Sábado, 22 de Março de 2014

Quem somos nós?

Porque somos assim?

 

Será que pertencemos mesmo ao reino animal?

 

Nós crescemos aprendendo basicamente duas teorias sobre a origem da vida humana na terra. Os criacionistas defendem que nascemos a partir de Adão e Eva e coloca a culpa toda em Deus, no gênesis etc. Já os evolucionistas ensinam que somos primatas que em algum momento da História nos transformamos em seres humanos.

 

Mas no século XVIII um filósofo alemão, fundador da Antroposofia, colocou em cheque as duas teorias ao afirmar que a Humanidade seria um quarto reino do Universo. Ou seja, além dos reinos minerais, vegetais e animais haveria o ser humano, que estaria em uma categoria à parte dos animais.

 

Mais recentemente, o suíço, Erich Von Däninken, elaborou a teoria de que o ser humano seria uma espécime introduzida na Terra, por meio de interferências alienígenas. Para ele - e um número cada vez maior de cientistas - a impossibilidade de encontrar o Elo Perdido é porque ele simplesmente não existe. Mas que em algum dado momento seres de outros planetas ou galáxias vieram aqui e se miscigenaram com os hominídeos que aqui habitavam, dando origem à espécie humana.

 

Calma, eu não passei o carnaval ingerindo nada estranho e para ser sincero pouco me importa qualquer uma dessas teorias, só queria mesmo era mostrar que existem muitos mistérios sobre a nossa origem, como e de onde viemos.

 

Agora vamos deixar essas teorias de lado e pensar nos animais - excluindo os seres humanos - e seu relacionamento com a natureza. Alguém sabe de alguma espécie animal que teria destruído seu meio-ambiente por necessidade ou avareza? Note que estou perguntando mesmo, porque eu não sou biólogo, nem nada para saber.

 

Existe alguma espécie animal que mata por prazer? Ou que faça sexo por prazer? Dizem que golfinhos e alguns símios fazem sim sexo sem fins de procriação, mas isso eu realmente não sei. Certamente não existe animal que faça do sexo a coisa mais importante da vida.

 

Algum cientista sabe de alguma espécie animal que escraviza e subjuga outros animais só pelo prazer e luxúria? Sabemos que existem os hospedeiros e parasitas, mas são componentes do círculo da vida animal.

 

E nós?

 

Na história da humanidade não existe povo 100% "bonzinho". Hoje sabemos que índios pré-colombianos das Américas escravizavam, torturavam e matavam seus semelhantes em disputas por terras, religiosa e até racistas mesmo, colocando grupos étnicos diferentes em condições de minoridade. Na África também existia escravidão antes mesmo de os europeus pisarem por lá, o que aliás facilitou a captura de escravos porque as tribos rivais ajudavam a caçá-los. Aliás, na África até hoje ainda existem conflitos armados em nome de diferenças étnicas e religiosas.

 

No Oriente Médio também escravizavam, matavam e ainda matam até hoje em nome de sabe-se lá que crença ou religião. Idem na Ásia, Oceania e, mais do que qualquer outro lugar, na Europa, com genocídios recentes.

 

Em suma, o ser humano tem alguma coisa em sua carga genética que não combina com os animais. A violência seria um DNA trazido de fora da Terra?

 

Tem mais.

 

Na recente viagem ao litoral do Ceará fiquei abestado de ver a quantidade de lixo produzido e jogado nas praias como se o mar fosse um enorme latão de lixo. Não quis acreditar que era lixo produzido ali, porque ele apareceu só depois que mudou a direção do vento e ficou nítido que a sujeira vinha de cidades mais ao norte, como Caucaia e a própria capital, Fortaleza.

 

Durante o longo passeio pela areia da praia me ocorreu que o ser humano realmente não deve fazer parte desse planeta, porque os animais sem mantém em equilíbrio na natureza. Nem as saúvas, que aparentemente destroem tudo pela frente, na verdade elas mantém as plantas vivas o suficiente para se recompor e produzir as novas folhas que servirão de combustível para os fungos.

 

No espaço de menos de 100 metros vi duas tartarugas adultas mortas na areia. Elas morrem sufocadas ou porque confundem um saco plástico com uma água-viva, o filé mignon do cardápio delas; ou enroscadas em rede de pesca. Coincidentemente perto de uma delas havia um grande pedaço de rede de pesca. Nosso lixo está matando animais que vivem aqui há centenas de milhares de anos. Nós não temos direito de fazer isso!

