Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Comercial do Curso SpeedMaster de Pilotagem

 

Filme produzido pela Bulls Eye Filmes. Direção Renzo Querzoli e participação especial de Zetó!

 

publicado por motite às 15:15
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Vou mudar de ramo

 (Ae, já to na área, perdeu, playboy!)

 

Este texto foi escrito alguns anos atrás, não muito tempo, porque o prefeito Kassab tinha acabado de ganhar o cargo de presente, depois que o José Serra abandonou seu posto para concorrer ao Governo do Estado. A moto roubada foi uma Yamaha MT-03 ainda com placa azul de teste. Logo depois achei uma moto com as mesmas características à venda na Internet. Foi aí que me ocorreu escrever esse desabafo. Não mudei de ramo, continuo sendo cada vez menos jornalista e mais instrutor de pilotagem. Mas continua a dica: esse negócio de roubar, traficar etc pode ser muito mais rentável, com a vantagem de o Estado não ficar com 30% de seus vencimentos... Feliz 2012!!!

 

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Vou mudar de ramo!

 

Amigos internautas, cansei! Depois de ser assaltado a mão armada pela segunda vez cansei de ser jornalista, motociclista e instrutor de motociclistas. Na noite de quarta-feira estava voltando para casa com uma moto de teste de um fabricante nacional quando quatro elementos em duas motos emparelharam e apresentaram suas credenciais: duas pistolas automáticas dessas cromadas, lindas e reluzentes. Levaram a moto (que tinha seguro), meu capacete que mais gostava (italiano, caríssimo), minha mochila com a capa de chuva e um cartão de memória com uma semana de trabalho fotográfico e também levaram minha dignidade. Foi a segunda vez que me renderam a mão armada para roubar uma moto que não era minha.

 

Depois de ter duas aulas - verdadeiros workshops - de assalto muito bem praticados decidi mudar de ramo. Já que o prefeito da minha cidade considera todos os motociclistas iguais, desde esses que assaltam, até os que tem moto para lazer ou transporte, resolvi mudar de atividade.

 

Vou investir R$ 200,00 na compra de um três-oitão - ilegal, é claro - e anotar esse investimento em meu livro-caixa. Depois, ficarei de campana sob o viaduto onde fui assaltado duas vezes à espera de um motociclista com uma moto bacana. Farei a abordagem de forma clínica como aprendi nos meus dois cursos e desaparecer com a moto. Logo em seguida procurarei um receptador, o que ‚ uma tarefa fácil, pois basta encostar em uma das favelas de São Paulo e oferecer a moto, ou, se quiser algo mais "clean" posso anunciar na Internet em sites de classificados de qualquer coisa ou mesmo pelo Orkut. Como o mercado é livre nestes sites, não terei necessidade de me identificar nem nada, afinal já vi vários anúncios de carros e motos "NP" (uma forma elegante de estelionato) nesses classificados.

 

Digamos que consiga R$ 1.000 na venda de uma moto roubada. Já entrevistei ladrões que vendem uma CG roubada por R$ 200,00, mas moto grande conseguem até "um barão". No meu livro-caixa vou registrar uma receita de R$ 1.000 o que projeta um lucro de R$ 800,00.

 

O passo seguinte será procurar um bom e confiável traficante de drogas (tem muitos em São Paulo) e comprar R$ 800,00 em cocaína. Pela minha apuração, no mercado atual o grama de cocaína está na faixa de R$ 12,00 na compra e R$ 25,00 na venda. Para conseguir um lucro terei de negociar muito bem essa compra para que meus 66 gramas revertam em uma maior margem de lucro. Se conseguir vendê-los a R$ 23,00 (pra conquistar clientela), farei R$ 1.533,00 em pouco tempo. Com sorte, em uma noite eu consigo mais R$ 733,00 de lucro. Meu negócio estará prosperando.

 

Com esses R$ 1.533,00 eu farei uma pequena diversificação nos negócios. Se procurar bem e souber negociar vou conseguir a mídia digital para DVD por R$ 0,80 a unidade. Comprarei 1.000 unidades de DVD o que me custaria R$ 800,00. Farei algumas cópias de filmes mais consagrados e distribuirei aos camelôs por R$ 5,0 a unidade e eles revenderão a R$ 10,00. Numa conta rápida, os R$ 800 investidos se converterão em R$ 5.000,00 e ainda terei os R$ 733,00 para continuar no ramo da cocaína.

 

Pelos meus cálculos, em um mês de bons serviços poderei ter acumulado algo perto de R$ 33.489,00, limpo, livre de impostos, o que pode projetar um faturamento anual de R$ 400.000! Tudo isso com um investimento inicial de apenas R$ 200,00! Essa é uma projeção muito simples e modesta, pois a cada receita os investimentos serão maiores, o que certamente resultará também em lucros maiores. Além disso, precisarei fazer uma espécie de previdência privada, separando uma parte dos meus emolumentos para algumas aplicações como "ajuda de custo à associação de fiscalização" (popular propina); "taxa de funcionamento em ambiente livre" (a propina dos camelôs) e "seguro habeas corpus" (a propina em caso de prisão em flagrante).

 

Pelo que apurei do patrimônio de um grande comerciante desta área recentemente preso, o tal Abadia, só uma de suas casas em Florianópolis foi leiloada por R$ 2 milhões. E tinha mais outras seis, além de carros, barcos, jet-skis etc.

 

Digamos que nesse meu novo ramo de negócio, venha a ter algum problema com os homens da lei. Eventualmente posso ser preso durante uma das minhas entregas de mercadoria, ou mesmo ser delatado. Como aprendi com meus professores nos dois assaltos que sofri, o tempo de carceragem não passa de seis meses para um crime tão banal como porte ilegal de arma, assalto a mão armada ou comércio de drogas. Principalmente por eu ter curso superior, morar em residência fixa e não ter antecedentes criminais (até agora).

 

Claro que uma legião de advogados e policiais me escreverão afirmando que as penas são mais severas. Como se explica então que a maioria dos assassinos e assaltantes pegos com a mão na massa sempre tem "passagem pela polícia"? Como se explica que um sujeito que enfia uma pistola no meu nariz numa noite, depois de seis meses  - ou menos - já esteja roubando de novo?

 

A resposta deve estar num sistema judiciário abençoado para os criminosos que, com seus inúmeros artigos, incisos, parágrafos, data vênias e salamaleques consegue libertar um desgraçado que assalta a mão armada ou vende droga em menos de seis meses. Sempre sob a alegação de que existem crimes mais importantes para serem julgados. Não consigo imaginar um crime mais hediondo do que submeter um cidadão à mira de uma arma de fogo. Só se a Justiça tem uma fila de esquartejadores de criancinhas na frente!

 

No meu novo ramo de atuação poderei ser equiparado, sempre aos olhos da prefeitura de São Paulo, aos grandes comerciantes e empresários. Se todo motociclista é igual, então todo mundo que trabalha no comércio também é igual! Não é? O dono de uma grande rede de supermercados compra e vende mercadorias com uma margem de lucro. O camelô que compra e vende CDs e DVDs piratas também faz comércio.

 

Como bem escreveu meu amigo André Garcia, em seu longo manifesto contra a avalanche de paulada em cima dos motociclistas, "sou motociclista sim, mas antes de tudo sou cidadão: pago impostos e consumo produtos e serviços que geram impostos". Se a segurança é um serviço mantido com essa carga tributária e se esse serviço não é minimamente competente está na hora de trocar o fornecedor!

 

Partidos políticos e candidatos: me aguardem na próxima eleição! Ah, e o que vocês me aconselham? Um revólver calibre 38 ou uma pistola automática 9 mm? Preciso iniciar logo minha nova empresa.

publicado por motite às 14:11
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011

Minha história de natal

(Obra do Aleijadinho. Foto: Tite)

 

 

Amigos internautas. Sábia invenção que nos poupou de envelopar, selar e levar cartões até a agência do Correio. E mais, podemos nos dar o sabor de escrever além das frases feitas e prosaicas. Neste Natal lembrei de um livro alemão, onde o autor convidou vários escritores modernos para contarem uma história de natal. Algumas ficaram muito marcadas na minha memória e minha primeira idéia era simplesmente dar um copy/paste e resolver meu cartão de final de ano. Mas lembrei que há alguns anos eu  vivi minha própria história de Natal e fui escarafunchar neste HD para resgatá-la. Aqui está ela, escrita em 1989. Espero não ter sido muito piegas e preparem o saquinho, porque é uma looooonga história.

E, para não fugir aos costumes:

Feliz Natal e um novo ano cheio de realizações

 

Tite

 

Uma história de Natal

 

É um hábito antigo nas empresas. Na véspera do Natal, o departamento de recursos humanos distribui brinquedos aos funcionários que têm filhos. Usando da mais complexa pedagogia e lógica, os filhos meninos ganham carrinhos ou bolas. Às meninas são reservadas bonecas, panelinhas, Barbies, Xuxas e outras. Na ocasião,  eu já tinha as duas filhas, que foram contempladas com um conjunto formado por boneca mamãe, com bebêzinho, portanto duas bonecas em uma. De plástico.


