Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Finalmente: um scooter Honda!

(Simples, fácil de pilotar e versátil. Foto: Caio Mattos)

 

Lead 110, de olho nas cidades
 
Demorou... muito! Mas finalmente a Honda se curvou ao óbvio: precisava oferecer ao mercado um scooter. Lá nos idos de 1985 eu dei um furo fantástico: de passagem por Campos do Jordão peguei uma equipe da Honda pesquisando novos modelos, incluindo uma cub, um scooter e uma moto. Além disso eu era vizinho da HRB (departamento de pesquisa da Honda do Brasil) em São Paulo. Virava-mexia e eu dava de cara com uns senhores engravatados rodando de scooter Honda pelo bairro.
 
Veio a Dream 100, o scooter Spacy 125 e a marca optou por criar um produto novo, nascendo a Biz 100, sucesso de vendas até hoje. Mas a Spacy saiu de cena logo em seguida, afinal 15 anos atrás o mercado de scooter era muito embrionário. Houve até boatos sobre um certo lobby da Honda para reduzir a maioridade legal e permitir habilitação a maiores de 16 anos, mas nunca saiu do papel. Agora, depois de ver a Suzuki nadar de braçada com a Burgman 125, finalmente a Honda decidiu reinvestir no segmento das práticas, versáteis e ágeis scooters.
 
No jargão jornalístico, Lead é o nome que se dá ao primeiro parágrafo. Sabe aquela coisa do “quem, quando, onde e por quê?” que deve atrair o leitor? Então, isso se chama Lead. Agora, se for uma enrolação, como essa que você está lendo, o nome é “nariz de cera”, essa coisa tântrica que dá voltas e nunca chega aos finalmentes. Como a Lead foi lançada junto com a XRE com aquele pára-lama pontudo não resisti a criar a dupla sertaneja: Lead & Nariz de Cera!
 
Como é?
Simples e funcional. Logo de cara gostei do fundo chato. Esse negócio de scooter com túnel central me lembra os Chevettes, aquele carrinho pequeno com um cardã passando pelo meio e atrapalhando as pernas de todo mundo. Scooter de fundo chato facilita o transporte de caixa (sim, já carreguei muita CPU de computador de scooter), dá liberdade para os pés e facilita e sobe-desce. Para fortalecer o chassi e evitar torções, o tanque de gasolina fica sob o piso, cercado por uma estrutura tubular. Dessa forma consegue-se uma boa rigidez, sem recorrer ao túnel central.
 
A mecânica é quatro tempos, arrefecido a líquido com injeção eletrônica. Graças a esse conjunto de tecnologia consegue a potência equivalente de um motor 125, com menor capacidade volumétrica: 9,2 cv a 7.500 rpm com 108 cc. Nada de espantoso, mas a maior qualidade desse motor é o baixíssimo, mas bota íssimo, nível de vibração. O funcionamento do motor é tão “liso” e silencioso que cheguei a ligar o scooter que já estava ligado (dã!). E até eliminaram aqueles pesinhos nas extremidades do guidão, porque quase não se percebe a vibração nas mãos. Ótimo! Dá pra costurar melhor no meio dos carros!
 
Na hora de calçar um scooter os engenheiros devem pirar o cabeçote: qual medida de roda usar? 10, 12 ou 16 polegadas? Dez polegadas (Burgman 125) é pequena e sofre demais nos buracos. Se usar 16 polegadas (Yamaha Neo 115) deixa de ser scooter e vira motoneta. Então a solução é 12 polegadas, porque é maior que 10 (ah vá!) e continua sendo scooter “de raiz”. Só que aí gera um problema: a roda traseira de 12 polegadas complica o espaço de bagagem sob o banco. Então a solução é a receita de rodas assimétricas, como na Biz: 12 polegadas na frente e 10 atrás, afinal a roda que precisa se manter equilibrada é a dianteira!
 
O espaço sob o banco é imenso. Pode comportar dois capacetes, um aberto e um fechado. Também tem um porta luva no escudo frontal e bagageiro. Se eu já fazia compras com meu Suzuki Address 100, imagina com toda essa capacidade do Lead! E aleluia! Para abrir o banco basta pressionar a chave no contato; nada de procurar uma fechadura no escuro!
 
Outra decisão bem bolada é a forma de fixação da roda traseira, com apenas uma porca. Basta soltar a porca e a roda está livre! Quem teve ou tem o Burgman 125 sabe o inferno que é retirar a roda traseira. É preciso retirar o escapamento!!! Só que esse tira e põe escapamento sem conhecimento nem ferramenta adequada acaba causando dois problemas: as cabeças dos parafusos espanam ou o prisioneiro do coletor de escape quebra dentro do cilindro. E o que era para ser uma simples operação de rotina vira um verdadeiro inferno. E mais: experimenta parar um scooter em qualquer loja de pneus pra ver a cara de desespero dos montadores! Com o meu Address 100 eu mesmo tenho de retirar a roda e levar ao borracheiro!
 
Como de costume, o câmbio é automático por polia variável (CVT) e a novidade é um sistema de freio integral meio esquisitão. O freio dianteiro é a disco com acionamento hidráulico. O traseiro é a tambor com acionamento mecânico. Até aí, normal, mas quando o piloto aciona apenas a manete da esquerda (que seria o freio traseiro) ele aciona também o dianteiro. Mas aí vem a engenhoca: todo freio integral que conhecia (em motos) era controlado hidraulicamente, mas nesse um pequeno cabo ligado na manete do freio traseiro puxa o servo do freio dianteiro que aciona o cilindro mestre hidráulico. Entendeu? Bom, basta dizer que funciona e tudo bem. Se usar a manete da direita aciona só o freio dianteiro; se usar a da esquerda aciona os dois freios.
 
Sinceramente, não gostei, se um dia tivesse um Lead uma das primeiras coisas seria eliminar esse sistema. Outra alteração seria instalar um cavalete lateral, porque é um pé no saco ter de colocar o scooter no cavalete central a cada paradinha besta. Aliás, o local para instalar o cavalete lateral já existe e se a Lead tem freio de estacionamento é sinal que foi previsto o “pezinho”, mas então porque raios não tem? Por segurança! Alguns usuários relataram acidentes com scooter estacionado no cavalete lateral, alguém virar o acelerador sem querer e o trem sair andando descontrolado. Tem até um filme no Youtube no qual um adulto desce rapidamente do scooter e deixa o motor ligado com uma criança montada na garupa. O pimpolho decide girar o acelerador e dá pra imaginar a sequência de bagaçada.
 
Mas eu não tenho filhos pequenos, não deixo crianças na garupa nem dentro de carros ligados e sinto falta de cavalete lateral em scooters! Deveria ser oferecido como opcional.
 
Bom é o farol com lâmpada de 35W (como em motos médias) e o farol vira com o guidão. Gostei da capacidade do tanque de gasolina (6,5 litros) que evita aquela encheção de saco de abastecer a cada dois dias!
 
Mias fotos, ficha técnica, cores e preços no link: http://www.honda.com.br/web/index.asp?pp=noticias&ps=noticia&ps2=motos&id=1709
 

 

 

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publicado por motite às 14:28
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