Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Lêndeas - City Bike

 

(Uma pequena solução para um grande problema. Ai, ai, eu também já usei meias brancas com mocassin! Foto:Mário Bock)

 

Mais uma do fundo do baú: Se imaginarmos que este artigo foi escrito em 1991, quando o mercado brasileiro de motos não chegou nem a 100.000 unidades produzidas ao ano, podemos chamar esta mini-scooter de visionária. Quase 18 anos depois o trânsito ficou ainda pior, os meios de transporte mais cheios e as opções de transporte limitam-se a veículos motorizados ou às bicicletas.
 
Essa mini-moto criada pela Benelli poderia ser uma solução viável atualmente, principalmente se fosse movida a álcool (basta uma garrafinha de álcool de farmácia para rodar 30 km) ou mesmo um motor elétrico. Eu lembro bem desta avaliação porque fiz questão de colocar a City-Bike no porta-malas do Gol do Mário Bock e fomos pro centro. Lá, deixamos o carro em um estacionamento afastado da área central e ele foi na minha garupa! Um desempenho surpreendente para o motorzinho quase estacionário.
 
Na minha última viagem à Europa vi vários tipos de mini-motos para facilitar a trânsito na cidades mais antigas e que não permitem acesso de automóveis. Agora com a idéia (insana, claro) de se cobrar pedágio para circular na área central de São Paulo, esse veículo pode ser uma solução simples, rápida, eficiente e econômica!
 
Boa leitura!
 
Lêndeas – City Bike*
 
Um mini-ciclomotor importado que cabe no porta-malas do carro e faz até 50 km/litro de gasolina.
 
Um automóvel Gol segue vagarosamente em direção ao centro de São Paulo (SP). O trânsito está caótico. Motoristas irritados bu­zinam impacientes. O jeito é estacionar o carro em lugar seguro, abrir o porta-malas, retirar de lá um pequeno ciclomotor e sair com ele em meio aos carros parados, afinal, não há tempo a perder. E lá se vai o executivo para chegar pontualmente a uma importante reunião. Graças ao Benelli City Bi­ke, um veículo feito exatamente para isso: aju­dar quem precisa se movimentar rapidamente em meio ao sufoco do tráfego no centro das grandes metrópoles.
 
Nada mais conveniente poderia ter acontecido para mostrar a praticidade do City Bike, que foi criado em 1960 pela Benelli como o primei­ro veículo portátil para uso urbano. Produzido até hoje, esse mini ciclomotor é leve, ágil e dobrável. Chegou ao Brasil (via importação) através da Italbrás, representante exclusiva no Brasil do Grupo GMB italiano, que fabrica mo­tos e ciclomotores Guzzi e Benelli.
 
(tão pequena e leve que pode estacionar em qualquer lugar! Foto:Mário Bock)
 
O pequeno ciclomotor tem motor dois tem­pos de 49cc, conta com partida por pedal (do lado esquerdo e bastante eficiente) e é capaz de transportar um adulto sem muita dificul­dades. Em superfície plana chega a desenvol­ver a velocidade máxima de cerca de 40 km/h (dados do fabricante). Não tem painel de ins­trumentos (portanto, sem velocímetro) e seu úni­co “luxo” é poder ser dotado de piscas, um acessório opcional - o modelo avaliado não
tinha.
 
Com razoável desempenho no plano, nas su­bidas ele sente a falta de pelo menos uma mar­cha mais reduzida. Existe, no entanto, uma ala­vanca no punho esquerdo (abaixo da alavan­ca do freio traseiro) que tem a finalidade de aumentar o seu torque.
 
Divertido e econômico
Cortando todos aqueles carros engarrafa­dos, chega-se então ao centro de São Paulo (SP). Logo nas primeiras voltas é possível per­ceber o quanto o City Bike chama atenção. Faz logo o maior sucesso entre os pedestres, adultos e principalmente crianças. Querem saber de on­de vem, quanto custa, entre várias outras per­guntas.
 
Alcançada uma rua mais calma, chega a ho­ra de forçá-lo em uma curva mais fechada. Descobre-se então que estabilidade não é sua grande virtude. Sua única vantagem, nesse sen­tido, é ter o centro de gravidade baixo, facilitan­do o equilíbrio, já que sua estabilidade é ruim. A explicação para isso são as rodas superpequenas de 5 polegadas, que não ins­piram muita confiança.
 
Mas ninguém deve exigir muito do City Bike. Ele não foi projetado para ser uma maravilha ci­c1ística. O que deve ser levado em conta é a pra­ticidade, a versatilidade e a economia: cabe na maioria dos porta-malas dos carros nacionais, pode ser usado para lazer e pequenos deslo­camentos e faz 50 km/litro (segundo o fabrican­te). Com isso, seu pequeno tanque de 2,3 litros proporciona uma autonomia média de 115 km. O óleo dois tempos é misturado à proporção de 4% diretamente à gasolina.
 
