Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

A difícil segurança no verão

(Como fritar uma namorada: 1. Deixe ela vestir uma roupinha arejada. 2) faça uma curva radical uhuu para se exibir aos amigos. 3) passe em cima da faixa amarela e leve um tombaço. Se ela voltar a dar pra você é uma imbecil de primeira grandeza!)

 

Entre o equipamento completo de segurança e nenhum existe o meio termo que torna mais segura e agradável a pilotagem no verão
 
Está chegando a estação do ano mais perigosa para os motociclistas e justamente a mais gos­tosa para passear. O verão chegou e com aquele calor de 40ºC à sombra, chuvas torrenciais súbitas, viagens de fim-de-semana, passeios à beira mar de short e sandália, gatinha na garupa de blusa de alçinha, biquíni fio dental, sandália de dedo, surfista/motociclista equilibrando a prancha etc e tal. Aí vem aquela tradicional per­gunta anual: o que fazer com a segurança du­rante o verão?
 
A mesma coisa que no inverno, só que mais arejado. É claro que não fica bem recomendar o uso de botas de cano longo, luvas de couro e casaco de couro apenas para um passeio à beira-mar, mas pode-se conseguir um bom meio­termo para garantir alguma segurança na épo­ca mais quente do ano.
 
Até pouco tempo atrás, os motociclistas eram obrigados a ter dois tipos de equipamentos de segurança: um para o calor e ou­tro para o frio. Hoje em dia, com novos materiais e tecnologia mais moderna os equipamentos são compatíveis com as quatro estações do ano. Mesmo assim, para os motociclistas mais tradicionais, nada impede ter dois tipos de equipamento, nas versões inverno glacial e verão saariano.
 
A começar pelo capacete. Todo bom capacete tem sistema de ventilação e forro lavável. Mesmo com calor infernal eu prefiro usar capacete fechado, com óculos escuros por baixo e deixo a viseira levemente aberta. Não gosto de usar capacetes abertos, nem aqueles de cross, com “queixeira” porque na hora de chuva de verão os pingos batem na pele como se fossem agulhas!
 
Todo mundo sabe que o capacete aberto oferece menos proteção do que o integral, mas para algumas situações ele aju­da a refrescar, sempre acompanhado de óculos de proteção. Infelizmente os burocratas que fazem as leis obrigam o uso de óculos “de segurança” que na cabeça deles são aqueles sofisticados (e caros) óculos de motocross. Um bom óculos escuro de ciclismo (ou surfe) oferece a mesma segurança, custa menos e pode ser usado fora da moto.
 
As novas luvas de motocross e enduro são feitas de material muito resistente, com proteções de plástico ou kevlar na parte superior, contam com velcro para fechar no punho e – melhor da festa – têm orifícios para ventilação.
 
Nas pernas é mais difícil encontrar material leve e resistente. Quando rodo na cidade uso o velho e bom jeans, mas na estrada tenho usado calça ventilada de poliéster (popular e erroneamente chamada de Cordura). Este tipo de calça é mais versátil porque serve como proteção e tanto faz o clima, porque chova ou faça sol ela tem uma boa troca de calor. O importante é não rodar de bermudas ou shorts, tanto pela evidente exposição da pele ao atrito com asfalto quanto à proteção contra as queimaduras de sol ou em contato com as partes quentes do motor. Pior ainda para as namoradas, que podem ficar eternamente com uma macha na perna, sem falar em outras conseqüências mais doloridas para você!
 
Os novos casacos de poliéster também mudaram muito. Hoje já se encontram no mercado produtos que oferecem forro impermeável removível e até áreas ventiladas com pequenos orifícios. Ontem fui a um lançamento da SBK que achei muito interessante: uma jaqueta chamada Bali, com ventilação e uma capa removível que pode ser guardada em uma pequena bolsa nas costas do casaco. É um tipo de sistema que eu chamaria de “marzupial”, porque leva dentro da bolsa que nem um canguru!
 
Eu me sinto desconfortável quando a pele fica em contato direto com o tecido de qualquer desses casacos. Por isso uso uma camiseta de manga comprida dessas de cross (aliás, como se viu, o equipamento de fora-de-estrada é muito útil no calor). Quando chego na praia e quero dar um rolê de moto sob o sol uso essas camisas de cross porque são ventiladas e protegem do sol. Já vi motociclistas com queimaduras graves porque estavam rodando de camiseta regata sob um sol causticante. E passar protetor solar para rodar de moto é uma meleca das grossas. Com a moto em movimento o motociclista não percebe o calor, mas basta pôr a mão no capacete ou no tanque de gasolina para sentir como está sua pele. Essa exposição pode até levar a uma desidratação.
 
