Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Faxina no carburador

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É mais simples do que se pensa, mas hay que tener paciência!

Por conta de uma bem vinda doação para a Abtrans, recebi motos da Honda e Yamaha. Elas vieram em ótima hora porque ajudou muito a impulsionar a Abtrans e agora temos condição de ensinar um futuro motociclista que ainda nem sequer comprou sua moto. Como elas ficaram paradas por muito tempo, a gasolina depositada no tanque e no carburador causou um baita estrago.

A culpa nem é da gasolina, mas da mistura que se joga dentro dela, principalmente o álcool, que contém água. Depois de um tempo essa "coisa" cheia de produtos químicos esquisitos evapora da cuba do carburador, deixando uma meleca irreconhecível que lembra açúcar mascavo. Aí, depois de um tempo, o incauto abre a torneira de gasolina, dá a partida e... nada! Essa sujeira vai para os giclês e entope tudo. Nesse caso só tem uma saída: desmontar e limpar tudo, inclusive o tanque de gasolina.

Foi o que fiz com as Yamaha YBR Factor 125 e a Honda CG 125 Fan, modelos que ainda usam carburador e que sofrem mais com esses depósitos de resíduos.

Antes de mais nada é preciso preparar o cenário. Separar as ferramentas, organizar o espaço e depois fazer um diagnóstico detalhado dos problemas apresentados. Veja neste texto anterior como organizar a oficina caseira. No caso da Yamaha o tanque estava com sinais claros de sujeira, por isso foi preciso incluí-lo no processo. Mas ATENÇÃO: se você não tem intimidade com mecânica e nem as ferramentas necessárias nem chegue perto! Chame um mecânico e seja feliz! 

1 - O primeiro passo é esvaziar totalmente o tanque. Com ajuda de um galão, retire a mangueira da torneira e drene toda a gasolina. Guarde essa gasolina em local seguro, em galão apropriado, longe do sol e de crianças. Ah e use óculos e luvas de proteção para mexer com gasolina. E coloque uma bandeja de plástico debaixo do motor. Forre o chão porque vai cair gasolina! Essa gasolina você leva para algum posto de gasolina e pede para entregar aos coletores de óleo que sabem o que fazer com isso. Mas NUNCA jogue na rede de esgoto porque além de poluir pode causar uma baita explosão.

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Use um galão para receber a gasolina usada. 

2 - Retire as laterais, o banco e o tanque. No caso da Yamaha YBR os tanques tem pequenas saias de plástico que precisam ser removidas, assim como uma travessa de plástico que dá sustentação a essas pequenas saias.

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Solte o parafuso que prende o tanque, mas cuidado porque tem uma arruela de borracha! 

3 - Desconecte o plug do sensor eletrônico (Yamaha) e todas as mangueiras que chegam e saem do carburador. Solte o parafuso de drenagem da cuba para esvaziar toda a gasolina de dentro.

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Lembre de plugar esse chicote na hora de montar! 

4 - Solte o cabo do acelerador (Yamaha) ou desrosqueie o pistonete (Honda).

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 5 - Solte as abraçadeiras que prendem o carburador até sentir que ele gira facilmente. 

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6 - Com muito jeito e paciência retire o carburador primeiro pelo coletor de borracha do filtro de ar, que é mais mole; depois pelo coletor de admissão. A montagem será inversa.

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7 - Cuidado porque sempre fica um resto de gasolina, chacoalhe a peça em cima da bandeja até sair toda a gasolina.

8 - Com o carburador na bancada, solte os parafusos da cuba. Como as fabricas adoram usar parafuso philips e com um torque monstruoso, use uma chave de impacto ou corre o risco de espanar tudo.

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 Use chave de impacto para soltar a cuba.

 9 - Retire a cuba e não se assuste com a meleca que vai ver! 

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Ecah, que nojo! 

10 - Para retirar a bóia cada marca tem um sistema. Na Yamaha é com um parafuso (maldito philips) e na Honda é apenas um pino que precisa ser removido com ajuda de uma punção, que nada mais é do que um prego sem cabeça. Ao retirar o eixo que prende a bóia, a agulha irá pular que nem uma perereca! CUIDADO, olhe bem como ela é fixada à bóia porque cada marca usa um sistema diferente e a recolocação pode exigir paciência de um chinês presidiário. retiraboia.jpg

11 - Retire os giclês de alta e de baixa, com cuidado para não pularem e desaparecerem naqueles buracos negros de toda garagem. Na Yamaha o giclê de alta é dividido em duas peças.

