Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Lêndeas - Alexandre Barros

 

(aos 13 anos Alexandre já pilotava uma TZ 250, nem Valentino Rossi nem Casey Stoner passaram por essa experiência. Foto: Mário Bock)

 

Na minha vida de jornalista tive várias oportunidades de conviver com ídolos. É difícil separar o jornalista do torcedor, mas procurei sempre manter um distanciamento profissional. A única exceção foi ao Ayrton Senna porque realmente torci muito por ele, mas tinha uma justificativa sensata: eu o conheci muito antes de me tornar jornalista. Com Alexandre Barros foi diferente porque só tive contato pessoal com ele depois de eu já ser um profissional da imprensa. E foi como jornalista que visitei a residência da família Barros na primavera de 1984, no Alto da Boa Vista, bairro classe média perto de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
 
Conheci o Alexandre, o César, a irmã e os pais durante um almoço que eles me ofereceram como convidado. Daquele almoço nasceu o primeiro perfil publicado na imprensa sobre o futuro piloto do mundial de Motovelocidade. Confesso que, para mim, esse artigo publicado em outubro de 1984 foi apenas mais um como outros tantos. Não teve nada de especial.
 
Até que em junho de 2007 publiquei um outro artigo com o título de “Bom, mas não ótimo”, no site GPTotal, a respeito da carreira do Alexandre Barros que gerou tanta polêmica a ponto de eu desistir de colaborar com o site dos meus amigos Panda e Edu. Tudo porque fiz UMA crítica ao PILOTO Alexandre e os fãs – e uma ridícula parcela da imprensa – entendeu como uma crítica ao ÍDOLO Alexandre.
 
Não é fácil ser jornalista. Temos de fazer muitas vezes o papel de juiz de um ídolo amparado nas análises do desempenho e isso pode ferir os apaixonados que só conseguem ver o ídolo independentemente da pessoa que interpreta o papel de ídolo.
 
Há muito tempo percebi que no mundo todo jornalistas tentam empurrar a carreira de seus ídolos nacionais. É muito instrutivo ler os jornais no dia seguinte à uma competição em diferentes países e ver como cada um publica o mesmo evento. É absolutamente normal o jornalista puxar a brasa para a sardinha do seu país e ponto final. O que irrita é perceber quando o jornalista extrapola os limites do nacionalismo e tenta nos empurrar goela abaixo ídolos que não se portam como tais. Veja o exemplo do Ronaldo Nazário. Na última Copa do Mundo, em 2006, o Galvão Bueno berrava a plenos pulmões que ele se tornaria – e de fato se tornou – o maior artilheiro da Seleção Brasileira naquela copa. Certo, mas e daí? A Seleção Brasileira caiu contra a França, a atuação do Ronaldo foi patética naquele jogo e depois só piorou com os recentes escândalos envolvendo drogas e travestis.
 
Existe uma verdade insofismável sobre a comunicação: quando uma mentira é bem contada e repetidas vezes ela se torna uma verdade. Nenhum comentarista brasileiro teve colhões de olhar para aquele Ronaldo de 2006 e perceber que já não era o mesmo de 2002. Mesmo assim empurram-nos goela abaixo o “ídolo”. A mesma torcida exagerada que Galvão exerceu sobre os ronaldos do futebol, ele também descarregou a vários pilotos brasileiros que chegaram à Fórmula 1 e se mostraram verdadeiros cheques sem fundo, como Pedro Paulo Diniz, Christian Fittipaldi, Ricardo Rosset, Antônio Pizzonia e outros
 
Sobre o texto publicado no GPTotal eu não me incomodei com as críticas dos leitores porque há muito tempo decidi escrever o que penso e acredito e não mais o que pensam e acreditam os meus editores. O que me deixou bem desconfortável foi receber de alguns colegas da imprensa a informação de que a família Barros teria ficado “p* da vida” a ponto de o irmão do Alexandre ameaçar entrar com processo para retirar a matéria do ar. ISSO realmente me deixou chocado. A primeira condição para ser um ídolo de verdade é ser capaz de ouvir e aceitar as críticas com a mesma naturalidade que recebe e ouve os elogios (mesmo que resultado de um ufanismo exagerado).
 