Falando em desidratação, é bom ingerir mais líquido do que o normal. Melhor ainda é o suco de frutas, ou a fruta na sua forma original, e evi­tar comidas pesadas, gordurosas ou de difícil di­gestão. E por mais difícil que possa ser, não abu­se das cervejas estupidamente geladas. Deixe-­as para quando estiver na praia, com a moto des­ligada, em boa companhia, com camarões fritos etc, etc.
 
Outra dica é proteger o pescoço. Apesar de achar a coisa mais cafona do mundo, uso uma bandana enrolada no pescoço para não fritar minha nuca. Ou então recorto a manga curta de uma velha camiseta e coloco pela cabeça como se fosse uma gola postiça. É horrível, mas funciona muito bem na estrada.
 
A parte mais difícil são os pés. Os tênis são frágeis e facilmente arrancados quando o motociclista rola pelo chão. Uma bota de couro é simplesmente infernal! A solução pode estar naqueles tipos de tênis de cano alto específico para caminhada. Eu tenho um par que uso nos dias quentes e são bem ventilados. Como têm cano alto eles não saem do pé quando o motociclista é centrifugado. 
 
A moto no calor
As motos nacionais foram projetadas para su­portar as altas temperaturas tropicais, mas vale lembrar algumas possíveis alterações que a moto pode sofrer com o calor. Os óleos lubrificantes recomendados pelos fabricantes são suficientes para rodar em qualquer região do País, mas quem for utilizar a moto sob um regime elevado de rotação, em uma região predominantemente seca e quente, pode efetuar as trocas com mais freqüência, apenas para garantir a lubrificação. E usar um óleo de especificação W (winter) maior, como o 20W50, por exemplo.
 
Com relação à calibragem dos pneus, também deve-se seguir as recomendações do fabrican­te, apenas tomando o cuidado de sempre cali­brar com os pneus frios, já que o atrito com o asfalto quente faz o ar da câmara (ou do pneu) expandir, aumentando a calibragem. Ao se calibrar com os pneus quentes é normal apresentar duas ou mais libras. Jamais deve-se "sangrar" esta pres­são excedente, porque o pneu vai aumentar sua área de contato com o solo, sofrerá mais atrito e a ar da vai se expandir mais ainda, su­perando aquelas duas libras "sangradas". Quem tiver acesso pode calibrar com nitrogênio porque é um gás isento de água e sofre menos a ação da temperatura, além de ser mais leve que o ar.
 
Nas viagens longas, o motociclista que utilizar motos arrefecidas a água deve ficar atento ao termômetro da líquido. Também verifique se está no período de troca do líquido de arrefecimento e complete com a quantidade de etileno-glicol recomendada. E um recado especial para os pro­prietários de motos refrigeradas a ar com care­nagem integral: nos centros urbanos, com trân­sito lento, a carenagem dificulta a irradiação do calor e deve-se evitar ficar muito tempo com a moto parada e o motor ligado. Isso vale também para os paqueradores de sábado à noite, que rodam em baixa velocidade por longos períodos.
 
Moto ou camelo?
Verão é um convite a viajar e de preferência acompanhado. Aí volta o velho problema: onde colocar a bagagem de dois adultos, mais a bar­raca, panelas, saco de dormir e ainda sobrar es­paço para os viajantes? As motos, de fato, têm menos espaço para transportar bagagem, então a solução está na criatividade de cada um, mas sem deixar de lado a questão da segurança.
 
Para guardar as roupas a melhor opção são as bolsas laterais, tipo a1forje, lembrando de em­brulhar as roupas em sacos plásticos para não molhar em caso de chuvas de verão. Ou ainda as malas de plástico, mais práticas e protetoras. Em ci­ma do tanque de gasolina, devidamente prote­gido por uma capa, pode ser presa uma pequena bolsa específica. Motociclista e garupa po­dem carregar uma mochila, desde que não atrapalhe os movimentos, nem provoque desconforto.
 
Para prender esta bagagem toda na moto, não inventaram nada melhor do que os esticadores (ou aranha). Tudo deve estar bem preso para evitar que os automóveis que venham atrás sejam obrigados a desviar de cuecas voadoras, pane­las saltitantes ou barracas agressivas.
 
É só uma chuvinha de verão
A viagem está tranqüila, o céu azul, mas conforme os quilômetros vão passando o céu vai fi­cando cinza, com tendências a negro. São as pancadas de verão. Aquelas chuvas fortes e rá­pidas suficientes para molhar completamente um motociclista em poucos minutos.
 
Alguns simplesmente preferem entrar em um pos­to ou parar sob um viaduto esperando a chuva passar: "É só uma pancada de verão", como dizem. Mas se nas duas horas seguintes a chu­va nem dá sinais de melhora, o jeito é vestir o abrigo de chuva e seguir viagem. É importante lembrar que os primeiros minutos de chuva são os mais perigosos, porque a poeira e óleo que estavam na pista se misturam com a água, for­mando uma pasta escorregadia. Depois de uma boa enxurrada, a pista fica "lavada" e mais se­gura.
 
