Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

A vida em perigo (parte 3)

 (Ele morreu por tua culpa!!! )

 

À beira do abismo*

 

Arriscar a vida em busca do limite não é novidade na história da humanidade. Não sei explicar se é uma herança genética, mas está presente no ser humano, independentemente de ser homem ou mulher. Mas parece que esta tendência está aflorando nas últimas décadas. Uma rápida pesquisa nos sites de compartilhamento de vídeos é suficiente para encontrar toda espécie de atividade de risco e não raro cenas de acidentes fatais com milhões de acessos.

 

Depois de parar de correr fui buscar a fonte de endorfina na escalada. Ao contrário do que se pensa, a escalada esportiva é extremamente segura, mas muito emocionante pelo aspecto da altura e desafios. Já não é o caso da escalada de alta montanha, chamada popularmente de alpinismo. Nos montanhas acima de 8.000 metros em relação ao nível do mar os limites do ser humano são levados a extremos que podem ser fatais pelo simples fato de estar lá.

 

Um fenômeno comum aos escaladores de alta montanha é a “febre do cume”, situação de quase entorpecimento quando o alpinista abandona todas as regras de segurança e se lança em direção ao cume. Não por acaso, cerca de 80% dos acidentes fatais acontecem na descida, depois de voltar do cume, porque simplesmente esqueceu que descer é tão ou mais perigoso do que subir. O cume pode até ser o objetivo, mas se não voltar vivo não faz o menor sentido.

 

Quando questiono o que leva um homem adulto, bem de vida, financeiramente estável e com família estruturada a correr de moto acima de 250 km/h na estrada ouço todo tipo de argumento furado. Mas se a TV noticia que homem adulto, bem de vida, financeiramente estável e com família estruturada morreu ao tentar atingir o cume do Everest a opinião pública acha um “absurdo”, “loucura”, “suicídio” etc. Para mim as duas situações são iguais.

 

Não existe uma explicação para essa superexposição aos limites, embora quando aconteça um acidente sempre tenha alguém disposto a buscar “culpados”. Nesta exposição de acidentes fatais com motociclistas que chegam pela Internet o processo é dividido em três partes: primeiro a notícia da “tragédia” e a surpresa pela descoberta da mortalidade; depois vem as manifestações de dor e pesar para, finalmente, terminar na busca por culpados. O acidente pode ser resultado de um motociclista que atravessou a estrada pelo canteiro central, um motorista que não olhou pelo espelho retrovisor, um pedestre que correu pela rua desatento. Raramente a culpa volta-se para a vítima. Como se correr na estrada acima de 250 km/h fosse o trivial de quem compra uma moto esportiva.

 

Desde que a Igreja católica criou a culpa ao afirmar que “Jesus morreu para nos redimir dos pecados” o mundo ocidental católico passou a viver a eterna condição de caçador de culpados! Já nascemos culpados por alguma coisa que não sabemos, mas que levou um santo homem à morte 2012 anos atrás, então tudo que der errado na minha vida obrigatoriamente será culpa de alguém ou alguma coisa.

 

A escaladora sul-africana Cathy O’Dowd viu uma americana morrer bem diante de seus olhos durante uma tentativa de atingir o cume do Everest em 1998. Em seu livro “Just for the love of it” (sem tradução em Português), ela descreve como é enfrentar este limite entre a vida e a morte, a consequente perseguição aos praticantes e a busca por culpados. O alpinismo acima dos 8.000 metros não tolera erros, nem permite resgate. Se um colega cai em exaustão profunda não há como socorrê-lo sem colocar em risco a vida de outras pessoas. É um risco solitário, assumido. Ela escreveu uma teoria que talvez explique o que se passa quando alguém vive na beira do abismo:

 

De quem é a escolha que representa o risco afinal? Não é da pessoa que resolve ir até lá? Vivemos em uma sociedade voltada para a culpa, que exige explicações e prestações de contas, indo atrás de bodes expiatórios se necessário. Se caminho pelas vias estreitas da vida, faço isso porque eu quero. Se essa beirada se rompe sob mim, aceito isso como conseqüência da minha escolha. Não posso culpar os outros pelo o que aconteceu. Tão pouco espero que aqueles que me acompanham por aquela passagem, caso me acompanhem, carreguem a culpa por minhas decisões. Eu faço uma escolha e vivo por ela, ou morro. A morte não é a intenção, mas é aceita como uma possibilidade em vista do risco da atividade.” 

