Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Mais uma paulada nos motociclistas

A roda da vez


Pronto. Parece que de tempos em tempos os meios de comunicação precisam eleger um tema para ser a “bola da vez”. Se tem um assunto que, tal qual a bola de bilhar, vira e mexe volta à pauta é “a-questão-dos-motoqueiros”! Especialistas em coisa alguma adoram eleger a moto como tema para espancar quando falta assunto.

Estamos prestes a viver duas grandes atrocidades contra motociclistas. Em São Paulo os especialistas nada especializados estão estudando acabar com as moto-faixas porque não reduziu o número de acidentes com motos na cidade.

Pára tudo! Não reduziu o número de acidentes com motos em Capão Bonito então vamos retirar a moto-faixa da avenida Sumaré? Se contar para um estrangeiro é capaz de passar por louco varrido.

Isso me lembra um velho professor de estatística que sempre fazia questão de afirmar que o resultado de uma pesquisa séria pode ser tão flexível quanto o interesse de quem banca a pesquisa. Felizmente tínhamos no currículo outra matéria da faculdade chamada Ética!


Outra paulada no mercado de motos vem daquelas idéias de vereadores, deputados e outros representantes desta espécime homo-politicus que tem necessidade vital de criar projetos de lei às centenas, independentemente da seriedade e validade. Um dos mais recentes quer condicionar a venda de motocicletas à obrigatoriedade de habilitação. Em outras palavras: só pode comprar motos quem for habilitado.


Para nenhum outro veículo motorizado, seja aéreo, terrestre, aquático é exigida habilitação para adquirir o bem. Pode-se comprar avião, helicóptero, barco a vela, navio, trator, caminhão ou ônibus sem comprovar a habilitação. Mas querem exigir isso das motos!!! Quando um determinado segmento da sociedade é tratado com notada diferença, sob o ponto de vista depreciativo, dá-se o nome de preconceito. Mas quandos e trata de motos dá-se o nome de resolver “a-questão-dos-motoqueiros”.


Você pode até estar pensando “pô, isso é bom, afinal tem muito motociclista sem carta se acidentando pelas ruas”.

Primeiro temos de fazer uma severa a imporante distinção entre “habilitação” e “habilidade”. Se depender do atual sistema de habilitação de motociclistas nem seria necessário exigir coisa alguma, porque ninguém sai da moto-escola sabendo pilotar nem carrinho de super-mercado. Tanto faz se a vítima tem um documento de habilitação ou não. Este pequeno pedaço de papel não faz milagres. Não basta guardar a CNH no bolso para milagrosamente se tornar um motociclista hábil.  Além disso mais de 50% de cartas que são literalmente vendidas!


Se a “questão-dos-motoqueiros” passa pela falta de habilitação o problema é de SEGURANÇA PÚBLICA. O que precisa é FISCALIZAR e punir severamente quem não cumpre a lei. Mais uma vez vemos o Estado transferindo seus problemas para o cidadão e passando um atestado de falência administrativa! É como se o Estado viesse a público confessar: “Olha, minha gente, não temos contingente nem vontade política de resolver a ‘questão-dos-motoqueiros’, por isso vamos transferir esta batata quente pra vocês”.


Juro que não tenho mais esperança de mudar esse quadro de preconceito com relação aos motociclistas. Parece uma batalha perdida. Pior que a mídia geral, não especializada, cai nesta armadilha e comete verdadeiras campanhas difamatórias e preconceituosas. Claro que nenhum destes órgãos de imprensa se preocupam em mostrar soluções, mas apenas apontar “a-questão-dos-motoqueiros”.


Aguarde: dias piores virão!

publicado por motite às 22:08
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

A cruz da CG, religião e etimologia

(A famosa cruz da CG 150: apenas uma peça de plástico)

 

Hoje, procurando um site de etimologia (estudo da origem das palavras) encontrei um velho texto de minha autoria. Na verdade queria lembrar a origem da palavra "entusiasmo" e descobri que as duas referências no Google em português são exatamente dois textos que eu escrevi muito tempo atrás. Um deles é este que segue abaixo, sobre um caso típico de histeria popular. Uma simples peça de plástico colocada dentro do farol da Honda CG 150 levou a um delírio coletivo que deve sempre ser lembrado para que não se repita e faça as pessoas pensarem antes de agir.

