Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Mais uma do Galvão!

(Até o Deus Ayrton Senna já bateu de propósito! Foto:Tite)

 

Durante a narração do GP da Bélgica de F1 (milagrosamente sob sol) Galvão Bueno cometeu mais uma salamada clássica. O comentarista Reginaldo Leme deu uma prova de ter colhões de aço e afirmou: "Há suspeitas de que Flavio Briatore tenha mandado Nelsinho Piquet bater de propósito no GP da Cingapura em 2008 pra facilitar a vida de Alonso".  Logo em seguida Galvão saiu em defesa do brasileirinho Piquet alegando que "nenhum piloto bate de propósito". Pronto! acabou de provar que 35 anos de F1 não lhe ensinaram porríssima nenhuma!


Acho que jornalistas deveriam evoluir nos segmentos especializados como qualquer outro esportista. Deveriam começar cobrindo corridas de kart, depois nas fórmulas de base e só então teria direito à super-licença de jornalista de F1. Assim evitaria uma burrice sem tamanho como essa!


COMO ASSIM, GALVÃO??? Todo final de semana, em alguma pista desse mundo, tem um piloto dando porrada de propósito, KCT!!!


Só quem nunca gravitou no meio poderia dar um depoimento tão imbecil como esse. Vou lembrar algumas porradas propositais só na Fórmula 1. No GP do Japão de 1989, narrado pelo Muy Bueno Galvão, Alain Prost não teve a menor cerimônio em jogar o carro pra cima de Ayrton Senna. Ou alguém nesse mundo de meu Deus acha que foi uma batida casual???


GP do Japão de 1990. Ayrton Senna largou mal, viu que Alain Prost faria a primeira curva na frente e não teve dúvida: abaixou a cabeça e acertou o francês à meia nau! Alguns anos depois o Ayrton mesmo declarou que bateu de propósito e de forma a quebrar tudo!


GP da Austrália de 1994. Depois de tocar no muro de Adelaide, Schumacher percebe que Damon Hill está se aproximando e irá vencer a corrida. O alemão não teve dúvida: jogou a Benetton em cima da Williams de Hill e garantiu o título mundial matematicamente.


GP da Espanha de 1997. Já na Ferrari Schumacher começa a ter problemas no carro quando percebe a aproximação de Jacques Villeneuve. Não teve dúvida: meteu a Ferrari na lateral da Williams. Só que não adiantou porque perdeu o título.


GP de Mônaco de 2006. Depois de fazer a sua volta rápida, Michael Schumacher percebeu que Alonso poderia roubar-lhe a pole position, então numa curva de lenta ele simplesmente estacionou a Ferrari no meio da pista, simulando uma batida. Dançou porque foi punido e largou em último.


Tá bom, Galvão, ou quer mais???

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publicado por motite às 21:56
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Sábado, 29 de Agosto de 2009

Nissan Lança a Livina X-Gear

(Careca ao volante, perigo constante! Foto: Osvaldo Luís Palermo)

 

Nissan apresenta o X-Gear, versão aventureira da Livina

Parece que a moda de aventura tomou conta de vez da indústria automobilística. Mesmo que seja uma aventura meramente cosmética, aumentam as ofertas de modelos com mais cara de fora-de-estrada, mesmo que feitos para uso exclusivo no asfalto. Essa é a proposta do novo Nissan Livina X-Gear, apresentando nesta sexta-feira (28)
em São Paulo, SP, em duas opções de motores: 1.6 e 1.8, ambos flex de 16 válvulas.

 

O X-Gear é praticamente o Livina de cinco lugares, com alguns detalhes puramente estéticos para dar um visual menos “tiozão” ao monovolume feito para a família. Não mudaram nem o tamanho das rodas, que continuam de liga leve de 15 polegadas, nem a suspensão, que manteve a mesma distância livre do solo (16,5 cm). A maior diferença está no novo pára-choque dianteiro, totalmente redesenhado. Bem como as peças extras para “fortalecer” o visual do Livina, como as abas de plástico nas caixas de roda, o rack na capota e o borrachão nas laterais.

 

Os preços começam em R$ 50.000 para a versão 1.6 com câmbio mecânico, até R$ 65.000 na versão 1.8 com câmbio automático. Em breve a avaliação completa dos modelos.

 

Leia em breve a avaliação completa no BCWS.

 

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publicado por motite às 02:49
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

EXTRA! EXTRA! EXTRA! NOVA TÉNÉRÉ NO LISARB

(É ela!!! a nova Yamaha Ténéré em teste no Brasil! Foto: Camarão)

 

Notícia de última hora. Motite revela: Yamaha testa a nova Ténéré no Brasil!!!

Amigos, essa notícia é tão quente que queimou meus dedos! A nova Yamaha Ténéré foi flagrada na avenida Marginal de SP (lugarzinho discreto pra KCT) em teste. É um sinal claro que esse modelo deve ser apresentado já no Salão Duas Rodas de outubro.

