Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Vida corrida - Assertividade

 

(eu NÃO vou capotar!!!)

 

Dizem os lingüistas que nosso cérebro funciona no sistema binário: on-off, tem-não tem; existe-não existe etc. Ou seja, nosso cérebro é uma cópia do computador. Certamente Deus se inspirou no computador para fazer o cérebro!
 
De acordo com esse raciocínio, nós só conseguimos formar a negação a partir da afirmação. Primeiro o cérebro precisa criar o “sim” para depois formar a negação. O exemplo mais simples é da criança hiperativa que vai visitar os tios ricos. Preocupado, o pai aponta para um vaso chinês da dinastia Ming, de quatro séculos a.C e adverte:
 
- NÃO encosta nesse vaso senão eu te mato!!!
 
Dois minutos depois, no meio do silêncio na sala de estar, ouve-se um CRASH!
 
Quanto mais ingênuo – ou infantil – mais difícil é estabelecer a negativa independentemente da formação da afirmativa. A criança precisa primeiro formar a ação em sua mente “encostar no vaso” para depois criar a negação “NÃO encostar no vaso”.
 
Pensar de forma assertiva é retirar o “não” das frases e trabalhar a afirmação. Nesse exemplo basta explicar “filho, fique longe desse vaso senão eu te mato!”
 
Nosso cérebro é uma máquina muito eficiente, mas exige programação.
 
Na pilotagem é preciso pensar sempre de forma assertiva, positiva e afirmativa. Existem vários exemplos, mas eu gosto de contar no curso SpeedMaster de pilotagem uma passagem minha em 1998, quando corria na categoria 125 Especial.
 
Eu estava em segundo lugar a corrida inteira. O primeiro colocado estava uns 10 segundos na minha frente e o terceiro a uns 15 segundos atrás. É a pior condição de pilotagem que existe porque a falta de pressão leva à desconcentração e o cérebro começa a trair. Se eu chegasse em segundo sairia daquela etapa como líder do campeonato Brasileiro. Faltavam 10 voltas pra terminar a prova quando comecei a ver a sinalização do box informando que o terceiro colocado estava chegando.
 
Pronto, começou a seqüência de erros. A primeira foi me preocupar demais com o que estava acontecendo atrás de mim, quando eu deveria me concentrar apenas em ser rápido. Passei a pensar: “não posso errar, não posso errar” e parecia que a cada curva eu errava a entrada, a freada ou deixava a rotação do motor cair demais.
 
O terceiro colocado foi reduzindo cerca de um segundo e meio por volta e meu box sinalizava cada vez mais desesperados. Até que entrei na última volta com o piloto já encostado na minha roda traseira. Comecei a pensar “ele não vai me passar, ele não vai me passar”. Passou! Na última curva da última volta ele passou e eu fiquei em terceiro.
 
A postura correta seria pensar afirmativamente tipo: “Vou caprichar em cada curva, vou ficar na frente, vou me concentrar só na minha moto e na pilotagem” e esquecer o outro. No momento que fixei meu pensamento no outro piloto foi como se meu cérebro já tivesse formado a cena da ultrapassagem – que realmente eu “via” acontecer a cada curva.
 
Quando fiz um trabalho de preparação especial com o José Rubens D’Elia, especializado em pilotos, mudei essa postura e nunca mais fui traído pelo meu cérebro.
 
Na nossa vida, sobretudo no mundo corporativo, somos vítimas de nossas armadilhas. Quantas vezes você ligou para uma gatíssima e perguntou:
 
- Você não quer ir comigo no cinema?
 
Se ela responder “sim” estará afirmando a negativa. Ou seja, “Sim, eu NÃO quero ir com você no cinema!”.
 
O macho alfa assertivo liga e simplesmente diz:
 
- Estou passando na tua casa pra gente ir ao cinema!
 
Já participei de várias reuniões de negócios nas quais os reunidos repetiam:
 
- Não seria melhor investir em marketing?
 
E o diretor não sabe se responde “sim, não seria”; ou “não, seria”. Viu a confusão?
 
A língua portuguesa tem uma pegadinha que pouca gente percebe, mas que distorce as frases e transforma a afirmação em negação. Quer ver?
 
- Cair de moto não é nada agradável!
 
Essa frase significa: “cair de moto é agradável”.
 
Se analisarmos apenas o final da frase e trocarmos “nada agradável” por “desagradável”. A frase ficaria: “cair de moto não é desagradável”. Uma coisa que não é desagradável É agradável! Logo a frase se torna: “cair de moto é agradável”.
 
Isso porque ao colocarmos uma negativa somada à outra negativa a frase se torna positiva.
 
Outro exemplo: “esse papo não tem nada de verdade!” Na verdade essa frase coloca uma negativa (não) junto com outra negativa (nada) e o resultado é: “esse papo é verdadeiro”, porque “nada de verdade” = “mentira e “não ter mentira = ter verdade. O correto é afirmar “Esse papo tem nada de verdadeiro”, sem o advérbio de negação “não”.
 
