Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

Uma luz sobre o assunto

 (Em alguns carros, a lanterna é junto com farol alto e baixo) 

Entenda de uma vez por todas como funcionam as luzes dos veículos

Alguns dias atrás encontrei um velho amigo de adolescência. Depois de atualizarmos toda nossa vida percebi que tinha algo muito diferente no rosto dele, além das rugas, claro. Mais à vontade, perguntei e ele admitiu que tinha feito cirurgia plástica, mas não por vaidade e sim em função de dois graves acidentes de carro que causaram ferimentos no rosto. Estranhei, porque nós somos de uma geração que aprendeu a dirigir carros na pré-adolescência e ele sempre dirigiu muito bem. Pedi detalhes e ele relatou que os dois acidentes foram à noite, em situações parecidas e sem envolver álcool, excesso de velocidade ou imprudência.

No fim do evento fomos juntos para o estacionamento e vi que ele saiu com o carro com os faróis apagados. Parei a moto ao lado e berrei “o farol está apagado!”. Mas ele respondeu: “mas as lanternas estão acesas, na cidade só uso as lanternas”.

Eu não quis provocar uma briga, mas na hora lembrei a descrição dos acidentes e percebi que ele ainda sofreria muitos outros se continuasse a rodar à noite com os faróis apagados. Que Deus proteja meu amigo!

É inacreditável, mas em pleno século 21 as pessoas ainda não sabem como usar um simples farol. Talvez isso explique parte dos graves acidentes que acontecem à noite. Ainda podemos encontrar motoristas e motociclistas que não sabem a diferença entre lanterna e farol e isso é desconhecido das autoridades de trânsito, porque nunca vi nenhuma campanha de esclarecimento sobre o assunto. Entre os especialistas e socorristas existe um ditado famoso: "de dia as pessoas se acidentam, à noite elas morrem!".

As luzes dos carros, motos, caminhões e ônibus não foram feitas apenas para que seus condutores pudessem ver à noite, mas também para serem VISTOS, tanto por pedestres quanto por outros autores do trânsito.

Esclarecendo, geralmente os veículos tem cinco situações de iluminação:

Lanterna ou luz de posição – A responsável por toda a confusão. Essa luz foi criada para ser usada com o veículo PARADO e tem a finalidade de ser visto mesmo em condições de pouca iluminação. Não deve ser usada com o veículo em movimento. Em muitos países essa posição foi abolida justamente para evitar essa confusão e foi substituída por leds que ficam permanentemente acesos, inclusive com a opção de manter só um lado aceso, quando o motorista estacionar em local escuro. Mas essas luzes foram criadas para países europeus, com baixo índice de insolação e grande incidência de neblina. Como o consumo de energia dessas luzes é baixo, podem ficar acesas até o dia seguinte sem problema. Infelizmente no Brasil esse tipo de iluminação é confundida com o farol baixo e até motoristas de veículos pesados trafegam à noite apenas com as lanternas acesas. É mais triste ainda perceber que os policiais e agentes de trânsito também cometem essa infração! Ou seja, nem que tem a função de fiscalizar conhece e aplica as leis.

Farol baixo – É a luz mais fraca dos faróis principais e deve OBRIGATORIAMENTE ser ligada a partir do pôr do sol. Como foi descrito, em pleno século 21 tem motorista que ainda não percebeu a função desse farol. Ele não provoca ofuscamento, desde que regulado, e tem de ser usado nas áreas urbanas, com ou sem iluminação pública. Em muitos países os carros ficam permanentemente com essas luzes acesas. No Brasil, apenas nas motos esse farol já fica sempre aceso, seja dia ou noite e não tem opção de desligar. Infelizmente vivemos uma época de narcisismo e egoísmo exagerados e alguns indivíduos de pouca ou nenhuma inteligência adaptam leds coloridos em vez de faróis. É uma cópia dos “angel eyes” usados em carros europeus para uso especialmente em condições de neblina. Aqui no Brasil virou moda “tuning” e se tornou substituto dos faróis. E a fiscalização não tem competência para coibir essa ação.

