer ser vivente como predadores. Até as pedras sabem que esses animais se alimentam de outros animais desde que o mundo é mundo.

 

Imediatamente após a divulgação das imagens começaram os julgamentos, principalmente os do "contra" e "a favor", seja do tigre, do garoto, do pai, do zoológico, de Deus etc. No atual modus operandi social de palpitar sobre tudo houve a esperada distribuição de culpa para todos os envolvidos, alguns até tentando amenizar o lado do garoto sob a alegação de que era "incapaz" de avaliar os riscos. Será? Com 11 anos você não sabe a diferença de um gato para um tigre?

 

Deixando um pouco o tigre de lado, vamos lembrar um pouco das histórias da Bíblia. Sem a menor conotação católico-cristã, mas apenas como exemplo. Muita gente atribui o pecado original ao sexo, fazendo uma analogia direta da mordida na maçã com rala e rola entre Adão e Eva. Mas Deus não poderia castigar pelo sexo, senão inviabilizaria a reprodução humana e jogaria por terra o famoso "crescei e multiplicai". 

 

O pecado original que condenou Eva e seu amasio ao mundo terreno foi a DESOBEDIÊNCIA. Deus deixou bem claro: não coma a fruta dessa árvore! E quando virou as costas lá foi ela e nhoc! Não tinha uma placa na macieira do tipo "fique longe, não coma". Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!

 

Voltando ao zoológico, qual o padrão de comportamento dos visitantes: enfiar o braço na jaula ou manter-se afastado? Se uma criança violou o padrão é preciso olhar para esse caso isolado e tentar entender melhor de onde vem o comportamento tão prepotente.

 

Hoje em dia existe uma enorme confusão aqui em terras brasileiras com relação à educação. Também já escrevi sobre isso. E é um tal de pais entregarem seus filhos às escolas na crença cega de que o pimpolho sairá de lá um lorde inglês e com conhecimento de filósofo alemão. Mas em casa o filho faz o que quer, passa o dia no videogame, desobedece os pais e eventualmente despreza a autoridade dos empregados.

 

Educação é aquele conjunto de regras transmitidos de pais para filhos como uma carga genética. O que a escola transmite é conhecimento. Portanto, escola não educa, quem educa é o convívio familiar. Já defendi mais de um milhão de vezes a mudança do nome de ministério da Educação para ministério do Ensino.

 

Pergunto, que tipo de pai pode gerar um filho tão incapaz de entender a regra mais elementar, bíblica e basilar da educação que é a obediência? Que tipo de exemplo esse garoto tem em casa para ignorar tão descaradamente os perigos que envolvem o enfrentamento de um animal feroz? Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores? Obedece seus pais?

 

É o reflexo da falta de cuidado na educação, não da escola, mas aquela da formação do caráter. Quem enfrenta um tigre não é corajoso - como escreveram alguns - ou simplesmente desobediente?

 

Chamou-me a atenção o comentário de vários jornalistas que reforçaram o fato de no momento do acidente não ter nenhum vigia, embora o zoológico tenha se defendido alegando que a área é monitorada por quatro fiscais.

 

Ora, jornalistas são pessoas esclarecidas, viajam e normalmente voltam do exterior sempre com uma história de civilidade na ponta da língua. Ficam impressionados que nos museus americanos o visitante deposita o valor em uma caixa que fica ali, ao alcance de qualquer um, mas ninguém pega. Contam - impressionados - que na Áustria as padarias deixam o leite fora e as pessoas pegam e depositam as moedas em um pote, sem ninguém vigiando.

 

Mas cobram o fato de naquele local do zoo não haver um vigilante. É ISTO que quero chamar a atenção: educação não é um comportamento expresso diante de fiscalização, o nome disso é obediência. Educação é o comportamento do indivíduo quando não tem NINGUÉM olhando!

 

Por isso a Prefeitura de SP instalou mais uma centena de radares e câmeras de vigilância, porque o motorista só consegue se manter educado sob constante fiscalização. Porque não foi educado. Os motoristas/motociclistas mal e porcamente foram instruídos, quando foram... E os ciclistas nem isso!

 

Pela visão do jornalismo sensacionalista podemos perder a esperança em trânsito solidário sem que haja uma fiscalização opressiva e constante, como no zoológico. Não basta uma placa de proibido estacionar, precisa ter um fiscal. Não basta investir em passarela ou ciclovia, tem de fiscalizar. Não basta avisar que o leão é bravo, precisa colocar o braço lá dentro!

