Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Novas Honda 2012

Transalp 700, modelo finalmente chega ao Brasil

 

Honda surpreende com o lançamento no Brasil da VFR 1200F e da XL 700V Transalp

 

Foram dois produtos de uma vez. Não foi exatamente uma surpresa porque estes dois modelos foram apresentados no último salão do Automóvel em 2010. Tanto a VFR quanto a Transalp expostas no salão estavam com os pneus bem gastos, o que já deixou claro que ambas rodaram – e muito – em nossas estradas.

 

A Transalp é a evolução do modelo lançado em 1987 como 583cc, em 2000 passou para 647 e finalmente em 2008 recebeu o incremento para 680. Trata-se de uma das mais bem sucedidas motos do mercado europeu, produzida inicialmente pela Honda da Espanha (antiga Montesa), depois na Itália e agora será efetivamente fabricada no Brasil. Sim, com peças vindas da Europa e Japão.

 

Foi o modelo que inaugurou um novo conceito de motos on-off Road, com estilo misto cidade-campo, mas notadamente voltado para estradas asfaltadas dos Alpes. Daí o nome.

 

Sempre com motor de dois cilindros em V bem fechados, a 520, com privilégio das forças em baixas rotações. Mesmo com esta configuração o motor vibra bastante e tem funcionamento áspero se comparado com as concorrentes de dois cilindros paralelos como a BMW F 650GS e a Kawasaki Versys 650. Mas bem mais suave do que as rivais de um cilindro como a BMW G 650GS e Yamaha XT 660. E fica praticamente no mesmo nível da principal adversária no mercado, a Suzuki V-Strom 650.

 

Painel da Transalp

 

Como era de se esperar do motor em V (de 60 cv a 7.750 rpm), a retomada de velocidade é vigorosa e permite economizar bastante na troca de marchas do câmbio de cinco velocidades. A embreagem por cabo é bem macia.

 

No rápido e curto teste feito em condomínio fechado não foi possível tirar muitas conclusões sobre o modelo, além das primeiras impressões. A posição de pilotagem é muito confortável para pilotar horas a fio, com banco em dois níveis, mais estreito perto do tanque. Apesar dos 837 mm de altura do assento ao solo, um motociclista de 1,70m se encaixa facilmente e apóia os dois pés no chão.

 

O guidão largo dá a sensação de abraçar o mundo e as protetores de mãos são itens de série, bem como o amplo bagageiro, com barras de apoio do garupa. Curiosas as rodas raiadas de 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira, equipadas com pneus de uso misto. Por ser uma moto mais voltada ao asfalto poderia vir equipada com rodas de liga e pneus mais estradeiros sem câmaras. Em compensação, os aros são DID, japoneses, de ótimo acabamento, bem mais fáceis de consertar ou trocar dos que as rodas de liga leve.

 

Tivemos contato com as versões com e sem freio ABS, ambas com duplo disco dianteiro. Como de costume nas motos japonesas com ABS, especialmente as Honda, pode-se frear no piso de terra sem levar sustos porque os sensores fazem um ótimo trabalho de controle.

 

Outras impressões sobre estabilidade, consumo e comportamento em vários terrenos só serão possíveis quando tivermos maior contato com a moto. Os preços divulgados foram: R$ 31.800 sem ABS e 34.800 com ABS, sem frete.

 

 

(VFR 1200F: experiência com câmbio automático)

Motomática

 

Cerca de 10 anos atrás, quando pilotei uma Honda Gold Wing 1600, escrevi que no futuro as motos deveriam ter câmbio automático e freio com apenas um acionamento. Quase fui linchado por alguns leitores mais tradicionais, mas hoje, olhando para a recém chegada Honda VFR 1200F equipada com câmbio automático, embreagem eletro-hidráulica e freio ABS combinado podemos dizer: o futuro chegou!

 

Ela representa um grande avanço e certamente vai ditar regra nos lançamentos de outras marcas. Não demorará muito para que outros produtos nas diversas categorias sejam lançadas com câmbio automático e sem acionamento de embreagem.

 

Esqueça o câmbio com variador de velocidade por polias (CVT) que equipam os scooters. Na VFR o câmbio é igual ao das outras motos, o que muda é a embreagem. São duas embreagens sendo que a primária atua nas marchas ímpares (1a, 3a e 5a) e a secundária nas marchas pares (2a, 4a e 6a). Assim quando uma marcha estiver engatada, as próximas (crescente e decrescente) estão prontas para entrar.

 

(Painel da VFR: completo!)

 

Todo acionamento do câmbio é feito por meio de botões nos punhos direito e esquerdo. Do lado direito o piloto pode escolher entre as opções D (drive) que deixo a seleção automática, S (Sport) também automático, mas com as trocas em rotações mais altas ou M (manual) na qual o piloto escolhe as marchas pelos seletores do lado esquerdo. A redução é feita pelo polegar e as marchas crescentes pelo indicador, como um câmbio de bicicleta.

 

Inspirada em uma moto conceito, a VFR 1200F tem um desenho que mistura esporte e turismo, dentro do estilo chamado “Sport-touring”. A carenagem tem um detalhe interessante que é uma espécie de dupla cobertura com uma carenagem inferior e uma superior, sem parafusos nem rebites aparentes. Esse sistema além de funcionar como um estabilizador aerodinâmico, tem a vantagem de isolar o calor do motor.

 

O motor é V4, bem fechado (a 760) com potência de 172,7 cv a 10.000 rpm. O interessante deste motor é que mantém a ordem de ignição igual ao motor de quatro cilindros em linha e não como um V4 tradicional, o que resulta em um motor em V bem “liso” a partir das médias rotações, mas ainda áspero do que um quatro-em-linha em baixa.

 

Colocar essa moto em movimento é uma experiência inédita. Sem manete de embreagem, nem pedal de câmbio. Motor acionado, basta apertar o botão do punho direito e acelerar. Ah, não sem antes soltar o freio de estacionamento. Sim, ela tem este sistema porque, a exemplo dos carros, não tem como deixar a VFR parada com a marcha engatada em um piso inclinado.

 

Agora muita atenção: os vendedores da Honda terão de fazer um amplo treinamento para ensinar os novos proprietários deste modelo. Porque será muito fácil deixar esta moto cair em baixa velocidade pela falta de embreagem.

 

Uma vez em movimento, se o piloto quiser apenas acelerar e frear pode usar o moto automática. Ao contrário dos carros com câmbio automatizado, na VFR não se sente tranco nem nas trocas ascendentes quanto nas descendentes. As marchas são muito rápidas e uma dica: se usar a opção das trocas seletivas, o piloto precisa manter o acelerador acionado, porque se cortar o acelerador o sistema eletrônico entende que vai reduzir a velocidade.

 

Também não foi possível avaliar outros aspectos pelo pouco tempo e espaço limitado do teste. Esperamos em breve ter acesso mais longo para um teste mais completo.

 

Para ler os testes completos acesse os links: VFR1200F e Transalp

 

publicado por motite às 00:53
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13 comentários:
De Tiago a 1 de Abril de 2011 às 19:32
Até parece que vc entende um pouco disso né Tite.

Mas que coisa impressionante, uma moto com câmbio automático e com o acionamento manual igual ao câmbio de bicicleta.

