Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Vida Corrida - Coma menos e corra mais

(Esse magricelo de boné sou eu mesmo em 1987: tinha 58 kg!!!)

 

Se existe uma grande – e visual – diferença entre piloto de moto e carro está no físico. Corpo físico, bem entendido. Os regulamentos das categorias de motos e de carros diferem em uma questão fundamental: geralmente na motovelocidade só a moto tem limitação de peso, enquanto nas categorias de 4 rodas o limite de peso leva em conta o conjunto veículo+piloto.

 
Por isso, o piloto de moto precisa ser o mais leve possível, quase como uma modelo da Triton. Já os pilotos de carro podem compensar o excesso de banha eliminando peso do veículo. No meu tempo de kartista eu era tão leve que precisava colocar muito lastro. E distribuir esse peso extra era um problema até meu amigo Chuna descobrir uma solução que seria rapidamente copiada pelos outros pilotos: ele revestiu de chumbo o meu banco de fibra de vidro. Foi a melhor forma de distribuir o peso, mas eu não podia engordar de jeito nenhum porque perderia o banco...
 
Se o problema no kart era apenas administrar a quantidade de chumbo, na motovelocidade o fator complicativo era administrar o MEU peso! O motociclismo entrou a sério na minha vida só aos 38 anos, na segunda temporada da categoria 125 Especial. Nesta idade é muito difícil administrar peso e potência porque o metabolismo basal fica mais lento a partir dos 30 anos. Em outras palavras, ao ingerir calorias o corpo leva mais tempo para consumir. Por isso era preciso fazer uma série de exercícios, mas sem exageros porque aumentar os músculos também significa ganhar peso. Uma polegada cúbica de músculo é mais pesada do que uma polegada cúbica de gordura.
 
Para conseguir a correta equação peso x potência é preciso reduzir muito a massa gorda e TONIFICAR a massa magra. Note que tonificar não significa a mesma coisa que super dimensionar. Tonificar significa dar não apenas mais força, mas também mais elasticidade e resistência. O erro mais comum cometido por jovens pilotos é se enfiar em uma academia e malhar feito alucinados. Só que ao exagerar na malhação não apenas provoca aumento de peso como também reduz a mobilidade porque ninguém se lembra dos 30 minutos de alongamento ao final do dia.
 
Emagreça e ganhe saúde
A receita para reduzir peso é tão manjada que metade das livrarias é ocupada por livros de “como emagrecer”. Basta escolher o que mais tem a ver com o estilo de vida de cada um e pronto. A novidade nesta área mais uma vez está na neurolingüística. Normalmente as pessoas são traídas pela forma de pensar e não de agir.
 
Lembra que eu escrevi sobre a reprogramação cerebral? Nosso cérebro nasce formatado e durante nossa vida vamos colocando os dados essenciais. Portanto se ele é possível de ser programado também é passível de ser reprogramado. O erro mais comum que se comete na hora de emagrecer é usar uma palavra que todos nós temos pavor: PERDA.
 
Ao longo da vida aprendemos a associar PERDA a coisas ruins. Perder uma pessoa querida traz uma sensação de abandono resignado. Perder dinheiro dá raiva. Perder tempo é desesperador porque tempo não se recupera.
 
Quando nos pegamos usando a expressão “preciso perder peso”, nosso cérebro imediatamente reage ao sentido nefasto da palavra “perda” e boicota o regime. Aí a pessoa tem a sensação de sanfona porque emagrece meio quilo em dois dias e em menos de 12 horas esses 500 gramas voltam ao corpo sabe-se lá por que meio. O metabolismo reage para evitar a queima de gordura. É o cérebro programado para evitar toda e qualquer perda.
 
Por outro lado o verbo GANHAR sempre nos traz boas lembranças. Ganhar um carinho, ganhar presentes, ganhar corridas são sensações muito bem recebidos pela nossa cuca. A melhor forma de emagrecer é substituir a PERDA de peso pelo GANHO de saúde. E a primeira atitude para ganhar saúde é pela boca! Não fechando totalmente como todo mundo pensa, mas SELECIONANDO o que coloca pra dentro do corpo.
 