(Alavanca do torque: quando aciona dá mais força! foto: M. Bock)
 
Mas se a estabilidade é o ponto fraco, os freios a tambor são tão eficientes que nas primeiras frenagens é comum o piloto se assustar. Ao le­ve toque nas manetes o City Bike pára imediatamente. E dentro do seu conceito de simplicidade, não há suspensão traseira. O banco lar­go, feito em borracha bem mole tem molas em­baixo, como nas bicicletas, o que já é suficien­te para absorver os solavancos.
 
A suspensão dianteira tem amortecedores hi­dráulicos e os pneuzinhos são de 3.5 x 5 po­legadas, com calibragem de 23 libras na dian­teira e 26 na traseira. Ela ainda tem farol, lan­terna traseira e uma trava antifurto com chave, no lado esquerdo, perto do tanque.
 
Valente
Para testar a valentia do pequeno veículo, houve até um passeio pelo centro da cidade com o piloto de testes levando o fotógrafo em pé sobre o pequeno baga­geiro, totalizando 127 kg de carga. O picco1o Benelli suportou a carga nas subidas mais leves, bastando para isso pegar um cer­to embalo, manter a velocidade e torcer para que ninguém parasse à frente e se depender da buzina para alertar alguém, é melhor gritar, pois ela é fraca e quase não se ouve.
 
Terminada a avaliação, a sensação é de que o City Bike é eficiente para o que se propõe, ou seja, opção de transporte para percursos cur­tos, lazer na praia ou campo, sem grandes as­pirações. Durante a tentativa de rodar com ele em uma avenida movimentada a experiência se tornou apavorante. Caminhões e ônibus passan­do ameaçadoramente pelos lados e carros bu­zinando atrás, coisas nada agradáveis. Por is­so, a recomendação aos usuários do City Bike (crianças principalmente) é evitar grandes ave­nidas ou ruas movimentadas.
 
(Não precisa ferramentas para dobrar e montar. Foto: M. Bock)
 
Ao preço de Cr$ 300 mil (segunda semana de abril), o City Bike está na mesma faixa de cus­to dos ciclomotores nacionais. Por ser bastan­te pequeno, não chegou a incomodar nem mes­mo quando rodou em uma área restrita a pedestres - os chamados calçadões - e ne­nhum policial impediu sua passagem.
 
É claro que se os calçadões forem invadidos pelos City Bike talvez a reação seja diferente. Mas ele pareceu ser bem aceito na agitação ur­bana de uma cidade como São Paulo, afinal, quem o projetou, 30 anos atrás, sabia que o caos no trânsito iria dominar o centro das grandes metrópoles.
 
Já para o porta-malas
Com apenas 36 kg de peso (a seco), o City Bi­ke é fácil de transportar. Para colocá-la no porta-­malas é preciso seguir um pequeno ritual: 1) Man­ter o motor ligado com a torneira do combustível fechada até esvaziar a cuba do carburador; 2) Sol­tar a dobradiça do guidão (uma tipo borboleta na base) e as alavancas do meio (do guidão) e do banco (na base); 3) Fechar os respiros do tanque de gasolina e do reservatório de óleo de câmbio girando as válvulas de segurança.
 
(É um Gol Kinder-Ovo: vem com uma supresa dentro! Foto: M.Bock)
 
Depois, para usá-la, é preciso fazer o procedi­mento inverso. Tanto o guidão como o banco têm regulagem de altura, como as bicicletas. Deve-se tomar cuidado para apertar bem as alavancas e a dobradiça do guidão para evitar que, com a vi­bração do veículo, elas se afrouxem.
 
(antes de colocar no porta-malas é preciso fechar os respiros. foto: M.Bock)
 
Ficha técnica
MOTOR: Tipo - monocilíndrico doís tempos, refrigerado a ar.
Cilindrada. 49cc.
Diâmetro e Curso 40x39mm.
Taxa de compressão: 7,9:1.
Alimentação - gasolina e óleo dois tempos em proporção de 4%, carburador Del/'Orlo SHA 14-9, com afogador de retorno automático; venturi de 9mm.
Ignição: eletrônica
TRANSMISSÃO:
Tipo - au­tomálica centrífuga, uma velocidade.
Partida: a pedal.
Transmissão primária: engrenagem.
Transmissão se­cundária: por corrente.
ESTRUTURA: Quadro - tubular.
Suspensão Dianteira - garfo telescópico.
Rodas: dianteira e traseira de 5".
Pneus: dianteiro e traseíro 3.50x5".
Freios: a tambor. Sistema elétrico: 6V·20W.
Ca­pacidade do tanque de gasolina: 2,3 litros, incluindo re­serva. Consumo (segundo fabricante) 50 km/litro.
Peso seco. 36 kg.
 
publicado por motite às 18:45
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2 comentários:
De Jo a 8 de Novembro de 2008 às 01:27
Na verdade, a idéia é bem similar aos "Walk Machine" vendidos por aqui, mas nos "Walk Machine" o banco era opcional, e a coisa parecia mais um patinete com motor... :)
De Clarissa a 26 de Novembro de 2008 às 23:42
Eu quero uma moto dessas, onde tem pra comprar?
Pleeeeeeeaaaaaaaaase, eu precisoooooo!!!

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