Não acreditei nas ameaças, mas percebi que toda vez que encontrei os irmãos Barros eles me evitaram. Lamentável, porque eles deveriam pegar aqueles volumes com os recortes das notícias veiculadas na imprensa de todo mundo e buscar bem no começo, lá no primeiro volume, quem foi o autor do primeiro perfil sobre o Alexandre. E a partir desta (re)descoberta olhar com um pouco de respeito às minhas colunas e, da mesma forma que um dia se revoltaram por ter escrito UMA crítica, poderiam reservar forças para elogiar e lembrar os inúmeros elogios que fiz ao piloto, sobretudo nos momentos geniais que mostrou em algumas corridas.
 
Curta o primeiro perfil sobre o Alexandre e não esqueça que foi escrito antes de muitos atuais profissionais da imprensa especializada sequer ter acesso a uma máquina de escrever.
 
Boa leitura!
 
(esta foto foi publicada na Duas Rodas como sendo o Alexandre, mas eu desconfio que é o César Barros, na época das corridas de ciclomotor. Foto (maravilhosa) de Mário Bock)
 
Alexandre: 13 anos e pilotando a 240 km/h*
 
Aos 8 anos ele já era bicampeão nos ciclomotores. Hoje anda lado a lado com pilotos como Lagartixa** e Castroviejo
 
Uma turminha de garotos saindo da infância. Entre derrapadas na voz e os mil sonhos de adolescente, a conversa gira em torno de velocidade, as corridas de cross e um assunto muito especial: o desempenho de um dos colegas de escola e de rua na categoria mais rápida do motociclismo brasileiro.
 
Quem se aproxima desta turminha pensa que eles estão falando de algum ídolo adulto, mas a grande surpresa é que justamente um deles é o tal piloto. Um dos menores e o mais tímido do grupo é o piloto da categoria Especial 250/350cc, com motos que desenvolvem até 240 Km/h. Aos 13 anos de idade, com pouco mais de 44 quilos, Alexandre Abrahão de Barros finalmente se identifica como o piloto que terminou em 4° lugar na segunda etapa da Taça Centauro, realizada em Interlagos, São Paulo no dia 19 de agosto. Ele correu junto com Marco Antônio Grecco, o Lagartixa, 22 anos, piloto de 500cc no Mundial, Paulo Sérgio Castroviejo, 30 anos, vários títulos paulistas e brasileiros e Lucílio Baumer, 37 anos, que só de corri­das tem mais tempo que a idade de seu concorrente juvenil.
 
(em frente à casa do Alto da Boa Vista, em 1985, Alexandre era só mais um adolescente brincando de piloto. Foto: Tite)
 
Entrando na casa de Alexandre se percebe a influência que a carreira do menino tem na vida da família. As paredes estão repletas de pôsteres de Alexandre, desde que estreou na categoria Ciclomoto­res, há 5 anos. Venceu na estréia, com 7 anos e 25 quilos, e foi bicampeão paulista da categoria. As garrafas de champanha ou guaraná (nos ciclomotores os organiza­dores não permitiam bebidas alcóolicas) estão colocadas num carrinho de chá, que serve de base para troféus. Na crista­leira mais troféus e fotos.
 
São dois irmãos com experiências de corridas (César, 11 anos, foi campeão de ciclomotor em 1980), e explicam o risco de uma queda durante a corrida:
 
- E tudo muito rápido - explica Alexandre, que em cinco anos só caiu três vezes - a gente se aproxima da freada pega uma mancha de óleo ou água e a moto sai de baixo. Mas não é perigoso.
 
Realmente é difícil imaginar um garoto de 13 anos freando uma moto a mais de 200 por hora. Nesta idade a maioria dos adolescentes está aprendendo como se faz para entrar mais forte em uma curva na pista de autorama. E Alexandre vai expli­cando a sua curta e meteórica carreira, como quem brinca de autorama faz para explicar suas façanhas.
 
- A hora da largada é quando dá mais nervoso - conta Alexandre - as pernas ficam tão moles que não consigo empurrar a moto. Todo mundo já largou e eu fico fazendo a maior força ...
 
