Sábado, 25 de Setembro de 2010

Os sete pecados

(Estas fotos não são no Brasil, mas no Japão!!!)

 

Quando a Internet surgiu no horizonte da comunicação de massa muitos especialistas previram que o volume de informação aumentaria muito o nível de conhecimento em várias esferas. Essa previsão é absolutamente verdadeira, porque hoje conseguimos obter um conteúdo de informação ao tempo de um microsegundo. Pena que este volume de informação nem sempre tem validade científica.

 

Hoje percebo que muitos mitos e preconceitos que antes eram restritos às rodinhas de amigos se espalham com a velocidade da fibra ótica. E aquela internet que deveria nos trazer conhecimento serve também para espalhar o desconhecimento, a mentira ou os famosos embustes (hoax) que tratam uma mentira como se fosse uma verdade científica.

 

Curiosamente, os embustes se espalham com mais rapidez do que uma informação verdadeira. Recentemente vi circularem duas mensagens absolutamente mentirosas, mas que uma vez desmentidas até por autoridades oficiais, as correções não receberam o mesmo tratamento viral da versão mentirosa. Em outras palavras: a mentira é melhor aceita do que a verdade. Será essa característica humana que nos levará ao fim do mundo em dezembro de 2012? Como se vê, não se pode mais distinguir o que é verdade do que é embuste.

 

Uma delas trazia a imagem de câmeras de vídeos instaladas em guard-rails e rapidamente alguém inventou que era uma nova forma de radares que seriam instalados nas marginais em SP. Coincidentemente, nesta época eu estava prestando serviço de consultoria para uma empresa de transporte e achei no Google uma empresa japonesa que produzia câmeras especiais de vigilância que ficam disfarçadas no guard-rail ou em cones de borracha. Pois não é que pegaram estas fotos e saíram espalhando que eram os novos radares!!!

 

O segundo embuste foi mais sério e de um mal gosto inacreditável. Acharam uma série de fotos de um acidente de moto nos EUA e alteraram a história. No acidente real, um motociclista se espatifou na traseira de um caminhão com tamanha violência que ele ficou preso pela cabeça na caçamba de alumínio. As imagens são horríveis e foram colocadas em um site de segurança veicular, com detalhes sobro acidente e as lesões do motociclista que, obviamente, morreu no local.

 

(Esse cara morreu muito bem morrido!)

 

Acredite, mas pegaram estas imagens e saíram espalhando com a mentirosa versão de que um policial tinha primeiro visto a moto destruída no acostamento e depois viu um caminhão rodando com um motociclista engatado na caçamba!!! Pra piorar – ou amenizar – a mentirosa mensagem termina dizendo que o motociclista sobreviveu graças ao capacete! Pura mentira, porque morreu mesmo e não tem a menor graça espalhar este tipo de coisa mórbida.

 

No campo dos veículos motorizados recebo semanalmente mensagens contendo desde mentiras inocentes até as mais perigosas. Geralmente o alvo são as motos, porque é um veículo relativamente novo na vida das pessoas e cheio de mistérios. Com o equilíbrio da economia as classes D e E tiveram acesso às motos como meio de transporte mais eficiente do que os precários ônibus e trens. Com estes neo-motociclistas veio também uma enorme carência de informação. Mesmo as pessoas mais simples conseguem entender o funcionamento de um carro porque é um veículo que faz parte das nossas vidas desde o nascimento até a morte. Mas as motos são um enigma. Daí os excessos de erros e informações levianas.