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12 - A esta altura já viu que está tudo sujo. Com ajuda de produtos específicos em spray, lambuze tudo com e deixe uns 15 minutos para descolar a meleca. Enquanto espera, limpe os giclês com ajuda de uma agulha, spray e se tiver, ar comprimido. Uma dica: não assopre porque vai engolir gasolina! 

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13 - Pegue um cotonete e limpe a sede da agulha da bóia. Melhor mesmo é polir com cera mesmo, tipo limpa-prata. Quanto mais espelhada essa sede, melhor! 

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 14 - Use outro cotonete para limpar todos os buraquinhos que achar no carburador: as sedes dos giclês, o tubo de entrada da gasolina etc. No caso da Honda tem ainda o parafuso do ar, esse você não mexe, mas se mexer, antes precisa contar quantas voltas está a regulagem original. Deve estar entre 2 e duas e meia. Se não sabe fazer isso não mexa e pronto!

15 - Deixe o carburador lá todo aberto e vá ver o tanque de gasolina. Para drenar toda a gasolina só tem um jeito: retirando a torneira! Ela é fixada por dois parafusos philips (droga!) e o torque é maior ainda. Sim, vai precisar a chave de impacto. 

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16 - Depois de retirar a torneira verifique as condições da peneira. Se estiver rachada ou furada, terá de trocar a peça toda porque não tem reparo. Mas relaxa porque é barato! Coloque o tanque em cima de um balde até sair toda a gasolina. Pode sair alguma sujeira, que é bom sinal! (Obs. Aproveite para testar se a torneira está vedando quando fechada. Se continuar pingando gasolina depois de fechada é sinal que as borrachas de vedação estão trincadas ou "mastigadas". Essa sim são fáceis de trocar, mas exige paciência e cuidado porque lá dentro tem uma mola que precisa ser recolocada!) 

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17 - Cubra o buraco da torneira de gasolina com uma fita e coloque um pouco de querosene no tanque. Não use thinner porque pode atacar a pintura e o verniz. Com a tampa de gasolina fechada chacoalhe o tanque que nem uma coqueteleira. Retire a fita e drene o querosene até ter certeza que saiu tudo. Não drene pela tampa porque retém muito líquido. O melhor lugar é pelo buraco da torneira de gasolina.

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 Silver tape de oncinha não é pra qualquer um... 

18 - Recolha o querosene em um balde e filtre para repetir a operação. Para filtrar é muito fácil. Pegue uma garrafa pet de 1,5 ou 2,0 litros, corte no meio e terá um funil. Retire o anel de lacre da tampa, coloque um pedaço de pano tipo Perfex e prenda com o lacre. Pronto! Filtre o querosene para repetir a lavagem interna do tanque. Use como recipiente galões de 5 ou 10 litros.

 

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 19 - Recoloque a torneira de combustível. Coloque o tanque de gasolina de volta na moto, lembrando de colocar todos os coxins de borracha que reduzem a vibração. Nas motos com indicador de nível de gasolina é preciso lembrar de conectar os fios da bóia antes de colocar o tanque na moto.

 20 - De volta ao carburador. Reveja atentamente se ficou algum vestígio de sujeira e limpe até tirar tudo. Depois coloque primeiro a bóia com a agulha. Cuidado porque a agulha é muito sensível e a haste pode entortar com facilidade. Depois coloque os giclês e veja se a junta da cuba precisa ser trocada, em caso afirmativo use um pouco de cola de junta para fixar a nova. 

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Nem pense em perder a agulha da bóia! 

21 – Com a cuba de volta reaperte os parafusos, sempre com cuidado com os parafusos de cabeça philips.

22 – Na hora de colocar o carburador, encaixe primeiro no coletor de admissão, que é mais duro e depois o coletor do filtro de ar. Fixe todas as mangueiras e abra a torneira de gasolina para conferir se a bóia está retendo a gasolina. Se sair gasolina pelo respiro da cuba é sinal que a bóia ficou travada. Tente uma batida de leve com o cabo da chave de fenda na cuba. Se não parar de sair gasolina será preciso retirar e verificar se a agulha da bóia não ficou presa. Reze muito pra não ter de fazer isso tudo de novo...