Farol alto – É a luz mais forte e só pode ser usado em áreas sem iluminação pública, estradas e zona rural. Deve ser desligado quando cruzar outro veículo em sentido contrário e também pode ser usado como sinal de advertência para ultrapassagem. Também deve ser desligado quando seguir algum outro veículo. O lampejador de farol, ou “flash” aciona o farol alto. Não deve ser usado em neblina, poeira excessiva ou chuva forte. Nestas condições ele espalha demais a luz e piora a visibilidade. O farol baixo é mais eficiente.

Luz de neblina – Essa é a campeã da desinformação. Posicionadas sob o pára-choque, elas tem a função de reforçar a iluminação em condições de neblina porque espalha o facho para baixo e laterais. A luz traseira de neblina tem a finalidade de tornar o veículo mais visível em condições de baixa visibilidade, como a óbvia neblina, chuva ou poeira. Infelizmente, mais uma vez a prepotência e ignorância do motorista médio brasileiro transformaram essas luzes em faróis e são usadas sem o menor critério. Fico pensando nos milhares de reais que são jogados fora anualmente em campanhas de segurança, aqui no Brasil, para um público incapaz de entender o funcionamento de algo tão simples e elementar. As luzes de neblina não devem ser usadas em noites claras de boa visibilidade, muito menos na cidade. As dianteiras não são visíveis pelos pedestres, nem pelos motociclistas, porque o facho não chega à altura dos olhos. E a luz traseira ofusca a visão quem vem de trás. Eu desafio algum leitor narrar algum episódio de multa para quem estava trafegando com as luzes de neblina acesas na cidade. Mas posso apresentar dúzias de multas ridículas para motociclista que roda com a viseira aberta (mesmo de óculos!).

Farol de milha ou longo alcance – Hoje esses faróis são mais raros, mas eram usados até meados dos anos 80, inclusive em versões de série. São faróis mais potentes que o farol alto e proibidos de funcionar nas cidades. A lei obriga, inclusive, que sejam cobertos por uma capa enquanto o carro estiver na cidade e só podem ser descobertos nas estradas. Comum nos carros fora-de-estrada pela elementar necessidade de iluminar os obstáculos com muita antecedência e clareza. Nas estradas ele é muito útil, mas nunca deve ser usado na cidade!

Pisca, seta ou luz de indicação de direção - é aquela luz acionada por uma alavanquinha (no carro) ou no botão (moto) e que avisa para qual lado você vai virar, ou mudar de faixa. Simples, né? Pena que quase ninguém sabe o que é e para que serve. Mas lembra de ligar o pisca-alerta quando está sob neblina, com o veículo em movimento, o que é perigoso e ilegal. O pisca alerta só deve ser acionado com o veículo PARADO!

Alguns motociclistas instalam faróis auxiliares, mas devem escolher modelos que sejam específicos para motos e que não acabem com a bateria. Atualmente os faróis originais das motos são muito eficientes. Mas o motociclista deve lembrar que ao transportar peso excessivo ou garupa a traseira afunda e a frente levanta, fazendo subir o facho do farol. Algumas motos (e carros) tem regulagem rápida para essa situação, mas quando não houver lembre-se de não colar nos carros da frente.

 

publicado por motite às 14:16
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

E os motoristas?

(Essa luz de neblina não pode ser usada isoladamente na cidade nem na estrada)

 
 
Diariamente ouvimos pela rádio e vemos pela TV inúmeros acidentes de trânsito nas ruas e estradas envolvendo carros, ônibus e caminhões, mas a mídia só lembra de pegar no pé dos motociclistas. Por quê?
 
É uma questão muito mais cultural do que a gente imagina. E não se engane, neste caso o termo “cultural” tem a conotação sociológica de “história dos hábitos e costumes de uma população”. Nada a ver com formação escolar. Dirigir carros é uma tarefa socialmente considerada fácil, necessária e primária. Já expliquei várias vezes que o homos-urbanus praticamente nasce dentro de um carro e convive com este veículo até depois da morte (o coche funerário, que nada mais é do que um carro preto!).
 
Por isso todo motorista se considera ótimo ao volante. Faz aulas de adestramento, um exame ridículo, exame teórico igualmente ridículo e está credenciado para dirigir um automóvel até o final dos seus dias, que pode ser depois de muitas décadas, ou logo em seguida, espetado em algum poste. Mesmo assim se considera um excelente motorista e ponto final! Alguma vez na vida você ouviu alguém declarar “cara, eu dirijo mal pra caramba”?
 
