Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

O suspeito

 

(Câmera no capacete é seguro???)

 

Médico aponta para o risco de câmera no capacete

 

O acidente com o ex-campeão mundial de Fórmula 1, Michael Schumacher já completou cinco meses e o alemão continua em coma, lutando pela vida. Muito se especulou sobre o acidente - e continua até hoje, por uma desnecessária e exagerada cautela da família - mas não se teve conhecimento de nenhum laudo oficial sobre o que exatamente poderia ter provocado um trauma crânio-encefálico tão grave.

 

Em meio a boatarias, já que não há notícias oficiais, o ex-piloto já foi até declarado como morto, mas recentemente a porta-voz dele afirmou que já estaria reconhecendo pessoas e com sinais de consciência.

 

Independentemente do seu estado, fica uma suspeita no ar: o que teria provocado uma lesão tão séria e grave, durante uma queda de esqui, mesmo com o uso de um capacete?

 

Levando-se em conta que um esportista com sete títulos mundiais, como é o caso de Schumacher, não é exatamente uma pessoa displicente no tocante à segurança, pode-se imaginar que ele estivesse usando um equipamento adequado e até o mais sofisticado, feito sob medida, por alguma empresa que adoraria ver sua marca estampada na cabeça de uma celebridade. Portanto chamou a atenção de um médico paulistano como um acidente de esqui poderia ter causado uma lesão tão séria, mesmo com o uso de equipamento específico.

 

Para o neurocirurgião Sérgio Roberto Simões, 57 anos, a grande suspeita é a mini-câmera de vídeo instalada no capacete do ex-piloto:

 

- Hoje essas pequenas câmeras se popularizaram e são usadas por vários esportistas, mas os capacetes não foram fabricados prevendo esse acessório.

 

Segundo o médico, que é também motociclista há mais de 40 anos, pela descrição das lesões o trauma foi na parte frontal do crânio, local onde normalmente é acoplada a câmera.

 

- Essas câmeras são leves e os suportes são feitos de forma a desacoplar facilmente, mas tudo indica que o ângulo do choque fez a câmera ser empurrada para dentro do capacete.

 

 

(Os parafusos podem atravessar o casco)

 

É bom lembrar que no suporte de fixação da câmera tem parafusos que regulam o enquadramento. E esses parafusos são feitos de metal, o que não combina nem um pouco com a estrutura de um capacete.

 

- Os capacetes devem ter peças exclusivamente de plástico e que se destroem no caso de um choque, justamente para evitar que perfure o casco, explica o médico.

 

 

(Nada deveria ser fixado na parte frontal do casco)

 

De fato, os capacetes são feitos de forma a dissipar o impacto, mas também proteger contra perfurações. No entanto o casco não pode ser "duro" senão o choque se transfere para o crânio, ele precisa ser deformável. A instalação de um componente com metal nessa estrutura pode vir a agravar uma lesão, dependendo co ângulo de impacto.

 

- Os capacetes de esqui são abertos, sem viseira, então imagine se o choque literalmente empurrar a câmera contra o rosto, alguma peça pode realmente perfurar o osso frontal do crânio.

 

Tudo que envolveu o acidente alemão, enquanto esquiava nos Alpes franceses, foi mantido sob segredo, mas na época uma imagem feita no local do resgate mostrava manchas de sangue na neve, o que reforça a teoria de que houve efetivamente uma perfuração.

 

Por enquanto trata-se de apenas uma hipótese levantada pela análise das lesões descritas pelos porta-vozes do ex-piloto e dos médicos, mas fica a advertência com relação às câmeras. É cada vez mais comum ver motociclistas e esportistas de aventura usando as câmeras no capacete, segundo o Dr Sérgio Roberto Simões, "existem acessórios específicos para 'gripar' a câmera na moto, bicicleta ou no tórax, sem comprometer a região crânio-encefálico que é vital e frágil".

 

Basta saber que o capacete não foi projetado para receber esse acessório extra para entender os riscos dessa mania. Pior que é cada dia mais comum motociclistas que instalam câmeras no capacete e rodam em velocidades elevadas. "Tente imaginar a força de uma pequena e leve câmera a 200 km/h impactando contra o solo, pressionando o capacete para perceber os riscos envolvidos", esclarece o médico, que ainda conclui:

 

- O casco do capacete deve ser liso, sem interferência externa, nem peso extra. Qualquer peça colocada pode agravar uma situação já crítica. Só a pressão aerodinâmica sobre a câmera já compromete a estabilidade do capacete. É melhor instalar na moto!

 

De fato, o acidente que vitimou Ayrton Senna foi uma sucessão de fatores indesejáveis, mas um deles foi letal: o braço de suspensão que se partiu atingiu o capacete como uma lança, justamente no ponto mais vulnerável do casco, entre a viseira e a borracha de isolamento. Felipe Massa também foi atingido por uma mola igualmente na parte frontal, perto da viseira. E as câmeras geralmente são colocadas perto das viseiras!

 

Essa advertência serve não só para motociclistas, mas para todo praticante de esportes de natureza que chegam mesmo a fixar a câmera diretamente na cabeça, sem o capacete. Portanto, escaladores, ciclistas, maratonistas, esquiadores, pára-quedistas, cavaleiros e demais aventureiros, fiquem ligados com o perigo de a câmera ser um fator agravante em caso de quedas.

 

 

publicado por motite às 15:01
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2014

A criminalização da vítima

 

(Aaaah se eu te pego!!!

 

Recentemente a opinião pública ficou chocada com o resultado de uma pesquisa que mostrou um lado cruel do comportamento humano. Segundo a pesquisa, a maioria dos entrevistados acredita que a mulher é culpada em caso de violência sexual, porque sai de casa de minissaia ou decote. Ou seja, transfere para a vítima a violência praticada pelo algoz.

 

Este tipo de raciocínio serve para medir como o senso comum pensa e reage, mas naturalmente não reflete o pensamento de todos. Fosse a pesquisa realizada em uma universidade certamente a resposta seria diferente (ou não, né Geisy Arruda?). Mas o incômodo das pesquisas é que elas revelam o comportamento médio de uma parcela da sociedade, de diferentes níveis. O que os teóricos da sociologia chamam de "comportamento de massa".

 

Transferindo esse tipo de pensamento para o trânsito podemos perceber o quão distorcida é nossa sociedade. Basta o exemplo simples da linha de pipa com cerol, que já vitimou motociclistas e ciclistas por todo o Brasil. Usar cerol (vidro moído colado na linha) é proibido e está na Lei. Mas o Estado é incapaz (ou desinteressado) em fiscalizar e transfere para a vítima o ônus desse acidente, obrigando o uso de antena anti-cerol por motofretistas. E quem não usar é multado!!! É como se amanhã fosse criada uma lei que impedisse as mulheres de saírem de casa de minissaia ou vestido decotado. Trata-se do mesmo tipo de ação.

 

Quando esse tipo de atitude vem do senso comum, daquele comportamento de massa é totalmente compreensível, porque massa, seja ela de bolo, de argila ou de pessoas é facilmente moldável. Pode-se dar à massa o formato que quiser, mas quem molda a massa? No caso do bolo é o confeiteiro, no caso da argila é o artista, mas e no caso do povo?

 

Até duas décadas atrás creditava-se essa capacidade de moldar o pensamento aos meios de comunicação de massa. Pedagogos e intelectuais condenaram a televisão como o demônio do século 20. Há quem indique a religião, outros o Estado, mas não dá para definir como um comportamento se espalha e altera a psique de uma sociedade.  

 

Atualmente o vetor que mais facilmente tem alterado o comportamento é a internet, por meio de textos apócrifos com falso conteúdo "científico" e espalhados como se fossem verdadeiros até mesmo por pessoas inteligentes e de formação superior! Porque sabe-se há décadas que uma mentira bem contada repitas vezes se torna uma verdade.

 

Mas e quando essa distorção da realidade vem dos profissionais que deveriam combatê-la?

