Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Cada macaco no seu galho

(Fala sério, avião é tudo igual, qualquer brevê serve...)

 

Imagine a seguinte situação: você está confortavelmente acomodado na poltrona de um avião comercial Airbus A 380, na classe executiva, pronto para decolar para Paris. Enquanto a aeronave está taxiando, o comandante inicia seu tradicional discurso.

 

- Sras e srs passageiros aqui é o comandante Fulano, gostaria de compartilhar com todos que este é meu primeiro vôo como comandante de um jato deste porte. Estou um pouco ansioso porque meu brevê é de avião monomotor agrícola, mas podem ficar sossegados porque no fim tudo voa e estamos juntos!

 

Pense outra cena: você está embarcado em uma balsa que faz travessia Ilhabela-São Sebastião e percebe que o comandante está com dificuldade para atracar. Até que ele admite:

 

- Desculpa aí, pessoal, mais minha Arrais é de veleiro... mas tudo é barco mesmo! Estamos juntos...

 

Se alguém achou as situações inverossímeis pode parar de se surpreender, porque é exatamente o que acontece com a habilitação para motociclistas. Hoje vivemos a ridícula e inimaginável situação de ver pessoas sem qualquer experiência prévia se habilitando para pilotar motos de 200 cavalos, capazes de chegar a mais de 300 km/h.

 

Mas tudo bem, porque esta pessoa, que pode inclusive ser um jovem de 18 anos e um dia, passou pela exigente formação de condutores, na qual outro profissional de extrema competência e conhecimento técnico usou uma moto 125 cc para mostrar com total ciência as complexas operações de ligar a moto, engatar a primeira marcha, frear apenas com o freio traseiro e parar com apenas o pé esquerdo no chão. Toda essa enorme carga de conhecimento técnico, somada às aulas teóricas, chegam a longas 30 horas de aula e habilita qualquer cidadão acima de 18 anos a pilotar todos os veículos motorizados de duas rodas, de scooter a uma super esportiva.

 

Normal, afinal é tudo moto e são todas iguais. E estamos juntos!

 

Não, não são todas iguais. Da mesma forma que só em novelas e filmes um piloto de monomotor consegue pousar com precisão um jato comercial, na vida real alguns absurdos podem se repetir. O primeiro deles está na cegueira que ataca especialmente os engenheiros e especialistas de trânsito quando o assunto é motocicleta e seus derivados. Não se pode aceitar que as aulas práticas para habilitação ao scooter seja feita em uma moto! É como tirar Arrais de veleiro e pilotar uma lancha só porque ambos são barcos!

 

Conheço muita gente que poderia deixar o carro na garagem e adotar um scooter, mas não o faz porque não quer aprender a pilotar uma moto com câmbio convencional, mas sim um motociclo com câmbio automático. Uma das maiores conquistas dos scooters modernos foi a adoção do câmbio automático por polia variável (CVT) que elimina as trocas de marcha e a embreagem tradicional. Basta acelerar e frear. Além disso, a pilotagem de scooter é completamente diferente da de moto. Na moto pilota-se montado, no scooter pilota-se sentado. Motos têm rodas de diâmetro acima de 17 polegadas. Scooters têm rodas menores de 14”. É tudo diferente. Tão diferente que nos países normais o scooter pode ser pilotado por pessoas habilitadas em automóveis. Não precisa fazer aula de moto-escola. Esta é uma reivindicação que deveria ser abraçada pela associação dos fabricantes de motos e scooters. Não faz o menor sentido habilitar um cidadão para um tipo de veículo para pilotar outro!

 


(Moto também é tudo igual, aos olhos da legislação brasileira)

 

Ah, mas vivemos no país do avesso. O lugar no mundo onde tudo acontece ao contrário.

 

Se alguém pretende dirigir uma carreta de 30 toneladas terá de fazer um teste prático e se submeter a um exame específico. O mesmo se repete se quiser dirigir um ônibus. Se para as autoridades de trânsito uma carreta é diferente de um ônibus e um carro, então por que veículos tão diferentes quanto uma esportiva de 200 cavalos, uma moto utilitária de 12 cavalos e um scooter de 9 cavalos são tratados como iguais?

