Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

Scooter não é moto

Scooterzinho.jpg

Até em São Francisco, EUA, as pessoas se renderam ao scooter (Foto:Tite)

Entenda os scooters.

Avião voa. Helicóptero também. Mas o brevê de piloto comercial de avião não permite pilotar helicóptero, porque apesar de serem aeronaves, obedecerem aos mesmos princípios da Física e do clima, são muito diferentes no que diz respeito à pilotagem. 

Motos e scooters tem duas rodas, rodam no asfalto e são muito parecidas, mas hoje, no Brasil, não existe distinção de habilitação para os dois veículos, que são tratados como iguais. Até onde isso está certo? 

Quer dizer, não tinha, porque acabou de ser criada uma nova habilitação batizada de ACC (autorização para conduzir ciclomotores), destinada a usuários de ciclomotores até 50cc, que é mais próximo de um scooter. O que vemos são pessoas que escolhem um scooter como meio de transporte, mas são obrigadas a se habilitarem em uma moto!

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O meu Dafra Citycom 300i: produto ideal para uso na cidade e pequenos percursos na estrada.  (Foto: Daniel Carneiro)

O que é um scooter, afinal? 

Tudo começou lá atrás, depois da Segunda Guerra Mundial, que deixou a Europa arrasada e com necessidade de se locomover. Na Itália, uma fábrica chamada Piaggio fez o esboço de um veículo pequeno, fácil de pilotar, de mecânica simples, econômico e resistente. Como tinha uma traseira grande, que lembrava uma vespa, ganhou o nome de Vespa. Daí em diante virou História. 

A Vespa chegou a ser um dos veículos motorizados mais vendidos no mundo e até hoje está por toda a parte e virou quase uma religião. Só que tinha alguns problemas práticos de projeto, como o câmbio no punho esquerdo e a assimetria do conjunto motor/câmbio que a deixava muito instável. Quando os japoneses transformaram a Vespa nos atuais scooters a febre se espalhou pelo mundo como catapora em jardim da infância.

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Vespa: até hoje cultuada na Itália (Foto: Tite)  

Nas grandes cidades pode-se ver estacionamentos lotados de scooters e, apesar de no Brasil ter chegado em 1994, pela Caloi/Suzuki e pela Yamaha, só nos últimos 10 anos é que a febre se consolidou depois que a Honda decidiu entrar de sola no mercado. Para não sair mais! 

Não é a mesma coisa!

Só que scooter não é moto e depois de três anos ministrando aulas para motociclistas iniciantes identifiquei uma grave distorção: fazer moto escola com uma moto de 120/150cc para depois pilotar um scooter! 

Primeiro vou mostrar as principais diferenças entre os dois veículos: 

- Moto tem quadro tubular; scooter tem chassi monocoque estrutural.

- Moto tem pedaleiras, scooter tem assoalho.

- Moto tem o tanque de gasolina na frente do piloto; no scooter fica embaixo do banco ou no assoalho.

- Moto tem câmbio seqüencial; scooter tem câmbio automático por variador.

- Moto tem rodas de grande diâmetro; scooters tem rodas pequenas.

- Moto tem distribuição de peso equilibrada; scooter tem concentração de peso na traseira.

- Moto tem embreagem; scooter não tem embreagem.

- Moto se pilota montado; scooter se pilota sentado.

- Moto tem efeito redutor do câmbio; no scooter é muito imperceptível.

- Na moto a suspensão tem grande curso; o scooter tem curso de suspensão pequeno.

- Motos freiam melhor que scooters. 

A partir destas diferenças é preciso entender como é a melhor forma de pilotar um scooter, que exige uma postura muito diferente da pilotagem de moto.

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Paris roda basicamente sobre scooters (Foto:Tite) 

Em primeiro lugar a frenagem: como nos scooters a distribuição de massa é acentuada no eixo traseiro, é preciso usar e abusar muito do freio TRASEIRO. Além disso, o efeito redutor do câmbio é muito discreto e quando está em desaceleração ele entra em uma espécie de ponto-morto, liberando o motor. É preciso ficar esperto especialmente nas descidas. Deve-se usar sempre os dois freios ao mesmo tempo, mas ao contrário das motos, usa-se o freio traseiro com mais intensidade. Seria algo como 50% em cada manete, enquanto nas motos o freio dianteiro é bem mãos solicitado. Ah, parece uma enorme bobagem, mas no scooter o freio dianteiro é o da mão direita e o traseiro é o da mão esquerda. Muita gente não sabe ou confunde! 

Curvas – Scooter não tem o tanque de gasolina entre as pernas, como nas motos, por isso não dá para usar a pressão das pernas para auxiliar nas curvas. Pra complicar, também não tem pedaleiras. Por isso a pilotagem do scooter é 100% no guidão. O uso do contra-esterço é fundamental, porque o guidão assume quase o mesmo papel de um volante do carro. A técnica do contra-esterço está explicada AQUI. 

Além disso, como o efeito redutor do câmbio é quase nulo, nas curvas o scooter passa uma sensação de que está “solto”. Para reduzir essa sensação é bom manter uma aceleração constante durante a curva ou desacelerar só quando já inserido na curva.

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Com esse Honda SH 150 rodei quaso toda a Costa Amalfitana. (Foto: Tite) 

Garupa – Se na moto, que tem suspensão e rodas maiores, levar alguém na garupa já causa um desequilíbrio, nos scooters é um tremendo desastre! Eu recomendo nem sequer levar ninguém em scooters pequenos (até 125cc), porque desestabiliza ainda mais. Se a massa já é concentrada no eixo traseiro, com garupa fica mais ainda e o freio traseiro torna-se mais atuante. Reduza a velocidade e prepare-se para ver o garupa voar nas valetas e lombadas! 

Buracos e lombadas – As rodas de menor diâmetro (até 12 polegadas) são mais sensíveis aos buracos. Por isso olhe bem por onde passa. Se perceber que vai impactar no buraco ou lombada levante um pouco (só um pouquinho mesmo) do banco e apóie o peso nos pés. Isso alivia a pancada especialmente na roda traseira.

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Também usei esse Peugeot 125 na Itália. (Foto:Tite) 

Tipos de scooter

Hoje já surgiram segmentações dentro da categoria de scooters. Inclusive a moda agora é dos scooters tipo motoneta, com rodas de 16 polegadas, assoalho plano e um grande pára-brisa, como a Dafra Cityclass 200 e o recém-lançado Honda SH 300i. Em uma recente viagem à Itália eu usei a versão 150 desse scooter da Honda e viajei por quilômetros com a namorada na garupa. É mais estável e confortável que um scooter normal. E passa mais sensação de segurança. 

Além desses tipos de rodas grandes, outro que está dominando as ruas européias é o triciclo, com duas rodas na frente e uma atrás. Graças a um complexo sistema de treliças e Ball-joints essas rodas inclinam como se fosse uma moto normal.

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Em Amsterdam os scooters até 50cc podem rodar nas ciclovias e não é obrigatório capacete. (Foto: Tite) 

Os scooter pequenos, até 125/150 cc são os mais procurados, especialmente pelo público feminino. Algumas das vantagens do scooter são: facilidade de pilotagem; status, porque diferencia de quem usa motos pequenas (motoboys), praticidade, economia. Mas já temos no mercado alguns modelos a partir de 300cc que chegam até 800cc que se aproximam muito mais de uma moto automática do que de um scooter. São ótimos para viajar, mas na cidade “enroscam” no trânsito intenso. O modelo mais cobiçado dessa categoria é o Yamaha T-Max 500, com caráter esportivo e o Dafra Citycom 300i, um produto muito equilibrado para uso na cidade e estrada. 

O mais importante sobre scooters é entender que ele não é igual a uma moto e que deve ser usado, respeitado e entendido como um veículo que tem aspectos particulares de pilotagem. Ah, também não é brinquedo! Apesar de pequenos e fáceis de pilotar deve sempre ser pilotado com equipamento de segurança e jamais entregar na mão de pessoas não habilitadas. 

Leia também: Scooter, irresistível, clicando AQUI.

 

publicado por motite às 19:47
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Scooter, irresistível

 

 

Pare de olhar torto para os scooters, porque um dia você vai ter um

 

Tudo começou na Itália depois da Segunda Guerra Mundial, quando tudo estava de pernas pro ar e se tornou necessário criar um veículo simples, fácil de pilotar, mas acima de tudo acessível para a população arrasada financeiramente. A fábrica Piaggio, de Firenze, começou a desenhar o esboço do que viria a ser o veículo certo, a motoneta Vespa, que ganhou este nome por causa da traseira “gorda” que abrigava o motor dois tempos.

 

Em pouco tempo a pequena motoneta ganhou as ruas da Itália, foi exportada para quase todo o mundo e virou até objeto de desejo de artistas e celebridades. Quando completou 50 anos de existência, em 1996, a Vespa tinha acumulado 15 milhões de unidades vendidas no mundo, sobrevivendo inclusive à concorrência das marcas asiáticas, sobretudo as chinesas.

 

Mas só quem pilotou uma Vespa de verdade sabe como tecnicamente era um veículo cheio de restrições. Com o motor posicionado de forma assimétrica, tinha-se a clara impressão de que ela rodava enviesada, como um caminhão com o jumelo corrido! Além disso, o câmbio seqüencial na mão esquerda era um calvário, porque tinha de dobrar o punho em ângulos absurdos. Mas havia o salvador estepe preso na lateral, que já me salvou de uma enorme roubada durante um passeio em Santos, nos anos 90.

 

Se passear de Vespa já era difícil, imagine viajar. Precisava ter uma paciência de Jó e ainda nenhuma pressa, sem falar na fumaceira dos óleos dois tempos de péssima qualidade vendidos naquela época. O motor vibrava muito, mas era tão simples que se consertava facilmente em casa mesmo. Simples e resistente.

 

Graças a Vespa, o mundo percebeu que havia espaço para um veículo com esta concepção, mas devidamente atualizado. Hoje o scooter inspirado na Vespa é um dos veículos motorizados mais populares do mundo. A partir dos anos 90 pipocaram fábricas de por todo lado, sobretudo na China, que recebeu tecnologia dos japoneses e italianos. Hoje, na China, o scooter virou praticamente um veículo descartável, porque custam pouco, porém duram pouco e formam-se montanhas de sucatas de scooters nos ferros-velho.

 

As características que deram o maior impulso nas vendas de scooters foi a adoção do câmbio automático, pneus melhores e sem câmara e o compartimento porta-objetos sob o banco. Graças a estas melhorias, as motonetas ganharam praticidade, segurança e versatilidade. Mas ainda esbarrava em uma questão física: as rodas de pequeno diâmetro – geralmente de 10 polegadas – não oferecem muita estabilidade, principalmente no piso irregular.

 

Na Europa e Ásia as rodas pequenas nem representavam tanto problema, pois as condições de piso são boas e as pessoas se deslocam em pequenas cidades.

 

Mesmo assim, para contornar a instabilidade com a chegada dos scooters de rodas grandes, de 16 polegadas, como o Yamaha Neo 115, que deu ao veículo um comportamento mais próximo ao das motocicletas. Com isso, há vários anos que os scooters ganharam status de veículos motorizados de duas rodas mais vendido em vários mercados do mundo.

