Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

Faiscando pelas lavras de Diamantina

 

Nunca publiquei no Motite qualquer texto que não fosse de minha autoria. Mas tive de abrir uma exceção primeiro porque esse Octavio Tostes é aquele tipo de jornalista que eu chamo de "jornalista de raiz", o cabra escreve bem pacas. Segundo porque é uma tentativa de fazer do Motite um blog mais efetivo e com conteúdo mais variado. 
Delicie-se, literalmente, com esse saboroso relato de uma viagem de moto simples, tranquila e sem pretensões aventurescas!

 

 

Faiscando nas lavras de Diamantina

Texto e fotos: Octavio Tostes

                       

Para a galera do StradaS Moto Clube

 

O prato fundo de ágata branca serve comida mineira na Venda do Chico, restaurante sombreado no quilômetro 743 da Fernão Dias, sentido BH. É sábado, hora do almoço na viagem de São Paulo a Diamantina. Meu amigo Ulisses e eu começamos a bordejar de motocicleta a região da Estrada Real, primeiro caminho do Brasil no tempo do ouro e dos diamantes.


Foi diante um prato desses, conta Ulisses, que saquei porque os mineiros são discretos (ou dissimulados). Ágata é leve, não quebra e quem faísca não grita o que achou na lavra. Escuto e desconfio, enquanto misturo, uma por vez, pimenta malagueta, cumari e habanera ao arroz com feijão, mandioca, costelinha, couve, lingüiça e angu que me devolvem a infância na fazenda entre Palma (MG) e Miracema (RJ), na zona da mata mineira.




Na saída, o disco de arado anunciando com capricho leitoa caipira para viagem reviveu meu pai. Ele falava com gosto de uma placa de trânsito improvisada que proibia estacionar carro de boi em frente à prefeitura de Palma. O mijo dos animais deixa um cheiro muito forte, explicou meu irmão Pedro, fazendeiro, quando conferi com ele esta lembrança para lapidá-la aqui.


Ao manobrar no cascalho, comentei esse é o chão que mais respeito, o mais fácil de beijar, arrematou Ulisses. Não imaginávamos quanto aquela conversa fiada era profética.  Na chegada a Tiradentes, a estação de trem, clara, lambrequins rendilhando o telhado, me enterneceu. Comprei uma pomada pilotar 500 quilômetros em 10 horas assa tanto quanto cavalgar.




No café da manhã na pousada, Beth Samos, dona de salão em Belzonte, ex-trilheira de moto e agora jipeira solitária, garante que a estrada vicinal para Diamantina está boa. Valeu, Beth. Curvas suaves, quando a moto deita, parece surfe ou capoeira. O motor canta, passando por pastos, vacas e trem que apita. Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada, São Brás do Suaçuí, as cidades recendem a torresmo, domingo e para chegar com dia, riscamos BR 040 acima.


Não deu para entrar em Cordisburgo, o berço de Guimarães Rosa ficou para a próxima. Retões, solão, miragem, sertão azul acachapante. Quando atravessávamos a paisagem de granito já perto de Diamantina, o sol era uma enorme laranja cadente. Descer de moto as ladeiras de pedra capistrana da cidade de Chica Silva e Juscelino Kubitschek foi pisar em ovos escorregadios. Caía a noite.




A pousada Relíquias do Tempo é um museu para viajantes. Oferece o café da manhã em torno do fogão a lenha, com bolos, geléias, sequilhos, pão de sal e de queijo, sabores da minha avó mineira. Subimos e descemos ladeiras contemplando igrejas e casario. À tarde, na poltrona de madeira do jirau, fumei um charuto ao lado da jabuticabeira.


Carmem, a dona da pousada, contou com entusiasmo que comprou dos tios o casarão do século XVIII onde morara seu avô e, com o marido, se dedica a preservar ali a memória da região. Descreveu peça por peça a sala com reportagens, fotos, cartões, um pijama e o violão autografado pelo seresteiro JK. Depois,  a sala com a maquete de um garimpo, peças ainda da escravidão, bateias, instrumentos de lapidação e fotos do sogro e do pai dele, diamantários – negociantes de gemas.

    

O tombo profetizado na Venda do Chico aconteceu no início da volta. A estradinha de terra entre Datas e Congonhas do Norte era costela no meio e cascalho nas beiradas. Íamos a 20, 30  por hora quando Ulisses caiu. Catei assustado o freio dianteiro e beijei o chão também. Ele trincou um dos ossos da perna, mas a gente só soube pela chapa em São Paulo.


Entre o susto e a chegada na sexta seguinte, houve mais acontecências. Sabedoria de preta velha na Serra do Cipó, heroísmo do amigo em passar marcha com o calcanhar ao longo de mil quilômetros – seu pé esquerdo não dobrava - , sossego em Monte Verde, goiabada com queijo, achados que talvez seja melhor guardar por ora. Há sempre dias sem assunto e parece acertado mesmo não alardear toda pepita que se leva no embornal.


 

 

publicado por motite às 13:51
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

O que nos leva para a estrada

(Pode ser até com garupa... Foto: Hugo Yamamoto)

 

Muita gente nem precisa, mas alguns motivos pra apenas viajar de moto

 

No dia 1º de maio de 1994, logo após a batida forte do Ayrton Senna no muro de Imola, percebi que a situação era grave. Assim que pediram o helicóptero tive certeza que era grave. Vi a corrida até o fim com os olhos na TV e os ouvidos na Rádio Jovem Pan, foi quando realmente soube que o desfecho caminhava para algo terrível. Da mesma forma que uma criança esconde o rosto e acha que ficou invisível, pensei que se desligasse todos os meios de comunicação a notícia não me atingiria. E a única forma de fazer isso foi sair de moto.

 

Peguei a moto e fui pra estrada sem rumo e longe de qualquer notícia, queria curtir as curvas do interior de São Paulo para não pensar em mais nada, apenas sentir o vento no corpo. Logo em seguida descobri que muitos motociclistas usam a moto com o propósito de rodar a esmo, sem direção, nem objetivo, só esvaziar a alma. Percebi ainda que existem vários motivos que nos leva à essa função desestressante da moto. Algo como um divã de analista, mas com várias vantagens como menor custo (apenas a gasolina), mais gostoso (não precisa chorar bem ficar deitado e ninguém culpa tua mãe) e muito, mas muito mais divertido!

 

Por isso enumerei alguns motivos que podem levar um motociclista à estrada com a finalidade exclusiva de relaxar a mente e esquecer a vida. Veja se você já não passou por isso:

 

1)    Você gastou 1.500 reais em um capacete importado super style e uma semana depois a loja começou uma liquidação e vendeu o mesmo capacete por 500 reais!

 

2)     Para impressionar a gatita que acabou de conhecer você oferece a ela o capacete caríssimo que acabou de comprar. E ela deixa cair bem na quina da calçada.

 

 

3)    Finalmente você conseguiu poupar a grana pra comprar a moto do seus sonhos, e um mês depois a fábrica lança uma versão muito melhor, mais avançada, linda e pelo mesmo preço!

 

4)    Você encontra uma caixa de pílula anticoncepcional e entrega à sua esposa, mas ela esclarece que não é dela. E a única outra mulher da casa é sua filhinha de 17 anos querida do seu coração, que ainda ontem você carregava no colo.

 

5)    Você foi promovido para um cargo de muito mais responsabilidade, mais trabalho, com 10 estagiários sob sua gerência, mas o salário continuou o mesmo.

 

6)    Sua esposa acabou de bater o carro, mas felizmente tem seguro. Mas descobre que a habilitação de motorista dela está vencida há dois meses!

 

7)    Sua filha querida do coração passa a noite fora, alegando que dormiu na casa da Marcelinha, a mesma amiga que ligou às duas da manhã perguntando pela sua filha!

 

8)    Duas gatas maravilhosas mudam para a casa geminada à sua e na primeira oportunidade que você se aproxima descobre que elas namoram. Entre elas! E uma delas ainda te convida pro futebolzinho de quarta no time no qual ela joga de zagueira.

 

9)    Seu pai, aos 84 anos, decide deixar tudo que tem para os filhos: um monte de conta atrasada!

 

10) Sua namorada te troca por um cara mais novo, mais forte, mais rico, mais bonito e com uma moto bem maior que a sua!

 

11) Aquela sua prima do interior, gatíssima, safada, sósia da Xuxa avisa que vai passar uns dias na sua casa. E traz o namorado junto.

 

12) Seu filho chega em casa saltitante e diz que teve a primeira experiência sexual. Animado, você diz “senta aí e conta como foi!”. E ele responde: “pô, pai, só que não tô conseguindo sentar!”

