Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Esperta?

(A pernuda dona Tita bate os joelhos no escudo frontal!)

 

Recentemente fiquei duas semanas com o Smart Dafra 125, um scooter primo do Burgman 125. Se você nunca pilotou um scooter poderia até pensar "nossa, que motoquinha legal", mas quem já pilotou um Burgman 125, ou Honda Lead 110 ou alguns dos italianos, vai pensar "putz, que tosco!". Se ele custasse 20% a menos que o Burgman 125 seria imbatível na categoria. mas alguma coisa precisa mudar: ou melhora a qualidade e mantém o preço; ou reduz o preço e mantém a qualidade. Leia o teste publicado no Diário de SP.

 

Esperta?

 

O scooter Smart da Dafra é fabricado na mesma planta do Suzuki Burgman 125, é mais moderno, com injeção eletrônica

 

Com motor 125 cc alimentado por injeção eletrônica e potência de 10.3 cv o scooter Smart comercializado pela Dafra por meio de um acordo com a fabricante chinesa HaoJue é uma válida opção de veículo simples para uma pessoa.

 

Curiosamente este Smart seria uma evolução do Suzuki Burgman 125 (feito na mesma fábrica), porque tem um visual mais moderno e incorpora a tecnologia da alimentação por injeção eletrônica, totalmente casado com as preocupações ambientais. Mas esse é um caso clássico de “evolução que andou pra trás”, porque à exceção da injeção, esse Smart não consegue superar o Burgman em outros quesitos. O motor com a mesma configuração quatro tempos, de 124 cc, desenvolve quase 20% a menos de potência em relação ao modelo da Suzuki (10,3 contra 12,3).

 

Antes de entrar na avaliação aqui vai uma explicação: o Burgman 125 é sim feito na China, pela HaoJue, mas a linha de montagem é supervisionada pela Suzuki do Japão. Como acontece com grandes marcas chinesas, fornecedoras das marcas japonesas, a HaoJue também decidiu lançar produtos com a marca própria. Obviamente que não são vendidos no Japão por questões contratuais, mas nada impede que sejam vendidos em outros mercados. São produtos válidos, mas sem o mesmo padrão de qualidade dos scooters japoneses porque o mercado chinês é infinitamente menos exigente e também com menos dinheiro. É assim que eles devem ser encarados.

 

O tipo de uso feito na China e outros mercados asiáticos também é diferente. As cidades são pequenas e isso os faz rodar pouco. A bem da verdade, scooters nunca combinaram com grandes trajetos. Se alguém precisa cobrir 40 km para sair de casa ao trabalho ou escola pode procurar uma opção maior. Por concepção o scooter é para rodar pouco – e devagar!

 

(Não cabe nem um capacete aberto!)


 

Pequena por dentro e por fora.

A Smart é pequena, fácil de pilotar, graças ao câmbio automático CVT (por polia variável centrifugamente), mas é pesado (110 kg) e pisa na bola em alguns itens importantes. Não se admite um scooter com porta-objeto tão pequeno sob o banco. Não cabe nem sequer um capacete aberto! É quase um crime contra o usuário. Para compensar, o imenso bagageiro já vem com roscas para encaixar um grande baú de carga. Também foi colocado um porta-trecos no escudo frontal que pode abrigar carteira, celular, chaves, luvas etc. Este porta-objeto sob o banco insuficiente para um capacete é explicado porque em muitos países o capacete não é obrigatório.

 

Dentro da filosofia de ser prática e simples, os comandos de freio estão nas mãos, liberando os pés de qualquer missão. O freio dianteiro a disco é muito parecido com o da Burgman 125, assim como outros componentes como as bengalas da suspensão dianteira, rodas, pneus, escapamento e freio traseiro. Os pneus poderiam ser um pouco mais largos. Só que ao contrário do modelo da Suzuki, esse Smart tem o freio dianteiro meio “borrachudo” e o traseiro muito fraco. Como o problema não está nas dimensões dos freios, pode ser no tipo de pastilha e lona.

 

Ainda no departamento de freios, por ter cavalete lateral seria muito importante que a Smart tivesse também um freio de estacionamento. Se estacionar em local inclinado ela pode sair rodando e cair. Outro item obrigatório é um sensor que impeça o motor de funcionar com o cavalete lateral acionado. Sair com qualquer moto com o “pezinho” abaixado é tão perigoso que este sensor deveria ser obrigatório por lei em todas as motos. Também é comum um tipo de acidente com scooter: quando estacionado com motor ligado alguém pode acelerar como se estivesse numa moto e o scooter ir embora porque está o tempo todo com o câmbio engatado. Daí a importância de um sensor no cavalete lateral.

 

Com uma receita simples, a suspensão de curso bem reduzido, atua muito bem quando o scooter leva apenas uma pessoa. Mas sente o peso do passageiro. Aliás, uma dica: scooters são veículos produzidos pensando apenas em UMA pessoa. Mas por questões de legislação, são homologados para duas pessoas. Mas nem pense em enfrentar uma grande subida com dois adultos a bordo. O motor deste Smart tem até uma boa aceleração, mas perde força e sofre nas subidas íngremes.

 

Entre os equipamentos, destaque para o completíssimo painel, com marcador de gasolina, hodômetros e relógio de horas. E os grandes espelhos retrovisores, com vidro convexo, podem até permitir uma ótima visão traseira, mas as dimensões exageradas complicam a passagem entre os carros no corredor. Seria a primeira coisa que eu mudaria nesse scooter.

 

Um dos pontos altos do Smart é o baixo consumo de gasolina. No teste feito alterando uso urbano e trechos de estrada, o consumo médio ficou em 30 km/litro, com variação entre 25 e 35 km/litro. Com um tanque de 6,9 litros projeta uma autonomia média de 200 km.

 

O acabamento geral é bem cuidado, sobretudo a pintura, encaixe das peças plásticas e baixo nível de ruído, mas peca em detalhes como a forração de borracha do assoalho que insiste e sair do encaixe ou a infeliz opção de colocar o bocal da gasolina sob o banco. O amortecedor traseiro já estava rangendo apesar de apenas 1.500 km de vida.

 

De modo geral, o Smart é um produto que chegou para brigar de frente com o campeão de vendas Suzuki Burgman 125 e a recém chegada Honda Lead 110. Falta pouco para chegar ao mesmo patamar, como mudar o cavalete lateral, aumentar o espaço sob o banco, repensar os espelhos retrovisores e até experimentar pneus mais largos. Com um preço sugerido abaixo de seus concorrentes (R$ 5.660) o Smart pode incomodar a Burgman (R$ 5.990), líder do segmento e até com o Honda Lead 110 (R$ 6.062) desde que processe uma melhora na qualidade. Ou consiga mais potência. É só escolher!

 

 

Ficha Técnica

PREÇO: R$ 6.160 ORIGEM: China

MOTOR: monocilindro, quatro tempos 124,6cc, alimentado por injeção eletrônica, arrefecido a ar. Potência máxima de 10,3 cv (a 8.000 rpm) e torque de 0.97 kgfm (a 7.000rpm)

TRANSMISSÃO: CVT por polia variável. Secundária por correia

SUSPENSÃO: Dianteira com garfos telescópicos e traseira monoamortecida

FREIOS: Dianteiro a disco e traseiro a tambor

PNEUS: 3.50-10 Dianteiro e traseiro

DIMENSÕES: 1.986 mm de comprimento, 674 mm de largura, 1.104 mm de altura e 1.240 mm de entre-eixos

PESO: 110 kg

TANQUE: 6,9 litros

 

 

 

publicado por motite às 21:12
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