Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

BMW Série K... raka!!!

(pode deitar que ela gosta!)

 

A partir deste texto vou publicar o MEU teste das novas BMW Série K, em etapas, como sempre...

 

São só três letras, mas que valem por todo alfabeto

 

Quando a sisuda BMW decidiu investir em uma moto de quatro cilindros em linha para brigar com as japonesas, os alemães partiram para o compacto, eficiente e mundialmente aceito motor transversal. Foi essa configuração de motor que mudou a história do motociclismo na Honda CB 750Four em 1969. E já que os japoneses se tornaram experts em motores quatro-em-linha, por que não imitá-los?

 

A versão 2009 da série K é aparentemente igual à versão anterior, mas por dentro são tantas mudanças que seria necessário um romance pra descrever. Poderia começar festejando o que julgo uma mudança de paradigma na BMW. Há décadas comento que só mesmo um alemão poderia criar comandos elétricos tão confusos e anti-ergonômicos. Ligar e desligar piscas, tocar buzina, lampejar o farol era um sufoco para quem tinha apenas cinco dedos em cada mão. Durante muitos anos era esse o principal “defeito” que poderia mencionar em um produto que nasceu para ser o mais próximo da perfeição. Pois bem, agora os comandos elétricos foram padronizados. E agora, como achar um defeito?

 

Os modelos da série K são: K 1300 R, uma espécie de “naked street fighter” (briguenta de rua!); a K 1300 S, que é mais do que uma “R” carenada, porque tem um tiquinho a mais de potência graças ao sistema de indução de ar; e a 1300 GT, sport-touring com muito luxo e potência mais comedida (veja os detalhes nas fichas técnicas).

(O motor está mais "japonês")

 

Para começar, vou me concentrar nas S e R. No motor, a “cilindrada” passou de 1.157 para 1.293 cm3. Uma diferença pequena, mas que deu 8 cv de potência na S e 6 cv na R. Mais importante do que esses oito cavalinhos foi a alteração na faixa de rotação de potência máxima. Ou seja, o piloto sente a maior potência mais cedo! O torque também ficou maior. Para quem não é estudioso do assunto, isso não passa de apenas números de uma ficha técnica. Só que pra quem interpreta ficha técnica com mesmo apetite de quem lê receita de comida percebe qual o objetivo: o motor passou por um processo de “japonização”, para ficar ainda mais parecido com as quatro-em-linha de olhos amendoados. Em suma, as novas BMW K estão com gosto de sashimi de salsichão!

 

No aspecto visual só um observador muito atento percebe as pequenas mudanças nas novas 1300. Uma entrada de ar a mais na GT, mas os modelos R e S são praticamente idênticos à versão 1200. Antes de saber da técnica, saiba como elas andam. A mudança estética mais curiosa foi nos cilindros mestres do freio dianteiro e do bagageiro, feito de um material plástico transparente colorido que lembram as criações do Steve Jobs, criador da Apple.

 

Na pista – Não sei como os assessores de imprensa conseguem dormir antes destes testes. Imagine: reunir 20 jornalistas, alguns com passagem pelas competições oficiais e outros que não perdem a oportunidade de fritar pneus e ralar joelhos nas curvas. Pois foi na Fazenda Capuava, a mais bela pista privada do Brasil, que tivemos a chance de pilotar as três novas versões da série K

(Depois da KTM agora todo mundo quer laranjar!)

Comecei pela “R”. O motor tem realmente um espírito japonês. Sobe de giro muito rápido e responde mais que adolescente! Entrei na pista e fui aumentando a velocidade gradualmente, até criar coragem de testar o ASC, o controle de tração que impede a moto derrapar nas acelerações. Deitei a moto em uma curva de alta e quando estava bem inclinado abri o acelerador com tudo, me preparando pra derrapada de traseira e... nada!

 

O sensor eletrônico na roda traseira lê a rotação e quando ameaça derrapar envia uma informação à central eletrônica que corta as rotações do motor. Na primeira vez é estranho, porque dá pra sentir o pneu traseiro começar a derrapar e de repente o motor passa a “falhar” como se estivesse usando gasolina batizada. Aliás, o Brasil é um país tão católico que até a gasolina é batizada!

 

Gostei do guidão quase reto que permite boa maneabilidade em baixa velocidade sem comprometer a postura em alta velocidade. A falta de carenagem provoca aquele natural esforço para manter a cabeça presa ao pescoço quando a moto passa de 180 km/h. E ela passa... muito! A velocidade final da “R” é divulgada em 265 km/h, algo difícil de agüentar sem a proteção aerodinâmica.

 

Dos três modelos da família K é a que mais me agrada pelo estilo e por ser mais fácil de pilotar na cidade.

 

(continua... qualquer dia!)