Este problema para largar acabou sen­do vantajoso para Alexandre, quando ele foi para a categoria 125cc Especial, em 1982. Depois de uma má largada a recupe­ração era fantástica, arrancando elogios de veteranos pilotos, como Walter Tucano Barchi, Lagartixa ou Castroviejo. Numa destas recuperações, Alexandre conse­guiu a única vitória na 125cc em uma prova em 1983 no Rio de Janeiro. No final da corrida todos queriam ver quem era o menino de 12 anos que tinha andado tão forte. “Quando cheguei nos boxes tinha cinco jornalistas com microfones na mão para me entrevistar. Do lado de fora todo mundo aplaudia, nunca vi tanta gente nu­ma corrida de moto”.
 
Por acaso
Alexandre Barros começou a correr de moto por acaso. Seu pai, Antônio Coelho de Barros, ex-corredor de bicicletas, esta­va fazendo uma prova de ciclismo entre São Paulo e Rio de Janeiro. Quando parou em Ubatuba, SP, para repousar, um dos integrantes da equipe Caloi perguntou se ele conhecia algum garoto leve para correr de ciclomotor. Cansado da etapa difícil e querendo livrar-se das pessoas, Coelho disse que “emprestava” o filho dele. “Mas eu disse aquilo só para ver se eles me deixavam em paz - recorda Coe­lho -, eu queria descansar para a etapa do dia seguinte”.
 
Em outra ocasião, quando Coelho es­tava treinando de bicicleta em Interlagos, o mesmo técnico da Caloi perguntou pelo seu filho. O ciclomotor já estava na pista e Coelho tinha esquecido o filho em casa. Foram buscar Alexandre, que se lembra como foi o primeiro teste aos 7 anos: “eu fui com o ciclomotor na frente e meu pai atrás de bicicleta. A gente tinha combina­do de fazer só o anel externo, mas me perdi e entrei no miolo da pista. De repente vi que estava completamente perdido, não sabia como voltar para o boxe. Olhava em volta e não via meu pai, fiquei com muito medo”.
 
Depois de rodar a pista de Interlagos pela contramão, finalmente o pequeno es­treante chegou aos boxes e fez a primeira exigência técnica, colocar um banco na Mobylette, pois pilotava sentado no qua­dro. “Quando acertei o traçado do Anel Externo, comecei a andar mais e gostar cada vez mais. A única coisa que incomo­dava era a falta do selim”.
 
Em 1978 e 79 Alexandre foi Campeão Paulista de ciclomotores, para estrear em 1980 na categoria 50cc, correndo com uma Minarelli que seu pai foi buscar lá na Itália. Surgiram os primeiros protestos e proble­mas por causa do peso do piloto. Para os adversários, Alexandre levava vantagem por ser mais leve, mas na verdade os preparadores tinham dificuldade em acer­tar a suspensão traseira (problema que têm até hoje) que ficava pulando nas freadas por falta de peso do piloto. Para acabar com a polêmica, Coelho colocou mais peso na moto, utilizando uma cinta de chumbo e o resultado foi uma moto mais fácil de pilotar e o recorde da pista para a categoria 50cc foi batido por Ale­xandre em 1980. Os adversários nunca mais reclamaram do peso...
 
Futuro
Na largada para a primeira etapa da Taça Centauro, estavam alinhados na pri­meira fila os pilotos mais experientes em atividade no País. Entre eles, o pequeno Alexandre. Qual a sensação de largar ao lado de pilotos muito mais experientes?
 
- É normal - responde Alexandre - ­fora da pista nós somos muito amigos e eles me tratam como adulto. Dentro da pista é cada um por si. Não existe maldade, mas também não facílitam.
 
Na segunda etapa da Taça Centauro, Castroviejo largou mal e encostou em Ale­xandre para ultrapassá-lo. Os dois anda­ram colados lado a lado em Interlagos, da curva da Ferradura até a do Sol. No final, Castroviejo elogiou a atuação do menino e recomendou mais treinos. Nesta prova apenas nove motos largaram e Alexandre terminou em 4° lugar com sua Yamaha TZ 250J, na frente de vários bons pilotos.
 
