Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Respirar a Fórmula 1

 

(Estou a serviço da F1 até o final do ano... )

 

Por favor não estranhem a falta de novos posts no Motite, mas fui chamado para colaborar com o anuário da Fórmula 1 editado pelo meu amigo - e primeiro chefe - Reginaldo Leme. Estou enfurnado na editora R.Leme quase full time para revisar/editar e escrever alguns dos textos para completar as quase 400 páginas do livro.

 

O fechamento está previso para meados de dezembro e a distribuição deve ser a partir de 20 de janeiro.

 

Em uma semana respirei F1 e matei a saudades de grandes amigos. Começou com uma corrida de kart para jornalistas organizada pela Petrobras na Granja Viana. Eu não sentava em um kart havia uns 4 anos e demorei para me acostumar com traçado, dor nas pernas, nas costas etc. Fiz o sexto tempo, larguei bem pra caramba, fechei a primeira volta em quarto e já me preparava ma almoçar o terceiro quando rodei e fui pro 21º lugar... Voltei em último e terminei em 8º com uma tremenda raiva de mim mesmo...

 

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Voltei a encontrar jornalistas que alguns de vcs conhecem pela mídia como Luiz (Ico) Ramos, Livio Oricchio, Thiago Mendonça, Claudião, Luca Bassani e pilotos que vi ainda na puberdade (deles) como o Sérgio Gimenez.

 

No dia seguinte fomos ao estádio do Morumbi acompanhar a partida de futebol realizada anualmente pelo Vanderlei Pereira da V10, uma academia especializada em prepração de pilotos e que já tive a honra de sofrer na mão dele...

 

O Felipe Massa afundou o time dele ao perder um pênalti depois do empate por 2x2 contra o time do Alexandre Barros. Eu estava ao lado quando Felipe chutou e tive a impressão de ter ouvido um "glock" quando ele bateu na bola...

 

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Fotógrafo de F1, essa foi minha primeira função séria como jornalista. Desde 1979 O Reginaldo Leme conseguia uma credencial e lá ia eu com uma prosaica Pentax ME Super, lentes de 200 mm, 100 mm, 28 mm e 50 mm conseguir fotos iguais ao dos profissionais com suas Canon e Nikon com lentes 500 e 1000 mm. Naquela época os fotógrafos entravam na pista e podiam ficar bem perto dos carros. Não sei como não morri!!!

 

(olha a bagunça que era o box da Brabham em 1981!!! Foto: Tite)

 

O que me chamava atenção na F1 era a verdadeira zona que reinava nos boxes. Entrava uma ruma de penetra que atrapalhava o trabalho de todo mundo: mecânicos, seguranças, jornalistas e pilotos. Parecia uma feira livre. E os carros? Umas caixas frágeis com motores de quase 800 cv. Cada porrada era quase certeza de que o piloto sairia bem detonado. Os pilotos nem sabiam se terminariam a temporada vivos, porque a morte era uma presença sutil nos três dias de evento.

 

(Patrick Tambay na Ferrari em Jacarepaguá. Foto: Tite)

 

Eu circulava na maior cara de pau nos boxes, conversava naturalmente com os pilotos como se fôssemos colegas, tirava foto deles e o clima era de carnaval. Piloto e mecânico andavam sem camiseta, até passavam protetor solar pra pegar uma cor no calor carioca. Eles fumavam, mexiam com as meninas, eram caras normais e até eram gordinhos e carecas.

 

(Jean Pierre Jarier, sem camisa - gordinho - curtindo o sol carioca. Foto:Tite)

 

No meu livro "O Mundo É Uma Roda" eu conto algumas passagens dessa fase de fotógrafo de F1. Os pilotos mais jovens eram os mais acessíveis. Eu conseguia entrevistar Elio de Angelis, Jan Lammers, Patrick Tambay como se fossem colegas de escola. Já os brasileiros davam canseira porque ficava um mundaréu de gente em volta.

 

Vi a estréia de Ayrton Senna na F1 pela Toleman-Hart, uma cadeira elétrica que dava medo só de ver, mas que ele fez andar e conseguiu quase vencer o GP de Mônaco!

