Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Moto Remaza e SpeedMaster juntas

 

(Um curso exclusivo para cliente da Remaza)

 

Neste sábado, dia 30 de maio, será realizado no circuito do ECPA, em Piracicaba, o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio, organização e incentivo da Moto Remaza, concessionária Honda de São Paulo. É uma experiência inédita para a SpeedMaster, mas que permitiu reduzir o valor da inscrição em mais de 30%.

 

Quem se deu bem são os 21 clientes que esgotaram as vagas em apenas 10 dias!!!

 

Se você estiver sem um programa mais excitante e quiser passar por lá, para conhecer o curso de perto, será um prazer recebê-lo. São só 140 km de SP a Piracicaba e o mapa você acha no site http://www.ecpa.com.br

 

E anote na sua agenda: próximo curso SpeedMaster será dia 13 de junho. Corra (devagar) porque as vagas são limitadas! Informações: info@speedmaster.com.br

 

 

Olha só o que achei: já fui patrocinado pela Remaza! Foto: Mário Bock)

publicado por motite às 23:08
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Modess na testa

(No calor infernal de Goiânia nasceu uma idéia cheirosa. Foto: Donini)

 

A importância de um absorvente íntimo para um piloto de motovelocidade.

Já disse várias vezes que uma das diferenças fundamentais entre a pilotagem de carro e moto é o uso do corpo. Na moto o piloto é obrigado a forçar braços e pernas, além de abdômen, glúteos, pescoço, enfim, o corpo todo; enquanto no carro o piloto movimenta basicamente os braços.
 
Só existe uma modalidade motorizada mais cansativa do que motovelocidade: motocross. Depois disso só mesmo aquelas modalidades toscas que não utilizam motores, como bicicross, mountain-bike, maratona, triatlon e outras torturas medievais que chamam de atividades físicas saudáveis.
 
Imagine o que significa pilotar uma moto, sob o sol escaldante do verão goiano, durante 45 minutos, onde o verbo aliviar não faz parte do glossário. A corrida do campeonato brasileiro de motovelocidade em Goiânia, no ano de 1998, foi uma demonstração do que pode ser o purgatório de um pecador renitente.
 
A pista de Goiânia é simplesmente a melhor do Brasil - e uma das melhores do mundo, segundo me confessou Kevin Schwantz - para correr de moto. Tem imensas áreas de escape SEM BRITA, trechos de alta, média e baixa velocidade e um retão delicioso. Ou seja, é um playground para quem corre de moto. Dizem, nunca confirmei, que o idealizador do traçado foi Edmar Ferreira, ex-piloto de moto. Daí o traçado ser tão gostoso. No entanto, o asfalto é uma autêntica merda, na falta de outra palavra mais educada. Muitos buracos, além de o composto da massa asfáltica não resistir ao calor – o que, em se tratando de Goiânia, trata-se de um eufemismo.
 
Assim que botei os pés no autódromo, o Alemão, meu chefe de equipe, já passou a receita: Quem treinou caiu, e quem ainda treinaria, com certeza também cairia. Você não sabe como isso anima um piloto... Saí para o primeiro treino livre, com a Honda RS 125 mais afinada que o primeiro violino da Orquestra Filarmônica de Londres. Já conhecia a pista e fui tratando de escolher a melhor trilha. Isso mesmo, tínhamos de achar uma trilha na qual a pista não estivesse escorregadia, com pó de asfalto. Com isso fui me aproximando do César Barros, que corria na categoria A, enquanto eu estava na B. Cheguei a pensar: "êba, estou melhor do que pensava, mais uma volta e vou ultrapassar o César, no meu primeiro treino livre, uau!"
 
Encostei, e na curva antes da entrada da reta o César demorou um milionésimo de microssegundo para começar a inclinar. Foi o suficiente para eu passar e... levar um tombaço bem na frente de todo mundo. E ainda quase fui atropelado pelo César. Depois deste, eu ainda levaria mais dois tombos, um em cada treino.
 
O domingo amanheceu com um calor de mais de 40°C e a umidade relativa do ar não passava de 25%. No segundo dia em Goiânia meu nariz já estava sangrando, sem falar no suor que escorria da testa que nem as Cataratas do Iguaçu. Já nos treinos percebi que o calor transformaria aquela corrida num sufoco. O capacete ficava encharcado de suor e não conseguia mais absorver a umidade. O resultado era terrível, porque as gotas de suor escorriam, passavam pelas sobrancelhas e caíam nos olhos, provocando aquele ardor de quem pingou colírio de gasolina. Imagine isso bem na frenagem no final da reta, a 212 km/h!
 
No caminho para a pista, diante de uma farmácia, veio a idéia: colocar um absorvente feminino dentro do capacete, para reter o suor. Parei numa farmácia e andei, meio sem graça, confesso, pelas gôndolas em busca de um modelo que fosse "aderente à calcinha e fininho". Precisei da ajuda da balconista, que indicou um tipo anatômico, com gel e com adesivo. Tornei-me um especialista no assunto a ponto de fazer outra escolha, por um de uso diário, que as mulheres costumam usar para..., para..., bom, vamos deixar estes detalhes sórdidos de lado.
 
(Meu capacete tem cheiro de calcinha... melhor que de cueca! Foto: Arnaldo Schver)
 
Já no warm-up testei meu Intimus Gel e o resultado foi excelente, obtendo muito mais firmeza do que a outra marca alternativa. O problema era o sal do suor afetar a cola do adesivo e fazer o absorvente sair do lugar e descer para os olhos, cobrindo a visão. Por isso preferi o modelo com gel. Nem preciso dizer que fui motivo de piada a manhã inteira, até minutos antes da largada que, como sempre na nossa categoria, seria pontualmente ao meio-dia.
 
Só de vestir o macacão o corpo já ficava suado. Fui para a largada e corri os 45 minutos sem ter problemas de suor nos olhos. Ao final da corrida, tirei o capacete e torci o absorvente, que escorreu suor como se fosse uma torneira. Muitos pilotos presenciaram esta cena, mas ficaram ainda brincando com meu acessório especial.
 
A etapa seguinte foi no Rio de Janeiro, também conhecido pelos pilotos de moto como Rio de Chuveiro, porque choveu em cinco corridas seguidas naquela pista. Menos em 1998, ano que fez um calor desumano. Quando eu circulava pelos boxes, antes do primeiro treino livre, vi que alguns pilotos já tinham, literalmente, aderido à moda do absorvente. Menos o César Barros, que apareceu com um sachê fabricado especialmente pela Shoei para fazer a mesma função do velho, bom e eficiente absorvente, só que muito mais caro. Ou seja, minha "invenção" já existia e eu nem sabia.
 
* Texto publicado no livro “O Mundo É Uma Roda” (editora SpeedMaster) à venda no site http://www.motonline.com.br  ou http://www.linhamoto.com.br

 

publicado por motite às 14:37
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Sábado, 23 de Maio de 2009

Vai Rubinho!!!

(Estou vestido de Virgin e com o seu capacete, não me decepdione! Foto: Gasparzinho)

 

Primeiro quero deixar claro que não gosto dessa mania de brasileiros em chamar todo mundo pelo diminutivo. Já escrevi um artigo no site GPTotal sobre a maldição do "inho" no esporte brasileiro. Qual centro-avante vai respeitar um zagueiro chamado Luizinho. Mas se o cabra for chamado de Luizão Quebra Canela muda bastante o "approach" do centro-avante.


Mas como eu conheci o Rubens Barrichello quando ele tinha 9 anos e era um baixinho, gorduchinho e engraçadinho, também não resisto chamá-lo de Rubinho.


Sempre torci pra ele, embora também tenha algumas ressalvas como essa coisa besta da sambadinha e o chororô exagerado. Acho que ele ainda está bem fisicamente e certamente vai ganhar corridas em 2009. Quanto a ser campeão, aí não apostaria... Já vi de tudo na F1, mas Jason Button está numa fase brilhante, pode-se ver isso na cara dele após cada corrida. E olha que já chamei o Jason Button de "um grande cheque sem fundo da Fórmula 1".


O que a opinião pública que critica o Rubens não entende é que um piloto de Fórmula 1, já no poente da carreira, com mais de 37 anos ter a chance de classificar e chegar entre os três primeiros em um campeonato é uma tremenda alegria. Meu melhor ano como piloto foi em 1999, aos 39 anos de idade. A cada largada eu olhava em volta, via meus adversários de 18, 20 anos e pensava "será que esses caras estarão competitivos daqui a 20 anos?".


Independentemente da classificação, eu terminava cada corrida com o corpo moído, mais suado que tampa de marmita, mas com a alma tão feliz, mas tão feliz que se eu morresse naquele momento iria sorrindo pro céu. Ainda bem que não morri!


Eu gostaria muito que o Rubens ganhasse o GP de Mônaco, amanhã, domingo. Mas sei que é uma tarefa quase hercúlea. Se não ganhar, que chegue em segundo. Se não der pra chegar em segundo, termine em terceiro pra levar um belíssimo e significativo troféu para seus filhos Eduardo e Fernando. Mas pára de fazer essa cara feia após cada corrida, porque você nem imagina da inveja que os outros 18 pilotos da categoria estão sentindo desse seu gás. Curta cada corrida, divirta-se, aprenda a sorrir com o seu patrocinador, dono da Virgin, esqueça essa pataquada de proteção ao Button (pow, a equipe é inglesa, isso já diz tudo) e, por favor: GANHE ESSA PORRA, AMANHÃ!!! 

 

(Ganhei o capacete do Rubens após vencer uma corrida de kart em Interlagos. Não ria dos meus mullets. Foto: Mario Fittipaldi)

publicado por motite às 16:52
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Olha eu na mídia de novo!!!

 

(Ih, olha eu na TV Record! Foto: Oc Tostes)

 

Uma vez eu ouvi uma frase que era algo tipo assim: "Quem tem amigo não morre pagão". Confesso que não entendi bem o que isso significa, até porque nunca refleti se paganismo é uma coisa boa ou ruim. Que nem aviso "contém glútem" nas embalagens. Afinal, glútem é bom ou ruim? Pra que a gente precisa saber se tem glútem?

 

Pois meus amigos continuam a dar a maior força neste meu trabalho "quixotesco" como definiu o André Garcia. Dessa vez o amigo foi Octavio Tostes, leitor desse humilde blog e jornalista da Record. Sempre que precisam de alguém pra palpitar sobre pautas que envolvem motociclistas ele me pede um pitaco.

 

A primeira vez foi sobre a aburda idéia de proibir as motos de circularem nos corredores entre os carros. Agora foi sobre outro absurdo: um projeto que quer exigir o uso de colete air-bag por motociclistas. No caso dos motociclistas pode até ser um equipamento válido, porque efetivamente aumenta a segurança. Mas no caso dos motoboys é outro daqueles projetos sem o menor vestígio de sensatez e com um fedorento cheiro de lobby no ar.

 

Motociclistas morrem por trumatismo crânio-encefálico e geralmente o cérebro fica dentro da cabeça. Como alguém pode exigir o uso de um colete que custará 400 a 500 paus por um motociclista que usa um capacete de 50 contos??? Primeiro é preciso fiscalizar e exigir o uso de bons, válidos e eficazes capacetes. Imagina que coisa mais ridícula: o cara com um colete de 400 paus e um capacete nojento de 50 reais, desafivelado e todo detonado!

 

Em nenhum país do mundo esse equipamento é obrigatório. O rico, desenvolvido, próspero e socialmente elevado Lisarb será o primeiro a exigir que motociclistas paupérrimos usem coletes com air-bag. Imagino que os Suecos, Alemães, Ingleses morrerão de inveja!

 

Às vezes vou dormir pensando: "O que será que vão aprontar em Brasília dessa vez?"

 

Ah, e às empresas que procurei em busca de patrocínio e que responderam "como justificar o investimento?" um recado: Só nesta semana vocês deixaram de ganhar alguns milhares de reais em mídia. Quem é do meio sabe o que estou falando...

 

OBRIGADO OC!!!!!

 

(A dupla Oc e Doc: síndrome de TOC por motos. Foto: Gasparzinho)

 

 

publicado por motite às 00:41
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Tô na Mídia! Tô na Mídiaaaaa!!!!!!!!

(Essa mocinha é a jornalista Fernanda, a vida dela mudou depois do curso. Foto: Schvear)

 

Há 25 anos sou jornalista e neste período escrevi dezenas, centenas, milhares, sei lá, uma montanha de artigos, mas poucas vezes fui alvo de alguma reportagem. Por isso fiquei muito emocionado ao ler o artigo escrito pela  jornalista Fernanda Pressinott que, a exemplo do advogado André Garcia, fez o curso e depois escreveu com total liberdade e sem nenhum jabá no site Motonline.
 
Meus sinceros agradecimentos à Fernanda, André e a todos que ajudam a divulgar este trabalho. Segue a íntegra da matéria publicada no suplemento DC Carro do Diário do Comércio, de São Paulo.
 
Aprendendo a pilotar de verdade
 
A repórter do DC foi para a pista aprender a correr de moto. Mas também se divertiu
 
O empresário Adelchi Bossardi tem 25 anos e comprou sua primeira moto há seis meses, assim que tirou a habilitação. E o que isso tem de estranho? Nada, a não ser o fato de ele ter adquirido uma Fazer 600 cc, da Yamaha, para começar a aprender. E uma moto um tanto quanto grande e agressiva, para quem não tem experiência nenhuma. E como se ele· quisesse aprender a dirigir em uma carreta.
 
(Os 14 alunos me ouvem sob um sol escaldante. Foto: Arnaldo Schvear)
 
A diferença entre Bossardi e outros pilotos iniciantes e a consciência. Sabendo que não tinha habilidade suficiente para pegar estrada sem fazer barbeiragens ele recorreu a um curso de técnicas de pilotagem, o SpeedMaster, ministrado pelo jornalista especializado em motos ex-piloto de mo­tovelocidade e instrutor de pilotagem há dez anos, Geraldo Tite Simões.
 
O curso, promovido em Piracicaba (SP), tem como objetivo usar técnicas de pista de corrida para aprimorar a pilotagem em ruas e estradas. E realmente vale a pena. Para quem não sabe nada, vai aprender desde a posição correta na motocicleta ate a melhor maneira de frear e/ou como fazer curvas.
 
(O curso começa com todo mundo ziguezagueano na minha frente. Foto: Arnaldo Schvear)
 
Mas não e só para iniciantes, pelo contrário, pilotos bem experientes se surpreendem com técnicas como o contra­- esterço, isto é, a possibilidade de virar o guidão para o lado contrário à direção para onde se quer ir na hora de um desvio. É bem complicado quando se escuta a teoria, mas na prática dá para ver quão eficiente pode ser. “Eu gosto de viajar e vim em busca de ter mais segurança. No fim das contas, aprendi várias outras coisas e me surpreendi. Foi um dinheiro bem investido”,diz Luis Fernando Carneiro Mendes, 47, comerciante de Itapeva como Bossardi e dono de uma Suzuki Bandit 650.
 
Calor - O legal é que o curso é divertido de fazer. Embora a parte teórica tenha conteúdo difícil que remete as aulas de física do colégio, passa rápido porque o professor e engraçado. Os exercícios na pista são desafiadores e gostosos de praticar. O inconveniente é usar roupa de proteção sob forte sol do interior. Realmente mata qualquer um.
 
(Fernanda no slalom. Foto: Arnaldo Schvear)
 
A ideia de ministrar cursos de segurança surgiu de uma experiência de Tite Simões nos Estados Unidos. “Já era piloto profissional quando fiz um curso lá descobri que não sabia nada”, diz. Tentou montar um curso de Racing, mas descobriu que o despreparo das pessoas era tão grande que seria melhor ensinar os pilotos a andar na estrada.
 
“A motoescola deveria ensinar, mas faz o contrário disso. O primeiro erro é impedir o motociclista de frear com o freio dianteiro. Depois, nas ruas existem lendas estranhas do tipo 70% da frenagem e com o dianteiro, 30% com o traseiro. Na verdade, existem diferentes frenagens para diferentes situações”, explica. Outros temas são postos na berlinda como a necessidade de deitar demais o corpo em curvas na estrada. E o curso também passa rápido por informações sobre vestimenta adequada; técnicas na chuva, em terra e pilotagem noturna. “0 motociclista jamais pode dizer 'não vi', tem de que estar atento o tempo todo e 'pre-ver' o que pode acontecer a cada trecho de estrada”, afirma Tite Simões.
 
Por: Fernanda Pressinott
 
publicado por motite às 19:46
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Consciência x coerência

(Lavar a calçada com mangueira pode, fazer xixi no vaso não pode! Foto: Tite)

 

Desde que me conheço por gente meu avô, “Seo” Renato Della Latta, já dizia: “O mundo vai acabar porque as pessoas não respeitam a natureza”. O que eu achava uma tremenda sacanagem, porque mal tinha nascido e o mundo já acabaria dali a alguns anos! Podia esperar pelo menos eu fazer 18 anos pra tirar carta!
 
Como um legítimo oriundi, importado de Lucca, Itália, meu avô tinha uma consciência ecológica muito avançada para seu tempo. Ele lembrava, resignado, as tardes que passava nadando no hoje fétido e morto rio Tietê e dizia que o futuro do planeta dependia de fontes alternativas de energia limpa, como por exemplo, do movimento das marés. Hoje já existem estudos avançados neste tipo de captação de energia.
 
Meu avô morreu há 20 anos e não teve a chance de ver que o planeta caminha inapelavelmente para o fim que ele predestinava.
 
Muita gente muda de vida e de comportamento em nome da ecologia e meio ambiente. O que é louvável, desde que feito da maneira certa. O problema começa no momento em que se criam idéias estapafúrdias sem um pingo de sensatez. Na semana passada ouvi uma das maiores besteiras já criadas em nome do meio-ambiente. Um dos diretores da Fundação SOS Mata Atlântica recomendava que as pessoas fizessem xixi durante o banho como forma de economizar a água da descarga. Na reportagem, o diretor afirmava que não havia perigo de contaminação por doenças nesta prática.
 
De fato, tem gente que até toma xixi e não morre. Mas como fica a questão da HIGIENE! Eu fico enojado de usar o chuveiro dos clubes, albergues e academias por causa do forte cheiro de amônia, fruto do “ecológico” hábito de fazer xixi durante o banho. Eduquei minhas filhas a não repetir essa porcaria em nossa casa, nem nos lugares públicos, e agora vem um “especialista” ensinar os jovens a empestear os banheiros!
 
O cheiro de urina é biologicamente projetado para ser forte e duradouro. Somos mamíferos que usavam o cheiro da urina para marcar o território e expulsar os intrusos. Parece que às vezes os especialistas se esquecem que somos humanos, sim, mas fazemos parte do reino animal! E xixi é fedorento, seja de qual animal for!
 
O que me deixa potencialmente irritado é ver uma mamãe ensinando seus pimpolhos a mijar no chuveiro, enquanto a empregada lava o quintal com a mangueira. É esta falta de coerência que me enfurece no discurso dos “ecochatos”. A única forma de evitar a impregnação do cheiro de urina é lavar cuidadosamente o box do chuveiro, inclusive com desinfetante. Esse tempo extra com o chuveiro ligado já anula todo efeito “ecologicamente-correto-e-higienicamente-nojento”.
 
O porqueira do diretor da fundação faria um serviço muito mais limpo – em todos os sentidos – se criasse campanhas de reaproveitamento da água. Por exemplo: reusar a água das máquinas de lavar roupa e louça para lavar a calçada, garagem, piso etc, atitudes que minha mãe já pratica há décadas. Ensinar as crianças a desligar o chuveiro enquanto se ensaboa, durante o verão, ou usar um balde para captar a água excedente do chuveiro, durante o inverno. Porque não há meio de convencer uma criança a desligar o chuveiro por alguns segundos em pleno inverno.
 
Em suma, existem medidas muito mais sensatas e higiênicas para economizar água do que ensinar maus modos às crianças. Hoje elas fazem xixi no box do banheiro, amanhã estarão fazendo xixi na calçada com a maior naturalidade do mundo!
 
Pets
Aqui no meu bairro existem vários vizinhos caridosos, amantes dos animais. A moda mais recente é recolher os cães e gatos das ruas, levar ao veterinário, vacinar, castrar, colocar uma plaquinha de identificação e... soltar de volta na rua! Eles ficam vagando, com suas coleiras, mas sem residência fixa. Para alimentar esses animaizinhos fofinhos os moradores com síndrome de São Francisco de Assis espalharam casinhas de madeiras pelas calçadas e colocam pratinhos com ração e água. Um gesto de ingênua bondade, mas de infinita insensatez. Quem agradece a comida cara e sofisticada são os... RATOS!
 
(Oi, adivinha quem veio jantar?)
 
Os ratos são os animais domésticos mais livres do meio-ambiente. Eles entram na tua casa, comem tua comida, aproveitam do conforto e caem fora de volta para turma. Ou seja, é praticamente um adolescente.
 
Meus vizinhos alimentam os ratos de duas formas: por meio de ração de primeira qualidade, mas também com uma refeição que os ratos simplesmente A-DO-RAM: grãos! Nessa ingenuidade ambiental, meus vizinhos jogam milho para atrair as rolinhas (Streptopelia Turtur), que comem o suficiente pra encher a pança e deixam o resto para os ratos! Depois meus vizinhos não entendem porque aumentou tanto a população de ratos no bairro! Só na minha casa, nestes cinco primeiros meses do ano já capturei meia-dúzia de fofinhos roedores. Alguns anos atrás, um vizinho quase morreu de leptospirose, mas acho que ninguém associou a doença ao hábito de alimentar a rataiada.
 
