Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

Sobre motos e mitos

Calma, não precisa ajoelhar...

 

Marca ou religião

 

Um dos estudos mais interessantes da comunicação é sobre os símbolos, ou ícones. Existem vários ótimos livros a respeito da natureza dos símbolos, desde as inscrições rupestres até hoje. Meu trabalho de conclusão de curso de comunicação social foi sobre simbologia e iconografia. Infelizmente foi redigido na época pré-computador e o original perdeu-se com tantas outras coisas.

 

Quando analisamos a religião por meio dos símbolos aí começamos a entender muito do que somos atualmente. Até o mais cético dos ateus se rende a um ou outro “graças a Deus”, ou “se Deus quiser”. Por ser essencialmente dogmática, religião é algo que não se explica, nem vale a pena tentar decifrar. Cada um tem a sua e vive – ou morre – com ela como bem entende.

 

Mesmo inaceitável é compreensível, porque desde a evolução da primeira bactéria em ser humano convivemos com algum tipo de religião. E a base da religião são os ícones, as imagens. Seja um crucifixo, uma estrela de seis pontas, um Buda gorducho, os santos, são infinitas imagens atreladas às religiões. Portanto é natural que um religioso carregue e defenda uma imagem como quem defende tudo que está por trás da imagem.

 

O que não é natural e menos compreensível é ver pessoas aparentemente esclarecidas defendendo uma marca ou produto com o mesmo fervor que professa a fé religiosa. É mais fácil entender e analisar o fanatismo por algum time de futebol (incluindo a Portuguesa e o América do Rio) do que explicar a defesa cega de uma marca de moto, carro, eletrodoméstico, cerveja etc.

 

Já escrevi várias vezes que o maior censor do trabalho dos jornalistas especializados não é o departamento de comunicação das montadoras, mas os donos dos carros e motos. Em resumo, funciona assim: se um jornalista elogia um produto, o produto é bom; se o jornalista critica o produto, o jornalista é ruim!

 

Da mesma forma que ninguém admite que sua religião é fajuta, dificilmente se vê usuário admitindo que comprou um veículo ruim.

 

Quer exemplos? Basta criticar marcas como BMW e Harley Davidson para o jornalista virar alvo de linchamento público. Não existe nenhuma sólida argumentação técnica sequer que justifique a adoração a qualquer modelo da Harley-Davidson, pelo contrário, é um produto tão prosaicamente simples que só recentemente recebeu injeção eletrônica. Mesmo assim, para os donos, é um alvo de adoração dogmática. E ai de quem criticar uma HD! Vai arder no fogo do inferno.

 

O caso das Harley é parcialmente justificável pelo retrospecto histórico da marca. Eu já escrevi a história dela algumas vezes: quando completou 90, 95 e 100 anos (e os 110 estão vindo aí!). Por ser um dos poucos produtos americanos ainda fabricado nos Estados Unidos, revela-se um lado ufanista por trás desta adoração. Ter uma Harley nos Estados Unidos faz qualquer pessoa, por mais mau caráter que seja, ser considerada como “um verdadeiro americano”. O departamento de marketing sabe disso e reforça essa característica.

 

Por todos os percalços que passou, quase fechando as portas, a marca recebeu um valor emocional que supera qualquer análise do produto em si. Pude comprovar este fenômeno em 1997 quando comprei um isqueiro Zippo (outro ícone americano) com o logotipo HD e eu nem sequer fumo! Pra disfarçar comprei uma toalha da Coca-Cola também!

 

Por isso os mais diferentes analistas do mercado afirmam que ninguém compra uma Harley pelo que oferece mecanicamente, mas pelo que ela significa em termos de estilo de vida. Assim como a religião, não se encontra uma explicação minimamente sensata para esta adoração a não ser fazer parte da uma turma, de uma fé.

 

Com outras marcas centenárias como BMW ou Ducati esta adoração se repete em escalas diferentes. Como um motociclista tradicional, eu passei a vida olhando para a marca BMW como um objetivo a ser alcançado. Sem levar em conta aspectos secundários como estilo de vida, status etc, minha ambição visava somente a qualidade do produto.