23 - Instale o cabo de acelerador e lembre de regular a folga. Só depois reaperte os parafusos das abraçadeiras dos coletores.

 24 – Monte de volta o banco, laterais e observe a sequência para não esquecer nenhum detalhe.

 25 – Finalmente o grande teste: ligue a moto e observe se a aceleração é constante e não falha. Confira se a marcha lenta está dentro do padrão recomendado pelo fabricante.

 Algumas dicas valiosas:

  1. Fotografe a sequência durante a desmontagem para lembrar a ordem da montagem.
  2. Aproveite sempre para observar os itens próximos, como coletores, filtros etc.
  3. E já que a sujeira já te deu trabalho uma vez, aproveite que está tudo ali na mão para instalar um filtro de gasolina. Mas verifique a ordem do fluxo de gasolina, tem uma seta indicando. Será preciso cortar um pedaço da mangueira.
  4. E se você tentou fazer isso em casa e não deu certo nem pense em me processar, porque eu avisei lá em cima que isso não é para iniciantes!
  5. Última dica: Compre moto com injeção eletrônica.
publicado por motite às 22:22
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

Depois daquele tombo

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Ui, isso dói!

O que fazer após a queda... com você e a moto! 

Recentemente estava ministrando o curso Abtrans quando precisei manobrar a moto de um aluno. Rodei menos de 20 metros e percebi que algo estava muito esquisito. Pedi autorização para fazer o percurso da aula e vi que a moto estava toda torta. Cheguei no dono e, discretamente, perguntei se tinha sofrido alguma queda. 

- Sim, mas foi bem devagar, não quebrou nada! 

De fato, não tinha nenhuma peça quebrada, mas o guidão estava torto, assim como o pedal de freio, manete de freio e roda dianteira empenada. De fato não quebrou nada, só que entortou tudo! 

Como não foi a primeira vez que passei por isso, decidi criar este alerta: nenhuma moto passa incólume por uma queda, alguma coisa vai entortar. Pior: o dono da moto se acostuma com a assimetria e nem se dá mais conta do quanto ela, a coitada, está empenada até que alguém assume o guidão e se espanta! 

Antes de mais nada saiba que existem três tipos de motociclistas: o que já caiu, o que vai cair e o mentiroso! Cair faz parte do aprendizado e veículos de duas rodas tandem só não caem se estiverem em movimento, ou apoiados em algum lugar. Pouca gente se liga nisso, mas a palavra "moto" em latim significa "movimento", ou seja, uma moto só existe se estiver rodando, porque parada ela cai! 

Além disso no Youtube está cheio de vi filmes feitos pelos próprios motociclistas, que levaram um rola federal, daqueles de levantar chamando Jesus de Genésio e depois o cara sube na moto e volta pra casa normalmente. Não faça isso, muita calma antes de levantar, sacudir a poeira e... desmaiar! o processo de centrifugação e desaceleração causado por uma queda ou choque podem provocar estragos na parte de dentro da pessoa sem que ele perceba. Aí o cabra (ou cabrita) sai pilotando a moto e tem um desmaio sem saber porquê. 

Acidentes com veículos provocam três ondas de choque: a primeira é do veículo contra alguma coisa; a segunda é do motorista/motociclista contra alguma coisa e a terceira é dos órgãos internos contra tudo que está lá dentro do corpo! Essa terceira onda de choque pode causar ruptura de órgãos que só apresentam sintomas depois de algum tempo! 

Depois de uma queda, moto e piloto precisam ser avaliados com critério. Se um dos dois não estiverem bem, chame o guincho! Vou elencar alguns procedimentos que devem ser checados após um estabaco! 

1) Comece pelo piloto. Veja se marcou o capacete, se está sentindo tontura ou enxergando uns pontinhos pretos se mexendo que nem poeira cósmica. Esses pontinhos podem significar desde queda de pressão arterial até danos mais graves no cérebro. Qualquer interferência no campo visual depois de bater a cabeça é sinal de algo grave. A pior de todas é a concussão cerebral, causada pelo choque do cérebro contra o crânio, que pode evoluir e provocar danos sérios. Por mais que o piloto manifeste que está bem para continuar, espere o máximo antes de voltar a pilotar. 

Feridas expostas não devem ser tratadas como simples arranhões. Dependendo do material usado na roupa do motociclista, o calor gerado pelo atrito com o asfalto pode fundir esse material que penetra na pele como uma cola. Se não for rápida e adequadamente limpa pode levar até a graves infecções. 

