Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Detran-SP esclarece nota.

Capacete_artmix.jpg

Tem de expor o selo OU a etiqueta interna.

POSTAGEM, sobre capacete gerou uma reação da assessoria de imprensa do Detran-SP. De fato eu não estipulei prazo para as minhas dúvidas, e tomei a decisão de publicar o texto para não perder o momento, já que estamos entrando em período de férias. Segue abaixo a íntegra da mensagem e depois, lá no finalzinho a minha resposta da respostas. Ah, sim, eu já tinha corrigido a informação sobre apreensão do veículo, embora alguns policiais rodoviários ameaçarem apreender o veículo até se o sobrenome do motociclista estiver em letra minúscula!!!

Tite

Segue a nota: 

Geraldo, boa tarde!
Clipamos a matéria "Nota traz mais dúvidas do que respostas sobre o capacete" (http://motite.blogs.sapo.pt/nota-traz-mais-duvidas-do-que-respostas-133169), na qual você cita que enviou questionamentos ao Detran.SP e critica release que divulgamos recentemente a respeito do uso do capacete.
Pedimos desculpas por não ter respondido o e-mail a tempo da publicação. Quando for assim, não hesite em nos contatar nos telefones informados no rodapé do release e cobrar retorno.
De todo modo, envio abaixo os esclarecimentos e ressalto que o release foi produzido com base na legislação federal de trânsito, que também pauta as ações de fiscalização.
Caso continue com dúvidas sobre a fiscalização, orientamos o contato com a assessoria de comunicação da Polícia Militar, que fiscaliza a regularidade dos capacetes utilizados pelos motociclistas. Os contatos da PM são: (11) xxxxxxxxxx; imprensapm@policiamilitar.sp.gov.br.
Por favor, confirme o recebimento e nos informe seus números de telefone.
Continuamos à disposição.
Abraços,
Mylena Lira
Assessoria de Comunicação Detran.SP
(11) xxxxxxxxxxx
ESCLARECIMENTOS
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) ressalta que o uso do capacete é regulamentado pela resolução 453, de 2013, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão máximo normativo de trânsito no país. Por isso, além das normas contidas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), vale o que o órgão federal determina.
Exigência do selo ou etiqueta com certificação do Inmetro
O artigo 2º da resolução 453 do Contran, no inciso 4º, estabelece que as autoridades de trânsito devem observar a existência do selo de identificação da conformidade do Inmetro ou etiqueta interna com a logomarca do Inmetro para fiscalização do cumprimento da resolução.
Dessa forma, o motociclista será autuado se o equipamento não tiver um ou outro, de acordo com o que estipula o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, estabelecido pelo Contran. Porém, essa infração não gera a apreensão da moto, diferentemente do que consta na matéria.
Capacete articulado
A resolução 453 do Contran especifica no artigo 3º, inciso 3º, que no caso dos capacetes modulares, além da viseira, a queixeira deverá estar totalmente abaixada e travada. Por isso, independentemente de existirem modelos de capacetes articulados com viseira interna (não previsto pela legislação), o motociclista que usa esse tipo de equipamento deverá sempre mantê-lo como determina a legislação. Do contrário, poderá ser multado, também como prevê o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito.
Óculos para motociclistas Está expressamente indicado no parágrafo 2º do artigo 3º da resolução 453 do Contran: "Fica proibido o uso de óculos de sol, óculos corretivos ou de segurança do trabalho (EPI) de forma singular, em substituição aos óculos de proteção."
Sendo assim, todas as informações constantes no release "Motociclistas devem ficar atentos ao uso correto do capacete" têm fundamento na legislação federal de trânsito e sua divulgação tem unicamente o objetivo de prestar um serviço aos motociclistas.
Portanto, não procede a afirmação de que a "nota traz mais dúvidas do que respostas sobre o capacete". Pedimos, por gentileza, que atualize o texto publicado com esse título para levar a informação correta aos leitores.

Minha resposta:

Oi Mylena

Na verdade eu não te dei prazo, mas o assunto era quente demais para esperar a resposta.
Sim, vou publicar sua resposta na íntegra, agradeço demais sua atenção e cuidado ao responder.
Só discordo da correção que me pede porque o release deixa sim muitas dúvidas, tanto que lhe enviei as perguntas. Se dúvidas não existissem não teria gerado as perguntas, certo?
E não se preocupe porque quem cria essas dúvidas é o próprio CTB, muito mal redigido, com várias lacunas e que sempre deixou os motociclistas em segundo plano em relação aos outros autores do trânsito. Basta ver a existência dos tachões de sinalização, verdadeiras armadilhas mortais para motociclistas, mas que estão aí espalhados por todas as cidades.
Agradeço sua atenção
Geraldo Simões




 

publicado por motite às 15:21
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016

Nota traz mais dúvidas do que respostas sobre o capacete

Capacete_artmix.jpg

Capacete pintado: sem selo do Inmetro, mas com etiqueta interna. Pode isso, Arnaldo? (Foto: João Lisboa) 

Exigência de certificação brasileira é uma forma de protecionismo.

