Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Como exigir respeito sendo um troglodita

 

Uma campanha incentiva a selvageria

 

Sim, existe gente que passa a vida pedindo mais respeito, mas só para ela, porque os outros que se danem. É assim que vejo a ridícula campanha iniciada nas redes sociais, nas quais os motociclistas defendem o uso de escapamentos barulhentos como forma de aumentar a segurança.

 

Segundo a campanha, "Escape esportivo pode salvar vidas! Se você não me vê, pode me ouvir!!!".

 

São tantas premissas erradas que nem sei por onde começar, mas vamos lá:

 

1) A campanha - Essa campanha começou nos Estados Unidos, com o slogan "loud pipes save lives". Algo como: "Escapes barulhentos salvam vidas". É preciso lembrar aos brasileiros que a moto nos Estados Unidos é usada de forma completamente diferente do que no Brasil. Lá as motos são essencialmente para lazer. Quase não se vê motos durante a semana circulando, mesmo na Califórnia! Além disso, a legislação lá também é diferente e muda conforme o Estado. Mesmo assim existe limite de emissões de decibéis e o motociclista pode sim ser multado.

 

Imagine se a cada minuto uma moto com escape livre subisse uma daquelas ladeiras de São Francisco, causando um tremendo estardalhaço. Eu mesmo vi várias motos circulando por lá e todas estavam com o escape original. Duvido que os decibéis sejam liberados por lá. Mas nos eventos de Harley é comum ver motos com escape direto, em áreas específicas e nos finais de semana.

 

E quem disse que os americanos são os mais educados do mundo? Na Alemanha, país com alto nível de sociabilidade, a lei anti-ruído é tão rígida que até as motos de corrida são obrigadas a ter silenciador no escapamento. E ai de quem sai na rua com escape livre!

 

Ao usar o escapamento livre, o motociclista produz ruído o tempo todo que estiver rodando. Portanto essa teoria do escape-salvador deixa de fazer sentido se ele estiver voltando pra casa, às três da manhã, sem ninguém mais na rua! Os dados estatísticos de trânsito mostram que os acidentes com motociclistas acontecem entre 7 e 8 horas e das 18 às 20 horas. Mas o escape faz barulho 24 horas por dia!

 

2)  Corporativismo -  Já escrevi dezenas de vezes que o motociclista é a categoria de pessoa que mais conspira contra si mesmo. É uma espécie de corporativismo acima de qualquer vestígio de sensatez. Eu me recuso a defender os motociclistas apenas pelo fato de usar moto, já temos péssimos exemplos de corporativismo na vida pública e não precisamos levar isso para nossa vida pessoal. A ideia de que a moto produzindo barulho irá "abrir caminho" entre os carros, como se fosse uma sirene, é ridícula e egoísta. Para começar quem disse que o motociclista TEM DIREITO àquele espaço entre os carros? Aquilo é uma CONCESSÃO que deveria merecer um agradecimento e ser bem aproveitada, porque um dia essa concessão será cassada.

 

Até a buzina insistente dos motoqueiros (e motociclistas, que é a MESMA COISA) é uma prova de mau-caratismo e só serve para jogar ainda mais no ralo a imagem dos motociclistas. Durante décadas atravessei diariamente a cidade de São Paulo de norte a sul e vice-versa e muito raramente encostei na buzina. Mesmo assim não levo fechadas porque aprendi a observar os outros elementos em volta e a prever a reação de um motorista. Além disso, não é uma buzina que salva um motociclista que roda a 90 km/h no corredor entre os carros, enquanto todo os outros veículos estão a 20 km/h. Uma moto a 90 km/h percorre 25 metros por segundo, mas demora mais de 25 metros para parar (se os freios funcionarem). Não adianta nada buzinar ou fazer barulho porque a essa velocidade vai bater de qualquer jeito.

 

Quando um motociclista passa buzinando ou fazendo barulho ao lado de um motorista ele não está exercendo a pilotagem segura, está apenas enchendo o saco - para usar o bom português - de todo mundo em benefício próprio. Para resolver uma necessidade pessoal ele atormenta toda a cidade.

 

3) Sociopatia -  É uma doença comportamental que se manifesta nas pessoas que acreditam piamente que todo mundo está contra ela. Ou que a sociedade é injusta só com ela e que cidadania é um belo conceito para os outros. Quando um motociclista propõe usar escape barulhento como forma de proteção ele está se colocando acima da sociedade. O barulho que acredita ira salvá-lo é o mesmo que tira o repouso de um paciente no hospital; que atrapalha a concentração de uma criança na escola; que polui o ambiente da cidade em que ele vive. O sociopata coloca o interesse pessoal acima de tudo.