Espero que seja lançada mesmo para apagar o fiasco da MT-03 uma das motos mais micadas deste século. Esse papo de moto desáiner é coisa pra fresco mesmo. Motociclista de verdade gosta de moto com cara de moto, cheiro de moto, dirigibiliade de moto e que possa levar a muié na garupa!

Que venha logo a nova Ténéré que'u tô louco de vontade de andar nela. Só até ali, Santiago...

curtam as fotos (atenção colegas da imprensa: CtrlC+CtrlV com o devido crédito, tá!!!)

 

 

(Fala sério, esse blog é muito pop!!! As fotos foram enviadas pelo crustáceo-leitor-decápode Camarão)

publicado por motite às 15:04
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Pêndulo – o que é isso?

(moto em linha reta, em pé, o centro de massa está longe do chão) 

Quem assiste a uma corrida de moto fica perplexo como os pilotos são capazes de inclinar tanto para o lado interno da curva a ponto até de raspar o joelho no asfalto. Essa manobra, chamada de pêndulo é responsável pelos maiores absurdos que já li em publicações impressas e atualmente na Internet. Só para ilustrar, quando os primeiros pilotos americanos começaram a abrir as pernas para o lado interno da curva até raspar os joelhos no asfalto, uma revista brasileira chegou a publicar que aquela postura tinha a função de freio aerodinâmico Como se fosse um flap de avião!!! 

Outras teorias insanas diziam que o joelho tinha função de terceiro ponto de apoio: caso a moto derrapar de frente o piloto poderia corrigir forçando o joelho contra o asfalto. Hã-hã! Tudo balela. 

A postura do piloto tem a função de vencer o efeito que tende a jogar qualquer objeto para fora na curva. Todo corpo em movimento tem a tendência de se manter na trajetória até que uma ação externa intervenha. Entra em cena mais uma velha lei de Newton, a inércia.

 

(Com a perna muito aberta = pouca inclinação)

Para vencer a inércia o piloto precisa brigar contra a Física. Durante a curva uma nova força (ad hoc) age sobre a moto em direção oposta à da curva. É a centrífuga que faz os objetos ficarem com essa mania ridícula de querer sair reto em vez de fazer a curva. É nessa hora que o piloto precisa jogar a massa do conjunto moto+piloto no sentido contrário da centrífuga e leva esse esforço tão ao extremo que chega a sair de cima do banco da moto e apoiar-se quase apenas pela perna do lado externo da curva. 

Como o piloto de moto tem essa possibilidade de usar sua massa para reverter a tendência de ser jogado para fora da curva ele aproveita e também faz com que a massa do conjunto se aproxime ao máximo do solo. Toda corpo tem um centro de massa (ex centro de gravidade). Pessoas têm centro de massa, as motos também têm, carros, bicicletas, skate, Kombi, barco, tudo tem centro de massa. Quando a moto está em linha reta ela fica em pé e o centro de massa da moto+piloto está, por exemplo, em um ponto imaginário a cerca de 80 cm do solo. 

(Piloto com a perna fechada=moto muito inclinada = centro de massa perto do solo! A linha horizontal mostra a centrífuga que quer jogar a moto para fora da curva; a linha vertical é a forga G, da gravidade, puxando pra baixo e a linha diagonal é a resultante que recai bem em cima dos... pneus!) 

Quanto mais próximo do solo estiver o centro de massa, maior é a estabilidade do corpo em movimento. No momento da curva, a moto se inclina e se aproxima do solo, junto com o piloto, claro! Para aumentar ainda mais esse deslocamento da massa em direção ao chão, o piloto usa a perna e chega a raspar o joelho no asfalto em busca da máxima inclinação. Nessa posição, o ponto imaginário do centro de massa do conjunto moto+piloto estaria a 40 cm do solo, ou seja, metade da distância em relação da moto em pé! 

Ah se fosse só isso! Pena que existe ainda outra força atuando sobre o conjunto. Uma força que está presente o tempo todo e não há como anulá-la: a gravidade! À medida que a moto sai do ponto de equilíbrio, na vertical, e começa a se aproximar do solo, é nítido o deslocamento sobre o eixo longitudinal e ao ficar, por exemplo, a 50º em relação ao solo a gravidade vai atuar com a descarada intenção de trazer tudo para o chão. 

O papel do piloto é equilibrar todos esses efeitos que atuam sobre o conjunto: a gravidade que quer jogá-lo no chão, a centrífuga que quer mandá-lo para fora da curva, a inércia, que quer manter todo corpo em movimento sempre em linha reta e a aproximação do centro de massa em direção ao solo. E mais ainda: o efeito giroscópico das rodas em movimento que "endurecem" a moto na hora da inclinação. Pensa que acabou? Tem ainda o efeito giroscópico do virabrequim que também pesa na hora de deitar a moto.

