Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Vida corrida – A experiência e o conhecimento

 

(Freddie Spencer, meu professor nos EUA. Foto: Dennis Morrison)

 
Um dos maiores erros que qualquer piloto pode cometer é achar que já sabe tudo. Aliás, isso serve para qualquer um, por isso Platão dizia, no século IV a.C: “Só sei que nada sei”. Estamos em constante aprendizado e quem acredita na auto-didática deveria descer do pedestal dos gênios.
 
Quando fui convidado a participar do curso Freddie Spencer, nos EUA, em 1997, já era um piloto com 20 anos de experiência. Já tinha feito três cursos de pilotagem: em 1976 de kart com Walter Travaglini; nos anos 80 de carro, com o Expedito Marazzi e também nos anos 80, de moto com o José Xavier Soares Neto, mais conhecido por Birigüi!
 
Assim que começaram as primeiras aulas do Freddie Spencer descobri que eu ainda tinha muito a aprender. Até fazer aquele curso eu usava apenas o contra-esterço como técnica para inclinar a moto nas curvas. Além disso eu freava forçando o peso do corpo nos semi-guidões e ainda ignorava a importância do freio traseiro.
 
Assim que cheguei ao Brasil contei tudo isso ao meu amigo Kleber Tinoco que levantou a bola: “Por que você não ensina isso tudo para as outras pessoas?” Dessa prosaica pergunta nasceu o Curso SpeedMaster de pilotagem. Mas não parei por aí!
 
(Momento histórico: primeira aula do curso SpeedMaster, em Natal - RN - em 1998 graças do Klebinho, o de celular na mão)
 
Quando comecei a criar as primeiras apostilas pesquisei muito na Internet e conheci outras escolas de pilotagem no mundo. O francês Christian Sarron tem uma ótima teoria sobre o freio traseiro. Segundo ele – e eu testei – nenhuma moto trava a roda traseira a mais de 60 km/h, a menos que o piloto force demais o freio dianteiro ou queira derrapar de propósito. Já o americano Kevin Schwantz, em seu curso de pilotagem, diz que é para simplesmente NÃO usar o freio traseiro. E ainda ilustra que as duas vezes que tentou usar o freio traseiro ele caiu!
 
O professor de pilotagem de moto que reputo como o mais completo é o Keith Code, da Califórnia Racing School, que defende a pilotagem com o uso das mãos e ainda adaptou uma moto com dois guidões para usar nas aulas práticas. Ele também desenvolveu um sistema hidráulico de apoio para instalar na moto e ensinar a técnica da derrapagem controlada.
 
Muitos destes cursos no exterior são ministrados com as motos fornecidas pela escola. O que ajuda muito, porque muitos alunos simplesmente têm medo de colocar a própria moto na pista.
 
(Início do curso SpeedMaster em São Paulo, na pista da Pirelli, em 1998, com ajuda do Minhoca)
 
Escola da vida
A partir de todas estas teorias fui criando meu próprio conteúdo programático, desenvolvi exercícios e multipliquei conceitos de pilotagem que hoje, 10 anos depois de ter iniciado essa saga de professor, vejo publicados nas principais revistas especializadas. Claro que não se trata de uma cópia, mas mostra o quanto o meu trabalho foi visionário. E graças ao meu trabalho na cidade de Caruaru (PE) hoje já existe o motociclismo de velocidade naquela região, com cursos permanentes, racing-day e até corridas!
 
As técnicas de competição podem ser aprendidas nos cursos, mas nada substitui os treinos e um bom acompanhamento técnico. Nas grandes equipes existe a presença de um técnico que ajuda a desenvolver a pilotagem e trabalhar a inteligência emocional do piloto. Conheci vários destes técnicos, mas nunca tive um à minha disposição. Quer dizer, tive por apenas UMA corrida, que foi justamente a melhor da minha vida.
 
Na última etapa do campeonato Brasileiro de Motovelocidade de 1999 eu cheguei à última etapa liderando com apenas três pontos de vantagem do segundo colocado. Meus amigos, mecânicos e profissionais das pistas passaram e me ajudar porque a maioria sabia que aquela era a última chance de um quarentão ser campeão. O experiente Milton Benite fez um motor rojão. O Wilson Yasuda, da Honda, me emprestou um motor reserva (que salvou minha vida...) e o Aurélio Vasconcelos de Barros (tio do Alexandre e César Barros) me pegou pela mão e falou: “eu vou te preparar pra essa corrida!”.
 