 

(Rede de pesca encontrada perto de uma grande tartaruga morta)

 

O ser humano é o elemento que desequilibra a natureza. Alguém poderia afirmar que os primeiros povos que habitaram a Terra viviam em harmonia com a natureza. Nem tanto. Os astecas já aterravam grandes áreas alagadas para construir cidades e os Incas também eram chegados em uma construção de pedra e terraplenagem, talvez eles não tiveram tempo de alterar tanto a natureza, o que poderia ter acontecido se os espanhóis não tivessem chegado por aqui?

 

Olhando dessa forma o ser humano parece realmente um elemento colocado aqui, que não faz parte desse mundo. Nós vamos acabar com a Terra? Sim, nós, porque eu me enquadro nessa espécie esquisita produtora de lixo.

 

Sem incentivar nenhuma paranóia de abraçadores de árvores, acho que precisamos rever radicalmente o consumo. Evitar a qualquer custo saquinhos, embalagens, descartáveis etc. Pelo que vi no Ceará, a única atitude que pode resultar em menos lixo nas praias e cidades é não produzir lixo! Uma das grandes surpresas foi ver a quantidade de embalagens de óleo e de sandálias do tipo Havaianas. Será que essas empresas não conseguem promover uma simples ação de marketing na qual dá um desconto simbólico a quem devolver o vasilhame de óleo ou sandália usada na compra de uma nova?

 

 

(Não, essas sandálias não foram deixadas, foram jogadas fora)

 

Sou do tempo que a gente juntava garrafas de vidro de refrigerante ou cerveja e depositava na entrada do super mercado. Recebia um vale que dava desconto na compra das bebidas. Ou ainda do tempo que guardava os jornais a semana inteira para vender para os feirantes embrulharem banana ou peixe. Hoje é proibido usar jornal e entrou a sacola plástica. Hoje o vasilhame de vidro não retorna e temos um mar de garrafas de plástico boiando.

 

Duvido que a reciclagem desse tipo de material chegue a mais de 20% da quantidade vendida. A lata de alumínio sim, porque dá dinheiro. Mas e as outras coisas? Quem somos nós e qual será o nosso futuro? Será que seremos enterrados em nosso próprio lixo até morrermos em um enorme sambaqui apocalíptico?

 

Para encerrar, recomendo ver este video.

 

 

publicado por motite às 01:31
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011

Minha história de natal

(Obra do Aleijadinho. Foto: Tite)

 

 

Amigos internautas. Sábia invenção que nos poupou de envelopar, selar e levar cartões até a agência do Correio. E mais, podemos nos dar o sabor de escrever além das frases feitas e prosaicas. Neste Natal lembrei de um livro alemão, onde o autor convidou vários escritores modernos para contarem uma história de natal. Algumas ficaram muito marcadas na minha memória e minha primeira idéia era simplesmente dar um copy/paste e resolver meu cartão de final de ano. Mas lembrei que há alguns anos eu  vivi minha própria história de Natal e fui escarafunchar neste HD para resgatá-la. Aqui está ela, escrita em 1989. Espero não ter sido muito piegas e preparem o saquinho, porque é uma looooonga história.

E, para não fugir aos costumes:

Feliz Natal e um novo ano cheio de realizações

 

Tite

 

Uma história de Natal

 

É um hábito antigo nas empresas. Na véspera do Natal, o departamento de recursos humanos distribui brinquedos aos funcionários que têm filhos. Usando da mais complexa pedagogia e lógica, os filhos meninos ganham carrinhos ou bolas. Às meninas são reservadas bonecas, panelinhas, Barbies, Xuxas e outras. Na ocasião,  eu já tinha as duas filhas, que foram contempladas com um conjunto formado por boneca mamãe, com bebêzinho, portanto duas bonecas em uma. De plástico.


Filhos de mães antroposóficas não brincam com coisas de plástico. Para os antropósofos são muito artificiais. Todos. Mães, filhos e plásticos. Não poderia jamais aparecer com aquele presente em casa, sob risco de ser esconjurado da doutrina antroposófica por toda eternidade. Era um problema a mais para resolver neste natal de 1988.


O outro problema ainda não tinha digerido a ponto de pensar numa solução. Poucos dias antes do Natal, fui convocado para uma reunião na Quatro Rodas, onde exercia o cargo de editor-assistente, para receber a notícia de minha demissão.

