Terça-feira, 1 de Junho de 2010

Made in China

(novo calo balatinho feito na China)

 

Chega ao Brasil o Chery Cielo, proposta chinesa de carro médio bem equipado

 

Fotos: Divulgação

 

Sim, ele é feito na China, mas esqueça comparações com produtos descartáveis vendidos na rua 25 de março, porque quando o assunto é indústria automobilística a China é o país que mais cresce no mundo e chegou no patamar de 16 milhões de unidades produzidas por 150 montadoras ao ano. Dessas, a número um de capital chinês é a Chery, que já trouxe ao Brasil o SUV Tiggo e o pequeno monovolume Face e agora desembarca o Cielo, que se encaixa entre os veículos médios e pequenos, nas versões hatch e sedã, que tem como principal atrativo o preço: R$ 41.900 nas duas versões.

 

Encaixar-se entre as categorias é a melhor forma de especificar que o Cielo é maior que os carros pequenos e um pouco menor que os da categoria média. Seria um “médiozinho” ou um “pequenão”. E não tem como confundir o cliente, porque as duas carrocerias chegam com apenas uma versão de equipamento, exatamente a mais completa. Por esse valor o Cielo vem com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, alarme, sistema de som, freios ABS com distribuição equilibrada (EBD), duplo air-bag, ou seja, a relação custo x benefício é extremamente interessante.

 

O estilo é bem sóbrio, resvalando no esportivo porque o desenho foi encomendado ao estúdio italiano Pininfarina. A grade dianteira lembra os Audi, enquanto a traseira do hatch tem forte semelhança com o primeiro Renault Mégane. Pode-se dizer que é bem desenhado e discreto. As rodas de liga leve de 16 polegadas (pneus 205/55) reforçam o apelo esportivo.

 

No interior o ponto alto é o amplo espaço para cinco pessoas com cintos de segurança de três pontos também para os passageiros. O acabamento ainda merece um pouco de atenção, sobretudo nos plásticos duros, com problemas de encaixe e até ásperos a ponto de arranhar a pele em alguns pontos. O plástico do painel apresenta irregularidades como se fossem bolhas e o tecido dos bancos poderia ter um toque mais macio. Curiosamente o freio de mão é deslocado para a direita, porque é projetado para mercado japonês com volante do lado direito.

 

Em movimento

A primeira boa impressão são os bancos envolventes, com regulagem milimétrica do encosto e apoio para cabeça. Motor acionado e percebe-se a boa forração acústica. Primeira marcha engatada e a alavanca de câmbio (de cinco marchas) mostra um curso muito longo a ponto de o motorista encostar a mão no painel. Não existe opção de câmbio automático. O console poderia ser mais estreito pois a perna passa maior parte do tempo apoiada nele e um dos porta-objetos quase esbarra na alavanca de câmbio quando aberto.

 

O motor 1.6 litro, a gasolina, de 16 válvulas e 119 cv tem funcionamento equilibrado e silencioso. Porém parece fraco para puxar os mais de 1.300 kg. Um detalhe interessante é o acelerador tão macio que chega a confundir o motorista. Em termos de desempenho é bem discreto, com velocidade máxima declarada de 170 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h feita em demorados 14 segundos. Talvez um motor 1.8 ou 2.0 cairia melhor para este tamanho de carro. Também o consumo não é muito convincente, com o valor declarado de 8,7 km/litro. Existe plano de um motor flexível para o futuro.

 

Com as colunas “A” um tanto grossas e o painel alto, o pára-brisa ficou pequeno e estreito, na contra-mão da tendência mundial que é de carros com ampla visibilidade externa. No hatch a visibilidade traseira também é pequena, mas compensa pelo sensor de ré, presente nas duas versões.

 

Um item que contribuiu muito para o conforto é a bem ajustada suspensão, com sistema independente na traseira. É fácil imaginar que o tipo de terreno encontrado na China é bem parecido com o nosso e isso facilitou o acerto da suspensão para nosso mercado.

 

Para fugir da fama de “perigoso” a Chery equipou seus carros com muitos itens de segurança, que incluem repetidores de pisca nas laterais, barras de proteção nas portas, pára-choques deformáveis, faróis com luzes auxiliares de neblina e freios a disco nas quatro rodas. Todos itens de série. O Cielo, chamado de A3 na China, foi o primeiro carro chinês a receber certificação cinco estrelas na rígida norma C-NCAP de segurança.

 

E as famílias podem desfrutar de amplo espaço no porta-malas, especialmente da versão hatch. Ambas as versões têm os bancos bipartidos e a capacidade pode ampliar ainda mais, chegando a 1.000 litros!

 

Mesmo com um calo de potência no motor, o Cielo (nome escolhido por meio de concurso) oferece equipamento e segurança por um preço competitivo. Segundo a direção da empresa, já estão sendo desenvolvidos fornecedores de peças no Brasil para itens de alta rotatividade como pastilhas de freio, velas, filtros e correias. Até este momento estão abertas 33 concessionárias e há previsão de inaugurar mais 28 até o final do ano. Com a preocupação de reduzir os custos de manutenção, as revisões têm preço fechado, sendo gratuita aos 2.500 km gratuita; R$ 195,00 aos 10.000 km e R$ 275,00 aos 25.000 km. A previsão até o final do ano é de 2.000 cielos vendidos no Brasil, sendo 70% hatch e 30% sedan.

