Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Quando as mãos falam

(O contra-esterço é a forma mais rápida de desviar de uma trajetória. Foto: Caio Mattos)

 

Depois de aprender como as pernas e pés atuam na pilotagem (clique aqui), chegou a hora de conhecer o papel das mãos na pilotagem. Olhe bem para seu corpo: os músculos das penas são mais fortes, longos e resistentes, porque foram feitos para fazer a parte pesada da locomoção. Já as mãos têm o papel delicado e preciso dos movimentos. Enquanto as pernas e pés executam a parte “grossa” da pilotagem, são as mãos que fazem a “sintonia fina”.

 

Uma das técnicas mais precisas e rápidas para deslocar a trajetória de uma moto é o contra-esterço. Muitos motociclistas já praticam esta técnica intuitivamente, sem perceber. A história toda começa na Física aplicada. Existe uma regra fundamental chamada ação e reação, também conhecida como “terceira Lei de Newton”. Diz o seguinte: a cada ação corresponde uma reação de igual intensidade em sentido contrário. Isso nos faz lembrar aquelas aulas da escola, que muitas vezes nos perguntamos “mas pra que estou estudando isso?”. A resposta vem agora: para pilotar motos.

 

Imagine uma moto seguindo normalmente em linha reta, se o piloto precisar desviar para a direita, ele pode usar o corpo, inclinando a moto com ajuda dos pés e joelhos, mas pode também usar as mãos e o desvio será muito mais rápido. Basta empurrar o guidão para o lado contrário da direção para onde se quer ir. É a tal ação, que vai provocar uma reação de igual intensidade em sentido contrário.

 

Continue o exercício mental e imagine que o piloto terá de empurrar o guidão com a mão direita para a esquerda. A reação será uma imediata inclinação de toda a moto para o lado direito. Teoricamente esta técnica parece uma grande complicação, mas depois de alguns exercícios, você verá que funciona e vai passar a usá-la tão naturalmente que nem vai lembrar o que é esquerda e direita.

 

Ainda sobre desvio de trajetória, no momento que o motociclista encontra um obstáculo pela frente e precisa desviar, jamais deve olhar fixamente para o obstáculo, mas sim para o lugar onde quer passar, ou seja pela rota alternativa. Lembre que seu cérebro é um ótimo computador, mas precisa ser programado. Ele funciona pelo sistema binário, pois sempre reage a uma das duas opções: sim ou não. Se você olhar atentamente para o buraco, muito provavelmente vai passar por cima dele e ainda se xingar por não ter conseguido desviar.

 

Na curva 

A técnica do contra-esterço é muito usada nas pistas, principalmente nas curvas de baixa velocidade, onde o piloto precisa contornar sem deixar cair muito o giro do motor. Nas ruas e estradas a técnica do contra-esterço produz uma reação rápida, eficiente e segura, e depois de algum treino pode-se fazer isso tão naturalmente quanto trocar de marcha.

 

Usa-se o contra-esterço nas curvas para corrigir a trajetória sem desacelerar. Como a moto precisa de aceleração nas curvas, quando o piloto percebe que está “alargando” a trajetória, pode apenas apoiar o peso do corpo na mão no lado interno da curva que a correção será imediata. Aliás, se quiser esquecer esse negócio de “contra”, basta pensar da seguinte forma: para fechar mais a curva basta forçar no peso na mesma mão do lado da curva. Em outras palavras, se quiser trazer a moto para dentro de uma curva à direita, é só apoiar seu peso na mão direita.

 

(Vc nem percebe, mas só de apoiar o peso nas mãos já faz o efeito do contra-esterço. Foto: Caio Mattos)

Quem pilota moto esportiva já faz isso sem perceber, porque os semi-guidões são feitos de forma a obrigar o motociclista a se apoiar no lado interno naturalmente. A correção, caso a moto comece a fechar demais a curva, pode ser feita de duas formas: ou aliviando o peso das mãos e a moto volta sozinha, ou forçando a pedaleira externa da curva com o pé. Exemplificando: se a curva é para direita e a moto começa a inclinar demais, o piloto pode empurrar a pedaleira esquerda.