A velocidade de cruzeiro deve ser reduzida pa­ra evitar surpresas na hora de parar a moto. A distância para o veículo que vai à frente deve ser dobrada. E pilote sempre na faixa por onde passam os pneus dos carros, porque eles atuam como rodos, limpando o caminho para a gente! O resto é pilotar com o máximo de cui­dado e gestos suaves, evitando mudanças bruscas de trajetória, faixas pintadas ou frenagens súbitas, e esperar a chuva passar, afinal é só uma "chuvinha" de verão. Caso a chuva persistir forte, e escurecer, é mais recomendável encostar em um hotel ou pos­to e esperar até o dia seguinte. Pior do que via­jar à noite, só com chuva ...
 
Um acidente muito comum no verão acontece em baixa velocidade e a vitima geralmente é o (a) garupa. São as famosas queimaduras não por excesso de sol, mas por uma encostada no es­capamento. Estes acidentes geralmente acon­tecem quando o motociclista não resiste à tenta­ção de e encara um areião. Não que isto seja proibido, mas deve ser feito com cuidado para evitar uma queda e a marca que ficará eterna­mente gravada no corpo, lembrando que aquele verão de moto foi fogo!
 
Portanto, viver o verão com uma motocicleta não é nada mais do que fazer algumas adapta­ções à época mais quente do ano. Tanto na manutenção da motocicleta como nos cuidados com a pilotagem e com o equipamento que se usa. Mas, para quem atravessou todo o inverno cheio de casacos de couro, botas, capacete fechado, e outros equipamentos, é a época de se deixar mais solto, mas nem por isso menos seguro.
 
(pilotar na areia é uma arte, cair faz parte...)
 
Pilotagem na areia
Finalmente praia. E vem aquela tentação irresistível de experimentar as emoções de pilotar na areia, sentindo-se um campeão mundial de enduro. Mas antes de sair comendo areia deve-se observar alguns de­talhes. Para começar, a brincadeira só vale se a moto for trail. Já que os pneus de passeio só irão patinar. Então é recomendável esvaziar cerca de 50% da calibragem dos pneus e tomar alguns cuidados com a corrente de transmissão.
 
O ideal é proteger a corrente com pó de grafite. Aquele mesmo que vem dentro do lápis. A grafite tem a vantagem de "lubrificar" a corrente sem engordurar e sem deixar a areia se agarrar à corrente. Não sendo possível utilizar grafite em pó, deve-se recorrer a uma lavagem e limpeza total da corrente, retirando qualquer vestígio de óleo. Assim, quando a areia entrar em con­tato com a corrente, ela não ficará impregnada entre os elos.
 
Se a corrente estiver lubrificada com óleo a areia irá juntar-se ao o lubrificante, formando uma eficiente pasta abrasiva lixadora de elos. Depois de brincar no areião, o motociclista deve fazer uma limpeza completa na moto, passando uma fina camada de óleo nas partes cromadas, e uma lubrificação na corrente com óleo especifico em spray. Tudo isso para evitar a cor­rosão pela maresia. No calor, a corrente se aquece mais do que o normal, e os óleos comuns são facilmente expelidos pe­lo movimento, deixando a corrente seca em pouco tempo. Recentemente descobri a graxa branca em spray que pode ser uma solução nos dias quentes por ser mais abrasiva e grudar melhor mesmo sob alta temperatura.
 
Na hora de pilotar –sempre que possível em pé nas pedaleiras - é preciso ficar atento com as du­nas mais macias onde a moto pode atolar, ou mudar de trajetória independentemente da vontade do piloto. Nes­tes casos pode-se seguir as sábias recomendações de todos os pilotos: em caso de dúvida, acelere! Com a moto embalada e acelerando, a roda motriz agarra no areião e a frente fica leve. A moto vai em linha reta, sem ligar se o guidão está virado para algum lado. Depois é só relaxar e boa diversão.

 

publicado por motite às 15:41
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De Orlando a 24 de Outubro de 2008 às 20:45
Tite, lembro de uma menina com quem eu saí de Agrale (é, faz muito tempo), pra passear na trilha. Minha moto tinha uma ponteira WACS com o nome em baixo-relevo. A menina foi de calça de algodão. Num ponto da trilha ela encostou a coxa na ponteira. Ficou escrito WACS ao contrário, em baixo relevo no queimadão. Nem precisa dizer que meus planos foram por água abaixo, ou melhor, escapamento adentro...
De motite a 24 de Outubro de 2008 às 20:51
Hahahaha, difícil foi explicar aos futuros namorados quem era o polonês chamado SCAW que ela tatuou o nome dele na coxa, kkkkkkk
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