 

Recentemente uma grande rádio de São Paulo deu espaço para um "especialista", que atua na área de saúde pública, para falar sobre o "problema das motos". Claro que o depoimento foi carregado de preconceitos e temperado com expressões como "legião de mutilados", "estropiados" e por aí a fora. Todo o discurso do médico foi no sentido de condenar o veículo motocicleta como o algoz, sem jamais, em momento algum trazer ao público o papel do motociclista, ou seja, da pessoa que monta em cima da moto. Ou ainda, devolver ao Estado a culpa por formar maus motociclistas e motoristas.

 

Só para exemplificar: em dado momento o entrevistado afirmou ter medo de pilotar motos porque um parente próximo foi vítima de um acidente fatal. Daí vem dois questionamentos:

 

1) Você já viu qualquer alguém afirmar que vendeu o carro porque um parente próximo morreu em uma acidente de carro?

 

2) O número de vítimas fatais por atropelamento é maior do que em motos, mas ninguém nunca veio a público, em um meio de comunicação, afirmar que andar a pé é perigoso ou que vai parar de atravessar as ruas porque um parente próximo morreu atropelado!

 

A motocicleta, enquanto veículo e meio de transporte, está sendo criminalizada como a grande responsável pelo que se convencionou chamar de "carnificina", quando na verdade o alvo deveria estar no SER HUMANO!

 

Sempre tem aquele discurso monocórdio que afirma: "ah, mas na moto a pessoa está vulnerável em caso de acidentes nos quais o motociclista não teve responsabilidade".  Sim, é parcialmente verdadeiro, mas esse tipo de acidente representa 4% de todos. O restante 96% teve influência direta de quem estava pilotando, seja no comportamento de risco (68%), seja na falta de um comportamento preventivo (28%). Basta analisar a quantidade espantosa de pessoas pilotando motos sem habilitação ou auto-didata.

 

Em suma, a moto está pagando o preço de uma sociedade cada vez mais violenta, mal educada e especialistas mal informados. O pior é que visões distorcidas geram respostas igualmente desfocadas, como os recentes casos de linchamentos que nos levaram de volta à Idade Média. Com base nestes pensamentos retrógrados políticos criam e votam leis que geram mais preconceito contra o veículo motocicleta, como a agressiva proibição de entrar em postos de gasolina vestindo capacete! Bem vindo à Idade Média!

 

Só para finalizar, como esperar uma resposta séria e responsável da categoria política se ela é formada por seres humanos que vieram da sociedade? Político não veio de outro planeta, não nasceu em laboratório, ele veio do povo. O mesmo povo que trata a mulher vítima de violência sexual como a culpada e o estuprador como vítima! O mesmo povo que promove linchamento. É nesse tipo de pessoa que está condenado o nosso destino...

publicado por motite às 12:59
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2014

Faz parte

(Molezinha, média horária de 8 km/h em SP)

 

Profissionais de Recursos Humanos começam a olhar torto para as motos

 

O deslocamento para ir e vir do trabalho faz parte das estatísticas de acidente de trabalho. Mais do que isso, causa um tremendo impacto em uma rede produtiva que pode ser desde um simples comércio e uma complexa linha de montagem industrial. Essa preocupação já está tão presente nas relações trabalhistas que alguns profissionais de Recursos Humanos começam a selecionar quem tem carteira nacional de habilitação na categoria "A", para motociclistas. Selecionam para excluí-los do cadastro de admissão.

 

Parece exagero, mas sabe-se desde sempre que a recuperação de uma vítima de acidente de moto pode demorar 30 dias ou mais, o que causa um tremendo abacaxi para a área de recursos humanos. Imagine se a vítima for um operário que realiza um trabalho complexo e importante em uma linha de montagem. A falta imprevista desse profissional vai mexer diretamente na produção até que se consiga deslocar um "reserva" à altura, com mesmo grau de especialização e intimidade com o equipamento.

 

Segundo a pesquisa patrocinada pela Abraciclo e realizada em conjunto com a área de saúde de São Paulo, 68% das vítimas de acidente com moto não são os frotistas (moto-boys), mas sim pessoas que compraram moto em busca de mobilidade urbana. Em um artigo do advogado André Garcia, publicado na revista CIPA, em 2013, o tempo de percurso exagerado,  a baixa qualidade do transporte público e o alto custo são as condições que contribuem para o uso da motocicleta como forma de se movimentar uma cidade como São Paulo, que tem uma das piores médias horárias de deslocamento do mundo.

 

No exemplo usado pelo advogado, um trabalhador que more em São Bernardo do Campo e trabalhe no centro financeiro de São Paulo, pode gastar de 1h40min até duas horas e R$ 12, 20 por dia só em deslocamento. Se ele usasse uma moto utilitária gastaria pouco menos de R$ 4,0 e 30 minutos para fazer o mesmo itinerário.

 

(Palestras teóricas ajudam a conscientizar a segurança veicular)

 

Ah, mas ele pode se acidentar... Sim, pode, porque o sistema de habilitação é ridiculamente falho e não há forma de se especializar depois de "habilitado". Sem contar nos 28% de motociclistas que rodam pela cidade sem passar pela formação mínima necessária. Sem nem sequer ter carteira de habilitação.

 

Nesse contexto de necessidade de mobilidade eficiente e risco de acidente no ir e vir do trabalho é que deveria entrar o papel da iniciativa privada. Claro, porque nem dá para sonhar a curto prazo com uma alternativa apresentada pela administração pública, que joga contra moto desde que inventaram a roda. Qualquer cidadão que tenha estudado a história recente do Brasil sabe o quanto o País foi loteado à indústria automobilística, a ponto de se boicotar qualquer intenção de oferecer transporte público de qualidade.

 

 

(Aula prática é fundamental)

 

Em outras palavras, quem quiser se mover que se vire!

 

Já que não podemos esperar nada de efetivo das vias políticas, a esperança é que a iniciativa privada faça esse papel. E aqui vão alguns conselhos para quem trabalha com recursos humanos e se arrepia diante de uma habilitação de motociclista.

 

1) Leve informação - não espere que um neo-motociclista procure saber tudo sobre segurança e técnica de pilotagem logo depois de pegar sua habilitação. Ele(a) vai montar na moto e aprender pela pior maneira possível: na prática. Existem empresas e profissionais especializados em realizar palestras e cursos para neo-habilitados. Tenho conhecimento de redução de até 90% nos casos de acidentes com motociclistas depois de realizado um permanente trabalho de conscientização em uma grande empresa.

 

2) Incentive o uso de equipamento - curiosamente a maioria dos neo-motociclistas que trabalha em indústria já usa os EPIs - Equipamentos de Proteção Individual. Mas tiram antes de montar na moto e voltar para casa. Um dos argumentos para o relaxamento no uso dos equipamentos é o custo de aquisição. Já defendi até um financiamento consignado. A empresa empregadora compra os equipamentos diretamente do fornecedor a preço subsidiado e revende em suaves prestações aos funcionários. Mas para que isso dê certo é preciso fiscalizar...

 

3) Curso - nem sempre as palestras teóricas são suficientes para desmistificar alguns preconceitos ao pilotar uma moto, que é um veículo naturalmente mais difícil do que um carro. O exame para aprovar um novo motociclista é tão ridículo que nem sequer colocam a segunda marcha. Também existem cursos que recebem os novatos assim como profissionais que vão até a empresa e ministram cursos "in loco".

 

4) Prevenção sempre - é importante promover as semanas de prevenção de acidente de trânsito, mas lembrar que o tema "moto" deve permear todas as palestras, porque mesmo quem não pilota deve saber como reagir perto de uma.

 

5) Blitz educativa - nomeie um profissional da CIPA para fazer blitz periódicas no estacionamento das motos e verificar como está a manutenção. Itens como pneus e freios devem ser observados regularmente.

 

6) Não é lazer - existe um preconceito sobre motociclistas: todo mundo acha que nós amamos tomar chuva, voar nos buracos, levar cusparada de motoristas de ônibus ou fugir de cachorros. Nada disso, quem usa moto em São Paulo e grandes cidades o faz por necessidade. Muitos sonham mesmo é ter um carro, mas a moto é mais acessível, só por isso!