 

Por isso acho cada vez menos aceitável que os amigos e parentes das vítimas de um motociclista que se expôs conscientemente ao risco tentem tratar a fatalidade como uma tragédia, ou falta de sorte. É preciso voltar para o foco essencial: a responsabilidade de assumir o risco. Não há transferência de culpa quando se roda perto de 300 km/h em estradas. A vítima é o próprio algoz.

 

 * Para ler as partes 1 e 2 deste artigo clique aqui e aqui

 

publicado por motite às 14:08
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Uma fabulosa história da escalada em Capri

Faraglioni de Capri. Foto: Nello Iaccarino

 

Bendito seja o Google! Estava procurando informações sobre escalada na Costa Amalfitana, no sul da Itália, quando achei uma verdadeira pérola histórica. Na ilhas de Capri e Anacapri podem-se encontrar centenas de falésias e blocos com vias de III a VIII grau abertas desde os anos 1930.


Nesta busca esbarrei em uma deliciosa história em Capri. Em meio ao mar de um azul inacreditável despontam dois enormes rochedos calcários chamados de Faraglioni (farolzões). São duas torres que lembram os dois Irmãos de nossa Fernando de Noronha, só que mais altos e claros. O contraste da rocha branca sobre o fundo azul é uma pintura que encanta poetas e amantes desde o século V antes de Cristo.


No arquipélago de Capri vivem lagartos coloridos que sempre atraíram os cientistas e colecionadores. Especialmente um tipo de dorso azul que ocorre apenas nestas duas rochas. O problema era capturá-los porque estas rochas sempre foram ameaçadoras e poucos se arriscavam a subi-las.

 

O mítico lagarto azul de Capri (foto: Luigi Sposito)


Até que ao final da Primeira Guerra um grupo de alpinistas de Trento decidiu escalar os Faraglioni para capturar os famosos lagartos azuis de Capri (podarci sicula coerulea). Pegaram um barco e desembarcaram no Faraglione do meio equipados com toda tralha de escalada: pítons, martelos, grampos, cordas, cintas e tudo que se usava naquela época.


Depois de duas horas de difícil escalada nos 108 metros de rocha chegaram ao cume e o que encontraram? Michele, um cientista biólogo, calmamente sentado com alguns lagartos já capturados. Diante do susto, os escaladores trentinos descobriram que Michele escalava com muita habilidade, usando apenas pés e mãos, sem nenhum tipo de equipamento. Subia e descia com mais facilidade do que qualquer escalador da equipe.


Depois de presenteados com alguns dos lagartos azuis, os escaladores trentinos voltaram para o norte da Itália contando a história do que se imagina ser o primeiro praticante de escalada solo da história, muito antes de esta modalidade se tornar moda na Califórnia nos anos 1980.

 

Espero escalar estas rochas em setembro. foto: Nello Iaccarino

 

Mito, ou não, de fato temos que a escalada em Capri é uma das mais belas do mundo. Nestas duas rochas que são o cartão postal da região encontram-se uma dúzia de vias que variam de II a VI graus, abertas a partir de... 1926, segundo o guia de escalada de autoria de Francesco Del Franco, disponível na Internet.

 

Grazzi mille a Nello Iaccarino e Luigi Sposito, dois fotógrafos e guias de turismo de Capri pelas fotos gentilmente cedidas!

 

Mais informações:

 

www.capri.com

www.capritrails.com

 

 

 

Uma fabulosa história da escalada em Capri

Por Geraldo Tite Simões

Bendito seja o Google! Estava procurando informações sobre escalada na Costa Amalfitana, no sul da Itália, quando achei uma verdadeira pérola histórica. Na ilhas de Capri e Anacapri podem-se encontrar centenas de falésias e blocos com vias de III a VIII grau abertas desde os anos 1930.