 

No Brasil, a Suzuki foi a que mais investiu neste segmento, primeiro com a Address 100 e 50 cc e depois com o Burgman 125 com motor quatro tempos. O sucesso desta Suzuki encorajou até a Honda a trazer o modelo Lead 110 que, juntos, já chegaram a 25.000 unidades vendidas de janeiro a outubro. Muito? Nada disso, porque este número representa apenas ¼ do potencial de mercado. Eu ouço periodicamente amigos querendo um scooter para fugir do inferno que se transformou o trânsito, ou mesmo para aquelas situações nas quais tirar um carro da garagem não compensa. É mais ou menos aquela distância longa para ir a pé, mas curta para justificar o movimento do carro de uma tonelada.


Outro dado curioso no mercado brasileiro é que boa parte dos donos de scooter também tem motos. E adotam scooter por questões de praticidade – pequenos deslocamentos no bairro – ou mesmo por segurança, já que ter uma boa moto hoje significa municiar a bandidagem com veículos novos e velozes. Como a segurança pública não tem interesse em reduzir os roubos de motos, a solução é ter um scooter, veículo totalmente desprezado no mercado da criminalidade.

 

Mas no Brasil ainda enfrentamos um impedimento burocrático. Ao contrário da maioria dos países sensatos, onde existe equivalência entre a habilitação de carro e scooter até 125cc, aqui é necessário fazer moto-escola e tirar habilitação de moto (A) para pilotar scooter. E aí entra mais uma situação típica de Lisarb, este Brasil do avesso. Motos e scooters são veículos totalmente diferentes e as moto-escolas não oferecerem scooters para as aulas. É a mesma coisa que habilitar um piloto de helicóptero para voar de avião, a pretexto de os dois veículos voarem!


Mas ainda tem muita gente que usa o scooter como se fosse moto e isso representa um grande risco. Criado na Europa, onde as ruas – e calçadas – estão literalmente invadidas por scooters, é um veículo para deslocamentos curtos nas pequenas cidades, muita delas da época medieval, com ruas estreitas. Aqui no Brasil, até nas grandes cidades, podem-se ver scooters rodando em avenidas expressas ou mesmo nas estradas, inclusive com garupa, algo que deveria ser evitado e até contra-indicado. Para percursos longos já existem os maxi-scooters como o recém-lançado Dafra Citycom 300, que enfrenta até pequenas viagens.

 

O dono de scooter pequeno deveria evitar até avenidas de movimento intenso e rápido, pois são veículos pequenos, fáceis de serem ocultados pelos pontos cegos dos carros.  Estrada, então, nem pensar! Tenho um scooter desde 1994 (o mesmo!) e sempre evito as grandes avenidas porque o ideal é rodar sempre acima da velocidade do fluxo e acima de 70 km/h os scooters ficam muito instáveis.

 

A pilotagem também é diferente. Como o piloto fica sentado e não montado como nas motos, não pode contar com as pernas para ajudar nas irregularidades do piso. Por isso é preciso ficar ainda mais atento ao menor buraco. A distribuição de peso é maior na traseira, isso exige uma atuação maior do freio traseiro nas frenagens. E transportar garupa só mesmo para pequenos trajetos e com critério porque a estabilidade fica ainda mais precária.

 

Os maxi-scooters representam a geração luxuosa destes veículos. Já existem até scooter de 650cc no mercado, capazes de transportar duas pessoas em viagens, mas são difíceis de usar no trânsito e fogem um pouco do conceito de praticidade. Fiz uma viagem de Suzuki Burgman 400 na Itália e também aqui no Brasil e posso afirmar que ele enfrenta a estrada com conforto e boa velocidade, inclusive com garupa, só não espere muita estabilidade em curvas porque é um show de horror!

 

O Citycom 300 que a Dafra lançou pode esquentar o mercado neste segmento, principalmente pela relação custo x benefício bem interessante. Ele custa quase a metade do valor de um Burgman 400. Outra novidade que agitou o mercado dos scooters foi a chegada dos modelos de três rodas, como o MP3, que são ainda mais fáceis de pilotar, mas ainda muito caros.

 

Algumas características agradaram especialmente o público feminino, tais como a facilidade de pilotagem, dimensões reduzidas, câmbio automático e o escudo frontal. Graças a estes detalhes pode-se pilotar até de saia e com sapatos finos. Nas cidades da Europa é comum ver executivos de ternos e mulheres elegantes rodando de scooter, mesmo para eventos sociais.

 

Com a sustentabilidade em pauta, os scooters também foram apresentados como opção inteligente nas versões elétricas. Esta tecnologia já tem mais de 10 anos de desenvolvimento e com as novas baterias de lítio os veículos 100% elétricos já conseguem boa autonomia e velocidade. Pode ser uma solução para as cidades com restrição aos veículos movidos a combustível. Incluindo São Paulo. No Brasil já existem scooters elétricos em circulação, mas restritos a condomínios ou vigilância em ambientes fechados. Ainda sofrem com a baixa autonomia e pouco desempenho, especialmente nas subidas. Não deverá demorar muito para termos mais destas motonetas “verdes” em circulação.

 

 

publicado por motite às 22:56
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Escolhas - Parte II

Suzuki Burgman 125: o scooter mais vendido do Brasil

 

 

 

As escolhas podem ser divididas em duas categorias: as essencialmente importantes e as prosaicas. Depois dessa inacreditável, inédita e indispensável pérola do pensamento humano moderno, posso adiantar que toda escolha representa um risco em maior ou menor grau.
 
Decidir entre ser um mau pai presente ou um bom pai ausente. Optar por uma carreira segura e monótona em uma empresa multinacional ou realizar o sonho na abertura do negócio próprio. Experimentar, ou não, a primeira droga pesada. Tomar, ou não, mais uma dose antes de pegar a moto e voltar pra casa. Ter filhos ou interromper a gravidez. Escolher a escola do seu filho. Perto dessas escolhas decidir entre uma ou outra moto adquire contornos até mesmo ridículos.
 
Comprar uma moto “errada” pode trazer algum desconforto ou, na mais pessimista das hipóteses, a perda de algum dinheiro. Ou seja, nada, diante das escolhas do parágrafo anterior, que efetivamente podem mudar a vida de uma pessoa.
 
Só para ficar nas minhas experiências pessoais, fiz apenas UMA escolha errada de moto na minha vida: uma porcaria de Cagiva W16, oferecida com um super desconto pela Agrale, a importadora desse modelo na época. Perdi o equivalente a US$ 1.000 e um pouco da minha já curta paciência. Por outro lado reforcei minha teoria de que “moto e sushi só feitos por japoneses”. Comprei uma Suzuki DR 650 e sou feliz até hoje. Minha vida não mudou, não empobreci, não cortei os punhos, ou seja, nada de grave, além de ter de redobrar minha carga de trabalho para repor o dinheiro perdido.
 
Se todas as escolhas erradas da vida se resumissem a perdas materiais o mundo seria o verdadeiro paraíso!
 
Por isso acho exagerada a importância que algumas pessoas dão à escolha de uma moto ou carro. Invariavelmente as pessoas mais relutantes na hora da escolha são as maiores vítimas de uma má decisão. Portanto vou começar a ajudar, de fato, nesta tarefa quase homérica de escolher uma moto.
 
Primeiro temos de dividir os motociclistas em duas categorias: os experientes e os novatos.
 
Para os NOVATOS, a melhor e mais sensata dica é escolher uma moto pequena. Já me cansei de socorrer motociclistas novatos que compraram motos muito grandes, pesadas ou velozes. Quando comecei o curso de pilotagem SpeedMaster recebi uma ligação esquisita.
 
- Oi, comprei uma moto e não consigo sair da garagem do prédio!
 
- Ela está com defeito? Perguntei.
 
- Não, é minha primeira moto e estou com dificuldade para sair...
 
- E qual moto você comprou?
 
- Uma Yamaha YZF 1000 R1!
 