 

7) Família - ensine os neo-motociclistas que a família é o porto seguro deles. Voltar para casa inteiro e saudável é tão importante quanto manter um padrão de vida.

 

8) Tempo investido - quem recorre às motos pode economizar até uma hora e meia por dia. Aproveite para dar a estes profissionais a oportunidade de fazer um curso, praticar esportes, investir na carreira etc. O tempo que se economiza em deslocamento pode e deve ser investido em qualidade de vida.

 

E última dica: este ano será realizada de 8 a 10 de outubro, em São Paulo, a XX FISP - Feira Internacional da Segurança e Proteção, voltada aos profissionais de área de segurança no trabalho. É uma boa forma de conhecer o que existe na área de segurança veicular.

 

 

publicado por motite às 00:00
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Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

Viver é um perigo!

Escalar é perigoso? (Foto: Tite)  

Afinal, o que é perigoso e o que não é? 

No final de 2013 fui surpreendido por três acidentes que levaram muito a repensar as noções de perigo. O próprio conceito de perigo é muito abstrato porque depende muito mais da natureza individual e da percepção de risco. E essas coisas não são iguais em duas pessoas. Meu amigo Cristian Dimitrius, que ficou mundialmente conhecido por ser o cinegrafista de natureza mais ousado do momento, costuma mergulhar com tubarões grandes e crocodilos gigantes. Segundo ele o perigo diminui na medida que se conhece a natureza desses animais e, como biólogo formado, ele sabe que não faz parte da cadeia alimentar desses bichos. Mas eu jamais faria isso... porque nem todo predador estudou biologia! 

Por mais de 20 anos disputei várias modalidades de competição motorizada em duas e quatro rodas. Nunca me senti ameaçado e pelo número incontável de corridas (confesso que não consigo quantificar) acho que o saldo de uma clavícula e nove dedos quebrados não foi nem uma unha encravada perto de outros pilotos que carregam placas e parafusos dentro do corpo. 

Já senti medo durante uma corrida, totalmente controlável e dentro da normalidade, mas morri de pavor na última viagem de carro que fiz para o Sul e passei por estradas com motoristas e caminhoneiros completamente ensandecidos e irresponsáveis. Em 1.600 km de viagem senti todo o medo que não passei em 22 anos de vida corrida! No entanto aposto que muita gente considera os pilotos de moto como os seres mais anormais e malucos do mundo! 

Corri de moto, kart e carro por 22 anos e sobrevivi! 

Quando parei de correr de moto, em 1999, decidi entrar em uma atividade "menos estressante" e comecei a escalar! Apesar de muita gente achar uma loucura sem precedentes ficar pendurado em uma corda a 400 metros do chão, achei a atividade muito menos perigosa do que as corridas de moto, porque a segurança depende 100% do praticante e seu companheiro. Como eu tenho uma paranóica relação com segurança, fiz três cursos, li tudo a respeito, perguntei aos mais experientes, mesmo assim não escapei de um acidente grave - sem consequências físicas - no meio de 2013 e que me fez reduzir bastante a atividade de escalada. Cheguei mesmo a pensar em parar totalmente, mas ainda não me decidi. 

Depois deste susto voltei a praticar um esporte que comecei na adolescência e parei aos 25 anos: velejar! Essa é uma atividade que reúne tudo que eu gosto: contato com a natureza, exercício físico, capacidade de raciocínio, capacidade de improvisação, manutenção do equipamento e ainda por cima é totalmente seguro, desde que observados os princípios básicos e o uso de equipamentos de segurança. 

Laser, um barquinho manso... 

O veleiro esportivo da classe Laser está para os barcos a vela assim como uma Honda CBR 1000 está para as motos. Sou apaixonado e defensor dessa classe desde os 17 anos de idade. Agora essa paixão voltou porque ele é rápido, difícil de velejar, desafiador e muito divertido. É uma moto esportiva! 

Mas o conceito de segurança foi seriamente abalado na última semana de 2013 quando vi meu amigo Eduardo "Minhoca" Zampieri ser atropelado por uma moto aquática quando velejava calmamente de Laser na represa Guarapiranga, em São Paulo. A cena foi assustadora porque o condutor da moto era visivelmente inexperiente, sem condições físicas (nem mentais) para pilotar aquele equipamento e usava um colete salva-vidas de criança, sendo que pesava mais de 100 kg! 

Ele acertou o Laser do Minhoca a meia-nau, como se fosse um míssil Exocet. Como o Minhoca é esperto, percebeu o choque e se jogou na água. Essa reação totalmente intuitiva foi o que o salvou de sérias lesões porque a moto aquática passou por cima do veleiro, arrancou a retranca, rasgou a vela e jogou o idiota que pilotava na água. Felizmente um bote dos Bombeiros estava a menos de 50 metros do local do choque e salvou o cretino de um desejável afogamento. 

Na mesma noite o brasileiro lutador de MMA, Anderson Silva errou um chute e provocou o maior arrepio coletivo da história da humanidade quando as câmeras mostraram os ossos da perna partindo como se fossem de palito de sorvete. Um erro de cálculo que colocou a carreira do atleta em risco. Mas quem entra no octógono de uma luta está consciente dos perigos e como amenizá-los. 

Pode-se dizer, então, que luta é uma atividade perigosa? Como vimos tem o mesmo grau de perigo do que velejar calmamente em um dia de lazer na represa. Basta ter um idiota por perto para os riscos se amplifiquem. 

E o dia seguinte ainda revelaria um outro acidente assustador: a queda do piloto ex-campeão mundial de Fórmula 1 Michael Schumacher enquanto esquiava nas colinas de Maribél, na França. Esquiar é perigoso? Muito menos do que enfrentar um lutador de MMA, mas certamente tem mais riscos envolvidos do que velejar em uma represa de São Paulo. Assim como qualquer atividade, tem graus de dificuldade, desde o passeio, que praticamente todas as crianças do hemisfério norte aprendem e que é tão inocente como passear com os avós no parque da cidade, até as modalidades esportivas e competitivas com saltos, malabarismos e grandes velocidades. 

Fazendo uma comparação grosseira com nosso mundo das motos, o esqui de passeio seria como sair de casa com uma moto para passear pelo bairro, com a pessoa amada na garupa. Já o esqui esportivo é como pilotar uma moto esportiva no trânsito comum. Da mesma forma que pode-se praticar o esqui esportivo em um local próprio, demarcado, no caso das motos esportivas temos os autódromos, locais adequados e apropriados, com apoio de equipes médicas. Mas no esqui também pode-se sair pelas encostas descendo locais "virgens", forma esportiva, porém se expondo aos riscos de acertar uma pedra no caminho. Seria mais ou menos como pegar uma moto esportiva de 200 cavalos e enfrentar a estrada a mais de 200 km/h como se estivesse em um autódromo. Em suma, o perigo depende de como se conduz e de como se comporta diante dos riscos. 

Se eu conheço bem os pilotos - e Schumacher jamais será um "ex" piloto - ele estava esquiando no limite. Testemunhas dizem que ele não estava rápido, mas bater em uma pedra, para um esquiador experiente como ele, é como se um ótimo motociclista errasse uma curva e saísse da pista. Pode até sair ileso, ou não. 

Durante todo o processo burocrático que envolveu nosso acidente de barco, incluindo cinco horas de espera pela comissão da Marinha que estava a 90 km de distância, o Minhoca me perguntou: "que lição nós vamos tirar disso?". 

Eu poderia enumerar uma lista de lições, mas acho que aprendemos que o conceito do que é perigoso, ou não, depende muito menos do veículo do que das pessoas. Coisas não são perigosas, pessoas são. Mais que pessoas, o COMPORTAMENTO das pessoas é perigoso. Quem pilota uma moto aquática sem habilidade nem habilitação não é perigoso, é um idiota. Mas quem empresta o veículo a alguém inexperiente esse sim é o perigoso. O responsável pela moto até tentou fugir, mas foi impedido pelos Bombeiros que agiram muito rápido. 