 

Mas... tempos modernos! A economia deu reviravoltas no mundo e quem tinha grana está penhorando até as calças, enquanto quem era duro já conseguiu atingir seus objetivos. Essa mudança forçou a BMW a produzir modelos mais acessíveis, além de aumentar a produção e fabricar em outros países, como a China e agora, Brasil.

 

Reflexo deste crescimento, ou não, a marca que recebia o status de campeã de qualidade já mostra o peso da maior escala de produção. Constantes recalls e defeitos persistentes tem deixado os donos de BMW frustrados com a marca. Eu mesmo estou enfrentando um calvário com a F 650GS que de longe foi a moto mais problemática da minha longa carreira motociclística!

 

Mesmo assim, quando se observa a série K 1300 ou a nova S 1000RR percebe-se que existe uma preocupação com acabamento e tecnologia que ratificam a fé na marca.

 

Então como entender pessoas que defendem marcas menos “nobres” como Suzuki, Kawasaki, Honda ou Yamaha como se fossem os mais elevados símbolos de fé e devoção? Definitivamente não consigo entender os “marquistas”, pessoas que de tanto admirar uma marca a defendem à beira da violência física. Lembra o fanatismo religioso que faz um sujeito amarrar 10 kg de explosivo no corpo e se arrebentar no meio da multidão só porque prometeram o reino dos céus, além de sete virgens.

 

Depois de passar 25 anos testando motos, confesso que não consigo ver uma diferença entre as grandes japonesas que justifique essa síndrome de fidelidade cega às marcas. Todas elas têm bons produtos e outros nem tanto. Juro por Deus (olha aí...) que não existe análise estritamente técnica e fria que coloque uma delas em evidência quando se avaliam exclusivamente os produtos.


Atualmente o que mais diferencia as marcas é o quanto de investimento podem fazer em divulgação. Quem aparece mais vende mais, aumenta o faturamento, investe mais em propaganda, torna-se mais vista, vende mais e assim por diante. Neste papel de “aparecer mais” está incluída a necessidade de expandir os pontos de venda.

 

Mesmo assim tem os marquistas que julgam uma marca de moto com a mesma flacidez científica que se avalia uma religião. Aliás, a religião é o melhor exemplo, porque podemos encontrar religiosos que adotam uma fé e vivem assim tranquilamente e aqueles que não se conformam apenas em professar a sua fé, mas insistem e brigam para convencer que a dele é melhor que a dos outros e que todo mundo tem de adotá-la. Daí as intermináveis guerras em nome da religião em pleno século 21.

 

Amigo(a) leitor(a), da próxima vez que entrar em uma discussão, seja pessoalmente ou pela internet, para defender a “tua” marca, pense na religião: você pode estar prestes a entrar em uma cruzada totalmente sem sentido!

publicado por motite às 16:41
link do post | comentar | favorito
63 comentários:
De Leonardo a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:06
A tua BM atual tá dando mais dor de cabeça que a Cagiva 125??? Talvez a razão do sucesso de algumas marcas (leia-se Honda) em nosso país é o fato de ser uma das poucas montadoras de moto no Brasil que se preocupam um pouco com o pós venda. Confesso que tenho preferências pelas motos nipônicas por ser descendente de japonês, embora seja casado com uma legítima brasileira mistura de protugueses e poloneses. Mas não sou fanático por nenhuma marca. Falando em marca o que você acha da Kawasaki D Tracker X, tô pensando em comprar uma moto para o lazer quando sair meu FGTS, porque a XLinha eu não vendo!
De motite a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:18
Não era 125, era 600! Aquela deu UM problema e vendi rapidinho...

Sinceramente, não pilotei a D Tracker, mas achei bem bonitinha. Mas eu pegaria uma Lander X, mesmo fora de linha. Não sei se é o momento de comprar Kawasaki agora, esperaria mais um pouco pra ver como a marca se comporta no Brasil.
De luidhi a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:22
Vendo uma X, quer?

Aliás, estou com uma Citycom 300i, mais por necessidade mesmo que por amor a marca, ao estilo etc, etc. Precisava de alguma coisa que substituísse o carro e que não chegasse com o pé emporcalhado no serviço e o notebook salvo de intempéries.
Ela tem atendido bem, sem maiores problemas. Não é o estado da arte no scooter, mas não fala mal de ninguém.
De motite a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:32
Atenção roleiros, qualquer negócio feito neste blog tem de me dar comissão de 5%!!!