 
 
(Aurélio - de barba - abraço o jovem Eric Granado. Foto: www.ericgranado.com.br)
 
Pouca gente conhece o trabalho do Aurélio, mas eu convivi com ele por quase 20 anos. Ele tem um imenso conhecimento sobre competições, seja de carro ou de moto. No meu tempo de kart ele era o técnico do jovem Renato Russo (o piloto, não o falecido cantor). Bom, nem precisa dizer que ele também impulsionou a carreira do Alexandre Barros e hoje está desenvolvendo um ótimo trabalho com o simpático e divertidíssimo Eric Granado, nosso pequeno grande campeão mundial de Metrakit.
 
Para esta última etapa consegui algo inédito: treinar antes da prova! Testei os dois motores para definir qual correria, fizemos algumas combinações de carburação para qualquer condição de clima, pressão etc.
 
Em uma época que não tínhamos as ferramentas de hoje para telemetria, Aurélio ficava na torre de Interlagos cronometrando minhas voltas. Mas não se limitava apenas a marcar os tempos, ele dividia a pista em vários setores e marcava o tempo de cada um. O que hoje se faz com ajuda de sensores e comutador, ele fazia com um cronômetro, binóculo e caneta.
 
De posse do mapa de Interlagos, Aurélio me mostrou algo surpreendente. Meu tempo de volta estava muito abaixo do tempo ideal. Explico: em 10 voltas de treino fazia sempre um trecho muito rápido e outros nem tanto. Se pegássemos minhas melhores passagens em cada trecho e montássemos uma volta com todos os melhores trechos o tempo de volta seria dois segundos mais rápido!
 
Pacientemente, Aurélio me orientou como deveria fazer para ser mais “redondo” e ainda me ensinou algumas dicas de pilotagem que eu nem imaginava. Por exemplo, a mudança na relação final de transmissão quando a moto está muito inclinada e a importância de levantar rapidamente a moto na saída de curva. Calma, um dia eu explico detalhadamente cada informação. Quando eu imaginava que já sabia tudo sobre pilotagem vi que podia aprender ainda mais!
 
Mais 10 voltas e o incrível aconteceu! Meu tempo de volta baixou tanto que a diferença entre a volta real e a perfeita tinha caído para pouco mais de dois décimos de segundo, dentro de um padrão aceitável. Apenas um dia de treino e aprendi mais do que duas temporadas inteiras só porque tive a chance de contar com um técnico. E ainda tem gente que xinga o técnico do time!
 
Na corrida... bom, na corrida é uma história para outro dia. Meu motor principal quebrou no treino de classificação e tive de largar em último! E precisava chegar em segundo!!!
 
Técnico da empresa
O ensinamento mais importante que tirei deste dia de treino foi acreditar mais nos técnicos e jamais achar que já se sabe tudo. E não confundir EXPERIÊNCIA com CONHECIMENTO. No mundo corporativo a todo momento alguém joga na tua cara: “eu sei o que estou fazendo, trabalho nisso há 20 anos!”.
 
Tempo de vôo nunca fez o comandante cinqüentão de um pequeno avião monomotor ser capacitado a pilotar um Air Bus A 320. Ele pode até reunir o conhecimento necessário para a prática do vôo, mas imagine a quantidade de informação necessária para pilotar um avião de grande porte.
 
Este conceito pode ser exportado para a vida corporativa. Principalmente para os chefes! Sempre que um chefe usa seu tempo de vôo para justificar uma decisão polêmica pode acabar em tragédia. O papel de um bom executivo é estudar sempre, buscar o conhecimento em cursos, pesquisas e ter um bom técnico (que pode ser mais jovens) a quem consultar ou questionar.
 
No mundo editorial, que tive mais contato, vi revistas ancestrais serem engolidas por títulos mais jovens porque os chefes acreditavam apenas na experiência como argumento na administração. E não aceita que alguém mais jovem ofereça uma outra opção baseada em estudos e pesquisas.
 