 

13) Você esquece o Messenger aberto e foi tomar banho. Sua esposa aproveitou e mandou apenas um “oi” para uma tal Vanessexy. Quando saiu do banho viu a tela do PC partida ao meio.

 

14) É seu primeiro dia de trabalho em uma multinacional e você pergunta para uma secretária “quem é aquele cara ridículo de terno xadrez?” e ela revela: “é seu gerente e meu namorado!”

 

15) Finalmente aquela gata mega sexy aceita o convite pra passar o fim de semana no seu apê na praia. E ela está “naqueles dias”!

 

16) O São Paulo está na final da copa Libertadores da América contra um time argentino e bem na hora do Rogério Ceni cobrar a falta acaba a luz no seu bairro, sem previsão de restabelecer.

 

17) A sua colega de pós-graduação diz que você é um coroa charmoso, em ótima forma e vai te apresentar alguém muito especial: a mãe dela!

 

18) Cede seu lugar no metrô a uma moça fofinha e ainda explica todo simpático “as grávidas têm prioridade”, e ela amarra a cara e diz “mas eu não estou grávida”!

 

19) Resolve gastar uma nota preta num salão de beleza masculino para ficar com a cara do Gianecchini e sai com a cara do Renato Aragão.

 

20) Paga uma de gatinho, calça justa e camiseta descolada em uma rave e encontra seus três filhos e todos os amigos dele!

 

21) Move mundos e fundos para conseguir uma credencial para o GP Brasil de Fórmula 1 na ala vip e acorda domingo com uma tremenda gastroenterocolite (popular diarréia).

 

22) Encontra seu chefe na praia e comenta “que gracinha a sua filha” e descobre que é a amante dele.

 

23) Reencontra seu chefe algumas semanas depois em uma festa da empresa e comenta “nossa como sua mãe é conservada” e descobre que é a ESPOSA dele.

 

24) Depois de perder o emprego você descobre que sua ex-empresa foi fechada porque não depositava o fundo de garantia dos empregados, inclusive o seu.

 

25) Acorda num domingo de sol radiante e decide levar sua namorada para um agradável passeio de moto, mas a chama pelo nome da sua ex.

 

26) Os pais de sua namorada te convidam para um almoço de domingo e servem dobradinha. E você odeia dobradinha!

 

27) Para diminuir o mal estar seu sogro te convida para ver o jogo de futebol na TV e você explica que odeia futebol, que é tudo marmelada, com resultados arranjados e só então descobre que o sogrão é juiz de futebol dos quadros da FIFA.

 

28) Você acorda de manhã e descobre que seu rothweiller devorou os alforjes de couro caríssimos de sua Harley idem.

 

29) Na hora de colocar o cachorro de castigo descobre que suas botas de couro de jacaré também foram dilaceradas.

 

30) O cachorro morre de indigestão!

 

31) Você vota no PMDB para prefeitura da sua cidade, mas quem assume é um histérico do PFL e não faz diferença nenhuma, porque quem manda na cidade é o PCC.

 

32) Esquece o dia do aniversário de casamento. Pela última vez!

 

 

publicado por motite às 13:44
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Um fim de semana perfeito

(Moto, sol, curvas e montanha, tudo di bão! Foto: Tite)

 

Um fim de semana perfeito começa na sexta-feira com a previsão do tempo anunciando sol e temperatura amena nos dias seguintes. Entenda-se por amena, em maio, algo em torno de 6 a 15 °C. Ótimo para escalar montanhas de rocha, bom para curtir o friozinho da serra, mas bem desconfortável para quem pretende viajar à noite... de moto!

 

Foi com a temperatura descendo que nem elevador que preparei todo o equipamento de escalada, mais saco de dormir, ajeitei tudo na BMW F 650GS (a de dois cilindros, viu?) e me mandei pra São Bento do Sapucaí, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Peguei a estrada à noite e o vento a 140 km/h provocava a sensação térmica de um freezer, com direito a pingüim e tudo.

 

No meio da Carvalho Pinto, parado na cabine do pedágio, percebi que a mocinha tremia de frio. Falei pra ela: “pega aqui” e ela obedeceu, sem cerimônia. Pegou delicadamente (percebi que ela tinha uma aliança na mão esquerda) e fez “ahh, que delícia”. Tudo bem, era só a manopla aquecida da BMW. Saí da cabine pensando quanto sofri na minha infância motociclística, entre 15 e 18 anos, quando viajava à noite, por estradinhas de terra, evitando a fiscalização, sob um frio congelante sem um décimo de equipamento que dispomos hoje. Roupa térmica por baixo, balaclava, casacos de material sintético, botas, luvas e até manopla aquecida.

 

Quando viajei de moto na Itália, em pleno outono, descobri que frio é uma sensação relativa. Tudo depende da qualidade e quantidade de equipamento colocado sobre o corpo. Fico feliz de ter à disposição uma bela quantidade de bons equipamentos e penso como meu avô sofria pilotando moto nos anos 50 com casaco de couro, bota de equitação, capacete aberto e cachecol de lã! E olha que nem existia o aquecimento global!

 

O fim de semana perfeito continua com um céu tão estrelado que perde-se a conta da quantidade de estrelas cadentes. Pouca gente gosta de viajar de moto à noite. Eu não me importo, desde que tenha uma ótima viseira de capacete, através da qual posso olhar mais o céu do que o asfalto. Viajo a 100/120 km/h para poder olhar o máximo possível as estrelas, sem a menor pressa de chegar. Evito parar e uso a velha e conhecida almofada de gel para a bunda não reclamar dos 220 km apoiado nela sem refresco. Graças à esta almofada pode-se viajar horas a fio sem massacrar a coluna.

 

Para deixar o final de semana ainda mais perfeito, a estrada precisa ter curvas. Muitas! Com asfalto bom e sem tráfego. Foi assim que encontrei a serra de Campos de Jordão e depois a estradinha com mais curvas que um intestino delgado que liga Santo Antônio do Pinhal a São Bento do Sapucaí. Curvas e mais curvas, com visibilidade perfeita, pneus bons e nada de guarda!!!

 

(Aquele pico ao fundo é o Bau. Eu estou na Ana Chata. Foto: Belê)

 

A arte do auto-controle

A idéia era escalar sábado à tarde e domingo de manhã para conseguir voltar a São Paulo antes do pôr do sol. Saiu tudo exatamente à perfeição. O tempo ideal, com sol forte, temperatura média de 19°C, uma bela rocha de sólido granito de uns 180 metros e a companhia de ninguém menos que André Berezoski, mais conhecido por Belezinha, campeão brasileiro de escalada esportiva e um dos melhores escaladores do Brasil. Escalada é como jogar tênis: quanto melhor for seu parceiro, mais se evolui no esporte. Escalar com um campeão é como um curso grátis! Para lembrar uma história envolvendo esse atleta clique aqui.

 

(O campeão e mestre André Berezoski, Belezinha. Foto: Tite)

 

Ao contrário do que se imagina, a escalada não tem tantos riscos, desde que obedecidas as normas de segurança, claro. Neste aspecto sou tão xiita quanto na moto e faço até back-up do back-up nos itens de segurança.

 

Escalar é uma atividade que exige absoluta concentração. A subida é feita usando apenas as mãos e pés, protegido por uma corda de 60 metros com 9,5 mm de diâmetro. Durante a escalada não dá pra pensar em mais nada além dos movimentos e aderência. É uma relação peso x potência semelhante à das motos. Se o escalador é pesado tem de ser forte. Se não tiver tanta força é essencial ser leve. Os escaladores esportivos são como as motos esportivas: leves e potentes. Eu estou no meio termo entre quase magro e quase forte, por isso consigo subir sem tanto esforço, curtindo cada segundo, cada metro de paisagem, a vegetação, os insetos e lagartos e até o cheiro do líquen da rocha, que fica impregnado no equipamento por dias seguidos. Um verdadeiro perfume! Comparando com as motos, sou como uma big trail, pesada, com torque em baixa, mas não muito veloz.

 

(Na parada, esperando o Belê. Foto: Belê!)

 

O complexo do Baú é uma grande formação rochosa na divisa dos municípios de São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão. É composto por três picos: Bauzinho, Baú e Ana Chata. Fizemos a via Peter Pan, na Ana Chata, considerada fácil, especial para iniciantes, para terminar cedo e conseguir realizar outro dos grandes prazeres do fim de semana: comida mineira! Essa via tem aproximadamente 150 metros, com ótimas agarras. Só que tem uma caminhada de aproximação que fica íngreme e cansativa nos últimos 30 minutos de um total de 90.

 

De volta do cume da Ana Chata conseguimos ainda pegar o terceiro grande prazer do escalador (o primeiro é atingir o cume e segundo é tirar a apertada sapatilha): o terceiro é comer! Muito!!! O nosso restaurante favorito é o Taipa que serve a tradicional comida mineira, mantida em forno de lenha, devidamente acompanhada de pingas da região e cerveja. Muita!!! Depois de ingerir algo perto de 3.897 calorias nosso organismo volta ao normal.

 

Dor de cabeça

Na noite de sábado uma persistente dor de cabeça ameaçou meu fim de semana perfeito. Normalmente dor de cabeça após esforço físico é sinal de falta de alimentação correta. Nessa escalada eu tinha levado duas barras de cereal e comi apenas uma. Não consigo comer nada quando estou nas montanhas, às vezes forço uma barrinha ou então uva passa.

 

Mas a verdadeira origem dessa dor constante e metálica foi descoberta quando desfiz a mochila de escalada e percebi que durante as quase três horas de extremo esforço físico eu havia ingerido apenas meia garrafa de água. De uma garrafa de meio litro! Ou seja, durante todo esforço de caminhar, escalar e voltar eu tinha consumido apenas 250 ml de água, o equivalente a um copo de requeijão!

 

Esse problema foi resolvido com a ingestão de mais de 1,5 litro de água e um comprimido de dipirona pra garantir. Perfeito! Meu fim de semana estava a salvo.

 

O fim de semana ideal também precisa de uma festa e tivemos uma para celebrar o aniversário das gêmeas escaladoras Juliana e Gabi, com direito a churrasco e cerveja. Muita carne e muita cerveja. Adeus dor de cabeça...

 

(O objetivo é chegar lá em cima. Só o cume interessa! foto: Tite)

 

F-1 e via ferrata

O domingo de um fim de semana perfeito começa às sete da manhã, com o sol forte, friozinho e o ótimo café da manhã da pousada Canto Verde, com biscoitos caseiros e um bolo de cenoura, coberto de chocolate digno de comer ajoelhado. Ainda assisti a primeira hora do GP de Mônaco de F-1 enquanto arrumava minha mochila para mais uma escalada, mas dessa vez diferente.

 

Existe um tipo de escalada chamada de “via ferrata”. Ela é comum na Europa, sobretudo na Itália e consiste de uma via de escalada em rocha auxiliada por algum tipo de suporte que pode ser uma escada de metal ou uma espécie de corre-mão de aço chumbado na rocha. No Brasil pode-se encontrar esse tipo de via no Rio de Janeiro, no morro da Urca e a via do CEPI, no Pão de Açúcar, uma das mais famosas e visitadas. No Estado de São Paulo as vias ferratas mais conhecidas estão no Baú, com as escadas da face norte e face sul, construídas em 1950 e mantidas até hoje.

 

(Esta é a via ferrata do Baú. Foto: Tite)

 

Por ser aparentemente uma escalada simples e fácil, essas vias ferratas são campeãs de acidentes e mortes. Muito mais por desinformação do que por imprudência. Nós, escaladores, só entramos nestas vias com equipamento básico de segurança. Já os turistas sobem tão despreparados que é comum termos de resgatar alguém em pânico, com tornozelo inchado, com insolação, hipotermia, atacado por abelha ou vespa ou arrebentado por uma queda de alguns metros.

 

Foi minha primeira via ferrata, porque nunca fui fã desse tipo de escalada. Até que curti bastante porque o dia estava muito lindo. Dessa vez levei três litros de água e tomei tudo! Só não consigo comer nada nestas escaladas, até uma simples bolacha desce atravessado.

 

Para completar esta escalada perfeita encontrei amigos escalando vias que eu nem conhecia e aproveitei pra tirar fotos. O cume do Baú estava repleto de turistas, por isso fiquei pouco tempo. A vista lá em cima vale cada gota de suor.

 

(Amigo escalando as falésias do Baú. Foto: Tite)

 

Esta tarde perfeita terminou com mais uma refeição rica em calorias, desta vez no restaurante Pedra do Baú, com vista privilegiada da pedra do Baú. Serve a mesma comida mineira, com doces, pinga etc. Carne de porco, farofa e torresminho, quem resiste?

 

(No cume do Baú. Foto: Gasparzinho)

 

Este fim de semana perfeito terminou com o retorno para São Paulo, pelas centenas de curvas, abençoado por um fim de tarde maravilhoso e ainda a lua crescente, quase uma unha, despontando no horizonte recortado por montanhas.

