Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

O que se leva da vida

(Maria Skortsova, da Maxim russa, o nome é estranho, mas ela ...)

 

Já que este bologui foi criado pra se escrever o que pensa, aqui vai mais uma pérola de uma mente desocupada e compulsiva.
 
Uma das poucas coisas boas que obtive na revista Maxim foi a teia de relacionamento com os editores das Maxim's publicadas em 23 países. Não é à toa que a internet termina em NET, porque é uma rede mesmo!
 
Tive a chance de conhecer jornalistas de países de línguas esquisitonas, dessas que parecem minhoquinhas na página. Esse intercâmbio com gente do mundo todo é um prazer inexplicável. Dei muita risada com um ilustrador americano que a cada mensagem mandava uma estocada na política do G. Bush. Troquei mensagens de alto teor político com jornalistas do Paquistão, Índia, Malásia, Turquia etc. Ri muito com mensagens dos colegas portugueses, mexicanos, argentinos, franceses e ingleses. Fiquei brother da gerente de licenciamento dos EUA (que estava até aprendendo português...). Mas o mais legal de tudo foi descobrir, na Rússia, uma editora de foto que é absolutamente obcecada por motos!
 
Tem nome de virgem: Maria, mas sobrenome de doença, Skortsova (saúde!). Gente finíssima (claro, gosta de moto), bonita e... fala fluentemente espanhol. Diz se não é pra casar?
 
Tem horas que entro em crise ao descobrir que não criei fortuna, não tenho bens e não fiz o tal pé-de-meia para envelhecer com uma graninha no bolso. Estou sempre sem grana, vivo remediado, minha poupança é religiosamente saqueada em despesas totalmente inúteis como um tênis novo (mais um...), a enésima máquina fotográfica, o milionésimo CD de música que vou ouvir uma vez e esquecer dele etc.
 
Agora sei porque eu fui um dos únicos a ter um ataque de riso no cinema, ao assistir o filme “Meu nome não é Johnny”. Tem um diálogo que o amigo do Johnny comenta:
 
- Meu objetivo na vida é ganhar um milhão de dólares.
 
O Johnny responde:
 
- E o meu é gastar!
 
Com certeza já ganhei meu primeiro milhão de Reais. Só que gastei 1.000.001! Tô zerado.
 
Lembro também do filósofo grego Platão, que disse uns quatro séculos antes de Cristo:
 
- A única coisa que levamos dessa vida é o nome.
 
Por isso não gosto de brincar com nome das pessoas. Platão dizia que a vida passa, mas o nome fica.
 
Bom, em termos de nome estou é bem lascado, porque só na capital de São Paulo tem oito Geraldo Simões. Um deles é bem picareta por sinal, que me causa vários transtornos. Em Minas Gerais, terra dos Geraldos, tem mais uma centena de homônimos. Se Deus gritar lá no céu “Geraldo Simões, chegou sua hora!” vai aparecer uns 200!
 
Salva o Tite, que não vale no céu porque fui batizado como Geraldo. Ou seja, meu apelido não tem firma reconhecida no céu. Se eu chegar na porta do céu e falar “cheguei, meu nome não é Geraldo, é Tite” é capaz de ficar mais tempo na fila do purgatório até acharem minha ficha.
 
Se a gente não leva nem grana, nem as motos, nem dívidas (a parte boa) e, no meu caso, nem o nome, o que vou levar desta vida?
 
As amizades. Como a Maria, da distante Rússia, que é a única de todas as jornalistas da maxim que continua me escrevendo. E olha que eu nem sei escrever em espanhol!
 
Aposto que minha nuvem lá no céu ficará sempre cheia de amigos. Os inimigos que esperem no inferno! Sentados!  
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publicado por motite às 00:25
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

O que gosto e não gosto...

(Já gostei mais de corridas... Foto:Tite)
 
A revista Veja lançou um especial em homenagem aos 40 anos da revista. Karaukas estou velho mesmo, porque lembro da primeira Veja nas bancas. Eu tinha 9 anos e já lia a revista Realidade que foi fechada para dar vida à Veja. Sim, com 9 anos eu lia revistas de interesse geral, por influência dos meus irmãos mais velhos que liam simplesmente tudo que lhes caíssem às mãos. De bula de remédio e manual de máquina de costura minha irmã e meu irmão liam de tudo. Essa compulsão me atingiu de rebarba, mas confesso que preferia os gibis...
 
Nesse especial da Veja duas declarações me chamaram a atenção: uma delas da escritora Rachel de Queiroz que confessou em entrevista, em 1996, que gostava mesmo era de cozinhar e assistir luta de box. Outro depoimento foi do escritor Ruadan Nassar, que revelou que a coisa que mais gostava na vida era dormir! E ainda emenda “sexo é fichinha, nada é melhor que dormir!”.
 
Diante de tão profundas revelações me senti aliviado. Sempre tive dificuldade de me inserir no circuito literário porque eu simplesmente não gosto das coisas que escritores normalmente gostam. Ou gostavam, até eu descobrir Rachel de Queiroz e Ruadan Nassar. Sempre achei que escritores e intelectuais gostavam de coisas diferentes e exóticas. Nem consigo imaginar do que gosta o Paulo Coelho, além de dinheiro, claro.
 
Por isso fiz uma revisão das coisas que eu gosto, gostei e eventualmente posso gostar no futuro.
 
Engana-se que acha que gosto tanto assim de motos. Já gostei muito mais, a ponto de sacrificar minha família e meu futuro pelo prazer de estar perto delas, seja em competições, testes malucos ou viagens. Lembro de um determinado ano, na década de 80, de ter ficado fora de casa 40 finais de semana. Se o ano tem 52 semanas dá para imaginar o que isso representou para minha família que tinha acabado de se formar. Ainda bem que percebi isso a tempo de corrigir a loucura!
 
(Já gostei mais de viajar, hoje prefiro ficar...)
 
Hoje em dia gosto de motos, mas não a ponto de sacrificar minha vida pessoal em nome de qualquer assunto relacionado ao veículo. Já não aceito tantos convites para viajar, nem mesmo vou aos lançamentos que envolva viagens. Viajar de moto só se for muito devagar, pra ver a paisagem. Não gosto mais de correr.
 
Também já gostei de corridas. Não importava se na condição de piloto, espectador ou jornalista. Desde que a TV começou a transmitir as corridas de F-1, em 1972, tornei-me um espectador compulsivo. A ponto de estragar meus finais de semana na praia só pra ver corrida pela TV (ainda não existia o gravador de videocassete...). Durante minha adolescência passava os finais de semana na Ilhabela e ficava desesperado atrás de uma TV pra assistir corridas do Emerson e Piquet. Na fase Ayrton Senna virou quase tão sagrado quanto um ritual: só saía de casa depois da corrida e pronto! A família que esperasse...
 
Hoje já não faço tanta questão de ver corrida alguma. Até recuso convites pra ver a F1 em Interlagos e os últimos GPs de Motovelocidade no Rio nem me dei ao trabalho de pedir uma credencial. As corridas perderam um pouco da graça.
 