A Citycom é uma boa escolha. Um dado curioso: no lançamento dela, quando o diretor da Dafra anunciou a quantidade que pretendia vender por mês eu soltei uma gargalhada que pegou super mal. Depois ele me perguntou: "vc achou muito?" e eu expliquei: não, achei pouco! Isso vai vender que nem pão quente...

Hoje tem fila de espera pra este scooter...

Não sei porque ainda ninguém me contratou como consultor de marketing... um gênio desperdiçado!
De Leonardo a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:44
Seria mais para o final do ano, mas acho que vou acabar pegando uma CB300 c/ ABS. Só falta convencer a patroa...
De motite a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:52
Ótima escolha... com ABS!!!
De luidhi a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:07
Tite pergunta que não quer calar: A sua BMW está sendo mais problemática que a catiça da W16 ou você não considera Cagiva uma moto?
De motite a 16 de Fevereiro de 2011 às 17:16
KKKKK, realmente, aquilo não era moto, mas eu vendi aquela coisa com apenas 3 meses de uso. Esta BM tá me infernizando há mais de um ano...
De Paulo Filipin a 17 de Fevereiro de 2011 às 14:17
Tite

Acredito que o inverso também é valido. Muitos demonizam uma marca em função de um produto ou atendimento especifico. Não sei se é o caso desta sua F650, se voce foi "premiado" com um exemplar problemático ou se os problemas que a sua moto apresenta ocorre com outros proprietários.
Mas, fugindo um pouco do exemplo de moto. Eu já me peguei falando que nunca mais voaria com a TAM, com a GOL, com a TRIP, hahaha. Sobrou o que? busão?
Mas em compensação já fui muuuito bem atendido por pessoas destas empresas. Assim, acredito que parte é falta de um bom treinamento e descaso, mas parte é devido ao (falta de) empenho do funcionário.
abs
De leandrolopesp a 16 de Fevereiro de 2011 às 18:29
Que bom ler esse texto. Problema é que isso é tão forte em mim que sou incapaz de torcer pra um time de futebol, mesmo que a seleção brasileira.
Esse "marquismo" se apresenta em vários pontos. Gente que defende gato ou cachorro como melhores, por exemplo.

Eu nuca gostei das H&D. Barulhentas, antiquadas, algumas bem feias, desconfortáveis. Muita gente me xinga por isso. Eu gosto de motos mais confortáveis, altas...

Meu sogro que diz que H&D é a única marca que ele conhece que as pessoas TATUAM NO CORPO. (eu conheço Apple e Nintendo tbm). Mas imagina que alguém vá tatuar TAM ou Guaraná Dolly...
De Frederico Freire a 16 de Fevereiro de 2011 às 18:43
Tite, desculpe o off topic mas seu comentário me fez lembrar uma questão. Vale mesmo a pena pagar R$ 4k a mais pra pegar uma CB600 c/ ABS em face da CB600 s/ ABS? Abraço!
De motite a 16 de Fevereiro de 2011 às 19:45
Compra com ABS, vc vai perceber que vale a pena na primeira frenagem forte na chuva...
De paulo a 16 de Fevereiro de 2011 às 19:02
Tite, a neurociência explica esse fenômeno. Existe um livro, muito bom por sinal, chamado "A lógica do Consumo" de Martin Lindstron, que estuda, por meio de aparelhos que medem o fluxo de sangue no cérebro, que a área estimulada ao se mostrar um cruxifixo a uma freira é a mesma ao se mostrar o logotipo da harley à um fã da marca. Recomendo a leitura, têm um capitulo que trata justamente desse assunto.
abs
De motite a 16 de Fevereiro de 2011 às 19:47
Tou dizendo que sou um gênio desperdiçado... devia estar na Universidade da Harvard
De luidhi a 17 de Fevereiro de 2011 às 16:26
É nada. Primeiro que 2 meses já jogaria tudo as farras porque não aguentaria o mundo corporativo.
Se isso não acontecesse em 3 meses te jogariam fora por não te aguentar.