O que serve de consolo é saber que nada na moto é por acaso. O departamento de engenharia já desenvolveu a moto pensando nessa posição. Por isso as esportivas parecem tão instáveis quando estão em linha reta, mas são absurdamente estáveis durante a curva. Pensando em todas essas influências exercidas pela Física, os engenheiros sacaram que a resultante dessas forças recai exatamente sobre os pneus da moto. Por isso os pneus de moto são tão diferentes dos pneus de automóveis: a inclinação do carro nas curvas é desprezível e quase imperceptível. 

Daí a tamanha importância em verificar, manter e controlar os pneus das motos. Pneus gastos, mal calibrados, de medida diferente da original ou velhos comprometem todo trabalho feito para dar estabilidade à moto. Assim, basta confiar nos pneus que boa parte do sufoco estará resolvida. 

E mais: o piloto usa o pêndulo também para calcular o quanto a moto está inclinada em relação ao solo. Se ele estiver tocando o joelho no asfalto com a perna muito aberta é sinal que a moto está pouco inclinada. Se ele quase não tem mais espaço para colocar a perna entre a moto e o asfalto é porque está muito inclinado. A forma como os sliders do macacão se desgastam também fornece informações ao piloto sobre a postura sobre a moto. 

Viu? O pêndulo nada tem a ver com ser rápido ou lento. A velocidade em curva independe de encostar o joelho no asfalto. Basta aproximar o máximo possível. Tem pilotos que precisam trocar os sliders a cada corrida. Outros podem usar o mesmo par de slider durante todo final de semana. 

Uma coisa que me assusta muito é ver motociclistas raspando joelho no asfalto nas estradas. Se o piloto bater com o joelho em alguma irregularidade no piso, ou naqueles tachões com olho de gato, correrá o risco de ficar com a patela enfiada no acetábulo!

 

publicado por motite às 20:19
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Somos uns boçais

(Jipe e motos se encontram no mesmo ponto da estrada)

 

Como meus leitores sabem, eu começo a semana dando uma geral nos jornais de todo mundo pelo site Today’s front pages. É uma espécie de resenha de jornais de todo o mundo, com links para os sites. Dependendo do país, pode-se ter a chance de ver a capa (primeira página) dos jornais do mesmo dia. E o que sempre me deixa impressionado é a quantidade de acidentes de trânsito estampada nas primeiras páginas, reflexo da carnificina do domingo. E mais: é grande e universal o assustador índice de acidentes com motociclistas.

 

O problema de acidente com motociclistas não é exclusivo do Brasil e menos ainda de países pobres, porque pode-se ler ocorrências em vários países desenvolvidos. Alguns acidentes são os previsíveis: motos esportivas em alta velocidade nas estradas de mão dupla. De repente, basta um erro para a moto invadir a pista contrária e bater de frente com algum outro veículo. Neste domingo um jovem morreu na região Reggio Emilia (norte da Itália) outro ficou gravemente ferido quando duas motos esportivas alvejaram um Jeep de frente! Até o motorista do Jeep está internado em estado grave. As três vítimas tinham menos de 25 anos.

 

(motorista sai da garagem sem olhar: mais um acidente fatal)

 

Mais ao norte, na região do Alto Adige, outro acidente fatal com motociclista de 45 anos. Dessa vez por absoluta imprudência de um motorista que saiu da garagem de casa sem olhar e foi atingido pela moto. A esposa do motociclista estava internada em estado grave na UTI.

 

Aqui no Brasil, em Pernambuco, uma obra mal sinalizada custou a vida de uma jovem de 19 anos que estava na garupa de uma moto. Um enorme buraco aberto na rua já tinha provocado quatro acidentes; um motociclista não percebeu a obra e bateu nos cavaletes de sinalização. A jovem foi arremessada por cima da moto e morreu antes de ser socorrida. Não ficou claro se estavam equipados.

 

(aqui no Lisarb: obra que mata!)

 

O acidente mais insólito foi no Peru, quando o passageiro de uma moto-taxi foi baleado por pistoleiros. A notícia não deixou claro o motivo do tiroteio, mas a vítima sobreviveu e certamente terá muito que explicar!

 

Essa rotina de primeiras páginas com acidentes de trânsito tem uma característica bem interessante: quanto mais pobre e provinciana é a região, maior é o destaque aos acidentes, sobretudo os fatais. O sensacionalismo ainda é uma ferramenta muito usada para vender jornal.

 

Se os jornais de São Paulo publicassem acidentes fatais com motociclistas na primeira página não haveria espaço para mais nenhuma notícia. Mesmo se o Lula desse um tiro na cabeça a notícia sairia só na segunda página. Se sobrasse espaço!

