Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Papo cabeça

(Capacete de escalada: sempre na cabeça, não na mochila...)

 

Divagações de um usuário de capacete

As vezes tenho a impressão que nasci de capacete! Com apenas 12 anos ganhei a primeira moto, uma Suzuki A 50II. Naquele longínquo 1972, capacete era artigo raro. Na verdade existia uma espécie de preconceito contra os usuários de capacete. Chegavam mesmo a duvidar da masculinidade e quem aparecesse na turma usando capacete era chamado de “mariquinha”. Bom, graças à esse pensamento assisti a muitos funerais de motociclistas machões.

 

Primeiro ganhei a moto de presente de natal do meu pai, só depois veio o capacete por insistência dele, que por ser ex-ciclista entende a dinâmica dos acidentes em duas rodas. Lembro até hoje, com clareza, do meu primeiro capacete. Foi comprado na loja Procópio do recém-inaugurado Shopping Center Iguatemi. Era um modelo SS da Induma, fechado, e fiquei tão feliz que vim com ele na cabeça, dentro do carro até chegar em casa, me sentindo o verdadeiro Emerson Fittipaldi.

 

Deste dia em diante o capacete virou uma peça normal do meu vestuário, quem nem a cueca. E nas poucas vezes que saí sem capacete – naquela época não era obrigatório – sentia-me como se estivesse nu.

 

Perdi a conta de quantas vezes o capacete salvou minha vida na moto. No que considero o pior acidente da minha vida, estava a apenas 50 km/h, fazendo manobra com uma ingênua 125cc, surfando em pé no banco da moto, quando a roda dianteira bateu em um olho de gato, desequilibrou e caí direto de cabeça no chão. O capacete rachou, tive uma concussão cerebral leve e fiquei dois dias enxergando tudo dobrado. Entreguei o que restou do capacete ao fabricante para analisar e servir como laboratório de desenvolvimento.

 

Durante os mais de 10 anos como piloto de enduro também bati muito a cabeça, em todos os sentidos, e fui atingido por pedras, galhos, outras motos, mas sempre muito bem protegido. Na motovelocidade levei todo tipo de queda, algumas acima de 180 km/h e meus miolos se mantiveram inteiros.

 

No final dos anos 90, quando decidi voltar a correr de motovelocidade aos 37 anos, tive de mergulhar nas atividades físicas para reduzir o peso na medida quase esquelética. Para isso comecei a pedalar com frequência. Inicialmente nas estradas, depois passei a usar na cidade. Foi quando meu preparador, José Rubens D’Elia me deu um capacete de ciclismo que, confesso, usava só nas trilhas de montain-bike, porque não consegui me convencer a usar o equipamento na cidade. O capacete, da marca Bell americana, era bem leve, bem feito, mas eu realmente não me sentia bem usando capacete em uma bicicleta. O que era uma tremenda besteira, como você verá adiante.

 

(capacete Shoei: leve, seguro e confortável)

 

Veio então os anos 2000, parei de correr de moto e iniciei uma nova atividade, da qual fiquei totalmente viciado: a escalada em rocha. Depois de assistir, perplexo, uma chuva de pedras bem do meu lado, comprei um capacete e passei a usá-lo até nas escaladas mais simples e fáceis. Já estou na segunda geração dos capacetes, ao adquirir um top de linha da marca Petzl francesa.

 

Alguns escaladores, especialmente os mais novos, acham o capacete uma frescura. Mas é comum receber pedras ou mesmo equipamentos no meio do cocuruto, principalmente quando em escaladas clássicas e longas. Já me safei de pedradas e até de mosquetão que voaram a uma velocidade inacreditável! Agora não deixo de usar a proteção e se quiser escalar comigo tem de usar capacete, punto e basta!

 

Recentemente notei que o paulistano adotou a bicicleta para se deslocar em São Paulo e driblar o trânsito. Esta tendência não é nova: em 1980 conheci um engenheiro alemão que só usava bicicleta e tinha toda uma estratégia para chegar ao escritório limpo e bem vestido como se tivesse acabado de sair de um Porsche. Mantinha algumas peças de roupa no escritório e ao chegar tomava banho, fazia a barba, se vestia formalmente e ficava impecável. Para voltar, colocava a bermuda, tênis e voltava a ser um ciclista.

