Sábado, 6 de Junho de 2009

XRE tudo novo!

(estilo moderno que lembra as BMW F 800)

 

Nem Tornado, nem Falcon: XRE 300

 
De uma tacada só a Honda tirou dois modelos de produção e introduziu um novo conceito. A palavra da moda é Adventure, “aventura” em inglês (não diga?), que está em qualquer novo produto. Tudo é adventure: de bicicleta a carros urbanos; de escova de dente a cartão de crédito. Parece que o mundo que descobriu o marketing da aventura, embora essas empresas raramente invistam nos eventos relacionados à aventura.
 
O que inicialmente chama a atenção na XRE 300 é o desenho que reflete a tendência de “urban-adventure-almost-off-road-pero-no-mucho”! Etendeu? É mais ou menos como um chuchu: afinal, é legume, verdura ou fruto? Ou as três coisas? Uma moto com aro dianteiro de 21 polegadas é off-road. Mas o pára-lama rente ao pneu é urbana! O guidão largo com cross-bar é off-road, mas o farol fixo no quadro é urbana! Sacou, sacou? O banco é largo como em uma Falcon, mas o curso das suspensões está mais para a Tornado. Em suma, é um produto totalmente novo, que mistura off-road com urbana e o resultado é uma moto pequena, versátil e... deliciosa!
 
Muita gente acha que só porque corri de motovelocidade e ministro cursos de pilotagem on-road sou um fã das motos esportivas. Engano, porque minha praia sempre foi mais o fora-de-estrada. Disputei enduros e ralis por 10 anos e motovelocidade por apenas quatro anos. Daí minha preferência por motos on-off. Mas não é por isso que achei a XRE bem mais interessante do que a CB 300; é porque montado em uma moto de caráter mais off o motor de 291,6 cc me pareceu mais esperto e respondão.
 
Quando meu colega, o jornalista Laner Azevedo, da revista Moto Max, desceu da XRE estava todo sujo de terra, mas com um sorriso de orelha a orelha. Dada as dimensões daquela cabeça, percebe-se que se trata de um sorriso gigantesco! Ele falou “Pô, meu, dá pra encostar as pedaleiras nas curvas!”. Pelo que conheço do Laner sei que isso significa... a moto faz curva pra caramba!
 
Como eu estava limpinho demais – e com preguiça de vestir a parafernália off-road – decidi rodar com a XRE apenas no asfalto. Karaka! O Laner tem razão: a moto é muito mais divertida do que a CB 300! Pra começar, ela tem freio traseiro a disco e abusei do direito de derrapar e fazer as curvas no estilo motard. Delícia pura! O motor ganhou 2,8 cv em relação à Tornado. Como resultado ficou muito esperto em retomada e saída de curva. Para quem torce no nariz diante de um duplo comando de quatro válvulas, pela tradicional falta de resposta em baixa rotação, pode se preparar, porque a injeção eletrônica deu outra pegada ao motor. É só cutucar e ele responde!
 
A posição de pilotagem foi levemente alterada em relação à Tornado. Ficou mais baixa e não existe mais aquela regulagem de altura (que sempre achei uma bobagem), porém o banco mais largo exige manter as pernas mais abertas, o que reflete em dificuldade pros baixinhos. Mas esse papo de moto baixa ou alta é só questão de costume.
 
O painel ficou mais simples e ganhou um conta-giros digital de difícil visualização. Confesso que acho outra bobagem conta-giros neste tipo de moto. Normalmente os usuários querem o tacômetro só pela frescura de falar “ó, minha moto tem conta-giros”, mas a maioria nem sabe pra que serve! Aposto que esses mesmos usuários têm conta-giros nos carros e nunca deram atenção pra eles! E para acabar com mais uma choradeira, daqueles que reclamam da mangueira de freio passando pela frente do painel, agora a mangueira mudou, mas ficou engruvinhada na altura da bengala esquerda. Na minha opinião, ficou pior, porque agora pode enroscar em algum galho no fora-de-estrada de verdade. Como sou um off-roader meio psicótico, não gosto de nada saliente na moto porque já vivi situações desesperadoras de ver um varão de freio ser arrancado por um galho!
 
(painel com conta-giros)
 
Nestas horas, quando vejo uma fábrica se curvar diante das pesquisas de mercado e das clínicas fico preocupado, porque maioria nunca foi sinal de sabedoria. Eu preferia ter a mangueira passando por cima do painel, mas longe de enganchar em qualquer obstáculo! Como de hábito, na “minha” eventual XRE eu começaria rapando fora esse guidão e colocando um sem cross-bar (aquela barra horrorosa que serve pra reforçar o guidão). Pelo menos não tem mais os pesos nas extremidades do guidão.
 
Ótimo o bagageiro, com capacidade para sete quilos!!! É mais do que muita moto maior! Também gostei da capa protetora do escapamento. E gostei muitíssimo mais mesmo do novo farol, com lâmpada de 60/55W. Você não tem idéia do sufoco que passei de Tornado em uma viagem à noite, entre Natal e Maceió. Foi a única vez na minha vida de motociclista que refuguei e pedi carona a um motorista de picape porque não conseguia enxergar nicas de pitibiriba! Pra piorar estava chovendo e a estrada não tinha as faixas demarcatórias. Enfim, amarelei! Agora com esse farol acho que daria pra encarar.
 
O desenho ficou bem atual, bonito e já começaram as piadas: uns chamam de mosquito da dengue, outros comparam com a Suzuki DR 800 (a primeira a usar o duplo pára-lama dianteiro), mas eu achei que ficou mais parecida com as BMW F 650/800. Nada contra, pelo contrário, um projeto que nasceu para substituir dois produtos com seguidores fiéis não poderia ser diferente. 
 
A opção por um estilo mais estradeiro/urbano fez com que a XRE se afastasse da CRF 230 (modelo off-road). Agora quem quiser uma Honda fora de estrada terá de optar pela 230. Só estranhei a opção pelo mesmo pneu da Tornado. Ele é muito eficiente no fora de estrada. Eu acompanhei os pilotos em um rali no Pantanal e fiquei impressionado com o desempenho dos pneus em diferentes situações (areia, terra, lama), mas é excessivamente barulhento no asfalto. Outra alteração na “minha” XRE seria trocar esse pneu por outro de especificação mais on-road.
 
Quando tiver a oportunidade de fazer um teste mais completo eu conto mais! Por ora é só.
 
Ficha técnica, fotos e preço no link: http://www.honda.com.br/web/index.asp?pp=noticias&ps=noticia&ps2=motos&id=1708

 

 

 

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publicado por motite às 00:13
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28 comentários:
De ZANINI a 8 de Junho de 2009 às 19:10
Simplesmente linda... Já é a moto dos meus sonhos!!!
De Fe Pressinott a 8 de Junho de 2009 às 21:48
Tô ficando repetitiva, mas realmente tenho que dizer que seus textos são ótimos (e, de novo, engraçadíssimos).
De Carlos a 9 de Junho de 2009 às 10:35
Ae Tite ,fala serio 250 tem que ser pelo menos bi cilindrica certo,porque a Honda nao usou o motor da CBX250 daki (eu moro no Japao)ou da VTR250 antiga .O Brasil vende muita moto e a Honda faz cada coisa,qual a sua opniao?Blz saude e Paz
De Eduardo a 9 de Junho de 2009 às 12:57
Tite. aliás o chuchu (Sechium edule) é uma hortaliça fruto ou seja, um vegetal da categoria dos frutos; também é conhecido como machucho ou caiota (Açores).
Apesar de ser uma hortaliça ou seja, poder ser cultivada na horta caseira, é considerada um fruto, tal como o tomate (devido ao fato de suas sementes estarem dentro, envolvidas pela parte comestível). Sua origem é atribuída à América Central em países como Costa Rica e Panamá.
Segundos alguns historiadores essa hortaliça fruto já era cultivada no Caribe à época do descobrimento da América.Trepadeira herbácea, da família das cucurbitáceas.
Destaca-se por ser uma fonte de potássio e fornecer vitaminas A e C. O chuchu é uma Cucurbitácea, tal como o pepino, as abóboras, o melão e a melancia.
Do chuchu nada é desperdiçado, podemos consumir as folhas, brotos e raízes da planta, depois de devidamente lavados. Os brotos refogados são ricos em vitaminas B e C e sais minerais como cálcio, fósforo e ferro.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Chuchu

Motite tbm é cultura hehehe
De motite a 9 de Junho de 2009 às 18:50
Carlos
Brasil não é Japão e brasileiro não é japonês, por isso o que funciona aí nem sempre funciona aqui. Uma 250cc de dois cilindros vende no Japão pq é muito caro ter motos acima d 400cc, então as 250 são fodonas. Aqui custaria mais e renderia menos...

Edu, obrigado pela aula boa pra chuchu!
De Myller a 9 de Junho de 2009 às 23:38
Tite, vc escreve pro BCWS tb agora?!?!! Se não copiaram seu texto! (Ou vc vendeu, sei lá!) Vlw!
De motite a 10 de Junho de 2009 às 14:34
De vez em quando o Fabrício Samaha (meu velho amigo) me pede um texto e eu mando pra ele! É uma gentileza que ele retribui divulgando meus cursos e palestras.
De Felipe a 10 de Junho de 2009 às 16:26
opa!!

Seria interessante uma comparaçãozinha entre as XTZ's da Yamaha! Será que rola?

Abraço!
De joia a 10 de Junho de 2009 às 18:07
Verdade heim Tite, um comparativo com a Lander não seria ruim! quem sabe você e o Leandro Melo apavorando as motocas e comentanto pra nós do que elas são capazes, já imagino até o começo do texto, asfalto, terra, areia e chuva claro já que estava com o Leandro rs

ps. Tite você poderia responder um comentario meu nem que seja pra me mandar catar coquinho, já estou desenvolvendo complexo, desde a época do motonline você nunca responde rs
Abraço
De nelson maceió a 10 de Junho de 2009 às 20:01
Cara gopstei muito da matéria, ja tive uma Yes e agora possuo uma twister, fiquei com contade de mudar de estilo, ir pra uma moto "Mixta" quando li sua matéria e vi as fotos em alta definicão dessa nova XRE300.
Parabens.
De philipe a 11 de Junho de 2009 às 04:03
Tio tite, gostei demais dessa xre pois adoro o estilo das big trail adventure. Tens alguma noticia da xt660z no Brasil ? Será que ainda está nos planos da yamaha ? Vou de xre por enquanto mas espero ansiosamente a nova tenere !!!

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