Terminais burros
Vivi de perto uma experiência de como o tempo de vôo pode atrapalhar mais do que ajudar. Nos anos 80 fui trabalhar na Philips do Brasil, na área de assessoria de imprensa. Era o começo da comunicação via internet e intranet. O centro de processamento de dados da Philips era um prédio gigantesco que abrigava aqueles mainframes enormes, de rolo, que parecia filme de ficção científica. Foi investida uma fortuna na construção desse CPD e começava a parte difícil: ensinar e convencer os funcionários a usá-lo para facilitar o trabalho, acelerar a comunicação e reduzir a quantidade de papéis.
 
(Isso era um mainframe dos anos 70)
 
Tínhamos aquilo que se definia como “terminais burros”, que pra mim não passavam de máquinas de escrever eletrônicas. Era um troço grande, desengonçado e cheio de regras. O sistema operacional era algo chamado Norton, Lótus, ou qualquer coisa parecida.
 
Naquela época a comunicação entre executivos era feita por meio de Circulares Internas, nos envelopes de vai-vem. Para os mais jovens, esse envelope era geralmente pardo, de papel kraft, cheio de pautas para escrever o nome do destinatário e um barbantinho para não colar nem grampear e ser aproveitado várias vezes. Aliás, para meu ódio visceral SEMPRE tinha um corno que enchia aquele envelope de grampo! 
 
(e isso é um envelope vai-vem)
 
Tudo isso foi substituído por um monitor de fósforo, verde, parecido com uma cabeça de ET. Bastava escrever, apertar “send” e o cara lá na outra unidade a quilômetros de distância recebia a informação em segundos! Maravilha da tecnologia. O cursor ficava piscando na tela e fazia “póing” quando tinha mensagem. Eu adorava aquela tecnologia!
 
Aí veio a grande surpresa: os executivos mais velhos usavam esse terminal, mas enviavam também o maldito envelope vai-vem por “segurança”. Em suma, em vez de diminuir o volume de papel, essa tecnologia teve o resultado inverso e aumentou o número de folhas voando pela empresa. O sujeito recebia uma informação via terminal, mandava imprimir, colocava numa pasta e arquivava naqueles móveis de aço. Logo em seguida chegava a mesma informação dentro de um envelope vai-vem e o cara enfiava a mesma informação no arquivo!!!
 
A solução? Um programa de demissão voluntária voltado para estes executivos que já estavam batendo na porta da aposentadoria e contratação de uma equipe mais jovem. Foi nessa hora que cheguei! A experiência deu lugar a uma mentalidade mais moderna, rápida e eficiente.
 
Tanto na Vida Corrida quanto no mundo corporativo nunca se deve subjugar os menos experientes, porque se eles não têm horas de vôo pode conhecer a tecnologia capaz de pousar um A 320 em plena selva!
publicado por motite às 18:03
link do post | comentar | favorito
9 comentários:
De André Coelho a 28 de Outubro de 2008 às 00:26
Tite,

Tive a oportunidade de ter vários "técnicos" na minha vida profissional e não posso reclamar, só tive boas experiências e lições que hoje me ajudam a ser uma pessoa e profissional melhor.

De certa forma você é um técnico virtual pois desde os tempos do motonlline estou absorvendo os conhecimentos passados por você e garanto, funcionam!!

Um grande abraço e sucesso.