 

Confesso que eu não me sinto seguro pedalando entre os carros em SP. Acho que a cidade deveria ter ciclovias permanentes e não apenas para lazer, nos fins de semana. E prevejo que a convivência entre ciclistas com motociclistas, motoristas e pedestres entrará em colapso brevemente.

 

Cerca de três anos atrás, um grande amigo passou a usar a bicicleta até para praticar um pouco de atividade física, na virada dos 40 anos. Dei aquele meu capacete Bell de presente pra ele com a recomendação de usá-lo mesmo pra ir até a esquina. Pouco depois ele ganhou um mais novo, mais bonito e seguro.

 

E eu mesmo continuava a sair de bicicleta apenas com meu boné. Ainda com aquela idéia de que capacete em bicicleta era uma tremenda frescura.

 

Em recente viagem a Nova York entrei duas vezes na gigantesca loja de artigos esportivos Paragon. Na verdade buscava equipamentos de montanhismo, mas passei pela seção de bicicletas e vi um belo capacete Bell, mais leve, mais bonito e certamente mais eficiente do que aquele que doei. Não comprei na primeira vez, mas fiquei com aquela imagem do capacete por alguns dias até voltar à loja por uma coincidência de percurso e pensei: “pô, por apenas US$ 49,00 um capacete bonito e Bell, acho que vale a pena”. Comprei e foi um sufoco trazê-lo na mala. A marca Bell sempre representou um ícone para quem gosta de velocidade.

 

Menos de uma semana de volta a São Paulo fui estrear meu capacete novo. Decidi também comprar um espelho retrovisor pra bike, uma buzina e uma lanterna traseira. Ou seja, resolvi estender para a bicicleta a minha noção de segurança veicular que sempre adotei e defendi nas motos.

 

No trajeto até a Decathlon fui desviar de uma pedestre e levei um baita tombo bem em cima da ponte do Morumbi. Havia anos que não levava uma queda tão forte de bicicleta! Acho que desde a adolescência não sabia o que era ralar o joelho no asfalto. Levantei louco da vida porque tinha quebrado a pala do meu capacete Bell novinho e nem reparei num corte na coxa direita.

 

Passado o susto fui até a loja e equipei minha bicicleta.

 

O susto maior viria apenas uma semana depois da minha queda. Em um domingo de feriado, em novembro, o meu grande amigo Luiz Vicente que nunca saía de bicicleta sem capacete decidiu ir até a ciclovia do parque Vila-Lobos, mas achou que em um passeio tão inofensivo poderia dispensar o capacete. Afinal era um domingo, a cidade estava vazia e tudo muito calmo.

 

De fato, a cidade estava vazia. Mas ele se desequilibrou sozinho, caiu e bateu a cabeça na calçada no único jeito e no ângulo correto para causar uma grave lesão. Tão grave que faleceu a caminho do hospital de Clínicas.

 

Obviamente que foi um choque por saber da preocupação dele com o acessório, mas naquela tarde ele achou que uma voltinha aparentemente tranqüila poderia ser apenas um dia a mais de lazer.

 

Na verdade eu pretendia escrever este artigo sobre os meus três tipos de capacete logo depois do meu tombo no Morumbi. Demorei, veio o acidente do meu amigo e achei que seria mais importante ainda tentar mostrar ao mundo que graves conseqüências começam em pequenos incidentes, até que se tornem grandes acidentes.

 

Um acidente nunca é causado por UM fator, mas por uma sucessão deles. Custa a gente acreditar que um dia de lazer, como passeio de bicicleta ou escalada na montanha, possa terminar em lesões graves ou até a morte. Curioso que em todo equipamento de escalada vem escrita uma observação em vários idiomas, alertando que aquela atividade pode resultar em acidente e até a morte. Mas não leio a mesma advertência em motos e bicicletas! Parece que é um tabu, um pacto silencioso para ninguém se lembrar que eles também podem ser fatais.