Nesta busca esbarrei em uma deliciosa história em Capri. Em meio ao mar de um azul inacreditável despontam dois enormes rochedos calcários chamados de Faraglioni (farolzões). São duas torres que lembram os dois Irmãos de nossa Fernando de Noronha, só que mais altos e claros. O contraste da rocha branca sobre o fundo azul é uma pintura que encanta poetas e amantes desde o século V antes de Cristo.

No arquipélago de Capri vivem lagartos coloridos que sempre atraíram os cientistas e colecionadores. Especialmente um tipo de dorso azul que ocorre apenas nestas duas rochas. O problema era capturá-los porque estas rochas sempre foram ameaçadoras e poucos se arriscavam a subi-las.

Até que ao final da Primeira Guerra um grupo de alpinistas de Trento decidiu escalar os Faraglioni para capturar os famosos lagartos azuis de Capri (podarci sicula coerulea). Pegaram um barco e desembarcaram no Faraglione do meio equipados com toda tralha de escalada: pítons, martelos, grampos, cordas, cintas e tudo que se usava naquela época.

Depois de duas horas de difícil escalada nos 108 metros de rocha chegaram ao cume e o que encontraram? Michele, um cientista biólogo, calmamente sentado com alguns lagartos já capturados. Diante do susto, os escaladores trentinos descobriram que Michele escalava com muita habilidade, usando apenas pés e mãos, sem nenhum tipo de equipamento. Subia e descia com mais facilidade do que qualquer escalador da equipe.

Depois de presenteados com alguns dos lagartos azuis, os escaladores trentinos voltaram para o norte da Itália contando a história do que se imagina ser o primeiro praticante de escalada solo da história, muito antes de esta modalidade se tornar moda na Califórnia nos anos 1980.

Mito, ou não, de fato temos que a escalada em Capri é uma das mais belas do mundo. Nestas duas rochas que são o cartão postal da região encontram-se uma dúzia de vias que variam de II a VI graus, abertas a partir de... 1926, segundo o guia de escalada de autoria de Francesco Del Franco, disponível na Internet.

publicado por motite às 20:06
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Um fim de semana perfeito

(Moto, sol, curvas e montanha, tudo di bão! Foto: Tite)

 

Um fim de semana perfeito começa na sexta-feira com a previsão do tempo anunciando sol e temperatura amena nos dias seguintes. Entenda-se por amena, em maio, algo em torno de 6 a 15 °C. Ótimo para escalar montanhas de rocha, bom para curtir o friozinho da serra, mas bem desconfortável para quem pretende viajar à noite... de moto!

 

Foi com a temperatura descendo que nem elevador que preparei todo o equipamento de escalada, mais saco de dormir, ajeitei tudo na BMW F 650GS (a de dois cilindros, viu?) e me mandei pra São Bento do Sapucaí, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Peguei a estrada à noite e o vento a 140 km/h provocava a sensação térmica de um freezer, com direito a pingüim e tudo.

 

No meio da Carvalho Pinto, parado na cabine do pedágio, percebi que a mocinha tremia de frio. Falei pra ela: “pega aqui” e ela obedeceu, sem cerimônia. Pegou delicadamente (percebi que ela tinha uma aliança na mão esquerda) e fez “ahh, que delícia”. Tudo bem, era só a manopla aquecida da BMW. Saí da cabine pensando quanto sofri na minha infância motociclística, entre 15 e 18 anos, quando viajava à noite, por estradinhas de terra, evitando a fiscalização, sob um frio congelante sem um décimo de equipamento que dispomos hoje. Roupa térmica por baixo, balaclava, casacos de material sintético, botas, luvas e até manopla aquecida.

 

Quando viajei de moto na Itália, em pleno outono, descobri que frio é uma sensação relativa. Tudo depende da qualidade e quantidade de equipamento colocado sobre o corpo. Fico feliz de ter à disposição uma bela quantidade de bons equipamentos e penso como meu avô sofria pilotando moto nos anos 50 com casaco de couro, bota de equitação, capacete aberto e cachecol de lã! E olha que nem existia o aquecimento global!