Ao atingir a categoria máxima dentro do motociclismo brasileiro de velocidade, a preocupação da família está voltada para as possibilidades de uma participação em campeonatos regionais no Exterior. “Dis­putar algumas provas da categoria 80cc­ - esclarece Coelho - em campeonatos ita­lianos, franceses ou ingleses, apesar do problema da idade. A FIM (Federação In­ternacional de Motociclismo) não permite a participação de menores de 16 anos. O negócio é esperar”.
 
Para o pequeno Alexandre, sair da categoria 250cc no Brasil para disputar a 80cc no Exterior não representa uma re­gressão. “Terminar entre os primeiros lá fora significa ser um dos melhores do mundo, porque a briga pela ponta é brava. São 40 pilotos em cada bateria”.
 
Caso o sonho se concretize, Alexandre Barros descerá na Europa com 16 anos e uma bagagem cheia de experiência e títulos, acumulados em 8 anos de competições, ou seja, metade da sua vida pilotando uma moto de corrida.
 
* Publicado originalmente em outubro de 1984
** O piloto Marco Antonio Grecco assinava com o apelido de "Largatixa" (sic), assim mesmo, escrito errado, mas eu me recuso a repetir tamanha tacanhice.

 

publicado por motite às 17:20
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8 comentários:
De Caio Michel a 11 de Novembro de 2008 às 15:35
OI Tite,

Você provavelmente não me conhece, mas eu atualizo o site do GPtotal, e pude ver a "confusão" que deu a sua coluna de perto, realmente as pessoas idolatram tanto algumas pessoas que não conseguem mais ver seus erros e/ou defeitos, isso também tem outro nome, "puxa-saquismo", que para uns é mais lucrativo, para outros nem tanto. Enfim acho que as pessoas devem levar em conta as críticas e erros e saber avaliar quando estão de fato erradas.

Agora mudando de assunto, gostei bastante do seu blog, e olha que eu nem gosto de blogs ..rsrssr
Digo não acompanho nenhum a não ser este. E até aprendi a fazer o contra esterço aqui..kk, acompanhei vc também no motonline, e espero que continue escrevendo para o Gptotal.

Bom é isso Tite,
Abraço e um dia espero poder fazer um curso de pilotagem com vc e com o Leandro Mello.
(quando tiver uma moto que preste claro ..kkkkkk)
De motite a 11 de Novembro de 2008 às 22:26
Pow, Caião, está convidado, é só descolar a moto!
De Caio Michel a 12 de Novembro de 2008 às 00:29
Pois é Tite, to com uma GS 500 ainda, até mandei umas perguntas pra vc na época do motonline, mais ta foda só dor de cabeça, também fui muito na doideira pegar essa moto, pulei da Crypton pra ela ...kkk e num ta lá aquelas coisas ainda... mais eu vou arrumar ela, apesar que vou ver se consigo pegar pelo menos uma Bandit 600 ou uma GSX-750F mesmo a Mônica ...kkkk aliás se fosse vc compraria qual Tite ?

Aí depois que eu pegar uma moto maior sim aí eu vou querer fazer um curso, sem falar em todo o equipamento de proteção tbm q vai uma graninha ;D
mais é isso aí ... Abraço até +
De Anastácio a 11 de Novembro de 2008 às 21:37
Adoro esta seção "lendeas do motociclismo" é uma forma bacana, bem humorada de se fazer um resgate do motociclismo, enfim da História do Brasil. Vendo as motos as roupas, os objetos lembro de bons momentos da vida. Espero que este blog tenha vida longa.
De motite a 11 de Novembro de 2008 às 22:25
Eu também espero...
De Bergson a 13 de Dezembro de 2008 às 17:34
eu gostaria de ver essa Crítica ao Alexandre Barros, pra te falar a verdade nunca achei ele essa "grande maravilha" que idolatram ...
De motite a 13 de Dezembro de 2008 às 18:49
Bergosn
Basta entrar no site GP Total e procurar pelos meus textos.
De Francis a 2 de Julho de 2010 às 15:35
Caro Tite

O "defeito" da sua crónica foi ter escrito factos errados, nomeadamente ter dito que o Barros pilotava pela Ten Kate Honda, quando corria pela Klaffi Honda, uma equipa com muitos menos recursos e material menos competitivo.

Tendo em conta que sustentava a sua premissa do "bom mas não optimo" numa coisa que não era verdade, falhou um bocado.

Cumprimentos

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