Na condição de jornalista (sim, ainda sou e parece que é vitalício), recebo diariamente vários comunicados, chamados de press-releases. Entre eles os do DETRAN-SP que trazem várias ótimas informações, inclusive sobre onde serão as operações Lei-Seca e que nem sob tortura eu revelo. 

Mas quando enviaram essa nota sobre capacetes eu rapidamente mandei um email de volta com alguns questionamentos: 

  • A nota é clara e cristalina quando diz que “Os equipamentos certificados pelo Inmetro podem ser consultados no site do órgão (inmetro.gov.br), na área de “produtos certificados”".
  • “desde 2007, o capacete deve ter a certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), faixas refletivas de segurança nas partes laterais e traseira, além de apresentar bom estado de conservação, sem danos que comprometam a proteção”.

Portanto está mais do que óbvio que não faz qualquer referência à exposição de um SELO DE CERTIFICAÇÃO. Quem deve certificar marca/modelo do capacete é o Inmetro e não o usuário. Se por qualquer motivo o capacete perder o selo, ainda sim existe a etiqueta interna que traz as mesmas informações. A título de fiscalização e multa, o correto seria os agentes fiscalizadores portarem um documento com a relação de capacetes vendidos no Brasil com marca/modelo claramente especificada. O que não estiver na lista, aí sim pode ser autuado.   

Se um capacete é fabricado na mesma linha de montagem, sob as mesmas normas técnicas e obedecendo os mesmos critérios de certificação, como justificar que uma unidade comercializada em Miami não pode ser usada em São Paulo? 

Está mais do que evidente que esse necessidade de expor um selo é uma tremenda reserva de mercado disfarçada, com aval das polícias. Só espero que apareça logo alguma entidade isenta capaz de brigar contra esse tipo de arbitrariedade. Porque hoje, mais do que nunca, os brasileiros têm 100% de certeza que essas medidas são criadas e geridas apenas para defender interesses privados. Toda medida protecionista tem caráter corporativo e tem alguém (ou “alguéns”) ganhando um trocado em cima disso. 

Segue a íntegra do press-release do DETRAN-SP, feito pela assessoria de imprensa do órgão. O que se salva são as informações úteis e reais sobre conservação e uso. Principalmente a parte do estireno (Isopor) que comprime e deixa o capacete largo. 

Motociclistas devem ficar atentos ao uso correto do capacete 

Equipamento é obrigatório para o condutor e o passageiro e deve ser utilizado com a viseira abaixada durante todo o deslocamento 

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) alerta para o uso correto do capacete, equipamento obrigatório que aumenta a segurança dos condutores e passageiros de motocicletas, ciclomotores, triciclos e quadriciclos. 

Antes de iniciar o trajeto, é importante checar se o capacete está devidamente fixado à cabeça, preso ao queixo por meio da cinta e com a viseira abaixada. 

A viseira, cujo uso ainda encontra grande resistência por parte dos motociclistas, evita a entrada de insetos ou pequenos objetos, como pedras e faíscas, que podem provocar acidentes. Ela só pode ser levantada quando a motocicleta estiver parada. Na ausência da viseira, é obrigatório o uso de óculos de proteção específico para moto, que não pode ser substituído por óculos de sol, óculos com lentes corretivas ou de segurança do trabalho. 

Também para a segurança dos motociclistas, desde 2007, o capacete deve ter a certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), faixas refletivas de segurança nas partes laterais e traseira, além de apresentar bom estado de conservação, sem danos que comprometam a proteção. 

"O uso do capacete minimiza as chances de ferimentos graves em caso de acidentes. Por isso, é fundamental que os motociclistas usem o equipamento e os demais itens de segurança não apenas para cumprirem o que determina a legislação, mas principalmente para protegerem a própria vida", ressalta Neiva Aparecida Doretto, diretora-vice-presidente do Detran.SP. 

Tipos de capacete e viseira – Existem quatro modelos de capacetes de motocicletas regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran): o integral (fechado), o misto (com queixeira removível), o modular (de frente móvel) e o aberto (sem a proteção para o queixo). 

Os capacetes popularmente conhecidos como “coquinho” –similares aos utilizados para a prática de ciclismo e skate– não são permitidos, pois não oferecem proteção completa à cabeça, rosto e olhos. 