Prefiro minha Fazer 250... hahaha

Tite, então fala aí: como será a nova geração de motos?? O que virá pela frente??
De Esaú a 2 de Abril de 2011 às 19:10
Pois é Tite, as coisas vão evoluindo mesmo, só não entendi bem essa coisa de se reduzir a aceleração o motor reduz a marcha...
Nos carros automáticos esse sistema já funciona muito bem, sem trancos e esse "triptronic" aí também é bastante popular. Alguns até reduzem a marcha nas acelerações mais fortes.
De drtakeshimatsubara a 4 de Abril de 2011 às 14:25
Caro Tite
Eu gosto de ler seus textos sobre motociclismo, pois são os únicos em que se percebe não se tratar de mera transcrição dos releases dos assessores de imprensas das marcas, com todos os elogios possíveis aos seus produtos. Existem repórteres que parecem usar esses releases como base para seus textos, o que não ocorre com nosso Tite, que sempre que pode, desce o cacete.
Eu tenho 1,68 cm de altura, e gosto de fazer viagens de mais de mil km de distância. Será que consigo me adaptar à Transalp? O meu problema, com as maxitrails, é sempre o problema da altura do banco, devido ao meu nanismo genético oriental.
E esta VFR 1200, será uma moto que consiga rodar por nossas estradas esburacadas? Realmente, fiquei muito balançado com estes últimos lançamentos. Pelo fato de gostar de viajar, parece que as maxitrails são as motos ideais para mim, mas, como disse, tenho o problema da altura e da falta de prática no motociclismo.
Por isso, até hoje, ainda não me entusiasmei em trocar a minha Harley Softail 1600 2007, que está com 24 mil km rodados, mas tem o banco a meros 700 mm do chão.
Um abraço
De Luiz - BH a 5 de Abril de 2011 às 21:38
Boa tarde Tite, como sempre um texto exelente. Tava reparando seu capacete SBK (inclusive quase comprei um igual, porem optei por um preto), achei que o meu faz um zunido muito grande nos cantos superiores da viseira quando fechado. Gostaria de saber se vc tb notou isto, se é cisma minha ou se o capacete ta com algum defeito. Eu tava acostumado com o LS2, não fazia barulho na viseira, mas por baixo tem muito mais ruido. Em tempo, um exelente capacete. Obrigado, e continue fazendo boas matérias.

Abraços,
Luiz.
De Hênio Barros Jr. a 6 de Abril de 2011 às 16:11
Era o que eu queria !!! Tenho uma falcon 2008 e não gosto muito do estilo da v-strom .... agora é trabalhar para comprar a Transalp =)
Aguardando ancioso o teste completo !
Abraço
De Thiago a 7 de Abril de 2011 às 13:37
E ai Tite estou no aguardo do seu comentario depois de mais um acidente na curva do café em interlagos.

Ao que parece os pilotos decidiram se juntar para requerer mudanças imediantas.

Abraços.
De Luiz BH a 7 de Abril de 2011 às 20:44
o mais correto seria uma área de escape por ali amigo...

Manteria a curva de alta e aumentaria a segurança dos protagonistas da festa!!!
De Lucas de Natal-RN a 8 de Abril de 2011 às 04:08
Interessante como as motos estão vindo tão pequenas, só encontramos motos grandes das antigas, quem tem uma estatura dita "privilegiada" acima de 1.80 acaba pagando o pato por não encontrar motos tão ergonômicas. Tinha uma twister e após ler os artigos de TITE sobre ergonomia fui para uma tornado, agora estou com uma XRE e estou com o pé em um UP, tendo de escolher entre uma XT 660 e uma dl 650.

A Transalp pelo que da para perceber não é uma moto muito grande, e isso foi confirmado por um colega que tem uma dl 650, que ao ver no salão que teve a pouco tempo disse que a impressão é de uma falcon "anabolizada".

TiTe, o motonline não é o mesmo sem você, deixei de visitar pelo simples fato de não encontrar graça(trancas) nas respostas, juntamente com as boas matérias.
De Alexandro a 8 de Abril de 2011 às 20:06
Olá Tite, viu a iniciativa de São Paulo de adaptar as semáforos para os daltônicos? Deu o que falar, inclusive, que não podem dirigir!!! que coisa, espero um comentário seu, abraço
De Ozzy Renato a 9 de Abril de 2011 às 01:34
Essa Transalp é uma boa moto, mas parece uma Falcon anabolizada.
De Jonny a 10 de Abril de 2011 às 03:00
Parece que todos aqui estão com a mesma impressão que eu também tive, a Transalp mostra traços de uma Falcon maior.
Agora, sobre a VFR, Tite, muito boa a observação de que a Honda deverá treinar futuros proprietários da Sport Turing, pois imagine você manobrar esta moto entre cones, como em um slalon, a 20 km/h, sem embrear.
De Esaú da Silva a 14 de Abril de 2011 às 16:34
Não sei como funciona essa moto nova, mas no caso das pequenas com embreagem centrífuga é muito fácil, pois ela debrea automaticamente quando se corta a aceleração, e também é possível fazer slalon sem debrear.
Mesmo assim sua colocação ainda é pertinente pois a moto é grande e os freios são combinados, não permitindo usar o freio traseiro pra equilibrar a moto. No entanto acredito que com treinamento tudo se consegue.

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