Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Poderosa

(Também é boa de curva. Foto: Claudinei Cordiolli)

 

Uma das formas de apoio da Honda ao curso SpeedMaster de Pilotagem é a cessão de motos para eu usar nas aulas. Claro que aproveito para fazer o testezinho básico. Bom, quem tem mais de 50 anos, que nem eu, tem uma paixão retraída por motores Four de grande capacidade. Não pude ter uma CB 750F, mas tive a CB 400Four que satisfez minha juventude motociclística. Mas essa CBzona de 1300 cc é tão macia ao pilotar que parece uma música da Norah Jones. E é mais confortável do que c*** pelado. Só que depois de escrever esse teste fiquei sabendo que a Honda não irá mais importar esse modelo porque tem a Hornet 1000 vindo por aí. Isso fez os preços da CB 1300 despencarem que nem os termômetros de Curitiba. Quem pagou R$ 43.000 nessa moto deve estar se mordendo de raiva, porque as últimas com ABS foram vendidas a R$ 33.000. Hoje é possível achar semi-novas por R$ 31.000. Fiquei até tentando a comprar uma, mas depois de lembrar que ela gasta mais que amante argentina eu desisti. Leia a avaliação abaixo. Ah, e não acostume com essa febre de um teste por dia aqui no Motite, porque isso era tudo material que já estava pronto e eu tenho dois livros pra terminar ainda neste mês...

 

Poderosa

 

A Honda CB 1300 faz parte das chamadas motos musculosas

 

Houve uma época em que as motos era simples. Tinham motor, suspensões, rodas simples, sem avanços tecnológicos nem os inúmeros features que assessores de imprensa adoram elencar. Carenagens, suspensões monoamortecidas, invertidas, materiais leves e caros transformaram as motos simples em veículos tão sofisticados que até assustam.

 

Felizmente as marcas mantiveram alguns modelos clássicos que incendiaram a imaginação dos motociclistas dos anos 70. Uma delas é a poderosa Honda CB 1300, evolução da bem sucedida CB One, de 1.000cc, lançada nos anos 90. Ser motociclista nos anos 70 era significado de sonhar com uma “quatro canecos”, qualquer moto com motor de quatro cilindros em linha. Muitos ainda preservam esse desejo e é para esta legião de fãs que existem motos de grande cilindrada, quatro cilindros e de concepção simples.

 

Com um grande motor de 1.284 cc, que desenvolve a potência de 115,6 cv a 7.750 rpm e o torque de 11,9 kgf.m a 6.000 rpm essa naked tem a concepção original baseada nas sonhadas motos dos anos 70, porém com a tecnologia atual como a injeção eletrônica de gasolina e freios ABS.

 

Pesada (234 kg), na prática nem reflete as dimensões, pois é muito fácil de pilotar, mesmo no trânsito intenso de São Paulo. O grande barato dessa musculosa é rodar na estrada, curtindo o ronco do escape 4-2-1 que conta com catalisador. Apesar do ronco original já ser bem agradável essa é uma moto que implora por um escape esportivo. Como o catalisador fica na marmita é possível trocar apenas a ponteira sem alterar a emissão de poluentes.

 

Para dar vida ao estilo clássico, a CBzona é bem pelada mesmo. Não tem bagageiro e transportar bagagem só mesmo com mochila ou se instalar um horroroso baú. O banco largo e espaçoso é um convite para levar garupa que desfruta ainda de uma barra de apoio. Necessária, porque a aceleração é vigorosa e pode derrubar um garupa distraído!

 

(As suspensões tem 5 pontos de regulagens, se misturar tudo dá um número absurdo. Foto e mão: Tite)

 

Na estrada – Um aspecto curioso do câmbio de cinco marchas é a sensação de que o motor está sempre pedindo uma sexta marcha. Graças ao funcionamento bem elástico do motor é possível engatar a quinta e última marcha já com 1.500 rpm. E com uma curva de torque bem suave, tem-se a impressão de estar em uma moto com câmbio automático, porque basta girar o acelerador para ver o motor crescer de giro sem engasgos. A retomada de velocidade é muito rápida e basta acelerar para ganhar velocidade para ultrapassagens.

 

Naturalmente que um motor com tamanha capacidade não pode ser chamado de econômico. Durante o teste o consumo ficou entre 15 e 16 km/litro. Mas se torcer o cabo do acelerador com vontade esse consumo pode cair a 10 km/litro. É quase um carro! Só que dificilmente um carro de 1.300 cc pode levar seu dono a mais de 230 km/h. Com um tanque de 21 litros é preciso ficar esperto com a autonomia.

 

Essa velocidade é a máxima real dessa moto. Só que a falta de uma proteção aerodinâmica como carenagem ou bolha acrílica faz o piloto ficar com a clara impressão de que a cabeça será arrancada do pescoço. No exterior existe uma versão carenada, indicada para quem utiliza a moto nas estradas.

 

Uma das maiores críticas a esta moto é a suspensão traseira por dois amortecedores. Curiosamente, os maiores críticos nunca pilotaram a CB 1300, são apenas analistas de ficha técnica! Tanto a suspensão dianteira quanto a traseira são equipadas com múltiplas regulagens que permitem adequá-las a várias situações como pista bem asfaltada, ruas esburacadas, transporte de passageiro etc. Na dianteira são duas as opções de regulagens, na mola e hidráulica, feitas diretamente nas bengalas. Na traseira são três sistemas de regulagens que atuam nas molas, carga e compressão dos amortecedores a gás. Ou seja, não tem como não acertar a suspensão para cada tipo de usuário. Esse conjunto traseiro não fica devendo nada aos sistemas monoamortecidos.

 

Para completar, os freios são com sistema ABS e a manete do freio dianteiro também conta com regulagens para se adaptar aos vários tamanhos de mãos. No painel clássico, com instrumentos circulares, os displays de LCD podem mostrar os hodômetros parciais e total, trip diário (que registra a quilometragem do dia), temperatura do motor, temperatura ambiente, nível de gasolina e relógio de horas.

 

Com pneus de desenho e medidas esportivas, essa poderosa CBzona também permite se divertir nas curvas. O quadro tubular de berço duplo não faz milagres, como as modernas esportivas, mas surpreende por revelar muita firmeza mesmo nas curvas fechadas.

 

E o melhor da festa: recentemente a Honda fez uma mega promoção desse modelo, por média de R$ 34.000 (em SP). Claro que ela desapareceu dos estoques. Com sorte ainda tem alguma por aí!

 

Ficha Técnica

PREÇO: R$ 34.000 (promocional) ORIGEM: Japão

MOTOR: quatro cilindros em linha, 16V, 1284cc, alimentado por injeção eletrônica, arrefecido a líquido. Potência máxima de 115,6 cv (a 7.250 rpm) e torque de 11,9 kgfm (a 6.000rpm)

TRANSMISSÃO: Câmbio de cinco marchas. Secundária por corrente

SUSPENSÃO: Dianteira com garfos telescópicos e traseira bi-choque

FREIOS: Dianteiro a duplo disco e traseiro a disco, com ABS

PNEUS: Dianteiro 120/70-17 e traseiro 180/55-17

DIMENSÕES: 2.220 mm de comprimento, 790 mm de largura, 1.120 mm de altura e 1.515 mm de entre-eixos

PESO: 234 kg

TANQUE: 21 litros

 

publicado por motite às 20:30
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