Fica na consultoria mesmo.
De Sapo Silva a 16 de Fevereiro de 2011 às 20:18
Como diria um grande amigo montanhista e nipônico, "um equipamento sempre é bom enquanto está dentro das expectativas e exigências de quem o usa".
De Alexandre Hernandez a 16 de Fevereiro de 2011 às 23:28
Sem opcoes...; tenho uma suzuki Freewind 650, uma maquina competente, mas ja esta velhinha. Agora nao sei pra onde ir..., pois seguindo a tendencia e optando por uma Suzuki, a Vstron 650, pode parecer um boa opcao, mas tbm ta ultrapassada..., um trambolho, revestida com carenagens em excesso, sem dizer q e' baixa, por se tratar de uma "big trail". A Versys 650, mais alta, mas enxuta, porem a roda dianteira pequena oferece limitacoes , pra opcao off road. E ai.., o que me diz Motite??
De motite a 17 de Fevereiro de 2011 às 00:40
O que eu digo? Espera um pouquinho que vem uma Honda Transalp 700 por aí...
De Flavio Vaz a 17 de Fevereiro de 2011 às 02:58
... e vem também a Teretete 660!! Parece que vai ter até versão com ABS. Veremos.
De luidhi a 17 de Fevereiro de 2011 às 16:29
Se for para ir de 1 cilindro vai de BMW Aprilia Dafra modelo Xing-Ling GS 650 G, que custa R$ 1 mil o seguro.
De luidhi a 17 de Fevereiro de 2011 às 16:27
Tite, ele disse que a "Freewilly" tá velha.
A transalp tá tanto tempo sem atualização que já atravessou os alpes faz tempo...

Eu iria de... de... ah, deixa para lá.
De motite a 18 de Fevereiro de 2011 às 11:05
Não Ludi, ele disse que a Frewwilly DELE está velha e a Transalp foi toda atualizada quando virou 700cc...
De Tiago a 17 de Fevereiro de 2011 às 10:23
Excelente texto Tite (mais uma vez...)!!!

Esse lance da HD é muito engraçado, eu não sou muito fã de motos custom e falo que as HD são muito mais mito que moto, e realmente quase apanho quando digo isso!
hahaha

Mas veja vc que a maioria dos "xiitas" são os que tem motocicletas pequenas (até 250 cm³), eu disse a maioria, não que os "poderosos" donos de motos maiores não façam o mesmo, mas a maior parte é de pessoas que não têm poder aquisitivo suficiente para adquirir uma moto grande (e cara), normalmente porque tem pouco conhecimento ou formação.
Sou técnico administrativo de colégio estadual aqui no PR, e quando fazemos a matrícula temos que fazer um questionário sócio-econômico, onde pedimos a renda familiar mensal e a escolaridade dos pais. É incrivelmente óbvio, mas super real: quem tem os pais com nível superior ganha mais de 5 salários mínimos, ou seja, quando maior for o grau de instrução, maior o salário (ÓBVIO!!!)
O estudo "abre a cabeça" da pessoa, fazendo o cidadão ter discernimento sobre vários assuntos, enquanto o contrário é verdadeiro.
De Tozé a 17 de Fevereiro de 2011 às 17:50
Eu, ao invés de seguir uma marca, sigo um conceito:
Carros e motos: boas marcas, menos HD e Honda.
Eletrônicos: as melhores marcas, menos a Sony
Roupas: confortáveis, sem custar muito ou pouco.
Religião: acredito em Deus e tenho fé em mim.
De Jackson a 17 de Fevereiro de 2011 às 19:46
Temos também que lembrar que além dos "marquistas" temos também os "anti-marquistas", que debulham "elogios" sem nunca ter chegado perto de determinada moto.

Quanto as motos japonesas concordo que a qualidade delas é parecida, mas pra mim ainda pesa a questão da manutenção. Fora dos grandes centros fica complicado

Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 14 seguidores

.Procura aqui

.Julho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Os dias eram assados: o p...

. Os Dias Eram Assados - o ...

. Os dias eram assados. Com...

. Scooter mania nacional

. Ainda melhor!!!

. Motociclista, esse esquec...

. Salão no Rio em nova data

. Tudo que você queria sabe...

. Quem experimenta pede Biz

. Salão da recuperação

.arquivos

. Julho 2019

. Junho 2019

. Março 2019

. Junho 2018

. Abril 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds