Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Vida corrida - Talento x Habilidade

 

(Eric Granado, o menino mais feliz do mundo)
 
O mundo das idéias se divide basicamente em duas correntes: os cientistas e os humanistas. Os cientistas analisam o mundo essencialmente pela luz materialista da ciência. Não há espaço para conceitos como “dom” ou “talento”. Já os humanistas tratam o Homem de um ponto de vista filosófico que nem sempre obedece a frieza na ciência. Nem vou ser maluco de querer definir qual está certo ou errado, muito menos defender uma ou outra corrente de pensamento. Mas vou sim jogar um pouco da minha experiência sobre um inesgotável assunto que alimenta acaloradas discussões tanto em sala de aula quanto em mesa de botequim: existe talento?
 
De cara vou deixar claro que sou um misto de materialista com humanista (afinal de contas eu sou corintiano mas torço pro Rogério Ceni fazer gols!). Só que nesta discussão sobre talento versus habilidade sou absolutamente cientista e não acredito em “o talento”. Aliás, só a título de proteção ao idioma nunca repitam a asnice de falar “talento natural”, pois se é talento não pode jamais ser artificial, muito menos adquirido...
 
O conceito de talento está diretamente relacionado a uma aptidão in natu, que já vem com a pessoa desde o nascimento, chamada de congênita. Para aceitar este conceito é preciso acreditar em teorias com bases muito mais dogmáticas do que científicas como reencarnação e vida após a morte. Ou então na teoria do Maktub, segundo a qual já nascemos predestinados a ser o que somos desde o heterozigoto até a morte.
 
Bom, basta olhar o sucesso de vendas da teoria do Maktub escrita por Paulo Coelho e comparar com os vários livros que tratam do materialismo histórico marxista para descobrir em qual das duas teorias a humanidade acredita. Mesmo assim, continuo acreditando que “talento” foi um conceito criado lá na Idade Média – com anuência e patrocínio da Igreja Católica – para resignar os pobres e fracassados. Quantas vezes na vida você falou ou ouviu alguém falar “não tenho talento pra coisa”.
 
Parte dessa crença vem nas repetidas histórias difundidas em todo mundo de pessoas que desenvolveram uma capacidade gigantesca para determinadas tarefas, desde as mais prosaicas até as mais sofisticadas. Exemplos como do Wolfgang Amadeus Mozart que compunha sinfonias desde a tenra infância, mas pouca gente se lembra que o pai dele também era músico e compositor.
 
No entanto quando vejo um pedreiro construir um muro de arrimo com uma precisão quase milimétrica, ou uma faxineira lavar e passar a roupa com um capricho maior do que a lavanderia do mais caro hotel de Dubai não ouço ninguém comentar “nossa, eles nasceram com talento para ser pedreiro e lavadeira”. Claro, porque o conceito de talento só existe para atividades consideradas nobres e não para as corriqueiras.
 
Todo esse papo para tentar explicar a você que está com o nariz apontado pra tela do computador que esse papo de ter, ou não, talento para pilotar é uma inútil e desmesurada BESTEIRA! O que existe, de fato, é a HABILIDADE, qualidade esta que se ADQUIRE com o crescimento e a experiência. Não se nasce hábil, pelo contrário, o ser humano nasce quase um vegetal, com habilidade só pra comer e fazer cocô – bom, alguns continuam assim ao longo da vida!
 
Em 30 anos acompanhando as competições vi casos que mais comprovam a teoria científica do que a “maktubista”. Todos os grandes pilotos de F1 ou motovelocidade têm algo em comum: começaram a praticar na infância. Nomes sempre lembrados como “talentosos” como Ayrton Senna, Michael Schumacher, Valentino Rossi têm em comum o início precoce antes mesmo de terminar o primeiro setênio (os primeiros sete anos de vida). Quando chegaram à adolescência eles tinham passado METADE da vida praticando a pilotagem. Não há como não adquirir uma eficiente HABILIDADE.
 
Obviamente que o caráter e a personalidade deles contribuíram para obter sucesso maior que os concorrentes com mesma carga de experiência. Esse caráter é formado por aquelas qualidades humanas que descrevi lá nos primeiros capítulos desta novela “Vida Corrida” (http://motite.blogs.sapo.pt/9521.html). Quando um piloto consegue reunir as qualidades humanas favoráveis – incluindo a INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – com a prática constante não tem como dar errado. Vou dar alguns exemplos:
 
Quando eu corria de kart havia um garoto de uns nove anos que começou a correr por influência do pai, amigo do Emerson Fittipaldi. O pai era um grande piloto de lancha off-shore com vários títulos, mas queria que o filho corresse de kart e depois de carro. O garoto se esforçava muito, mas todo mundo que conhecia competição sabia que o menino não era feliz. Depois de um ano de tentativa finalmente o pai desencanou e deixou o filho parar de correr.
 