Nos capacetes modulares, além da viseira, a queixeira deverá estar totalmente abaixada e travada durante todo o deslocamento do condutor.

As viseiras permitidas são aquelas nos padrões cristal, fumê light, fumê e metalizado. No período noturno, deve-se usar apenas a viseira cristal. Os demais modelos podem ser utilizados somente durante o dia.

Os equipamentos certificados pelo Inmetro podem ser consultados no site do órgão (www.inmetro.gov.br), na área de “produtos certificados”.

Conservação – A legislação federal de trânsito não estabelece prazo de validade para o capacete. O período para a substituição pode variar de acordo com a frequência de uso e a conservação. Por isso, o motociclista deve ficar atento ao estado do equipamento. 

É indicado trocá-lo sempre que ele sofra algum impacto forte, seja em acidentes ou por queda em qualquer situação, ainda que não apresente rachaduras ou outros danos visíveis. 

Outro indicador para a aquisição de um novo capacete é a espessura da espuma do forro interno. A diminuição da altura da espuma deixará o capacete folgado, comprometendo a fixação na cabeça e a proteção da área auditiva do motociclista. 

A viseira também deve estar em perfeitas condições, sem rachaduras ou arranhões que atrapalhem a visão do condutor. Se o capacete estiver em bom estado, é possível trocar apenas esse item. 

Manter o capacete limpo também pode contribuir para a conservação do equipamento. Para isso, é importante seguir as instruções do fabricante. 

Infrações – Os motociclistas recebem as penalidades de acordo com o tipo de infração cometida, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB):

  • Leve – Pilotar com o capacete mal afixado à cabeça, utilizando viseira ou queixeira levantadas, sem óculos de proteção ou com viseira fumê no período noturno, por exemplo, é infração leve. O motociclista receberá três pontos na habilitação, além de multa no valor de R$ 53,20. 
  • Grave – Conduzir com capacete sem a certificação do Inmetro, sem as faixas refletivas ou com a estrutura danificada é infração grave, com cinco pontos na habilitação e multa de R$ 127,69. 
  • Gravíssima – Não usar o capacete ou colocá-lo apenas sobreposto à cabeça, sem estar devidamente encaixado, é infração gravíssima. Além de pagar multa no valor de R$ 191,54, o motociclista também responderá a um processo administrativo para a suspensão do direito de dirigir, que pode variar de um até 12 meses, dependendo do histórico do motorista. 

 

publicado por motite às 15:23
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Papo cabeça

(Capacete de escalada: sempre na cabeça, não na mochila...)

 

Divagações de um usuário de capacete

As vezes tenho a impressão que nasci de capacete! Com apenas 12 anos ganhei a primeira moto, uma Suzuki A 50II. Naquele longínquo 1972, capacete era artigo raro. Na verdade existia uma espécie de preconceito contra os usuários de capacete. Chegavam mesmo a duvidar da masculinidade e quem aparecesse na turma usando capacete era chamado de “mariquinha”. Bom, graças à esse pensamento assisti a muitos funerais de motociclistas machões.

 

Primeiro ganhei a moto de presente de natal do meu pai, só depois veio o capacete por insistência dele, que por ser ex-ciclista entende a dinâmica dos acidentes em duas rodas. Lembro até hoje, com clareza, do meu primeiro capacete. Foi comprado na loja Procópio do recém-inaugurado Shopping Center Iguatemi. Era um modelo SS da Induma, fechado, e fiquei tão feliz que vim com ele na cabeça, dentro do carro até chegar em casa, me sentindo o verdadeiro Emerson Fittipaldi.

 

Deste dia em diante o capacete virou uma peça normal do meu vestuário, quem nem a cueca. E nas poucas vezes que saí sem capacete – naquela época não era obrigatório – sentia-me como se estivesse nu.

 

Perdi a conta de quantas vezes o capacete salvou minha vida na moto. No que considero o pior acidente da minha vida, estava a apenas 50 km/h, fazendo manobra com uma ingênua 125cc, surfando em pé no banco da moto, quando a roda dianteira bateu em um olho de gato, desequilibrou e caí direto de cabeça no chão. O capacete rachou, tive uma concussão cerebral leve e fiquei dois dias enxergando tudo dobrado. Entreguei o que restou do capacete ao fabricante para analisar e servir como laboratório de desenvolvimento.

 

Durante os mais de 10 anos como piloto de enduro também bati muito a cabeça, em todos os sentidos, e fui atingido por pedras, galhos, outras motos, mas sempre muito bem protegido. Na motovelocidade levei todo tipo de queda, algumas acima de 180 km/h e meus miolos se mantiveram inteiros.

 

No final dos anos 90, quando decidi voltar a correr de motovelocidade aos 37 anos, tive de mergulhar nas atividades físicas para reduzir o peso na medida quase esquelética. Para isso comecei a pedalar com frequência. Inicialmente nas estradas, depois passei a usar na cidade. Foi quando meu preparador, José Rubens D’Elia me deu um capacete de ciclismo que, confesso, usava só nas trilhas de montain-bike, porque não consegui me convencer a usar o equipamento na cidade. O capacete, da marca Bell americana, era bem leve, bem feito, mas eu realmente não me sentia bem usando capacete em uma bicicleta. O que era uma tremenda besteira, como você verá adiante.

 

(capacete Shoei: leve, seguro e confortável)

 

Veio então os anos 2000, parei de correr de moto e iniciei uma nova atividade, da qual fiquei totalmente viciado: a escalada em rocha. Depois de assistir, perplexo, uma chuva de pedras bem do meu lado, comprei um capacete e passei a usá-lo até nas escaladas mais simples e fáceis. Já estou na segunda geração dos capacetes, ao adquirir um top de linha da marca Petzl francesa.

 

Alguns escaladores, especialmente os mais novos, acham o capacete uma frescura. Mas é comum receber pedras ou mesmo equipamentos no meio do cocuruto, principalmente quando em escaladas clássicas e longas. Já me safei de pedradas e até de mosquetão que voaram a uma velocidade inacreditável! Agora não deixo de usar a proteção e se quiser escalar comigo tem de usar capacete, punto e basta!

 

Recentemente notei que o paulistano adotou a bicicleta para se deslocar em São Paulo e driblar o trânsito. Esta tendência não é nova: em 1980 conheci um engenheiro alemão que só usava bicicleta e tinha toda uma estratégia para chegar ao escritório limpo e bem vestido como se tivesse acabado de sair de um Porsche. Mantinha algumas peças de roupa no escritório e ao chegar tomava banho, fazia a barba, se vestia formalmente e ficava impecável. Para voltar, colocava a bermuda, tênis e voltava a ser um ciclista.

 

Confesso que eu não me sinto seguro pedalando entre os carros em SP. Acho que a cidade deveria ter ciclovias permanentes e não apenas para lazer, nos fins de semana. E prevejo que a convivência entre ciclistas com motociclistas, motoristas e pedestres entrará em colapso brevemente.

 

Cerca de três anos atrás, um grande amigo passou a usar a bicicleta até para praticar um pouco de atividade física, na virada dos 40 anos. Dei aquele meu capacete Bell de presente pra ele com a recomendação de usá-lo mesmo pra ir até a esquina. Pouco depois ele ganhou um mais novo, mais bonito e seguro.

 

E eu mesmo continuava a sair de bicicleta apenas com meu boné. Ainda com aquela idéia de que capacete em bicicleta era uma tremenda frescura.

 

Em recente viagem a Nova York entrei duas vezes na gigantesca loja de artigos esportivos Paragon. Na verdade buscava equipamentos de montanhismo, mas passei pela seção de bicicletas e vi um belo capacete Bell, mais leve, mais bonito e certamente mais eficiente do que aquele que doei. Não comprei na primeira vez, mas fiquei com aquela imagem do capacete por alguns dias até voltar à loja por uma coincidência de percurso e pensei: “pô, por apenas US$ 49,00 um capacete bonito e Bell, acho que vale a pena”. Comprei e foi um sufoco trazê-lo na mala. A marca Bell sempre representou um ícone para quem gosta de velocidade.

 

Menos de uma semana de volta a São Paulo fui estrear meu capacete novo. Decidi também comprar um espelho retrovisor pra bike, uma buzina e uma lanterna traseira. Ou seja, resolvi estender para a bicicleta a minha noção de segurança veicular que sempre adotei e defendi nas motos.

 

No trajeto até a Decathlon fui desviar de uma pedestre e levei um baita tombo bem em cima da ponte do Morumbi. Havia anos que não levava uma queda tão forte de bicicleta! Acho que desde a adolescência não sabia o que era ralar o joelho no asfalto. Levantei louco da vida porque tinha quebrado a pala do meu capacete Bell novinho e nem reparei num corte na coxa direita.

 

Passado o susto fui até a loja e equipei minha bicicleta.

 

O susto maior viria apenas uma semana depois da minha queda. Em um domingo de feriado, em novembro, o meu grande amigo Luiz Vicente que nunca saía de bicicleta sem capacete decidiu ir até a ciclovia do parque Vila-Lobos, mas achou que em um passeio tão inofensivo poderia dispensar o capacete. Afinal era um domingo, a cidade estava vazia e tudo muito calmo.