Podem reparar numa coisa: quem mais faz pelo meio-ambiente é justamente o que menos divulga suas ações. Ou por humildade, ou porque preservar o lugar onde vive é o mínimo que se pode fazer para valorizar sua existência! Quer respeitar o meio-ambiente? Quer pagar de ecologicamente correto? Quer fazer discurso bonito na escola dos filhos? Quer economizar água e deixar seu banheiro fedendo a amônia? Tuuuuudo bem, mas vamos combinar: APRENDA A FAZER DO JEITO CERTO!!!
publicado por motite às 17:00
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

VANDALISMO

(O que esperar de quem destrói por prazer?)

 

Amigos, leitores e blogueiros.


Quem acompanha o Motite desde os primeiros passos sabe que eu realizo um trabalho de formiguinha individual e levemente digno: devolver ao meio ambiente um pouco do que foi retirado. Já fiz um trabalho de reflorestamento na região do vale do Paraíba, com plantio de mais de 6.000 mudas de espécies nativas.


Depois criei um pequeno viveiro de mudas especialmente de pau-brasil (Cesalpina Echinata). Quem não conhece essa história é só clicar aqui: http://motite.blogs.sapo.pt/31696.html A única razão desse viveiro é distribuir as mudas a amigos e qualquer pessoa que se disponha a cuidar delas.

 


Depois de criar uma muda desde a semente por cinco anos decidi plantar na frente da minha casa mesmo. Quando eu a plantei já tinha 1,21m e gostou tanto do local que em pouco tempo desenvolveu e cresceu mais de 10 cm em poucas semanas.

 

 

(A muda principal, poucos dias antes de ir para o solo)

 

Até que uma sexta-feira abri o portão e tive um choque: QUEBRARAM MINHA MUDA!!!


Minha, não, de todos vocês, de todos nós, de todo paulistano. Um grupo de delinqüentes mirins de uma "comunidade" da região tem como diversão sair pelas ruas e quebrar árvores e destruir canteiros. 


A cesalpina não foi a única vítima desse grupo de pequenos vândalos, outros vizinhos também foram atacados. Já tive meu carro avariado por essa corja de mini-bandidos que roda pelas ruas infernizando os cachorros, coletando lixo reciclável e pedindo esmolas.


Não sou porta-voz do assistencialismo paternalista do Estado, mas já impedi que esses catadores recolhessem o lixo reciclável por uma questão técnica: eles não são capazes de destinar a totalidade desse lixo e parte dele acaba voltando para o ambiente. Os coletores oficiais têm condições de destinar até lixo tóxico como pilhas e baterias.


A minha decepção foi tão grande que parei temporariamente de criar novas mudas. Pra mim foi um golpe. Como confiar no futuro de uma cidade que tem cidadãos incapazes de preservar uma simples e inocente muda de árvore? Eu já tinha lido a respeito no site da Prefeitura. Segundo dados oficiais mais de 30% das mudas plantadas na cidade não atingem a idade adulta por puro vandalismo!!!


É muito triste! Não posso conviver com pessoas que destróem a vegetação pelo simples prazer de ser vândalo!


Felizmente ela não morreu, mas já não terá mais um desenvolvimento natural porque perdeu a gema principal. Ela está cheia de brotos, com pouco mais de 80 cm de altura e agora vai se recuperar por forças próprias porque era a muda mais saudável do viveiro.


Senti como estivesse perdido um filho, mas vou seguir a cultivar as mudas que ainda tenho e depois decidir se continuo ou não a manter o viveiro. Acho que a cidade não merece mais esse benefício. 


 

publicado por motite às 13:45
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Do lar

(Esse é o metro quadrado mais rentável da minha vida!)

 

Home Office

Como é trabalhar em casa.
 
Já faz muitos anos que tomei a decisão de ser free-lancer e trabalhar em casa. Ou seja, virei aquilo que falavam da minha mãe: do lar! Ser free-lancer é uma vida para quem tem nervos de aço, porque é cheia de altos e baixos, com alguns momentos de mais baixos do que altos. Mas tem suas vantagens, como não ter chefe, nem horário, muito menos aquelas musiquinhas irritantes de sala de espera de dentista e nem um café sofrível.
 
Já faz uns 15 anos que defendo o fim dos escritórios que seguem o mesmo formato há mais de um século. Hoje, com a tecnologia de informação que dispomos chega a ser ridículo ver um jornalista sair de casa, pegar trânsito, perder tempo nas ruas, chegar a uma sala, ligar o micro, acessar a internet e fazer a mesma coisa que poderia fazer no conforto da sua casa.
 
Vários profissionais já adotaram o home-office, nome afrescalhado para o velho “trabalho em casa”. Só na minha rua, em um bairro da zona sul de SP, são vários vizinhos engenheiros, arquitetos, artistas plásticos, web-designers, jornalistas, tradutores etc etc... todo tipo de profissional liberal. São todas residências normais, pois pela lei de zoneamento esse bairro é estritamente residencial.
 
Convivendo com esses vizinhos descobrimos vários hábitos e necessidades comuns, como o uso de internet de banda larga, instalação de um porteiro eletrônico (quando não conta com empregada doméstica) e uma tremenda mudança no comportamento, sobretudo para quem sofre de déficit de atenção e começa a fazer alguma coisa sem nunca conseguir terminar... oohhh!
 