 

Conheça os 7 Pecados Capitais da Internet:

 

1)     Trocar o óleo a cada 1.000 km. A confusão se dá graças ao Manual do Proprietário das motos utilitárias que trazem a informação de que a PRIMEIRA troca deve ser feita com 1.000 km porque é uma forma de retirar sobras de material que podem ter se deslocado durante o período de amaciamento. As demais trocas podem ser feitas com os 3.000 km indicados pelo fabricante da moto. Só que motociclistas profissionais (motoboys) usam a moto sob condições muito severas e trocam óleo a cada 1.500 km. Mesmo nestes casos a troca na metade do indicado já é um exagero, porque naqueles 3.000 km indicados pelo fabricante já implica uma enorme margem de segurança. Pior que essa crença já se espalhou para donos de motos grandes e esse comportamento resulta em um despejo desnecessário de poluentes no ambiente. Para quem usa a moto de forma racional e equilibrada, o período recomendado pelo fabricante está de ótimo tamanho. Dentro deste pecado existe um “subpecado”: motores não consomem óleo! Como não??? Todo motor, desde o mais simples, até o de Fórmula 1 consome óleo, porque é uma conseqüência natural do aquecimento do motor. Leio com freqüência assustadora pessoas reclamando que foi trocar o óleo e faltava meio litro, ou 300 ml. Alguns motores de concepção mais antiga consomem até 30% de óleo a cada 1.000 km, sem que se possa chamar isso de defeito. Em uso severo, o motor da moto mais vendida do Brasil chega a consumir estes 30% sem que hajam vazamentos. Cabe ao motociclista acatar a recomendação do fabricante e verificar o nível a cada 1.000 km. Mas não precisa trocar, tá?

 

2)     Descarbonização. Essa é uma das aberrações mais comuns. Também refere-se à troca de óleo. Algum “mexânico” inventou isso lá nos anos 50 e acabou sendo resgatado graças à internet. Funciona assim: o sujeito retira o óleo usado do motor, fecha o bujão e enche o cárter com querosene ou produtos chamados de “flush” (descarga, em inglês). Depois liga o motor por alguns segundos e drena o querosene, antes de colocar o óleo novo. É a forma mais fácil de acabar com o motor de uma moto!!! Dentro do motor existem anéis de vedação (retentores) feitos de borracha e que nasceram para viver mergulhados no óleo. O solvente ataca esses anéis e provocam os vazamentos internos. Por isso a gente vê tanta moto soltando fumaça pelo escapamento...

 

3)     Rodízio de pneus. Essa é mais comum no Norte/Nordeste. A região Nordeste vive uma explosão de consumo geral e especialmente de moto. Em pouco mais de 10 anos o mercado de motos no NE cresceu 750% enquanto o resto do país cresceu 445%. Isso explica muitos procedimentos errados apenas por falta de informação que leva o neo-motociclista a tratar a moto como se fosse um carro de duas rodas. Nos carros é normal fazer rodízio de pneus – embora já seja condenado por especialistas. Mas nas motos o pneu dianteiro é muito diferente do traseiro e têm funções bem específicas. No piso molhado o pneu dianteiro funciona como uma lâmina que corta a água e o traseiro completa o serviço. Por isso é quase impossível uma moto aquaplanar. Ao usar o pneu traseiro na frente o risco de aquaplanagem é enorme porque o desenho do pneu não foi projetado para ser usado dessa posição.

 

4)     Para cada dois pneus traseiros troca-se apenas um dianteiro. Nããão! Esta é uma mentira recorrente porque é natural o pneu traseiro gastar mais rápido por um motivo até evidente: é o pneu da roda motriz, que recebe todo esforço da tração. Nas motos utilitárias, também é o pneu que recebe mais carga quando roda com baú ou com garupa (nas moto-taxis). Como o fator de maior desgaste do pneu é carga (massa), é normal o pneu traseiro gastar mais. Só que na hora de trocar deve-se trocar sempre os dois, porque a moto é um veículo tandem, com uma roda na frente da outra. Como elas rodam a mesma distância, quando o traseiro estiver gasto é sinal que o dianteiro já está comprometido, mesmo que aparentemente novo. Outro engano comum é usar pneus de modelo diferente na frente e atrás. Pneus de motos devem sempre ser do mesmo modelo e marca; quando se misturam marcas ou modelos ocorre o que se chama de “crise de paridade”, quando o pneu traseiro “não entende” o que faz o dianteiro!

 

5)     Reduzir a marcha diminui o espaço numa frenagem de emergência. Este equívoco é cometido por causa das competições e de uma das grandes mentiras sobre pilotagem: o freio motor! Motor é motor; freio é freio. Não existe “freio-motor” em veículos leves, muito menos em moto, a redução que se sente pode ser chamada de “efeito redutor”, mas nunca de frenagem. Para que o motor tenha efeito redutor na roda é preciso que a rotação angular do motor (giro) seja menor que o da roda motriz. Isso só é possível se o câmbio for equipado com uma caixa redutora, como nos caminhões e veículos pesados. Os caminhões contam com este efeito de freio-motor porque precisam frear 20 a 30 toneladas o que seria difícil só com o freio mecânico das rodas. Carros e motos precisam anular o motor para frear no menor espaço possível. Para isso é preciso acionar a embreagem junto com o freio e esquecer o câmbio. Não acredita? Então faça a seguinte experiência: engate a primeira marcha do seu carro (ou moto) solte a embreagem e deixe pegar velocidade sem acelerar. Depois tente frear sem acionar a embreagem. A sensação é que o motor continua empurrando o carro. Isso porque a rotação do motor é maior do que das rodas. A confusão do freio-motor se dá porque nas competições os pilotos reduzem a marcha nas entradas de curva. Mas isso só é feito para que a moto (ou carro) tenha rotação para sair da curva. Quem freia é o freio; quem empurra é o motor. Pronto e acabou!

 

6)     Pneu mais largo melhora a estabilidade. Mais uma vez é a confusão criada por acreditar que moto é um carro de duas rodas. Nos carros os pneus mais largos podem melhorar a estabilidade porque oferecem maior área de borracha em contato com o solo. Mas nas motos é diferente, porque a moto precisa inclinar nas curvas. Quanto mais inclinar, maior pode ser a velocidade de contorno da curva. Para que consiga um grande grau de inclinação é fundamental que o pneu tenha o desenho convexo. Quanto mais convexo, maior a inclinação. Ao usar um pneu mais largo na mesma medida de roda, o pneu ficará deformado, reduzindo a convexidade do desenho. Logo, a moto inclinará menos na curva. Claro que existem tolerâncias. Por exemplo, ao passar de um pneu 180 para 190 não causará um problema. Nem de 130 para 140. Mas alguns motociclistas exageram e, em função de um padrão estético, querem usar o mais largo possível, passando de 130 para 150 ou de 160 para 190. Aí será um martírio inclinar a moto nas curvas. Nos fóruns pode-se até ler depoimentos sobre a “melhora” ao usar um pneu mais largo. Mas esta sensação de melhora não vem da largura do pneu e sim do fato de ser NOVO! O cara tira um pneu velho, gasto e coloca um novo, claro que vai sentir melhora, mas não é resultado da largura!

 

7)     O capacete deve ser duro! Esta mentira é alimentada até por jornalistas inexperientes, principalmente de TV. A função primordial do capacete é reduzir a transferência das ondas de choque para o crânio de quem está usando. Se for uma peça dura, a onda de choque chega com grande intensidade lá dentro da cabeça, transformando o cérebro num mingau. Se capacete tivesse de ser duro a gente deveria usar um sino da cabeça! Na verdade o capacete deve ser flexível, deformável e bem acolchoado para que a energia do choque seja dissipada o máximo possível antes de chegar no cérebro. Por isso usam-se o estireno (isopor) e camadas internas de espuma. A calota precisa ter flexibilidade, não muita para não pular que nem uma bola de basquete, mas o suficiente para espalhar a energia pela superfície. Pelo mesmo motivo, o capacete deve ser o mais justo possível, porque se ficar folgado o capacete bate no chão e a cabeça bate contra a parte interna do capacete. Sei que é chato, mas é melhor bem justo até não se deslocar com o vento.