 

Na verdade é a resposta de uma carta de leitor, publicada originalmente no Motonline, quando eu respondia as cartas. Hoje seria impossível atender tantos leitores, mas naquela época eu fazia questão de ler todas e responder a maioria.

 

Aproveito para fazer uma reflexão sobre filosofia e religião, independentemente de qual seja a sua, ou mesmo nenhuma.

 

O mistério da cruz da CG

 

Vou começar pelo fim: eu sou muito mais religioso do que vocês imaginam. Mas como um intelectual que passou por cursos de filosofia e teologia devo fazer alguns esclarecimentos. Religião é muito mais do que acreditar ou venerar uma imagem. A religião é essencialmente iconográfica, ou seja, ela precisa de imagens e símbolos que representem aquilo que não se pode explicar de forma material. Esta é a maior diferença entre religião e ciência. O conhecimento científico se alicerça em experiências materiais.


Desde o período antes de Cristo já podemos observar imagens ligadas a deuses em várias culturas diferentes, inclusive as milenares incaicas, orientais, indígenas, nos quatro cantos do mundo. Cristo foi o último paradigma universal que dividiu a História em antes e depois de Cristo. A partir daí, a religião católica cristã se municiou de milhares de imagens para dar vazão à popularização da sua filosofia. Por isso uma Igreja Católica tem tantos adereços com imagens de santos, anjos, inferno, cruzes etc. Eu estive no Vaticano e fiquei impressionado com tanta imagem.


O que se estamos discutindo no caso dessa misteriosa peça da CG 150 é uma IMAGEM: uma cruz, que ora dizem invertida, ora dizem presa por fita. Eu não vi a peça, mas conheço suficientemente bem mecânica e eletrônica de moto – e já visitei a linha de montagem da CG mais de uma vez – para afirmar peremptoriamente que isso é um componente que tem como finalidade organizar os fios do chicote elétrico. Não é possível que alguém instale uma “macumba” em uma linha de montagem sem que os inspetores de qualidades percebam.


A Honda é uma empresa de origem japonesa, que tem uma tradição religiosa bem menos iconográfica do que as filosofias religiosas ocidentais. Portanto não faz o menor sentido acreditar que seja uma manifestação de caráter religioso, muito menos umbandístico, macumbístico ou satanístico.


Especialmente para o Alexandre, de São Paulo, devo afirmar que crer em Deus ou no Cristo que incorporou em um homem chamado Jesus é muito mais do que colar um adesivo escrito “Deus é fiel”, ou “100% Jesus” que, na minha concepção religiosa é tão desrespeitoso quanto chamar um boneco de resina de braços abertos, pregado em dois pedaços de madeira de “Magrão”. Não confunda crença religiosa com propaganda religiosa. Eu não preciso explodir a mim mesmo para acreditar em Allah. Não preciso explodir uma bomba na Irlanda para manifestar uma fé católica. Eu posso manter minhas crenças religiosas sem desprezar – ou ridicularizar – as outras. Um boneco de resina com os braços abertos pendurado em uma parede ou um adesivo colado no vidro do carro significam absolutamente nada para mim, porque na minha concepção religiosa Deus (ou qualquer outro nome que queira dar) não está na resina fundida e vendida aos milhares em camelôs, ou em mensagens nas camisetas de jogadores de futebol. Na minha filosofia de vida Deus está  apenas e tão somente dentro de mim e não tem forma. Ou melhor, tem a MINHA forma. Afinal eu fui feito … imagem e semelhança Dele.


Eu acredito também no mal, mas não da forma maniqueísta que os filmes de Hollywood gostam de mostrar. Acredito na existência do mal dentro das pessoas. O mal está  no cara que sai bêbado dirigindo e atropela um motociclista. O mal está  no sujeito que corrompe o menor para se viciar e vender drogas. Está  na sexualização de programas infantis. Está  no político que se diz evangélico, mas que desvia verba destinada a melhorar a vida de gente miserável para se locupletar em festas particulares. O mal está  em tão pequenos e despercebidos atos que passa até batido.