 

Além de manifestar-se como um doente social, esse motociclista é mais ignorante ao acreditar que os motoristas realmente perceberão sua presença pelo som. Só para avisar: não funciona assim!

 

Dentro de um automóvel o motorista está com os vidros fechados, o ar-condicionado ligado, tem um sistema particular de som, (rádio, CD player, MP3, etc), conversa com os passageiros e o som da moto chegará até ele fraco e sem foco. Ele não consegue identificar se a moto vem da esquerda, direita, de cima ou  por baixo. Portanto não funciona. Para que o motorista perceba é preciso um ruído muito alto e fácil de identificar, como as sirenes dos veículos de socorro.

 

4) Ambientalmente incorreto - Já cansei de escrever que a cidade também é meio-ambiente, apesar de muita gente acreditar fielmente que meio-ambiente é só no meio do mato, entre lobos guarás e jacarés. Usar um veículo que emite ruído acima da lei é uma forma de mostrar à sociedade que você está pouco se lixando para o meio-ambiente. Que você produz ruído, mas reclama das caminhões que despejam fumaça de óleo diesel na camisa nova.

 

Essa é outra tecla que vivo esmurrando. Durante a semana o sujeito é executivo de uma grande empresa, exige um comportamento padrão dos funcionários, caga regra institucionalmente ao afirmar que sua empresa é ISO qualquer-coisa com certificação ambiental, gasta dinheiro para propagar isso nos meios de comunicação, mas no fim de semana monta numa moto e sai causando uma baita estardalhaço por onde passa. Cadê sua certificação ISO qualquer-coisa de idiota completo?

 

Quem posa de respeitoso e, mais do que isso, quem vive pedindo mais respeito, antes de mais nada deve se dar ao respeito.

 

5) E o futuro? O que me assusta nesse tipo de campanha é o legado que isso deixa. Como educar um filho a ser respeitoso com os outros se o pai desfila de moto fazendo barulho e ignorando o direito dos outros ao silêncio? Que tipo de cidadão este motociclista está preparando para deixar para a sociedade?

 

Não dá mais para aceitar esse tipo de atitude. Ninguém é "meio-educado" ou "quase cidadão". Ou é ou não é. Neste tipo de comportamento humano não existe meio-termo. A educação e cidadania devem ser contagiosas, atingir o máximo de pessoas à sua volta, se espalhar.

 

 

(A minha moto tem um belo escape esportivo, mas com o silenciador)

 

6) A indústria - Meus amigos que produzem e vendem escapamento esportivo não precisam ter medo de falir, basta fazer como as grandes marcas sérias: produz o escapamento com o silenciador (e não silencioso, como escrevem alguns) e atendendo os níveis de emissão. Na minha moto eu tenho um belo escapamento com acabamento de aço e aplique de carbono que é tão silencioso quando o original e tem um selo certificador Euro 3 de emissões. A moto ficou mais bonita, com visual esportivo, sem aumentar o ruído nem emissões.

 

E podem continuar produzindo os escapes esportivos para competição, com uso restrito às pistas, porque as corridas de moto não param de crescer em todo o Brasil (felizmente) e o mercado vai continuar promissor.

 

O escape barulhento não salva vida de ninguém. As motos já saem de fábrica com uma buzina que, se bem aplicada, salva vida e pode ser usada apenas nas necessidades. Recuso-me a aceitar qualquer argumento corporativista em contrário porque um bom lugar para viver só se faz com cidadania, não tem outro jeito!  

publicado por motite às 14:56
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

A outra vítima

(Desenho da minha filha Nina)

 

Por que ninguém se preocupa com os que ficam?

 

Se tivesse pego um farol fechado, ou aberto, não teria acontecido. Se tivesse demorado ou apressado 30 segundos para sair de casa não teria acontecido. Apenas uma fração de segundo a mais ou a menos para arrancar no farol e não teria acontecido. Se a velocidade média fosse apenas 1 km/h a mais ou a menos não teria acontecido. Esses são os pensamentos mais comuns quando alguém se vê envolvido em um acidente. Dependendo das consequências materiais ou físicas do acidente, essas inquietações desaparecem em alguns dias. Mas quando o acidente resultou na perda de uma vida essas perguntas ficam reverberando na consciência pra sempre. Pelo menos para quem tem consciência.

 

Uma moto corta a cidade de São Paulo, de norte a sul, pelo principal corredor de trânsito. A centenas de metros duas mulheres esperam no canteiro central de uma movimentada avenida, a 100 metros do semáforo com faixa de pedestre. Entre as duas mulheres uma menina de aproximadamente seis anos segura uma boneca em um das mãos e a outra está presa à mãe.

 

A moto se aproxima do cruzamento e quando está a poucos metros uma criança se solta da mão da mãe e atravessa. O impacto seco atira a menina ao chão, desequilibra a moto, mas o motociclista consegue frear sem cair. A cena é confusa e desesperadora: a mãe grita sem controle, a menina sangra no asfalto, o motociclista percebe que tem o braço e joelho esquerdos feridos, um corte no pescoço e caminha a pé em direção da criança. Antes mesmo de chegar a menina é colocada no banco de trás de um Fusca, que parte levando ainda as duas mulheres que gritam e pedem por Deus. No asfalto ficam apenas a mancha de sangue e uma boneca. Nunca mais se teve notícia da menina nem do motociclista.

 

Na ocasião a imprensa não tinha a agilidade de hoje. Nem havia redes sociais, nem celulares com máquina fotográfica, nada. As notícias demoravam e esse atropelamento caiu no esquecimento. Menos nas famílias afetadas, porque um acidente fatal não acaba no dia do enterro. Ele atinge todos à volta para sempre. Mas aqui existe um detalhe que raramente é lembrado, não é só a família da vítima que leva essa cicatriz, existe uma outra vítima que fica esquecida, mas é igualmente atingida: o atropelador.

 

Salvo as pessoas sem caráter, marginais e de índole naturalmente distorcida, qualquer cidadão que se envolve em um acidente fatal fica permanentemente afetado, mas com a diferença que este sofre sozinho e silenciosamente. Ele pode ser absolvido pela Justiça, ter sua situação civil inabalada, mas a cena do acidente não se apaga.

 

Não só a cena do acidente, mas pensamentos frequentes "como seria o futuro daquela menina", "como sua família seguiu a vida depois desse evento", ou "será que vou encontrá-la no céu para pedir desculpas?".

 

Uma vez, muitos anos atrás, a revista Quatro Rodas publicou o corajoso depoimento de um motorista que atropelou uma menina de seis anos. Nunca esqueci a foto de abertura que era em preto e branco, com uma boneca quebrada no chão. E as inquietações desse depoente era sobre a infeliz coincidência que leva a um acidente, porque é o único encontro no qual nenhum dos envolvidos tinha programado. Ninguém queria estar lá naquela hora e naquele local, mas estavam e culminou com a mudança na história de vida dos envolvidos.

 

Segundo o "pai" do automóvel, Henry Ford, acidentes não acontecem, eles são provocados. Mas e quando um dos envolvidos simplesmente não teve escolha, como se fosse apenas um vetor do destino? Uma criança com a visão encoberta pode atravessar a rua ingenuamente. Um ciclista pode apenas perder o equilíbrio e cair na frente de um ônibus sem chance de o motorista frear.

 

Como julgar esse motorista que praticamente teve uma participação meramente acidental, por estar no lugar errado na hora errada? Não há justiça dos Homens capaz de absolver.

 

 (Desenho de autoria da minha filha Luna)

 

Mais respeito com a morte

Tive a oportunidade de presenciar três acidentes fatais, todos por atropelamento. No primeiro tinha cerca de nove anos e estava na porta da escola quando meu colega de classe atravessou a rua e foi atingido pela carroceria de um caminhão. Pude ver o desespero do pai e do motorista do caminhão. Não tem instrumento capaz de medir a dor. Não há como dimensionar qual daqueles dois homens sentiu a maior fisgada no coração, sentiu suas entranhas se emaranharem como um novelo com mais intensidade.

 

No dia seguinte, no velório, a nossa professora de matemática me abraçou, me sufocando no meio dos seios, chorando copiosamente e repetindo "oh, meu Deus, eu pensei que tinha sido você". Quase afogado pelo perfume dela eu quis mesmo morrer porque os pais do menino ouviram e até hoje aqueles olhares indignados não saem da minha memória. Para mim aqueles pais deveriam estar pensando "sim, por que meu filho e não o filho dos outros?".

 

E o motorista do caminhão? Será que passou o resto da vida lembrando da cena do menino caído no asfalto, o rosto branco, a cabeça inchada em meio ao sangue?

 

O segundo acidente foi na rodovia Presidente Dutra. Uma mãe foi atravessar a estrada com um bebê no colo e, claro, não chegaram do outro lado. Só lembro de ver o corpo girando no ar e algo pequeno logo atrás. O motorista do carro pegou o bebê no colo e saiu por entre os carros chorando e gritando por socorro. Não havia o que socorrer, a não ser ele mesmo, que levou para toda a vida aquela imagem de angústia e desespero.

 

E o terceiro acidente é aquele descrito no começo desse texto. Até hoje posso ouvir claramente os gritos da mãe e como ela evitava chegar perto da filha com medo do que iria ver. Mas eu vi. E nunca esqueci, porque eu era o motociclista.

 

Quer saber como é? É olhar uma cicatriz no pescoço refletida no espelho todos os dias e lembrar de um acidente no qual uma vida foi interrompida. É passar uma existência se perguntando por que não esperou mais 30 segundos para sair. Por que não acelerou ou reduziu a velocidade só 1 km/h? Por que um semáforo não fechou ou abriu no percurso? É ver suas filhas chegarem à mesma idade daquela menina e imaginar como seria se eu as perdesse.

 

E pensar como ela seria se nada disso tivesse acontecido. O que ela estudaria, qual carreira seguiria, se teria marido, filhos, família... E a mãe dela? O quanto ela se culpou e lamentou pelo destino? Como a família a julgou?

 

A outra vítima de um acidente não morre, mas leva a morte estampada na alma, como uma coceira que não passa. A outra vítima não merece compaixão, como se apenas aquele que morre tem o mérito de ser velado. A outra vítima não é perdoada, por mais que seja absolvida pelos Homens. Ela espera pelo perdão só no dia do juízo final, literalmente, quando terá a chance de encontrar sua vítima e pedir desculpas.

 

Essa é a visão de quem recebe a missão de vetor do destino. Precisava estar lá, naquele instante, para mudar a vida das pessoas.

 

Por tudo isso me revolta como a imprensa e as pessoas tratam os acidentes de trânsito com vítimas fatais. Com exceção dos evidentes e comprovados crimes de trânsito, nos quais o dolo fica explícito, quem se envolve em um acidente fatal não o fez de propósito e merece o respeito de ao menos a compaixão e consolo.

 

Infelizmente, como escrevo há três décadas, as relações humanas desandaram que nem uma maionese aguada. Nem bem uma celebridade morre e vira motivo de chacota nas redes sociais. A morte não tem graça. Seja acidental ou natural. Ela está sempre ali, do nosso lado, mas queríamos que fosse ignorada, como quando tínhamos seis anos. A criança demora cerca de sete anos para conhecer o significado da morte. Eu lembro como se fosse ontem quando percebi que um dia eu, meus pais e meus irmãos, todos um dia iríamos morrer, comecei a chorar aos soluços e meu pai me pegou no colo com todo carinho e colocou na cama até eu pegar no sono.

 

Era assim que queríamos viver: confortado nos braços dos nossos pais na certeza da vida eterna. O que resta para a outra vítima é esquecer que um dia participou da morte de alguém. Por isso, se você não é capaz de respeitar a vida, respeite ao menos a morte.

 

 

publicado por motite às 14:22
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Honda apresenta nova CG 150 com freios CBS

 

Os brasileiros e os freios das motos*

* Geraldo Tite Simões (proibida a reprodução total parcial)

 

Em agosto a Honda do Brasil apresentou à imprensa especializada uma nova CG 150 Titan com freios CBS, sigla que significa Combined Braking System (sistema de freio combinado). O sistema é relativamente simples, mecânico e hidráulico, que dispensa complexos aparatos eletrônicos. É o mesmo sistema que já existe nos scooters da marca Lead 110 e PCX 150 e funciona da seguinte forma: quando o motociclista aciona apenas o freio traseiro, cerca de 25 a 30% da carga é transferida para o freio dianteiro, atuando em um dos três pistões da pinça.

 

Antes de entrar em mais detalhes desse freio deixa eu contar um pouco de como funciona a frenagem em motos. Para começar é bom esclarecer que moto não é um carro de duas rodas. Parece ridícula a afirmação, mas é assim que os departamentos de trânsito tratam a motocicleta. O carro se mantém sempre paralelo ao chão, mesmo nas curvas, com uma pequena variação graças ao trabalho da suspensão. Já as motos se inclinam na curva e muito! Nas esportivas elas chegam a derivar mais de 45º em relação ao eixo vertical.

 

Em função dessa inclinação, toda a frenagem deve ser diferente e isolada. Enquanto no carro o comando do freio é apenas em um pedal, nas motos (e bicicletas) os freios são isolados entre o dianteiro e traseiro porque em determinados momentos não se deve usar o freio dianteiro e em outros nem pensar em usar o traseiro.

 

Além disso, a moto é proporcionalmente muito mais leve que um carro e a massa do condutor exerce uma influência muito grande na frenagem. Aprender a frear uma moto corretamente é um dos primeiros passos para habilitar um motociclista, mas...

 

 

Pau que nasce torto

No Brasil acontece um fenômeno raro em termos de ensino de trânsito: os instrutores são formados apenas para decorar leis e adestrar um cidadão. Esses instrutores não passam por um verdadeiro e completo curso de qualificação técnica. Basta saber pilotar uma moto e decorar o Código Brasileiro de Trânsito. É mais ou menos como selecionar professores de faculdade exigindo currículo apenas a alfabetização básica.

 

Nas moto-escolas os instrutores ensinam aquilo que aprenderam sozinhos. E entre as maiores aberrações está justamente a frenagem. Qualquer sujeito que for se habilitar em moto e usar o freio dianteiro no percurso do exame SERÁ REPROVADO!!! Isso mesmo, os instrutores de moto-escola no Brasil ensinam que não se deve usar o freio dianteiro porque a moto capota!

 

Em suma, a escola de trânsito no Brasil ensina errado e os departamentos de trânsito são incapazes de reverter isso. Em algumas localidades o medo de usar o freio dianteiro é tão grande que alguns motociclistas chegam a retirar a manete de freio. E mais: a indústria brasileira de motos é obrigada a manter em linha de produção motos com freio dianteiro a tambor porque tem consumidor que simplesmente se recusa a comprar uma moto com freio dianteiro a disco!

 

 

Por isso esqueça uma solução técnica para freios no Brasil enquanto tivermos essa ridícula situação de formar maus motociclistas. Pior: não há Cristo nesse mundo capaz de convencer um motociclista mal formado a usar o freio dianteiro. É como chamar toda a população de volta para a escola e explicar que, na verdade, a Terra é quadrada!

 

Como as câmaras temáticas do Denatran são compostas por uma maioria de especialistas em carro, surgem propostas como a obrigatoriedade do sistema de freio ABS em todas as motos vendidas no Brasil, como se a moto fosse um carro de duas rodas. O único jeito de instalar freio ABS em moto pequena sem onerar muito o custo final seria adotar a mesma solução de alguns países asiáticos que instalaram o sistema ABS apenas na roda dianteira, a mais solicitada nas frenagens. Mas na Ásia não vivem motociclistas brasileiros, portanto eles sabem frear! 

 

Diante dessa situação foi preciso pensar em um sistema de freios que reduzisse o trauma do motociclista brasileiro e que acionasse sozinho independentemente da vontade do piloto. Assim nasceu o CBS que atua de forma a reduzir os espaços de frenagem, evitar o travamento das rodas e ainda corrigir um padrão de comportamento típico do brasileiro.

 

A primeira moto pequena brasileira a contar com esse sistema é a Honda CG 150 Titan, apresentada recentemente. Para referendar a eficiência desse sistema a empresa convidou alguns jornalistas para presenciar um teste efetivo. As simulações foram feitas sem uso de trena, mas apenas para efeito visual. No entanto, com ajuda do Instituto Mauá de Engenharia, a Honda fez outros ensaios e apresentou à imprensa. Foram três simulações, todas a 50 km/h, comparando a CG 150 Titan com freio convencional; com a nova versão com freio CBS.

 

Na medição usando apenas o freio TRASEIRO, travando a roda e acionando a embreagem a CG convencional percorreu 41,4 metros, enquanto a CG 150 com CBS percorreu 27,3 metros nestas condições.

 

A outra medição, sem travar a roda e sem acionar a embreagem, a distância da CG 150 convencional já reduziu para 38,5 metros. Já a CG com CBS fez praticamente a mesma distância, com 28,4 metros até se imobilizar. Essa diferença de um metro pode ser considerada variação normal em qualquer ensaio.

 

Impressionante foi o resultado aplicando os dois freios, dianteiro e traseiro, como realmente deve ser. A CG convencional reduziu a distância de frenagem para 24,9 metros. Por outro lado a surpresa foi constatar que na CG com CBS a redução foi proporcionalmente menor, parando em 20,4 metros.

 

 

Ou seja, mesmo usando o freio de forma errada, os espaços de frenagem na CG 150 com freio CBS foram bem menores do que na CG convencional sob as mesmas condições. Isso significa que tecnicamente obrigar o uso de freio ABS em motos pequenas pode ser tão inócuo quanto exigir salva-vidas em ônibus. Já o sistema CBS tem como apelo maior a possibilidade de corrigir um erro humano até que as novas gerações de motociclistas passem a frear corretamente, com a vantagem de um custo de apenas R$ 100,00 a mais no preço final.

 

Agora o mercado vai responder se a solução representará um novo paradigma nos sistemas de freio de todas as motos. Certamente em breve outros fabricantes devem apresentar suas soluções semelhantes. Acredita-se mesmo que em um futuro breve as motos terão apenas um comando de freio, como já é nos automóveis, assim que baratearem os custos dos sistemas eletrônicos. Um ABS completo para motos implicaria em um aumento significativo no custo e no peso total.

 

O próximo passo agora é investir em formação qualificada dos instrutores de moto-escola porque por mais se crie soluções técnicas para aumentar a segurança dos veículos nada disso funciona sem a ajuda do fator primordial, que é o ser humano. Não adianta equipar os veículos se os condutores são totalmente despreparados.

 

 

 

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publicado por motite às 01:48
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

O Tigre, o menino, o trânsito, eu e você!

 

Devido ao caráter viral que se tornou o meu texto "O tigre, o menino e o trânsito", inesperado e até assustador, confesso, estourou a capacidade de comentários no provedor português Sapo. Por isso abri esse espaço extra para responder os tópicos mais comentados, pedir desculpas por não me apresentar, contar um pouco da minha atividade de convidar os leitores a ler os outros textos e até meu livro.

 

Pela ordem de chamada!

 

Deixa eu me apresentar: meu nome de batismo é Geraldo Simões, mas fui desde o nascimento rebatizado com o apelido Tite, por recomendação do meu pai, porque achava simplesmente Geraldo um nome grande demais para um ser tão pequeno. Tenho 55 anos, sou jornalista desde os 20, motociclista desde os 12 e viciado em escrever desde a época das Olivetti Lettera 32. Fui fotógrafo, redator, editor, revisor, professor de Redação e Língua Portuguesa na Fundação Cásper Líbero e desde 1999 me dedico a ministrar cursos de pilotagem para motociclistas. Tenho duas filhas do primeiro casamento, ambas com dupla nacionalidade (brasileira e alemã), que viveram a experiência de morar na Alemanha. Por causa delas mudei totalmente o meu conceito sobre educação, ensino, respeito e amor.

 

Os pontos mais comentados do texto foram:

 

- Quem sou eu pra escrever com tanta propriedade? Está respondido lá em cima, mas queria dizer que não sou especialista em ensino, mas estudei muito o tema porque vi-me dando aula para alunos que tinham quase a minha idade, acompanhei muito de perto o vida escolar das minhas filhas, fui casado com uma professora especialista em educação infantil, tive uma família equilibrada e meus pais vivem até hoje. Agradeço aos especialistas que me escreveram corrigindo alguns aspectos e conceitos a respeito de educação e ensino e lamento não poder responder a todos.

 

A exemplo da maioria dos meus textos eu escrevi este em pouco mais de meia hora e não aprofundei em nenhum conceito específico, porque para meus leitores habituais esses temas são exaustivamente conhecidos.

 

- O julgamento: queria deixar muito bem explicado que em momento algum me ocorreu julgar, mas apenas usar o "acidente" como exemplo do comportamento humano. Mesmo assim me assustei com a reação quase natural de as pessoas julgarem e sentenciarem os envolvidos. Esta é uma faceta do comportamento moderno criado a partir do excesso de exposição às redes sociais: a necessidade quase vital de achar um culpado. Como jornalista, conheço a ética da profissão que nos impede de julgar até um réu confesso antes de um juiz proferir a sentença. Por isso você lê sempre nos jornais que Fulano é SUSPEITO de...

 

- Patriotismo x conhecimento: também fui alvo de algumas demonstrações de todo tipo de preconceito. Se eu citei em vários pontos a expressão "os brasileiros" é porque vivo aqui, convivo diariamente com brasileiros e estudo o comportamento de motoristas há mais de 30 anos. Gosto do Brasil, mas tenho muita ressalva com relação ao comportamento social dos brasileiros. Não morei no exterior, mas como jornalista já visitei mais de 30 países e participo regularmente de fóruns e trabalhos sobre mobilidade urbana, que tem como ponto crucial o comportamento humano. Os exemplos que dei sobre EUA e Áustria não me contaram, eu vi pessoalmente e foi apenas dois exemplos. Claro que em todo lugar do mundo existe gente mal intencionada, mas o que pretendo chamar a atenção é que no Brasil estes estão aumentando exponencialmente e temos de encontrar a raiz desse crescimento, combatê-la e reverter essa tendência. Para mim o foco principal é na formação do caráter, que é um conceito que vem de casa e não apenas da escola.

 

- Alguns comentários eu simplesmente rapei fora porque eram ofensivos, preconceituosos, sem-noção ou apenas tinham a intenção de causar polêmica. Fui chamado até de nazista!!!

 

- A Bíblia, Adão, Eva e a religião: não sou um religioso praticante, mas cresci em uma família católica. Na minha primeira faculdade estudei Teologia e gostei tanto que depois continuei por conta própria. Alguns teólogos mais experientes corrigiram o texto e agradeço a todos pela disposição. Aos fanáticos e mais exaltados queria lembrar que Adão e Eva não existiram, assim como Papai Noel e Saci Pererê, portanto não percam seus preciosos tempos comentando o que eles fizeram ou quiseram fazer porque a própria Bíblia é uma grande ficção e recebeu várias interpretações, foi escrita cheia de questionamentos éticos e se eu fosse o editor teria cortado pelo menos 70% de texto!