 

Existem ainda muitos outros pecados, mas estes sete são os capitais, aqueles que mandam o motociclista diretamente para o inferno, sem escala no purgatório!

publicado por motite às 19:18
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34 comentários:
De André Coelho a 25 de Setembro de 2010 às 21:43
Para quem estava com saudades do Tite, tá ele aí, vivo e pomposo!

hehehe
De Afonso a 25 de Setembro de 2010 às 21:59
Tite, acho que a unica informaçao que gerou duvidas nesse post, foi sobre o freio motor, no caso, o freio motor existe, mas ele nao ajuda a parar a moto numa frenagem, é isso?

pois querendo ou nao, quando reduzimos a marcha, a moto reduz a velocidade, ou não?

inclusive, no próprio site do motonline, na materia sobre a honda pop, eles falam sobre os freios dela que sao a tambor, mas que vc pode usar o freio motor para ajudar na frenagem.

enfim, se puder esclarecer essa duvida, agradeço, valeu

afonsogrf@hotmail.com
De Luidhi a 25 de Setembro de 2010 às 23:04
Freio motor existe sim. O princípio de um motor otto a combustão é o bombeamento de ar. O motor precisa fazer força para comprimir a mistura. Essa força utilizada para comprimir o combustível é a força cinética disponível no ciclo anterior. Por isso o motor possui um volante do motor pesado, para acumular força cinética.

É só tirar a vela e repetir o teste. Sem a vela não há força para comprimir a mistura, assim o motor perde a potência negativa.

Aliás, por isso mesmo motores turbo tendem a ser mais econômicos do que aspirados da mesma potência, pois essa força de "puxar" a mistura já é realizada pelo compressor, resultando em menor perda de força cinética.

Tanto que motores em dinamômetro (portanto sem o câmbio) são medidos a potência positiva e negativa. A potência negativa seria a força externa necessária para fazer que um motor ligado aumente a rotação. Esse valor inclusive é utilizado para fazer cálculo de câmbio de caminhões.

Em trilhas com veículos 4x4 inclusive para se descer barrancos escorregadios é recomendado não freiar, deixar na reduzida e ligar o ar-condicionado.

Usar o freio motor diminui a sobrecarga e a possibilidade de fadiga no sistema de freios.

[]'s
De wagner reatto a 25 de Setembro de 2010 às 22:18
mui bom, @tite
De Renato a 26 de Setembro de 2010 às 03:11
Muito bom o artigo, mas só ficou devendo na parte do freio motor.

Ele ecxiste sim! Até é bastante potente (experimente parar de acelerar para ver a redução da velocidade). Ele existe pois há uma diferença de velocidade entre a roda e o motor. Se você frear sem reduzir terá um maior espaço percorrido para a parada total.
De motite a 26 de Setembro de 2010 às 20:47
Renato
Alguma vez vc fez teste de frenagem? Vc já foi para uma pista, munido de medidor de velocidade, trena, células e fez um teste de frenagem?

Certamente não, porque é IMPOSSÍVEL reduzir espaço de frenagem enquanto reduz marcha ao mesmo tempo. A cada redução de marcha é preciso soltar a embreagem e motos não tem câmbio seletivo, é preciso reduzir cada marcha, uma por vez. Se reduzir enquanto freia a roda traseira vai travar e para fazer um veículo parar no menor espaço é vital manter as rodas girando.

Por favor, mais uma vez entenda a diferença entre frenagem programada e frenagem de emergência. Uma explicação mais detalhada será publicada em breve.
De Renato a 26 de Setembro de 2010 às 23:03
Tite, gostaria muito de fazer um teste destes, mas eu ganho a vida ensinando ;-) Vou aguardar a sua explicação detalhada e espero que venha com números por que não devemos ficar nos achismos.

Mas não me leve a mau, apenas coloquei as minhas impressões, achismos, claro. Mas vamos aos números!