Quem tem mais de 40 anos sabe o que foi o futebol nos anos 60 e 70. Sou da geração que viu o Brasil tricampeão. O futebol nunca foi uma paixão da minha vida, mas não tinha como resistir o banho de patriotismo com a conquista definitiva da taça Jules Rimet no inverno de 1970. O futebol entrou nas nossas vidas sem pedir licença e ai de quem se atrevesse a se confessar um pagão neste esporte. Em uma época de regime totalitário não sei se tinha mais medo de falar de política ou criticar a Seleção!
 
Pra dizer a verdade eu até me esforçava pra gostar de futebol, mas não tinha jeito. Gostava mesmo era de ver o Pelé jogar, só que ele era do Santos e eu sou corintiano, o que dava um certo ar subversivo na minha torcida. A última vez que fui a um estádio no Brasil foi em 1972 no jogo de Palmeiras x Corinthians que terminou 4 a 3 pro “meu” time depois de uma virada histórica. Mais histórica foi a briga na saída do estádio que me traumatizou pro resto da vida. Na copa de 1974 eu já era adolescente e nem lembro de ter visto algum jogo. Em 1978 já tinha descoberto as maravilhas do sexo oposto e quando o diretor da agência de propaganda nos dava folga pra ver os jogos à tarde eu aproveitava para dar uns amassos na diretora de arte. Noventa minutos de beijo na boca!
 
Só fui voltar a gostar de futebol em 1994, porque não tinha mais o Ayrton nas pistas e vi muito a contra gosto a final contra a Itália. Hoje até me permito ver alguns jogos pela TV, mas sem o menor traço de paixão. Posso dizer que gosto de futebol de uma forma parcimoniosa.
 
Até sexo, que em determinada fase da vida parece a descoberta mais deslumbrante das nossas vidas ganhou outro peso quando me aproximo dos 50 anos. Principalmente o peso físico mesmo, nas formas mais redondas e desconfortáveis. Acho que o sexo me trouxe mais problemas do que soluções. Entre os maiores erros que cometi na vida, o maior de todos está diretamente ligado ao sexo. Talvez a dimensão desta descoberta tenha tirado um pouco da graça. Além disso, como explicar tantos erros em nome de um ato que acaba quando começa a ficar bom?
 
Logo ali, quase emparelhado ao sexo, posso dizer que uma das minhas grandes fontes de prazer é comer bem. Entenda-se por bem a QUALIDADE, não a quantidade. Nunca fui de comer muito, até por impedimento profissional: um piloto de moto precisa ser magro e a gente se acostuma a comer pouco. Tem gente que se acostuma até com sogra! Mas também não sou do tipo que enfrenta fila em restaurantes ou desvia um roteiro de viagem só pra comer determinada iguaria. Se tiver cachorro quente está bom. O que me deixa de extremo mau humor é passar fome!
 
Já fui leitor compulsivo. Desses de sair de madrugada de um hotel no interior da região Toscana, na Itália, em busca de uma revista, livro, folheto, embalagem qualquer coisa que tenha letras para saciar minha necessidade de leitura. Cansei de ler “O Novo Testamento” em vários idiomas porque é o único livro que todo hotel coloca nos criados-mudos. Se eu entrasse em um avião sem algo pra ler era capaz de pentelhar a comissária até ela achar uma revista de bordo, jornal velho ou o manual de vôo do Boeing 747.
 
Essa compulsão também passou. Hoje os aviões têm filmes, tenho meu iPod, já consigo dormir mais facilmente sentado e quando não tem alguma coisa pra ler nos hotéis eu ligo a TV até pra ir ao banheiro.
 
Então fiquei tentando imaginar, afinal, do que eu gosto? E descobri – para felicidade geral – que gosto mesmo é de ESCREVER. Isso mesmo. O que estou fazendo neste exato momento é o que mais libera endorfina na minha cabeça. Dá-me um prazer quase sexual – e sem aquela secreção toda (fora as posições ridículas). Só não escrevo mais porque datilografar é um pé no saco! Quase tão chato quanto a papagaiada toda que a gente se submete para chegar ao sexo. Ser cavalheiro, abrir a porta do carro, contar as mesmas histórias, horas de papo para atingir os 20 minutos de bate-bola. Escrever sem datilografar é como chegar às vias de fato (ou de feto) sem as tais preliminares.
 
Só estou esperando Steve Jobs criar o iThink, um processador de texto que transmite o que a gente pensa para o Word! Tá bom, aceito instalar uma saída USB na nuca, dá pra esconder com o boné quando não estiver usando.
 
O único problema de ser escritor compulsivo é não conseguir parar. Certa vez quis escrever uma poesia. Escrevi 220 em uma semana! Uma editora me pediu um livro para público juvenil, com máximo de 120 páginas. Isso foi há 8 anos e já deve estar maior que a Odisséia. Simplesmente não consigo parar de escrever.
 
Melhor pra você, que na falta do que fazer, pode ficar aí a me ler!
 
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(tragédia da cocaína ou do uísque?)
 
Falando em Veja, na mesma publicação repetiram as capas dos últimos 40 anos. Entre elas está uma que me deixou indignado, assim como boa parte dos brasileiros. Na ocasião da morte da Elis Regina a Veja estampou uma bela capa com o título “A tragédia da cocaína”. Isso rendeu muita briga, inclusive nunca mais assinei a revista.
 
Agora eles se justificam com a afirmação de um compromisso “de relatar os fatos como eles são, mesmo que cause dor e indignação”. O problema está exatamente aí: NOS FATOS. Segundo o laudo que a imprensa teve acesso a cantora foi vítima de um coquetel de uísque e cocaína. Então por que a Veja não publicou “A tragédia do Uísque”? ESSA é a questão: um editor de Veja já deveria saber que não existe O FATO mas A VERSÃO DO FATO.
 
Fico mais vexado quando vejo o tratamento que a mesma Veja deu ao escândalo homossexual do jogador Ronaldo Nazário. Estamparam a foto do fofo com o título “As escolhas de Ronaldo”. Por que não “A opção bissexual de Ronaldo”, ou ainda “A cegueira de Ronaldo”, ou “Os travestis de Ronaldo”. O nível da minha irritação atinge 7 graus na escala Richter quando sei que se existe uma categoria profissional que consome cocaína em níveis hollywoodianos é justamente a dos jornalistas. Mais ainda os que trabalham em revistas semanais e jornais diários. Conheço bem essa espécie e classificar a morte da Elis como uma tragédia da cocaína não é relatar fatos p*** nenhuma. Foi sensacionalismo puro para vender revista.
 
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A propósito dessa minha compulsão por escrever, já escrevi a respeito!
 