Já pilotei várias motos aquáticas, desde as primeiras Kawasaki que se equilibrava em pé, até os potentes Sea Doo de dois lugares. Para ser bem sincero não me apaixonei, nem gostei da experiência. Da mesma forma que centenas de milhares de pessoas não gostam de motocicletas eu não gostei de moto aquática desde a primeira vez e ponto final. Mas isso não significa que eu as odeie, simplesmente acho que tem muito cretino pilotando sem a devida habilidade, como acontece com as motos terrestres. Aliás, eu chamo os donos de moto aquática de "motoqueiros das águas", porque se equiparam ao que tem de pior em termos de comportamento sobre duas rodas. 

Pilotar essas motos aquáticas é difícil e não é intuitivo. Por exemplo, se na hora do susto o piloto desacelerar ela perde a capacidade de desvio e segue reto. O jato que impulsiona serve de leme e quanto mais água expelir mais rápido é o leme. Por isso é natural ver acidentes porque o piloto cortou a aceleração, virou o "guidão", mas continuou em linha reta. 

Eu também quase fui atingido por um cretino destes, mas tive a sorte e o reflexo de mudar de bordo na hora certa, mesmo assim o "spray" encheu o veleiro de água e me encharcou completamente. Como não há identificação externa nestas motos não tem como dar queixa na capitania. Falta uma identificação visível nestas embarcações, como aliás existe em todas as coisas que navegam. 

Obviamente que nos dias seguintes a este acidente a marinha intensificou a fiscalização na represa, mas isso dura pouco... só até o próximo acidente. 

No entanto a maior lição que tirei acidente na represa, da perna quebrada do Anderson e do batida de cabeça do Schumacher foi que viver é perigoso e que deixar de fazer qualquer atividade pelo medo à exposição ao perigo pode causar muita frustração no futuro. Viva seus riscos!

publicado por motite às 20:24
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Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

A culpa é delas

É tudo culpa da profissão mais antiga do mundo!

 

 

Tudo que acontece de errado no trânsito é culpa da mãe.

 

Depois de pesquisar a fundo por mais de 25 anos o comportamento de motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas cheguei a uma conclusão pouco ortodoxa, mas muito bem comprovada. Todos os problemas no trânsito são culpa dos filhos da puta!

 

Isso mesmo! chega de falar em falta de educação de trânsito, de excesso de veículos, de falta de meio de transportes, da falta de verba para campanhas, da falta de especialistas, da idade da frota dos veículos, da fome de lucro das indústrias... nada disso. A culpa é apenas e tão somente dos filhos da puta.

 

Quer um exemplo? O motorista que sabe que o farol vai fechar e mesmo assim ele coloca seu carro no meio do cruzamento, impedindo a travessia dos outros carros, não é mal educado, não é inexperiente. Na verdade é um filho da puta que pensa mais em si mesmo do que nos outros e vai continuar sendo filho da puta até morrer e ser enterrado, porque filho da puta não tem cura.

 

Da mesma forma o motorista do VUC (caminhãozinho que enche o saco como um caminhãozão) que aproveita o posto de gasolina na esquina para não ficar parado no semáforo não está com pressa, nem quer cortar caminho. Na verdade é mais um filho da puta que só consegue pensar em levar vantagem em cima dos outros, independentemente do risco de atropelar alguém dentro do posto que não espera aquele veículo circulando ali. Aliás é o mesmo princípio de quem usa o acostamento das estradas no trânsito intenso. Ele não vai chegar atrasado na praia, nem em casa, na verdade é mais um filho da puta que se acha acima das outras pessoas, mesmo que sua ação cause acidente ou impeça uma ambulância de circular.

 

Uma comunidade repleta de filhos da puta é entre motoristas e ônibus e vans. A companhia de trânsito criou a faixa exclusiva só para ele, mas o filho da puta enfia o ônibus na faixa normal só para ultrapassar o outro e ganhar dois décimos de segundo. Já com as vans tem sempre o motorista filho da puta que acha que aquela porcaria é um automóvel e se planta na faixa da esquerda, obrigando todo mundo a ultrapassá-lo pela direita. Dentro dessa categoria tem muito filho da puta dirigindo taxi também. O corno roda vazio a 25 km/h para economizar a porra do dinheiro dele, atrapalhando todo mundo e ainda atravessa duas faixas sem a menor cerimônia pra pegar o filho da puta do passageiro.

 

E o motociclista que corre a 90 km/h no corredor entre os carros? Não é um motoboy que usa a moto como ferramenta de inserção social, muito menos um motofretista que está levando um órgão para transplante, mas um grande filho da puta que é incapaz de perceber que esse jeito de pilotar não vai render mais do que três minutos de vantagem, mas pode sofrer um acidente, se arregaçar e ficar caído no asfalto atrapalhando (ainda mais) o já cagado trânsito, além de gastar o NOSSO dinheiro com remoção, internação e recuperação deste filho da puta.

 

Por outro lado, o motorista que muda de faixa sem olhar para o retrovisor, nem sinalizar não é distraído, nem esquecido, mas um filho da puta que não pode ver um espaço livre cinco metros à frente que já vai se enfiando, mesmo que esse espaço era a margem de segurança que os motoristas ao lado estavam reservando.

 

Mas tem um filho da puta maior ainda, que é o motorista que dirige falando no celular, na crença ingênua e prepotente de que só ele, como um bom filho da puta, é perfeitamente capaz de dirigir e manusear o celular, ao contrário dos trouxas que usam o sistema de viva-voz da droga do aparelho de som do carro. Afinal só os idiotas são limitados a fazer uma coisa de cada vez.

 

Filhos da puta também se deslocam em meios não motorizados. Recentemente vi uma mãe, segurando uma criança de uns quatro anos, atravessar uma avenida movimentada, entre os carros, a menos de 15 metros da faixa de pedestre. Ela não é preguiçosa, nem ignorante nos assuntos do trânsito, nem analfabeta social, mas uma filha da puta incapaz de perceber que a criança não tem a mesma noção de distância e velocidade e pode sair correndo na frente de uma moto ou bicicleta. Mais ainda, na sociedade católico-cristã conservadora como a nossa, quando alguém morre vítima de acidente de trânsito todas as dores recaem sobre o morto, como se o outro envolvido, que sobreviveu, fosse um algoz filho da puta que não terá sua vida e consciência eternamente afetada diante dessa morte.

 

Entre as novas modalidades de seres em movimento estão os neo-ciclistas. Não aqueles que sempre usaram a bicicleta como meio de transporte saudável, limpo e eficiente. Mas os novos que lançam mão da argumentação eco-insuportável de usar um veículo ecologicamente limpo, como se isso fosse habeas-corpus para fazer qualquer merda no trânsito. Tem ciclista que usa o veículo como se não houvesse lei alguma, nem de trânsito nem de boas maneiras. Mas não é porque eles desconhecem as leis, ou são desligados, mas porque são uns abraçadores de árvores filhos da puta que se sentem com mais direitos do que os outros gastadores de gasolina.

 

Sem dúvida não existe mais categoria com filho da puta do que entre os motociclistas. E olha que sou um deles! Motociclista, não filho da puta (aliás minha mãe está bem, saudável e no aconchego do lar). E no meio dos motoqueiros e motociclistas (que é a mesma merda) podemos dividir as categorias de filhos da puta. Tem o filho da puta mauricinho dono de BMW que sobre na calçada, atravessa farol vermelho, invade a faixa de pedestre porque se acha mais no direito de desobedecer as leis só porque pagou uma nota preta na moto. É uma espécie de príncipe do trânsito! Príncipe e filho da puta! Mas gosta de cagar regra e enche a boca pra falar “sou motociclista, não sou motoqueiro!”.

 

Tem o filho da puta sem destino, que compra uma Harley e a primeira coisa que faz é meter uma merda de escapamento direto, que faz um esporro insano, só para compensar o tamanho reduzido do cacete. Esses são os piores filhos da puta, porque pensam que todo mundo, além deles mesmos, gosta da poluição sonora que provocam, independentemente de ser na porta de um hospital, escola, Igreja ou no encontro de filhos da puta que promovem.