2) Observe bem o comportamento do motociclista (e garupa). Se parecer meio bêbados, falando frases desconexas nem espere mais: chame o resgate! 

Na moto! 

3) Líquidos! Procure observar se houve vazamento de algum líquido. Uma simples trinca no bloco ou no sistema de arrefecimento pode fundir o motor se a moto voltar a rodar. 

4) Coloque a moto em pé, apóie no cavalete central ou lateral e faça um "relatório de danos". Verifique se atingiu algum componente vital (como pedal de câmbio) ou obrigatório, como espelho retrovisor, setas, farol etc. Só falta cair, se ralar todo e depois ainda levar uma multa! 

5) Com a moto ainda parada, suba e veja se o guidão está alinhado. É quase impossível uma moto cair e não entortar o guidão. Em menos de um mês minha moto foi derrubada duas vezes por motoristas manobrando. Tive de trocar dois guidões!!! Se começar a rodar com o guidão torto, depois de um tempo nem vai perceber mais porque nosso cérebro se encarrega de "corrigir", mas ele continua torto (o guidão)! 

6) Repare se bateu a roda ou o disco de freio. Um disco empenado por causar um baita acidente. Roda desalinhada também. 

7) É muito difícil o próprio motociclista perceber se o quadro ficou desalinhado. Salvo aquela moto que a gente vê toda torta, como um caminhão com o jumelo corrido, é preciso chamar um especialista. Se perceber que a moto "puxa" para algum lado - sempre o mesmo - em ruas totalmente planas, aí pode levar pro doutor alinhador. 

8) Tanque! Dependendo do tamanho do rola o tanque pode ficar amassado ou tão lixado que fura. Se sentir cheiro de gasolina e um geladinho escorrendo pelas pernas apague o cigarro e chame o guincho! 

9) Não tente desentortar! Peças de ferro ou alumínio não podem ser desentortadas a frio. Se a alavanca de câmbio ou pedal de freio ficou parecendo um "L" invertido, não tente voltar na porrada nem na força bruta porque a chance de quebrar é muito grande. Veja se estão "usáveis" e se consegue frear e trocar de marcha sem contorcionismo. Mas é só pra chegar em casa ou na oficina, não vai passar 15 dias andando com essa coisa toda torta. 

10) Use sliders, mas com critério. Hoje os temíveis e horrorosos mata-cachorros estão quase extintos (sorte dos cachorros). É mais comum usar sliders, peças cilíndricas de alumínio e plástico que protegem algumas partes vitais da moto em caso de queda. Só seja criterioso na hora de instalar porque em algumas motos a fixação exige local específico. Não adianta instalar o trem pra proteger a moto e depois quebrar o quadro em dois porque o slider fez uma alavanca e agravou a pancada! 

Como expliquei lá em cima, essas medidas são só para quedas de pequena monta. Tombos violentos, daqueles que voa pedaço de moto até no terceiro andar do prédio, ou batida de carro e moto, ou mesmo contra poste, muro, sarjeta exige que a moto - e motociclista - sejam removidos adequadamente para exames mais sérios. Eu mesmo já fui vítima de uma enorme salamice. Um amigo caiu com a moto esportiva e quebrou o clavícula. A moto nem detonou muito... aparentemente! Fui ser gentil, montei na moto só para encostá-la em um lugar seguro. Mas na hora de fazer a curva uma peça se soltou, entrou entre a coluna de direção e a carenagem e eu tomei um baita tombo! Pelo menos equilibrou: a moto ficou ralada dos dois lados!  

 

 

 

publicado por motite às 00:31
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Sábado, 6 de Junho de 2015

5 coisas sobre pneus de motos

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 Pronto: boné Michelin e camiseta Pirelli, assim não ofende ninguém!

Continua a moda da lista de coisas sobre qualquer coisa para estar coisando a coisa direito. 

Os dois temas que mais geram confusão no mundo motociclístico são: frenagem e pneus. A frenagem porque moto - assim como bicicleta - tem sistemas de freios separados para a roda dianteira e traseira e isso dá um nó na cabeça de muita gente. E pneus porque em pleno século XXI ainda tem gente que usa algarismo romano e outros que tratam moto como se fosse um carro de duas rodas! Mas não é!