Escravo
 
Porque não sei cantar
mal aprendi a pintar
jamais consegui desenhar
instrumento não sei tocar
desajeitado não tento dançar
minha voz impede cantar
Soçobrou minha arte
Só sobrou uma parte
que ainda resta a fazer
escrever, escrever, escrever
Até que não mais possa
conter as palavras em poça
Por isso escrevo e escrevo
para alguém de relevo
que ocupa meu pensamento
Na esperança de passar o tempo
escrevo, escrevo, escrevo
Lobotomia não posso
continuo este troço
escrevo, escrevo, escrevo
Alguém vai ler
a mim vai reler
Como vai lhe cair?
ninguém pode impedir
em achar tudo loucura
então prossigo a tortura
escrevo, escrevo, escrevo
e ninguém paga um centavo
a quem das palavras tornou-se escravo
por isso, escravo, escrevo, escrevo, escrevo
 
1996.
publicado por motite às 22:21
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Vida Corrida - Coma menos e corra mais

(Esse magricelo de boné sou eu mesmo em 1987: tinha 58 kg!!!)

 

Se existe uma grande – e visual – diferença entre piloto de moto e carro está no físico. Corpo físico, bem entendido. Os regulamentos das categorias de motos e de carros diferem em uma questão fundamental: geralmente na motovelocidade só a moto tem limitação de peso, enquanto nas categorias de 4 rodas o limite de peso leva em conta o conjunto veículo+piloto.

 
Por isso, o piloto de moto precisa ser o mais leve possível, quase como uma modelo da Triton. Já os pilotos de carro podem compensar o excesso de banha eliminando peso do veículo. No meu tempo de kartista eu era tão leve que precisava colocar muito lastro. E distribuir esse peso extra era um problema até meu amigo Chuna descobrir uma solução que seria rapidamente copiada pelos outros pilotos: ele revestiu de chumbo o meu banco de fibra de vidro. Foi a melhor forma de distribuir o peso, mas eu não podia engordar de jeito nenhum porque perderia o banco...
 
Se o problema no kart era apenas administrar a quantidade de chumbo, na motovelocidade o fator complicativo era administrar o MEU peso! O motociclismo entrou a sério na minha vida só aos 38 anos, na segunda temporada da categoria 125 Especial. Nesta idade é muito difícil administrar peso e potência porque o metabolismo basal fica mais lento a partir dos 30 anos. Em outras palavras, ao ingerir calorias o corpo leva mais tempo para consumir. Por isso era preciso fazer uma série de exercícios, mas sem exageros porque aumentar os músculos também significa ganhar peso. Uma polegada cúbica de músculo é mais pesada do que uma polegada cúbica de gordura.
 
Para conseguir a correta equação peso x potência é preciso reduzir muito a massa gorda e TONIFICAR a massa magra. Note que tonificar não significa a mesma coisa que super dimensionar. Tonificar significa dar não apenas mais força, mas também mais elasticidade e resistência. O erro mais comum cometido por jovens pilotos é se enfiar em uma academia e malhar feito alucinados. Só que ao exagerar na malhação não apenas provoca aumento de peso como também reduz a mobilidade porque ninguém se lembra dos 30 minutos de alongamento ao final do dia.
 
Emagreça e ganhe saúde
A receita para reduzir peso é tão manjada que metade das livrarias é ocupada por livros de “como emagrecer”. Basta escolher o que mais tem a ver com o estilo de vida de cada um e pronto. A novidade nesta área mais uma vez está na neurolingüística. Normalmente as pessoas são traídas pela forma de pensar e não de agir.
 
Lembra que eu escrevi sobre a reprogramação cerebral? Nosso cérebro nasce formatado e durante nossa vida vamos colocando os dados essenciais. Portanto se ele é possível de ser programado também é passível de ser reprogramado. O erro mais comum que se comete na hora de emagrecer é usar uma palavra que todos nós temos pavor: PERDA.
 
Ao longo da vida aprendemos a associar PERDA a coisas ruins. Perder uma pessoa querida traz uma sensação de abandono resignado. Perder dinheiro dá raiva. Perder tempo é desesperador porque tempo não se recupera.
 
Quando nos pegamos usando a expressão “preciso perder peso”, nosso cérebro imediatamente reage ao sentido nefasto da palavra “perda” e boicota o regime. Aí a pessoa tem a sensação de sanfona porque emagrece meio quilo em dois dias e em menos de 12 horas esses 500 gramas voltam ao corpo sabe-se lá por que meio. O metabolismo reage para evitar a queima de gordura. É o cérebro programado para evitar toda e qualquer perda.
 
Por outro lado o verbo GANHAR sempre nos traz boas lembranças. Ganhar um carinho, ganhar presentes, ganhar corridas são sensações muito bem recebidos pela nossa cuca. A melhor forma de emagrecer é substituir a PERDA de peso pelo GANHO de saúde. E a primeira atitude para ganhar saúde é pela boca! Não fechando totalmente como todo mundo pensa, mas SELECIONANDO o que coloca pra dentro do corpo.
 
O erro mais comum de quem quer emagrecer é parar de comer. Deve-se ir para o lado oposto dessa “pegadinha” e comer mais. Ou melhor, comer mais vezes, em menores quantidades e com melhor qualidade. É velha aquela receita de comer seis vezes por dia, só que alguns engraçadinhos comem seis porções de batata frita ou Big Mac por dia!
 
Uma dica muito simples e eficiente é procurar um livro de culinária vegetariana. Calma, ninguém vai cortar o churrasco do domingão. Nos livros do pessoal verde tem ótimas referências de “guloseimas” e lanchinhos para as refeições intermediárias, desde as frutas secas (mas de qualidade, por favor!) até alguns grãos que também ajudam a destravar os intestinos preguiçosos. Já que teremos de comer a cada três horas, lembre que essa comida toda terá de sair também!
 
(10 anos depois, em 1997: 59 kg! que fome...)
 
Menos força, mais elasticidade
O músculo é um elástico. Não sabia? Pois é! Só que se for usado apenas para contração perderá a capacidade de expansão. Para fazer força o músculo se contrai. Se for submetido a uma repetição da mesma força a tendência é contrair cada vez mais até perder a capacidade de se alongar.
 
Pilotos não precisam de muita força – só os de fora-de-estrada que necessitam pernas e costas cheias de músculos. O piloto de motovelocidade precisa ser leve e alongado porque fica pulando de um lado pra outro da moto. Além disso, em caso de queda, o corpo faz movimentos esquisitos e até imprevisíveis. Se o piloto não tiver um corpo devidamente elástico poderá sofrer distensões musculares ou até romper ligamentos.
 
Para isso que servem os músculos: tonificar o corpo!
 
Os músculos abdominais fazem um importante papel de proteger a coluna lombar e reduzir o stress causado pela vibração do motor. Como se sabe, os bancos de motos e carros de corrida não são exatamente exemplos de conforto. Pelo contrário, devem ter pouca espuma para aumentar a sensibilidade do piloto. Em outras palavras: piloto sente na pele as reações do carro ou moto de corridas. Além disso, nas frenagens o piloto precisa segurar o corpo por meio das pernas e abdome para não carregar demais o peso nos braços. E abdome fraco sofre mais...
 
Minha receita de preparação física sempre foi a mais simples e agradável possível. Não adianta empurrar alguém para uma atividade chata porque não dá resultado. Dedicava apenas uma hora e meia por dia para atividades físicas bem regulares, divididas em 30 minutos de bicicleta e 30 minutos de musculação com baixo peso e muita repetição. E 30 minutos de alongamento... esta sim, a parte mais chata!
 