 

Finalmente tem o filho da puta VR46, que compra uma moto esportiva de 180 cavalos e se mete na estrada a 299 km/h, mas não tem colhões de fazer uma curva a 80 km/h. O pior desse tipo de filho da puta é que na cabeça de bagre dele correr a essa velocidade na estrada expõe só a vida ridícula dele ao risco, sem se dar conta que uma moto a 300 km/h tem a força de um míssil se bater um outro veículo e pode matar outras pessoas. O mais difícil é convencer esse filho da puta que lugar certo de correr é nos autódromos e não nas estradas de mão dupla e sem acostamento.

 

O trânsito é cercado de filhos da puta, independentemente de sexo, religião, cor, partido político, status social ou veículo. Um dos lugares com maior concentração de filhas da puta é na porta das escolas. Os pais sabem que é proibido parar em fila dupla, mas como bom filho da puta está cagando para os outros e não só para como ainda fica infernizando a vida de quem mora em volta tocando a merda da buzina para chamar o filhinho da putinha dele.  

 

Exemplos não faltam, nem nos filhos da puta que deveriam promover a educação de trânsito, mas que só sabem anotar a placa dos veículos para aplicar multa. Na multalândia conhecida como São Paulo, tem agente de trânsito tão filho da puta que nunca se deu ao trabalho de descer da merda de picape dele para organizar uma esquina bagunçada por vários filhos da puta. Não, isso dá muito trabalho e se tem uma coisa que filho da puta não gosta é de trabalho. Em vez disso fica coçando o saco e aplicando multa, enquanto a mãe está na zona.

 

Como se vê, não adianta organizar fóruns, promover pesquisas, contratar especialistas espanhóis, gastar horas em especialização, escrever incontáveis artigos, criar premiadas campanhas de trânsito, porque o jeito mais eficiente de melhorar o trânsito é promover uma maciça e compulsória castração das putas. Porque só assim para a cidade ficar livre desses filhos da puta.

 

 

 

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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013

Uma buzina para mudar

(Muita gente boa partcipou. Foto: Irineu Desgualdo Jr)

 

Motociclistas buzinam para pedir mais segurança

 

Quem estava na avenida Paulista ao meio-dia do domingo, 13 de janeiro, não deve ter entendido nada. No vão livre do MASP um grupo de cerca de 20 pessoas protestava conta o PT e o governo Lula. Mas do outro lado da avenida cerca de 350 motos passaram buzinando, em comboio, sem ostentar cartazes, nem reivindicação aparente. Só um buzinaço que acordou os insones e ressacados da região. Para entender o que foi isso, é preciso voltar mais de 40 dias no tempo.

 

No dia 19 de novembro o jornalista Geraldo Tite Simões foi assaltado a mão armada pela terceira vez em 12 anos. Mesmo modus operandi, mesmo bairro, levaram moto, capacetes, mochila, documentos e telefone celular. A diferença é que no último assalto eles ameaçaram abertamente atirar na vítima. Cerca de 15 dias depois um casal, a bordo de uma Honda CBR 1000RR foi assassinado friamente na avenida dos Bandeirantes em uma tentativa de assalto. Foi a gota d'água!



(Teve gente de todas as tribos. Foto: Irineu Desgualdo Jr.)

 

O jornalista foi para o Facebook e sugeriu uma manifestação no dia 21 de dezembro, na praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. A data foi questionada porque era véspera de tudo: Natal, apocalipse, férias e reveillon. Por isso mudou para 13 de janeiro e o resultado foi bem maior do que se esperava.

 

O domingo de 13 de janeiro amanheceu ensolarado, sem a chuva intermitente do sábado, e a adesão foi muito grande. Das mais de 650 pessoas que confirmaram presença pela rede social calcula-se que haviam cerca de 350 motos e quase 400 pessoas. Um número ótimo para um domingo modorrento que ainda coincidiu com a corrida de motos em Interlagos.

 

Por um problema de última hora o evento ficou sem o gerador para o sistema de som. Por isso, foi improvisado um palanque e  Tite fez um pequeno discurso de agradecimento e com o verdadeiro mote do evento: a insuportável condição de reféns de um grupo criminoso que age abertamente em São Paulo.



(Invadimos a avenida Paulista. Foto: Miriam Gleice)

 

Segue um texto com a síntese do teor do discurso:

"Em primeiro lugar queria agradecer a todos pela presença a este encontro que tem por objetivo chamar a atenção das autoridades para o elevado número de roubos e assaltos vitimando motociclistas.

 

Sempre que uma moto é roubada a única vítima que perde dinheiro é o cidadão. O Estado não perde dinheiro porque todos os impostos que incidem sobre o veículo na produção e comercialização já foram pagos pelo contribuinte e eles devolvem apenas parte do IPVA, proporcional ao tempo de uso do veículo. O Município também não perde dinheiro porque as taxas de circulação e comércio já foram pagas. O sistema financeiro não perde dinheiro porque a dívida com o banco precisa ser honrada mesmo se a moto for roubada. A fábrica não perde dinheiro porque a moto já estava faturada para o concessionário e até tem lucro, pois vai vender mais uma. A rede de concessionários também não perde dinheiro porque a moto foi paga pelo proprietário ou pelo banco e também terá de repor essa moto roubada. As polícias não perdem dinheiro, porque não há um sistema de remuneração pela eficiência. As seguradoras não perdem dinheiro porque os valores praticados no Brasil já são absurdamente maiores do que em qualquer outro país do mundo. Algumas motos chegam a ter a cotação equivalente a 1/3 do valor do bem, o que projeta a inacreditável estatística de um roubo a cada três motos seguradas. Além disso, as empresas de seguro simplesmente se recusam a aceitar alguns modelos. Ou seja, no Brasil a atividade de seguradora é 100% segura e lucrativa e não representa risco como nos países normais. Sem falar no DPVAT de moto, que é mais caro de todos os veículos e que não é devolvido em caso de roubo. E tem mais: o leilão de motos sinistradas também alimenta o comércio clandestino.

 

Em suma, de toda cadeia produtiva o único que perde dinheiro com o roubo de moto é o proprietário, o cidadão, o contribuinte. Por isso que não há uma ação específica para combater esse tipo de roubo, porque não afeta o fabricante, nem o Estado, nem os comerciantes, nem os bancos e muito menos as seguradoras.

 

Se o Estado e município perdessem dinheiro trabalhariam para reduzir os roubos. Se as fábricas perdessem dinheiro criariam uma forma de evitar os roubos. Se as financeiras e seguradoras perdessem dinheiro os roubos reduziriam com certeza. Como o único prejudicado é o cidadão, que não tem voz ativa neste sistema, os roubos de motos nunca serão combatidos.

 

O Estado vive anunciado que gasta milhões de reais com os acidentes de motos. Que os leitos de hospitais públicos são ocupados por motociclistas acidentados. Mas quando um motociclista é assassinado durante um assalto a família não cobra do Estado os milhões de reais que essa dor causou. Os filhos que crescerão sem pai não deixarão de pagar os impostos que deverão sustentar os hospitais públicos.

 

A única vítima do roubo de moto é o proprietário. Inclusive quando é assassinado.

 

Mas tem uma cadeia "produtiva" que é a maior beneficiária deste caos na segurança pública: os comerciantes clandestinos, que vendem peças de motos roubadas. Eles atuam em vários segmentos da atividade ilícita, desde o roubo em si, passando pela receptação e terminando na comercialização. Este comércio a céu aberto alimenta a segunda maior vendedora de peças e motos do Brasil: a robauto!

 

O que queremos chamar a atenção com o Buzinaço da Paz é não só cobrar mais empenho no combate ao roubo e na fiscalização sistemática, mas também propor mudanças na forma que são promovidos os leilões de motos sinistradas. Fiscalização pesada sobre as lojas que comercializam peças usadas. Aumento da pena para quem adquire peças roubadas (receptação) e a inevitável alteração na maioridade legal para acabar com os assassinos de 14, 15, 16 e 17 anos!

Mais uma vez obrigado pela presença de todos"



(Ganhei uma homenagem do José Carlos Taddeo. Foto: Irineu Desgualdo Jr)

 

O discurso não foi exatamente esse, mas foi uma adaptação das pautas sugeridas. O roteiro do Buzinaço começou com o encontro na praça Charles Miller, no Pacaembu, seguiu pela avenida Paulista, desceu a Joaquim Eugênio de Lima e estacionou na frente da Assembléia Legislativa. Ocorreu no mais completo senso de responsabilidade, sem ocorrências e a Polícia Militar acompanhou de perto com a presença discreta e constante de um helicóptero.

 

Ao final ficou a certeza de que novos buzinaços serão promovidos, durante a semana, para que a cidade realmente pare e entenda quais são as reivindicações.

 

Agradeço pessoalmente a todos que participaram, que apoiaram, que registraram, aos colegas jornalistas, aos meus alunos, à Soul Moto, que reuniu uma turma, à Associação Paulista de Motociclismo, aos velhos amigos treieiros do Poeira, ao Irineu que acordou cedo pra tirar as fotos! ao José Carlos Taddeo, que fez uma singela homenagem na forma de um troféu simbolizando a Harley-Davidson que roubaram dele, nas pessoas que espalharam o encontro pelas redes sociais e ao Tonhão, um simpático agente do CET que nos ajudou, orientou e deu uma demonstração rara de cooperação comovente.

 

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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

É doloso!

(Multar é fácil, difícil é ensinar! Foto: André Duek/Facebook)

 

Chega de tratar os crimes de trânsito como se fossem menos grave

 

Um sujeito visivelmente apressado entra em um cinema, saca uma arma e disparar a esmo. Instala-se o tumulto, correria, gritaria e o saldo são algumas pessoas baleadas e outras mortas.

Do outro lado da cidade um sujeito visivelmente apressado, dentro de um automóvel,  ignora os avisos visuais de PARE colocados em uma placa e pintado no asfalto e atinge outro carro na altura da porta. O motorista atingido bate violentamente a cabeça na coluna da porta, sofre traumatismo crânio encefálico, entra em choque, parada respiratória e morre.

 

Qual a diferença entre os dois crimes? Para a Justiça, o primeiro foi um crime chamado de doloso, quando há intenção de matar. Já no acidente de trânsito, será considerado culposo, quando não há a intenção de matar. Será? No meu ponto de vista de cidadão, ambos os crimes foram cometidos com a intenção de ferir alguém.

 

O automóvel existe em escala industrial há mais de 100 anos. É o veículo que faz parte da civilização moderna a ponto de ser objeto de desejo praticamente desde o nascimento.

 

As leis de trânsito também são seculares. Umas mais antigas que outras, mas é fato que não existe um motorista letrado que desconheça os sinais básicos de trânsito. Até porque a maioria é simplesmente uma palavra na língua nativa, como a referida placa de PARE. Se, teoricamente, os analfabetos não podem dirigir, supõe-se que uma placa com um aviso de apenas quatro letras seria totalmente compreensível por 100% das pessoas habilitadas.

 

Portanto, não deveria haver um juiz de direito neste país que desse a sentença de "culposo" para quem ignora todos os sinais de trânsito e causa um acidente fatal, que na verdade não deveria ser qualificado como "acidente", mas crime.

 

Quem ignora os sinais de trânsito intencionalmente sabe que pode provocar um acidente e que alguém pode se ferir gravemente e até morrer. Da mesma forma que disparar tiros dentro de um cinema. O mesmo serve para quem bebe e sai dirigindo sem noção de distância, equilíbrio, foco e precisão.

 

A legislação de trânsito brasileira vive uma crise de personalidade. Mostra-se severa com atitudes leves, mas condescendente com as ações realmente graves. Não dá mais para tolerar o avanço de um sinal fechado como "acidente", porque é um crime. No qual o transgressor é assumidamente responsável por todo ferimento decorrente do ato. Inclusive dos próprios ferimentos.

 

Todos os dias eu vejo motoristas de carros, ônibus, caminhões, motociclistas e outros atores do trânsito cometendo todo tipo de infração. Que resultam em multas, eventualmente a apreensão da habilitação e até a exigência de comparecer a um cursinho de boas maneiras. Mas não vejo ninguém se apresentar diante de um Juiz para justificar o que levou a desrespeitar uma regra tão elementar.

 

Dá medo do futuro. Porque na tentativa desesperada de reduzir os acidentes as autoridades de trânsito (e todo séquito de especialistas) inventam regras ridículas, que geram multas, mas não são capazes de imputar de forma exemplar os verdadeiros criminosos do trânsito.

 

Independentemente do que propagam os órgãos de trânsito, as entidades de classes de motoristas, motociclistas, associações de fabricantes e de concessionárias, nenhuma ação para redução de acidente de trânsito terá o menor efeito enquanto vivermos o clima de terra sem lei. Enquanto a municipalidade enxergar o trânsito como fonte de arrecadação, que faz instalar um radar em uma grande avenida no período das 8:00 às 18:00 horas, mas retira à noite, quando acontecem os mais graves acidentes.

 

Eu nunca vi um guarda de trânsito depois das 18:00 horas que não estivesse preocupado apenas em multar quem estaciona em local proibido. Enquanto um carro é rebocado da frente de uma guia rebaixada 30 tiram racha nas avenidas da periferia.

 

O gerenciamento de trânsito é preguiçoso, não quer fiscalizar onde dá trabalho. Não quer diferenciar os grandes dos pequenos delitos. E o cara que ignora um sinal de PARE nunca será multado, porque tem um motociclista de viseira aberta que está ali, mais fácil de ser flagrado.

 

Enquanto quebramos a cabeça na busca por soluções que diminuam o sofrimento de quem se acidenta no trânsito, os legisladores passam a mão na cabeça de quem causa acidente.

 

Se mundo acabar num grande sinal de PARE só sobra o Brasil!

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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

Proteja-se

Proteja-se de qualquer forma!

 

 

Em poucos dias a cidade de São Paulo viu cenas de faroeste envolvendo motociclistas


Não é novidade que a motocicleta é um ótimo veículo para se embrenhar no trânsito das grandes cidades. Além disso, por serem leves e potentes alguns modelos são ideais para ações de fuga, como todo mundo viu na recente onda de violência que atingiu a cidade e na qual um grande número de homicídios foi cometido por criminosos usando motos... roubadas!


Para nós, que usamos a moto como meio de transporte e lazer, ficamos no fogo cruzado desse louco bangue-bangue urbano. Ora somos perseguidos e confundidos com os criminosos, ora somos perseguidos e vitimados pelos verdadeiros marginais. E a imprensa geral não contribuiu, alardeando e generalizando o comportamento dos motociclistas.

E nós no meio do fogo cruzado.


Já que não podemos mudar a natureza versátil do veículo motocicleta e nem temos o poder de doutrinar a população, a melhor estratégia é tomar medidas que diminuam tanto a repressão policial para cima dos motociclistas inocentes, quanto para evitar engrossar as estatísticas da violência.


Roubar e furtar motos sempre foi muito fácil. No caso do furto, mesmo que a moto esteja presa com corrente, cadeado, alarme e chave “chipada”, basta estacionar uma perua van e jogar a moto dentro para que desapareça. O nos roubos, por deixar o condutor totalmente exposto, sem proteção de vidros ou lataria, basta o ladrão apontar a arma e o assalto estará concluído. Tudo muito rápido e fácil.


O que mudou nos últimos anos é a sensação de impunidade que faz os bandidos atuarem livremente, na certeza de que não serão pegos, mas se forem, não ficarão muito tempo presos. Por isso, antes de esperar uma ação efetiva do Estado, é melhor tentar se proteger de todas as formas. Aqui vão algumas dicas:


- Dificulte a ação dos bandidos – Ladrão não gosta de ter trabalho, senão não seria ladrão! Qualquer medida que dificulte a ação contra o furto é bem vinda. Segundo os delegados especializados um furto de veículo não pode demorar mais de um minuto. Portanto se a moto ficar parada na rua ou estacionamento, use algum tipo de trava mecânica, como cadeado, corrente ou trava-disco. Mas importante: não se esqueça de tirar quando for sair com a moto. Uma dica esperta é colocar um pequeno adesivo no painel da moto só pra lembrar que está travada.  Sair com a moto sem tirar a trava pode causar acidente e destruir o sistema de freio.



