Segunda-feira, 9 de Maio de 2016

Embolou tudo

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Ué, cadê todo mundo? Lorenzo chega 10 segundos na frente. (foto:MotoGP.com)

Depois do GP da França o campeonato equilibrou 

Ainda bem que o GP da França foi atípico. Essa coisa de um piloto largar, abrir 10 segundos e vencer sem ser incomodado por ninguém é coisa de Fórmula 1. Na motovelocidade os vencedores não costumam ter vida fácil da largada até a chegada. É só comparar as diferenças entre os primeiros colocados na linha de chegada da MotoGP com os grande prêmios de F-1. Enquanto na moto essas diferenças raramente passam de um segundo, nos monopostos ela raramente é menor de 10 segundos. Só mesmo o Galvão Bueno acha a F1 emocionante, mas ele recebe comissão dos contratos de patrocínio. 

Só que já é segundo GP da temporada que o vencedor abre um quarteirão e some na frente dos outros. No GP das Américas, nos EUA, foi a vez de Marc Marquez enfiar quase sete segundos no Jorge Lorenzo. Isso procupa? Não, porque na motovelocidade continua sendo raro ver o que Jorge Lorenzo fez e fez bem feito: impôs um ritmo de classificação nas 28 voltas como se não houvesse amanhã. Um domínio de quem tem uma frieza fora do comum, o que aliás é esperado de um campeão mundial. 

Quem patinou na largada foi Valentino Rossi. Depois de um treino sofrível que lhe deu apenas o sétimo lugar no grid, a oito décimos da pole do Lorenzo, Rossi largou no pelotão da merda e, claro, deu merda! Foi atrapalhado, se atrapalhou e cruzou a primeira volta em sexto. Depois fez uma sucessão de ultrapassagens com precisão cirúrgica e se mandou em segundo atrás do Lorenzo, que já tinha 5 segundos de vantagem... Na F1 isso é titica, mas na MotoGP é uma eternidade.

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Ianonne: melhor correr a pé mesmo. (foto: MotoGP.com) 

Aaah Ducati. Acho que o único consolo da equipe italiana é saber que em 2017 vai ter um piloto com a frieza do Jorge Lorenzo, porque os calientes Andreas estão dando um prejuízo enorme. Se olharmos os tempos de volta da Ducati percebe-se que estão exatamente no mesmo ritmo das japonesas Honda e Yamaha. Está faltando aquele piloto “redondo” que consegue andar no limite sem escorregar na própria baba. 

Bom, esse GP da França foi um festival de quedas. Segundo o locutor da SporTV a culpa era do asfalto, mas os pilotos todos afirmaram que o pneu dianteiro da Michelin pra essa corrida não passava o feeling de limite. Simplesmente saía de baixo e deixava o piloto de nariz no asfalto. Mais uma vez os pilotos “cerebrais” como Lorenzo e Rossi sabem identificar o limite antes de a moto sumir debaixo das pernas. 

O tombo sincronizado de Andrea Dovizioso e Marc Marquez foi a prova definitiva de que o problema estava nos pneus dianteiros. Ambos caíram igualzinho e não acredite no que se escreve nas redes sociais: o MM não reclamou do Dovizioso quando se viu no chão, ele reclamou consigo mesmo! Sim, isso acontece com todo mundo. Também não foi causado pelo remendo no asfalto, senão os outros 15 pilotos teriam caído também. 

Depois da corrida os dois se explicaram ao canal Fox. Dovi disse que foi traído pelo pneu dianteiro no momento que estava apertando o ritmo para não deixar Rossi fugir e se proteger dos ataques do Marquez. Já MM deu a mesma explicação: a moto saiu de frente no momento que tentou dar um tiquinho a mais de gás. Segundo ele, esse pneu já tinha apresentado o mesmo problema em Jerez e dicidiu reduzir o ritmo para garantir o terceiro lugar, pensando no campeonato. Mas por que então em Le Mans decidiu apertar? 

- Porque já tinha três motos na frente e isso seria ruim para a tabela geral. Não podia ficar só mantendo o ritmo, precisava atacar! Explicou o espanholito. 

Ao final da corrida, a equipe Ducati divulgou o mapa da telemetria do Dovizioso confirmando tudo que o italiano disse. No momento da queda ele havia inclinado a moto dois graus a mais do que o normal e... chão! 

Para o campeonato essa prova embolou de vez e trouxe mais emoção. Dos três primeiros colocados cada um já teve seu chão. No caso de Lorenzo e Rossi isso representou zero ponto. Já Marquez amadureceu tanto no ano passado que levantou a moto e foi buscar três pontinhos que podem ser decisivos num ambiente tão equilibrado. 

Destaque também para Maverick Viñales, de 21 anos, que fez uma corrida de gente grande dando o pódio à Suzuki. Já de contrato assinado com a Yamaha para 2017, ele vai ter uma baita moto nas mãos e um companheiro de equipe com título de “doutor”. Vai crescer muito! 

Entre as motos, a Yamaha é a moto mais bem resolvida para os compostos da Michelin. Quando Lorenzo afirmou que perdeu o GP da Espanha por causa dos pneus não estava mimimizando, foi uma escolha errada mesmo. Um grande piloto não comete o mesmo erro duas vezes, como acabamos de ver. A Honda ainda não mostrou constância e intercala corridas excelentes com outras medianas. Não pode contar com Dani Pedrosa para ajudar MM e ainda tem de ver seu piloto chegando atrás de Suzuki e Ducati... Esta, por sua vez, tem tudo para ganhar uma etapa em 2016, tudo em termos de engenharia, mas está faltando piloto... 

Moto2 e 3

Na Moto2 continua a torcida para Franco Morbidelli, o ítalo-brasiliano que leva a bandeira do Brasil no capacete. O cabra é bom, ninguém chega entre os cinco primeiros em uma prova do mundial sendo um bobo. Mas ainda falta aquele toque de gênio para chegar lá na frente. Mas a disputa está bem equilibrada entre Alex Rins e Sam Lowes. É uma categoria que dá gosto de ver porque tem um zilhão de motos escorregando de lado. 

Já na Moto3 parece que Brad Binder venceu a segunda consecutiva, abriu uma larga vantagem na tabela para administrar o campeonato. E o malaio Khairul Pawi foi mesmo fogo de palha: só vai no piso molhado, portanto é bom fazer uma dança da chuva a cada prova. 

Para saber classificação, estatísticas, tabelas, calendário etc clique AQUI.

 

publicado por motite às 16:59
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Sábado, 19 de Março de 2016

99% campeão, mas aquele 1%...

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O Lorenzo está com a macaca... e o macacão! (Foto: MotoGP)

O que esperar de 2016

Eu fiz de propósito. Poderia ter escrito essa resenha lá atrás, no começo do ano, mas quis esperar o primeiro treino oficial para referendar tudo que escrevi no final de 2015. Como meus leitores sabem, sou um dos editores do anuário AutoMotor o mais antigo e completo compêndio das competições motorizadas no mundo. Sim, do mundo, em se tratando de mídia impressa. São mais de 4.5 kg de informação, mais de 1.000 fotos, mais de 400 páginas e contempla as principais categorias do automobilismo e motociclismo mundial e brasileiro. 

Todos os anos, há 24 anos, participo desse trabalho e escrevo a editoria de motociclismo. Como de costume, escrevi sobre o mundial de MotoGP (segue a íntegra abaixo) e mostrei, sem o ranço de torcedor, nem de fanático, que da metade da temporada de 2015 em diante o Jorge Lorenzo foi sempre mais rápido que Valentino Rossi, que o título de 2015 ficou na mão do cara mais rápido e pronto! Ponto final! Não tem mimimi, basta olhar os tempos de classificação. Lorenzo foi sempre dois décimos a meio segundo mais rápido que Rossi.

Bom, começou 2016, o meu amigo e jornalista Ronaldo Arrighi perguntou: quem é favorito em 2016? E eu respondi: se continuar na mesma balada de 2015 será Lorenzo. Mas... motovelociade é muito imprevisível, tem tornozelos quebrados, clavículas esmigalhadas, escafóides dilacerados etc. Salvo voos, Lorenzo vai nadar de braçada.

Eis que terminou o primeiro treino oficial e Lorenzo já cravou a pole e enfiou dois décimos no Valentino Rossi! Pole position em motovelociade não fregga niente. O que importa é o numerinho que aparece no cronômetro. E fique de olho no Maverick Viñales, porque o cabra é ligado em 220V e a Suzuki está bem acertada. Já arrancou o terceiro tempo. E, como sempre, Dani Pedrosa é aquela moscamortice já conhecida, tomando meio segundo do Lorenzo. Marc Marquez rompeu amizade com Valentino Rossi e se os dois se trombarem numa frenagem vai voar pena pra tudo que é lado. Marquez precisa baixar o nível de testosterona pra ser campeão do mundo, coisa que Lorenzo já aprendeu. Esse ano de 2016 promete...

Vamos ver essa primeira etapa porque em motovelocidade piloto burro nasce morto. O cara que for mais cerebral leva. Lorenzo tem o 99 na carenagem para lembrar que tem 99%de chance de ser campeão, mas tem aquele 1%...

Leia a íntegra do texto publicado no Anuário AutoMotor, mas compre o seu exemplar pela internet no SITE e ajude a pagar meu 13. salário. 

Vale ou não vale?

Em uma das temporadas mais emocionantes o espanhol Jorge Lorenzo se torna tri na MotoGP. Johann Zarco foi o campeão na Moto2 e Danny Kent na Moto3.

Ver o título decidido na última etapa não é novidade da MotoGP, pelo contrário, são raros os títulos conquistados por antecipação. Mas em 2015 a temporada foi cruel com o italiano Valentino Rossi, dono de nove títulos mundiais. Depois de liderar por 17 etapas viu o título ir para as mãos do espanhol Jorge Lorenzo na última! Aos 36 anos, Rossi pode ter perdido a última chance de conquistar seu 10º título mundial. E ainda assistiu Lorenzo ser laureado pela quinta vez.

Foi um campeonato espetacular sobre vários aspectos. Depois de duas temporadas brilhantes, o jovem espanhol Marc Marquez teve um ano difícil, com muitas quedas, atribuídas a um problema de estabilidade na frente de sua Honda. E Dani Pedrosa, também espanhol, que fez uma nova cirurgia para resolver a síndrome compartimental no antebraço e voltou tão bom que venceu duas das quatro últimas etapas. Até a Ducati rendeu mais do que o esperado colocando o piloto italiano Andrea Ianone no pódio duas vezes. O que teve influência vital na decisão do título.

Mas o ano de 2015 da MotoGP ficará para sempre gravado na memória pelas duas últimas etapas: Malásia e Valência. Tudo por conta de uma suposta ajuda dos pilotos espanhóis para que o título ficasse na península Ibérica.

Depois de Valentino Rossi abrir 23 pontos de vantagem sobre Jorge Lorenzo após a prova em Misano, Lorenzo fez uma sequência de bons resultados até que chegaram a tumultuada etapa da Malásia com uma diferença de 11 pontos de vantagem para o italiano. Depois de largar na pole Lorenzo despachou na frente, seguido de Dani Pedrosa e a dupla Rossi/Marquez que se engalfinharam por cinco voltas, com cenas de ataque cardíaco, até que Rossi alargou a trajetória de propósito, forçando Marc Marquez a encostar e cair.

A partir desse momento tudo é especulação, porque só duas pessoas no mundo sabem exatamente o que houve: Marc Marquez e Valentino Rossi. Nem adianta ver os filmes inúmeras vezes, analisar telemetria, nada, porque com um título mundial em jogo cada um vai se defender até a morte. E foi o que fizeram.

A choradeira que seu viu nas redes sociais logo após o encerramento do Mundial foi decorrente de fanatismos e da punição aplicada a Rossi pelo acidente na Malásia. Ele foi julgado e condenado o que o fez largar em último, não pelo evento da Malásia, mas pela soma dos pontos que já tinha em seu prontuário de piloto. Assim como no trânsito, os pilotos recebem pontuação por atitudes anti esportivas e com quatro pontos a pena foi largar em último. 

De fato, Lorenzo venceu sete provas, contra quatro de Valentino, que foi muito mais regular, marcando pontos em todas as etapas. No entanto, o campeonato chama Mundial de Motovelocidade e não de Motoregularidade, por isso ganha quem é mais rápido e aqui até os fãs do campeoníssimo italiano podem acompanhar pela cronometragem das últimas três etapas que Lorenzo foi sempre mais rápido. E mais, na etapa derradeira, quando Rossi teve de largar em último, ele nem chegou perto dos tempos de volta do Lorenzo.

Mesmo que ele tivesse largado em 12º, seu tempo nos treinos, ele nem chegaria entre os primeiros porque foi quase meio segundo mais lento por volta. O que pegou muito mal foi a atitude de Jorge Lorenzo após a prova, ao agradecer à equipe Honda pela “ajuda”! Em entrevista ele afirmou que deveria agradecer aos pilotos espanhóis pela ajuda. Isso caiu como uma bomba porque a motovelocidade sempre se orgulhou de jamais, em 63 anos, permitir e incentivar o jogo de equipes, ainda mais equipes de fábricas tão rivais quanto Honda e Yamaha. Mas a presença do rei Juan Carlos antes da largada e o fato de nenhum piloto espanhol ter conquistado título nas categorias Moto2 e Moto3 deu todo o ar de “patriotada” justamente na etapa derradeira na... Espanha!

Para jogar a pá de cal definitiva, a Bwin, a mais famosa casa de apostas e patrocinadora tanto do Mundial quanto de equipes, decidiu devolver o valor das apostas a quem cravou Valentino Rossi como campeão. Segundo o porta-voz da empresa, eles sempre promoveram a integridade no esporte e os eventos de Sepang colocaram esse título em dúvida.

Na categoria Moto2, o francês Johann Zarco foi avassalador com oito vitórias e o título antecipado. Tito Rabat, campeão em 2014, decidiu continuar na categoria e defender o título, algo raro na motovelocidade, mas apesar das três vitórias zerou duas provas – uma delas derrubado pelo ítalo-brasileiro Franco Morbidelli – e teve de se contentar com o terceiro lugar na classificação geral, apenas três pontos atrás do vice-campeão Alex Rins.

Para compensar o ano-para-esquecer da MotoGP, a categoria Moto3 foi de roer as unhas da primeira a última volta das 18 etapas. Depois de um começo vitorioso, o inglês Danny Kent apontava até como campeão antecipado, algo raríssimo de se ver na categoria de base. Ele abriu uma enorme vantagem até exatamente a metade da temporada, mas viu a reação consistente do português Miguel Oliveira que venceu nada menos do que quatro das últimas cinco etapas e chegou ao fim com apenas seis pontos de desvantagem, mesmo depois de zerar três etapas. Para ter uma ideia do nível de competitividade dessa categoria, na primeira etapa no Qatar, a diferença entre o vencedor e o 14º colocado na linha de chegada foi de apenas 2,5 segundos.

 

 

 

publicado por motite às 19:48
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

A Volta das 500 Milhas Brasileiras

 

(Largaram!!! As provas longas de moto voltaram... Foto:Tite)

 

Você sabia que ontem (domingo) foi disputada as 500 Milhas Brasileiras de Moto? Não? E seu vizinho sabia? O seu colega de trabalho? Seus primos? Alguém sabia? Fiquei sabendo no ano passado, na última etapa do campeonato Brasileiro de Motovelocidade. Mas até a semana da prova pouca gente acreditava que as 500 Milhas voltariam à vida.
 
Esquecida por 18 longos anos, a mais tradicional prova do motociclismo brasileiro voltou por iniciativa do Centauro Moto Clube, o mais antigo clube de motociclismo do Brasil. Muita gente duvidou que a prova fosse realizada, mas ontem, à uma hora da tarde, as 26 motos inscritas largaram. E ao ver os pilotos correndo em direção às motos, na largada estilo Le Mans, voltei 30 anos no tempo!
 
As corridas de moto nos anos 70 reunia público, pilotos da América do Sul, mas sobrava desorganização. Eram tempos românticos, quando piloto era macho mesmo, corrida com macacão de couro feito no Edmundo Correia & Filhos, as motos tinham freios péssimos e pneus idem. O público penetrava nos boxes, invadia a pista e era uma zona sem pé nem cabeça.
 
A Kawasaki (86) da família Mello e a Triumph (28)  dos isntrutores do curso. Foto:Tite)
 
O José Roberto Belstrein, que hoje preside o Centauro Moto Clube, merece a honra de ter ressuscitado essa tradicional corrida, mas ainda precisa melhorar – e muito – o trabalho de organização. Não quero ficar só chutando, mas só não teve uma cidente mais grave porque Deus protege os bêbados, as criancinhas e os pilotos de moto! O importante é que tivemos a prova de volta!
 
Gordinhos
Uma semana antes da prova recebi um convite do meu amigo Eric para correr com uma Triumph 675 ao lado dos instrutores do curso SpeedMaster/Motorsco Homero e Eduardo Vilella. Foram décimos de segundo de hesitação, mas desde que parei de correr, em 1999, prometi a mim mesmo nunca mais largar em uma prova de motovelocidade. Minha preocupação era sempre a possibilidade de me envolver um acidente besta e quebrar um daqueles ossinhos ridículos como escafóide e clavícula que demoram 45 dias pra soldar. Como autônomo eu não posso ficar 45 dias no estaleiro!
 
Assim, fiquei de fora mas fui ver meus amigos se divertirem. Encontrei vários PVC (Piloto Velho de Competição) se espremendo em macacões dois números menores! Alguns deles estavam parados há mais de 20 anos!!!
 
A equipe mais festejada era da família Mello. O maluco Leandro Mello decidiu fazer uma surpresa ao pai, o coronel Pedro Mello, que fazia aniversário na véspera da corrida. Sem avisar nada, Leandro e o irmão Thiago inscreveram o pai na equipe e o “véio” quase enfartou quando soube que teria de correr de Kawasaki ZX-6R sem nem sequer treinar! Não se sabe o resultado, ainda, mas até a hora que eu fiquei em Interlagos eles estavam entre os 6 primeiros!
 
Nem vale a pena comentar sobre a desorganização nos boxes, porque era importante realizar a corrida. Agora já se pode pensar em um campeonato paulista, ou mesmo brasileiro, de endurance. Provas de 6 ou 8 horas de duração, com equipes de três ou quatro pilotos.
 
Muita gente dentro dos boxes - perigo! Foto: Tite
 
O importante foi realizar a corrida. Vamos torcer para que alguma grande empresa do setor veja a importância dessa categoria e se interesse em patrocinar. Sem dinheiro não tem como contratar uma equipe profissional. E só com amigos e voluntários não se faz um grande evento!
 
Parece que o trio vencedor foi formado pelo jornalista Rafael Paschoalin, o veterano Sidnei Sigliano e Diogo Marcelo, com uma Triumph 675.  Não tenho certeza porque não fiquei até o final pra pegar os tempos e a classificação.
 
Doca (de amarelo) passa instruções pro Minhoca. Foto: Tite
 
A parte chata é que meu grande amigo Minhoca Zampieri estava muito bem em parceria com outro amigo, o Doca. Ele foi alvejado por uma moto e ambos caíram, deixando um rio de óleo no “S do Sena”. Mais cinco motos caíram e foi uma zona! Felizmente ninguém se machucou com gravidade e a prova continuou.
 
Prefiro ver essas 500 Milhas como um retorno das provas de longa duração e não entrar muito no mérito da organização. Já trabalhei com corridas e sei o quanto é difícil fazer uma prova sem dinheiro. A Dimep, do meu amigo Dimas de Mello Pimenta (como eu tenho amigos!!!) patrocinou e merece ser citada por acreditar nesse projeto. A Michelin fez uma parceria e vendeu os pneus a preços especiais. Mas nenhuma empresa do setor da indústria de motos se interessou em investir.
 
Leandro Mello (de macacão) observa o trabalho da equipe do Spiga. Foto:Tite
 
Motociclismo de velocidade é assim mesmo: todo mundo quer associar a imagem ao glamour das corridas, mas na hora de cacifar com grana... sai fora! Quem sabe agora, depois de ver a volta das 500 Milhas, as indústrias decidam investir uns trocados nessa coisa chata e sem emoção chamada motovelocidade.
publicado por motite às 14:05
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Lêndeas - Alexandre Barros

 

(aos 13 anos Alexandre já pilotava uma TZ 250, nem Valentino Rossi nem Casey Stoner passaram por essa experiência. Foto: Mário Bock)

 

Na minha vida de jornalista tive várias oportunidades de conviver com ídolos. É difícil separar o jornalista do torcedor, mas procurei sempre manter um distanciamento profissional. A única exceção foi ao Ayrton Senna porque realmente torci muito por ele, mas tinha uma justificativa sensata: eu o conheci muito antes de me tornar jornalista. Com Alexandre Barros foi diferente porque só tive contato pessoal com ele depois de eu já ser um profissional da imprensa. E foi como jornalista que visitei a residência da família Barros na primavera de 1984, no Alto da Boa Vista, bairro classe média perto de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
 
Conheci o Alexandre, o César, a irmã e os pais durante um almoço que eles me ofereceram como convidado. Daquele almoço nasceu o primeiro perfil publicado na imprensa sobre o futuro piloto do mundial de Motovelocidade. Confesso que, para mim, esse artigo publicado em outubro de 1984 foi apenas mais um como outros tantos. Não teve nada de especial.
 
Até que em junho de 2007 publiquei um outro artigo com o título de “Bom, mas não ótimo”, no site GPTotal, a respeito da carreira do Alexandre Barros que gerou tanta polêmica a ponto de eu desistir de colaborar com o site dos meus amigos Panda e Edu. Tudo porque fiz UMA crítica ao PILOTO Alexandre e os fãs – e uma ridícula parcela da imprensa – entendeu como uma crítica ao ÍDOLO Alexandre.
 
Não é fácil ser jornalista. Temos de fazer muitas vezes o papel de juiz de um ídolo amparado nas análises do desempenho e isso pode ferir os apaixonados que só conseguem ver o ídolo independentemente da pessoa que interpreta o papel de ídolo.
 
Há muito tempo percebi que no mundo todo jornalistas tentam empurrar a carreira de seus ídolos nacionais. É muito instrutivo ler os jornais no dia seguinte à uma competição em diferentes países e ver como cada um publica o mesmo evento. É absolutamente normal o jornalista puxar a brasa para a sardinha do seu país e ponto final. O que irrita é perceber quando o jornalista extrapola os limites do nacionalismo e tenta nos empurrar goela abaixo ídolos que não se portam como tais. Veja o exemplo do Ronaldo Nazário. Na última Copa do Mundo, em 2006, o Galvão Bueno berrava a plenos pulmões que ele se tornaria – e de fato se tornou – o maior artilheiro da Seleção Brasileira naquela copa. Certo, mas e daí? A Seleção Brasileira caiu contra a França, a atuação do Ronaldo foi patética naquele jogo e depois só piorou com os recentes escândalos envolvendo drogas e travestis.
 
Existe uma verdade insofismável sobre a comunicação: quando uma mentira é bem contada e repetidas vezes ela se torna uma verdade. Nenhum comentarista brasileiro teve colhões de olhar para aquele Ronaldo de 2006 e perceber que já não era o mesmo de 2002. Mesmo assim empurram-nos goela abaixo o “ídolo”. A mesma torcida exagerada que Galvão exerceu sobre os ronaldos do futebol, ele também descarregou a vários pilotos brasileiros que chegaram à Fórmula 1 e se mostraram verdadeiros cheques sem fundo, como Pedro Paulo Diniz, Christian Fittipaldi, Ricardo Rosset, Antônio Pizzonia e outros
 
Sobre o texto publicado no GPTotal eu não me incomodei com as críticas dos leitores porque há muito tempo decidi escrever o que penso e acredito e não mais o que pensam e acreditam os meus editores. O que me deixou bem desconfortável foi receber de alguns colegas da imprensa a informação de que a família Barros teria ficado “p* da vida” a ponto de o irmão do Alexandre ameaçar entrar com processo para retirar a matéria do ar. ISSO realmente me deixou chocado. A primeira condição para ser um ídolo de verdade é ser capaz de ouvir e aceitar as críticas com a mesma naturalidade que recebe e ouve os elogios (mesmo que resultado de um ufanismo exagerado).
 
Não acreditei nas ameaças, mas percebi que toda vez que encontrei os irmãos Barros eles me evitaram. Lamentável, porque eles deveriam pegar aqueles volumes com os recortes das notícias veiculadas na imprensa de todo mundo e buscar bem no começo, lá no primeiro volume, quem foi o autor do primeiro perfil sobre o Alexandre. E a partir desta (re)descoberta olhar com um pouco de respeito às minhas colunas e, da mesma forma que um dia se revoltaram por ter escrito UMA crítica, poderiam reservar forças para elogiar e lembrar os inúmeros elogios que fiz ao piloto, sobretudo nos momentos geniais que mostrou em algumas corridas.
 
Curta o primeiro perfil sobre o Alexandre e não esqueça que foi escrito antes de muitos atuais profissionais da imprensa especializada sequer ter acesso a uma máquina de escrever.
 