 

O fim de semana perfeito continua com um céu tão estrelado que perde-se a conta da quantidade de estrelas cadentes. Pouca gente gosta de viajar de moto à noite. Eu não me importo, desde que tenha uma ótima viseira de capacete, através da qual posso olhar mais o céu do que o asfalto. Viajo a 100/120 km/h para poder olhar o máximo possível as estrelas, sem a menor pressa de chegar. Evito parar e uso a velha e conhecida almofada de gel para a bunda não reclamar dos 220 km apoiado nela sem refresco. Graças à esta almofada pode-se viajar horas a fio sem massacrar a coluna.

 

Para deixar o final de semana ainda mais perfeito, a estrada precisa ter curvas. Muitas! Com asfalto bom e sem tráfego. Foi assim que encontrei a serra de Campos de Jordão e depois a estradinha com mais curvas que um intestino delgado que liga Santo Antônio do Pinhal a São Bento do Sapucaí. Curvas e mais curvas, com visibilidade perfeita, pneus bons e nada de guarda!!!

 

(Aquele pico ao fundo é o Bau. Eu estou na Ana Chata. Foto: Belê)

 

A arte do auto-controle

A idéia era escalar sábado à tarde e domingo de manhã para conseguir voltar a São Paulo antes do pôr do sol. Saiu tudo exatamente à perfeição. O tempo ideal, com sol forte, temperatura média de 19°C, uma bela rocha de sólido granito de uns 180 metros e a companhia de ninguém menos que André Berezoski, mais conhecido por Belezinha, campeão brasileiro de escalada esportiva e um dos melhores escaladores do Brasil. Escalada é como jogar tênis: quanto melhor for seu parceiro, mais se evolui no esporte. Escalar com um campeão é como um curso grátis! Para lembrar uma história envolvendo esse atleta clique aqui.

 

(O campeão e mestre André Berezoski, Belezinha. Foto: Tite)

 

Ao contrário do que se imagina, a escalada não tem tantos riscos, desde que obedecidas as normas de segurança, claro. Neste aspecto sou tão xiita quanto na moto e faço até back-up do back-up nos itens de segurança.

 

Escalar é uma atividade que exige absoluta concentração. A subida é feita usando apenas as mãos e pés, protegido por uma corda de 60 metros com 9,5 mm de diâmetro. Durante a escalada não dá pra pensar em mais nada além dos movimentos e aderência. É uma relação peso x potência semelhante à das motos. Se o escalador é pesado tem de ser forte. Se não tiver tanta força é essencial ser leve. Os escaladores esportivos são como as motos esportivas: leves e potentes. Eu estou no meio termo entre quase magro e quase forte, por isso consigo subir sem tanto esforço, curtindo cada segundo, cada metro de paisagem, a vegetação, os insetos e lagartos e até o cheiro do líquen da rocha, que fica impregnado no equipamento por dias seguidos. Um verdadeiro perfume! Comparando com as motos, sou como uma big trail, pesada, com torque em baixa, mas não muito veloz.

 

(Na parada, esperando o Belê. Foto: Belê!)

 

O complexo do Baú é uma grande formação rochosa na divisa dos municípios de São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão. É composto por três picos: Bauzinho, Baú e Ana Chata. Fizemos a via Peter Pan, na Ana Chata, considerada fácil, especial para iniciantes, para terminar cedo e conseguir realizar outro dos grandes prazeres do fim de semana: comida mineira! Essa via tem aproximadamente 150 metros, com ótimas agarras. Só que tem uma caminhada de aproximação que fica íngreme e cansativa nos últimos 30 minutos de um total de 90.

 

De volta do cume da Ana Chata conseguimos ainda pegar o terceiro grande prazer do escalador (o primeiro é atingir o cume e segundo é tirar a apertada sapatilha): o terceiro é comer! Muito!!! O nosso restaurante favorito é o Taipa que serve a tradicional comida mineira, mantida em forno de lenha, devidamente acompanhada de pingas da região e cerveja. Muita!!! Depois de ingerir algo perto de 3.897 calorias nosso organismo volta ao normal.