Um dos grandes absurdos que se espalhou que nem catapora em jardim da infância é essa mania besta de colocar pneus mais largo na traseira só pra ficar mais "bonito". Aprenda: bunda tem que ser maior, porque o homem é da linhagem dos primatas e no nosso código genético está escrito que mulher de bunda grande é boa reprodutora. Tem o componente cafajeste também... Pneu não tem de ser bonito, bunda sim! Pneu tem de ser EFICIENTE!
Mas pneus de motos não são bundas e alguns só são eficientes na medida original, mesmo que seja fino. Pior é ver que alguns designers de fábrica tiveram de entrar nessa onda e projetaram motos com pneus traseiros mais largos só pra atender a massa de gente que deixa de comprar uma moto porque o pneu é fino!!!

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Testar pneus exige muita sensibilidade... 

Antes de começar, outra informação: são poucos os motociclistas que realmente são capazes de identificar as características de um pneu. Até mesmo profissionais do setor tem dificuldade e uma das profissões mais cabeludas é de piloto de teste de pneus, porque o cabra (ou cabrita) precisa ser tão sensível, mas tão sensível que até chora vendo comercial do Boticário.

Só pra ilustrar, uma vez, muuuuitos anos atrás, uma grande marca de pneus de moto contestou a análise de uma importante revista especializada. Para tentar mostrar que o piloto de teste era um salame, propôs um dia inteiro de teste, levando três pares de pneus para serem avaliados. Ao final de cada teste o jornalista fazia uma análise do que tinha achado. Claro que o jornalista em questão era eu.

Saí com o primeiro set de pneus e dei o depoimento, explicando que era assim, assado, cozido e frito. Depois a mesma coisa com o segundo set e finalmente com o terceiro. Os pneus não tinham identificação e foram apresentados como "protótipos". Muito bem, ao final do dia fiquei com uma enorme pulga atrás da orelha, porque dois pares eram muito, mas muito parecidos. Eles respondiam praticamente iguais em tudo. Mas cadê coragem de afirmar isso num teste. Foi aí que lembrei que em nenhum momento da preleção os técnicos afirmaram que os pneus eram diferentes, apenas disseram que eram três pares!

Na hora de preencher o relatório aquela pulga ali, sugando meu sangue, coçando até que resolvi seguir a intuição pneumática e lasquei no relatório: "os conjuntos de pneus 1 e 3 são iguais, diria que são os mesmos".

Bingo! resposta certa! Eram os mesmos pneus, só que todo mundo que passava por esse teste errava. A partir daí essa marca de pneus não nos colocou nunca mais contra a parede e até reconheceu que o produto que avaliamos tinha sim uma durabilidade menor do que o normal. 

Pois bem, aí me pego ouvindo grandes especialistas motociclísticos morungabeiros afirmando peremptoriamente que a marca de pneu X é muito melhor nas curvas do que a Y e que a Z é melhor na chuva do que a W e por aí vai...

Amigo(a) leitor(a), antes de mais nada saiba que na categoria top de pneus para motos de alta performance, TODOS são muito bons, ótimos, excelentes. Não existe pneu ruim nessa categoria. Saiba também que só tem um jeito de saber se um pneu é "melhor" em determinada condição do que outro: testando no mesmo dia, na mesma moto e com as mesmas condições.

OK, eu sei o que você está pensando: "Ahhhh esse cara é um malacabado, porque eu usava o pneu Y na minha moto e depois que troquei pelo pneu X ela ficou muuuuito melhor nas curvas"!!!
Sim, cara pálida, você tirou da sua moto um pneu USADO e colocou um NOVO, qualquer um ficaria melhor, dãããã... 

Vamos às 5 coisas! 

1) Pneus se trocam aos pares! Isso mesmo que você leu. Faça uma conta matemática simples: sua moto rodou 8.000 km e torrou o pneu traseiro. Aí, como um bom pão duro que és, olha pro pneu dianteiro e pensa "ah, dá pra rodar mais um pouquinho". Nada disso, porque os pneus são coisas que andam aos pares. Se o traseiro rodou 8.000 km o dianteiro rodou quanto? Os mesmos 8.000 km, a menos que você seja o rei do wheeling. Se mantiver o pneu dianteiro e trocar só o traseiro, depois de 4.000 km quanto terá o pneu dianteiro. Hummmm vamos lá, continha fácil: 12.000 km. Aí sua moto estará muito bem apoiada na roda motriz com um pneu meia-vida e totalmente desestabilizada na dianteira com um pneu gasto. Imagine isso na chuva! SEMPRE troque os dois ao mesmo tempo, não importa a aparência do dianteiro é seu pescoço que está em jogo, brimo!