Foi assim que descobri um novo tipo de motociclista: o “atrasado”. O perfil é mais ou menos o mesmo. Um sujeito na faixa de 40 a 50 anos, que teve moto nos anos 80, geralmente uma CB 400. Depois casou-se e, ato contínuo, teve de se separar da moto. Passados 10 ou 15 anos veio a natural separação... da mulher! E a vontade de tirar o atraso motociclístico de mais de uma década. Já bem de vida – apesar do sumidouro financeiro provocado pelo advogado da ex-esposa – decide comprar uma grande moto para impressionar os estagiários da firma e as mocinhas. Ainda por cima compra um macacão de couro que fica mais apertado do que colchão de casal em porta-mala de Chevette.
 
Com esse tipo de usuário não adianta perder tempo com explicações prolongadas sobre a necessidade de se começar de baixo pra cima, porque ele escolhe a moto pelo o que ela representa e não pelo o que ela oferece.
 
Os novatos
Para quem decide adquirir a primeira moto da vida é preciso logo de cara saber que tudo na vida tem um começo. Até para andar tivemos de aprender à custa de muito tropeço e joelho roxo. Para os iniciantes no mundo das duas rodas posso separar as categorias mais recomendáveis:
 
- Scooter – são aquelas coisas motorizadas que nossas tias chamam de Lambretas. O grande benefício do scooter é a praticidade. Hoje em dia já é considerado o segundo veículo motorizado de duas rodas de uma família: é comum ter uma moto e um scooter. São boas para deslocamentos curtos por vias (bem) pavimentadas. Mas por usarem rodas pequenas (entre 10 e 12 polegadas de diâmetro) são sensíveis aos buracos. Além disso, os modelos até 150cc não são recomendáveis para uso com passageiro. Conheço gente que leva até a família toda, mas quando escrevo “re-co-men-dá-vel” não quer dizer nem obrigatório nem proibido.
 
Apesar de muito fáceis de usar – têm câmbio automático – é necessário habilitação e ser maior de idade. Eu recomendo scooters apenas para quem faz itinerários de até 10 km, preferencialmente por vias secundárias. Como a velocidade dos pequenos scooters é baixa (máximo de 110 km/h) e são veículos pequenos de difícil visualização pelos outros, especialmente ônibus e caminhões, é mais seguro evitar avenidas de trânsito rápido.
 
Outra característica do scooter é ser preferido pelo público feminino. Como as mulheres normalmente usam sapatos delicados e eventualmente tailler, o scooter tem a vantagem de ser um veículo que se pilota sentado e não montado como em um cavalo. Graças a essa postura pode-se pilotá-los até com saia. E o escudo frontal protege a roupa e os sapatos da sujeira e até dos respingos de chuva.
 
Também é recomendado a quem já atingiu a feliz idade acima dos 60. Por ser leve e simples, não requer força física nem para colocar no cavalete central. Vi dezenas de senhores chegarem ao clube pilotando pequenos scooters nas manhãs de sábado e domingo. Alguns até acompanhados das respectivas senhoras. Na Europa essa é uma cena comum inclusive nos dias de semana. Graças ao porta-objetos sob o banco pode-se levar o material até para um lauto pic-nic! E ainda cabe um capacete.
 
As desvantagens do scooter são poucas: alto custo de manutenção e maior consumo em comparação a uma moto pequena 125cc, pequena autonomia (cerca de 100 km) e a instabilidade das rodas pequenas.
 
Justamente para fugir dessa segunda desvantagem foram criados os scooters de rodas grandes, ou motonetas automáticas.
 
(Aqui cabe um parêntese importante: a nomenclatura e categorias de veículos de duas rodas motorizados é tão extensa quanto confusa. Teoricamente motonetas são motos com câmbio, nas quais se pilota sentado como um scooter. Eram chamadas de CUBs ou “moto de padre” porque podia pilotar de batina. Hoje em dia já existem motonetas automáticas que poderiam se enquadrar tanto na categoria scooter quanto motoneta. E perder tempo com isso é uma tremenda bobagem.)
 
As motonetas automáticas têm a vantagem da roda de maior diâmetro (mais estável), mas o porta-objetos é menor. Em alguns casos a motoneta tem um túnel central que reduz o espaço para os pés.
 
Ainda na categoria motoneta posso citar as CUBs, que têm câmbio, mas sem embreagem. A mais conhecida é a Honda Biz 125, mas hoje já existem outros modelos e marcas no mercado. As vantagens estão nas rodas maiores (mais estáveis), baixo custo de manutenção, maior economia de gasolina e conseqüente maior autonomia. O que pesa contra é apenas o câmbio rotativo que confunde alguns usuários.
 
publicado por motite às 19:35
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

A melhor moto do mundo

 

Acima, a Honda Biz 125+ vermelha 

Desde que abandonei minha vida de home-office sou obrigado a rodar 53 km por dia para ir e voltar à nova editora. Além da distância, o tráfego é de c*** sangue! Toda a extensão da 23 de maio parada, com os carros rodando a uma ridícula média horária de 8 km/h. Até um bebê de seis meses é mais rápido! 
Comecei a pesquisar uma moto mais econômica, sim porque a minha SpeedMaster 650 faz 15 km/litro e não gosta de rodar em baixa velocidade. Já estou com problemas do comando de válvulas e vários vazamentos provocados pelo estresse mecânico de rodar com pouca ventilação. E as peças da Suzuki devem ser as mais caras do planeta!
Pensei na Yamaha Neo 115. Pesquisei preço, cheguei a fazer o pedido de uma zero na Yamaha, mas parece que a Y. ainda tem restrições com relação ao meu nome, pois o assessor se fingiu de morto e “esqueceu” o assunto. Achei boas ofertas nos classificados do Moto.com.br, inclusive descobri que a Neo preta é quase R$ 600,00 mais barata que a azul! Coisas de Lisarb. Mas desisti da Neo depois de pesquisar o preço de algumas peças, medir o consumo de gasolina e perceber que falta um tiquinho de potência pra rodar em SP.
É preciso esclarecer que vou rodar coisa de 60 km/dia. Scooters e motonetas foram projetados pensando em um uso bem menos intenso. Por exemplo: quando eu trabalhava a 4 km da minha casa eu usava um Suzuki Address 100 sem o menor problema. Hoje aposentei esse scooter por causa do motor dois tempos que defuma a roupa e o espírito. 
Acima, Suzuki Burgman 125 
Então peguei uma Honda Biz 125+ emprestada por um mês. Cara, virei fã de carteirinha da Biz. No primeiro abastecimento achei que estava enganado: 41 km/litro. Depois fiz um turno de consumo do meu jeito, com rigor e abastecendo a moto eu mesmo e no mesmo posto. Resultado: 43 km/litro! Karauskas!!! É quase 3 vezes mais econômica do que minha DR 650! 
Além disso, o banco é largo e confortável e consigo levar minha filha Luna na garupa sem problemas. E tem o freio a disco, porque eu simplesmente me recuso a comprar uma moto com freio a tambor! E também não aceito ligar moto no pedal, aliás na minha futura Biz vou arrancar esse pedal fora! 
Então decidi fazer algo que sempre recomendo aos leitores, mas eu mesmo nunca faço: pesquisa de preço. Aí sim, acabou a dúvida. Fiz uma lista com itens como kit de relação, pneus e algumas peças de carenagem. É muito, mas MUITO mais barata do que a manutenção de um scooter ou da Neo. Para trocar o kit de relação (no caso a correia e os roletes) de um Burgman é preciso desembolsar R$ 250,00 (não existe mercado paralelo de peças Suzuki). O kit de relação Hamp da Biz custa R$ 75,00. E eu nem pesquisei as marcas como Riffel, Vaz etc. 
Outro aspecto que pesou a favor da Biz foi a liquidez. Biz é dinheiro no bolso! Só de rodar com ela pela cidade recebi várias ofertas de compra. Já os scooters e especialmente a Neo são difíceis de vender e perdem muito valor de mercado. 
E, claro, não podia deixar de comentar o espaço do porta objetos. Ontem (domingo) fiz compras no mercado e trouxe tudo na Biz. O que não coube debaixo do banco eu pendurei nas barras laterais ou no guidão. 
O que enche um pouco o saco é esse câmbio com embreagem automática. Eu não me acostumo a frear sem reduzir – qual é a postura certa na Biz? Parar sem reduzir e usar o câmbio rotativo para engatar o neutro.  Eu julgava antes como um problema da Biz, mas hoje vejo como uma forma de ajudar a economizar gasolina, porque o motor está sempre na faixa útil de rotação. No caso do câmbio CVT o acelerador precisa ser aberto antes e mais para vencer a inércia. Com duas pessoas é ainda pior. Aliás, nem o Burgman nem a Neo são eficientes para levar garupa. Já a Biz tem o banco maior, mas as pedaleiras são presas no quadro elástico, o que é imperdoável. 
Também acho que a Biz seria uma EXCELENTE opção se tivesse 2 a 3 cv a mais e um câmbio de 5 marchas. Ou seja, está na hora de a Honda pensar em uma Honda Biz 150+, se possível já com a desejada e almejada injeção eletrônica. 
Resumindo, eu faria a seguinte comparação.
 
 
Yamaha Neo CVT 115
Vantagens
a)      Estilo mais moderno e menos motoboy
b)      Rodas grandes
c)      Freios excelentes 
Desvantagens
a)      Pouca liquidez
b)      Manutenção cara
c)      Consumo exagerado para o tipo de veículo
d)      Impossibilidade de instalar o baú (a fábrica não recomenda)
e)      Motor de baixo rendimento 
Suzuki Burgman 125
Vantagens
a)      Fundo chato permite transportar mais objetos
b)      Estilo 
Desvantagens
a)      Pouca estabilidade
b)      Manutenção cara e difícil
c)      Consumo incompatível com o veículo
d)      Desconforto para garupa
e)      Pouco curso da suspensão 
Honda Biz 125+
Vantagens
a)      Baixo consumo de gasolina
b)      Liquidez e valor de revenda
c)      Conforto para garupa
d)      Baixo custo de manutenção
e)      Rendimento do motor compatível com a moto (mas poderia ter uns 2 cv a mais) 
Desvantagens
a)      Estilo (poderia ter mais opções de cores)
b)      Câmbio difícil e com muito curso da alavanca
c)      Tanque de gasolina pequeno (4 litros)
d)    Pedaleira de garupa no quadro elástico 
A MINHA Biz 125+ 
Estou aguardando a chegada da minha Biz (vermelha) e assim que terminar o prazo de amaciamento pretendo fazer algumas das minhas alterações titeanas.
1)      Arrancar fora aqueles pesinhos na ponta do guidão, aquilo é para reduzir as vibrações, mas enrosca demais nos espelhos dos carros
2)      Levaria no meu amigo e preparador Renato Gaeta para ele achar uns dois cavalinhos perdidos naquele motor. Nós temos algumas receitas de fazer um motor render um pelinho a mais sem comprometer o consumo, mas não adianta me perguntar a receita porque não conto!
3)      Faria um novo suporte da pedaleira do garupa para prender ao quadro fixo
4)      Instalaria um gancho tipo mosquetão na parte interna do escudo frontal para pendurar sacolas
5)      Trocaria o escapamento por um menos restritivo (mas sem aumentar o barulho!)
6)      Talvez – eu disse talvez – mandaria polir as rodas, mas depende de uma análise, pois os cromados estão meio fora-de-moda. Eu não gosto daquele tom de grafite, cinza, sei lá!
7)      Trocaria o flexível original de freio por um aeroquip – não pela eficiência, mas porque o original é comprido - e feio - demais.
8)    Arrancaria o pedal de partida fora!

 

 

publicado por motite às 15:57
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