Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Lêndeas do Motociclismo: Jawa 350

(Painel com conta-giros!!! Foto: Mario Bock)

 
 
Corria o ano santo de 1995 quando fui editor da revista Duas Rodas, assessorado pelo meu amigo Edson Perin. O mercado abria-se e chegavam as mais avançadas motos, mas também chegavam trolhas de dar medo. Você já conheceu a Minsk 125 (http://motite.blogs.sapo.pt/20504.html) e agora chegou a vez de uma preciosidade do leste europeu: a Jawa 350 Chopper. A marca Jawa é um mito e eu aprendi a gostar desse nome porque foi a última moto do meu avô e que deu origem à saga motociclística da família. Note que já vivíamos na mesma moeda! Por curiosidade, só foram vendidas 20 destas motos no Brasil e hoje um exemplar pode ser vendido por R$ 8.000!!! Claro, para algum colecionador de lêndeas! Divirta-se!
 
 
Jawa 350 Chopper* (por Edson Perin)
Resistência e durabilidade são os principais argumentos da Jawa 350, um modelo custom de estilo clássico.
 
Tanque cromado, estilo custom, muito brilho. Tudo isso em uma Jawa 350 que lembra as clássi­cas dos anos 60. Porém, essa Jawa é 1995 e representa a volta da marca ao Brasil. Símbolo de resistência mecâni­ca nos anos 50 e 60, a Jawa foi uma espécie de CG 125 daquela época. Mas as mudanças geopolíticas ocorri­das no Leste Europeu fizeram a marca desembarcar novamente em muitos países do ocidente.
 
Apesar da divisão da antiga Tchecoslováquia em República Tcheca e Eslovênia, após o fim da União Soviética (1988), a Jawa conti­nuou a fabricar suas motos. Mas as mudanças políticas e econômicas da República Tcheca obrigaram a fábrica a se preparar para um novo contexto e a incrementar suas exportações. No Brasil, a representação da marca ficou com a importadora carioca Yuromoto Ltda, que já está trazendo o modelo Jawa 350 Chopper, uma custom estradeira com motor bicilíndrico, dois tempos, de 350cc.
 
(cromado por todo lado...)
 
Para comercializar as Jawa em mer­cados competitivos e concorrendo com produtos de tecnologia bem mais avançada, a fábrica tcheca argumenta que seus produtos têm resistência e durabilidade acima da média. E a Jawa 350 Chopper parece seguir esses princípios.
 
O charme desse modelo é o visual antiquado, que faz a Jawa Chopper parecer uma moto clássica, um modelo de pelo menos 30 anos. A quase ine­xistência de peças plásticas também faz a Chopper parecer diferente dos modelos atuais e revela a preocupação com resistência, embora isto acabe refletindo em aumento do peso total da moto (l47kg, a seco). Muitas peças são cromadas, o acabamento é bom e a aparência robusta. Mas não se deve esperar um acabamento luxuoso, que não faz parte da filosofia rústica dos veículos do Leste Europeu.
 
Na hora de colocar a moto em fun­cionamento surgem algumas surpresas. As chaves, por exemplo, são longas e sem ranhuras, o que permite que a chave de uma Jawa Chopper ligue outra sem grandes dificuldades. A maneira de acionar o contato também é diferente: a chave tem de ser empurrada e girada, como se fazia nas BMW dos anos 50.
 
Além disso, a chave gira em três estágios. O primeiro permite ligar o motor, sem acender o farol. O segundo acende a lanterna e o terceiro liga o farol. A opção de luz alta ou baixa é comandada por outro botão, no punho esquerdo.
 
Encontrar a torneira de gasolina também é um exercício de criatividade e, acima de tudo, adivinhação. O "esconderijo" fica atrás da capa plásti­ca em forma de cone, que abriga a buzina debaixo do tanque de gasolina. A torneira pode ser movimentada pelo pequeno vão de acesso, mas é quase impossível de ser vista.
 