 

Dor de cabeça

Na noite de sábado uma persistente dor de cabeça ameaçou meu fim de semana perfeito. Normalmente dor de cabeça após esforço físico é sinal de falta de alimentação correta. Nessa escalada eu tinha levado duas barras de cereal e comi apenas uma. Não consigo comer nada quando estou nas montanhas, às vezes forço uma barrinha ou então uva passa.

 

Mas a verdadeira origem dessa dor constante e metálica foi descoberta quando desfiz a mochila de escalada e percebi que durante as quase três horas de extremo esforço físico eu havia ingerido apenas meia garrafa de água. De uma garrafa de meio litro! Ou seja, durante todo esforço de caminhar, escalar e voltar eu tinha consumido apenas 250 ml de água, o equivalente a um copo de requeijão!

 

Esse problema foi resolvido com a ingestão de mais de 1,5 litro de água e um comprimido de dipirona pra garantir. Perfeito! Meu fim de semana estava a salvo.

 

O fim de semana ideal também precisa de uma festa e tivemos uma para celebrar o aniversário das gêmeas escaladoras Juliana e Gabi, com direito a churrasco e cerveja. Muita carne e muita cerveja. Adeus dor de cabeça...

 

(O objetivo é chegar lá em cima. Só o cume interessa! foto: Tite)

 

F-1 e via ferrata

O domingo de um fim de semana perfeito começa às sete da manhã, com o sol forte, friozinho e o ótimo café da manhã da pousada Canto Verde, com biscoitos caseiros e um bolo de cenoura, coberto de chocolate digno de comer ajoelhado. Ainda assisti a primeira hora do GP de Mônaco de F-1 enquanto arrumava minha mochila para mais uma escalada, mas dessa vez diferente.

 

Existe um tipo de escalada chamada de “via ferrata”. Ela é comum na Europa, sobretudo na Itália e consiste de uma via de escalada em rocha auxiliada por algum tipo de suporte que pode ser uma escada de metal ou uma espécie de corre-mão de aço chumbado na rocha. No Brasil pode-se encontrar esse tipo de via no Rio de Janeiro, no morro da Urca e a via do CEPI, no Pão de Açúcar, uma das mais famosas e visitadas. No Estado de São Paulo as vias ferratas mais conhecidas estão no Baú, com as escadas da face norte e face sul, construídas em 1950 e mantidas até hoje.

 

(Esta é a via ferrata do Baú. Foto: Tite)

 

Por ser aparentemente uma escalada simples e fácil, essas vias ferratas são campeãs de acidentes e mortes. Muito mais por desinformação do que por imprudência. Nós, escaladores, só entramos nestas vias com equipamento básico de segurança. Já os turistas sobem tão despreparados que é comum termos de resgatar alguém em pânico, com tornozelo inchado, com insolação, hipotermia, atacado por abelha ou vespa ou arrebentado por uma queda de alguns metros.

 

Foi minha primeira via ferrata, porque nunca fui fã desse tipo de escalada. Até que curti bastante porque o dia estava muito lindo. Dessa vez levei três litros de água e tomei tudo! Só não consigo comer nada nestas escaladas, até uma simples bolacha desce atravessado.

 

Para completar esta escalada perfeita encontrei amigos escalando vias que eu nem conhecia e aproveitei pra tirar fotos. O cume do Baú estava repleto de turistas, por isso fiquei pouco tempo. A vista lá em cima vale cada gota de suor.

 

(Amigo escalando as falésias do Baú. Foto: Tite)

 

Esta tarde perfeita terminou com mais uma refeição rica em calorias, desta vez no restaurante Pedra do Baú, com vista privilegiada da pedra do Baú. Serve a mesma comida mineira, com doces, pinga etc. Carne de porco, farofa e torresminho, quem resiste?

 

(No cume do Baú. Foto: Gasparzinho)

 

Este fim de semana perfeito terminou com o retorno para São Paulo, pelas centenas de curvas, abençoado por um fim de tarde maravilhoso e ainda a lua crescente, quase uma unha, despontando no horizonte recortado por montanhas.