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Já tinha reparado nisso? Os sulcos dos pneus dianteiro "casam" com os do pneu traseiro. 

2) Use sempre mesma marca modelo nas duas rodas! Outra das batatadas campeãs nas rodas de anencéfalos motorizados é "pow, mano, coloquei um pneu X na frente e um Y na traseira e a moto ficou mó da hora"... Sandice pura, com direito a entrada direto sem escala no Juqueri, ou Pinel. Seguinte, brou, pneus foram feitos para andar aos pares. No seco nem dá muita confusão, mas no molhado o pneu dianteiro deixa uma marca no asfalto que irá encaixar com o sulco do pneu traseiro. Quando isso não rola acontece o que se chama de "crise de paridade", muito comum nos casamentos, que é quando um fala uma coisa e o outro não entende nada.

3) Na chuva precisa reduzir a calibragem. Nãããooo! Todo pneu tem sulcos, também chamados de encavos. Estes sulcos são como calhas para a água da chuva. Então imagina a calha da sua casa. Digamos que ela tem 4 polegadas de diâmetro e a água da chuva passa por ela numa boa. O que aconteceria se você espremesse essa calha como se fosse um tubo de pasta de dente, reduzindo o diâmetro? Reduziria o volume de água a passar. Então, quando esvazia o pneu esses sulcos se fecham que nem as calhas e a capacidade de escoamento da água é menor, aumentando a chance de uma escorregada no molhado. Quando o engenheiro determinou a calibragem do pneu ele sabia que você não mora no deserto do Kalahari, portanto ele já previu o uso do pneu na chuva!

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Pneus de corrida só em autódromo... não insista que faz BUM! 

4) Pneu usado de corrida é bom pra usar na estrada porque gruda mais! Teu nariz que gruda mais. Aprenda de uma vez por todas: nem tudo que funciona em corrida dá certo na rua! Começando pelos pneus! Já escrevi 3.985.427 vezes, mas ainda tem gente que vai nas corridas e sai de lá feliz e contente com um par de pneus de competição usados, porque pagou baraténho!

Os pneus de corrida podem até ter a mesma aparência e nome do pneu de origem da moto, mas é completamente diferente. Eles precisam ser leves e feitos para durar UMA CORRIDA! Entre outras coisas, eles não precisam ser resistentes a buracos, por isso a banda é bem mais macia e tem menos camadas de fibras internas. Isso significa que eles se deformam mais para dar mais área de borracha nas curvas. Só que essa deformação também é no sentido radial e quando a moto atinge a velocidade máxima o pneu "aumenta" porque cresce no perímetro. Ele suporta essa condição por alguns segundos. OK, eu sei o que você está pensando: "pow, mano, mas nas pistas os caras passam de 340 km/h nas retas!". Sim, cara pálida, eles chegam a essa velocidade por menos de um segundo multiplicado por 28 voltas dá menos de meio minuto.
Aí o salamão compra o pneu usado de corrida e vai pra estrada dar 300km/h por cinco minutos seguidos! Adivinha o que acontece com esse pneu? BLOW!

Tem outros aspectos também como temperatura, níveis de compostos, etc. Em suma: pneu de corrida se usa só na pista, punto e basta!

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 As fibras sintéticas por dentro do pneu são coladas por sobreposição por isso precisa respeitar o sentido de rotação. Ih, até rimou! 

5) O pneu gastou mais de um lado, vou virar! Primeiro saiba que é normal o pneu gastar de forma irregular, principalmente o dianteiro. e não precisa mandar a moto pra alinhar, porque o motivo está no chão, ou melhor, no asfalto. As ruas tem uma pequena inclinação para permitir o escoamento da água da chuva. Como a moto se apóia em apenas dois pontos é normal o pneu gastar mais de um lado.

Mas se você for do tipo track-boy, que não pode passar mais de uma semana sem rodar num autódromo, o pneu também pode gastar mais de um lado. Porque normalmente a pista tem um sentido de rotação. Se for no sentido horário, com a primeira curva para a direita, vai gastar mais o lado direito. Se for no sentido anti-horário, com a primeira curva para a esquerda, vai gastar mais do lado esquerdo.