 

- A passividade das testemunhas: um dos itens mais comentados foi com relação ao rapaz que fez a filmagem e o motivo de ele não ter interrompido a ação do garoto, chamado a atenção etc. Bom, aqui mais uma vez eu chamo a atenção para a inversão de valores que estamos vivendo, especialmente no Brasil. Por que no Brasil? Primeiro vou contar como funcionava na Alemanha, durante a época que minhas filhas moraram lá. Cada cidadão adulto se preocupa consigo e com quem está em volta, seja no trânsito, na empresa, na escola etc. Se uma criança se coloca em risco, o adulto mais próximo intervém, independentemente da reação do pai ou tutor mais próximo. O mesmo ocorre com relação aos idosos, sempre tem alguém ajudando e orientando, mesmo quando ninguém pede ajuda. Eu vivi isso pessoalmente e posso atestar que esse comportamento é reflexo de uma história de 2.000 anos vida em sociedade. No Brasil a vida em sociedade existe há pouco mais de 100 anos, sendo que nos últimos 50 deu um salto quantitativo exponencial. Ainda engatinhamos nessa coisa de viver em sociedade e é natural que surjam problemas. Um deles é o egoísmo expresso nas atitudes mais simples e que aparece muito mais claramente no trânsito. Nos mais de 30 países que visitei - a trabalho - nunca vi um adesivo no carro com frases como "Deus deu a vida para que cada um cuide da sua"; ou "Este carro é meu, foi pago por mim e ninguém vai me dizer como dirigir(sic)". Estas frases explicam o que eu quis dizer com a deterioração da vida em sociedade.

 

Por isso eu entendo a reação das pessoas. Existe um medo natural de alguém simplesmente ser agredido se chamar atenção ou até usar a força para impedir que uma criança se acidente. Eu tenho certeza que esta seria a reação da maioria dos pais, por causa dessa inversão total de valores.

 

Em suma, nos países com uma longa história de relação social existe uma espécie de auto-regulamentação, um cuida do outro, e isso não é motivo de briga. Enquanto no Brasil uma simples advertência pode acabar em crime, porque não se admite a interferência externa. Já escrevi sobre isso aqui mesmo e uma simples busca por palavras-chave como paradigma, educação, trânsito pode resultar em vários textos sobre o tema.

 

Recentemente um ciclista filmou a reação agressiva de um motorista que estacionou de forma irregular na ciclovia. Foi um exemplo de como a convivência social está ruindo e isto tem um nome: sociopatia, uma reação quase doentia em relação à sociedade, como se o mundo todo conspirasse contra aquele indivíduo.

 

Muito conceito escrito naquele artigo foram citados superficialmente, claro, porque é uma coluna publicada em alguns sites e a internet hoje exige textos curtos (mais um resultado dos tempos atuais: ninguém tem saco de ler nada com mais de 5.000 caracteres). Não é uma tese de doutorado. Portanto não cobre aprofundamento deste ou daquele conceito. Neste blog - que teve 150.000 visitantes pela primeira vez! - tem mais de 1.000 artigos. Fique à vontade para pesquisar os temas, ler e discutir quanto quiser. Recomendo alguns:

 

http://motite.blogs.sapo.pt/o-medico-e-o-monstro-109333

 

http://motite.blogs.sapo.pt/a-criminalizacao-da-vitima-108940

 

http://motite.blogs.sapo.pt/106621.html

 

E se você gosta de moto e quiser adquirir meu livro O Mundo É Uma Roda, basta escrever para tite@speedmaster.com.br aqui mesmo tem várias crônicas do livro.

 

Obrigado pelos comentários

 

Tite

 

publicado por motite às 12:14
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

O tigre, o menino e o trânsito

 

(Devido ao número de acessos, não é possível mais publicar comentários neste post, se quiser pode fazer nesta sequência)

 

Como um acidente pode explicar o comportamento humano

 

O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre. O "acidente" ocorreu em um zoológico de Cascavel, PR, quando o garoto, acompanhado do pai, pulou uma cerca de proteção, ignorou os avisos de manter-se afastado e provocou primeiro um leão e depois o tigre. O desfecho todo mundo viu: teve o braço amputado na altura do ombro e terá a vida inteira para refletir sobre esse ato "corajoso". Esse acidente é exemplar, em todos os sentidos.

 

Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade. Especialmente no Brasil, país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.

 

Felizmente alguém filmou e mostrou uma imagem que retrata o que vem acontecendo em uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade. O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte, conhecidos por qualquer ser vivente como predadores. Até as pedras sabem que esses animais se alimentam de outros animais desde que o mundo é mundo.