 

Nem os quatro pedágios infernizantes da volta foram capazes de atrapalhar este fim de semana. E ainda chego em casa e encontro meu grande amor com cheirinho de banho! O que mais um homem pode querer da vida?

 

Outro fim de semana igual a este!

 

(Para encerrar o fim de semana: o amor da minha vida. Foto: Tite)

 

 

* Se você se interessou por escalada, quer dicas de hospedagem, restaurantes ou mesmo fazer um curso de escalada em rocha, basta me escrever no tite@speedmaster.com.br

publicado por motite às 19:02
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Feriado!

(Oba, vou para a rocha!!! Foto: Janine Cardoso)


Sábado estarei em Piracicaba ministrando o curso SpeedMaster, mas domingo e segunda-feira... FOLGA! Eeeeebaaaa!!!


Vou para Campos do Jordão, SP, escalar a Pedra do Baú, meu parque de diversões favorito!


Se alguém quiser experimentar essa emoção é só me escrever que ensino os caminhos (literalmente) das pedras!


Até terça-feira!!!

 

(The lord of the mountain. Foto: Eduardo Gualberto)

 

publicado por motite às 02:14
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Fotolog

(Hornet voadora)

 

Hoje lembrei de meus velhos Fotologs abandonados. Essa coisa de cada hora ter uma novidade na interatividade humana causa algumas perdas. Mal comecei a me acostumar com o Blog e lá vem o Twitter. Confesso que não me imagino com um Twitter, mas em breve terei de criá-lo porque é uma ferramenta de marquetching pro curso de pilotagem.


Fui rever meus velhos fotologs e comecei a rir sozinho com a quantidade de bobagem que já escrevi na vida. Um deles o Escalafobético foi criado para zuar a comunidade de escaladores. Tem cada post que eu racho de rir quando releio. Se vc estiver triste, deprimido, entra lá e comece a ver as fotos aleatoriamente.

 

(Os três "climbikers" escaladores e motociclistas)

 

Meu apelido na escalada é Cotton, de Cotton Head (cabeça de algodão) porque o nosso mais querido e saudoso amigo, Carlinhos, olhou pra mim pela primeira vez e gritou no meio da academia:


- Parece aquele hominho da propaganda de cottonete Johnsson!!!


O outro fotolog O Mundo é Uma Roda foi criado para ilustrar as crônicas do meu livro.  Muitas das histórias do livro eu registrei e publiquei as fotos nesse fotolog. Também aproveitei para publicar alguns trabalhos do tempo em que fui fotógrafo. Passa nestes fotologs que é garantia de diversão!

 

(Andréia Rissi no Visual das Águas. Foto: Tite)

 

(A minha famosa calça cor de rosa... Foto: Alê Silva)

 

(Eu, num boulder que abri no quintal do Carlãozinho. Foto: Caio Mattos)

 

(Betina, na Normal do Baú. Foto:Tite)

 

(Minha filha Luna na via Normal do Bauzinho. Foto:Pai)

publicado por motite às 03:29
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Escalafobetico, um Fotoblog!

*** Decidi resgatar o meu velho e esquecido Fotolog e importá-lo para o Blog, nascendo assim o Fotoblog. A começar por essa aberração que achei na Ilha Grande...

 

 

Ilha Grande, RJ – Acredite, mas tem gente que não suporta ver a natureza intocada. Esta pedra é um dos poucos points de escalada na paradisíaca Ilha Grande, na baía de Angra dos Reis, RJ. Ela está escondida na praia Lopes Mendes, considerada pelas revistas de turismo como uma das cinco praias mais bonitas do mundo. Imagine como me senti ao chegar lá e ver a pedra pichada por um bando de marginais cariocas que se entitulam "100% tuning, RJ". Coisa de gangue de drogados, bandidagem pura. Com certeza é obra de ex-internos de alguma casa de detenção que, na falta das paredes de uma cela, descarregam sua cretinice na natureza.


A pichação por si só é uma das manifestações mais nojentas que a humanidade conseguiu criar (depois do Amaury Júnior). Nas cidades é um horror que fica impune diante de uma legislação inócua que não consegue punir uma aberração destas. Fazer isso na natureza deveria ser crime contra a humanidade e punido com prisão inafiançável.