 

Nem os quatro pedágios infernizantes da volta foram capazes de atrapalhar este fim de semana. E ainda chego em casa e encontro meu grande amor com cheirinho de banho! O que mais um homem pode querer da vida?

 

Outro fim de semana igual a este!

 

(Para encerrar o fim de semana: o amor da minha vida. Foto: Tite)

 

 

* Se você se interessou por escalada, quer dicas de hospedagem, restaurantes ou mesmo fazer um curso de escalada em rocha, basta me escrever no tite@speedmaster.com.br

publicado por motite às 19:02
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Sábado, 23 de Agosto de 2008

Turista acidentado

Agora que descobri essa facilidade de postar vídeos, você poderá acompanhar algumas das minhas andanças pelo mundo...

 

Começando pela itália, em 2005, uma viagem molhada pra caramba!

 

 

 

publicado por motite às 03:20
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Nas estradas da vida

(Lago Salado, Peru - foto: Tite)

 

Um dos maiores benefícios da minha profissão é estar em constante movimento. Antes de ser jornalista eu nem sequer conhecia o Rio de Janeiro. Hoje eu tenho carimbo de mais de 30 países em meus passaportes e rodei por todos os cantinhos do Brasil.

 

Muitas dessas viagens foram feitas montado em motos. Por mais absurdo que pareça uma parcela muito pequena das viagens foram a passeio. Mais de 90% foram a trabalho. Por isso nem me queixo muito de não ter acumulado uma fortuna em grana. Porque sei que acumulei um tesouro ainda maior em experiência de vida. Mais do que experiência, renderam o livro "O Mundo É Uma Roda" (sim, é propaganda...), que é a materialização de um sonho antigo.

 

Uma das viagens mais marcantes foi para o Peru (dessa foto aí de cima). Viajei 21 dias, partindo de Lima e encerrando em Puerto Maldonado. Às vezes eu fazia o percurso de moto, outras de ônibus ou de Toyota 4x4. Os trechos de moto foram os mais incríveis, claro.

 

A temperatura variava muito no mesmo dia, começando em 5ºC pela manhã até chegar a 30ºC ao meio-dia. À noite baixava de zero...

 

Quando saímos pela manhã um dos peruanos nos advertiu para tomar cuidado com as poças d'´água, sem dar mais detalhes. Começamos a enfrentar um trecho montanhoso com uma sequência infernal de curvas, sempre em estradas precárias de terra e muitas pedras. Pilotando uma KTM 350 dois tempos eu tomava maior cuidado com as poças e desviava de todas elas. Até que numa curva mais rápida eu pensei:

 

- Mas que cazzo, poça d'água é igual em qualquer lugar do mundo...

 

Decidi acelerar e não desviar da poça. Assim que a roda dianteira entrou naquilo que eu imaginava ser água a frente foi embora e levei um tombaço, a uns 90 km/h!

 

Sem entender nicas, levantei a moto e fui olhar a p*** de poça d'água assassina mais de perto. Claro como um cristal, percebi que não era água, mas GELO!!! Natural, já que a temperatura à noite naqueles 2.500 m de altitude congelava tudo. E as poças só descongelavam perto das 10 da manhã...

 

Esse não foi o único tombo do dia... Eu ainda cairia dentro de um rio gelado (naturalmente), molhando todas as minhas roupas... Imagine o que é pilotar sob baixa temperatura, com as calças molhadas... Pra fazer xixi eu precisava de uma pinça!

 

(como se vê na foto, o rio recebe água do degelo daqueles picos nevados ao fundo)

 

Quando eu pensava que tudo de pior já tinha acontecido nesse trecho... furou o pneu!

 

+    +    +

 

Achei uma piada do destino o comentário do Kimi Raikkonen sobre a punição do Hamilton. No GP anterior, em mônaco, o mesmo Raikkonen estampou a traseiro do pobre (literalmente) Vettel e tirou o 4º  lugar da modesta equipe India Corse.

 

Aqui se faz, aqui se paga, Kimi!!!

 

+    +     +

 

E aviso aos maníacos de plantão: a foto da mulher rendeira é da MINHA mulher, a genuína dona Tita... mais resPEITO com ela...

 

Mais uma caixinha...

 

 

Nossa, essa foto é de dar arrepios mesmo...

publicado por motite às 23:27
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