Por exemplo, esse texto começou a ser redigido faz uma semana, mas nesse período parei várias vezes para organizar o curso de pilotagem do dia 9 de maio, regar as plantas, levar a cachorra pra passear, atender novos alunos, visitar o Orkut, trocar mensagens pelo MSN ou pelo skype, e uma infinidade de distrações eletrônicas da Internet.
 
Como qualquer opção na vida, trabalhar em casa tem vantagens e desvantagens. A principal vantagem é não precisar se deslocar. Nas grandes cidades isso representa uma imensa economia de grana, tempo e saúde. Imagine o período que passei naquela revista de mulher pelada que ficava lá do outro lado da cidade. Eu saía da zona Sul para chegar na zona Norte e trabalhar em um computador, da mesma forma que faria na minha casa.
 
Outra vantagem é ficar livre dos ranços corporativos como a natural hegemonia chefe-e-os-outros, secretárias despreparadas (pra não dizer burras), estagiários espertos (no mau sentido), fofocas, almoços insosso, horários rígidos e inexplicáveis etc. 
 
No campo da desvantagem tem a natural dificuldade de concentração, a tendência a se tornar cada vez mais individualista (devolve minha tesoura, porra!), menos sociável, falta de uma secretária burra (e gostosa...), virar síndico da sua própria casa, fazer horários malucos, se render à tentação de deitar na rede para um “cochilinho rápido” e outras.
 
Por isso decidi escrever uma cartilha para quem quiser transformar sua casa em um eficiente home-office sem ficar duro nem virar um solene vagabundo de carteirinha!
 
1) Programe-se! O fato de não ter mais chefe não significa que ficou livre de prazos e eficiência. A melhor forma de evitar passar dias de pijama e pantufas é criar uma rotina de trabalho como se fosse um escritório, mas sem a rigidez nazista de um chefe carrasco. Por exemplo: estabeleça uma um horário para acordar, tomar café da manhã e iniciar as atividades profissionais. Vista-se casualmente, mas por favor, não atenda a porta de bermuda, barrigão de fora e chinelo velho. Também mantenha a aparência saudável e asseada, como fazer a barba e cortar as unhas! A falta de chefe não significa falta de regras, se bobear você acaba passando a maior parte da manhã lendo jornal, brincando com os filhos ou com as jovens e saudáveis filhas do seu vizinho...
 
2) Faça um horário e procure respeitá-lo, com hora certa para almoçar, intervalos para lanches, café e principalmente para ENCERRAR a sua jornada. Se vacilar estará trabalhando 18 horas por dia sem perceber. É importante determinar o começo e o fim da jornada. Eu encerro minhas atividades, no máximo, às 19:00 horas, porém começo às 10:00. O que dá uma jornada saudável e razoável, sem exageros, nem margem para cochilos.
 
3) Faça intervalos regulares. Pô, vc está na sua casa, portanto aproveite para curtir seu jardim, seus filhos e seus animais de estimação. Mas é importante ensinar os filhos que o fato de estar em casa o dia todo não significa que você está disponível o tempo todo! Faça com que eles percebam o lado “empregado” de sua atividade e que você tem prazos e precisa produzir como se estivesse em uma empresa, porém com a vantagem de fazer pequenos intervalos para ler gibi, contar história, dividir uma brincadeira, enfim, curtir a maravilhosa sensação que é ver seus filhos crescerem ao seu lado.
 
(Curta seus filhos...)
 
4) Instale um porteiro eletrônico! Quem mora em casa sabe o inferno que representa uma campainha tocando a cada meia hora. E uma paralisação besta pode arruinar a continuidade de quem trabalha com criatividade, por exemplo. Bem no meio do raciocínio você tem de parar para abrir a porta a um fanático religioso vendendo uma cota de participação no Paraíso! E tenha um telefone sem fio com identificador de chamada!
 
5) Avise seus amigos que agora você trabalha em casa, mas que não significa total liberdade para tomar uma cerveja terça-feira às 3 da tarde! Claro que pode fazer uma concessão eventual e acompanhar um amigo a um evento, dar uma carona, ir à festa dos filhos etc. Lembre que criar rotina não pode representar uma rigidez militar. Eu mesmo paro tudo que estou fazendo às vezes só para ir ao mercado, lavar o carro, ir ao banco qualquer coisa que relaxe a cuca e funcione como uma válvula de alívio para a criatividade. Várias boas idéias surgiram nesses momentos.
 
6)  Muitos profissionais nestas condições têm a tendência a trocar o dia pela noite. Conheço pessoas que desempenham muito mais de madrugada e isso tem nada de errado. Mas aos olhos das pessoas comuns acordar tarde pode ser sinal de preguiça ou vida desregrada. Ninguém tem a obrigação de saber que você ficou trabalhando até as 3 da madrugada. Por isso evite atender o telefone com aquela voz de quem acabou de ser despertado! Use a secretária eletrônica e desligue a campainha do telefone. Se tiver uma reunião no horário da manhã procure dormir cedo pra não chegar com a cara amassada e a marca do travesseiro estampada na testa.
 
(Não fique de roupão o dia todo!)
 
7) Existe uma grande diferença entre trabalhar em casa quando se mora sozinho ou quando tem a companhia da família. Muitas vezes é difícil convencer sua cara-metade de que você não “fica” na internet o tempo todo, mas que você TRABALHA com auxílio da internet. E que também não pode parar o tempo todo para consertar uma torneira, desentupir a pia, amolar a faca, trocar a lâmpada, envernizar as janelas etc.
 