O erro mais comum de quem quer emagrecer é parar de comer. Deve-se ir para o lado oposto dessa “pegadinha” e comer mais. Ou melhor, comer mais vezes, em menores quantidades e com melhor qualidade. É velha aquela receita de comer seis vezes por dia, só que alguns engraçadinhos comem seis porções de batata frita ou Big Mac por dia!
 
Uma dica muito simples e eficiente é procurar um livro de culinária vegetariana. Calma, ninguém vai cortar o churrasco do domingão. Nos livros do pessoal verde tem ótimas referências de “guloseimas” e lanchinhos para as refeições intermediárias, desde as frutas secas (mas de qualidade, por favor!) até alguns grãos que também ajudam a destravar os intestinos preguiçosos. Já que teremos de comer a cada três horas, lembre que essa comida toda terá de sair também!
 
(10 anos depois, em 1997: 59 kg! que fome...)
 
Menos força, mais elasticidade
O músculo é um elástico. Não sabia? Pois é! Só que se for usado apenas para contração perderá a capacidade de expansão. Para fazer força o músculo se contrai. Se for submetido a uma repetição da mesma força a tendência é contrair cada vez mais até perder a capacidade de se alongar.
 
Pilotos não precisam de muita força – só os de fora-de-estrada que necessitam pernas e costas cheias de músculos. O piloto de motovelocidade precisa ser leve e alongado porque fica pulando de um lado pra outro da moto. Além disso, em caso de queda, o corpo faz movimentos esquisitos e até imprevisíveis. Se o piloto não tiver um corpo devidamente elástico poderá sofrer distensões musculares ou até romper ligamentos.
 
Para isso que servem os músculos: tonificar o corpo!
 
Os músculos abdominais fazem um importante papel de proteger a coluna lombar e reduzir o stress causado pela vibração do motor. Como se sabe, os bancos de motos e carros de corrida não são exatamente exemplos de conforto. Pelo contrário, devem ter pouca espuma para aumentar a sensibilidade do piloto. Em outras palavras: piloto sente na pele as reações do carro ou moto de corridas. Além disso, nas frenagens o piloto precisa segurar o corpo por meio das pernas e abdome para não carregar demais o peso nos braços. E abdome fraco sofre mais...
 
Minha receita de preparação física sempre foi a mais simples e agradável possível. Não adianta empurrar alguém para uma atividade chata porque não dá resultado. Dedicava apenas uma hora e meia por dia para atividades físicas bem regulares, divididas em 30 minutos de bicicleta e 30 minutos de musculação com baixo peso e muita repetição. E 30 minutos de alongamento... esta sim, a parte mais chata!
 
Já na alimentação fui mais prosaico possível: reduzi as quantidades e aumentei a freqüência das refeições. Uma dica muito simples que li numa reportagem sobre regime foi: ao fazer seu prato tente colocar cada vez um pouco menos do que o habitual, sem histerismo nem exagero. Por exemplo: em vez de 3 colheres de arroz, coloque duas. Em vez de quatro bolinhos de bacalhau (ai, ai...), coloque dois. No lugar de dois copos de refrigerante, tome apenas um. Resista à terceira fatia de pizza! Assim por diante. Convide seus familiares a colaborar em nome do seu sucesso. Saiba que nenhum piloto atingiu o sucesso sem apoio da família.
 
Os exercícios aeróbicos têm ainda um efeito colateral ótimo: depois de algum tempo eles funcionam como inibidores do apetite. Depois de uma rotina de três meses de exercícios regulares já se nota uma sensível incapacidade de comer muito. Parece que a barriga da gente encolhe!
 
Importante é saber que regime e atividade física devem caminhar juntos. Um não se sustenta sem o outro.
 
Esse é um assunto que rende muitos e muitos capítulos, por isso vou parando por aqui!
 