Boa leitura!
 
(esta foto foi publicada na Duas Rodas como sendo o Alexandre, mas eu desconfio que é o César Barros, na época das corridas de ciclomotor. Foto (maravilhosa) de Mário Bock)
 
Alexandre: 13 anos e pilotando a 240 km/h*
 
Aos 8 anos ele já era bicampeão nos ciclomotores. Hoje anda lado a lado com pilotos como Lagartixa** e Castroviejo
 
Uma turminha de garotos saindo da infância. Entre derrapadas na voz e os mil sonhos de adolescente, a conversa gira em torno de velocidade, as corridas de cross e um assunto muito especial: o desempenho de um dos colegas de escola e de rua na categoria mais rápida do motociclismo brasileiro.
 
Quem se aproxima desta turminha pensa que eles estão falando de algum ídolo adulto, mas a grande surpresa é que justamente um deles é o tal piloto. Um dos menores e o mais tímido do grupo é o piloto da categoria Especial 250/350cc, com motos que desenvolvem até 240 Km/h. Aos 13 anos de idade, com pouco mais de 44 quilos, Alexandre Abrahão de Barros finalmente se identifica como o piloto que terminou em 4° lugar na segunda etapa da Taça Centauro, realizada em Interlagos, São Paulo no dia 19 de agosto. Ele correu junto com Marco Antônio Grecco, o Lagartixa, 22 anos, piloto de 500cc no Mundial, Paulo Sérgio Castroviejo, 30 anos, vários títulos paulistas e brasileiros e Lucílio Baumer, 37 anos, que só de corri­das tem mais tempo que a idade de seu concorrente juvenil.
 
(em frente à casa do Alto da Boa Vista, em 1985, Alexandre era só mais um adolescente brincando de piloto. Foto: Tite)
 
Entrando na casa de Alexandre se percebe a influência que a carreira do menino tem na vida da família. As paredes estão repletas de pôsteres de Alexandre, desde que estreou na categoria Ciclomoto­res, há 5 anos. Venceu na estréia, com 7 anos e 25 quilos, e foi bicampeão paulista da categoria. As garrafas de champanha ou guaraná (nos ciclomotores os organiza­dores não permitiam bebidas alcóolicas) estão colocadas num carrinho de chá, que serve de base para troféus. Na crista­leira mais troféus e fotos.
 
São dois irmãos com experiências de corridas (César, 11 anos, foi campeão de ciclomotor em 1980), e explicam o risco de uma queda durante a corrida:
 
- E tudo muito rápido - explica Alexandre, que em cinco anos só caiu três vezes - a gente se aproxima da freada pega uma mancha de óleo ou água e a moto sai de baixo. Mas não é perigoso.
 
Realmente é difícil imaginar um garoto de 13 anos freando uma moto a mais de 200 por hora. Nesta idade a maioria dos adolescentes está aprendendo como se faz para entrar mais forte em uma curva na pista de autorama. E Alexandre vai expli­cando a sua curta e meteórica carreira, como quem brinca de autorama faz para explicar suas façanhas.
 
- A hora da largada é quando dá mais nervoso - conta Alexandre - as pernas ficam tão moles que não consigo empurrar a moto. Todo mundo já largou e eu fico fazendo a maior força ...
 
Este problema para largar acabou sen­do vantajoso para Alexandre, quando ele foi para a categoria 125cc Especial, em 1982. Depois de uma má largada a recupe­ração era fantástica, arrancando elogios de veteranos pilotos, como Walter Tucano Barchi, Lagartixa ou Castroviejo. Numa destas recuperações, Alexandre conse­guiu a única vitória na 125cc em uma prova em 1983 no Rio de Janeiro. No final da corrida todos queriam ver quem era o menino de 12 anos que tinha andado tão forte. “Quando cheguei nos boxes tinha cinco jornalistas com microfones na mão para me entrevistar. Do lado de fora todo mundo aplaudia, nunca vi tanta gente nu­ma corrida de moto”.
 
Por acaso
Alexandre Barros começou a correr de moto por acaso. Seu pai, Antônio Coelho de Barros, ex-corredor de bicicletas, esta­va fazendo uma prova de ciclismo entre São Paulo e Rio de Janeiro. Quando parou em Ubatuba, SP, para repousar, um dos integrantes da equipe Caloi perguntou se ele conhecia algum garoto leve para correr de ciclomotor. Cansado da etapa difícil e querendo livrar-se das pessoas, Coelho disse que “emprestava” o filho dele. “Mas eu disse aquilo só para ver se eles me deixavam em paz - recorda Coe­lho -, eu queria descansar para a etapa do dia seguinte”.
 