8)  Se seu trabalho depende da internet e hardwares funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana tenha opções alternativas para caso de queda de sistema. Depois de quase enlouquecer por ficar uma semana sem conexão adquiri um modem de banda larga 3G de reserva. Tem planos a partir de 49 reais e na primeira queda de conexão ele se paga! Também tenha um notebook sempre por perto, porque um vírus pode tirar sua máquina do ar e achar uma lan-house às 11 da noite pode ser relativamente perigoso...
 
9) Se seus filhos e cônjuge brigam pra usar seu computador está na hora de ter uma segunda máquina. Tente mostrar que seu computador é uma ferramenta de trabalho e não um brinquedo divertido (quer dizer, é sim, mas só quando eles estão longe...)
 
10) Sabe aquela época que você estava na escola, olhava pela janela e via aquele céu azul lindo e se maldizia por não poder aproveitar? Então, agora você pode se permitir pegar um dia lindo durante a semana, dar um tempo no trabalho e dar uma volta de bicicleta (ou de moto).
 
11) Uma das tendências de quem vive no home-office é se tornar mais workaholic do que seu ex-chefe. Evite comer e voltar diretamente ao trabalho. Quando você vivia escravizado tinha de sair para almoçar, muitas vezes perto do escritório, e voltava a pé. Essa pequena caminhada garantia a queima leve de caloria. Trabalhar em casa pode eliminar esse exercício e corre-se o risco de comer-trabalhar-comer-dormir. Crie o hábito de dar uma voltinha a pé após cada refeição, já a partir do café da manhã. Se for preciso entre em uma academia perto de casa, porque agora não tem mais a desculpa da falta de tempo!
 
12) Lembre que alguns benefícios do mundo corporativo não fazem mais parte da sua vida, portanto programe-se para tirar férias, faça uma pensão privada e um plano de saúde. Ah, você não tem mais 13º salário, mas seus fornecedores (guarda-noturno, empregada, contador etc) têm, portanto programe-se para um gasto extra em dezembro/janeiro.
 
13) Fique longe das tentações... evite abrir MSN, Orkut, Twiter, Facebook e outras coisinhas divertidas e tentadoras. Concentre-se, afinal um texto como esse de 9.000 caracteres poderia ser escrito em duas horas e não em uma semana...
 
Em suma, trabalhe, curta a vida, aproveite que agora você ouve a música que quer, faz um café muito melhor, chutou o mundo corporativo da sua vida e boa sorte na nova experiência! Se você também tem um home-office e quiser acrescentar alguma dica, manda bala e escreve aí embaixo!

 

publicado por motite às 16:36
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Fim do mistério

(CB 300 ou Hornetinha???)

 

Acabou o mistério. Depois de quase um ano de especulações sobre as novas Twister e Tornado a Honda anunciou para amanhã (quinta-feira) a apresentação das novas Honda CB 300 e XRE 300. Ou seja, morreram as denominações Twister e Tornado.

 

E olha que cosita: a CB 300 é exatamente aquela da famosa foto de uma certa moto dentro de uma caixa de madeira que circula pela internet há vários meses.

 

(Então essa foto era verdadeira...)

 

Pelo que se vê na foto, o motor é o mesmo OHC de quatro válvulas, mas aumentado para 300cc e alimentado por injeção eletrônica. Belas rodas de liga leve no estilo "Comstar" (essa é velha...) no mesmo desenho da primeira Honda CB 400 brasileira.

 

Já a XRE 300 deve chegar com um visual misto entre a Tornado e a Falcon. Basta olhar para a Transalp pra imaginar como será. Todo esse mistéria terminará amanhã! Vamos ver se consigo surrupiar uma foto de algum concessionário bonzinho!

 

 

publicado por motite às 16:00
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Micos

 

(Eu sou um chimpanzé, mas olha o mico!)

 

Graças aos meus amigos do Orkut, surgiu um tema muito divertido: os micos motociclísticos. Aquelas situações vexatórias que nos pegam de surpresa e dão vontade de desaparecer no ar. Nos anos 90 eu tinha acesso às motos importadas para teste e vivia uma fase que chamo de falso glamour: num dia estava de Kawasaki Ninja 1100, no outro de Suzuki GSX 1100, no seguinte de BMW RS 1000, de Honda CBR 600F e assim por diante. Meus vizinhos deviam pensar que eu era milionário ou ladrão de motos!

 

O mais legal era pegar estas motos quando ainda nem sequer estavam à venda! Geralmente o importador ou a fábrica mandavam as motos para teste antes de anunciarem a venda e isso dava um status ainda mais sofisticado ao meu glamour efêmero. Depois de dois ou três dias de príncipe, devolvia a moto e voltava para minha XL 250R e à vida de sapo!

 

Lembro de vários micos dessa época. Um deles foi com uma Yamaha XTZ 750 Superténéré. Alta e pesada, eu tinha de tomar maior cuidado para não deixá-la cair. Enquanto estava rodando não tinha problema, mas quando eu parava era sempre um sufoco. Manobrar, então, nem pensar! Peguei a moto à noite e fui encontrar amigos que estavam numa badaladíssima pizzaria de Moema, São Paulo. A Pizzaria estava lotada, com muita gente na calçada. Parei a moto do outro lado na rua, tirei o capacete e coloquei no espelho retrovisor. Todo mundo ficou olhando aquela motona, com um nanico careca (e charmoso) em cima. Quando fui ligar do celular achei mais seguro apoiá-la no cavalete lateral e foi quando se deu o mico. Não vi que a calçada era toda irregular e assim que relaxei o peso a moto desapareceu sob meu corpo!