Em outros idiomas essa mesma pegadinha é exaustivamente ensinada nas escolas, desde o primário. Mas em português eu raramente vejo pessoas que conhecem essa regra, inclusive nos grandes veículos de comunicação.
 
Esse fenômeno da negativa que afirma é uma característica do português falado no Brasil e reflete muito da personalidade do brasileiro em geral. Conheço várias pessoas que começam a responder uma frase qualquer com um “não” na frente, embora a resposta seja afirmativa! Em italiano é comum, sobretudo na região Toscana, as pessoas começarem a falar qualquer frase com “niente” (nada). Talvez nossa influência italiana (latim) especialmente em São Paulo, tenha importado essa característica.
 
Faça uma experiência e comece a agir, pensar e falar usando menos “nãos” ou “nadas” nas frases. Seu cérebro agradece!

 

 

publicado por motite às 15:44
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11 comentários:
De ernesto a 30 de Julho de 2008 às 20:02
eh-eh-eh...

Nada desinteressante.
De André a 30 de Julho de 2008 às 21:08
Tite + Blog = cultura das boas. Votem no Tite para ministro da cultura!!!!!!!
De Pasquale a 30 de Julho de 2008 às 22:46
(-2) + (-2) = -4
e não +4

(-2) x (-2) = +4

:-)

Um abraço!
De motite a 31 de Julho de 2008 às 00:06
uh, é verdade: é "por" e não "mais"!
De Orlando a 30 de Julho de 2008 às 23:56
Esse post não foi nada bom. hehehe
De Evandro a 31 de Julho de 2008 às 15:30
Nesse ponto o inglês é mais inteligente: "I have nothing to do". Ou seja, afirma que tem nada para fazer. Aqui nós diríamos "Não tenho nada para fazer". Se não tem nada, então tem alguma coisa!

Felizmente eu me livrei desse mal! Mas é sempre bom lembrar caro Tite Pasquale!!! :-)
De Rogério Miron a 31 de Julho de 2008 às 15:47
...
Legal Tite.. Um dia desses eu estava conversando em ingles com minha namorada pelo msn,, e como sou estudante de nível básico nesta língua, formulo frases em ingles basedas no raciocínio da gramática portuguesa.. Lógico que isto quase nunca dá certo..

Daí, em algum momento pensei na frase: "Eu não fiz nada...".. Percebí e visualizei o mesmo raciocínio que vc, Tite, descreveu neste post... Ou seja - "Eu não fiz nada.." então eu fiz tudo ??!?..

Talvez o correto seria - "Eu fiz nada..",, rsrs,, mas o verbo "fazer" é uma ação.. e a palavra "nada" significa "vazio". Acredito não ser muito lógico alguém fazer nada.. Com certeza essa construção ficou estranha.

Pensei, e não consegui chegar em uma frase que substitua perfeitamente essa expressão tão usual...

Acho q vou ter q questionar minha professora de Comunicação na faculdade.. hehehe
...
De Clayton Alves a 26 de Janeiro de 2009 às 01:22
Se você não quer dizer "EU FAÇO NADA", diga:
"EU NADA FAÇO".
Uma outra opção, emprega-se o pronome algum, em posposição ao substantivo.
Há de ser esclarecido que esse pronome nunca foi uma negação. É a negativa que, em reforço, muda de sentido. Portanto, é correto dizer:
"EU NÃO FIZ COISA ALGUMA".
[EU NÃO FIZ COISA AINDA QUE A MÍNIMA]
obrigado.
De André a 1 de Agosto de 2008 às 14:52
É simples, é só falar "não fui eu...", resolvido o problema(e olha que eu não faço faculdade).
De Rogério Miron a 1 de Agosto de 2008 às 16:34
...
Analisando o contexto da conversa,, cujo eu NÃO expliquei no blog do TIte,, a frase/resposta "... não fui eu ..." não se encaixa..

Existem uns 300 mil detalhes em um texto que podem ser modificados, tanto na pergunta, quando na resposta, para que as frases não se contradizem. Mas tudo dependerá do contexto..

Se fosse tão simples como vc descreveu aí,, jornalistas e escritores profissionais não errariam com tanta freqüência como acontece,, mesmo com o contexto exposto ao olhos deles..
...
De Clayton Alves a 26 de Janeiro de 2009 às 01:05
Antes de pegadinha, deve ser registrado que a negativa, no papel de reforço, não produz uma segunda negação. Assim, dizer "cair de bicicleta não é nada agradável" é, neste caso:
CAIR DE BICICLETA NÃO É 'NEM DE UMA FORMA' AGRADÁVEL, ou seja:
CAIR DE BICICLETA NÃO É 'DE UMA OU QUALQUER FORMA' AGRADÁVEL.
Obrigado.

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