 

 

publicado por motite às 19:40
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9 comentários:
De Vinicius Vedovatto a 17 de Julho de 2009 às 21:49
Muito bonita essa BMW
De Joia a 17 de Julho de 2009 às 22:37
Interessante a BM heim Tite, agora segundo corre a boca miúda por ai vc tem acesso a uma F 650 rs, que tal um teste com ela também? é uma boa idéia vai? sem contar que é uma moto no minimo interessante e curiosa, me amarro nas BMW rs

Abraço
De motite a 18 de Julho de 2009 às 01:26
O teste da F 800 já foi publicado aqui mesmo no Motite. Da F 650 eu ainda estou pensando...
De Samuel Scur Paim a 18 de Julho de 2009 às 00:02
Sou um fissurado por BMW, mais das old school, mas assim mesmo me amarro em todas, meu pai tem uma GS 1200. Parabéns pelo texto, hoje mesmo ia comprar a revista com o teste "das K". O linguajar empregado no texto é o máximo, leio sempre que posso e dou boas risadas acumulando informação sobre essa paixão. ahh, tenho 19 anos e tenho uma Falcon, aonde faço meus passeios "Unstoppable" .
De Abrahão a 18 de Julho de 2009 às 07:05
Doc Tite, não sei se é aqui mesmo o espaço para tirar dúvidas, mas aí vão as minhas (se não for, pode apagar e me avisar onde posso fazer as perguntas, ok?).

cara, comprei minha primeira moto há exatos 2 anos, uma honda CG sport 150cc, muito boa por sinal! nesse período fiz com ela 19.000 km e acabei de trocá-la por uma Fazer 250cc, também maravilhosa. Só que comprei ela com o pneu traseiro mais largo, um MT 75 mais largo que o comum (não estou lembrando exatamente a medida dele). Como já o vi escrever muito que não é recomendado colocar um pneu mais largo do que o que vem na moto, eu queria saber se há algum risco para minha segurança por causa disso. Como é minha segunda moto, e ainda estou me adaptando a ela, fico com receio de deitar nas curvas e queria saber se há algum risco em curvas, ou se só perco em potência (já que a moto fica mais "lerda") e economia (já que fica mais bebarrona também).

Outro detalhe da moto é que ela veio com piscas e lanterna traseira em leds. Eles acendem nas cores corretas, em laranja os piscas e vermelho a lanterna. Só que quando apagados, ficam em cor branca (transparente). Como os funcionários do Detran preferem complicar do que explicar, eu lhe pergunto se isso pode me causar problemas quando parar em alguma blitz.

agradeço desde já e mais uma vez meus parabéns por tudo que você faz pelo motociclismo no Brasil!!!

um grande abraço!
De Marco Aurélio a 18 de Julho de 2009 às 19:44
Bom, eu não sou o Tite, mas vou tentar responder à sua dúvida no mesmo estilo Geraldiano de ser...

Jogue esse pneu fora... ou melhor (e mais divertido), faça um borrachão com esse pneu mais largo e compre um outro do tamanho certo. Vc escolhe a marca, mas tem que ser 130/70.

E é bom vc ter medo de deitar na curva, pois o pneu mais largo requer um ângulo de inclinação mais acentuado para chegar no limite da banda. Já o dianteiro nem tanto, portanto, vc vai descobrir o limite do pneu da frente no exato momento em que a moto desaparecer do meio das suas pernas e o chão estiver ralando o seu capacete...
De motite a 19 de Julho de 2009 às 12:48
Abra

Não vai na onda desse doido aí de cima... o cara exagerou!

Olha, sem saber as medidas originais e a nova medida fica difícil responder. Normalmente nessa moto troca-se o pneu 130 por um 140. Se for isso, tranquilo, não é tão grave, só vai gastar mais gasolina e ficar estranha nas curvas, mas qdo gastar vc troca por um 130 de novo. Agora se colocaram um 150 aí vc faz o que o Marco Aurélio escreveu: troca e tenta vender o 150 para algum dono de CB 500.

Quanto aos piscas, a lei diz que a LUZ EMITIDA deve ser amarela, e não a lente!!! se a lente for branca, mas a lâmpada amarela está dentro da lei.

Se algum guarda multar pode recorrer e ainda enquadrá-lo por abuso de autoridade.
De Marco Aurélio a 18 de Julho de 2009 às 19:36
Pô, Tite... o que que tá acontecendo? Tá sem tempo? Sem vontade? É L.E.R? Ou as montadoras não são mais tão legais com vc (se é que um dia já foram...)?

Esses seus testes são muito bons, prazerosos de ler; eu gosto muito de ler suas 'metáforas', suas comparações de moto com objetos impensáveis dentro do mundo das duas rodas... Tava sentindo uma falta dos seus test-ride... (os test-drive são bons também...)

Vamo se dedicar mais a esse teclado aí, vamo...

Abraço,

Marco Aurélio
De motite a 19 de Julho de 2009 às 12:35
Marcão

Se vc depositar 2 mil reais na minha conta todo mês prometo que publico um teste por semana!!! E ainda deixo vc escolher as motos!

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