A primeira demissão é difícil de engolir. Principalmente quando foi anunciado o motivo:


- Seu texto não se encaixa no padrão Abril.


- Tudo bem, eu posso piorar, se preferirem.


Não entenderam a ironia e não preferiram. Recebi um bilhete azul, defenestrado, butato via, demitido. Não foi tão ruim. Recebi uma bela grana da indenização e comprei uma moto nova, que usaria para correr o campeonato Paulista em 89.


Mas e a boneca?


Saí do prédio da Abril, com a boneca no banco traseiro do carro. No primeiro semáforo dei com uma cena cada dia mais integrada ao cenário urbano: meninos de rua. Motoristas fecham a janela, outros dão uns trocados. Outros, criativos, dão balas (doces). Há os que gostariam de dar balas (de chumbo), mas não podem.


Na minha janela vieram duas meninas. Praticamente da idade das minhas filhas. A mais velha tinha os joelhos esfolados e sujos, cabelos longos e sujos, o rosto magro e sujo, a pele manchada e suja. O futuro incerto e sujo. A mais nova segurava a maior pela mão, como se fosse seu único porto seguro na Terra, seu píer, sua tábua de salvação. Ela obedecia a irmã mais velha como se fosse a diretora neste teatro insano que tem as ruas como cenário, os motoristas como platéia e a miséria como coxia. A pequena sugava uma chupeta e o nariz escorria a eterna coriza de quem vive muito perto dos escapamentos.


Não tinha nada para dar. Lembrei das bonecas.


Quando a mais velha pegou o pacote nas mãos sujas seus olhos se acenderam como duas luzes, fracas, mas brilhantes. A caixa tinha tampa transparente e podia-se ver as bonecas, com todo aquele colorido que enfeitam caixas de bonecas. Era um coup de theâtre naquela rotina de esmolas.


Não tive tempo de ver o resto. Tocaram a buzina da intolerância e fui embora.

 

-0-0-0-0-

 

Em janeiro voltei à Abril para receber o que faltava da indenização. Caminhava pela calçada quando vi duas meninas vindo na minha direção. Estavam de mãos dadas. Eram elas. Sempre unidas por aquele cordão umbilical da verdadeira e incondicional fraternidade. Nas outras mãos traziam as bonecas. A mais velha ficou com a boneca maior. A pequena segurava o bebê boneca bem próximo ao rosto. Procurei não olhar muito, pois jamais imaginei que pudessem me identificar. A mais nova olhou-me bem nos olhos. Ela ficou olhando, olhando e depois de cruzarmos eu me virei e vi as duas paradas, olhando para mim. A pequena sorriu, tentando equilibrar a chupeta entre os dentes. Um sorriso contido, ingênuo. Um sorriso único, autêntico. A expressão da mais profunda gratidão que já recebi por um presente de Natal.


Nunca mais as vi.

 

-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0

 

Esta é a segunda vez que escrevo esta história. A primeira ficou muito melhor, mais cheia de descrições, mais completa. Só que a perdi em algum HD qualquer e tive de reescrevê-la. Tudo bem.


Toda vez que me lembro daquela manhã, na calçada da Abril, me vem exatamente a mesma emoção, que começa no abdômen e espalha pelo corpo. Até hoje lembro daqueles quatro olhinhos e, principalmente, do sorriso cúmplice da menina menor. Ela sabia quem eu era. Você nem imagina como é emocionante ver brotar o brilho nos olhos de uma criança. Crianças de rua não se emocionam facilmente. Elas são empedernidas pela miséria. Aprenderam a controlar o desejo para não alimentar frustrações. São ingênuas e maliciosas. São autênticas. São carentes. De tudo: desde uma boneca, que para outra criança seria apenas mais uma, até comida, material mais essencial à existência do que qualquer brinquedo. Por isso a antroposofia funciona tão bem com crianças ricas. Elas já têm tudo, conseguem digerir um pouco de filosofia. Pobres não precisam filosofia. Precisam comida, roupa, carinho,  brinquedo. Crianças pobres numa cidade como São Paulo precisam daquilo que filosofia nenhuma seria capaz de lhes oferecer: a infância.