Já na alimentação fui mais prosaico possível: reduzi as quantidades e aumentei a freqüência das refeições. Uma dica muito simples que li numa reportagem sobre regime foi: ao fazer seu prato tente colocar cada vez um pouco menos do que o habitual, sem histerismo nem exagero. Por exemplo: em vez de 3 colheres de arroz, coloque duas. Em vez de quatro bolinhos de bacalhau (ai, ai...), coloque dois. No lugar de dois copos de refrigerante, tome apenas um. Resista à terceira fatia de pizza! Assim por diante. Convide seus familiares a colaborar em nome do seu sucesso. Saiba que nenhum piloto atingiu o sucesso sem apoio da família.
 
Os exercícios aeróbicos têm ainda um efeito colateral ótimo: depois de algum tempo eles funcionam como inibidores do apetite. Depois de uma rotina de três meses de exercícios regulares já se nota uma sensível incapacidade de comer muito. Parece que a barriga da gente encolhe!
 
Importante é saber que regime e atividade física devem caminhar juntos. Um não se sustenta sem o outro.
 
Esse é um assunto que rende muitos e muitos capítulos, por isso vou parando por aqui!
 
(Ser leve é fundamental, mesmo para pilotar motos grandes)
publicado por motite às 21:42
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GP de Monza de F1

 

(Sebastian Vettel, ai meu São Sebastião, vem aí mais um alemão...)
 
Alguém contou quantas vezes o Galvão repetiu a expressão "o mais jovem piloto a vencer uma prova de Fórmula 1" no GP de Monza? Nunca mais na vida vou esquecer essa efeméride (seja lá o que isso signifique, só gostei da palavra!).
 
E alguém pode me responder, seriamente, porque toda vez que aparece aquela mensagem "radio" indicando que piloto e equipe conversarão SEMPRE tem alguém na cabine da Globo pra fazer qualquer comentário inútil na mesma hora??? Quem quer ouvir a troca de mensagens na versão original perde toda a graça! Karaka, CALA A BOCA. Até a repórter loirinha insiste em continuar falando sem ninguém dar um toque!
 
Parece as entrevistas coletivas depois da corrida. O piloto fala uma coisa e o nosso tradutor diz outra.
 
E a gentileza voltou ao mundo chovinista da F-1:
 
- Ops, desculpe, eu te ultrapassei mas não foi por mal, tome a sua posição de volta. Não fica de mal di mim!
 
Pusta coisa mais coxinha! devolver ultrapassagem me lembra um trabalho do antropólogo Claude Levis Strauss que veio ao alto Xingu e viu os brancos ensinando futebol com os índios. Só tinha um problema: cada vez que um time fazia um gol o outro deixava empatar de propósito porque na cultura nativa não havia o conceito de vitória e derrota.
 
Agora a F1 vive momentos de romantismo selvagem: "ah, fiquei com dó de ter te passado, pode me passar de volta".
 
Se já inventaram o "meio-vencedor" que ganha só dois pontos a mais que o segundo colocado, agora criaram a política da "meia-ultrapassagem"
 
Essa F1 já foi séria...
publicado por motite às 18:41
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Quem ama o que vende?

Recentemente estive em um prédio de escritórios e a recepcionista me tratou como se eu fosse um motoboy. Obrigou-me a deixar um capacete importado – e caro – na mão do segurança e subir pelo elevador de serviço. Depois de advertir sobre o valor do capacete subi e fui tratar de um assunto comercial. Eu seria recebido por um diretor de marketing de uma agência de publicidade que detém a conta de um grande fabricante de... MOTOS!

 
Não é a primeira vez que percebo essa imensa inversão de valores: quem fabrica, divulga e vende motos não utiliza e ainda discrimina o veículo. Durante anos a Abraciclo – Associação dos fabricantes de motos – realizou eventos mensais para apresentar o balanço do setor. Mas o estacionamento do restaurante não admitia motos! Hoje estes eventos são realizados em um hotel que recebe as motos em sua garagem.
 
Mais recentemente, no lançamento de um triciclo super fashion em um belo buffet de São Paulo, o estacionamento também não aceitava motos. E o empresário que nos convidou foi um dos maiores nomes do motociclismo nacional!
 
Outro dado curioso observado nestes eventos de imprensa. Só depois de quase uma década comecei a ver jornalistas chegando pilotando motos. A nova geração de jornalistas efetivamente usa suas motos, mas os diretores de redação, executivos de conta e publicitários das mesmas publicações chegam em confortáveis automóveis.
 
E os executivos das empresas fabricantes de moto? NENHUM, repito em letra de forma: ENE-E-NE-NHUM chega ao evento da Abraciclo pilotando as motos que fabricam e tentam convencer o público de comprá-las. Oras, nem os fabricantes usam os veículos que produzem!!!
 
Idem fornecedores. Fabricantes de pneus, óleos, correntes, capas de chuva até capacete, chegam aos eventos todos dirigindo seus automóveis. O que há de errado com essa gente? Ou comigo?
 
Há mais de duas décadas não vejo um funcionário dos departamentos de marketing e comunicação das fabricantes de moto pilotando os veículos que ajudam a vender. São raríssimas exceções os que ainda têm uma moto na garagem de casa. Além do pessoal da engenharia experimental e de desenvolvimento, parece que executivos destas empresas têm raiva de moto.
 
Lembro dos anos 80 quando um gerente de comunicação da Honda praticamente me obrigou a acompanhá-lo em uma trilha no interior de São Paulo. Ele com uma XL 250 recém lançada (dele mesmo, não da frota) e eu de XL 250 emprestada pela turma do marketing. Depois desse dia fiquei viciado em trilhas! Esse mesmo executivo costumava passear nos finais de semana com uma Honda CB 450 Custom e fazia questão de convidar os jornalistas. Esse executivo durou pouco na empresa...
 
Nunca trabalhei em multinacional de veículos (só de eletroeletrônicos), mas eu, doente como sou, se trabalhasse em uma fábrica de moto viveria montado nas produtos dessa marca 24 horas por dia! Chegaria aos eventos de moto para mostrar ao mundo que eu ACREDITO no veículo que ajudo a vender (tenho várias estratégias para chegar de moto a uma reunião social mais engomado e cheiroso que filho de barbeiro). Imagine se eu trabalhasse na BMW, Harley-Davidson, Honda, Yamaha ou qualquer outra marca? Pô, eu faria questão de pegar as motos mais espetaculosas da marca para chegar aos eventos com um imenso sorriso (cheio de bichinhos esmagados nos dentes...).
 
Até nas marcas consideradas mais fashion, dessas que conferem status ao indivíduo, valor agregado e outros conceitos modernosos, não se vê executivos usando as motos que vendem.
 
Mas quando visito as fábricas em Manaus percebo que o estacionamento está atulhado de motos. Os operários usam motos como se fossem sandálias Havaianas. Mas os executivos preferem os carros. Hummm, começo a entender!
 
Por isso entendo a agressividade dos seguranças em porta de agências de publicidade. Se nem mesmo as pessoas engomadinhas que fabricam as motos usam esses veículos, como fazer alguém receber bem um motociclista?
publicado por motite às 19:01
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Segurança - o que há de novo?