Chega de pichação, chega de porcos à solta, chega de bandidagem à solta!

 

publicado por motite às 17:01
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Sábado, 20 de Setembro de 2008

O que não disse à Roberta Nunes

Quando escrevi que não existe esporte de risco, mas COMPORTAMENTO de risco estava me referindo à várias modalidades. A mais importante escaladora brasileira, Roberta Nunes, enfrentou vários riscos ao longo de sua vida de esportista. Ela escalava rochas de mais de 2.000 metros em condições péssimas de clima e vento. Subia as rochas da Patagônia com a tranqüilidade que levo minha cachorra pra passear. Abriu novas rotas de escalada no Groenlândia e certamente viu sua vida ameaçada em infinitas situações. Mas como uma escaladora de ponta que era, sabia dimensionar o risco e enfrentá-lo com serenidade e seriedade. 

Mas ela morreu. Aos 34 anos, em 18 de julho de 2006, aprendendo a dirigir um carro dentro do parque nacional de Yosemite. Ela não sabia e nem gostava de dirigir. Começou a aprender por insistência do namorado americano e acabou aceitando dirigir. Ela perdeu o controle do carro, que saiu da estrada, capotou em baixa velocidade, mas  teve a incrível falta de sorte de ser prensada contra uma pequena rocha. Depois de passar metade da vida enfrentando perigos reais e assustadores, ela morreu fazendo aquilo que qualquer cidadão adestrado consegue fazer. 
Na época da morte dela eu escrevi o texto que segue abaixo.
  