Filhos de mães antroposóficas não brincam com coisas de plástico. Para os antropósofos são muito artificiais. Todos. Mães, filhos e plásticos. Não poderia jamais aparecer com aquele presente em casa, sob risco de ser esconjurado da doutrina antroposófica por toda eternidade. Era um problema a mais para resolver neste natal de 1988.


O outro problema ainda não tinha digerido a ponto de pensar numa solução. Poucos dias antes do Natal, fui convocado para uma reunião na Quatro Rodas, onde exercia o cargo de editor-assistente, para receber a notícia de minha demissão.

A primeira demissão é difícil de engolir. Principalmente quando foi anunciado o motivo:


- Seu texto não se encaixa no padrão Abril.


- Tudo bem, eu posso piorar, se preferirem.


Não entenderam a ironia e não preferiram. Recebi um bilhete azul, defenestrado, butato via, demitido. Não foi tão ruim. Recebi uma bela grana da indenização e comprei uma moto nova, que usaria para correr o campeonato Paulista em 89.


Mas e a boneca?


Saí do prédio da Abril, com a boneca no banco traseiro do carro. No primeiro semáforo dei com uma cena cada dia mais integrada ao cenário urbano: meninos de rua. Motoristas fecham a janela, outros dão uns trocados. Outros, criativos, dão balas (doces). Há os que gostariam de dar balas (de chumbo), mas não podem.


Na minha janela vieram duas meninas. Praticamente da idade das minhas filhas. A mais velha tinha os joelhos esfolados e sujos, cabelos longos e sujos, o rosto magro e sujo, a pele manchada e suja. O futuro incerto e sujo. A mais nova segurava a maior pela mão, como se fosse seu único porto seguro na Terra, seu píer, sua tábua de salvação. Ela obedecia a irmã mais velha como se fosse a diretora neste teatro insano que tem as ruas como cenário, os motoristas como platéia e a miséria como coxia. A pequena sugava uma chupeta e o nariz escorria a eterna coriza de quem vive muito perto dos escapamentos.


Não tinha nada para dar. Lembrei das bonecas.


Quando a mais velha pegou o pacote nas mãos sujas seus olhos se acenderam como duas luzes, fracas, mas brilhantes. A caixa tinha tampa transparente e podia-se ver as bonecas, com todo aquele colorido que enfeitam caixas de bonecas. Era um coup de theâtre naquela rotina de esmolas.


Não tive tempo de ver o resto. Tocaram a buzina da intolerância e fui embora.

 

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Em janeiro voltei à Abril para receber o que faltava da indenização. Caminhava pela calçada quando vi duas meninas vindo na minha direção. Estavam de mãos dadas. Eram elas. Sempre unidas por aquele cordão umbilical da verdadeira e incondicional fraternidade. Nas outras mãos traziam as bonecas. A mais velha ficou com a boneca maior. A pequena segurava o bebê boneca bem próximo ao rosto. Procurei não olhar muito, pois jamais imaginei que pudessem me identificar. A mais nova olhou-me bem nos olhos. Ela ficou olhando, olhando e depois de cruzarmos eu me virei e vi as duas paradas, olhando para mim. A pequena sorriu, tentando equilibrar a chupeta entre os dentes. Um sorriso contido, ingênuo. Um sorriso único, autêntico. A expressão da mais profunda gratidão que já recebi por um presente de Natal.


Nunca mais as vi.

 

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Esta é a segunda vez que escrevo esta história. A primeira ficou muito melhor, mais cheia de descrições, mais completa. Só que a perdi em algum HD qualquer e tive de reescrevê-la. Tudo bem.


Toda vez que me lembro daquela manhã, na calçada da Abril, me vem exatamente a mesma emoção, que começa no abdômen e espalha pelo corpo. Até hoje lembro daqueles quatro olhinhos e, principalmente, do sorriso cúmplice da menina menor. Ela sabia quem eu era. Você nem imagina como é emocionante ver brotar o brilho nos olhos de uma criança. Crianças de rua não se emocionam facilmente. Elas são empedernidas pela miséria. Aprenderam a controlar o desejo para não alimentar frustrações. São ingênuas e maliciosas. São autênticas. São carentes. De tudo: desde uma boneca, que para outra criança seria apenas mais uma, até comida, material mais essencial à existência do que qualquer brinquedo. Por isso a antroposofia funciona tão bem com crianças ricas. Elas já têm tudo, conseguem digerir um pouco de filosofia. Pobres não precisam filosofia. Precisam comida, roupa, carinho,  brinquedo. Crianças pobres numa cidade como São Paulo precisam daquilo que filosofia nenhuma seria capaz de lhes oferecer: a infância.


Para estas crianças, escrevi:


Abandonadas

Olh’elas de novo nas ruas

rasgadas, suadas, nuas

Da vida só levam trocados,

pobres anjos abandonados

Queriam muito ser suas

juntar-se também às tuas

Casa só têm a esquina,

respiram ar-gasolina

E aqueles que devem escusas

voltam para suas reclusas

e  dormem o sono-morfina

 


 

 

 

publicado por motite às 13:57
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Papo cabeça

(Capacete de escalada: sempre na cabeça, não na mochila...)

 

Divagações de um usuário de capacete

As vezes tenho a impressão que nasci de capacete! Com apenas 12 anos ganhei a primeira moto, uma Suzuki A 50II. Naquele longínquo 1972, capacete era artigo raro. Na verdade existia uma espécie de preconceito contra os usuários de capacete. Chegavam mesmo a duvidar da masculinidade e quem aparecesse na turma usando capacete era chamado de “mariquinha”. Bom, graças à esse pensamento assisti a muitos funerais de motociclistas machões.

 

Primeiro ganhei a moto de presente de natal do meu pai, só depois veio o capacete por insistência dele, que por ser ex-ciclista entende a dinâmica dos acidentes em duas rodas. Lembro até hoje, com clareza, do meu primeiro capacete. Foi comprado na loja Procópio do recém-inaugurado Shopping Center Iguatemi. Era um modelo SS da Induma, fechado, e fiquei tão feliz que vim com ele na cabeça, dentro do carro até chegar em casa, me sentindo o verdadeiro Emerson Fittipaldi.

 

Deste dia em diante o capacete virou uma peça normal do meu vestuário, quem nem a cueca. E nas poucas vezes que saí sem capacete – naquela época não era obrigatório – sentia-me como se estivesse nu.

 

Perdi a conta de quantas vezes o capacete salvou minha vida na moto. No que considero o pior acidente da minha vida, estava a apenas 50 km/h, fazendo manobra com uma ingênua 125cc, surfando em pé no banco da moto, quando a roda dianteira bateu em um olho de gato, desequilibrou e caí direto de cabeça no chão. O capacete rachou, tive uma concussão cerebral leve e fiquei dois dias enxergando tudo dobrado. Entreguei o que restou do capacete ao fabricante para analisar e servir como laboratório de desenvolvimento.

 

Durante os mais de 10 anos como piloto de enduro também bati muito a cabeça, em todos os sentidos, e fui atingido por pedras, galhos, outras motos, mas sempre muito bem protegido. Na motovelocidade levei todo tipo de queda, algumas acima de 180 km/h e meus miolos se mantiveram inteiros.

 

No final dos anos 90, quando decidi voltar a correr de motovelocidade aos 37 anos, tive de mergulhar nas atividades físicas para reduzir o peso na medida quase esquelética. Para isso comecei a pedalar com frequência. Inicialmente nas estradas, depois passei a usar na cidade. Foi quando meu preparador, José Rubens D’Elia me deu um capacete de ciclismo que, confesso, usava só nas trilhas de montain-bike, porque não consegui me convencer a usar o equipamento na cidade. O capacete, da marca Bell americana, era bem leve, bem feito, mas eu realmente não me sentia bem usando capacete em uma bicicleta. O que era uma tremenda besteira, como você verá adiante.

 

(capacete Shoei: leve, seguro e confortável)

 

Veio então os anos 2000, parei de correr de moto e iniciei uma nova atividade, da qual fiquei totalmente viciado: a escalada em rocha. Depois de assistir, perplexo, uma chuva de pedras bem do meu lado, comprei um capacete e passei a usá-lo até nas escaladas mais simples e fáceis. Já estou na segunda geração dos capacetes, ao adquirir um top de linha da marca Petzl francesa.

 

Alguns escaladores, especialmente os mais novos, acham o capacete uma frescura. Mas é comum receber pedras ou mesmo equipamentos no meio do cocuruto, principalmente quando em escaladas clássicas e longas. Já me safei de pedradas e até de mosquetão que voaram a uma velocidade inacreditável! Agora não deixo de usar a proteção e se quiser escalar comigo tem de usar capacete, punto e basta!