 

Por isso decidi contar esta história sobre a importância dos capacetes. Eles não são um enfeite, nem um mal necessário. E usá-los é o maior sinal de sensatez e amor à vida que você pode demonstrar.

publicado por motite às 18:13
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13 comentários:
De Bruno a 22 de Dezembro de 2011 às 19:51
Tite, parabéns pelo texto,bem escrito e importante como sempre.
Também pensei que em bicicletas o capacete era dispensável... Até que, por um descuido, encostei no pneu da bicicleta da frente, perdi o controle e bati fortemente a cabeça no chão .
Fiquei inconsciente, tive convulsão e ao chegar ao hospital o médico não autorizou minha saída até o término de uma bateria de exames.
Depois disso, ao analisar o capacete (um muito bom Fox comprado no exterior) e ver o tamanho da rachadura no mesmo com um parente médico, a constatação que provavelmente não teria sobrevivido sem o uso do mesmo...
Capacete sempre!
De Berly Capacete Veloso a 22 de Dezembro de 2011 às 22:12
Tite! Só podia vir de vc.... ;)

Sabe que depois do que aconteceu, busquei informações sobre uso e obrigatoriedade do capacete para ciclistas.

Não encontrei nada.

Muitos textos e vídeos de como o numero de ciclistas cresce em São Paulo e como eles tem que driblar carros, motos, ônibus, caminhões e pedestres.

Menção alguma sobre segurança ou uso de capacetes.

Vejo nas ciclofaixas próximas a minha casa, a cada domingo mais lotadas, uma quantidade assustadora de ciclistas sem absolutamente nenhum equipamento de segurança. São homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, atletas 'profissionais' e atletas 'de fim de semana'... todos felizes com o passeio sem ter a menor noção do que pode acontecer no caso de um acidente, por mais banal que seja.

A toda esquina ou cruzamento, agentes uniformizados indicam com uma bandeirola o momento de parar ou seguir, conforme indica o semáforo. Nunca vi ninguém orientando sobre a importância dos equipamentos de segurança.

O Denatran diz que o uso desses equipamentos não tem como ser fiscalizado porque não existe um registro de bicicletas, como as placas.
O Código Brasileiro de Transito nem cita o capacete como item de segurança para os ciclistas (!), apenas luzes, refletores e espelhos retrovisores. Beira o patético: http://www.cicloviavel.org/CTB-bici.html

A bicicleta se tornou uma opção de transporte bastante democrática, saudável e econômica (por que não?) numa cidade como São Paulo, tão pobre em transporte público e tão rica em engarrafamentos.

A quantidade de pessoas que adere ao pedal diariamente cresce a olhos vistos. Mas parece que tem gente que insiste em não ver.

Acho que é isso mesmo... Se não cuidam de nós, devemos nos conscientizar da importância das nossas vidas pelo simples fato de estarmos vivos.

Por que esperar a obrigatoriedade para tomar uma atitude tão simples que pode te salvar?

Quando foi que a ameaça de tomar uma multa se tornou mais importante que a ameaça da própria morte?

A inversão de valores é ridícula.

A vida não vale um tostão, o descuido e a prepotência valem um milhão.

USEM SEMPRE CAPACETE. Ou vocês realmente acham que são super heróis?

Adorei seu texto, sua iniciativa. Obrigada Tite.


De Glauco a 22 de Dezembro de 2011 às 23:50
Literalmente um "papo-cabeça" muito bem elaborado!!!
De Carlos a 23 de Dezembro de 2011 às 04:20
Tite, voce poderia por fotos dos seus capacetes?
De motite a 23 de Dezembro de 2011 às 11:13
Bom, dois deles aparecem na foto. Só falta do da bike. Mas se eu colocar a foto de todos os meus capacetes vai faltar espaço na página, pq tenho mais de 20 capacetes diferentes para as 3 modalidades: moto, escalada e bicicleta!
De Carlos a 23 de Dezembro de 2011 às 12:15
Só o de Bike!
De Paulo Filipin a 23 de Dezembro de 2011 às 14:12
Temos um grupo de pedalada em Cascavel e num de nossos passeios, um colega foi fechado por uma moto e foi pro chão. Bateu a cabeça no chão. O capacete rachou inteiro, mas cumpriu a sua função, não houve lesão na cabeça dele.
Também tenho o mau hábito de usar capacete somente nas pedaladas fortes e suprimi-lo nas voltinhas na cidade. Preciso me corrigir.
Agora um item que vc disse eu não descuido. Sempre ligo as luzes de alerta da bike a noite, não só traseira, como a dianteira e mesmo assim muitos carros não respeitam.
Outro ponto importante (apesar do post ser sobre capacete) é a luva, mesmo na bike. Com o tombo, a primeira coisa que vc faz é tentar apoio e uma mão ralada vai te impossibilitar de pegar no guidão, imagina se vc está longe da cidade.