Só para encerrar, eu já expliquei aqui mesmo no Motonline o meu entusiasmo em escrever para vocês, mesmo sem receber nada (ou quase) materialmente por isso, em uma ação de caráter quase solidário. A origem da palavra solidário vem do latim e significa “dar de si” ou “dar si mesmo”. Já a origem da palavra entusiasmo é mais interessante. Vem do grego entheo siasmus, que significa “ter Deus dentro de mim”. Por isso eu me sinto muito entusiasmado quando vocês reconhecem esse trabalho solidário. E quer saber mais uma palavra curiosa? Humor vem de húmus, em latim, que significa fertilizante, porque acreditava-se que o humor era a matéria enriquecedora da criatividade humana. E é bom parar por aqui antes que vocês me chamem de pastor Tite. 

 

++++

Outra curiosidade sobre a história da cruz. Depois de a Honda se ver obrigada a mudar o desenho da peça por conta do delírio coletivo, alguém descobriu (ou lembrou) que o pneu da Pirelli se chamava City Demon, traduzido de forma ignorante para "demônio da cidade". E foi a vez da Pirelli sofrer com a enxurrada da ignorância religiosa!

publicado por motite às 21:01
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Postura é tudo - Segunda parte

Sob medida

 

Veja como a postura pode ajudar a pilotar melhor

 

Na coluna passada nós apresentamos a postura correta para pilotar motos utilitárias, na faixa de 125 a 150 cc para trabalho. Agora chegou a vez de mostrar como se posicionar em duas categorias de motos que se assemelham em alguns aspectos: esportivas e nakeds. As nakeds (ou nuas, em inglês) nada mais são do que motos esportivas, com motor menos potente, suspensões mais “macias” e o guidão colocado sobre a mesa superior. Justamente o guidão será o maior responsável pela principal diferença na postura.

 

Começando pela esportiva. Certamente você já notou que uma moto esportiva não tem um guidão. Na verdade são dois semi-guidões apontados para baixo e que ficam presos diretamente na parte superior da suspensão dianteira. Em alguns casos por cima da mesa superior, em outros por baixo. Mas tente imaginar que o dono de uma esportiva pilota praticamente com a mão na suspensão dianteira.

 

(Na moto esportiva a posição do piloto descreve um "Z" e isso alivia as impactos na coluna)

 

Essa característica é proposital para deixar o tronco mais baixo possível e manter o piloto bem inclinado para a frente. Assim o tórax não oferece tanta resistência ao vento. Mas esta postura tem alguns efeitos colaterais.

 

Primeiro saiba que as motos esportivas modernas são projetadas para distribuir 51% do peso na dianteira. Além disso a traseira é levemente mais alta, praticamente jogando o piloto para frente. Para complicar, parte do trabalho da suspensão dianteira se transfere para o piloto. Como conseqüência a tendência é o motociclista se apoiar nas mãos, forçando o punho e o ante-braço. Com o peso do corpo jogando para baixo e a suspensão mandando trancos para a cima, depois de algumas horas de pilotagem as dores musculares minam a energia e atenção do motociclista.

 

Para aliviar o esforço nas mãos, primeiro o motociclista deve manter os braços sempre com um pequeno ângulo nos cotovelos e nunca totalmente esticado. Fazendo assim, parte do impacto que vem da suspensão é amortecido pelos cotovelos. Mas o que vai realmente aliviar é o uso das pernas.

 

Então vamos rever toda a postura. Os braços se mantêm em ângulo, os punhos acompanham a reta descrita pelos ante-braços e os ombros relaxados. Os pés devem apoiar nas pedaleiras apenas com as pontas da bota e os joelhos forçando o tanque. Ao “abraçar” o tanque com as pernas o corpo fica preso pela cintura e o motociclista pode relaxar o esforço nas mãos e punhos. Em suma, quem deve fazer o trabalho pesado de manter o piloto preso à moto são as pernas. E aproveite porque as pernas têm músculos mais fortes, elásticos e resistentes do que os braços.

 

Mesmo nas frenagens, o piloto deve se segurar no tanque pelas pernas e pelo abdome, aliviando ao máximo a transferência de massa para os punhos. Dessa forma a suspensão dianteira fica livre para trabalhar em toda a extensão e compressão. Quando o motociclista se apóia demais nos braços e punhos, sem perceber, ele está “travando” a suspensão dianteira, limitando o curso. Ao passar em buraco ou lombada a frente reage como se alguém tivesse “endurecido” os amortecedores.