 

Essa pergunta não tem resposta, por enquanto.

 

Mas já houve um tempo em que a habilitação de motos era por categoria também no Brasil. Era A1, até 125 cc; A2 de 126 a 180 cc e A3 acima de 180 cc (não tenho certeza da divisão porque faz mais de 30 anos). Mas nos anos 80 as motos eram bem diferentes e uma 750cc era só um pouco mais forte que uma 500 cc, por exemplo. Além disso, como tudo no Brasil, havia uma ingênua picaretagem. Naquela época haviam duas motos de 180 cc que na verdade eram 125 cc “aumentadas” para 180 cc. As moto-escolas usavam esta moto para habilitar na categoria A3.

 

Minha sugestão às autoridades de trânsito é voltar a habilitação por categorias. No entanto com diferenças importantes. A primeira delas seria permitir ao habilitado em automóvel pilotar também scooters e ciclomotores até 125 cc (a popular “cilindrada”). A partir daí criar a categoria A1 para motocicletas de 126 a 300 cc; A2 para motocicletas de 301 a 600cc e A3 para motos acima de 601 cc.

 

Mas essa divisão de nada adiantará se as aulas e exames forem feitos nos mesmos espaços para as três categorias. Seria necessário criar espaços e uma rotina de aprendizado específico para cada categoria. Inclusive adotar um critério mais rigoroso no exame físico e psicotécnico aos candidatos que pretendem pilotar motos acima de 601 cc.

 

Ainda na linha das “sugestões” ao Denatran, Ministério Público e seus derivados, está mais do que na hora de alterar o atual sistema de seguro obrigatório. É inadmissível que um motorista/motociclista que passa 20 anos sem nenhuma ocorrência seja submetido a mesma taxa de seguro do que um pseudo-marginal que se acidenta 20 vezes por ano! E mais: acabar com o seguro atrelado a um veículo, mas sim a uma pessoa física. Carros e motos não rodam sozinhos, precisa de alguém para conduzi-los e é a este alguém que deve ser imputado a responsabilidade pelos acidentes. Portanto nada mais natural que o seguro seja concedido a pessoas e não a coisas inanimadas motorizadas.

 

Mesmo que um cidadão tenha mais de um veículo, ninguém consegue dirigir dois ao mesmo tempo. Sempre terá uma pessoa no comando e é este indivíduo que deve ser responsável pelo seguro obrigatório. Mas quem consegue mexer neste verdadeiro sumidouro de dinheiro chamado DPVAT?

 

Ficam, então, registradas as sugestões para um trânsito mais justo.

 

publicado por motite às 19:07
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29 comentários:
De Péricles _PC a 29 de Junho de 2011 às 20:08
Putz!! Sem comentários!! Parabéns pelo artigo!! Acho até que junto a isso tudo que você falou, seria interessante se houvesse uma condição de venda de motocicletas com base no tempo de habilitação dentro da categoria em questão, afinal a distância entre uma moto com 600cc pra uma 1000cc é gigantesca e ainda assim teria muito cara que tiraria a última categoria e como não tem experiência (coisa que só se adquire com o tempo) se mataria fácil!!\

Abraços,

Péricles _PC
De Italo a 29 de Junho de 2011 às 20:19
Tite,
Muito pertinente o seu texto. Não sei em que país (acho que o Japão...), ou se ainda vigora, mas nesse país a lei permitia que o condutor pudesse obter a carteira de habilitação aos 18 anos, salvo engano, para motos até determinada capacidade cúbica (acho que 125cc). Depois de algum tempo de experiência (2 anos) sem nenhuma intercorrência, estava "apto" para tentar subir de categoria (até 400cc), submetendo-se a uma prova bem mais rigorosa que a anterior...Após isso, novamente sem intercorrências, poderia "pleitear" obter a carteira para motos acima de 400cc, e aí, só quem realmente era um bom motociclista conseguia...
Grande abraço.
De Japa a 30 de Junho de 2011 às 10:55
Italo, no Japão, com 18 anos vc já pode se habilitar para motos acima de 400cc até sem limites.
Com 16 anos vc pode ter a habilitação de até 399cc.
Com a habilitação de carro vc pode pilotar qq 50cc, na verdade até 49cc.