O que não disse à Roberta Nunes
 
(Roberta de grampo no cabelo) 
A revista Headwall n° 10 tem um artigo sobre o morro do Anhangava, em Curitiba, PR. Uma das páginas traz uma foto grande com uma escaladora. Desde que vi essa foto pela primeira vez fiquei impressionado, mas não sabia explicar exatamente o motivo. Não é uma foto assim tão difícil de ser feita, nem representa um esforço descomunal para vencer o crux da via. Mas sempre paro nesta foto e fico olhando, tentando decifrar o que tem de tão especial. É uma foto da Roberta Nunes. 
Depois que fui contaminado pelo bichinho da escalada passei a consumir o máximo de literatura sobre o assunto. Fiz até assinatura de uma revista alemã (Klettern), sem entender o que estava escrito! Passei a colecionar a Headwall e fico furioso se aparece alguma página manchada, puída ou com aquelas dobras que no ginásio a professora chamava de “orelhas”. Ganhei livros que não li e comprei outros que devorei. Sempre com cuidado para não me transformar num chato teórico, aquele que conhece todas as teorias, mas deixa a prática de lado. 
As imagens de escalada são sempre muito emocionantes. Lugares no mundo que dão uma vontade insana de pegar o primeiro avião e descer de tralha nas costas em busca daquelas montanhas. Sonho com as paredes francesas, italianas, alemãs e muitas brasileiras. Compro as revistas de escalada para “ver figurinha” e depois ler o que está escrito. Sou um fã silencioso de pessoas como Felipo Croso e Eliseu Frechou que à maneira deles mantêm (ou mantiveram) veículos para eu poder ver essas fotos. 
E foi na Headwall do abnegado Felipo que vi a foto da Roberta Nunes escalando o Anhangava. É uma imagem tão deliciosamente delicada que não consigo tirar da minha cabeça e sou capaz de narrar detalhes sem mesmo ver a imagem. Durante mais de um ano vi essa foto sem descobrir o que ela tem de tão especial. 
Durante um evento realizado em São Bento de Sapucaí (SP), acho que Blox, em 2005, eu entrei na sala da casa do Márcio Bruno e vi duas luzes acesas. Eram os olhos da Roberta Nunes. Passei por ela, ambos em silêncio, e fui até a cozinha cochichar no ouvido do Márcio: “Acho que conheço aquela mina ali, sentada no sofá, mas não sei de onde, quem é ela?” E o Márcio, com a sutileza de um estivador do cais de Santos, berrou a plenos pulmões: “É A ROBERTA NUNES!!!”. Só não morri de vergonha naquele instante porque consegui escapar pela porta dos fundos. 
Mais tarde, na festa Trance Dance discoteada pelo nosso DJ Máster Eliseu Pitton Head, fiquei observando a Roberta de longe. Minha timidez quase doentia me impedia de chegar perto e simplesmente dizer: “Olha, aquela foto sua na Headwall está linda”. Não sei como sobrevivi tantos anos como jornalista sendo tão tímido com pessoas estranhas, principalmente quando se trata de uma “celebridade”. Quando eu tive do fazer cobertura das corridas de Fórmula 1 quase entrava em pânico quando tinha de apontar um minigravador na direção de um piloto e fazer uma pergunta sobre carro, pneu, motor, chuva, sei lá! E fiz isso por mais de uma década. A cada entrevista meu coração pulava no peito como uma britadeira e minhas mãos suavam e tremiam de forma que o entrevistado imediatamente percebia. 
E lá estava a Roberta, sentada, quieta, enquanto um mundo de gente em volta concorria a um bingo, conversavam, e lá fora o trance rolava solto. 
Eu não falei que a foto dela estava linda. Não falei que os olhos dela eram lindos. E não falei que tinha visto uma palestra dela em Itajubá (MG), um ano antes, e ela parecia tão à vontade quanto um cavalo puro sangue de corrida puxando charrete em uma pracinha do interior. Muita gente se engana ao acreditar que grandes esportistas podem ser bons palestrantes ou bons professores. Fico imaginando o que aconteceria se o Guga tivesse de fazer uma palestra? E ele faz, claro, depois de vencer com muito esforço a timidez característica que é uma das marcas registradas dele. 
Não disse pra ela que tinha assistido a palestra de Itajubá. Nem debati aquela foto justamente com a pessoa que poderia me esclarecer finalmente o que tem de tão especial nessa imagem. E fui embora. Naquela noite fui embora e nem sequer falei “boa noite” para a Roberta Nunes. 
Mas cheguei em casa e abri de novo a revista naquela foto. Não tem nada demais tecnicamente. O fotógrafo (Márcio Bortolusso) usou uma teleobjetiva e enquadrou a Roberta de cima para baixo. A teleobjetiva tem a característica de “chapar” a imagem e reduzir a profundidade de campo. Por isso pessoas e objetos parecem “mais curtos” quando fotografados com tele. A Roberta está de lado, com o quadril formando uma curva bem delicada. Está com as duas mãos na mesma agarra. O rosto está bem voltado para cima, a testa franzida por causa do sol, mas, felizmente, os olhos estão bem visíveis. Para mim são verdes, mas já me falaram que são azuis e não ouso comentar cores. A boca está fazendo um bico engraçado, como se fosse dar um beijo, mas é aquela expressão típica de quem solta o ar. Ao contrário das fotos tradicionais de escalada, ela não está fazendo uma força absurda, por isso não há músculos definidos como se estivesse levantando uma geladeira. Parece que está se divertindo e serena como quem lê o jornal no café da manhã. 
Foi então que percebi o que tem de tão especial nessa foto: os grampos no cabelo. Sim, o corte de cabelo curto já deixava a Roberta com um ar bem infantil e o detalhe dos grampos abriu a resposta que estava procurando há mais de um ano! Era a expressão de uma criança brincando de escalar. 
Sei dos grandes feitos da Roberta como atleta da escalada, mas a imagem que gostaria que todo mundo que a admirava guardasse na memória não é da Roberta de capacete, ou forrada de casacos, ou com a cargueira cheia de equipamentos. Acho que nenhuma imagem pode traduzir melhor o prazer que ela sentia ao escalar do que a foto da fivelinha. Nunca mais vi a Roberta para dizer que finalmente tinha decifrado aquela foto. E, por não ter dito tudo, nunca mais vou poder dizer nada. 
Quem ficou curioso e quiser saber mais sobre a vida e os feitos da Roberta Nunes clique aqui: 
http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=501
publicado por motite às 00:09
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