 

Idem à traseira. Quanto mais o piloto alivia a pressão sobre o banco e transfere sua massa para as pedaleiras, melhor para a suspensão traseira. Nem precisa fazer força. Basta manter sempre as pontas dos pés apoiadas nas pedaleiras, que já são bem recuadas, para que parte do seu peso seja transferido para os pés. Em caso de buraco ou lombada, basta apoiar mais nas pedaleiras e levantar um pouquinho o traseiro do banco para dar uma bela ajuda à suspensão traseira.

 

Claro que as pessoas mais altas terão dificuldade para manter as pontas dos pés nas pedaleiras, afinal as motos esportivas foram projetadas para pilotos na faixa de 1.75m. Existem no mercado algumas pedaleiras reguláveis que ajudam a encontrar a melhor postura para quem está muito fora dessa medida, para mais ou para menos. A tendência é relaxar e deixar a ponta do pé escorregar, prendendo-se pelo calcanhar. Tudo bem nos trechos de reta, mas quando chegar as curvas é melhor recolher o “trem de pouso” e deixar os pés sempre acima da linha das pedaleiras.

 

Também evite repousar a ponta dos pés sobre as alavancas de freio e câmbio. Sem perceber, você pode acionar o freio por longos quilômetros. Isso gera superaquecimento e quando precisar do freio traseiro... não acha nada!

 

Já nas nakeds é tudo muito parecido, com a diferença que o guidão – de verdade – é apoiado em mancais que são colocados sobre a mesa superior. Ora, o guidão nada mais é do que uma alavanca, que obedece ao princípio universal de toda alavanca: quanto maior, menor a força aplicada para deslocar a massa. Além disso fica posicionado mais alto em relação às esportivas.

 

(Nas nakeds o piloto fica quase na mesma postura da esportiva, com as pernas recuadas)

 

A posição das mãos e braços continuam iguais: braços em ângulo e punhos alinhados. Mas as mãos ficam relaxadas sobre as manoplas e não deixe os dedos apoiados nas manetes de freio e embreagem.

 

Já as pernas não precisam agarrar o tanque com tanta força, porque o corpo fica mais ereto, sem ser arremessado para a frente como nas esportivas. Mas nas frenagens é sempre bom “abraçar” o tanque com as pernas como forma de evitar o deslocamento para a frente. Os pés também devem ficar sempre acima da linha das pedaleiras e longe dos pedais de freio e câmbio.

 

Preste sempre atenção na postura geral. Em todos os tipos de motos o tórax deve sempre ficar levemente inclinado para a frente, de forma a descarregar os esforços na coluna. Se perceber que os ombros estão contraídos, relaxe. Com nossa experiência de mais de 30 anos como instrutor, sabemos identificar quando um motociclista não está à vontade sobre a moto. O primeiro sinal são os ombros contraídos, encolhidos, deixando o motociclista com aspecto de tartaruga escondida no casco. A gente quase não vê o pescoço! O segredo da pilotagem é manter a mente vigilante, mas o corpo relaxado.

 

Quando o motociclista pilota tenso provoca cansaço prematuro e as dores decorrentes do cansaço levam ao déficit de atenção. O motociclista passa a dar mais atenção às dores do que ao que se passa à sua volta. Além de algumas lesões por esforço ou pancada, como o popular “bico de papagaio” na coluna, o motociclista pode simplesmente “desligar” e levar um baita susto!

 

Relaxe e aproveite

 

As motos das categorias custom, cruiser, trail e big trail são feitas para relaxar e curtir a viagem

 

Neste terceiro artigo da série “postura” vamos mostrar três categorias de motos que são sinônimos de estrada e lazer: as custom, com a grande distância entre-eixos, guidões largos e abertos e pedaleiras avançadas; as cruisers, que são aquelas enormes, com bancos que parecem poltronas e até sistema de som, e as de uso misto cidade-campo que enfrentam qualquer terreno com muita versatilidade.

 

Começando pelas custom. Em primeiro lugar é preciso derrubar um mito do senso-comum. Muita gente acredita – e a propaganda reforça – que motos custom são as mais confortáveis. Não é bem assim. Por ter as pedaleiras muito avançadas (em relação ao centro da moto) o piloto precisa manter as pernas quase esticadas. Com isso as pernas deixam de funcionar como auxiliares no amortecimento e boa parte do impacto na roda traseira é transferida para o piloto. Nessa transferência, a resultante cai bem na coluna do motociclista, provocando pequenos choques nos discos intervertebrais, que são uma espécie de “coxins” colocados entre as vértebras. Depois de algumas horas nessa posição pode levar a irritação desses discos e a consequente dor na coluna.

 

(A linha amarela representa a postura do piloto em uma custom. Note o ângulo quase reto entre a coluna e as pernas)

 

Essa posição é ainda mais agravada quando o dono de custom troca o guidão original por um bem alto, apelidado de “sovacão”, porque além de perder o auxílio das pernas no amortecimento, também perde a flexão dos cotovelos que é outro aliado importante para absorver impactos.

 

Mas agora você já comprou uma custom, então veja como se posicionar e agir para reduzir esse efeito colateral. Os braços devem continuar sempre em ângulo, nunca totalmente esticados, com os cotovelos levemente dobrados. Os punhos também seguem a linha das mãos.

 

As pernas não têm muita alternativa, elas ficarão quase esticadas, dependendo da distância das pedaleiras e do tamanho do motociclista. Só procure manter os joelhos colados no tanque porque com a ação do vento as pernas são empurradas para fora e forçam a musculatura da virilha. Se ficarem bem perto do tanque o ar desvia para as laterais.

 

A ação do vento também é responsável pela única atenção especial com os pés. Você já deve ter reparado que algumas motos custom têm pedaleiras normais e outras têm uma plataforma. A função da plataforma não é estética. Ela serve para impedir que o vento, em alta velocidade, force os pés para fora das pedaleiras. Motos custom de alta potência, que passam de 140 km/h deveriam usar a plataforma para melhorar o conforto. Com as pedaleiras comuns o vento força a sola da bota e o motociclista é obrigado a empurrar o pé contra a pedaleira. Isso gera cansaço, que causa o já comentado déficit de atenção.

 

Outra dica importante para os pés é observar o posicionamento nas curvas. Como as motos custom são muito baixas em relação ao solo, as pedaleiras raspam com facilidade no asfalto. Se o calcanhar ficar muito para baixo, fora da pedaleira, pode raspar no asfalto e arrancar o pé da pedaleira. Nesse caso a plataforma também ajuda. E, ao contrário das outras categorias de motos, nas custom você pode ficar com a ponta do pé sobre o pedal do freio, porque a inclinação da canela (do motociclista) impede que fique pressionando o pedal sem querer.

 

Alguns acessórios ajudam a melhorar o conforto nas custom. Além da já citada plataforma, o pára-brisa funciona muito bem nas viagens longas. Nem toda custom combina com esse equipamento, mas se pensar no quanto aumenta o conforto é quase inevitável. O apoio para a garupa, chamado de sissy-bar é outro acessório que melhora muito a vida de quem vai atrás!

 

As categorias trail e big trail se assemelham na ciclística: pedaleiras recuadas e guidão largo. Uma das características que faz das motos de uso misto muito confortáveis é a distância do banco às pedaleiras. Isso permite pilotar com as penas menos dobradas forçando menos os músculos das coxas e panturrilha. No entanto o banco é levemente inclinado para a frente, empurrando a cintura em direção ao tanque, especialmente nas motos abaixo de 600cc. É preciso ficar esperto para não escorregar demais e ficar sempre montado na parte mais fina do banco.

 

(Nas motos de uso misto os pés também ficam recuados, mas a coluna se mantém mais ereta)

 

Outra característica que faz das motos de uso misto muito confortáveis é o grande curso das suspensões que reduzem grande parte do impacto na coluna do piloto. Além do banco com uma camada bem grossa de espuma. Nestas motos o motociclista fica mais ereto e precisa lembrar de inclinar levemente o tórax para não sobrecarregar demais os já citados discos intervertebrais. Alguns modelos contam com um pequeno pára-brisa que ajuda a desviar o vento, mas se tiver opção por um maior também melhora bastante.

 

Por fim, as motos cruisers. Bom, essas motos são verdadeiras poltronas sobre rodas. Não existe nada mais confortável em duas rodas e ouso dizer mais até do que muitos carros. Como nem tudo é perfeito, a grande dificuldade dessas motos que passam de 300 kg de peso é manobrá-las em baixa velocidade ou, pior ainda, desligadas. Alguns modelos contam com marcha a ré. E têm até piloto automático, que na verdade é apenas uma espécie de trava eletrônica no acelerador, aliviando o esforço na mão direita.