Em outra ocasião, quando Coelho es­tava treinando de bicicleta em Interlagos, o mesmo técnico da Caloi perguntou pelo seu filho. O ciclomotor já estava na pista e Coelho tinha esquecido o filho em casa. Foram buscar Alexandre, que se lembra como foi o primeiro teste aos 7 anos: “eu fui com o ciclomotor na frente e meu pai atrás de bicicleta. A gente tinha combina­do de fazer só o anel externo, mas me perdi e entrei no miolo da pista. De repente vi que estava completamente perdido, não sabia como voltar para o boxe. Olhava em volta e não via meu pai, fiquei com muito medo”.
 
Depois de rodar a pista de Interlagos pela contramão, finalmente o pequeno es­treante chegou aos boxes e fez a primeira exigência técnica, colocar um banco na Mobylette, pois pilotava sentado no qua­dro. “Quando acertei o traçado do Anel Externo, comecei a andar mais e gostar cada vez mais. A única coisa que incomo­dava era a falta do selim”.
 
Em 1978 e 79 Alexandre foi Campeão Paulista de ciclomotores, para estrear em 1980 na categoria 50cc, correndo com uma Minarelli que seu pai foi buscar lá na Itália. Surgiram os primeiros protestos e proble­mas por causa do peso do piloto. Para os adversários, Alexandre levava vantagem por ser mais leve, mas na verdade os preparadores tinham dificuldade em acer­tar a suspensão traseira (problema que têm até hoje) que ficava pulando nas freadas por falta de peso do piloto. Para acabar com a polêmica, Coelho colocou mais peso na moto, utilizando uma cinta de chumbo e o resultado foi uma moto mais fácil de pilotar e o recorde da pista para a categoria 50cc foi batido por Ale­xandre em 1980. Os adversários nunca mais reclamaram do peso...
 
Futuro
Na largada para a primeira etapa da Taça Centauro, estavam alinhados na pri­meira fila os pilotos mais experientes em atividade no País. Entre eles, o pequeno Alexandre. Qual a sensação de largar ao lado de pilotos muito mais experientes?
 
- É normal - responde Alexandre - ­fora da pista nós somos muito amigos e eles me tratam como adulto. Dentro da pista é cada um por si. Não existe maldade, mas também não facílitam.
 
Na segunda etapa da Taça Centauro, Castroviejo largou mal e encostou em Ale­xandre para ultrapassá-lo. Os dois anda­ram colados lado a lado em Interlagos, da curva da Ferradura até a do Sol. No final, Castroviejo elogiou a atuação do menino e recomendou mais treinos. Nesta prova apenas nove motos largaram e Alexandre terminou em 4° lugar com sua Yamaha TZ 250J, na frente de vários bons pilotos.
 
Ao atingir a categoria máxima dentro do motociclismo brasileiro de velocidade, a preocupação da família está voltada para as possibilidades de uma participação em campeonatos regionais no Exterior. “Dis­putar algumas provas da categoria 80cc­ - esclarece Coelho - em campeonatos ita­lianos, franceses ou ingleses, apesar do problema da idade. A FIM (Federação In­ternacional de Motociclismo) não permite a participação de menores de 16 anos. O negócio é esperar”.
 
Para o pequeno Alexandre, sair da categoria 250cc no Brasil para disputar a 80cc no Exterior não representa uma re­gressão. “Terminar entre os primeiros lá fora significa ser um dos melhores do mundo, porque a briga pela ponta é brava. São 40 pilotos em cada bateria”.
 
Caso o sonho se concretize, Alexandre Barros descerá na Europa com 16 anos e uma bagagem cheia de experiência e títulos, acumulados em 8 anos de competições, ou seja, metade da sua vida pilotando uma moto de corrida.
 
* Publicado originalmente em outubro de 1984
** O piloto Marco Antonio Grecco assinava com o apelido de "Largatixa" (sic), assim mesmo, escrito errado, mas eu me recuso a repetir tamanha tacanhice.

 

publicado por motite às 17:20
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