 

* Desculpem-me não me apresentar, mas este blog foi criado para  artigos que não publico na imprensa aberta. Como era reservado mais aos amigos, nem sequer me dei ao trabalho de assinar, meu nome é Geraldo Tite Simões - Jornalista, escritor, especialista em segurança viária, duas filhas (bem educadas, eu acho...). 

publicado por motite às 23:15
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1137 comentários:
De Bruna C a 2 de Agosto de 2014 às 03:57
Maravilhoso e verdadeiramente triste. Sou de Cascavel mas moro nos EUA a mais de 15 anos. Já fui a este zoológico com meu filho, e acho triste a nossa nação precisar de monitoramento e fiscalização para conter os mal educados e mal intencionados. Assim cómo o menino colocou o braço na jaula, quer dizer que alguém poderia facilmente ter envenenado o animal, ter cortado a grade sem ninguém ter visto e o animal corrido solto zoológico afora. Triste mas verdade. Acho que errou o pai, o menino pela educação não soube distinguir, o que era certo e não teve um pai que o fizesse. Agora ninguém ter visto, e os que viram não chamaram segurança... E a segurança, não devia ter uma câmera para ver o que os visitantes fazem lá dentro? Muita coisa errada, como sempre no nosso Brasil. Triste....
De Luiz Antonio a 3 de Agosto de 2014 às 15:08
Tu não entendeu nada da cronica. A questão é OBEDIENCIA.
De Sil a 5 de Agosto de 2014 às 18:25
concordo!
De Rachel M dias a 5 de Agosto de 2014 às 19:23
Tem gente que não sabe se obediencia é de comer ou passar no cabelo! Aff...
De Hiram Ortolani a 5 de Agosto de 2014 às 20:34
Realmente, a Bruna não entendeu a crônica, o exemplo que ele citou das escolas me lembrou uma matéria onde uma professora mandou o aluno limpar as pichações, e acabou sendo demitida, os pais foram lá e disseram que a professora não poderia ter feito o filhinho passar por essa vergonha, eles é que deveriam ter vergonha de dizer um negócio desses, eu sou filho temporão, meu pai é idoso quase na faixa dos 90 anos, ele dizia que no tempo de escola dele, os professores gozavam de tanto respeito que as pessoas desciam para o meio fio para que o professor pudesse passar por eles quando se cruzavam nas calçadas. Agora com o advento desse aborto da natureza que é a Lei da Palmada... esse país vai piorar ainda mais, um bom e velho corretivo com as sandálias da mãe não vai matar nenhum moleque, e esse garoto do tigre vai lamentar quando for mais velho, não ter levado umas pancadas quando mais novo. Antes apanhar em casa para saber obedecer e se portar na sociedade do que apanhar na rua, a rua não perdoa, a vida castiga muito mais quem não tem educação de berço...
De Shirley S a 3 de Agosto de 2014 às 19:21
Seu comentário não ficou muito claro para mim.
No início você diz:
"acho triste a nossa nação precisar de monitoramento para manter os mal educados e os mal intencionados".
Já no final você diz"
"E a segurança, não devia ter uma câmera para ver o que os visitantes fazem la dentro?".

Não vejo falha da segurança, pois mesmo havendo uma câmera, teria dado tempo de impedir uma criança estúpida de provocar os felinos? Será que essa criança iria obedecer a segurança ou esperaria eles saírem de perto para continuar?

Uma criança de 11 anos, mesmo não sendo obediente, consegue identificar uma situação de risco. Ele foi arrogante tentando provocar um animal daquele porte.