Nem pense em virar o sentido do pneu para "equilibrar" o desgaste! Lembre que as fibras dos pneus são coladas sobrepostas. Quando o pneu roda no sentido correto essas fibras ficam mais grudadas. Mas se inverter o sentido de rotação essas fibras podem descolar e deformar a banda de rodagem. Mesmo nas motos pequenas os pneus tem sentido de rotação. Portanto observe a seta na lateral do pneu e respeite o sentido de rotação.

 

Se eu lembrar de mais alguma coisa vou aumentando a lista!

 

publicado por motite às 00:38
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Titorial: Faça em Casa! - Parte 1

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Saiba como se preparar para fazer da mecânica um hobby relaxante - ou infernizante! 

Antes de mais nada algumas considerações sobre a manutenção de motos em casa. É que nem receita de bolo: não adianta apenas ler o que está escrito no papel, é preciso saber os truques da culinária, já ter intimidade com as ferramentas e conhecer o forno. 

Na mecânica tudo gira em torno de sua experiência prévia com o assunto. Se nunca mexeu com isso, vá primeiro fazer um curso básico porque certos paranauês só se aprende com um professor ao lado. Por exemplo: como soltar um maldito parafuso com cabeça philips sem arregaçar a fenda? Sim, eu sei que soa erótico, quase pervertido, mas existem formas de preservar as fendas dos parafusos e até de recuperar uma fenda estuprada por um maníaco da chave philips. 

Mesma coisa que culinária: é preciso saber como recuperar uma maionese que desandou ou um bolo que embatumou. Depois disso nada mais mete medo.

 

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Exemplo de como NÃO deve ser uma caixa de ferramentas. Mas o biscoito de polvinho é essencial! 

Um item que considero o mais importante em qualquer "faça você mesmo" é FERRAMENTA! No livro "Zen e a Arte de Manutenção de Motocicleta", o autor explica o lado filosófico da manutenção de moto e compara com nosso dia a dia. A ferramenta é o principal elemento nas nossas vidas, seja ela física ou emocional. Portanto antes de começar nessa atividade invista em uma bela caixa de ferramentas e de qualidade! Ferramenta barata estraga as peças e pode até piorar o que estava péssimo. Adquira boas ferramentas e saiba que algumas são usadas poucas vezes na vida, mas que alívio é tê-la na hora que precisa. Nada é mais desesperador do que improvisar com um alicate (também conhecido como "chave de boca variável") ou com um martelo (chamado também de "chave de impacto de carga variável"). 

O que você precisa saber para preservar a saúde mental, o casamento ou não matar a mãe de desgosto:

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Uma bancada portátil com morsa ajuda muito! Esquisita é essa torneira... 

1) Prepare a área - nem todo mundo tem a sorte de contar com uma oficina dentro de casa. Quando era adolescente e morava em apartamento cheguei a desmontar uma Suzuki 50cc, colocar no elevador e levar tudo para o quartinho para ter mais sossego. Imagine o que minha mãe achou de idéia! Quando saí de casa sempre tive um espaço para dedicar à mecânica, com ou sem consentimento da família...
Se possível forre o chão com uma lona ou compre um grande tapete de borracha porque líquidos cairão no piso, que ficarão manchados para todo o sempre e será usado contra você em qualquer discussão caseira. Nenhum argumento sensato resiste a um "mas você manchou todo piso de ardósia da garagem!!!"...

 

2) Seja organizado - consiga (ou seja, pegue sem contar pra ninguém) uma mesa auxiliar, mas é legal ter uma pequena bancada com uma morsa. Eu mesmo costumava fazer minhas bancadas, mas hoje adoto uma portátil super útil e uma mesa dessas de jardim, quando ninguém está no jardim, claro! Se você vier comer churrasco em casa não estranhe o cheiro de gasolina em volta... Forre a mesa com plástico!

Separe as ferramentas que vai usar. Antes de começar a desmontar tudo como um garoto de 7 anos com o carrinho de fricção, veja quais tipos de parafusos e medidas de ferramentas irá usar. Claro que vai escapar uma ou outra, mas já deixe mais ou menos organizado como fazem os médicos.

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Deixe tudo que vai usar já separado. 