 

Para saber mais, clique aqui

 

Ficha Técnica

Motor: 1.6, 16V, quatro cilindros em linha, injeção eletrônica

Potência: 119 cv a 6.150 rpm

Torque: 14,98 kgf.m a 4.300 rpm

Taxa de compressão: 10,5:1

Tração: dianteira

Câmbio: mecânico, 5 marchas + ré

Suspensão diant. Tipo MacPhearson, com barra estabilizadora

Suspensão trás.: multi link, independente,

Freios: a disco nas quatro rodas

Peso: 1.350 kg (hatch) e 1.375 (sedã)

Tanque de gasolina: 57 litros

Comprimento: 4.280 mm (hatch) 4.352 mm (sedã)

Largura: 1.972 (h) 1.794 (s)

Altura: 1.467 (h) 1.464 (s)

Entre-eixos: 2.550 mm

Portas: 5 (h) 4 (s)

Rodas: 16 polegadas

Pneus: 205/55R16

 


 

 

 

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publicado por motite às 21:48
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15 comentários:
De Fer Copertino a 2 de Junho de 2010 às 19:01
me empolguei quando via a 1a vez e já miei com as fotos de dentro...acabamento fraquiiiinho...
De Gusta a 2 de Junho de 2010 às 20:37
O hatch parece uma saboneteira...ainda não foi dessa vez!
De Daniel a 5 de Junho de 2010 às 05:32
o sedan é ainda mais feio, e desproporcional...
De The Crow a 4 de Junho de 2010 às 18:02
...deve ser igual as motos chinesas, uma penca de opcional e um pós venda ridiculo, depois de um ou dois anos a montadora desaparece e seu carro vira mico...rsrsrsrs
tem um monte assim aqui no Brasil...err digo... Lisarb...
De Daniel a 5 de Junho de 2010 às 05:37
até lembrei daqueles sistemas de "abs mecânico" que algumas motos e até vans chinesas usam... no caso das motos geralmente é só no freio dianteiro quando é a disco e o traseiro a tambor, mas em algumas com disco nas duas rodas eu ja vi o "abs" nas duas... até que não seria má idéia se viesse com esse sistema... quanto ao pós-venda, a chery está vindo com bastante força, e com a montagem feita no uruguai conseguem preços bastante competitivos por causa do mercosul...
De Daniel a 5 de Junho de 2010 às 05:41
se fosse para baixar para menos de $39000 eu abriria mão do abs eletrônico para usar um sistema desses mecânico.........
De Diomar Rockenbach a 8 de Junho de 2010 às 14:47
Olha, a primeira impressão pelas fotos e análise feita, até parece as motos chinesas, cheias de opcionais, procurando um design bonito e tal, mas peca nos detalhes e mecânica. Um motor de 119 CV de 0 a 100 em 14 s? Meu Ka 1.0 acho que acelera mais rápido que isso com menos de 70 CV. Ok, ele pesa 1300 Kg, mas mesmo assim. E o pior, 8,7 Km/L no Lisarb? Acho que não vai emplacar. Até acredito que estão no caminho certo, mas não vai ser com esse que vão conseguir se estabelecer, pelo menos não com bom reconhecimento e aceitação. Falta qualidade nos detalhes, enchem de opcionais, o que é ótimo, mas esquecem de coisas muito importantes.
Um ponto forte são os itens de segurança. Se forem eficientes, bem feitos, acredito que vai ser pioneiro no Lisarb na categoria.
Melhorando alguns pontos pode se tornar uma boa opção, mas ainda falta muito.
De Diomar Rockenbach a 8 de Junho de 2010 às 14:55
Tite, de onde você tirou o consumo de 8,7 km/l? Pois no Best Cars diz que o consumo não foi declarado.
De motite a 9 de Junho de 2010 às 00:40
Diomar, eu tirei do Presidente da empresa. Como é um dado não-oficial o editor do Best Cars prefere omitir. Mas deve ser por aí mesmo, pelo tamanho do motor e peso do carro deve ficar na faixa de 8 km/litro.

De Diomar Rockenbach a 9 de Junho de 2010 às 13:08
É sem chances então. Com o preço da gasosa aqui no Lisarb, 8 km/l é pra rico.
De Tiago a 9 de Junho de 2010 às 18:11
Então eu so rico e não sabia?!
Meu Clio 1.6 8v 97 (argentino aarrggg) só faz 8 km/L...
De The Crow a 9 de Junho de 2010 às 21:58
...rico não, só está jogando fora um dinheiro que poderia estar sendo gasto de uma forma mais inteligente que colocando gasolina.
De Diomar Rockenbach a 11 de Junho de 2010 às 23:03
Como o Amigo falou,
rico pode não ser, mas não está gastando teu dinheiro de forma inteligente. Com um carro "popular" tu consegue fazer aproximadamente o dobro da quilometragem.
Esse tipo de carro nos dias de hoje é para alguns tipos de pessoas:
1 - Ricos.
2 - Anda muito pouco com o carro.
3 - Gasta uma fortuna com gasolina, e come pão com mortadela no almoço por que gastou tudo com gasolina. hehehehe
De Alan a 9 de Junho de 2010 às 14:32
Bonito, bem equipado, pesado, beberrão, lento. E convenhamos, não passa confiança, principalmente por ser bem equipado.

Aquela coisa, quanto mais complexo, mais coisas para darem defeito. Podemos comparar esse carro com a diferença entre ter um Mille antigo e um Tempra, nos dias de hoje. O Tempra dá show em equipamentos, mas justamente por isso o risco de ter dor de cabeça é muito maior do que ter o pé de boi (Mille) antigo. Imagine só esse carro, todo equipado, com alguns anos de uso. O risco de mico (no futuro, como primeiro dono ainda vai) é grande...
De Carlos a 14 de Junho de 2010 às 21:43
O tite ta de férias? Cadê os posts??

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