 

O que mais me assusta nessa publicação diária de notícias com acidentes envolvendo motociclistas é se tornar tão habitual a ponto de se tornar o padrão. Tenho certeza que um dia ainda vamos encarar o acidente de trânsito como algo tão natural quanto um cachorro latir, um gato miar ou um pássaro voar.

 

Muito antes de chegarmos a essa chacina mundial, o compositor Caetano Veloso já deu sua contribuição à essa boçalidade do trânsito violento ao criar os primeiros versos da música “Podres Poderes”

 

“Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...”

 

É isso: enquanto motos e fuscas ignoram os sinais de trânsito os verdes – nós – vamos nos sentindo cada vez mais boçais!



publicado por motite às 18:30
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Valeu, Rubens!

(Abração pra vc também!)

 

Foi emocionante a vitória de Rubens Barrichello no GP da Europa. Dessa vez não teve erro, nem dele, nem da equipe, pelo menos da Brawn! Quem pisou na bola foi a McLaren que esqueceu os pneus na de trocar os... pneus! Básico!

 

Por mais que eu tenha criticado publicamente o Rubens Barrichello, lá no íntimo sempre torci pelo sucesso dele. Nunca deixei de elogiá-lo como piloto, só não gostava de algumas atitudes do Rubens pessoa. Deixando de lado o jornalista e escrevendo como torcedor e fanático por automobilismo desde criança, queria muito que ele se desse bem. O Rubens Barrichello foi o primeiro piloto que acompanhei já como jornalista de perto desde o surgimento, nas corridas de kart. Inclusive trabalhei na assessoria de imprensa dele na época da F-Opel, F-3 e F-3000.

 

Nas poucas ocasiões que ainda encontro com ele em eventos de imprensa faz questão de me cumprimentar pelo nome de batismo “Geraldo” e acrescenta: “o cara das motos!”. Por isso eu torço por ele, mesmo que largue em 14º e termine em 8º lugar. Torço para que ele não perca a vontade nem se machuque. Coisa de tio. Só não gostava quando ele desandava a criticar o carro, a equipe, o companheiro de equipe, etc. Reclamar demais é feio, é mais bonito esperar cinco anos e voltar a vencer em outra equipe!

 

Na véspera da corrida, sábado, fui escalar e tocamos no assunto F1. Foi quando um amigo questionou: “mas o Rubinho é bom mesmo?” E respondi:

 

- Ele é ótimo, só que passou pela experiência de sempre estar no lugar certo, mas na hora errada!

 

A passagem dele pela Ferrari foi ofuscada porque tinha um gênio da espécie que canalizava todas as atenções para ele. Agora na Brawn não pensem que ele acelera menos que Button, só que teve de brigar para receber atenção contra um inglês em uma equipe inglesa. Pô, qualquer pessoa que conhece corrida sabe que existem privilégios; é tão natural quanto respirar. Se a equipe se chamasse Marrom e fosse genuinamente brasileira adivinha quem estaria recebendo todas as atenções?

 

Foi ótimo ver Rubens vencer a 10ª (+1)* corrida da carreira e ser a 100ª(+1) brasileira na F1. Mas não sou louco de colocá-lo como favorito pelo título, porque muita água vai passar pelo radiador ainda. Vou continuar torcendo por ele, apenas como torcedor, mais nada.

 

À tarde foi a vez de assistir à etapa de Sonoma da F-Indy. Gente, o que é essa categoria? Ou melhor: o que é essa falta de categoria? Parece corrida de F-Ford entre estreantes e novatos. O nível técnico dos pilotos está muito baixo. Os caras rodam sem parar, só conseguem ultrapassar pelo método full-contact, batendo roda com roda e aquela pista californiana me lembrou o autódromo de Caruaru! Um pastelão com cheiro de metanol!

 

* Toda vez que citarem o número de vitórias de Rubens Barrichello na F1, acrescentem mais uma: aquela vergonhosa corrida na Áustria em 2002 que ele liderou de ponta a ponta e foi obrigado a deixar Schumacher passar quase na linha de chegada. Ele ganhou aquela corrida, só quem não acredita nisso é a cúpula da Ferrari.

publicado por motite às 04:57
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

De volta às origens

(Finalmente um carro com cor!!!)

 

Pouca gente sabe, mas ao contrário do que se pensa comecei minha carreira de jornalista escrevendo sobre carros e não motos! Foi lá no comecinho dos anos 80 que o jornalista, então do Estadão, Wagner Gonzalez criou um jornal para o Automóvel Clube Paulista e lá fui eu ser o foca (nome genérico de jornalista estagiário). Meu primeiro texto foi sobre o lançamento do Fiat Uno (aff...), cujo título foi Uno Spettacolo!

 

Depois só em 1989 que eu voltaria aos carros ao ingressar na equipe da revista Quatro Rodas. Algumas participações esporádicas na Auto Esporte e só. Minha vida profissional foi toda em cima de duas rodas mesmo.

 

Recentemente meu amigo, brother e jornalista Fabrício Samaha, editor, criador e dono do site Best Cars Web Site, do portal UOL, pediu alguns testes de moto e me ofereci para escrever também sobre carros. Como a indústria brasileira de carros tem lançamentos demais e jornalistas de menos ele aceitou e virei suplente de Fabrício. Quando ele não pode, eu vou!

 

Assim, caí no meio do lançamento do Kia Cerato, dia 20, no chiquetésimo, bacanérrimo e luxuosésimo Paradise Golf Resort, na nada paradisíaca cidade de Mogi das Cruzes, SP. E já comecei causando, como sempre. Cheguei tarde da noite e ao perguntar onde estacionar a moto o lobista (sujeito que trabalha no lobby do hotel) indicou a porta de entrada.

 

- Como? É pra entrar com a moto?

 

- Sim, senhor, pode guardar aqui na recepção!

 

- O Sr tem certeza disso???

 

E assim, pela primeira vez na vida minha moto dormiu dentro de um hotel de luxo!

 

O carro é bem interessante. Um sedã feito para concorrer diretamente com o Honda City. Como eu não tinha muita referência dos novos carros e a avaliação era apenas um comboio até Bertioga, não pude sentir de fato as qualidades do carro. Gostei muito do desenho da carroceria, bonito e discreto, mas achei o interior meio pobrinho, tudo de plástico. Bom, a avaliação vc faz favor de ler no BCWS .

 

(Desenho mistura Honda Civic com BMW série 3)

O que mais gostei foi da carroceria sedã. Desde criança eu desenhava carros com começo, meio e fim. Carro tinha de ter frente, meio e traseira. Meu desespero foi a onda de fast-back como Passat e Kadett ou os "sem-bunda" como Uno, Gol etc chamados de hatch-back. Pior ainda, os monovolumes como Honda Fit, Renault Scénic e todos os SUVs. Não consigo gostar de carro sem traseira!

 

A boa notícia é que os sedãs estão em alta novamente. Já representam 25% das vendas no Brasil e o número de modelos ofertados aumenta anualmente. Fiquem de olho no BCWS para conhecer um pouco do meu lado de jornalista quadrúpede.

 

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Os sete pecados capitais

(Ooooooooo pecado...)

 

A Ira – Décadas de abandono transformaram os motociclistas profissionais (ou moto-boys) em uma espécie de “categoria especial” de condutor. Eles exigem caminho livre, desrespeitam qualquer convenção de trânsito e reagem com violência quem atrapalha seu caminho. Essa intolerância gerou a natural resposta dos motoristas e instalou-se a guerra no trânsito. A raiva e intolerância são recíprocas em qualquer cidade que tenha congestionamento. Se dependesse dos motoboys nenhum motorista mudaria de faixa e seria obrigado a se manter na mesma faixa por toda a via. Não sei quem deu aos motoboys o status de donos das ruas, mas são assim que agem. Dessa atitude é fácil ver cenas de agressão de ambos os lados, a ponto de eu ter presenciado uma cena assustadora. Um motorista quis mudar de faixa e dois rapazes em uma moto 250 praticamente arrancaram o espelho retrovisor e ainda chutaram a porta do carro. Só que o motorista saiu do carro empunhando uma arma e correu atrás dos dois que, encurralados, abandonaram a moto e fugiram a pé! Aí foi a vez de o motorista derrubar a moto com um chute! É a ira à flor da pele!

 

E antes que alguém perca tempo escrevendo que isso é uma “generalização”, aqui vai o aviso: generalização é o que faz a rádio CBN e autoridades públicas, que tratam todos os motociclistas como se fossem motoboys. Eu não generalizo, eu observo, estudo, analiso e interpreto segurança de trânsito há 20 anos e por isso posso declarar sem qualquer medo de exagero que a MAIORIA ABSOLUTA dos motoboys que circula em SP beira a criminalidade. E olha que o comportamento sociopata deles contamina os outros motociclistas que usam motos utilitárias para transporte pessoal. Tanto faz se o motociclista usa um casaco da SPS Logística ou apenas um casaco da CR, eles adquirem o arquétipo do motoboy irado. Neste caso o “irado” não tem duplo sentido: é relativo à raiva mesmo!

 

A gula – Parece piada, mas o que tem de motociclista “fofo” é impressionante. Diferentemente do carro, na moto a massa do condutor influencia diretamente na pilotagem. Quanto mais peso (massa) a moto receber, maiores serão as cargas aplicadas na aceleração, frenagem e deslocamentos. Não quer dizer que moto só é permitida a pessoas com índice de massa corpórea igual ao de um maratonista, mas para alguns tipos de motos, como as esportivas, seria altamente recomendável que o motociclista não fosse obeso. Pelas características de mobilidade das motos, é preciso ter um corpo rápido e elástico. Uma das principais preocupações ao adquirir uma moto é levar em conta o biótipo do futuro motociclista. E ter o bom senso de saber que pessoas grandes e pesadas terão mais facilidade em pilotar motos como big-trail ou custom do que esportivas e nakeds. Como o bom senso é uma qualidade cada vez mais rara hoje em dia, fica o aviso: a gula pode te afastar das motos!

 

A inveja – Desde que o ex-presidente collorido Fernandinho liberou as importações de motos, em 1992, começou um fenômeno curioso, uma espécie de fogueira das vaidades entre os motociclistas, principalmente os que estavam na faixa de 35/40 anos. Nos anos 90 foi uma invasão de Kawasaki Ninja, verdadeira revoada de esportivas na estrada. Aí, quando alguém via o amigo com uma esportiva de 600cc corria na loja e comprava uma 750cc. E o da 600 imediatamente comprava uma 1.000cc e assim, movidos pela inveja e pela cobiça, nasceu uma geração de motociclistas com motos de 150 a 180 cv sem a devida capacidade técnica de pilotagem ou mesmo sem um pingo de equilíbrio emocional para pilotar essas motos. Engraçado é ver motociclistas baixinhos, que mal conseguem equilibrar uma 250cc, pilotando pesadas e altas motos de 1.000 ou 1.200cc só pra mostrar aos amigos o tamanho do seu brinquedo! 

 

A soberba – Esse é o sentimento que move muitos motociclistas. Não basta ser um bom piloto de moto é preciso MOSTRAR isso aos outros. Até aí, nada de errado, se essa necessidade de exibicionismo fosse em um palco adequado, como as competições. Sempre insisti que o ÚNICO lugar no qual você pode provar alguma coisa é na pista de corrida. Mas a falta de coragem, ou de sensatez (sempre ela...) leva centenas de motociclistas semanalmente às estradas exibindo-se como se fossem pilotos de motovelocidade, de cross ou de rally. Para piorar, a popularização das câmaras digitais permitiu registrar o exibicionismo e exibir orgulhosamente no Youtube. É por isso que vemos tantos filmes de acidentes (alguns fatais) rodando na Internet. Tenho certeza que depois ninguém se orgulha de ter induzido um amigo ao um acidente grave.

 

A avareza – Essa pode ser dividida em dois focos. No primeiro caso o pecado não é capital, mas municipal. A sede por arrecadação faz com que as prefeituras instalem mecanismos para aumentar o número de multas. Câmeras de vídeo inteligentes já são capazes de registrar, interpretar e identificar veículos com IPVA atrasado, sem licenciamento, em alta velocidade ou que desprezam sinais de trânsito. Pena que essas mesmas câmeras não sejam capazes de identificar veículos roubados, ou funcionem como inibidores de elevadíssimo número de roubos de motos em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. A avareza municipal só funciona pra cobrar seu dízimo, mas não presta nenhum serviço quando roubam nossos bens!

 

O segundo foco da avareza vem dos motociclistas. A vontade de economizar até o ar do pneu leva muitos motociclistas a procurar peças de reposição nos desmanches clandestinos. Ao recorrer a este “serviço” fomenta o comércio de veículos roubados. Comprar peças de procedência duvidosa, sem nota fiscal é mais do que um pecado, é crime. Se não for pegar cana aqui, vai amargar um purgatório bravo depois!

 

A preguiça – “Amanhã eu faço”. Essa é a frase preferida de quem não faz a manutenção regular da moto. Pior: não é por falta de grana, mas por pura preguiça. Ajustar a corrente de transmissão, por exemplo, requer apenas alguns minutos e deixar para depois pode causar um baita prejuízo. Se a corrente escapar pode provocar um calço no eixo primário, quebrar ou entortar tudo! Pior se ela escapar e travar a roda traseira, que pode causar um acidente.

 

A luxúria – Este é um pecado difícil de escapar. Porque se tem uma coisa que motociclista adora é curtir o luxuriante prazer de rodar pelas estradas em dia de bom tempo, acompanhado de pessoas queridas. Eu mesmo sou um pecador renitente! Pô, também não dá pra ser motociclista e santo!!!

publicado por motite às 19:26
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Fotolog

(Hornet voadora)

 

Hoje lembrei de meus velhos Fotologs abandonados. Essa coisa de cada hora ter uma novidade na interatividade humana causa algumas perdas. Mal comecei a me acostumar com o Blog e lá vem o Twitter. Confesso que não me imagino com um Twitter, mas em breve terei de criá-lo porque é uma ferramenta de marquetching pro curso de pilotagem.


Fui rever meus velhos fotologs e comecei a rir sozinho com a quantidade de bobagem que já escrevi na vida. Um deles o Escalafobético foi criado para zuar a comunidade de escaladores. Tem cada post que eu racho de rir quando releio. Se vc estiver triste, deprimido, entra lá e comece a ver as fotos aleatoriamente.