 

De fato, a cidade estava vazia. Mas ele se desequilibrou sozinho, caiu e bateu a cabeça na calçada no único jeito e no ângulo correto para causar uma grave lesão. Tão grave que faleceu a caminho do hospital de Clínicas.

 

Obviamente que foi um choque por saber da preocupação dele com o acessório, mas naquela tarde ele achou que uma voltinha aparentemente tranqüila poderia ser apenas um dia a mais de lazer.

 

Na verdade eu pretendia escrever este artigo sobre os meus três tipos de capacete logo depois do meu tombo no Morumbi. Demorei, veio o acidente do meu amigo e achei que seria mais importante ainda tentar mostrar ao mundo que graves conseqüências começam em pequenos incidentes, até que se tornem grandes acidentes.

 

Um acidente nunca é causado por UM fator, mas por uma sucessão deles. Custa a gente acreditar que um dia de lazer, como passeio de bicicleta ou escalada na montanha, possa terminar em lesões graves ou até a morte. Curioso que em todo equipamento de escalada vem escrita uma observação em vários idiomas, alertando que aquela atividade pode resultar em acidente e até a morte. Mas não leio a mesma advertência em motos e bicicletas! Parece que é um tabu, um pacto silencioso para ninguém se lembrar que eles também podem ser fatais.

 

Por isso decidi contar esta história sobre a importância dos capacetes. Eles não são um enfeite, nem um mal necessário. E usá-los é o maior sinal de sensatez e amor à vida que você pode demonstrar.

publicado por motite às 18:13
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Modess na testa

(No calor infernal de Goiânia nasceu uma idéia cheirosa. Foto: Donini)

 

A importância de um absorvente íntimo para um piloto de motovelocidade.

Já disse várias vezes que uma das diferenças fundamentais entre a pilotagem de carro e moto é o uso do corpo. Na moto o piloto é obrigado a forçar braços e pernas, além de abdômen, glúteos, pescoço, enfim, o corpo todo; enquanto no carro o piloto movimenta basicamente os braços.
 
Só existe uma modalidade motorizada mais cansativa do que motovelocidade: motocross. Depois disso só mesmo aquelas modalidades toscas que não utilizam motores, como bicicross, mountain-bike, maratona, triatlon e outras torturas medievais que chamam de atividades físicas saudáveis.
 
Imagine o que significa pilotar uma moto, sob o sol escaldante do verão goiano, durante 45 minutos, onde o verbo aliviar não faz parte do glossário. A corrida do campeonato brasileiro de motovelocidade em Goiânia, no ano de 1998, foi uma demonstração do que pode ser o purgatório de um pecador renitente.
 
A pista de Goiânia é simplesmente a melhor do Brasil - e uma das melhores do mundo, segundo me confessou Kevin Schwantz - para correr de moto. Tem imensas áreas de escape SEM BRITA, trechos de alta, média e baixa velocidade e um retão delicioso. Ou seja, é um playground para quem corre de moto. Dizem, nunca confirmei, que o idealizador do traçado foi Edmar Ferreira, ex-piloto de moto. Daí o traçado ser tão gostoso. No entanto, o asfalto é uma autêntica merda, na falta de outra palavra mais educada. Muitos buracos, além de o composto da massa asfáltica não resistir ao calor – o que, em se tratando de Goiânia, trata-se de um eufemismo.
 
Assim que botei os pés no autódromo, o Alemão, meu chefe de equipe, já passou a receita: Quem treinou caiu, e quem ainda treinaria, com certeza também cairia. Você não sabe como isso anima um piloto... Saí para o primeiro treino livre, com a Honda RS 125 mais afinada que o primeiro violino da Orquestra Filarmônica de Londres. Já conhecia a pista e fui tratando de escolher a melhor trilha. Isso mesmo, tínhamos de achar uma trilha na qual a pista não estivesse escorregadia, com pó de asfalto. Com isso fui me aproximando do César Barros, que corria na categoria A, enquanto eu estava na B. Cheguei a pensar: "êba, estou melhor do que pensava, mais uma volta e vou ultrapassar o César, no meu primeiro treino livre, uau!"
 
Encostei, e na curva antes da entrada da reta o César demorou um milionésimo de microssegundo para começar a inclinar. Foi o suficiente para eu passar e... levar um tombaço bem na frente de todo mundo. E ainda quase fui atropelado pelo César. Depois deste, eu ainda levaria mais dois tombos, um em cada treino.
 
O domingo amanheceu com um calor de mais de 40°C e a umidade relativa do ar não passava de 25%. No segundo dia em Goiânia meu nariz já estava sangrando, sem falar no suor que escorria da testa que nem as Cataratas do Iguaçu. Já nos treinos percebi que o calor transformaria aquela corrida num sufoco. O capacete ficava encharcado de suor e não conseguia mais absorver a umidade. O resultado era terrível, porque as gotas de suor escorriam, passavam pelas sobrancelhas e caíam nos olhos, provocando aquele ardor de quem pingou colírio de gasolina. Imagine isso bem na frenagem no final da reta, a 212 km/h!
 
No caminho para a pista, diante de uma farmácia, veio a idéia: colocar um absorvente feminino dentro do capacete, para reter o suor. Parei numa farmácia e andei, meio sem graça, confesso, pelas gôndolas em busca de um modelo que fosse "aderente à calcinha e fininho". Precisei da ajuda da balconista, que indicou um tipo anatômico, com gel e com adesivo. Tornei-me um especialista no assunto a ponto de fazer outra escolha, por um de uso diário, que as mulheres costumam usar para..., para..., bom, vamos deixar estes detalhes sórdidos de lado.
 
(Meu capacete tem cheiro de calcinha... melhor que de cueca! Foto: Arnaldo Schver)
 
Já no warm-up testei meu Intimus Gel e o resultado foi excelente, obtendo muito mais firmeza do que a outra marca alternativa. O problema era o sal do suor afetar a cola do adesivo e fazer o absorvente sair do lugar e descer para os olhos, cobrindo a visão. Por isso preferi o modelo com gel. Nem preciso dizer que fui motivo de piada a manhã inteira, até minutos antes da largada que, como sempre na nossa categoria, seria pontualmente ao meio-dia.
 
Só de vestir o macacão o corpo já ficava suado. Fui para a largada e corri os 45 minutos sem ter problemas de suor nos olhos. Ao final da corrida, tirei o capacete e torci o absorvente, que escorreu suor como se fosse uma torneira. Muitos pilotos presenciaram esta cena, mas ficaram ainda brincando com meu acessório especial.
 
A etapa seguinte foi no Rio de Janeiro, também conhecido pelos pilotos de moto como Rio de Chuveiro, porque choveu em cinco corridas seguidas naquela pista. Menos em 1998, ano que fez um calor desumano. Quando eu circulava pelos boxes, antes do primeiro treino livre, vi que alguns pilotos já tinham, literalmente, aderido à moda do absorvente. Menos o César Barros, que apareceu com um sachê fabricado especialmente pela Shoei para fazer a mesma função do velho, bom e eficiente absorvente, só que muito mais caro. Ou seja, minha "invenção" já existia e eu nem sabia.
 
* Texto publicado no livro “O Mundo É Uma Roda” (editora SpeedMaster) à venda no site http://www.motonline.com.br  ou http://www.linhamoto.com.br

 

publicado por motite às 14:37
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Cartas dos Leitores

 

(Burgman 400: teste foi feito, mas perdi o texto... Foto:Tite)

 

Burgmão 

Salve Grande Tite. Ainda não desisti de ver o seu "impressões ao pilotar" da Burgman 400. Caramba, aqui no blog pode, esse espaço é só seu. Conta pra nós o que aconteceu naquela curva. E o site Motite, sai quando?
Mário Sérgio Figueredo
 
Poutz, Mário, bem lembrado... eu tinha esquecido desse teste! Bom, posso adiantar que só não me estabaquei naquela curva porque meu anjo da guarda foi muito rápido. Eu estava subindo a serra de Campos de Jordão com minha linda e querida esposa na garupa. Fiquei distraidão olhando a paisagem e não percebi que a curva seguinte estava muito mais perto que imaginei. Além disso, “esqueci” que estava de Burgmão e entrei na curva como se estivesse de moto. E eu estava beeeeemmm mais rápido do que minha vã consciência permitia. Comecei a fazer a curva para a esquerda e o cavalete raspou no chão. Eu precisava inclinar mais pra conseguir fazer a curva, mas o cavalete não deixava. Olhei para o muro de concreto na curva e já me preparei para encher o cucuruto na parede quando fiz a derradeira tentativa de frear (com o freio traseiro, sempre) e inclinar mais ainda. A moto foi lá na faixa branca mas consegui fazer a curva. Continuei como se nada tivesse acontecido até que uns km depois minha jovem e querida esposa bateu no meu ombro e perguntou “Por acaso nós quase caímos ali atrás?”. E respondi “Sim, mas consegui corrigir”. O que ela disse em seguida é inadequado a menores e não fica bem repetir neste blog.
 
Capacete
Tite! Tudo certo? Será que pode me dar uma mão? O assunto é capacete e o barulho do vento! Tenho um EBF Spark. Em baixas velocidades, o barulho do vento é aceitável, normal, nem tem. Chegou a 80, 90... 100... terrível!!!
Comecei a pesquisar para comprar um outro. A primeira coisa que reparei foi a diferença das viseiras. Nos mais caros, a viseira é uma peça só, e não como esse acima, com uma placa lateral para prender. Imaginei que as entradas laterais dessa placa pudessem ser o motivo de tanto barulho nos 100km/h. Para testar, vedei a viseira inteira com fita isolante e saí na estrada. Resultado: mesma coisa.
Coloquei a mão por baixo do capacete, do lado, perto da orelha e percebi alguns "buracos".  Tentei fechar com a mão pareceu ser ali o problema. Voltei pra casa e peguei alguns pedaços de panos. Coloquei o capacete, fui colocando panos nos buracos que ficavam do capacete e saí novamente. Resultado: nem percebi chegar a 100km/h!!!
O meu EBF é 60. Comprei folgado mesmo. Só usava na cidade. Tenho um outro PEELS Mach 5 (percebeu que só tenho capacetes de qualidade! hehehe mas este foi ganho em uma promoção de frase do Arena Cross "Motoca revisada, bagagem amarrada e PEELS na estrada!) Esse PEELS é 58, fica firme na cabeça. Bem melhor que o EBF tamanho 60. Mas mesmo entrando justo, esse também tem barulho de vento. E parece que é mais que o EBF largão.
Então pergunto: qual comprar pra não sofrer tanto com o barulho do vento? Sei que a vida não tem preço, segurança em primeiro lugar, mas não queria gastar 1000, 2000, 3000 num capacete! Quero comprar um de +/- 300... 400...500... 600 (e rezar sempre antes de sair de moto!! hahaha)
Ah, outro problema que encontrei no EBF é a rotineira quebra das peças da viseira. Como quebram! Sem falar nas peças das entradas de ar.
Ah, li o livro em duas noites. No aguardo do próximo!
Tanaka
 
Bão, Tanaka, vc já percebeu algumas características importantes sobre capacete:
1)      NUNCA compre capacete maior do que seu número normal. O capacete precisa OBRIGATORIAMENTE ficar muito justo na cabeça, senão ele não cumpre sua função protetora com total eficiência. Os médicos plantonistas perceberam um dado interessante: às vezes o motociclista chegava com uma lesão de um lado do crânio, mas o capacete estava arranhado do lado oposto. Perceberam que o capacete folgado demais permitia que no momento do choque do capacete com o solo a cabeça balançava tanto dentro do casco que se chocava contra o próprio capacete, como se fosse o efeito de uma bola de basquete que bate no chão e volta. Usando o exemplo da bola, perceberam que o capacete deveria bater no chão, mas a cabeça não podia movimentar dentro, como se fosse uma bola de futebol de salão que bate no chão e não pula de volta.
2)      A viseira precisa ser uma peça inteira, de preferência sem encaixe externo. A calota não deve ter entradas de ar muito salientes para não gerar ruído nem ficar mexendo com a ação do vento. O mecanismo de abertura da viseira deve ser MANUAL, nada de botões para abrir e fechar a viseira. Quando fechada a viseira deve permitir uma total vedação ao vento e poeira.
3)      A forração deve ser de tecido anti-alérgico. Escolha um tecido de toque macio porque sua cabeça vai ficar encostando nele por horas a fio.
4)      Deve haver espaço suficiente para permitir uma boa audição. A espuma interna não pode tampar completamente os ouvidos.
5)      O fecho pode ser de engate rápido ou de argola dupla, o importante é escolher um capacete com a cinta jugular de toque macio porque também vai ficar encostando o tempo todo no pescoço.
6)      Dê preferência para calota de fibras (fibra de vidro, carbono, kevlar etc). As calotas de plástico são mais baratas, leves, mas têm a característica de “repicar” no choque com asfalto, como a bola de basquete.
7)      Por último: não economize – muito! Lembre que um dia de UTI pode custar mais de 10 capacetes caros! 
 
Oval
Opa Tite, Blz? o blog tá massa, seguinte: tenho uma cbx 200 e o freio traseiro está ruim D+, troquei as lonas e , quando vc aciona ele e a moto está quase parando nota-se que têm momentos que o freio trava mais (tipo o freio de bike quando o aro está torto e fica pegando mais em alguma parte), a lona está nova e quando aperto o pedal de certo ponto para baixo ele fica macio e agarra e fica pesado para a mola fazer ele voltar, andei vendo e o cubo está um pouco gasto, acho que pode ser isso, será? outra coisa que me falaram para por um enchimento no cubo, mas nunca vi isso será que fica bom?
Carlos
Cachoeira – RS
 
Sim, seu cubo está ovalizado. Vc pode usar duas saídas, a pobre é mandar retificar a pista frenante do cubo, mas as lonas vão gastar mais rápido e será preciso adaptar espaçadores para permitir a regulagem do freio. A solução certa é trocar a roda toda. O enchimento do cubo é uma solução mais porca do que a retífica. O problema é que a CBX tem roda de liga e não dá pra trocar só o cubo. Por isso prefiro rodas raiadas...

Bolsas
Olá Tite! Ainda sobre bauletos. Se motos desse estilo esportivo, como a Comet, não podem usar baú, existe algum estilo que seja mais apropriado ou preparado para usá-lo?
E insistindo na Comet, como se leva "bugingangas" nela? (e isso é uma coisa que você deve saber...!!! hahahahaha...!!!)
Robson Leonardo Carvalho dos Santos
 
Vc tem duas opções: usar aquelas horríveis bolsas de tanque (que invariavelmente arranha a pintura) ou os alforjes laterais. A opção mais corriqueira é simplesmente amarrar no banco do passageiro, sem o passageiro, claro. Mas esqueça os baús e bauletos em motos esportiva... Qualquer moto de estilo clássico pode levar baús e bauletos sem problemas...

Piloto
Tite, Blz? Sei que você tem muitos contatos com "gente grande", você já deve saber que eu amo motos, se não souber já esta avisado rsrsrs, eu estou infeliz com meu serviço, meu sonho desde pequeno é ser piloto de motovelocidade, leio todos os seus artigos e coloco todos em prática. Já ganhei de muita twister aqui na minha cidade apenas usando suas técnicas, isso porque eu tenho uma titan 150 (na minha cidade ninguem da pega comigo). Estava tentando achar algum site das equipes de motovelocidade, mesmo as de 250cc, para que eu possa estar fazendo algum teste ou sei lá. Vou fazer um video de como eu piloto nesse fim de semana, se você pudesse me ajudar com algum e-mail de alguma equipe eu agradeceria muito, eu seria eternamente grato. Quando eu terminar o vídeo eu te mostro, ai você também poderá ver (ou não) se eu tenho chance ou se apenas vou ser mais um sonhador no mundo das duas rodas. Obrigado desde já. Ah, nessa segunda eu compro seu livro, quero autografado viu hehe. Aê Tite, um video provando que o uso do knee-down é só pose para foto. http://www.youtube.com/watch?v=IoyB7i_dhlY
André

Como eu escrevi aqui mesmo no Motite, a melhor forma de começar nas competições é ir nas corridas. As equipes não contratam piloto apenas vendo um filme, ser piloto é muito mais que saber fazer uma curva ou dar ralo nos amigos de Twister. Vc precisa se interessar e comparecer nas corridas, se oferecer como mecânico, ajudante, lavador de peça, qualquer coisa e quando conquistar a confiança da equipe pedir pra fazer um teste na moto de corrida. Esse é um passo. Putz, não conheço muitas equipes assim. Mas tenho uma grande notícia, em 2009 deveremos ter duas novas categorias para pilotos novatos. Fique de olho! Hahahah eu já vi esse vídeo. Eu fazia isso na rua mesmo!

Triciclo
Tite, sou um grande admirador do seu trabalho, e não sei se você continua envolvido nos assuntos do mundo das motocicletas, porém como é uma dúvida do meu pai, resolvi apelar para seu conhecimento. Eu visitei o salão da motocicleta e tirei foto de um triciclo, porém este era bem simples e pequena, quando estava mostrando as fotos ao meu pai, ele ficou muito interessado em um desses. Meu pai já tem 60 anos e nunca subiu numa motocicleta, nem tem habilitação A, porém disse que gostaria de ter um triciclo desses, pois seria viável já que ele mora no interior de SP, econômico e ele não 'cairia'. Procurei em vários sites e não encontrei nenhum modelo desse tipo, só um da Harley Davidsom e outros preparados que são fabricados com motores grandes para customização. A pergunta é, você sabe se já existe esse tipo de triciclo no mercado nacional, e onde posso encontrar mais informações. Grato desde já por qualquer ajuda, e sentimos sua falta no motonline, embora o pessoal manteve o ótimo trabalho!
Douglas Sanches
 
Não lembro de ter visto algum triciclo pequeno, só aqueles enormes com motor de Fusca. O que tem muito é quadriciclo, que não recomendo usar no asfalto porque é difícil de pilotar. O triciclo mais conhecido é o By Cristo mas com motor VW. Já pilotei um desses e me diverti pra caramba!

 

 

publicado por motite às 18:58
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