 

(Tá ligado? Foto:Tite)

 

Depois de 20 anos escrevendo sobre o mesmo tema às vezes fico com a impressão de que esgotei o assunto “segurança de motociclista”. Não agüento mais escrever as mesmas coisas do tipo “como frear”, não rodar à direita dos automóveis etcétera e tal. Só que eventualmente surge sim um novo conceito, uma nova visão sobre o mesmo assunto. Uma abordagem mais técnica, mais humanista ou mais maluca, quem sabe. Recentemente durante o curso de pilotagem fiz um paralelo entre as diferenças entre carro e moto e cheguei a alguma deduções óbvias e outras nem tanto.
 
Quando se fala em segurança veicular precisamos dividir em duas vertentes: a segurança PASSIVA e a segurança ATIVA.
 
A segurança PASSIVA é tudo aquilo que o veículo e o meio oferecem para garantir a integridade dos usuários (pessoas, como eu, você o Dunga e até as sogras!). Automóveis, ônibus e caminhões são equipados com uma estrutura deformável, cintos de segurança, sacos infláveis (air-bags), volante retrátil, barras anti-choque na carroceria, freios ABS etc.
 
(cintos retráteis: segurança passiva)
 
Além disso, as estradas são construídas pensando nestes veículos com quatro rodas ou mais. O piso, as proteções laterais (guard-rails e muros), as faixas, os refletivos (olhos-de-gato), tudo é pensado para garantir a segurança de quem roda com quatro ou mais rodas.
 
Diante disso, a segurança PASSIVA de quem roda em veículos de quatro rodas ou mais é muito bem abastecida.
 
A segurança ATIVA é toda ação que os condutores têm para garantir a própria integridade e a dos outros. Em outras palavras, COMO ele dirige ou pilota. Mesmo um carro equipado com o que existe de mais moderno em termos de segurança passiva pode tornar-se letal nas mãos de um desequilibrado que viaja a 200 km/h e se enfia debaixo de um caminhão, ou perde o controle e bate de frente em uma Kombi 1968 com oito pessoas a bordo.
 
Nas motos a segurança PASSIVA é representada pelos equipamentos de segurança (capacete, luvas, botas, casacos, protetor de coluna etc) e eventualmente o freio ABS. Convenhamos que por melhor que seja o equipamento, não se compara a um pára-choque e uma carroceria.
 
Por isso motociclistas precisam caprichar na segurança ATIVA muito mais do que os motoristas. O que significa pilotar de forma ativa? Não se deixar conduzir pela moto, mas efetivamente pilotar sua moto!
 
Pró-ativo
Hoje em dia a palavra pró-ativo está na moda. Tem gente pró-ativa de tudo que é lado, em todas as áreas. A maioria nem sabe o que vem a ser isso, mas se classifica como pró-ativo. Tudo bem, desde que não signifique a pró-desativação dos outros, ninguém se machuca...
 
O que tem de novo em ser um motociclista pró-ativo? É ficar antenado cada segundo que está montado na motocicleta. Vejo motociclistas experientes pilotando suas motos como se estivessem de carro. Até celular com blue-tooth já estão instalando no capacete pra conversar enquanto pilota. Nana-nina-não!!! Pilotar motos exige 100% de atividade, cada músculo, cada sentido precisa estar preparado para frear, acelerar, buzinar, desviar, mexer o corpo, etc.
 
Ser pró-ativo na pilotagem é ver antes de acontecer. É frear antes de o motorista fechar. É agir antes de se surpreender. Já escrevi várias vezes sobre a pré-visão, a capacidade de ver antes de acontecer. Para essa postura ser bem sucedida é preciso ficar totalmente atento e não se obtém esse grau de atenção respondendo para a esposa o que você vai querer no jantar. Ou que vocês terão de visitar a sogra justamente no final de semana que você tinha programado jogar futebol. Enquanto seu cérebro bola um plano infalível pra escapar do mico um carro pode desviar bem na frente e lá se foram suas preocupações porque não vai mais nem jogar futebol com a canela fraturada. Mas, em compensação, a sogra vai te visitar! Viu a extensão dos danos que um segundo de distração pode causar?
 
A tal da “atitude”, palavra tão em moda nas campanhas publicitárias e políticas, nada mais é do que a velha e desgastada POSTURA. Manter uma postura ativa na pilotagem é a maior garantia de não ser mais um número nas estatísticas de trânsito. 
 
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Atividade de risco?
 
Desde que fomos atingidos pela tragédia de perdermos um aluno durante o curso de pilotagem, muita gente veio prestar solidariedade com palavras de consolo e muito bem vindas. Só discordo do conceito de “atividade de risco” ao qual muitos se prenderam para justificar um acidente.
 
Não acredito que fazer um curso de pilotagem PREVENTIVA dentro de um circuito seja uma atividade de risco. Pelo contrário, é extremamente seguro. Considero atividade de risco escalar montanhas com mais de 5.000 metros nas quais as condições incontroláveis do clima podem provocar uma tragédia sem aviso prévio. Mais ainda, todo mundo sabe que acima dos 5.000 metros o organismo sofre alterações profundas. Mesmo assim, anualmente dezenas de escaladores sobem as montanhas com mais de 8.000 metros de altura e nem sempre voltam. ISSO é uma atividade de risco.
 
(escalar é perigoso? Foto: Tite)
 
Eu faço escalada tradicional, clássica, mas não considero como atividade de risco, porque existem vários procedimentos de segurança que devem ser obedecidos. Nada impede que um escalador com comportamento de risco se exponha inadvertidamente a situações perigosas. Se forem respeitados os procedimentos de segurança, escalar torna-se mais seguro do que passear de moto em São Paulo.
 
Dentro de uma condição cercada de segurança e instrutores treinados ninguém está praticando uma atividade de risco. O que deve ser muito bem diferenciado é o COMPORTAMENTO DE RISCO. Esse sim é o maior responsável pela maioria dos acidentes dentro e fora das pistas. Quando alguém não consegue adotar uma postura preventiva e assume um comportamento de risco o menos importante é o QUE e ONDE está praticando, mas COMO.
 
Todos nós lamentamos demais o acidente e as conseqüências, mas não aceito a justificativa de que fazer um curso de pilotagem preventivo seja uma atividade de risco. Afinal, além dos alunos EU também estou lá dentro! E eu não me arrisco à toa.

 

 

publicado por motite às 18:50
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Um brasileiro desconhecido

(Luis Celso Gianini - Interlagos, 1971)

 

Caros amigos. Revirando meus arquivos de mensagens achei essa de um leitor que mora na Suíça. É de 20 de março deste ano, mas só agora encontrei-a. Fica o registro e a mensagem original deste brasileiro pouco conhecido e tão importante. (Tite)

 

Genebra, 20 de março de 2008
 
Olá Tite, aqui quem escreve é o André Freitas que mora em Genebra, lembra? Bom, é só pra dar duas notícias, uma boa e uma ruim, a boa é que comprei seu DVD e Livro que ainda estou lendo pois chegou essa semana que são ótimos e eu estou gostando bastante do livro (que ainda estou lendo :)).
 