Para estas crianças, escrevi:


Abandonadas

Olh’elas de novo nas ruas

rasgadas, suadas, nuas

Da vida só levam trocados,

pobres anjos abandonados

Queriam muito ser suas

juntar-se também às tuas

Casa só têm a esquina,

respiram ar-gasolina

E aqueles que devem escusas

voltam para suas reclusas

e  dormem o sono-morfina

 


 

 

 

publicado por motite às 13:57
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

O filósofo e o idiota

(Rudolf Steiner, pai da antroposofia)

 

Uma pergunta de leitor gerou este artigo, publicado originariamente no Motonline

 

Uma das qualidades do site Motonline desde o nascimento, 10 anos atrás, é sempre que possível abrir espaço para notícias “não-motociclísticas”. É fácil perceber que os colaboradores do Motonline são pessoas novas no circuito jornalístico especializado, alguns especialistas em informática (Paulo Couto), em direito do consumidor (André Garcia), em coisa velha – ok, clássicas – (João Tadeu) e muitos outros colaboradores que você nunca viu em revistas especializadas. Além disso, um veículo de comunicação recebe uma quantidade absurda de press-releases de praticamente toda atividade humana. Os assessores de imprensa perderam a noção e já recebi até convite para participar de uma feira de artigos para supermercado!

 

Graças a esse tiroteio de informações, recebemos um informativo sobre a eleição do Cristo Redentor como uma das novas Sete Maravilhas do Mundo. A notícia tem nada a ver com moto, mas enche qualquer brasileiro de orgulho. E brasileiro orgulhoso que é, Ryo Harada, mentor do Motonline, não teve dúvida: colocou a notícia em destaque na primeira página.

 

Então um leitor nos escreveu indignado, perguntando “O que a eleição do Cristo Redentor como Maravilha do Mundo tem a ver com as motos?”. Como eu era o respondedor de cartas, esta caiu no meu colo e imediatamente pensei em devolver no fígado do missivista. Como eu estava bem alimentado, feliz, decidi escrever um editorial para explicar ao desavisado leitor que aquele não era um site feito por nem para idiotas. O texto é este que segue abaixo:

 

“O que tem a ver o artigo “Cristo Redentor é uma das novas maravilhas do mundo” com moto?”

 

O Essa pergunta pegou a todos de surpresa e, num primeiro, momento pensei em responder de forma irônica, mas decidi refletir sobre a questão. Para isso viajei no tempo, cerca de 10 anos atrás, quando estive na Alemanha visitando minhas filhas e tive a oportunidade de jantar com um importante filósofo estudioso da doutrina antroposófica (vá pesquisar “antroposofia” no Google!).

Sempre fui interessado e defensor da pedagogia Waldorf, por isso seria uma oportunidade rara de debater o assunto com um especialista. Com muita dificuldade para dialogar, misturando alemão, inglês e italiano, a ponto de me sentir um maluco sem idioma nem pátria, conversamos sobre tudo. De carros a política econômica, de esportes de inverno a literatura portuguesa e inglesa, e principalmente sobre nossas experiências de viagens. Só não falamos de futebol porque ambos eram agnósticos dessa religião. Quando o jantar já estava chegando ao fim – sim, os alemães têm o hábito de convidar para qualquer reunião com hora para começar e terminar – intercedi e perguntei: “tá, mas e a filosofia?”. Ele levantou, pegou um livro de umas 400 páginas e jogou no meu colo: “tá tudo aí, é só ler, mas eu não queria desperdiçar o tempo falando de filosofia”.

 

- Desperdiçar o tempo? Mas você é o especialista!

 

- Justamente por isso, eu sou tão especialista em um assunto que não quero me tornar um “Fachidiot”!

A expressão “Fachidiot” (pronuncia-se fahidiôt) significa fielmente “idiota em um assunto”. Quer dizer o seguinte: são aquelas pessoas que de tanto se especializar em apenas UM assunto acabam se tornando um idiota em outras áreas. Qualquer um que olhe à sua volta poderá identificar vários desses idiotas em um assunto. O ambiente de trabalho é onde mais tem dessa gente.

Conheci várias pessoas com esse perfil. O maior deles – literalmente – foi oAyrton Senna. Era verdadeiramente incapaz de conversar ou olhar o mundo se não fosse pela ótica do automobilismo. Nas raras vezes que tentou desviar o assunto derrapou feio.