(Ser leve é fundamental, mesmo para pilotar motos grandes)
publicado por motite às 21:42
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7 comentários:
De Adalberto a 15 de Setembro de 2008
Sem quere puxar o saco (mas ja se pendurando) nunca tinha ouvido alguem falar com tanta sensatez a respeito de condicionamento fisico e alimentar.
Estou precisando me reeducar.
Fantastico texto.
De Cristiano a 16 de Setembro de 2008
Nada que a sibutramina não resolva, pense numa droga maravilhosa! udhsauhduasduhasuhdsa

Sério mesmo, foram 9kg em 21 dias...
De Ronaldo ARRIGHI a 16 de Setembro de 2008
Caraca Brother!!!
Surpreendente - novamente - esse texto!
Eu por predileção pela motovelo, acabei descobrindo na pele que o Off-Road exige muito mais do piloto.
Digo isso, pois em julho fui agraciado com um curso de pilotagem Off-Road pela Revista Dirt Action, e junto a ela participaram também a Yamaha e Gary Semics School, cedendo motocicleta e instrutor (internacional) respectivamente.
Descobri então que um piloto Off-Road tem necessáriamente que ser muito mais atlético que um On-Road. Baseado no seguinte fato, eu era ali então, o único piloto totalmente asfaltico dentre o bando cursante.
Com apenas três horas de treinamento eu já estava acabado. Não conseguia mais levantar as pernas com perfeição nas curvas, não conseguia mais pilotar em pé, ou seja, uma lástima.
E o pior foi o pós-curso. Sabe por que?
Levei em torno de duas e meia semanas para recuperar os movimentos das minhas pernas de forma satisfatória.
O curso foi sensacional, mas lamentei o fato de estar TÃO fora de forma. E ainda tenho o agravante de ter um certo lastro desnecessário dificil de me livrar.
Mas enfim, seus textos são os melhores. INDISCUTIVELMENTE ! ! !
Forte abraço Tite.
De motite a 16 de Setembro de 2008
Ronaldo
Na verdade foi uma certa ingenuidade a revista sortear um curso de pilotagem off-road sem pedir uma avaliação médica e física. Vc poderia ter se machucado mais sério.

mas acredite; fui piloto de off-road por 10 anos e tinha de fazer uma preparação física semelhante a um atleta!
De Waliton a 16 de Setembro de 2008
Sou estudante de Educação Física e posso afirmar que com certeza esse texto foi muito bem escrito, com uma pequena exceção: "Parece que a barriga da gente encolhe!"...~..barriga não...estômago...hehehe

"Importante é saber que regime e atividade física devem caminhar juntos. Um não se sustenta sem o outro."
Esse último comentário foi de primordial importância, pois se o piloto faz regime sem Atividade física ele fica cheio de "pelancas" e com os músculos flácidos e se ele faz bastante atividade física, porém esquece de controlar a vontade de comer, vai continuar ou até mesmo almentar sua massa, pois MÚSCULOS PESAM MAIS QUE GORDURA!!!!

Para finalizar, uma pergunta para nosso querido TITE....será que esse ramo de preparação física de pilotos OFF ROAD da uma grana boa????

Waliton.
De motite a 16 de Setembro de 2008
Walinton

Pega leve porque de anatomia eu entendo: trabalhei em hospital... Mas quem fica procurando erros em textos pode não ter futuro como preparador físico, e sim como REVISOR!

O que é a barriga senão um espaço vazio onde fica o estômago???

Cara, já existem vários profissionais de educação física atuando junto aos pilotos, acho que tem futuro sim, basta frequentar as pistas de cross e oferecer os serviços.
De Rodolpho a 17 de Setembro de 2008
Tite...cuidado com alguns textos, hehhehe! Vai ter gente levando isso a sério, MUITO sério! Tem gente que está muito carente, e precisam de um líder alguem que as guie...cuidado para não se tornar o messias delas!

Falando sério agora, nada melhor que ter 66kg....economizo com comida, pois nao tenho que nutrir tant peso, e economiso na gasolina, pois a moto tera que mover menos peso!

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