No Br isso não funcionaria no atual estágio, pois iria gerar mais corrupção.
O certo seria tirar a primeira habilitação até 250cc, com validade para 4 anos. Na renovação seria aumentado para até 750cc, por mais 4 anos. Na próxima renovação já pegaria sem limites.
Exigir provas e exames, para cada alteração de categoria, faria a farra das auto-escolas, pois nenhuma delas tem seriedade suficiente para formar um bom piloto, apenas para corromper o aluno.
Logo, acho que a experiência adquirida na rua vale muito mais que a das auto-escolas caça-níqueis.
De Thiago a 30 de Junho de 2011 às 16:08
Italo, se não me falha a memoria isso ocorre na Inglaterra.

Mas nunca poderá ser equiparado aqui.

Lá para se tirar carteira de motorista, você envia os seus documentos e após alguns dias recebe uma placa com a letra L.

Você coloca no carro e fica com ela por algum tempo, se você não tiver acidentes, multas passará a ser habilitado.

O mesmo ocorre com as motos, primeiro você só pode pilotar CG após comprovar as habilidades, sem acidentes ou multa e algum tempo poderá pilotar outra moto de maior CC.

Imagina isso no Brasil?

E Tite você comenta sobre um jovem de 18 anos e um dia, e nos USA que é aos 16? qual a grande diferença? lá eles pilotam melhor?

E o pessoal com seus 50 e poucos anos, que nunca centaram em uma moto e decide comprar uma 1000 CC?

Não é igual ou até mais perigoso que os de 18?

abs.
De Thiago a 30 de Junho de 2011 às 16:09
errata: sentaram (pq com C foi de doer) MEU DEUS.
De Vitor Rolf Laubé a 29 de Junho de 2011 às 20:43
Parabéns, Tite ! Mais um artigo com excelente conteúdo.
Como vc sabe, pulei de uma 125cc para uma 950cc , um salto gigantesco, que, seguramente, teria sido melhor se tivesse ocorrido paulatinamente. Graças ao bom Deus que não tive nenhum problema, pois tentei ser o mais cuidadoso possível (participei até de um certo curso de Pilotagem Preventiva por aí!). Muito boa também a sua abordagem quanto ao seguro obrigatório. Valeu, meu caro mestre. Parabéns, mais uma vez.
Abraços.
De elias a 29 de Junho de 2011 às 23:18
Entendo que deve ser mais rigoroso o processo de habilitação do motociclista para pilotar uma moto de alta cilindrada, porém acho perigoso darmos ideias a nossas autoridade que apenas pensam em arrecadação. Ora, pare pra pensar: se a habilitação hoje para moto é uma pra motos pequenas e grandes, custom e sport, é claro que o processo do detran já daveria atentar para essa diferenças e habilitar o cidadão para as diferentes categorias. Lembre-se que suas ideias serão aproveitadas pelos ignorantes de brasília que só pensam em como arrecadar mais, e nunca na proteção dos motociclistas. Hoje quem compra uma moto de 1000cc pode fazer um curso de pilotagem para aprender a sobreviver sobre ela, nunca o poder público poderá fazer algo semelhante, mas pode cobrar por uma habilitação de forma exorbitante e continuar a pintar faixas escorregadias nas pistas e mandar os pilotos a freiar com o freio traseiro, para ver se o tombo fica mais bonito.
Melhor é apenas advogara a ideia de que moto até 125cc nao precisa de habilitação específica, pois na verdade hoje apenas finge-se que se preparam os motociclistas quando pegam a carteira A.
De Fernando a 29 de Junho de 2011 às 23:28
No fundo, Tite, apesar de você ter razão em relação aos absurdos da habilitação para motos, sua proposta é não é muito melhor que a situação atual, afinal de contas, você, assim como eu, sabe que não é a cilindrada que diferencia uma moto da outra, mas a relação entre coisas como peso, potência, tamanho, etc. Segundo sua classificação, uma Dragstar e uma Virago 535 estariam em categorias diferentes de habilitação, apesar de uma ser tão potente quanto a outra. Uma Harley 1600 dependeria de uma habilitação mais exigente que uma CBR 600 ou uma Hornet. Cá entre nós, no mundo de hoje, seria muito melhor se a classificação entre as diferentes habilitações fossem feitas a partir de categorias definidas segundo um rol de características técnicas, que considerassem as motos dentro de suas particularidades. Uma esportiva dependeria de um tipo de habilitação, e para ser assim considerada ela deveria reunir diversas características, como peso/potencia X, potencia mínima de Y cv, etc. Caminhões e ônibus dividem-se em categorias escalonadas não segundo a potência ou cilindrada, mas segundo peso bruto carga útil, ou ainda número de eixos.
De Alfredo a 3 de Julho de 2011 às 16:46
Exatamente a observação que eu ia fazer, mas acrescida da observação do Japa quanto a isso só resultar em festa nas auto escolas. O curso ia ser tão inútil quanto é o atual de habilitação, naquele circuitinho fechado risível e, mesmo que não fosse, quem tem grana pra comprar uma R1 tem grana pra soltar 200 mangos pra molhar a mão de alguém e pegar a carteira sem precisar fazer o curso. Mais burocracia sem sentido (por ser baseada em cilindrada) e facilmente burlável (como quase toda auto escola já mostra) é exatamente do que a gente não precisa mais neste país. O certo, mesmo, seria só proibir motos que obviamente não são feitas pra locomoção civilizada ou exigir um período de experiência com a carteira.
De Renato a 30 de Junho de 2011 às 00:59
Mais uma batalha para o Don Quixote. Perfeito, mas quem faz as leis são ignorantes, ou melhor, eles apenas pensam em benefício próprio. Não dá para esperar coisa melhor vindo de lá. Mas você tem toda a razão.
De Thiago a 30 de Junho de 2011 às 16:14
E quem coloca os ignorantes lá?