 

(Os três "climbikers" escaladores e motociclistas)

 

Meu apelido na escalada é Cotton, de Cotton Head (cabeça de algodão) porque o nosso mais querido e saudoso amigo, Carlinhos, olhou pra mim pela primeira vez e gritou no meio da academia:


- Parece aquele hominho da propaganda de cottonete Johnsson!!!


O outro fotolog O Mundo é Uma Roda foi criado para ilustrar as crônicas do meu livro.  Muitas das histórias do livro eu registrei e publiquei as fotos nesse fotolog. Também aproveitei para publicar alguns trabalhos do tempo em que fui fotógrafo. Passa nestes fotologs que é garantia de diversão!

 

(Andréia Rissi no Visual das Águas. Foto: Tite)

 

(A minha famosa calça cor de rosa... Foto: Alê Silva)

 

(Eu, num boulder que abri no quintal do Carlãozinho. Foto: Caio Mattos)

 

(Betina, na Normal do Baú. Foto:Tite)

 

(Minha filha Luna na via Normal do Bauzinho. Foto:Pai)

publicado por motite às 03:29
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

O filósofo e o idiota

(Rudolf Steiner, pai da antroposofia)

 

Uma pergunta de leitor gerou este artigo, publicado originariamente no Motonline

 

Uma das qualidades do site Motonline desde o nascimento, 10 anos atrás, é sempre que possível abrir espaço para notícias “não-motociclísticas”. É fácil perceber que os colaboradores do Motonline são pessoas novas no circuito jornalístico especializado, alguns especialistas em informática (Paulo Couto), em direito do consumidor (André Garcia), em coisa velha – ok, clássicas – (João Tadeu) e muitos outros colaboradores que você nunca viu em revistas especializadas. Além disso, um veículo de comunicação recebe uma quantidade absurda de press-releases de praticamente toda atividade humana. Os assessores de imprensa perderam a noção e já recebi até convite para participar de uma feira de artigos para supermercado!

 

Graças a esse tiroteio de informações, recebemos um informativo sobre a eleição do Cristo Redentor como uma das novas Sete Maravilhas do Mundo. A notícia tem nada a ver com moto, mas enche qualquer brasileiro de orgulho. E brasileiro orgulhoso que é, Ryo Harada, mentor do Motonline, não teve dúvida: colocou a notícia em destaque na primeira página.

 

Então um leitor nos escreveu indignado, perguntando “O que a eleição do Cristo Redentor como Maravilha do Mundo tem a ver com as motos?”. Como eu era o respondedor de cartas, esta caiu no meu colo e imediatamente pensei em devolver no fígado do missivista. Como eu estava bem alimentado, feliz, decidi escrever um editorial para explicar ao desavisado leitor que aquele não era um site feito por nem para idiotas. O texto é este que segue abaixo:

 

“O que tem a ver o artigo “Cristo Redentor é uma das novas maravilhas do mundo” com moto?”

 

O Essa pergunta pegou a todos de surpresa e, num primeiro, momento pensei em responder de forma irônica, mas decidi refletir sobre a questão. Para isso viajei no tempo, cerca de 10 anos atrás, quando estive na Alemanha visitando minhas filhas e tive a oportunidade de jantar com um importante filósofo estudioso da doutrina antroposófica (vá pesquisar “antroposofia” no Google!).

Sempre fui interessado e defensor da pedagogia Waldorf, por isso seria uma oportunidade rara de debater o assunto com um especialista. Com muita dificuldade para dialogar, misturando alemão, inglês e italiano, a ponto de me sentir um maluco sem idioma nem pátria, conversamos sobre tudo. De carros a política econômica, de esportes de inverno a literatura portuguesa e inglesa, e principalmente sobre nossas experiências de viagens. Só não falamos de futebol porque ambos eram agnósticos dessa religião. Quando o jantar já estava chegando ao fim – sim, os alemães têm o hábito de convidar para qualquer reunião com hora para começar e terminar – intercedi e perguntei: “tá, mas e a filosofia?”. Ele levantou, pegou um livro de umas 400 páginas e jogou no meu colo: “tá tudo aí, é só ler, mas eu não queria desperdiçar o tempo falando de filosofia”.

 

- Desperdiçar o tempo? Mas você é o especialista!

 

- Justamente por isso, eu sou tão especialista em um assunto que não quero me tornar um “Fachidiot”!

A expressão “Fachidiot” (pronuncia-se fahidiôt) significa fielmente “idiota em um assunto”. Quer dizer o seguinte: são aquelas pessoas que de tanto se especializar em apenas UM assunto acabam se tornando um idiota em outras áreas. Qualquer um que olhe à sua volta poderá identificar vários desses idiotas em um assunto. O ambiente de trabalho é onde mais tem dessa gente.