De motite a 27 de Setembro de 2010 às 14:39
Renato
Eu passei 25 anos da minha vida fazendo testes de frenagem. Nenhuma frenagem foi feita usando a redução de marcha porque é seria totalmente contra os princípios mais elementares das técnicas de pilotagem. Posso dar milhares de números de frenagem, mas nenhum deles foi com uso de redução do câmbio porque isto é ERRADO, sem achismo, sem teorização, apenas na mais elementar das comprovações científicas que é a experimentação. No momento da frenagem de emergência se vc reduzir e soltar a embreagem a rotação do motor vai subir e numa frenagem de emergência vc precisa reduzir a rotação do motor à marcha-lenta ou até a zero (alguns especialistas aconselham a não acionar a empreagem, só o freio). Enquanto vc der rotação do motor (por meio da redução) a roda traseira ganhará velocidade e ela precisa perder velocidade.

Toda essa confusão se dá porque pilotos de corrida reduzem a marcha nas frenagens, mas esta redução não tem finalidade de frear, mas de dar giro na roda traseira durante a curva.

Em vez de te dar números, eu te convido a assistir um teste prático, dia 2 de outubro, em Piracicaba durante o curso SpeedMaster de Pilotagem.
De Renato a 28 de Setembro de 2010 às 02:24
Obrigado pelo convite, mas moro um bocado longe daí. Estou em Curitiba, mas está na minha lista de to do/em> fazer um curso de pilotagem antes de morrer.

Bem, pela discussão gerada estamos aprendendo mais coisas. Pedi pelos números por ser engenheiro, aí já viu, né? Mas vou confiar nos teus anos de experiência. Só espero não ter de provar isto!

Vamos aguardar pelo próximo artigo.
De Flávio Vaz a 26 de Setembro de 2010 às 17:56
Salve véio Tite,

Gostei deste post mais do que gosto normalmente. Linguagem legal, sem meter o pau em nada e nem em ninguém (desnecessariamente, muitas vezes concordo) e nem transparecer suas opniões e posicionamentos políticos que algumas vezes diverge dos meus. Parabéns. Um abraço Flávio Vaz
De Jorge Forny a 26 de Setembro de 2010 às 20:17
Muito legal a reportagem, realmente existem muitos mitos que as pessoas defendem como se fossem verdades incontestáveis. Parabéns, sou frequentador assíduo do blog.
De motite a 26 de Setembro de 2010 às 20:37
Atenção: freio motor não existe, assim como não existe força centrífuga nem centro de gravidade; o correto é EFEITO REDUTOR, o motor só funciona como redutor, nunca como freio. Se alguém conseguir frear um carro ou moto só no motor eu dou um picolé!

Não estou falando de EFEITO, mas sim de frenagem. Numa emergência se tentar reduzir vai aumentar o espaço pq é preciso soltar a embreagem várias vezes antes de parar,

Nomes certos às coisas: força centrífuga não existe pq não é uma força, mas sim um EFEITO centrifugador.

O centro de gravidade não está nas coisas ou seres, mas no centro da terra. Tudo que está acima da terra tem centro de massa e não de gravidade. Pelo menos foi isso que aprendi com meus amigos físicos. E já que eles me ensinaram a ver os efeitos com a denominação correta, chegou a hora de dar os devidos nomes a tudo. E reduzir não é frear.

Ah, Luidhu, carros automáticos tb tem motores de ciclo otto e o efeito redutor é desprezível. O motor não freia, o freio é que freia;

Uma explicação mais detalhada será publicada em breve. Enquanto isso, não tentem reduzir espaço de frenagem usando a redução de marcha pq pode sair caro e dolorido.
De Luidhi a 27 de Setembro de 2010 às 03:06
Sim, concordo com isso, não dá para reduzir espaço de frenagem com freio motor. Freio motor serve para diminuir a carga e a fadiga do freio, ou então para ajudar em uma frenagem controlada (punta-taco, principalmente nos karts).
Quando se usa o freio (efeito redutor, como queira) diminui a possibilidade de fadiga dos freios, pois a energia cinética que seria transformada em térmica é consumida pelo efeito redutor do motor.
Ah sim, câmbio automático tem redutor sim, tanto que existem as posições D (drive) 3, 2 1. Quando se vai descer uma serra, coloca em 3 ou 2 e verifica o efeito.
Não acreditava nesse conceito até ficar sem freio uma vez porque o disco não conseguia mais dissipar calor, ou seja, não conseguia transformar energia cinética em termica, pois já estava superaquecido (saturado de energia térmica).
Tanto existe que o ano passado a F-1 usava aquele Kers, para reaproveitamento de energia de frenagem.
Obs: O Senna ganhou uma corrida na F-Ford inglesa (ou F-2, não lembro) utilizando apenas o efeito redutor do motor, pois perdeu o freio na 2. volta.
De motite a 27 de Setembro de 2010 às 14:46
Luidhi

Só pra esclarecer, não estou me referindo a carros de corrida, porque se eu fosse citar cada especificade de todos os veículos daria um artigo teria 200.000 caracteres.

No artigo da revista americana o autor citava este auxílio do motor nas reduções, mas ele mesmo afirmava ser esta uma técnica antiga, desde os primórdios do automobilismo. Como o conhecimento é um conceito mutante, as coisas mudam e o conceito de freio-motor aos poucos vem sendo questionado porque usar o motor para "aliviar" o esforço do freio é recomendado a veículos pesados. Hoje, com novos materiais, tecnologia, ABS e redução de custos chegou-se a conclusão que é melhor gastar o freio do que o motor.

Ah, essa corrida do Senna da F-Ford ele usava as derrapagens controladas para frear, está na biografia dele. Eu mesmo tive de usar esta técnica numa prova de 24 horas de kart qdo fiquei sem freio faltando 15 minutos pro pit stop e a equipe me mandou ficar na pista sob pena de me matarem... chegamos em terceiro lugar!!!
De Mr. Norris a 27 de Setembro de 2010 às 05:11
Em resumo, "freio" motor só em frenagens controladas, descidas, etc, e nas emergências usar somente o freio propriamente dito. Certo?
De motite a 27 de Setembro de 2010 às 14:59
Certíssimo Mr Norris!
De Neto a 27 de Setembro de 2010 às 16:18
Povo viaja sobre "freio-motor" kakakakakakakakakaka

Sou mecânico Diesel e freio-motor é um sistema mecânico hidrâulico teoricamente complexo e não se resume somente a reduzir marcha na descida kakakakakakakakaka

Ao contrário carro equipado com freio motor sequer precisa reduzir marcha como diz aplamente a lenda....se o mesmo estiver ativado (maioria dos bruto tem uma tecla no painel para acionar o freio motor) basta tirar o pé do acelerador que você sente o bruto meio amarrado e diminuíndo a velocidade automaticamente.


Quanto as outras lendas principalmente do óleo de 1000 em 1000 a essa esquece pegou já era nem se Jesus Cristo voltar e tentar falar isso pro povo não adianta!
De Fabricio a 27 de Setembro de 2010 às 19:54
Aparentemente a questão do freio motor está dando o que falar.
Em frenagem de emergência, eu não uso pelo simples fato que é muita coisa pra gerenciar ....

Num carro, o cara pisa no freio, na embreagem e no máximo alivia o pé se não tiver ABS.
Na moto, o cara tem acionar DOIS freios, gerenciando o freio traseiro se o mesmo travar (isso sem ABS), acionar a embreagem e manter a moto alinhada.
Adicionar a troca de marchas na equação, faz com que o indivíduo se perca no meio do caminho, pois passa a gerenciar a troca em si e a embreagem . No final das contas, o cara vai dar de cara com o obstáculo...

Frenagem normal, aí é outra coisa como o tite comentou, aí entra o freio motor (eu acredito) por dois motivos, deixar a moto na marcha correta pra quando for arrancar e “economizar” freio, principalmente se estiver descendo uma serra. Isso é o que eu acho, quem sabe na próxima coluna eu descubra que não hehehehe ...

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