 

(Toleman, primeiro F1 do Senna, dava até medo de ver... Foto: Tite)

 

Segui essa rotina de fotógrafo de corridas até 1990, quando optei por ser editor e deixar a fotografia para os fotógrafos com equipamentos mais modernos. Nos mais de 10 anos que acompanhei o GP Brasil de F1 via a categoria se profissionalizar, os pilotos ficarem menos divertidos e a organização mais chata. Em suma, tiraram o que a F1 tinha de mais legal: o romantismo de quem fazia aquilo por amor e não apenas pela grana.

 

(Jan Lammers sem camisa no cockpit da ATS com um guarda sol comprado no farol. Foto:Tite)

 

Dois acidentes destruíram boa parte destas fotos. O primeiro foi uma má influência de uma ex-namorada bicho grilo que insistia em desfazer de coisas antigas que traziam maus fluidos. Nessa ocasião procurei um amigo jornalista e dei várias fotos pra a coleção dele.

 

O segundo acidente foi mais sério: uma goteira em cima do arquivo de metal inutilizou vários cromos e negativos P&B da F1. Felizmente minha mãe tinha guardado algumas caixas com coisas minhas e no meio da bagunça achei algumas fotos e negativos de algumas destas corridas. São estas que vc está vendo.

 

A F1 deixou saudades e agora estou de novo envolvido com a categoria. Mas ainda prefiro o Mundial de Motovelocidade...

 

Depois eu posto as fotos da corrida de kart!

 

publicado por motite às 14:27
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5 comentários:
De André Coelho a 28 de Novembro de 2008 às 17:47
Nasci em 77, me lembro de corridas de 87 pra cima e acredito que nessa época o "profissionalismo" já reinava no circo.

Também prefiro o mundial de motovelocidade. De certa forma parece que ainda é uma coisa "real" para nós pobres mortais....
De Youssef a 28 de Novembro de 2008 às 19:36
O nome do carro do Senna não está errado? Era um Toleman-Hart
De motite a 29 de Novembro de 2008 às 20:51
Tem razão, Ralt era o chassi de F3... Era o Toleman, com motor Halt, que depois virou Beneton.
De Dirceu a 30 de Novembro de 2008 às 22:22
Grande Tio Tite, como estais??
Fico feliz e triste que tenhas saído do Motonline...feliz em saber que estais com novas oportunidades, e triste não ler mais as suas matérias hilárias no site. Motonline não é mais o mesmo sem vc (ui que meigo...ahahahaha)
Parabéns pela oportunidade em trabalhar com o Reginaldo Leme sobre a F1...e realmente, a F1 hoje em dia é algo muito "robôtico", carros que fazem tudo e pilotos que fazem menos, além de ser tudo "certinho" demais. Comecei a acompanhar a F1 na época do grande Senna, e muita coisa mudou de lá pra cá, ficou mais chato na verdade...abraço!
De Stênio a 2 de Dezembro de 2008 às 01:16
Tite, é TOLEMAN-HART, não HaLt. É como o Youssef (não yourself hehehhhe) disse.

Acompanho F1 desde o fim dos anos 70. Não cheguei a ver o Emerson no auge na F1. Vi no auge durante a Indy e deu vontade de conhecer como ele era antes de embarcar na barca que furaram da Copersucar.

Claro que de lá pra cá muita coisa mudou. Assim como mudou muita coisa de 1950 para 1970. É a evolução.

Acho que é muito saudosismo e até certo ponto errado falar que a F1 piorou. Ela só mudou. As corridas são mais chatas por não ter mais tanta ultrapassagem, mas são mais interessantes pois os pilotos, que alguns dizem que não fazem nada, têm que andar 100% do tempo como se estivessem em voltas de classificação. Antes havia muitas quebras, as diferenças entres os carros eram maiores, o refinamento tanto na tocada quanto na engenheria era menor. Hoje qq pequeno erro e o de trás passa. Os carros hoje perdoam menos os erros.

Alguns acusam os freios de carbono de serem o grande mal da F1 moderna. Mas de que valeriam freios poderosos se não houvesse pneus que pudessem transportar essa potência toda de frenagem pro asfalto? O freio não é o problema.

Até os anos 80, era rara uma corrida onde mais de 70% do grid concluísse. Hoje é raro ter mais de 2 ou 3 ficando pelo caminho por problemas mecânicos. E isso tudo contribui para melhorar a qualidade dos carros que usamos no nosso dia-a-dia.

Quem não gosta de tecnologia, que busque corridas de carros antigos ou fique com os vídeos do youtube.

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