 

(Bom, nas cruisers o piloto se posiciona como se estivesse na poltrona da sala: conforto absoluto!)

 

Seja qual for a sua moto, uma outra dica esperta é usar alguns equipamentos que aliviam bastante o esforço da coluna. Um deles é a cinta abdominal integrada ao protetor de coluna. Essa cinta mantém a coluna mais ereta, mesmo quando o corpo relaxa. Ela tem ainda a função de proteger a coluna em caso de impacto.

 

Outro acessório é uma descoberta bem antiga e que tem me rendido horas de alívio sobre a moto. São as almofadas de gel feitas para cadeirantes. Pacientes que precisam usar cadeira de rodas por período prolongado usam uma almofada para aliviar a pressão sobre os glúteos e permitir a circulação do sangue na região. Essa almofada pode ser adquirida nas lojas especializadas em produtos ortopédicos (que geralmente ficam perto de hospitais), mas já existem modelos feitos exclusivamente para motos. Ela é fixada no banco por meio de uma fita de velcro. Além de permitir a melhor circulação do sangue, essa almofada reduz a vibração primária na coluna e ainda ajuda a arrefecer a região dos glúteos nos dias quentes. Conheci motociclistas no nordeste que chegavam a guardar a almofada na geladeira!!!

 

Preste atenção principalmente ao seu corpo. Antes de pegar a estrada por um logo período convém fazer algum alongamento nas pernas, coluna e braços. Durante a viagem, caso sentir algum sinal de sonolência, dor ou cansaço pare, se alimente e repita alguns dos alongamentos. O simples ato de se espreguiçar já é um bom alongamento. E vale aquela máxima regra da segurança: cansaço provoca falta de atenção!

 

 

publicado por motite às 13:18
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Postura é tudo

(Na moto custom as pernas ficam para a frente e a coluna ereta) 

Por ter uma influência muito grande da massa do piloto, a moto é um veículo que exige postura correta e disciplinada. 

Você já deve ter ouvido falar em uma técnica chamada RPG. Não, não se trata daqueles jogos de computador, tipo Senhor das Trevas, mas de uma espécie de reeducação postural geral, que ensina a recuperar a boa postura física. Quando recebo os alunos para a primeira aula no curso SpeedMaster de Pilotagem começo explicando que o preceito básico da pilotagem de moto é posicionar-se corretamente. É como um RPG voltado à moto, com objetivo de recuperar o tônus postural.

Dificilmente alguém aprende a pilotar motos com um especialista. Mais de 50% aprende com amigo ou parente. O restante em moto-escolas nas quais o instrutor está longe de ser especialista. Por isso o motociclista novato já começa sua jornada aprendendo errado com uma série de vícios posturais.
Em primeiro lugar, vou analisar os veículos. Pense no automóvel, com uma massa média de 1.000 kg. O motorista de 80 kg representa muito pouco no total da massa carro + motorista. Agora imagine uma moto de 180 kg. O motociclista de 80 kg representa quase 40% do total da massa moto + piloto. Portanto, a massa do motociclista exerce influência determinante na estabilidade da moto. 
Se um motorista pular no banco do carro durante uma curva não mudará em nada a trajetória. Mas se um motociclista se movimentar, por menor que seja, interfere no delicado equilíbrio da moto. 
Só que nem todas as motos são iguais. E para saber como se posicionar corretamente primeiro é preciso identificar em qual destas categorias sua moto se encaixa: 

Custom – Caracteriza-se por ter grande distância entre-eixos, pequeno vão livre do solo e grande ângulo de inclinação da coluna de direção (rake). A ciclística é projetada para longas retas e apresenta pouca mobilidade nas curvas e no uso urbano. O peso é concentrado entre os eixos e o piloto posiciona-se ereto, com peso deslocado para trás. Ao contrário do que se pensa, as motos custom não são o que existe de mais confortável, justamente por impedir que as pernas atuem como extensão dos amortecedores. Boa parte do impacto da roda traseira transfere para a coluna do piloto!