Alguns anos mais tarde li uma notícia no jornal que me chamou atenção. Um jovem de apenas 17 anos era a revelação nos campeonatos de lancha off-shore. Era o mesmo garoto, que descobriu sua verdadeira paixão nos barcos e venceu TODAS as etapas do campeonato. A paixão traz felicidade e pilotar feliz é o primeiro indício de sucesso.
 
 
(Marcelo - à esq. - ao lado do excelente preparador Spiga Finardi)
 
Outro exemplo que gosto de citar é do meu ex-aluno e amigo Marcelo Mistrorigo. Com quase 30 anos de idade ele ganhou uma moto esportiva em uma rifa. Jamais tinha pilotado uma moto e se inscreveu no meu curso. Em apenas dois dias ele mostrou muita habilidade e continuou treinando em Interlagos e no Rio de Janeiro. Um ano depois se inscreveu no campeonato brasileiro de Super Sport e foi campeão!
 
Alguém poderia sugerir “ele tinha talento”. Não! Atribuir este sucesso ao talento é jogar fora todas as qualidades humanas dele. Quem o conheceu pessoalmente rapidamente via que se tratava de uma pessoa muito focada, concentrada e criteriosa. Ele pesquisou e escolheu a melhor 600 da época. Procurou o melhor preparador. Investiu muito dinheiro e trabalho para treinar técnica e fisicamente e o resultado foi a vitória. Depois disso parou de correr...
 
Outro exemplo clássico foi automobilismo dos anos 60. Os geniais pilotos Ronnie Peterson, sueco, e Niki Lauda, austríaco, dividiam a mesma equipe de Fórmula 3. Peterson era, em média, três segundos mais rápido que Lauda. Um observador desavisado poderia atribuir a diferença à falta de talento do austríaco. No final do campeonato Lauda já era tão rápido quanto Peterson e ganhou três títulos mundiais na F1. Peterson poderia ter vencido muitos títulos, mas morreu em decorrência de um acidente em Monza. A diferença nada tinha a ver com talento, mas apenas treino e concentração.
 
(Niki Lauda, acusado de ser lento...)
 
Quando eu encontro o jovem Eric Granado, que está liderando os campeonatos espanhóis, vejo o menino mais feliz do mundo. Ele pilota com uma alegria tão grande que é capaz de ter um acesso de riso antes da largada. Já começaram as teorias sobre o "talento" do Eric, mas conheço o piloto desde que ele era uma divisão celular. Filho do piloto Marcos Lama, Eric respira motovelocidade desde que nasceu, começou a pilotar com sete anos e aos 12 já um pequeno gênio da velocidade. Bsta ficar alguns segundo ao lado dele pra perceber que tem uma hiperatividade correndo nas veias, o que é uma ÓTIMA qualidade humana para pilotar. Sem falar na contagiosa felicidade.
 
 
Lembro de uma vez ter lido um comentário do Nelson Rodrigues no qual ele dizia que o jovem Pelé jogava sorrindo. Essa alegria é típica de quem faz o que ama. É essa felicidade de fazer BEM o que se ama que diferencia o piloto burocrático do gênio.
 
Posso até citar minha história como exemplo. Por mais que eu me esforçasse não era capaz de ser efetivamente rápido durante toda a corrida. Fui um piloto rápido em treinos e nas primeiras voltas, mas geralmente da metade da corrida em diante meu desempenho caía muito. Falta em mim uma das qualidades humanas essenciais para passar de bom para ótimo: a capacidade de concentração. Desde a infância eu sofro de déficit de atenção, que é ruim para ser piloto, mas é ótimo para ser jornalista/escritor porque nas minhas “viagens ao mundo da lua” desenvolvo a inspiração para escrever.
 
Muitos dos meus leitores dizem que tenho “talento” para escrever. Mentira! Até chegar à faculdade de jornalismo eu não conseguia escrever nem um telegrama. Só depois de conhecer os grandes teóricos da comunicação é que passei a me interessar por letras e literatura. Estudei que nem um nerd, fiz estágios sem remuneração, tive ótimos editores e escrevi muito. Hoje, depois de passar METADE da minha vida escrevendo e lendo todos os dias por 25 anos seria admirável se não tivesse aprendido.
 
Por isso tudo acho perigoso jogar a responsabilidade por fracassos e sucessos a um atributo tão vago como “talento”. Muitas vezes olho o mundo corporativo e percebo pessoas infelizes fazendo o que não gostam em nome de uma estabilidade financeira. Vejo o sofrimento de quem passa horas executando um trabalho enfadonho e sem criatividade só para garantir o “ganha-pão”.
 