A notícia ruim é que o motociclismo perdeu ontem um dos primeiros pilotos do Brasil a correr um GP válido pelo Campeonato Mundial de Motociclismo, seu nome era Luis Celso Giannini, que eu conheci como meu tio postiço, pois se casou com minha tia há 2 anos e tive a honra de tê-lo aqui em casa e no meu casamento, este paulistano nascido em 18 de Julho de 1947 correu de Yamaha TD 250, inscritos pela Holanda (pois a federeçao de Motociclismo brasileira estava suspensa naquele momento), participou de três corridas daquele campeonato. Segundo ele: “O primeiro foi o da Finlândia, em Imatra, um perigoso circuito formado por ruas e estradas. Depois veio o GP do Ulster (Irlanda do Norte), também uma pista de estrada, cujo traçado incluía uma passagem sobre trilhos de trem. E depois viria o GP da Tchecoslováquia, em Brno, na época um circuito de estrada com 23 km de extensão”.
 
Este mesmo Luis Celso Giannini, super figura com seu bigodaço nos deixou ontem por conta de um ataque cardíaco às 17:30 em Cotia, cidade onde morava. Fica aqui o registro de um brasileiro desconhecido, mas que podia nos contar várias estórias interessantes sobre motos, o inusitado Luis Celso, um grande abraço pra vc Tite, e que finalmente ele tenha um pouco de paz...
 
Salut Tite!!!
 
P.S. : No detalhe da foto, Luiz Celso Giannini e sua Yamaha TD 250 em Interlagos, em 1971. A máquina é identica à que ele usou na Europa
publicado por motite às 22:04
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Vida corrida - ultrapassagem e ultrapassado

 

(vai ser ultrapassado?)

 

É como um gol! Não dá pra explicar a sensação de uma ultrapassagem a quem nunca passou por isso. A única analogia que consigo é com futebol. A ultrapassagem é o gol das corridas. Quem está pilotando tem vontade de sair socando o ar a cada ultrapassagem bem sucedida. Fiz poucos (menos de uma dezena) de gols ao longo da minha horrível carreira de jogador de futebol, mas nas pistas meu placar foi bem elástico. A meu favor!
 
No kart eu fiz muito mais ultrapassagens do que fui ultrapassado. No motociclismo esse placar foi mais equilibrado porque minhas melhores ultrapassagens foram na largada, o que não dá a mesma sensação. Seria o gol de pênalti!
 
Quem almeja ser um piloto precisa entender como se processa a ultrapassagem do começo ao fim. É como um jogo de xadrez no qual o piloto precisa estudar cada lance do adversário. O primeiro estudo é o mais simples: descobrir onde é mais veloz que o adversário. Depois preparar o bote sem que o adversário perceba e só então vai pro ataque de forma a impedir qualquer reação.
 
Demorei algumas corridas para entender esse mecanismo porque existem várias formas de se evitar a ultrapassagem, desde as honestas até as mais cabotinas. Para evitar a “fechada de porta” o bote tem de ser mortal. Que nem uma serpente (das boas!).
 
Depois de algum tempo competindo na mesma categoria os pilotos passam a se conhecer a ponto de saber o comportamento de cada um diante da possibilidade de ser ultrapassado. Tem desde aqueles que nos surpreendem com uma força adquirida sabe-se lá de que anjo e começa a rodar mais rápido inexplicavelmente. Existem os desonestos assumidos que fecham no meio da reta ou simplesmente preferem provocar um acidente a se ver ultrapassado. Um tipo comum é o desesperado que assim que se vê na iminência de ser passado comete um erro atrás do outro e facilita as coisas.
 
Antes de uma corrida o piloto precisa avaliar se terá mais facilidade de ultrapassar ou ser ultrapassado. Para isso estuda os tempos dos seus adversários e a progressão deles ao longo dos dias de treino. Dos pilotos que estão mais próximos é preciso avaliar quais conseguiram melhorar seus tempos de volta de forma progressiva, quais ficaram estáveis e quais foram caindo durante os treinos. Os perigosos são os que progrediram de forma constante e consistente. O passo seguinte é pesquisar (um eufemismo para “espionar”) qual regulagens ele está usando: transmissão final, tipo de pneus, regulagens de barras estabilizadoras (se for coisa de quatro rodas) etc. O passo seguinte é avaliar os tipos de pilotos que estão à frente e atrás.
 
Depois de toda essa avaliação finalmente a equipe pode decidir por uma estratégia atacante, preparado para ir pra cima dos adversários que estão à frente, ou uma conservadora para se proteger dos que vêm de trás. Conforme esse estudo todo o piloto pode optar por um acerto que dê mais velocidade em reta ou mais força na saída de curva.
 
Ao contrário do que muita gente pensa, ultrapassagem começa com uma curva perfeita. O piloto precisa sair da curva com mais rotação do que o adversário, entrar na reta bem colado para aproveitar o vácuo e deixar para dar o bote na entrada da curva seguinte. Nem sempre o equipamento mais veloz é mais eficiente para ultrapassar, porque uma saída de curva veloz pode dar a força extra para passar mesmo que o adversário tenha um kart ou moto mais velozes.
 
Vácuo e pré-visão
O vácuo é a zona de baixa pressão aerodinâmica formada atrás de qualquer corpo em movimento. Até caminhando a pé nós formamos vácuo atrás de nós. Os ciclistas se aproveitam da troca de vácuo entre eles para economizar forças para o sprint final. O “tamanho” do vácuo depende de uma série de variáveis que vai desde a velocidade até o perfil aerodinâmico do veículo.
 
Karts produzem pouco vácuo porque são abertos e têm um perfil aerodinâmico conturbado, mas mesmo assim é possível se beneficiar dele. Já nas motos o vácuo é grande e ajuda – ou atrapalha – muito a vida dos pilotos.
 
Sem a pressão aerodinâmica pela frente o piloto consegue se manter na mesma velocidade do adversário à sua frente, porém com 500 ou 1.000 rpm a menos no motor. Quando o piloto percebe que o adversário à frente chegou na faixa de rotação máxima, ele precisa sair do vácuo e usar esses 500 ou 1.000 rpm a mais para passar. Simples!
 
Só que nem sempre é fácil assim, porque o adversário pode mudar a trajetória, sair da frente e fazer o vento pegar o outro bem de frente. E lá se foi a primeira tentativa... Ou então, o piloto da frente percebe a manobra e freia antes do previsto levando o outro piloto quase a um ataque cardíaco ao ver uma traseira crescer de repente na sua cara! Como eu comentei antes, é um jogo de xadrez.
 
Aí entra em cena a pré-visão. Que nada mais é que ver antes. O BOM piloto é aquele que conhece tão bem seus adversários que é capaz de antecipar as reações dele. Ao longo de 22 anos de corrida eu adquiri sensibilidade suficiente para conhecer meus adversários em poucas voltas e reconhecer o estilo de pilotagem de cada um. Sem estudar os adversários a chance de uma ultrapassagem acabar fora da pista é maior. Até mesmo para saber quem é mais desmiolado que outro.
 
A ultrapassagem bem feita é aquela que não dá margem para uma revanche. Muito piloto festeja uma ultrapassagem antes da hora e acaba sendo ultrapassado poucas curvas depois. Existe um aspecto psicológico pouco debatido nas competições que é a reação à ultrapassagem. É notório que a ultrapassagem é como vencer uma batalha, como submeter o adversário a uma humilhação, um nocaute. Neste momento podem-se observar desde pilotos resignados que aceitam a ultrapassagem como fato consumado, até os aguerridos que não se conformam e partem pra cima para retomar a posição a qualquer custo. Confesso que faço parte do segundo time, por isso sempre fui fã de carteirinha do Gilles Villeneuve (ex-piloto de F1) porque ele não deixava barato: devolveu a ultrapassagem várias vezes de forma selvagem!
 
Nesse aspecto é importante conhecer o perfil psicológico dos seus adversários, mas também o próprio temperamento. Já passei por situações nas quais um piloto me passava e eu esperava até ele se sentir tranqüilo, “vitorioso” para devolver a ultrapassagem a poucas voltas do fim para não dar tempo de reagir.
 
 
E no mundo corporativo?
 Impressionante o volume de ensinamento que as competições podem oferecer ao mundo corporativo. Nas várias empresas por onde passei vi desde equipes focadas no estudo dos adversários para proceder a uma ultrapassagem bem feita, até aquelas que se deixavam ultrapassar com uma facilidade desestimulante.
 
O que mais me impressionou no mundo corporativo, sobretudo no mercado editorial, foi a forma quase inocente de administração que facilitava ultrapassagens sem esboçar a menor reação.
 
Os erros mais comuns que vi nesse mercado foram a falta de investimento e desconhecimento do perfil dos adversários. Em uma época tão globalizada que vivemos vejo títulos importantes do mercado que se recusam a uma associação com revistas internacionais. As grandes editoras internacionais estão loucas para entrar no Brasil porque nosso mercado cresce numa razão exponencial. Basta analisar o número de alfabetizados nos países desenvolvidos e confrontar com nosso mercado latino americano.
 
Os mercados europeu e norte-americano têm um imenso público consumidor, afinal o índice de alfabetização é quase 100%. Isso é bom porque as revistas vendem muito bem, mas é ruim porque não tem mais perspectiva de crescimento. As populações dos países desenvolvidos estão encolhendo e a influência da mídia eletrônica também é maior. Aos poucos o número de leitores está caindo.
 
Enquanto isso no Brasil o número de alfabetizados aumenta lentamente e representa um promissor universo de futuro leitores. Sem ingenuidades, porque o senso de 2003 revelou 75% da nossa população formada por analfabetos funcionais!
 
As grandes editoras internacionais já começam a avaliar a entrada no mercado brasileiro de olho no crescimento de leitores. Títulos estrangeiros chegam e dominam o mercado pela qualidade e diversidade de pauta.
 
Mas as pequenas editoras que têm importantes títulos na área segmentada ficam só olhando, esperando o adversário chegar, passar por cima e ir embora. Há anos venho comentando que no dia que uma editora estrangeira lançar um título de motociclismo no Brasil as atuais revistas, sobretudo as mais conservadoras, serão ultrapassadas com facilidade.
 
Assim como nas competições, quem não evolui é ultrapassado. Em todos os sentidos!  

 

 

publicado por motite às 16:59
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Vida corrida - Erros & acertos

 

(alguém notou algo estranho nessa foto?)

 

Sempre que eu chegava de alguma corrida minha mãe perguntava:
 
- E aí, ganhou?
 
E eu invariavelmente respondia:
 
- Sim, ganhei experiência!
 
Essa é uma das maiores verdades do meu período como piloto de competição. O que mais ganhei nesses 22 anos foi a experiência que escola nenhuma seria capaz de oferecer. Como dizia Confúcio, “a sabedoria vem da experiência e a experiência vem dos erros que cometemos”.
 
Sem saber, ao dar aquela resposta tão simples pra diminuir a frustração da minha mãe (a maior torcedora de qualquer piloto) eu estava adotando uma filosofia de vida chamada pelos especialistas de positivismo. Que nada mais é que ver o lado positivo de todas as experiências de vida.
 
Eu mesmo costumo brincar com meus amigos e alunos porque tudo na vida é como uma pilha: sempre tem o lado positivo!
 
Quando conseguimos reverter as perdas em ganhos torna-se muito mais fácil adquirir experiência e, conseqüentemente a sabedoria.
 
No mundo das competições o erro faz parte de cada etapa de um final de semana. Desde a preparação do equipamento, da escolha dos integrantes da equipe, investimento, tudo é passível de erros e acertos. Segundo o ex-piloto tri-campeão mundial de Fórmula 1, Jackie Stewart, “ganha corrida quem erra menos”.
 
Curioso notar que ele não se referiu aos acertos, por exemplo: “ganha corrida quem acerta mais”, mas fixou-se nos erros. Isso é uma grande e inquestionável verdade, porque todo piloto comete vários erros ao longo de uma competição, desde um pequeno erro na frenagem que custa um ou dois décimos de segundo, até grandes erros como ultrapassar em um lugar impossível.
 
Grandes pilotos já cometeram erros que ficaram na história, inclusive outros esportistas. É muito interessante observar que todos os filmes sobre o Pelé trazem duas cenas que não terminaram em gol, mas que marcaram a carreira dele: os gols perdidos na Copa de 1970. Em um deles ele fez um corta-luz no goleiro, mas o chute saiu levemente errado e a bola não entrou. No outro ele chutou do meio de campo, encobriu o goleiro, mas a bola também não entrou. Acho que são os erros mais conhecidos da carreira dele. No entanto eu confesso que lembro poucos gols do Pelé com tanta clareza.
 
Quando repasso minha carreira a limpo lembro de um erro que se tornou uma imensa experiência. Sempre contei com uma verba bem reduzida e para correr fora de São Paulo precisava recorrer a amigos. Um emprestava o carro, outro dirigia (eu não tinha carta) e outro pagava o hotel etc. Por isso eu me empenhava muito mais para retribuir toda essa gentileza. Para correr em Bauru (SP) lá fui eu com minha restrita comitiva de amigos que acabavam fazendo papel de mecânicos, cronometristas, chefes de equipe e até bandeirinhas.
 
Durante a tomada de tempo eu não fui bem e larguei em oitavo. Logo na primeira volta passei alguns pilotos e me coloquei em sexto. Como os cinco primeiros recebiam troféus eu fazia questão de poder dividir a alegria de um troféu com os amigos e me esforçava para ficar entre os cinco primeiros. A pista era muito travada sem muitos pontos de ultrapassagem e eu ainda estava com uma relação muito curta, sem velocidade na reta. Tinha de passar só nas curvas. Estudei o quinto colocado por várias voltas e achei um ponto de ultrapassagem, mas não mostrei minha tática pra ele. Quando um piloto percebe um ponto de ultrapassagem não pode mostrar para o que está na frente, senão ele se defende. Tentei em várias outras curvas até ele esquecer DAQUELA curva. Dito e feito: meti o kart de lado e fui embora em quinto lugar, já com uma mão na taça!
 
Só que veio o primeiro erro. Quando colei no quarto colocado ele errou uma curva e tirei o pé, em vez de acelerar e passá-lo. Acabei sendo ultrapassado e caí pra sexto com vários pilotos querendo passar por cima de mim!
 
Pensei “ah não, não posso perder esse troféu” e colei de novo atrás do mesmo piloto que gastei um tempão pra ultrapassar. Aí cometi o segundo erro: fui passar naquele mesmo ponto. Obviamente que o piloto já estava esperando e me trancou. No kart quem bate por dentro da curva roda e o de fora da curva vai embora. Lá se foi meu troféu! Fiquei em 14º lugar sem marcar nem um ponto no campeonato!
 
Mas os ganhos que resultaram dessa perda foram imensos. Nunca mais eu tirei o pé do acelerador quando alguém rodava na minha frente e isso me fez ganhar várias posições em corridas futuras. A segunda lição que serviu pra toda minha carreira foi: não tente ultrapassar duas vezes o mesmo piloto no mesmo lugar. É preciso buscar um novo ponto de ultrapassagem porque naquele lugar ele sempre estará esperando.
 
(ganha corrida quem erra menos)
 
Um piloto pode até se permitir errar, afinal faz parte da natureza da competição, mas não pode ser recalcitrante, que é característica de quem insiste nos mesmos erros. Ou popularmente chamado de cabeça-dura.
 
No mundo corporativo eu vejo empresas e empresários que insistem nos mesmos erros ao longo de décadas. Um desses erros é acreditar no mais furado dos provérbios que já se criou: “Em time que está ganhando não se mexe”!
 
Isso é tão mentiroso que deveria fazer parte dos 10 pecados capitais. Nem no futebol isso funciona! Quem vive no mundo da competição sabe que não importa se os últimos resultados foram vitoriosos é preciso estar sempre mexendo e melhorando. Em competições, quem não evolui está, na verdade, andando pra trás. Independentemente do resultado que eu conseguia em uma corrida sempre ficava pesquisando se e onde podia dar uma melhoradinha. Um freio melhor regulado, rolamentos melhores, novos ajustes, polimento de peças do motor, qualquer pequeno cuidado na preparação pode melhorar o que já está bom.
 
Quando fui trabalhar na maior editora do Brasil vi que os diretores de redação e de arte se empenhavam em melhorar a revista a cada nova edição. Isso me deixava louco da vida, porque acabava de editar uma página e lá vinha um diretor mexer naquilo que eu achava bom. Não é por menos que as revistas desta editora são líderes de mercado, estão sempre melhorando.
 
Já nas editoras pequenas encontrei exatamente o inverso: uma incrível acomodação com a qualidade. A frase que mais ouvi nessas editoras menores era “pra que mexer, assim está dando certo?”. Esse pensamento não leva às vitórias, pode acreditar. Se quisesse dizer quais foram as maiores lições que aprendi nas pistas começaria por essas duas:
 
- Não cometa o mesmo erro duas vezes.
 
- Em time que está ganhando se mexe sim senhor!

 

publicado por motite às 16:17
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Pecado original

 

 

Recentemente publiquei uma crítica sobre o excesso de livros de auto ajuda nos corredores da Bienal do Livro em São Paulo. Veja o link: http://motite.blogs.sapo.pt/11701.html) . O que pouca gente – e eu mesmo – nunca se deu conta é que o mais antigo, famoso e vendido livro de auto-ajuda da História chama-se Bíblia!
 
Na Bíblia tem resposta para várias das angústias que assolam a humanidade. Falta de amor? A receita está lá. Falta de grana? Também está explicado tudinho, inclusive com uma aula sobre negociação salarial. A auto-estima anda baixa? Tem explicação para mudar nas páginas fininhas da Bíblia. Até aquele livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” é uma cartilha infantil perto da Bíblia que, afinal trata da vida de um personagem que mais fez amigos e influenciou pessoas da História da Humanidade.
 
Neste momento que estou diante de um daqueles grandes golpes que a vida nos reserva fui buscar a resposta na Bíblia. Calma, não pensem que fiquei louco, pastor ou prestes a virar padre, mas eu vejo a Bíblia como um livro que tem várias respostas para muitas das nossas dúvidas. Basta ver como um livro repleto de boas dicas de auto-ajuda e não como um oráculo. Sem exageros, pessoal.
 
Tem um capítulo que trata do “pecado original”. É uma visão extremamente sábia e bem interpretada deste nebuloso capítulo da História Humana, afinal dizem que todos nós carregamos esse pecado. Tudo porque a Eva pisou na maçã, quer dizer, no tomate!
 
Segundo o Livro, Deus teria dito à Eva e ao Adão que podiam viver no paraíso na boa. O casal inaugural podia nadar nos rios cristalinos, dormir pelados ao relento e se alimentar do que a Natureza lhes proviesse. Uma beleza!
 
Mas Ele advertiu apenas para uma ordem: “Não comam o fruto daquela árvore” e apontou o dedo de Deus pra uma macieira forrada de frutas madurinhas. Ô tentação!
 
Na representação bíblica apareceu uma serpente e sibilou no ouvido da Eva:
 
- Vai lá, é só uma, Ele nem vai dar falta!
 
Bom, de tanto a cobra sibilar, a Eva foi lá no ouvido do Adão e começou a buzinar. Adão e Eva foram lá na macieira e NHOC! mandaram ver na fruta!
 
Bom, aí veio aquele mise en scéne todo, com o céu escurecendo, trovões, raios e tudo que a Natureza produziu de pior. E Deus expulsou Adão e Eva do paraíso.
 
O problema veio na interpretação dessa passagem da Bíblia. Rapidamente a ideologia judaico-cristã da Idade Média viu nesse episódio a oportunidade de implantar uma lei-seca sexual. Afinal, sexo era permitido apenas para procriação e olhe lá. E a inocente maçã passou a ser sinônimo de sacanagem. Mas o que o mais antigo livro de auto-ajuda estava se referindo ao classificar o “pecado original” nada tinha a ver com sexo, mas com DESOBEDIÊNCIA!
 
No momento que Deus pediu UM sinal de obediência, o casal inicial foi lá e desrespeitou o menor e mais simples dos regulamentos já criado até hoje. Por isso foram expulsos do Paraíso.
 
O drama que passei no domingo dia 31 de agosto me fez lembrar dessa passagem da Bíblia. Durante os quase 10 anos que ministro o curso de pilotagem sempre frisei a necessidade de respeitar só UMA regra: não ultrapassar os instrutores! Todos os mais de 1.000 alunos que formei nesse período obedeceram. Exceto um. E a desobediência, a exemplo do que foi retratado na Bíblia, com todos os significados e significantes, resultou na expulsão desse aluno do Paraíso.
 
Não sei qual destino a justiça dos homens nos reserva após esse episódio, mas prefiro acreditar na justiça divina. Afinal, se existe um pecado antigo e severamente punido é o da desobediência.
 
Amém. 
 
publicado por motite às 16:09
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