3) Use equipamento de proteção - já tive todo tipo de acidente em oficina: já caiu ácido de bateria na minha roupa, já voou cavaco de metal no meu olho, já deixei a broca escapar e furar meu dedo, já jorrou gasolina, tinta, solvente e óleo nos meus olhos etc etc... Sem falar na minha alergia a querosene, que deixa os meus dedos parecendo uma uva passa. Hoje eu nunca faço nada sem óculos de proteção e luvas de pano ou de borracha. Além dos óculos pra enxergar de perto mesmo...

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Use óculos e luvas de proteção 

4) Tenha paciência - se você não tem saco pra isso, esqueça! Saiba que os engenheiros que projetam carros e motos não querem que você chegue nem perto dessas coisas. É pra levar na oficina e ponto final! Por isso, alguns procedimentos são infernizantes para quem não fez o treinamento técnico específico daquele modelo. São peças que só quem tem dedos de ET alcançam, ou olhos de Alien para enxergar. Mas para isso existe uma saída que chamo de "solução técnica de campo", mas alguns chamam inadvertidamente de gambiarra. São ferramentas e conhecimentos que te tiram de qualquer enrascada. Entre as ferramentas extra-curriculares que não podem faltar estão:

Lanterna de cabeça, ou headlamp, é fundamental para ver parafusinhos escondidos por trás de uma tampa. Eu ainda uso uma luminária extra para ajudar, mesmo durante o dia.

Pinça cirúrgica, tenha sempre de dois tipos: a pinça comum e uma em forma de tesoura que tem trava e serve para estancar eventuais mangueiras.

Lupa ou lente de aumento.

Tesoura.

Estilete.

Silver tape.

Tire-up ou abraçadeira de plástico.

Espuma EVA, tenha algumas tiras para apoiar as peças sem danificar a pintura e até para se ajoelhar em cima!

Panos e estopa, em alguns casos o melhor pano é de fralda, mas ainda se usa muita estopa e o Perfex, muito útil para filtrar.

Garrafas, galões, balde, bandeja. Não pegue o balde da sua mulher que dá briga! Compre o seu balde, a sua bandeja (de plástico) e tenha garrafas de plástico e galões por perto. 

5) Cuidado com as crianças e pets - Uma vez flagrei minha filha comendo graxa porque era muito parecida com doce de leite. Bom, mas ela percebeu a diferença na primeira lambida! Se você tem filhos pequenos ou animais

domésticos, ambos fuçadores e curiosos, deixe tudo no alto e com as tampas fechadas. Cuidado especial com inflamáveis, colas e sprays. Cachorros e gatos passam e soltam pêlos por cima de tudo e pode ter certeza que um pêlo a menos no gato não faz a menor falta, mas um pêlo a mais dentro do gliclê de baixa faz um estrago violento!

Se o reparo demorar mais de um dia, cubra as partes da moto que ficaram expostas para evitar sujeira, infiltração de água ou de dedinhos curiosos! 

6) Manuais - Hoje é possível encontrar na internet os manuais de serviço da maioria das motos. Baixe o manual para acompanhar a visão das peças e componentes em raio-x. Será útil também se precisar peça de reposição. 

7) Fotografe - Quando desmontar algum componente fotografe a sequência para saber se não esqueceu nada antes de montar de volta. 

8) Peças - Procure usar sempre peças originais. Parece que é mais caro, mas nem sempre é verdade. Além de ter garantia! E cuidado com peças falsas! A maior bandeira de peça falsificada é na embalagem. Se perceber que a impressão da caixa ou da etiqueta está borrada, irregular ou com as cores alteradas desconfie! 

pecaoriginal.jpg

Use sempre peças originais. 

9) Banquinhos, banquetas, cavaletes, apoios etc. Quem não tem elevador (e me diz quem tem elevador de moto em casa?) terá de trabalhar agachado, ajoelhado ou sentado. Depois de uma certa idade a coluna fica dura e isso só agrava se mantiver uma postura desengonçada. Use banquinhos para trabalhar mais confortável e pedaços de espuma EVA para se ajoelhar sem pagar os pecados. Eu uso calça com joelheiras que facilitam bastante! 

10) Líquidos. Se mexer com gasolina, solventes ou óleo usados, coloque tudo em garrafas pets e leve para despejo no posto de gasolina. Não despeje nenhum líquido de alta toxicidade na rede de esgoto porque esse tipo de poluição é devastadora e leva décadas para diluir. Nos postos de gasolina eles dão o destino certo por meio das empresas de reciclagem.

 

publicado por motite às 21:25
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