(Não esqueça de tirar a trava antes de sair com a moto!)


- Evite a “primeira-fila” – Motociclistas gostam de ficar na frente dos carros quando param em semáforos. Aliás era um procedimento até recomendado pelos manuais de segurança, porque permite sair na frente dos carros e ficar visível. Pois bem, era, porque atualmente os ladrões ficam a pé, parados em semáforos só esperando o motociclista parar para fazer a abordagem. Se ficar posicionado atrás de um carro, sem espaço para fuga, o ladrão vai desistir dessa moto e procurar outra mais fácil. Lembre: ladrão não gosta de trabalho.


- Não namore na moto – Apesar de óbvio, namorar na porta de casa, apoiado na moto é uma cena comum de se ver. Deixe o romantismo de lado e não fique parado com a moto na porta de casa. Aliás, nem no carro!


- Mude o caminho – As táticas de roubo incluem alguma inteligência, como estudar os hábitos da vítima. Geralmente o roubo de moto é por oportunismo, o ladrão pega a que estiver mais perto. Mas se for um modelo raro ele vai estudar o percurso da vítima em busca de um local mais vazio e sossegado para abordar. Fique atento aos espelhos retrovisores e varie o percurso sempre que desconfiar de alguém por perto.


- Não reaja, nem fuja – A bala de um revólver alcança uma aceleração muito maior que a da moto. Se perceber que a abordagem é iminente não tente fugir. Os ladrões saem à caça totalmente dispostos a qualquer coisa, inclusive matar. Além disso, na tentativa de fugir, sob pressão, o motociclista pode cair e piorar muito as coisas. Da mesma forma, não tente “negociar” com os bandidos, quanto menos falar com eles, melhor. Não dificulte a ação porque a pior coisa que pode acontecer durante um assalto é deixar o bandido nervoso.


- Faça seguro – Parece piada, mas o simples fato de mencionar que a moto tem seguro “relaxa” o ladrão. Se tiver sistema de alarme à distância é melhor avisar do que ser surpreendido pela revista que os bandidos sempre fazem. Eles ficam muito contrariados quando acham um sensor no bolso da vítima. Hoje os sistemas de rastreamento são eficientes e dispensam sensores de presença.


- Faça backup – Tenha cópia de todos os seus documentos e da moto. Facilita muito na hora de fazer o Boletim de Ocorrência e de receber a indenização do seguro. Também ajuda para tirar segunda via dos documentos. Procure passar o máximo de detalhe na hora de dar o depoimento na delegacia, descreva as motos que os bandidos usavam, embora só quem passou por um assalto sabe que não dá pra olhar mais nada além da arma apontada!


- Use a tecnologia – Hoje em dia a maioria dos celulares 3G são dotados de localizadores tipo “follow me”, forneça o máximo de informação para a polícia e avise sobre o sistema. Em alguns casos é possível localizar o telefone em questão de minutos.


- Ande em grupo – Uma presa solitária é um alvo sempre mais fácil do que em turma. Também evite marcar pontos de encontro e divulgar itinerários pelas redes sociais. Bandido também tem Facebook.


É triste chegar ao ponto de ter de “ensinar” como evitar ou como se comportar diante de um assalto. Isso mostra que chegamos ao ponto no qual o Estado faliu com sua missão de dar proteção e segurança aos cidadãos. Mas enquanto não podemos contar com a segurança pública é melhor que cada um cuide de si.


Mas posso garantir que se não existe formas de combater o crime é sinal que tem grupos ganhando muito bem com a violência. E nesse grupo pode estar incluídos os que deveriam fazer o papel de combater o crime. Não é aceitável que uma das maiores cidades do mundo, com economia maior e mais rica do que a de muitos países seja feita refém de grupos armados e dispostos a sobreviver na clandestinidade. Precisamos de um choque de ordem, de uma política de intolerância aos pequenos delitos e à punição exemplar. É inaceitável que um jornalista tenha de ensinar a população como não ser vítima de violência, como se fossem dicas de manutenção de moto. Isso não é normal e precisa deixar de ser tratado como "a consequência de uma metrópole".

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

Uma luz sobre o assunto

 (Em alguns carros, a lanterna é junto com farol alto e baixo) 

Entenda de uma vez por todas como funcionam as luzes dos veículos

Alguns dias atrás encontrei um velho amigo de adolescência. Depois de atualizarmos toda nossa vida percebi que tinha algo muito diferente no rosto dele, além das rugas, claro. Mais à vontade, perguntei e ele admitiu que tinha feito cirurgia plástica, mas não por vaidade e sim em função de dois graves acidentes de carro que causaram ferimentos no rosto. Estranhei, porque nós somos de uma geração que aprendeu a dirigir carros na pré-adolescência e ele sempre dirigiu muito bem. Pedi detalhes e ele relatou que os dois acidentes foram à noite, em situações parecidas e sem envolver álcool, excesso de velocidade ou imprudência.

No fim do evento fomos juntos para o estacionamento e vi que ele saiu com o carro com os faróis apagados. Parei a moto ao lado e berrei “o farol está apagado!”. Mas ele respondeu: “mas as lanternas estão acesas, na cidade só uso as lanternas”.

Eu não quis provocar uma briga, mas na hora lembrei a descrição dos acidentes e percebi que ele ainda sofreria muitos outros se continuasse a rodar à noite com os faróis apagados. Que Deus proteja meu amigo!

É inacreditável, mas em pleno século 21 as pessoas ainda não sabem como usar um simples farol. Talvez isso explique parte dos graves acidentes que acontecem à noite. Ainda podemos encontrar motoristas e motociclistas que não sabem a diferença entre lanterna e farol e isso é desconhecido das autoridades de trânsito, porque nunca vi nenhuma campanha de esclarecimento sobre o assunto. Entre os especialistas e socorristas existe um ditado famoso: "de dia as pessoas se acidentam, à noite elas morrem!".

As luzes dos carros, motos, caminhões e ônibus não foram feitas apenas para que seus condutores pudessem ver à noite, mas também para serem VISTOS, tanto por pedestres quanto por outros autores do trânsito.

Esclarecendo, geralmente os veículos tem cinco situações de iluminação:

Lanterna ou luz de posição – A responsável por toda a confusão. Essa luz foi criada para ser usada com o veículo PARADO e tem a finalidade de ser visto mesmo em condições de pouca iluminação. Não deve ser usada com o veículo em movimento. Em muitos países essa posição foi abolida justamente para evitar essa confusão e foi substituída por leds que ficam permanentemente acesos, inclusive com a opção de manter só um lado aceso, quando o motorista estacionar em local escuro. Mas essas luzes foram criadas para países europeus, com baixo índice de insolação e grande incidência de neblina. Como o consumo de energia dessas luzes é baixo, podem ficar acesas até o dia seguinte sem problema. Infelizmente no Brasil esse tipo de iluminação é confundida com o farol baixo e até motoristas de veículos pesados trafegam à noite apenas com as lanternas acesas. É mais triste ainda perceber que os policiais e agentes de trânsito também cometem essa infração! Ou seja, nem que tem a função de fiscalizar conhece e aplica as leis.

Farol baixo – É a luz mais fraca dos faróis principais e deve OBRIGATORIAMENTE ser ligada a partir do pôr do sol. Como foi descrito, em pleno século 21 tem motorista que ainda não percebeu a função desse farol. Ele não provoca ofuscamento, desde que regulado, e tem de ser usado nas áreas urbanas, com ou sem iluminação pública. Em muitos países os carros ficam permanentemente com essas luzes acesas. No Brasil, apenas nas motos esse farol já fica sempre aceso, seja dia ou noite e não tem opção de desligar. Infelizmente vivemos uma época de narcisismo e egoísmo exagerados e alguns indivíduos de pouca ou nenhuma inteligência adaptam leds coloridos em vez de faróis. É uma cópia dos “angel eyes” usados em carros europeus para uso especialmente em condições de neblina. Aqui no Brasil virou moda “tuning” e se tornou substituto dos faróis. E a fiscalização não tem competência para coibir essa ação.