hummmm
De Renato a 30 de Junho de 2011 às 18:20
Adivinhe!
De Ozzy Renato a 30 de Junho de 2011 às 14:34
Ótimo texto, Tite!
De Ricardo Zani a 30 de Junho de 2011 às 14:46
Concordo plenamente e digo mais: não existe a menor justificativa para se ter pressa no processo de habilitação. Sou a favor de um aprendizado longo e completo, para motos, carros e veículos pesados, no qual se simulem exaustivamente todas as situações do trânsito. Basta começar mais cedo. Quem quiser ter habilitação aos 18 anos, que entre na auto-escola aos 16. Quem vai pagar 2 anos de auto-escola? O Estado! Para cada R$ 1,00 que o Estado aplicar nesse ensino, economizará uns R$ 5,00 ou R$ 10,00 com atendimento a acidentes, invalidez e óbitos.
De José a 30 de Junho de 2011 às 16:23
Legal boa ideia, mas para quem tem 16 anos.

Por exemplo eu não tirei a minha carteira aos 18, deixei para depois da faculdade.

Mas agora trabalho, e vou tirar a habilitação.

Ai terei de ficar 2 anos, atrelado a uma auto escola, nas ultimas horas se decidir de semana, ou finais de semana para tirar a carteira?

Acho totalmente impossível essa ideia, é bastante bonita no papel, mas na vida real é impraticável

E ainda o estado bancar a sua habilitação é demais, não? Ele também poderia dar o carro?

Nós temos de lutar por um estado independente e não paternalista, como ocorre na grande maioria dos países de terceiro mundo.

De Leandro a 30 de Junho de 2011 às 22:15
Como dito antes, com 17 anos 354 dias não pode dirigir nada, um dia depois pode tudo!
De Alan a 1 de Julho de 2011 às 01:54
No Japão 2 tipos de habilitação:
até 399cc e acima de 400cc
por isso há a Honda CB400 Super Four nesse mercado.

Na Argentina 2 tipos de habilitação:
Até 349cc e acima de 350cc.

PS: Odeio quem fala: "minha moto tem 125 cilindradas".

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