abraço

PS: Uso capacete no trabalho (frigorífico) tem bastante coisa para cair na cabeça (de faca a carcaças. rs)
De Fernando Mazzanti a 23 de Dezembro de 2011 às 19:22
Fala Tite!

Fiz seu curso ano passado e para as motos, sempre ando 100% equipado e também fiz com que meu pai, que fez o curso junto comigo, se equipasse também.
Agora lendo seu texto me deu um frio na espinha.
Andei na ciclovia de SP, do Ibirapuera até o Parque do Povo com minha filha de 1 ano na cadeirinha em setembro... sem capacetes... eu e principalmente ela!
Putz... só de imaginar me dá calafrios!!!
Mais um texto super legal!
Como sempre reinvindico, mais textos! mais textos!

Grande abraço e Feliz Natal!

Fernando
De Renato Campestrini a 26 de Dezembro de 2011 às 17:21
Tite ,

De fato, pouca gente utiliza capacete ao conduzir uma bicicleta, um veículo, de propulsão humana, mas veículo a luz do Código de Trânsito Brasileiro - CTB , inclusive há uma Resolução do CONTRAN , a 46/1998, que estabelece os equipamentos obrigatórios para bicicletas acima do aro 20, que poucos fabricantes cumprem.

Talvez seja um hábito do brasileiro desdenhar da segurança, acreditar que as coisas ruins só acontecem com os outros. Quantos motociclistas não observamos nas vias com a cinta jugular solta ou desafivelada?

Somos críticos ferrenhos à legislação, todavia, somente seguimos as regras quando há uma penalidade que pode levar nosso precioso e suado dinheirinho.

Parabéns pelo artigo, e deixo no ar o convite para vir pedalar em Sorocaba e conhecer as ciclovias que existem por aqui, onde felizmente é possível ver muitas pessoas a utilizar a bicicleta com esse importante equipamento de segurança.

Abraço,


Renato Campestrini
Sor. 26/DEZ/2011.
De L de Leonardo a 27 de Dezembro de 2011 às 16:49
Já faz um tempinho que uso a bicicleta pra me locomover e até então não havia achado um capacete de bike que coubesse na minha jaca (tamanho 62).

Esses dias, indo na Decathlon, encontrei um RockRider por R$ 120,00, do tamanho certinho... ainda não comprei, mas depois de ler este post não vai demorar.



Meus pêsames pelo seu amigo, mas é bem como vc falou... quando menos se espera, a fatalidade acontece.
Tivemos um prefeito em Santos que morreu de forma parecida, ao descer do bonde, cair e bater a cabeça.
De pablo a 28 de Dezembro de 2011 às 03:33
Caraca, bixo, parece que essa foi escrita pra mim!
trabalho tb de bicicleta e essa semana levei um tombão, por sorte só minhas mãos ficaram raladas e na hora pensei: "pô, pq não comprei aquelas luvas..." Depois desse artigo acho q vou comprar um capacete tb!
De Rodrigo, o ex-vizinho mala a 3 de Janeiro de 2012 às 17:38
Tite, no Reveillón de 2011, um "mano" lá de Rio das Pedras (SP) perdeu a vida (e arrebentou o coco) no poste em frente ao cemitério novo da cidade ao cair da moto... Porém, o cotovelo (onde ele carregava o capacete) dele estava inteirinho!

No dia 02/01/11 fomos levar flores no túmulo da minha sogra e no poste estava lá a marca da cacetada...

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