 

Imediatamente após a divulgação das imagens começaram os julgamentos, principalmente os do "contra" e "a favor", seja do tigre, do garoto, do pai, do zoológico, de Deus etc. No atual modus operandi social de palpitar sobre tudo houve a esperada distribuição de culpa para todos os envolvidos, alguns até tentando amenizar o lado do garoto sob a alegação de que era "incapaz" de avaliar os riscos. Será? Com 11 anos você não sabe a diferença de um gato para um tigre?

 

Deixando um pouco o tigre de lado, vamos lembrar um pouco das histórias da Bíblia. Sem a menor conotação católico-cristã, mas apenas como exemplo. Muita gente atribui o pecado original ao sexo, fazendo uma analogia direta da mordida na maçã com rala e rola entre Adão e Eva. Mas Deus não poderia castigar pelo sexo, senão inviabilizaria a reprodução humana e jogaria por terra o famoso "crescei e multiplicai". 

 

O pecado original que condenou Eva e seu amasio ao mundo terreno foi a DESOBEDIÊNCIA. Deus deixou bem claro: não coma a fruta dessa árvore! E quando virou as costas lá foi ela e nhoc! Não tinha uma placa na macieira do tipo "fique longe, não coma". Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!

 

Voltando ao zoológico, qual o padrão de comportamento dos visitantes: enfiar o braço na jaula ou manter-se afastado? Se uma criança violou o padrão é preciso olhar para esse caso isolado e tentar entender melhor de onde vem o comportamento tão prepotente.

 

Hoje em dia existe uma enorme confusão aqui em terras brasileiras com relação à educação. Também já escrevi sobre isso. E é um tal de pais entregarem seus filhos às escolas na crença cega de que o pimpolho sairá de lá um lorde inglês e com conhecimento de filósofo alemão. Mas em casa o filho faz o que quer, passa o dia no videogame, desobedece os pais e eventualmente despreza a autoridade dos empregados.

 

Educação é aquele conjunto de regras transmitidos de pais para filhos como uma carga genética. O que a escola transmite é conhecimento. Portanto, escola não educa, quem educa é o convívio familiar. Já defendi mais de um milhão de vezes a mudança do nome de ministério da Educação para ministério do Ensino.

 

Pergunto, que tipo de pai pode gerar um filho tão incapaz de entender a regra mais elementar, bíblica e basilar da educação que é a obediência? Que tipo de exemplo esse garoto tem em casa para ignorar tão descaradamente os perigos que envolvem o enfrentamento de um animal feroz? Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores? Obedece seus pais?

 

É o reflexo da falta de cuidado na educação, não da escola, mas aquela da formação do caráter. Quem enfrenta um tigre não é corajoso - como escreveram alguns - ou simplesmente desobediente?

 

Chamou-me a atenção o comentário de vários jornalistas que reforçaram o fato de no momento do acidente não ter nenhum vigia, embora o zoológico tenha se defendido alegando que a área é monitorada por quatro fiscais.

 

Ora, jornalistas são pessoas esclarecidas, viajam e normalmente voltam do exterior sempre com uma história de civilidade na ponta da língua. Ficam impressionados que nos museus americanos o visitante deposita o valor em uma caixa que fica ali, ao alcance de qualquer um, mas ninguém pega. Contam - impressionados - que na Áustria as padarias deixam o leite fora e as pessoas pegam e depositam as moedas em um pote, sem ninguém vigiando.

 

Mas cobram o fato de naquele local do zoo não haver um vigilante. É ISTO que quero chamar a atenção: educação não é um comportamento expresso diante de fiscalização, o nome disso é obediência. Educação é o comportamento do indivíduo quando não tem NINGUÉM olhando!

 

Por isso a Prefeitura de SP instalou mais uma centena de radares e câmeras de vigilância, porque o motorista só consegue se manter educado sob constante fiscalização. Porque não foi educado. Os motoristas/motociclistas mal e porcamente foram instruídos, quando foram... E os ciclistas nem isso!

 

Pela visão do jornalismo sensacionalista podemos perder a esperança em trânsito solidário sem que haja uma fiscalização opressiva e constante, como no zoológico. Não basta uma placa de proibido estacionar, precisa ter um fiscal. Não basta investir em passarela ou ciclovia, tem de fiscalizar. Não basta avisar que o leão é bravo, precisa colocar o braço lá dentro!

 

* Desculpem-me não me apresentar, mas este blog foi criado para  artigos que não publico na imprensa aberta. Como era reservado mais aos amigos, nem sequer me dei ao trabalho de assinar, meu nome é Geraldo Tite Simões - Jornalista, escritor, especialista em segurança viária, duas filhas (bem educadas, eu acho...). 

publicado por motite às 23:15
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