Talvez isso explique o motivo de eu ter uma certa alergia a encontros de motos e motoclubes. O assunto invariavelmente é só moto! Nada de anormal, afinal é que nos leva a essas reuniões, mas sempre me admiro quando desvio o assunto e descubro pessoas cheias de informações sobre os mais variados temas do conhecimento humano. Imagine o volume de sabedoria que se desperdiça nesses encontros! Faça uma experiência: no próximo encontro procure desviar o tema da conversa, em vez de motos questione sobre a atividade do motociclista e se prepare para que um universo de conhecimento se descortine à sua frente.

Quem teve a chance de ler o meu livro “O Mundo É Uma Roda” notou que a segunda parte é dedicada a temas e situações variadas para que leitores menos especializados em motos também pudessem se divertir. E o maior fenômeno desse livro é a enorme quantidade de elogios que recebo de esposas, filhos e pais dos leitores que nada têm a ver com motos! Recentemente uma esposa de leitor me escreveu afirmando que não agüentava mais ver o marido rir sozinho na sala e decidiu pegar o livro. Resultado: também leu compulsivamente. Porque uma das minhas preocupações, depois daquele jantar com o filósofo alemão, foi não cometer o suicídio cultural de me tornar um “Fachidiot”. Desde então tento fugir desse discurso monocórdio que tem a moto como tema central.

Acredito mesmo que todas as pessoas buscam esse ecletismo na vida, mesmo ao entrar em um site no qual o assunto é motociclismo. Pode-se notar esse fenômeno ao visitar o fórum Motonline ou a comunidade Motonline no Orkut. Geralmente os tópicos acabam derivando para assuntos correlatos. É um ganho excepcional pra todo mundo. O que eu já aprendi ao ler os tópicos do fórum e do Orkut daria para encher uma enciclopédia. Até receita de chocolate quente você encontra no fórum Motonline! E com conhaque!!!

Eu até entendo a preocupação de alguém em questionar o que o Cristo Redentor tem a ver com o motociclismo, mas a resposta é “tudo”. Tudo a ver! Claro, duvido que algum cidadão brasileiro chegue à base daquela estátua de 38 metros, independentemente de qualquer significado iconográfico, construída em 1930, com mão de obra essencialmente braçal e não se emocione. E se tem uma coisa que tem muito a ver com moto é emoção!

 

Pontualidade Germânica

Uma curiosidade sobre esse jantar que não foi relatada na época. O casal que convidou a minha família marcou o jantar às 19h37. Em princípio achei aquilo típico de alemão: não pode ser 19:30 nem 19:40, tem de ser 19:37! Ficava irritadíssimo com essa mania de marcar encontros em horários quebrados.

 

Naquela ocasião eu não tinha acesso à Internet em casa, muito menos celular, GPS, essas coisas modernas, então eu andava pra cima e pra baixo com um guia de ônibus, trem, metrô e bondes. Mesmo assim me perdia mais que cachorro vira-lata. Nesses guias, além de toda rede de transporte, constavam os horários de cada parada, tempo do percurso, trocas de viaturas etc etc e mais um monte de etcéteras.

 

No metrô eu me desesperava porque as linhas norte-sul-leste-oeste-nordeste-sudoeste-bombordo-estibordo eram diferenciadas por cores!!! Aí eu entrava na estação e lia no manual “pegar a linha verde”. Lá ia eu perguntar – em alemão – pra alemãzada qual era a linha verde. E eles olhavam com espanto pra minha cara, como se eu fosse louco e respondiam:

 

- A linha verde é aquela que tem os cartazes pintados de verde, os túneis são verde e no chão tem uma linha verde!

 

Como explicar – em alemão – pra essa gente que eu não conseguia distinguir a cor verde? Nem a vermelha, nem laranja, ocre, bege, creme, turquesa e um monte delas!

 

Quando descemos do ônibus percebi que a casa do filósofo era do outro lado da rua, olhei pro relógio: 19:37! Foi então que entendi o motivo dessa pontualidade doentia. Basta fazer o itinerário entre os dois endereços, somar o tempo de viagem do ônibus e do bonde e... bingo! Não há atraso, nem se quiser! Para ser pontual basta fazer o caminho inverso e descobre-se a que horas é preciso sair de casa para chegar na hora certa, incluindo os trechos de caminhada!

 

Mesmo assim, não resisti e perguntei por que não marcar, por exemplo, às 19:40? Foi então que comecei a entender a lógica alemã, muitas vezes confundida com ingenuidade. O anfitrião respondeu:

 

- E o que você ficaria fazendo três minutos lá fora? Já pensou se estiver nevando?

 

publicado por motite às 23:07
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