Conheci várias pessoas com esse perfil. O maior deles – literalmente – foi oAyrton Senna. Era verdadeiramente incapaz de conversar ou olhar o mundo se não fosse pela ótica do automobilismo. Nas raras vezes que tentou desviar o assunto derrapou feio.

Talvez isso explique o motivo de eu ter uma certa alergia a encontros de motos e motoclubes. O assunto invariavelmente é só moto! Nada de anormal, afinal é que nos leva a essas reuniões, mas sempre me admiro quando desvio o assunto e descubro pessoas cheias de informações sobre os mais variados temas do conhecimento humano. Imagine o volume de sabedoria que se desperdiça nesses encontros! Faça uma experiência: no próximo encontro procure desviar o tema da conversa, em vez de motos questione sobre a atividade do motociclista e se prepare para que um universo de conhecimento se descortine à sua frente.

Quem teve a chance de ler o meu livro “O Mundo É Uma Roda” notou que a segunda parte é dedicada a temas e situações variadas para que leitores menos especializados em motos também pudessem se divertir. E o maior fenômeno desse livro é a enorme quantidade de elogios que recebo de esposas, filhos e pais dos leitores que nada têm a ver com motos! Recentemente uma esposa de leitor me escreveu afirmando que não agüentava mais ver o marido rir sozinho na sala e decidiu pegar o livro. Resultado: também leu compulsivamente. Porque uma das minhas preocupações, depois daquele jantar com o filósofo alemão, foi não cometer o suicídio cultural de me tornar um “Fachidiot”. Desde então tento fugir desse discurso monocórdio que tem a moto como tema central.

Acredito mesmo que todas as pessoas buscam esse ecletismo na vida, mesmo ao entrar em um site no qual o assunto é motociclismo. Pode-se notar esse fenômeno ao visitar o fórum Motonline ou a comunidade Motonline no Orkut. Geralmente os tópicos acabam derivando para assuntos correlatos. É um ganho excepcional pra todo mundo. O que eu já aprendi ao ler os tópicos do fórum e do Orkut daria para encher uma enciclopédia. Até receita de chocolate quente você encontra no fórum Motonline! E com conhaque!!!

Eu até entendo a preocupação de alguém em questionar o que o Cristo Redentor tem a ver com o motociclismo, mas a resposta é “tudo”. Tudo a ver! Claro, duvido que algum cidadão brasileiro chegue à base daquela estátua de 38 metros, independentemente de qualquer significado iconográfico, construída em 1930, com mão de obra essencialmente braçal e não se emocione. E se tem uma coisa que tem muito a ver com moto é emoção!

 

Pontualidade Germânica

Uma curiosidade sobre esse jantar que não foi relatada na época. O casal que convidou a minha família marcou o jantar às 19h37. Em princípio achei aquilo típico de alemão: não pode ser 19:30 nem 19:40, tem de ser 19:37! Ficava irritadíssimo com essa mania de marcar encontros em horários quebrados.

 

Naquela ocasião eu não tinha acesso à Internet em casa, muito menos celular, GPS, essas coisas modernas, então eu andava pra cima e pra baixo com um guia de ônibus, trem, metrô e bondes. Mesmo assim me perdia mais que cachorro vira-lata. Nesses guias, além de toda rede de transporte, constavam os horários de cada parada, tempo do percurso, trocas de viaturas etc etc e mais um monte de etcéteras.

 

No metrô eu me desesperava porque as linhas norte-sul-leste-oeste-nordeste-sudoeste-bombordo-estibordo eram diferenciadas por cores!!! Aí eu entrava na estação e lia no manual “pegar a linha verde”. Lá ia eu perguntar – em alemão – pra alemãzada qual era a linha verde. E eles olhavam com espanto pra minha cara, como se eu fosse louco e respondiam:

 

- A linha verde é aquela que tem os cartazes pintados de verde, os túneis são verde e no chão tem uma linha verde!

 

Como explicar – em alemão – pra essa gente que eu não conseguia distinguir a cor verde? Nem a vermelha, nem laranja, ocre, bege, creme, turquesa e um monte delas!

 

Quando descemos do ônibus percebi que a casa do filósofo era do outro lado da rua, olhei pro relógio: 19:37! Foi então que entendi o motivo dessa pontualidade doentia. Basta fazer o itinerário entre os dois endereços, somar o tempo de viagem do ônibus e do bonde e... bingo! Não há atraso, nem se quiser! Para ser pontual basta fazer o caminho inverso e descobre-se a que horas é preciso sair de casa para chegar na hora certa, incluindo os trechos de caminhada!

 

Mesmo assim, não resisti e perguntei por que não marcar, por exemplo, às 19:40? Foi então que comecei a entender a lógica alemã, muitas vezes confundida com ingenuidade. O anfitrião respondeu:

 

- E o que você ficaria fazendo três minutos lá fora? Já pensou se estiver nevando?

 

publicado por motite às 23:07
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