 

Se tudo isso está parecendo complicado, não se assuste, na prática é tudo mais fácil. Experimente com a sua bicicleta primeiro depois passe para a moto!  

 

publicado por motite às 22:36
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10 comentários:
De Gusta a 17 de Dezembro de 2009 às 13:44
Não ando muito de moto, e quando o faço é quase só em estradinhas tortuosas de terra pois com uma pequena cilindrada, só assim para se divertir um pouco...mas quando me faço o deslocamento pelo asfalto eu já utilizo o contra esterço naturalmente e a condução fica um primor em termos de suavidade nas tomadas de curva, é realmente uma grande dica...só para desviar de obstáculos eu ainda não programei a contento a cuca.

ah...dá pra usar sobre a terra e o cascalho também a técnica, só tem que ser ainda um pouco mais suave, no asfalto você sente mais diferença visto que as velocidades envolvidas são maiores e na terra eu uso um pouco mais os pés sobre os pedais do que no asfalto. É o meu modo, muito aprimorado devido as grandes dicas do Tite.
De Tiago a 17 de Dezembro de 2009 às 13:44
Eu já testei essas técnicas com minha moto, inclusive na pista (kartodromo). A diferença é enorme! O esforço físico fica muito reduzido e as mudanças de direção (no caso de um "S") são muito mais rápidas.
O problema é o medo de fazer as curvas fechadas do kartodromo acelerando forte...
De Gusta a 17 de Dezembro de 2009 às 13:45
"me faço"??? o que dá escrever sem ler depois....
De Leandro a 17 de Dezembro de 2009 às 14:08
Bom texto, mas se achar interessante corrigir, o correto é que ação e reação refere-se à terceira Lei de Newton e não à primeira, mas isso é apenas um detalhe.
Parabéns pelo blog.
De motite a 17 de Dezembro de 2009 às 20:41
É mesmo??? E qual é a primeira? Vou mudar na apostila também...
De naestradademoto a 17 de Dezembro de 2009 às 15:34
Titie estão show de bola essas suas explicações, e como você disse, mesmo involuntariamente estamos executando essas ações.

Só mais uma coisa, nas fotos você está com o capacete Vemar modelo Midas, o que você achou dele???
De motite a 17 de Dezembro de 2009 às 20:42
Rapaz, achei muito confortável, silencioso e bem acabado, além de ser de fibra, que é melhor do que o plástico injetado. E a ventilação funciona bem, porque tava um calor dos infernos...
De naestradademoto a 17 de Dezembro de 2009 às 22:15
Valeu pelas informações Tite!!!!

Ps. você pensa em trazer o curso para o Espírito Santo??? se precisar de uma força é só falar!

De CAETANO a 17 de Dezembro de 2009 às 21:34
Olá Tite, eu realmente adoraria fazer o seu curso. Tenho que me programar para ir a São Paulo.

Te sobra experiencia para falar de condução de motos, mas nesse texto e no anterior tem umas confusões em relação à física.
Esse caso descrito não é um exemplo da terceira lei, está mais para causa e consequencoa.
A ação é sua mão empurrar o guidão, a reação é o guidão em purrar sua mão com identica intensidade e direção contrária. Isso é ação e reação.

Causa e consequencia é vc dar um beijo numa menina desconhecida numa festa.
Causa, vc a beijou. Consequencia, você levou um soco do namorado dela. Isso é diferente da ação e reação de Newton.
Causa, você inclinou o guidão no sentido anti horário. Consequencia, a moto se inclina fácilmente para à direita.

Abraço
De motite a 17 de Dezembro de 2009 às 23:28
Saquei, realmente, causa e efeito se aplica mais à situação. E o exemplo do tapa na cara é perfeito, posso falar com conhecimento de causa... e efeito!

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