Curiosamente, no mundo corporativo um profissional não nasce pronto e muito menos se mantém ótimo sem investir em formação. Começa na escola elementar, depois segue pelo curso superior, pós-graduação etc. E ainda não é suficiente, porque é preciso continuar investindo em cursos de especialização em função de novas tecnologias ou até para se adaptar a um determinado mercado ou conjuntura.
 
(Luz de neblina + farol baixo = OK)
 
Só para exemplificar, no meu tempo de estudante de jornalismo os professores aconselhavam: “se quiser ser um bom jornalista é preciso falar inglês fluente!”. Depois, a concorrência e a necessidade fizeram os jornalistas adquirirem algum conhecimento elementar de fotografia. E lá fomos nós, fazer cursos, comprar máquinas e sair fotografando. Quando chegaram os computadores foi a hora de aprender Word, Excel, Pagemaker etc. E lá fomos nós, mergulhar em manuais gigantescos, escritos em inglês... Até que chegamos no século 21 e fomos obrigados a assimilar o uso de máquinas fotográficas, gravadores e filmadoras digitais, Photoshop, editores de imagem, linguagem HTML, Flash, Adobe aaaaaaaahhhhhhhhhhhh...
 
E o motorista? Os carros mudaram, a tecnologia embarcada mudou, as cidades mudaram, as leis mudaram, mas ninguém se interessou em fazer qualquer tipo de curso de especialização ou atualização! Quando os primeiros carros com freio ABS chegaram ao Brasil foi um festival de pancadas nas estradas. Mal informados por parte da imprensa, os motoristas achavam que o ABS fazia milagres e diminuía os espaços de frenagens. Bastava frear em piso irregular e ... catapimba no poste!
 
Nos anos 80 o motorista tinha de segurar o volante de uma maneira. Hoje é diferente porque existe um air-bag colocado no volante e o motorista não se pode cruzar o braço na frente da direção sob risco de, caso a bolsa se inflar, ele se auto nocautear com o punho no queixo! Antes o banco regulava só pra frente e para trás. Hoje tem regulagem de altura. Antes os espelhos retrovisores eram de vidro plano, hoje são convexos. Antes o motor carburado economizava gasolina quando colocado na “banguela”. Hoje, com a injeção eletrônica, se fizer isso gastará mais combustível. E muito mais...
 
(Lanterna + neon sob o carro = brega  perigoso!)
 
Mesmo assim não se ouve falar em cursos de reciclagem ou especialização aos motoristas. Os cursos de reciclagem promovidos pelos Detrans e Ciretrans são ridículos e limitam-se a ensinar as leis de trânsito, meia dúzia de regras e o temível curso de “primeiros-socorros” que só serve para agravar a situação de uma vítima de trânsito.
 
Uma situação típica é o motorista que roda à noite na cidade apenas com a luz de neblina e as lanternas acesas. Ele não sabe – porque ninguém ensinou – mas além de ter menos visibilidade, esse veículo é menos visível pelos motociclistas, motoristas e pedestres. A luz de neblina atinge entre 5 e 10 metros de focalização, enquanto o farol baixo chega a 20 metros. Além disso, o foco da luz de neblina aponta para frente e para baixo, ao passo que o farol ilumina também para cima. Como os motociclistas são obrigados a usar um adesivo reflexivo no capacete, esse adesivo só será visível com o farol baixo aceso, mas mão com a luz de neblina.
 
Pior ainda são os carros tunados! Essa excrescência em quatro rodas chamada tuning é uma das grandes responsáveis por carros cada vez menos seguros. Uma das manias é usar luz negra no capô e sob o carro, numa demonstração de cafonice ilimitada. O motorista roda com todas as luzes apagadas e só o neon no capô e embaixo da carruagem brega! Ninguém consegue ver esse horror, nem os pedestres!
 
Em suma, antes de os motoristas saíram destilando seu ódio contra motociclistas é preciso olhar para o próprio umbigo.
------------------------------------------------------------------------------ 
Geraldo Tite Simões, jornalista e instrutor de pilotagem. Contato: info@speedmaster.com.br
publicado por motite às 23:35
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