 

Aquele peso todo desceu a 9,8 m/s2 e bateu no chão com um detalhe arrepiante: o meu capacete caiu sob a moto e quando foi esmagado a viseira saiu voando, atravessou a rua e foi parar na frente da multidão. Eu consegui pular da moto e não passei o vexame de cair junto, mas a cena ridícula não terminaria aí. Quando fui tentar levantar a moto quem disse que conseguia! Ali tinha mais de 220 kg para ser removido e não mexia nem um centímetro, apesar de meus esforços! Ao longe comecei a ouvir algumas gracinhas até que o segurança correu em minha direção, com a viseira na mão, e me ajudou a sumir imediatamente dali, com o capacete sem viseira e o peso do vexame nas costas!

 

(Superténéré: mais de 200 kg desabando! foto: M.Bock) 

 

Basta ter platéia para que alguma coisa de errado não dê certo! Outra ocasião semelhante foi dentro da escola das minhas filhas. Eu já era uma espécie de pai-herói porque os meninos achavam o máximo saber que por ali tinha um pai que corria de moto, testava várias motos e estava sempre com uma diferente. Às vezes levava minhas filhas pra escola de Honda GL 1600 Gold Wing, Harleys, BMW etc. E foi com a BMW que veio o segundo mico.

 

Era dia de festa junina e a escola estava lotada. Quando o vigia me viu chegar de BMW K1100 não teve dúvida e mandou parar lá dentro. Afinal era uma escola alemã e BMW é patrimônio daquela nação. Já escolado (sem trocadilho) olhei pro piso muito irregular, lembrei da Superténéré e disse que pararia na rua mesmo. Mas o vigia insistiu demais e lá fui equilibrar aqueles mais de 230 kg como se fosse uma moto de Trial.

 

Algumas salsichas e quentões depois a festa foi esfriando e decidi cair (literalmente) fora. Subi na BMW, comecei a manobrar quando o chão sumiu sob meus pés, de novo! E lá foi a alemã desabar solene e vergonhosamente que nem o III Reich! Mas desta vez foi ainda pior, porque um pequeno muro que protegia o tanque de areia serviu para agravar ainda mais as conseqüências, como se alguma coisa ainda pudesse ficar pior. E ficou, porque numa rápida avaliada tinha arrancado a pedaleira do garupa com suporte e tudo, arranhado a carenagem, esmigalhado um pisca e, claro, amassado o tanque! Sem falar no apimentado ruivinho que gritou no meio do pátio:

 

- Oooolha, o pai da Nina caiu da mooooooootooooo!!!

 

Sardento, fofinho!

 

Pilotando motos desde os 12 anos dá pra ter uma idéia da extensa lista de micos. Mas algumas ficam mais tempo na memória e parece que resistem a qualquer vestígio de Alzheimer. Como certa noite dos anos 70, com a recém presenteada Yamaha AS3 branca e vinho, linda. Decidi levar minha vizinha para festa para comemorar a moto nova. Ela apareceu de vestido comprido e comentei:

 

- Olha, nós vamos de moto, não é melhor colocar uma calça???

 

Diante da insistência dela, fomos assim mesmo. Até esqueci quando chegamos bem na porta da festa, com um mundo de gente na calçada (de novo...). Todo acidente é uma sequência de pequenos incidentes. Por exemplo: bem naquele momento bateu uma rajada de vento a sudoeste, com cerca de 15 nós de velocidade, que nos pegou a bombordo. O suficiente para o vestido se deslocar 8,3 cm em direção aos raios da roda traseira que estava girando a uma velocidade aproximada de 38 km/h. Em menos de 0,5 segundo o vestido estava todo enrolado no cubo da roda traseira e a vizinha completamente histérica apenas de calcinha, sutiã e sandália!

 

E como nada é tão ruim que não possa ficar pior, cometi a imprudência de comentar:

 

- Não falei pra vestir uma calça!

 

Naquela época – infelizmente – a gente ainda não usava capacete... Por isso eu tenho uma orelha maior que a outra até hoje!

 

Mas nada supera o mico que meu amigo pagou, também diante de uma festa lotada. Lembra daquelas festas de garage? Esta ainda tinha uma laje para funcionar como “anexo superior”. Lotada! Meu amigo, apelidado carinhosamente de Pato Donald, pela semelhança física com o importante astro de Hollywood, parou sua Yamaha 200cc, dois cilindros, que tinha um toque muito chique (a moto): partida elétrica! Imagine, ligar uma moto no botãozinho em meados dos anos 70! Só isso já garantia um status superior ao Pato.

 

Como ele era desses flanelinhas juramentados, tinha uma mania irritante de sempre travar o guidão da moto, mesmo que fosse parar 30 segundos. Naquela época a trava ficava na coluna de direção e não no contato, como hoje em dia. Já percebeu, né?

 

Depois de desfilar no meio dos “brotos” ele foi até a moto e fez o showzinho de ligá-la encostando apenas um dedo na moto. Que inveja! Acelerou um pouco e a fumaça dois tempos temperou toda vizinhança. Subiu na moto, engatou a primeira, acelerou freneticamente, soltou a embreagem e... e... capotou!!! De frente e na frente de todo mundo.

 

Levantou todo arranhado, sem entender o que estava acontecendo quando apontei pra chave e falei bem baixinho:

 

- Cabaço, você esqueceu de destravar o guidão!

 

Ele não ouviu, porque a risada, vaia e palmas da platéia encobriram o som... Mas acho que vi um mico pulando em cima de algum telhado!

 

publicado por motite às 16:13
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