Se eu colocasse meus gatos na presença daquele tigre, correriam para se esconder pelo instinto de sobrevivência, instinto esse que o menino também ignorou...
De Carmen Yolanda Trindade Gonçalves a 4 de Agosto de 2014 às 01:55
Concordo plenamente. Eu expliquei a história para o meu neto de 5 anos, ele perguntou :Ele é doido???
O meu neto não é fácil, rsrsrsrs. Nós temos que ficar de olho o tempo todo. Mas dentro de sua inteligência e capacidade, sabe o que pode ou não fazer. Tudo é explicado, para que ele possa "se cuidar",quando necessário.
De Roberta Mesquita a 4 de Agosto de 2014 às 11:36
Acredito que o problema seja este mesmo, a educação, a obediência. Sou professora, e sei bem sobre essa questão dos pais delegarem à escola e aos profissionais o papel de educadores. Mas, sejamos realistas, na sociedade brasileira, como você mesmo aponta em seu discurso, ou crônica, enfim, não está preparada para a falta de segurança em locais assim, tanto não está que deu no que deu. Eu sou contra a existência de zoológicos, e nunca levaria meu filho a um, mas, se existem, precisam sim, ainda mais aqui no Brasil, onde o pessoal só respeita se tiver fiscalização, isso é fato, existir uma segurança bem preparada, câmeras e tudo o mais, isso para a integridade dos animais e das pessoas, pois qualquer um pode jogar veneno ou fazer o que o garoto fez. É triste, mas é a realidade. Precisamos sim de campanha de conscientização, mas isso não é da noite para o dia, é uma mudança profunda, que requer tempo e colaboração dos pais e das crianças, dos cidadãos em geral. Sou daquelas a favor exclusivamente do tigre, atribuo sim uma parcela de culpa ao pai, que é o maior responsável, à segurança do local, e às pessoas que se limitaram a filmar.
De Jéssica a 4 de Agosto de 2014 às 13:46
É só assistir a entrevista do pai para o Fantástico que logo se nota o mega "pulso firme" que ele teve com a criança.
Um pai babaca que deixa o filho fazer o que quer e ainda vai na televisão dizer "Ah, eu falei pra ele parar.. E outra, eu estava com um bebê no colo, não conseguia fazer muita coisa" só pode criar uma criança babaca mesmo, incapaz de raciocinar e perceber que ignorar uma simples placa que o proíbe de algo por um motivo MUITO óbvio pode custar-lhe no mínimo um braço (e teve sorte).
De Amanda Aurora Pereira da Costa Porto a 4 de Agosto de 2014 às 17:36
Acho que foi muito bem no cerne da questão o autor do texto. Já você, Shirley S, precisa compreender melhor o significado de estupidez e arrogância antes de atribuir tais qualidades ao garoto desobediente.
De Karine de Oliveira a 4 de Agosto de 2014 às 23:05
ueh, o que não ficou claro foi esse comentário. Disse quase que mesma coisa que o autor mas tentando dizer que ele está errado? era melhor nao ter dito.
De Cris Campos a 5 de Agosto de 2014 às 00:02
Acho que entendo o que vc quer dizer. Sim mostra a realidade de um país que precisa se monitorar contra amá educação do povo e isso é triste. Culpam o pai mas muitos se omitem diante da situação, a omissão é uma forma de aceitação de tudo o que vê como normalidade.
Por outro lado é realidade tb que mostra uma falha no monitoramento contra pessoas más intencionadas. Se um garoto fez aquilo por 6 min e não apareceu ninguém da equipe de segurança, imaginaram o que uma pessoa má intencionada pode fazer depois de ter estudado o cotidiano do zoo? Num país bem educado o monitoramento serve pra prevenir más intenções e não para inibir conceitos básicos de sobrevivência e educação.
Assim como não acho que um pai achou legal e está de boa com as consequências de sua negligência, temos que ter bom senso em julgar e punir esse pai.
Infelizmente é um contexto que todos estão errados mas poderíamos dizer que não há culpados, pelo menos não intencionais!
De terezinha a 5 de Agosto de 2014 às 01:59
Bruna, primeiro câmera e um tipo de monitoramento, foi questão de minutos não daria tempo de observar, comunicar e socorrer a tempo do final trágico.
Resumindo o problema ali foi desobediência, falta de limite, e comprometimento educacional anterior por parte do pai entre outras coisas...
De inah Morais a 5 de Agosto de 2014 às 02:57
Eu tambem moro nos USA há 35 anos e aqui tambem se tem essa mania de processar todos pelos erros da própios.Ex se queimou com café quente no MacDonalds=culpa do Macdonalds! rapazes aqui em NYC,uns anos atrás esperaram o Bronx Zoo fechar e ficaram lá apavorando o tigre que consegui pular a cerca e o fosso e pegar o cara matar,e os amigos dele correram pelo Zoo e o tigre solto.Foi culpa do Zoo que "não viu o rapaz escondido,e o fosso não segurou o tigre,etc e familia ganhou milhões.
Moral da história:Não é só no Brasil não;vamos acabar com esse complexo de vira latas que aqui não,só no Brasil
De jose mario a 5 de Agosto de 2014 às 03:17
Há alguns lugares que não adianta ter câmera ou segurança ou exército. Ao esperar um Metro, há uma linha amarela que garante a sua segurança. Nada mais! Em uma ponte, a grade de proteção, em uma sacada de apto, também. O desrespeito a singelos itens de segurança tal esses pode significar a morte ou a mutilação como vimos na história do tigre. Depois é só botar a culpa no tigre ou no zoo ou qualquer outra coisa, no intuito de garantir a vingança costumeira em nossa sociedade.
De Julio a 5 de Agosto de 2014 às 15:17
A questão não é monitoramento dos cidadãos, fiscalização... Mas OBEDIÊNCIA ÀS REGRAS ESTABELECIDAS!!! E ponto final!
De inah a 5 de Agosto de 2014 às 17:29
Bruna C:Eu também moro nos USA há 35 anos e não vejo nada disso no Brasil seja diferente daqui dos USA:Nos USA ate um copo de café quente do Mac Donalds dá processo e grana a favor de um povo que tudo 'jogam a culpa de sua irresponsabilidade para um terceiro,não assumemseus erros e querem culpar e se dar bem $$$$$.Há políticos corruptos,gangs de menores,ladrões e criminosos que saem cedo e de suas penas e fazem tudo de novo.é só ver o programa de TV Investigaçãoes Discovery(que passa no Brasil)
Vamos acabar com esse complexo de inferioridadae que no Brasil é diferente!
De Andréia Montay a 5 de Agosto de 2014 às 17:42
Recomendo ler o texto novamente!

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