Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Um dia sem moto

(Oi, pode fazer uma pegada assim, tipo com mais atitude?)

 
Hoje decidi não escrever sobre motos, vou dar uma pausa a você. Aproveite!
 
Pegada com atitude
 
Impressionante como aparecem palavras que entram na moda de forma quase viral, sem que tenham qualquer significado. No último Salão Automec, destinado ao setor de auto-peças decidi retribuir a gentileza de vários amigos assessores de imprensa e fiz questão de assistir às apresentações de lançamentos de novos componentes, campanhas, novidades técnicas und so weiter.
 
Nesse verdadeiro calvário fui acompanhado de alguns colegas jornalistas e da minha querida e divertida amiga Carol Villanova, jornalista que escreve sobre carros, caminhões, Fórmula 1 e tudo mais que tiver motor. Uma expressão nos acompanhou em todas essas intermináveis e chatésimas apresentações: “agregar valor”. Tudo era agregação de valor. Brinde é agregar valor. Embalagem agrega valor. Botão colorido agrega valor ao rádio. Espelho retrovisor anti-ofuscante agrega valor. Qualquer porcaria agrega valor a uma porcaria que valia menos antes da agregação.
 
Começamos a ficar irritados e passamos a agregar valor a tudo. Se alguém pedia um cafezinho eu emendava: “pode agregar o valor de duas colheres de açúcar?”, ou “Sim, um café com creme para agregar valor”.
 
Cheguei mesmo à conclusão que as profissionais mais antigas do mundo não mais fariam programa. A partir daquele dia, as garotas que trabalham na casa da luz vermelham estariam apenas agregando valor à periquita.
 
- Moço, para dar uma agregada de valor são 100 reais, mais o táxi.
 
- Puxa, mas essa agregação é demais!
 
- Olha, podemos desagregar uns 20 reais, mas menos que isso o senhor terá de recorrer à auto-agregação de valor.
 
Nesse momento nascia a self-agregation, uma forma eufemística para a velha e desagregada bronha.
 
E o político corrupto?
 
- Olha para aprovar aquela obra o senhor precisa agregar mais valor à caixinha!
 
Tem muita obra pública que ficou mais cara por conta de uma agregação de valores por fora.
 
Em seguida fui à uma reunião de pauta e a palavra mais repetida na tarde foi “pegada”.
 
- Precisamos fazer uma matéria com uma pegada mais aventureira. Precisa mudar a pegada da revista. As fotos precisam de uma pegada mais emocionante. A diagramação precisa de uma pegada masculina.
 
Mas que batatada! No meu tempo pegada masculina era a marca deixada por um homem na areia.
 
Essa pegação só não é pior do que a tal atitude!!! Ai meu saquinho!
 
- Vamos lá, garota, mostre mais atitude! Para conduzir esse trabalho você precisa de atitude. A moda no próximo verão terá mais atitude.
 
Atitude de quê? A palavra atitude em si não significa pôla nenhuma! Precisa de um complemento, tipo “tenha atitude otimista”, ou “você precisa adotar uma atitude de liderança”, ou ainda “a moda será definida por uma postura mais sóbria” und so weiter.
 
Que pobreza!
 
Para as três opções “agregar valor”, “pegada” e “atitude” existem várias palavras na língua portuguesa que traduzem com muito mais fidelidade o que se pretende descrever. Mas parece que ao adotar expressões sem sentido como atitude e pegada o redator agrega valor ao seu texto. Pois que vá agregar valor na &$#@*&%
 
+          +          +
(em 800 metros 8 casas lavando a calçada!) 
 
Até quando???
 
Hoje (sexta-feira) fui passear com a Valentina e fiquei estarrecido. São Paulo está a mais de 30 dias sem chuva de verdade. O ar está seco, a pele ressecada, meu nariz sangra e é visível a péssima qualidade do ar. Sem chuva o fantasma do racionamento de água começa a rondar.
 
E o que eu vi?
 
Em 800 metros de rua nada menos que OITO donas-de-casa estavam “lavando” a calçada. Meu Deus, até quando essa “atitude” de desrespeito com a coletividade? São as mesmas pessoas que levam seus cachorros pra cagar no quintal dos outros. Que buzinam na porta para chamar o morador. Que fazem barulho até madrugada. Tenho certeza que essas pessoas posam de “preocupadas” com o aquecimento global, com as criancinhas da Etiópia e com o fechamento da Daslu. Mas jogam água pelo ralo como se água não fosse um bem valioso.
 
Por culpa dessa gente sem menor compromisso com o coletivo tenho certeza que muito breve o Estado terá de sobretaxar a água. E eu, com minha pegada econômica, pagarei por estas cornas. Ah, não eram empregadas, não, eram as donas das casas mesmo!
 
Algumas dicas de preservação:
 
1)      Recolha a água da máquina de lavar roupa e louça em baldes e use para lavar pisos.
2)      Se você não consegue fechar o chuveiro enquanto s ensaboa, coloque um balde ao seu lado e use essa água pra regar as plantas (mas sem sabão!)
3)      Não lave o carro em casa, os lava-rápidos são preparados para usar o mínimo de água.
4)      Procure pequenos vazamentos
5)      E mais importante: ensine a sua empregada a usar a água com parcimônia.
(30 dias de sol e a água escorrendo pela rua...)
 
+          +          +
 
PoeTite
 
Todo escritor tem sua fase poética. A poesia é fundamental para ensinar a dizer muito escrevendo pouco. A poesia ensina a ser sintético. É um ótimo exercício para conhecer a língua portuguesa.
 
Uns 10 anos atrás eu escrevi centenas de poesias, algumas de corno, outras mais alegres e outras totalmente sem sentido. Era para ser um livro, mas quem nesse mundo de meu Deus compraria um livro de poesias??? Só os cornos do mundo!
 
Então, hoje você vai conhecer uma, afinal essa pôla é um Blog e Blog é pra escrever qq coisa que der na cachola. Pois então tome!
 
Sono
 
Que sono, que sono
por mais que durma
não passa este sono
meus olhos lacrimejam
passados de sono, profundo sono
 
À noite, ao dia, à tarde
sempre o sono, diário sono
os olhos arranham, ardem
caem de sono, cansado sono
 
misterioso toma minh'alma
de súbito sono, eterno sono
não há nada que acalma
este sono, implacável sono
 
consome fronha e lençol
este sono, insaciável sono
nunca mais verei o sol
por culpa do sono, escuro sono
 
no ônibus passo o ponto
lotado de sono, perdido sono
na moto roda o tonto
caindo de sono, desequilibrado sono
 
durmo na esteira da praia
torrado de sono, ardido sono
não vejo a garota de saia
por causa do sono, estéreo sono
 
Que sono é este?
estéreo, ardido
desequilibrado, perdido
escuro, insaciável
eterno, implacável
cansado, tedioso
profundo, misterioso.
Pois que não é sono com certeza
Mas disfarçada de sono, a tristeza

 

 

 

publicado por motite às 21:43
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

O espírito da coisa - parte II

 

 

Uma das maiores surpresas que a Internet me proporcionou foi descobrir realmente QUEM é esta entidade enigmática, abstrata e desconhecida chamada LEITOR!. Depois de 25 anos na mídia impressa me acostumei a conviver com esta entidade sem saber exatamente que cara tinha.

 

Graças do Motonline eu conheci o leitor. Mais que uma figura de linguagem, conheci mesmo, de partar as mãos, olhar nos olhos, abraçar e até baixar na casa deles.

 

Se por um lado me fez abrir novos horizontes na hora de escrever, por outro veio também a constatação de que existem leitores e leitores. Descobri como pensam, como escrevem, como consomem e até como se divertem.

 

E percebi algumas distorções do tipo: "fórum é pra discutir", não importa o que, nem com qual carga de seriedade, o que importa é discutir.

 

Tem os xiitas que partem da filosofia "Tem opinião, sou contra!". O cara é contra até Jesus Cristo. O problema é que esses não têm base científica para julgar.

 

Veja o exemplo da polêmica sobre o centro de gravidade. Surgiram físicos, matemáticos, engenheiros, semi-deuses para mostrar que minha teoria estava errada. Até desencanei e deixei a questão de lado pra cuidar da minha vida...

 

Mas eis que recebo uma ligação do editor da Scientific American - divisão brasileira - a mais respeitada revista técnica do mundo, criada nos anos 40 pedindo para que eu escreva uma matéria de cunho científico sobre a Física aplicada à pilotagem. Veja, não procuraram o engenheiro, o físico, o matemático, nem os chutadores oficiais, procuraram o jornalista que não é físico, nem matemático, nem engenheiro. Simplesmente porque sabem que eu estudo essa matéria chamada pilotagem há mais de 3 décadas.

 

Estou elaborando esse material - que jamais publicarei na Internet - com calma para esgotar esse assunto. Só isso pra animar minha manutenção nesse assunto.

 

+     +      +

 

Nos anos 80 eu tinha um grande amigo que amava as motos. Era absolutamente apaixonado por motos, desde esportivas, até fora-de-estrada (menos custom, naturalmente). Depois de algum esforço ele conseguiu entrar em uma grande multinacional de motos como assessor de imprensa. Menos de dois anos depois ele saiu e me confessou:

 

-- É melhor eu sair desse mercado enquanto eu ainda amo as motos, porque se ficar mais tempo certamente passarei a ter RAIVA das motos!

 

É assim que me sinto nesse momento: prefiro ficar um pouco de fora da mídia de motos antes que comece a sentir raiva de tudo!

 

Por enquanto ficarei nesta tarefa menos convencional de editar uma revista de estilo de vida que, entre outras coisas, me obriga a ficar o dia todo dentro de um estúdio fotografando mocinhas!

 

+     +     +

 

Piada retirada da Maxim indiana

 

Maria era uma devota católica. Ela casou-se e teve 17 filhos com o primeiro marido. Então o marido morreu. Duas semanas depois ela casou-se de novo e teve mais 22 filhos com o segundo marido, que também morreu. Enfim Maria também morreu. No funeral, com os 39 filhos presentes, o padre comentou:

 

-- Até que enfim,  eles estão juntos!

 

Um dos filhos perguntou:

 

-- Juntos, quem? Minha mãe e o primeiro marido, ou ela com os dois maridos?

 

-- Não - explicou o padre - eu quis dizer os joelhos!

 

sinto-me:
publicado por motite às 17:56
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