Esportiva – Graças aos semiguidões baixos e avançados, o piloto posiciona-se com o corpo deslocado à frente. As motos esportivas são extremamente estáveis em curvas, mas a pequena distância entre-eixos e o menor “rake” prejudica a estabilidade em retas. O pequeno vão livre do solo garante baixo centro de massa. O pequeno ângulo de esterço do guidão dificulta o uso na cidade. Também aqui existe um grande equívoco. Este tipo de moto obriga o piloto a se posicionar com o tronco para a frente e as pernas recuadas. O motociclista se assemelha a um jóquei! Nessa posição, os impactos recebidos pela suspensão são amenizados pelas pernas e não chegam com intensidade na coluna. Mas isso exige obediência a algumas normas que serão explicadas em um próximo artigo. 

(Nas esportivas o piloto fica inclinado, com os pés recuados)

Naked – tem praticamente a mesma ciclística de uma moto esportiva, porém com o guidão montado sobre a mesa superior. Isso proporciona maior ângulo de esterço e facilita o uso urbano. As suspensões são mais “macias” e confortáveis. Como o piloto fica com as costas mais eretas, os bancos dessas motos tem maior camada de espuma para suavizar os impactos vindos das suspensões.

Trail e uso misto – Por ter guidão largo, pequena distância entre-eixos e grande vão livre ao solo é uma moto que se enquadra muito bem ao uso urbano, sobretudo se a cidade tiver péssima pavimentação. Além, é claro, de uso rural, nas trilhas e estradas de terra. Porém a relação de transmissão “curta” limita a velocidade nas longas estradas. O posição de pilotagem leva o piloto a deslocar o quadril para a frente. Por conta do grande curso de suspensão, da grossa camada de espuma e do guidão largo, essa é, na verdade, a categoria de motos mais confortáveis. Por isso mesmo são as preferidas por quem pretende dar a volta ao mundo.

 

 

(As motos de uso misto são as mais confortáveis) 
Utilitária – Representam quase 80% do mercado. São as motos na faixa de 100 a 150cc feitas para trabalho. As pedaleiras ficam posicionadas de forma a permitir longas jornadas sem forçar as pernas. O piloto fica bem ereto e pilota praticamente sentado. Como são pensadas para trajetos curtos, privilegia a praticidade, mas nem sempre as suspensões são calibradas para o conforto. 

(As pequenas utilitárias privilegiam a praticidade)


De todas estas categorias, as que exigem posturas mais diferentes são a custom e a esportiva que têm características muito diferentes das outras. Por isso, vou dividir em partes, começando pelas utilitárias, que são a maioria.
Relaxe

A primeira regra é manter o corpo relaxado, ombros soltos, costas levemente inclinadas para frente. Os braços ficam sempre em ângulo, nunca esticados. A expressão “braço-duro” vem dessa postura endurecida sobre a moto. 
Os punhos devem seguir os braços e repousar relaxado sobre as manoplas (as peças de borracha). Importante é manter as manetes (as alavancas de freio e embreagem) bem à frente dos dedos. Tenho visto muitos motoboys deslocando as manetes para cima como forma de evitar as batidas nos espelhos dos carros. Porém, com a alavanca do freio colocada para cima o motociclista precisa girar o punho para alcançar a manete e acaba acelerando ao mesmo tempo!
Já os pés também devem ficar relaxados sobre as pedaleiras, mas atenção: não deixe as pontas apontadas para baixo. Nem sobre os pedais de freio e câmbio. Quando a ponta do pé fica apoiada no pedal do freio, sem perceber toca de leve no freio, provocando aumento do consumo de gasolina e superaquecimento do sistema de freio. Deixar o pé apoiado no pedal de freio não reduz o tempo de reação nas frenagens, como dizem nas moto-escolas, só gasta mais freio!
Também mantenha as pontas dos pés sempre acima da linha das pedaleiras. Lembre que as motos inclinam nas curvas e chegam até a raspar os pedais no asfalto. Imagine se a ponta do pé encostar no asfalto e bater em algum obstáculo. Além de desequilibrar a moto pode causar uma grave lesão nos pés.
Lembre-se de que o banco é bem espaçoso, não precisa ficar com a barriga apoiada no tanque!
Na próxima coluna a postura das motos esportivas e nakeds.
____________________
Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, www.speedmaster.com.br 

 

publicado por motite às 18:55
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