Dois em um
A partida da Jawa 350 Chopper é a pedal, com uma solução inédita: o pedal de câmbio também funciona como pedal de partida. Deve-se pres­sionar e levantar a alavanca de câmbio para que ela se transforme num dife­rente pedal de partida, do lado esquerdo do motor. Ou seja, o mesmo pedal tem duas funções. Outra solução bastante anti-convencional foi adotada para posicionar o afogador, que é uma pequena trava situada logo acima do carburador.
 
Depois de descobrir todos esses macetes e, afinal, ligar o motor, é só levantar o cavalete lateral ou o central e sair. A vibração não chega a ser forte como se esperaria de um motor dois    tempos e dois cilindros. O ruído do motor em marcha lenta lembra uma cavalaria em trote, pronta para o galope. Quando o motor está esquentando, o escapamento solta uma fumaça espessa que demora um pouco para diminuir - um efeito típico de alguns motores dois tempos com mistura de óleo direta no tanque, (nesse caso, na proporção de 50:1).
 
O banco é confortável, bem largo e macio, e a posição de pilotagem agradável para quem tem pouca pressa e muita vontade de curtir a paisagem. O guidão alto ajuda a manter uma postura ereta e ao mesmo tempo rela­xante. E para o garupa o conforto é ainda maior devido ao encosto do banco.
 
O que prejudica o conforto é a sus­pensão um pouco dura. Na dianteira é formada por garfo telescópico e na tra­seira é por dois amortecedores e molas convencionais sem regulagens.
 
A moto avaliada estava com a "embreagem colada" (a manete não voltava natural­mente), talvez por falta de amaciamen­to. O problema dificultava as trocas de marcha. O câmbio de quatro marchas também tem um truque: além do ponto morto, entre a primeira e a segunda marchas, há outro neutro entre a ter­ceira e a quarta. As relações de câmbio são alongadas, o que evidencia e favorece o uso estradeiro.
 
O desempenho foi avaliado com dificuldade já que a moto não estava perfeitamente regulada. Apesar disso, a Jawa Chopper mostrou bom torque e, segundo o fabricante, atinge cerca de 120km/h de velocidade máxima. Os freios são bons e respondem bem às solicitações. O dianteiro tem um disco de 265 mm e o traseiro é a tambor. No painel, além do velocímetro, há conta­giros, hodômetro total e luzes espia (ignição, ponto neutro, luz alta e pis­cas). A tampa de gasolina abre sem chave e o reservatório do óleo do câm­bio fica na tampa lateral esquerda.
 
Como a Jawa 350 Chopper não é exatamente um produto com um índice elevado de atualização tecnológica, apesar da grande resistência, o preço de R$ 6.200,00 (no Rio de Janeiro-RJ) acaba sendo pouco convidativo.  
 
Espera-se que com a redução da alíquota de importação em abril de 96 esse preço possa cair um pouco. Mas para quem quer uma exclusividade, com estilo dos anos 60, a opção é váli­da.
 
Ficha Técnica
Motor
Tipo - bicilíndrico, dois tempos, refrigerado a ar
Diâmetro X curso - nd
Cílindrada total - 350cc
Potência máxima - 23cv
Torque máximo - nd
Alimentação - um carburador
Taxa de compressão: 9,8: 1
Quadro - tubular de berço duplo, com motor apoiado.
Suspensõo dianteira - garfo telescópico
Suspensão traseira - amortecedor normal duplo
Comprimento – 2.100 mm
Altura – 1.170 mm
Largura - 788mm
Distância ao solo - 115mm
Altura da banca ao solo - 715mm
Peso - 147kg (seco)
Ignição - transistorizada
Partida - a pedal
 
+          +          +
* Publicado originalmente em outubro de 1996. Texto: Edson Perin.
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publicado por motite às 19:22
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2 comentários:
De Jo a 30 de Outubro de 2008 às 23:33
2 cilindros, 2 tempos e só 23cv ? Nem copia chinesa é tão fraquinha assim... heheheh

Que engronha braba, hein? Tanque de combustível com a tampa sem chave, chave sem ranhuras, olha, realmente é mais uma lêndea do motociclismo... :)

Um abraço!
De Thiago Mariano a 30 de Outubro de 2008 às 23:41
Eu hein...

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