Farol alto – É a luz mais forte e só pode ser usado em áreas sem iluminação pública, estradas e zona rural. Deve ser desligado quando cruzar outro veículo em sentido contrário e também pode ser usado como sinal de advertência para ultrapassagem. Também deve ser desligado quando seguir algum outro veículo. O lampejador de farol, ou “flash” aciona o farol alto. Não deve ser usado em neblina, poeira excessiva ou chuva forte. Nestas condições ele espalha demais a luz e piora a visibilidade. O farol baixo é mais eficiente.

Luz de neblina – Essa é a campeã da desinformação. Posicionadas sob o pára-choque, elas tem a função de reforçar a iluminação em condições de neblina porque espalha o facho para baixo e laterais. A luz traseira de neblina tem a finalidade de tornar o veículo mais visível em condições de baixa visibilidade, como a óbvia neblina, chuva ou poeira. Infelizmente, mais uma vez a prepotência e ignorância do motorista médio brasileiro transformaram essas luzes em faróis e são usadas sem o menor critério. Fico pensando nos milhares de reais que são jogados fora anualmente em campanhas de segurança, aqui no Brasil, para um público incapaz de entender o funcionamento de algo tão simples e elementar. As luzes de neblina não devem ser usadas em noites claras de boa visibilidade, muito menos na cidade. As dianteiras não são visíveis pelos pedestres, nem pelos motociclistas, porque o facho não chega à altura dos olhos. E a luz traseira ofusca a visão quem vem de trás. Eu desafio algum leitor narrar algum episódio de multa para quem estava trafegando com as luzes de neblina acesas na cidade. Mas posso apresentar dúzias de multas ridículas para motociclista que roda com a viseira aberta (mesmo de óculos!).

Farol de milha ou longo alcance – Hoje esses faróis são mais raros, mas eram usados até meados dos anos 80, inclusive em versões de série. São faróis mais potentes que o farol alto e proibidos de funcionar nas cidades. A lei obriga, inclusive, que sejam cobertos por uma capa enquanto o carro estiver na cidade e só podem ser descobertos nas estradas. Comum nos carros fora-de-estrada pela elementar necessidade de iluminar os obstáculos com muita antecedência e clareza. Nas estradas ele é muito útil, mas nunca deve ser usado na cidade!

Pisca, seta ou luz de indicação de direção - é aquela luz acionada por uma alavanquinha (no carro) ou no botão (moto) e que avisa para qual lado você vai virar, ou mudar de faixa. Simples, né? Pena que quase ninguém sabe o que é e para que serve. Mas lembra de ligar o pisca-alerta quando está sob neblina, com o veículo em movimento, o que é perigoso e ilegal. O pisca alerta só deve ser acionado com o veículo PARADO!

Alguns motociclistas instalam faróis auxiliares, mas devem escolher modelos que sejam específicos para motos e que não acabem com a bateria. Atualmente os faróis originais das motos são muito eficientes. Mas o motociclista deve lembrar que ao transportar peso excessivo ou garupa a traseira afunda e a frente levanta, fazendo subir o facho do farol. Algumas motos (e carros) tem regulagem rápida para essa situação, mas quando não houver lembre-se de não colar nos carros da frente.

 

publicado por motite às 14:16
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2012

Protesto ou bagunça

(Use antena anti-cerol e protetor de pescoço... mas meia branca não!)

 

Um assunto que rolou na semana foi o manifesto de alguns motociclistas contra a cobrança de pedágio em algumas estradas. Os manifestantes reuniram dezenas de motos nas praças de pedágio e pagaram os valores baixos (média de R$ 1,50) com notas de R$ 100,00 ou R$ 50,00. Claro que o resultado foi uma grande confusão que atrapalhou a vida de muita gente.

 

Segundo os manifestantes, eles estavam exigindo cabines exclusivas para motos, criação de um sistema de transponder como o Sem Parar, para evitar as cabines de carros e caminhões. Nestas cabines é visível que o piso fica sujo de óleo, derramado principalmente pelos veículos pesados e mal conservados. Segundo eles, é inseguro exigir que o motociclista freie e acelera sobre o óleo dos outros veículos.

 

E se quiser dar o troco, as eleições municipais estão chegando, lembre a qual partido político pertence os governadores e prefeitos que exigiram cobrança de pedágio de motos, sem o devido estudo de viabilidade e segurança. Eu sei muito bem!

 

Vou por partes.

 

1 – Eu não concordo que as motos sejam isentas do pagamento de pedágio, porque nós motociclistas também temos acesso aos serviços prestados pelas concessionárias e nos beneficiamos da conservação. Porém também concordo que as estradas são projetadas pensando exclusivamente nos veículos de quatro ou mais rodas. Os guard-rails são inseguros para os motociclistas e algumas estradas usam tachões sinalizadores que chegam a amassar a roda da moto. Portanto, cobrar é justo, desde que a estrada também seja adaptada para as motos.

 

2 – A cabine exclusiva de motos já existe em algumas praças e, de fato, é mais segura. O problema está na característica coletiva dos motociclistas. Já tive a infelicidade de pegar uma fila de motos na minha frente e demorou muito para passar. Enquanto não for criado o transponder essa cabine não funciona perfeitamente e é melhor deixar o motociclista livre para escolher a cabine mais vazia.

 

3 – Transponder para motos. Já conversei com concessionárias e especialistas e a explicação para a demora está na dificuldade típica do veículo moto. Por ter pouca massa metálica a moto não consegue sensibilizar o receptor de presença. Além disso, existe a natural dificuldade de instalar o transponder emissor de forma a evitar o furto. Poderia ser uma peça solta, para o motociclista levar no bolso, mas isso fere o estatuto das prestadoras de serviço, que obriga o uso de um transponder para cada veículo, daí a necessidade de fixar na moto.

 

Mas ao contrário do que os manifestantes pensam já existem protótipos em teste, porque é do interesse tanto das concessionárias quanto das montadoras. Tudo que dificulta a vida do motociclista bate de frente com os interesses das montadoras e elas têm força para cobrar um sistema eficiente das prestadoras de serviço. A boa notícia é que este sistema deixou de ser monopólio do Sem Parar e o novo concorrente DBTrans pode encontrar uma solução paras as motos mais cedo e eficiente.

 

4 – Todo motociclista deve zelar pela própria segurança. É do conhecimento universal que os motores de carros e caminhões ficam posicionados no meio dos eixos dianteiro ou traseiro. Basta o motociclista trafegar na linha por onde passam os PNEUS dos carros para fugir das manchas de óleo. Não frear e acelerar no centro da pista é uma das primeiras lições de sobrevivência de todo motociclista.

 

5 – Criar manifestações é exercer o livre direito de expressão. Mas quando a manifestação prejudica os outros cidadãos torna-se antipática, antipopular e ainda atrai mais revolta do que adeptos. Causar tumulto na praça de pedágio, ou dificultar o troco é o jeito errado, por prejudicar quem tem nada com isso. O jeito certo seria procurar os meios de comunicação para manifestar o descontentamento. Como colunista de dois grandes portais do Brasil eu não recebi nada, nenhum comunicado das associações de motociclistas. A forma correta de sensibilizar a opinião pública é por meio dos veículos de comunicação. E não pela desorganização.

 

6 – E por fim, naquela ocasião que fiquei muito tempo atrás de um grupo de motociclistas na cabine do pedágio uma grande parte estava com escapamento direto, provocando ruído e emitindo mais poluentes. Portanto, colegas, se quiser dar lição de cidadania comece por si mesmo. Escape barulhento e poluente é ilegal e prejudica toda a população. Como dizia Confúcio, “se quiser mudar o mundo comece mudando a si mesmo”. Manifestar contra o pedágio usando uma moto que produz ruído e poluição é como fazer passeata na porta da secretaria da Educação pedindo mais verba para o ençino!

 

 

publicado por motite às 00:07
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