 

Recentemente notei que o paulistano adotou a bicicleta para se deslocar em São Paulo e driblar o trânsito. Esta tendência não é nova: em 1980 conheci um engenheiro alemão que só usava bicicleta e tinha toda uma estratégia para chegar ao escritório limpo e bem vestido como se tivesse acabado de sair de um Porsche. Mantinha algumas peças de roupa no escritório e ao chegar tomava banho, fazia a barba, se vestia formalmente e ficava impecável. Para voltar, colocava a bermuda, tênis e voltava a ser um ciclista.

 

Confesso que eu não me sinto seguro pedalando entre os carros em SP. Acho que a cidade deveria ter ciclovias permanentes e não apenas para lazer, nos fins de semana. E prevejo que a convivência entre ciclistas com motociclistas, motoristas e pedestres entrará em colapso brevemente.

 

Cerca de três anos atrás, um grande amigo passou a usar a bicicleta até para praticar um pouco de atividade física, na virada dos 40 anos. Dei aquele meu capacete Bell de presente pra ele com a recomendação de usá-lo mesmo pra ir até a esquina. Pouco depois ele ganhou um mais novo, mais bonito e seguro.

 

E eu mesmo continuava a sair de bicicleta apenas com meu boné. Ainda com aquela idéia de que capacete em bicicleta era uma tremenda frescura.

 

Em recente viagem a Nova York entrei duas vezes na gigantesca loja de artigos esportivos Paragon. Na verdade buscava equipamentos de montanhismo, mas passei pela seção de bicicletas e vi um belo capacete Bell, mais leve, mais bonito e certamente mais eficiente do que aquele que doei. Não comprei na primeira vez, mas fiquei com aquela imagem do capacete por alguns dias até voltar à loja por uma coincidência de percurso e pensei: “pô, por apenas US$ 49,00 um capacete bonito e Bell, acho que vale a pena”. Comprei e foi um sufoco trazê-lo na mala. A marca Bell sempre representou um ícone para quem gosta de velocidade.

 

Menos de uma semana de volta a São Paulo fui estrear meu capacete novo. Decidi também comprar um espelho retrovisor pra bike, uma buzina e uma lanterna traseira. Ou seja, resolvi estender para a bicicleta a minha noção de segurança veicular que sempre adotei e defendi nas motos.

 

No trajeto até a Decathlon fui desviar de uma pedestre e levei um baita tombo bem em cima da ponte do Morumbi. Havia anos que não levava uma queda tão forte de bicicleta! Acho que desde a adolescência não sabia o que era ralar o joelho no asfalto. Levantei louco da vida porque tinha quebrado a pala do meu capacete Bell novinho e nem reparei num corte na coxa direita.

 

Passado o susto fui até a loja e equipei minha bicicleta.

 

O susto maior viria apenas uma semana depois da minha queda. Em um domingo de feriado, em novembro, o meu grande amigo Luiz Vicente que nunca saía de bicicleta sem capacete decidiu ir até a ciclovia do parque Vila-Lobos, mas achou que em um passeio tão inofensivo poderia dispensar o capacete. Afinal era um domingo, a cidade estava vazia e tudo muito calmo.

 

De fato, a cidade estava vazia. Mas ele se desequilibrou sozinho, caiu e bateu a cabeça na calçada no único jeito e no ângulo correto para causar uma grave lesão. Tão grave que faleceu a caminho do hospital de Clínicas.

 

Obviamente que foi um choque por saber da preocupação dele com o acessório, mas naquela tarde ele achou que uma voltinha aparentemente tranqüila poderia ser apenas um dia a mais de lazer.

 

Na verdade eu pretendia escrever este artigo sobre os meus três tipos de capacete logo depois do meu tombo no Morumbi. Demorei, veio o acidente do meu amigo e achei que seria mais importante ainda tentar mostrar ao mundo que graves conseqüências começam em pequenos incidentes, até que se tornem grandes acidentes.

 

Um acidente nunca é causado por UM fator, mas por uma sucessão deles. Custa a gente acreditar que um dia de lazer, como passeio de bicicleta ou escalada na montanha, possa terminar em lesões graves ou até a morte. Curioso que em todo equipamento de escalada vem escrita uma observação em vários idiomas, alertando que aquela atividade pode resultar em acidente e até a morte. Mas não leio a mesma advertência em motos e bicicletas! Parece que é um tabu, um pacto silencioso para ninguém se lembrar que eles também podem ser fatais.

 

Por isso decidi contar esta história sobre a importância dos capacetes. Eles não são um enfeite, nem um mal necessário. E usá-los é o maior sinal de sensatez e amor à vida que você pode demonstrar.

publicado por motite às 18:13
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