Da mesma forma vejo profissionais extremamente criativos executando tarefas meramente burocráticas só para justificar uma ascensão profissional. Eu mesmo passei uma experiência terrível como chefe de redação de uma revista nova e descobri que não gosto – nem quero – fazer a parte burocrática do trabalho: negociar com fornecedores, contratar pessoal, elaborar planilhas de pagamento, agendar fotógrafos, acompanhar produção, comprar matérias de publicações internacionais, fazer dezenas de diagramas, editar textos de outros jornalistas, aaaaaarrrrrrrrrghhhhh! Prefiro abrir mão de um salário confortável e voltar para a parte criativa da comunicação que é ESCREVER!
 
Não se trata de ter, ou não, o chamado talento, mas de HABILIDADES e qualidades humanas. O bom profissional de Recursos Humanos é aquele capaz de detectar em uma pessoa se ela será capaz, ou não, de desenvolver suas habilidades na função. No entanto, parece que esses profissionais nunca são consultados ANTES da contratação. Minha última entrevista de RH (e espero que seja a última da minha vida) foi uma piada, porque cheguei indicado pelo diretor de redação. A maior preocupação do RH daquela empresa era filtrar – sem trocadilhos – quem era fumante! Acredite, mas perdi uma excelente estagiária só por ser fumante!
 
Viu como sofro de déficit de atenção??? O que eu estava escrevendo mesmo?
publicado por motite às 16:28
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8 comentários:
De Sergio CJR. a 26 de Setembro de 2008 às 18:14
Fala Tite,

Sobre esse texto, ainda tenho um argumento que acho válido, o qual considero que tenha importância sobre o futuro de uma pessoa e, que de certo modo, pode-se considerar como talento.

É a carga genética que a pessoa carrega. Não que um filho de um bom piloto, necessariamente, será um bom piloto, mas a carga genética que foi passada por seus pais, provavelmente, terá incluída as características para ser um bom piloto.

É igual a criar cães, a carga genética dos "pais" influenciará no comportamento do canino e, os criadores, costumam dar prioridade a determinadas características, incentivando o cruzamento de cães que possuam tais qualidades.

No caso dos humanos não é tão diferente, se você pegar um casal onde, ambos, sejam bons comunicadores, a possibilidade do filho ser um excelente comunicador é enorme, não por conta da convivência com os pais, mas por aquilo ser inerente ao seu DNA. Acho que, aí sim, podemos chamar tal característica de talento.

No caso de piloto, se o pai tiver uma excelente capacidade visual, grande noção de profundidade, habilidade mecânica e, a mãe, uma excelente concentração, frieza para resolver problemas, ..., teremos os ingredientes para a formação de um excelente piloto.

Sem entrar no mérito religioso, no fundo, somos como qualquer outro animal, a herança genética, fruto das experiências de nossos antepassados, ainda conta muito.
De motite a 26 de Setembro de 2008 às 19:24
Então, Sérgio, com todo respeito ao seu ponto de vista, não concordo e por isso não incluo a predisposição genética, porque existem inúmeros casos de filhos de pilotos que nunca passaram de um cheque sem fundo ns competições.

Acredito que seja um caso de ADMIRAÇÃO e convivência. O Eric cresceu vendo seu pai correr de moto e desenvolveu um desejo imensurável.

Meu pai foi um excelente jogador de futebol e eu nunca consegui nem sequer aprender a chutar uma bola! Nem meu irmão!!!

E eu não considero homens no mesmo plano dos animais. Somos sim animais, mas temos algo de diferente que os cientistas tentam explicar desde o elo perdido.
De Fernando Savian a 26 de Setembro de 2008 às 21:19
Porra, mas se as empresas não se interessam em patrocinar um campeão, então qual é o quesito principal para chamar a atenção desses malas?
De motite a 26 de Setembro de 2008 às 22:16
Os quesitos são:
a) ser parente do presidente da empresa
b) oferecer 20 a 30% da verba total do patrocínio para o gerente de marketing, obviamente por fora, a título de agradecimento...
c) Ser dono da empresa
d) Oferecer o patrocínio como forma de lavar dinheiro ilegal da empresa (chamado caixa 2)

E lá no fim, muito lá atrás, vem o critério técnico-esportivo, como ser um mero campeão brasileiro...
De Fernando Savian a 26 de Setembro de 2008 às 18:44
Tite, conta pra nós o motivo que levou o Marcelo Mistrorigo para de correr, já que pelos "três pontinhos" deu pra sentir também em você uma sensação de desapontamento.
De motite a 26 de Setembro de 2008 às 19:20
O de sempre... falta de patrocínio...
De Orlando a 26 de Setembro de 2008 às 20:11
Tite, concordo quase inteiramente com seu texto, exceto quanto à suposta "invenção" da "explicação do talento" pela Igreja. Sei que não foi uma crítica, mas talvez um mote ou uma sacada bem-humorada. O fato é que a Igreja, embora com sua doutrina deturpada por alguns de seus Bispos e Padres, e até por alguns Papas, sempre pregou a VALORIZAÇÃO DAS VIRTUDES, entendendo virtudes não como "dons" ou "talentos", mas justamente como ESFORÇO, ou seja, exatamente o que você disse no seu texto. As virtudes nada mais são do que "bons hábitos" e o vícios os "maus hábitos". Veja bem, virtudes e vícios não têm a ver com personalidade, mas com hábitos, e habituar-se a viver as virtudes exige esforço e treino.
Por exemplo: Fazer tudo a tempo e a hora - laboriosidade - é uma virtude, ou seja, um bom hábito adquirido com o contínuo esforço para não ceder ao adiamento das tarefas (preguiça).
Pontualidade - ordem - é outra virtude, adquirida com o contínuo esforço de organizar a agenda e não ceder à vontade de se alongar demais em um compromisso em detrimento do outro, ou ainda em não ceder à tentação de ser legal e "encaixar" compromissos mais agradáveis a uma data já carregada.
Os bons hábitos repetidos, quando se tornam virtudes, já não mais exigem tanto esforço e assim até não mais exigirem esforço algum, sendo executados com alegria, exatamente como você falou. É claro que há hábitos que custam mais para serem transformados em virtudes, e isso depende de pessoa para pessoa - há os mais ativos (como o Eric Granado) e os mais preguiçosos (como eu, hehehe), há os mais concentrados e os menos concentrados (como você), mas não são "dons".
Isto posto, a explicação que a Igreja dá para a diferença entre os "bem sucedidos" e os "mal sucedidos" não tem a ver com o "dom" ou "talento", nem tampouco ao "esforço" ou em diferentes graus de virtudes (às vezes uma pessoa mais inteligente, esforçada e virtuosa não teve o sucesso de um outro que tem esses predicados em menor grau), mas sim às circunstâncias da vida de cada um. Mais um exemplo: Uma pessoa que teve o primeiro emprego como contínuo num banco e hoje é diretor (essa pessoa existe e é próxima de mim). Claro que o esforço e a prática dos bons hábitos, que se transformaram em virtudes, valeram. Mas e se ele tivesse tido como primeiro emprego um cargo de contínuo numa copiadora? Não estou falando de carma, mas de circunstâncias de vida, onde cada um tem a sua.
Entedo que o exercício das virtudes efetivamente melhora as pessoas, mas não às vezes as circunstâncias são desfavoráveis (vide o Marcelo Mistrorigo e o próprio Hans Strudel naquela crôncia sua sobre o melhor piloto de F1 de todos os tempos).
Finalizando, a Igreja usa o termo "dom" para designar algumas características do ser humano que o diferenciam dos animais. É algo infuso na alma, ou natural. Mais um exemplo: Todo homem tem entre seus dons, o dom da fé (fé não é crença, é desejo de conhecer e, a partir desse conhecimento, acreditar) e da liberdade. Mmesmo os ateus, que assim o são pelo exercício do dom da fé na busca por respostas e, não se satisfazendo com o resultado da busca, que pode ser superficial ou profunda, num pleno exercício da liberdade (outro dom), escolhem ser ateus. Por isso se diz que "a liberdade é o maior dom que Deus nos deu". A liberdade permite até acreditarmos nEle ou não.
De motite a 26 de Setembro de 2008 às 22:12
Karaka, Orlando e eu que pensava que escrevia muito...

Então o que eu quis dizer com o papel resignador da Igraje está diretamente relacionado com o período no qual a Igreja andou de mãos dadas com a burguesia e pregava a falta de talento para aplacar a frustração da camada pobre. Veja que citei a Igrela na IDADE MÉDIA! Hoje em dia esse papel se inverteu.

Basta entrar em qq Igreja antiga para sentir o clima de submissão dos fiéis. Quando entrei no VAticano me senti a mosca do coco do cavalo. Me senti um nada...

Na Idade média e, mais tarde, no início da revoluçao industrial a Igreja teve o papel de conformar aqueles que ficavam fora do bem-bão. E a melhor desculpa que tinham para explicar porque tantos eram tão pobres e poucos eram tão ricos era a famosa "você não tem talento para ganhar dinheiro"

Claro que fatores como estar no lugar certo na hora certa contribuem para o sucesso. Mas quando escrevo o Vida Corrida estou partindo do princípio que são textos aplicados à pilotos e o mundo das competições. mas que uma ou outra coisinha pode ser aproveitada no intrincado mundo corporativo.

Eu tb comecei como ofice-boy aos 17 anos... Depois subi na vida e virei... MOTO-BOY, hahahahaha, em 1977!!!

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