André
De Gustavo a 28 de Outubro de 2008 às 10:54
É bem assim, por mais "vivido" que o sujeito seja, sempre tem algo a aprender. Seja com os mais jovens, ou em situações - e sempre existem - que nunca pensaríamos em passar. O grande Bob Sharp mesmo diz que ainda aprende todos os dias algo ao volante, no que ele chama de "aprendizado contínuo", a eterna aprimoração da arte unida a técnica que fazem parte dos meandros do ato de dirigir ou pilotar. E olha que esse entende pois deve ter testado e pilotado carros em numerais na casa dos milhares. Por isso, quando duas referências em sua áreas Tite e Bob ), continuam a martelar na cabeças dos "entendidos" de meia tigela como eu e mais milhares, que existe uma miríade de aspectos que estão velados naquilo que achamos que conhecemos bem, é bom sempre estar atento e manter postura humilde de quem almeja o conhecimento mas nem por isso acha que um dia o encontrará, essa sabedoria está no poder de influenciar de forma benigna outras pessoas que reconhecem ali, nessa divisão de experiências, um caminho para melhorar no que deseja, ou levar como filosofia pró-ativa de vida. Não podemos nos olhar no espelho e dizer: "sim, sou um sábio, atingi meus limites", esse tipo de sentença só será proferida por pessoas que por ventura tiraram algo de bom do que "fez" com essa sabedoria. E mesmo assim, como diria Einstein: tudo é relativo, existem ordens de grandeza em relação a sabedoria e conhecimento que nunca podemos alcançar, ou que nem imaginámos ou que estão tão perto, imbuídas em pessoas em tese tão simples, que não temos a humildade ou honestidade de reconhecer. Em suma, o aperfeiçoamento espiritual - sem entrar no campo das religiões ou crenças - nunca poderá ser feito de forma auto didacta , temos que aproveitar os milhares de anos da dita civilização (na área específica ou em linhas gerais) para tentar aprender porque tantos erros e acertos, o que faz a humanidade caminhar entre tantos passos tortos até o seu destino que por certo, sempre será ignorado . Viva a experiência e conhecimento então!
De motite a 28 de Outubro de 2008 às 12:44
É uma grande honra ser colocado ao lado do Bob Sharp que considero o melhor de todos jornalistas e foi um grande piloto!

De Gustavo a 28 de Outubro de 2008 às 16:17
É verdade, o Bob também parece um grande sujeito. Tenho a audácia de volta e meia trocar umas idéias com ele acerca das colunas escritas no bestcars (gosto de colaborar escrevendo o teste do leitor - motos e carros), e ele é sempre um primor de boa educação e cordialidade. Está em ótima companhia Tite. Até mais!
De Andre Vanzolin a 28 de Outubro de 2008 às 10:56
Tite, muito bom o texto. Eu queria te fazer uma pergunta, vc estava falando em tecnicas de pilotagem que sempre tem mais para aprender, pois bem, ontem eu estava na minha titan 150 a 130 km/h em uma estrada quando eu passo por um trecho do asfalto que faz minha moto entrar em shimmy que a roda de traz fica quase fora do chão balançando para todos os lados, quando eu simplesmente faço um contra-esterço e depois volto a moto para seu trajeto original, ai é que ta, quando eu fiz isso o shimmy parou instantaneamente e eu consegui voltar o controle da moto, isso acontece mesmo ou foi um golpe de sorte? Porque minha moto tava quase indo para o chão quando eu consegui voltar o controle. Será que inventei uma tecnica de pilotagem? hehehe
De motite a 28 de Outubro de 2008 às 12:47
André, não entendi direito sua explicação, mas se a moto está balançando de traseira na reta pode ser:

pneu - gasto, descalibrado ou deformado
Suspensão - amortecedor vencido ou com a regulagem no macio
Roda - desalinhada ou desbalanceada

Se vc usou o contra-esterço e funcionou pode se considerar um cara de sorte! É mais provável que a moto tenha recuperado o controle por conta própria que acontece com muita frequencia. Ela entra em shimmy e volta sozinha pela ação da velocidade que alinha a frente e a traseira. Mas é melhor parar de correr a 130 com uma pequena CG antes que seu anjo da guarda peça demissão!
De Marco Aurélio a 29 de Outubro de 2008 às 02:04
Ô Tite, não era o mestre de Platão que dizia que "sabia que nada sabia"??
De motite a 29 de Outubro de 2008 às 18:19
Sei lá, Socrates, Raí, Platão, é tudo da mesma família...
De Jorge Flávio a 21 de Novembro de 2008 às 00:42
Grande Tite! Acompanho seu trabalho há pouco tempo, mas já virei um grande admirador. Fiquei muito feliz em saber que começou o SpeedMaster na minha cidade Natal.

Aproveito pra te perguntar: ainda existem os racing days em Caruaru? E mande aí pro meu e-mail a conta e o valor do livro. É o mínimo que eu te devo por tanto conhecimento recebido de graça.

Abração!!

Comentar post

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 13 seguidores

.Procura aqui

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Prazer em encolher: Ducat...

. Linha 2018 Honda chega co...

. Vide Versinha

. Comprei um capacete!

. Indian Motorcycle comemor...

. É uma BMW! Teste da BMW G...

. Parque de diversões, um d...

. Salão da esperança

. Os dias eram assados. Com...

. 10 dicas (mais uma) para ...

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds