Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Cacofonia poética

 

(ô Herói, paga logo essa dívida!)

 

Herói cobrado

 
Assim que iniciei o processo de alfabetização, lá no Grupo Escolar Diva Maria B. Toledo, hoje chamado de escola de música Tom Jobim, no bairro do Brooklin, em São Paulo (SP), me fizeram decorar o Hino Nacional. Bom, era 1966, fase meio nacionalista do cenário político e os alunos de escolas públicas tinham de cantar o Hino antes das aulas.
 
Mas aos 6 anos minha classe toda ainda não sabia ler direito. E foi assim que me deparei com um grande mistério: “qual e de quais proporções teria sido a dívida de um herói para com a nação, a ponto de ser mencionada no Hino Nacional?
 
Não entendeu? Então veja essa parte do hino: “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/De um povo herói cobrado retumbante”.
 
Caramba! Um povo inteiro cobrando o herói de forma retumbante!!! Na minha cabeça infantil essa dívida deveria ser tão grande e retumbante que esse herói nunca mais teria paz, com o povo todo correndo atrás dele e ainda escreveram no hino! Putz, que desgraça. E como um cara com o título de “herói” pode dever tanto a uma nação inteira?
 
Foi só depois de alguns meses, quando já sabia colar as letrinhas de forma a saber que b+o+l+a = bola é que finalmente LI o hino e um grande mistério se revelou: era apenas o heróico brado retumbante!
 
No entanto, só para amenizar minha angústia infantil de ter passado tanto desespero ao pensar no tamanho dessa dívida do herói, toda vez que canto o hino nacional faço questão de gritar “Herói cobrado retumbante”. E ainda emendo em pensamento: “Paga logo essa dívida, herói féladumaégua”!
 
Mais tarde, quando já era mais crescidinho, veio o Roberto Carlos mexer com minha consciência. Ele compôs a música “Nos lençóis macios, o amante Cidão”. Pow, sacanagem! Quem é essa sirigaita que espera o marido sair pra trabalhar e recebe o Cidão em seus lençóis macios. E o Roberto Carlos ainda faz uma música pra eles! O mundo estava perdido pra mim. Eu até desconfiava de um vizinho chamado Alcides e que poderia muito bem ser o tal Cidão. Ah, mas eu pegaria o desgraçado no pulo!
 
Para purificar o mundo e as letras do Rei, descobri que a verdadeira letra dizia “nos lençóis macios, amantes se dão”. Ufa, o Cidão estava livre finalmente.
 
(Michael Caine, his cocaine or your cocaine...)
 
Até em inglês meu espírito puro levou sobressaltos. A primeira vez que ouvi o nome do ator inglês Michael Caine quase morri do coração.
 
- Como assim? O cara se chama My Cocaine??? Não pode ser, é muita cara de pau o cara se chamar “Minha Cocaína”!
 
Fiquei imaginando o porteiro do British Royal Theatre explicando aos espectadores:
 
- Yes, my lord, o ator se chama Michael Caine.
 
- My Cocaine?
 
- No, sir, Michael Caine!
 
- Your cocaine? His cocaine??? Afinal, de quem é essa cocaine???
 
Pior, já pensou alguém gritando pela coxia do teatro:
 
- Where is Michael Caine?
 
E os malucos, tudo doidão, respondendo:
 
- Ae, brother, quando achar your cocaine manda um tiro pra cá!
 
O verdadeiro nome do consagrado ator é Maurice Joseph Micklewhite. Esse sobrenome, numa tradução bem tosca seria Mickle Branco, o que dá o trocadilho com Michael Caine, já que muita gente conhece a cocaína como “white”. O bem humorado Maurice decidiu escandalizar o mundo ao se batizar com um nome que soa My Cocaine, ou “Minha Cocaína”. Muito engraçado. Só faltava ser boliviano!

 

 

publicado por motite às 16:16
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Vida corrida - Assertividade

 

(eu NÃO vou capotar!!!)

 

Dizem os lingüistas que nosso cérebro funciona no sistema binário: on-off, tem-não tem; existe-não existe etc. Ou seja, nosso cérebro é uma cópia do computador. Certamente Deus se inspirou no computador para fazer o cérebro!
 
De acordo com esse raciocínio, nós só conseguimos formar a negação a partir da afirmação. Primeiro o cérebro precisa criar o “sim” para depois formar a negação. O exemplo mais simples é da criança hiperativa que vai visitar os tios ricos. Preocupado, o pai aponta para um vaso chinês da dinastia Ming, de quatro séculos a.C e adverte:
 
- NÃO encosta nesse vaso senão eu te mato!!!
 
Dois minutos depois, no meio do silêncio na sala de estar, ouve-se um CRASH!
 
Quanto mais ingênuo – ou infantil – mais difícil é estabelecer a negativa independentemente da formação da afirmativa. A criança precisa primeiro formar a ação em sua mente “encostar no vaso” para depois criar a negação “NÃO encostar no vaso”.
 
Pensar de forma assertiva é retirar o “não” das frases e trabalhar a afirmação. Nesse exemplo basta explicar “filho, fique longe desse vaso senão eu te mato!”
 
Nosso cérebro é uma máquina muito eficiente, mas exige programação.
 
Na pilotagem é preciso pensar sempre de forma assertiva, positiva e afirmativa. Existem vários exemplos, mas eu gosto de contar no curso SpeedMaster de pilotagem uma passagem minha em 1998, quando corria na categoria 125 Especial.
 
Eu estava em segundo lugar a corrida inteira. O primeiro colocado estava uns 10 segundos na minha frente e o terceiro a uns 15 segundos atrás. É a pior condição de pilotagem que existe porque a falta de pressão leva à desconcentração e o cérebro começa a trair. Se eu chegasse em segundo sairia daquela etapa como líder do campeonato Brasileiro. Faltavam 10 voltas pra terminar a prova quando comecei a ver a sinalização do box informando que o terceiro colocado estava chegando.
 
Pronto, começou a seqüência de erros. A primeira foi me preocupar demais com o que estava acontecendo atrás de mim, quando eu deveria me concentrar apenas em ser rápido. Passei a pensar: “não posso errar, não posso errar” e parecia que a cada curva eu errava a entrada, a freada ou deixava a rotação do motor cair demais.
 
O terceiro colocado foi reduzindo cerca de um segundo e meio por volta e meu box sinalizava cada vez mais desesperados. Até que entrei na última volta com o piloto já encostado na minha roda traseira. Comecei a pensar “ele não vai me passar, ele não vai me passar”. Passou! Na última curva da última volta ele passou e eu fiquei em terceiro.
 
A postura correta seria pensar afirmativamente tipo: “Vou caprichar em cada curva, vou ficar na frente, vou me concentrar só na minha moto e na pilotagem” e esquecer o outro. No momento que fixei meu pensamento no outro piloto foi como se meu cérebro já tivesse formado a cena da ultrapassagem – que realmente eu “via” acontecer a cada curva.
 
Quando fiz um trabalho de preparação especial com o José Rubens D’Elia, especializado em pilotos, mudei essa postura e nunca mais fui traído pelo meu cérebro.
 
Na nossa vida, sobretudo no mundo corporativo, somos vítimas de nossas armadilhas. Quantas vezes você ligou para uma gatíssima e perguntou:
 
- Você não quer ir comigo no cinema?
 
Se ela responder “sim” estará afirmando a negativa. Ou seja, “Sim, eu NÃO quero ir com você no cinema!”.
 
O macho alfa assertivo liga e simplesmente diz:
 
- Estou passando na tua casa pra gente ir ao cinema!
 
Já participei de várias reuniões de negócios nas quais os reunidos repetiam:
 
- Não seria melhor investir em marketing?
 
E o diretor não sabe se responde “sim, não seria”; ou “não, seria”. Viu a confusão?
 
A língua portuguesa tem uma pegadinha que pouca gente percebe, mas que distorce as frases e transforma a afirmação em negação. Quer ver?
 
- Cair de moto não é nada agradável!
 
Essa frase significa: “cair de moto é agradável”.
 
Se analisarmos apenas o final da frase e trocarmos “nada agradável” por “desagradável”. A frase ficaria: “cair de moto não é desagradável”. Uma coisa que não é desagradável É agradável! Logo a frase se torna: “cair de moto é agradável”.
 
Isso porque ao colocarmos uma negativa somada à outra negativa a frase se torna positiva.
 
Outro exemplo: “esse papo não tem nada de verdade!” Na verdade essa frase coloca uma negativa (não) junto com outra negativa (nada) e o resultado é: “esse papo é verdadeiro”, porque “nada de verdade” = “mentira e “não ter mentira = ter verdade. O correto é afirmar “Esse papo tem nada de verdadeiro”, sem o advérbio de negação “não”.
 
Em outros idiomas essa mesma pegadinha é exaustivamente ensinada nas escolas, desde o primário. Mas em português eu raramente vejo pessoas que conhecem essa regra, inclusive nos grandes veículos de comunicação.
 
Esse fenômeno da negativa que afirma é uma característica do português falado no Brasil e reflete muito da personalidade do brasileiro em geral. Conheço várias pessoas que começam a responder uma frase qualquer com um “não” na frente, embora a resposta seja afirmativa! Em italiano é comum, sobretudo na região Toscana, as pessoas começarem a falar qualquer frase com “niente” (nada). Talvez nossa influência italiana (latim) especialmente em São Paulo, tenha importado essa característica.
 
Faça uma experiência e comece a agir, pensar e falar usando menos “nãos” ou “nadas” nas frases. Seu cérebro agradece!

 

 

publicado por motite às 15:44
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

O expert e o esperto

As palavras são parecidas. Inclusive é um dos falsos cognatos da língua inglesa. Muita gente confunde expert (experiente) com esperto (na verdade smart, em inglês). Algumas pessoas são mais espertas que outras e conseguem até passar a imagem de experts em um determinado assunto. Outros são extremamente experientes, mas não conseguem se posicionar com esperteza.

 
Essa é a síntese da minha curta e enriquecedora experiência vivida – e encerrada dia 21 de julho – na redação da revista Maxim, da editora Escala, onde fiquei 3 meses como editor-chefe.
 
Depois de praticamente desenvolver o produto, formar equipe, contatar colabores ao redor do mundo, criar pautas e passar quase 12 horas por dia de segunda a sábado percebi que minha experiência como jornalista não seria suficiente para editar uma revista dessa natureza. Sobretudo quando a esperteza tem de superar a experiência.
 
Para completar, o curso SpeedMaster de Pilotagem – que existe desde 1997 – e minha atividade de instrutor de montanhismo na Pedra Bela Vista (Socorro-SP) estavam exigindo minha dedicação quase todos os finais de semana. Na hora de colocar na balança as perdas e ganhos ao me desligar quase integralmente do mundo das motos percebi que as perdas estavam sendo maiores.
 
Agradeço demais a confiança e oportunidade que a Editora Escala depositou em mim e retribuí deixando uma edição e uma equipe bem afinada. A edição 01 chegará às bancas dia 5 de agosto (não perca!) e palpitem à vontade.
 
Pretendo continuar colaborando com a Editora Escala e especialmente com a Maxim, uma revista que tem tudo pra dar certo tanto no Brasil, assim como em todos os países nos quais ela circula.
 
Você se surpreenderá com o conteúdo editorial e a qualidade das imagens.
 
Foi um grande aprendizado, mas não posso jogar 30 anos de história e experiência pela janela em nome de um desafio. Só não defini ainda se voltarei ao jornalismo especializado em motos. Isso ainda terei de estudar para não cometer (mais) erros.
 
Como diz a filosofia budista: a sabedoria vem da experiência; e a experiência vem dos erros que cometemos!
 
(quem mais gostou da minha volta ao home-office é a Valentina, ela passa o dia todo aqui no meu pé, tomando sol. Essa cachorra é uma figura!
 
(Valentina, minha fiel leitora - @ foto:tite)
 
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(Caramba! É muito Fusca - Foto@Tite)
 
FUSCAMANIA
Neste último domingo fui a Interlagos ver de perto o Encontro Nacional de Fuscas e mergulhei de cabeça no meu passado automobilístico! Foi um encontro super colorido e divertido. Nada a ver com alguns encontros de veículos clássicos que eu costumava freqüentar. O Fusca é um caso de amor de quase toda uma geração. Quando vejo um Fusca tenho certeza de que é o único carro do mundo que sorri!
 
Revivi alguns dos meus mais secretos e despirocados momentos como motorista. Minha família teve uns 5 ou 6 Fuscas – confesso que não lembro. Começou com um 1300 de 1969 que meu irmão destruiu numa batida e eu tive minha primeira experiência de quase morte ao ver o Fusquinha rodar como um pião, subir na calçada, quase capotar e parar milagrosamente com as quatro patas pra baixo.
 
Meu pai comprou um Fusca 1500 amarelo. Isso mesmo, amarelo gemada! Tinha rodas cromadas, tala larga e era tão discreto quanto um porteiro de circo. Assim que ele chegou com o carro em casa fui numa loja na avenida Faria Lima, chamada Paulistano, e pedi pra instalar um volante esportivo tão pequeno que parecia um registro. E instalei também um espelho retrovisor Grand Prix, igual de F1. Cada vez que tinha de manobrar o carro minha mãe me xingava por causa do maldito volante pesado!
 
(amor pelo Fusca não tem idade - Foto@Tite)
 
Depois tivemos outro Fusca 1500 azul calcinha de virgem. Esse eu resolvi limpar as velas. Saquei as 4 velas, lixei, limpei e coloquei de volta. Mas quem disse que eu lembrava a ordem dos cachimbos. O carro não pegava nem por reza ao santo Expedito e só com a chegada do mecânico as coisas voltaram ao normal. Nunca mais abri aquele capô do motor!
 
Tudo isso eu tinha menos de 15 anos! Mas já dirigia o Fusca desde os 12 anos...
 
Antes de dirigir eu lembro de descer a serra de Santos no Fusca do meu vizinho, Eduardinho. Só que naquela época de absoluto desconhecimento das regras básicas de segurança, eu e meu vizinho abríamos o berreiro pra viajar naquele compartimento de bagagem atrás do banco traseiro. Se algum caminhão perdesse o freio e estampasse a traseira daquele Fusquinha 1966 eu e meu vizinho seríamos espremidos como um tubo de pasta de dente.
 
Bom, essas histórias e muitas outras estarão em um novo projeto que estou desenvolvendo com a Editora Escala para breve – mas ainda é segredo!
 
(pode reparar: esse carro está sorrindo! Foto@Tite)
 
 
(Fuscas raros e conservados - foto@Tite)
 
 
 
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publicado por motite às 17:09
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Um dia sem moto

(Oi, pode fazer uma pegada assim, tipo com mais atitude?)

 
Hoje decidi não escrever sobre motos, vou dar uma pausa a você. Aproveite!
 
Pegada com atitude
 
Impressionante como aparecem palavras que entram na moda de forma quase viral, sem que tenham qualquer significado. No último Salão Automec, destinado ao setor de auto-peças decidi retribuir a gentileza de vários amigos assessores de imprensa e fiz questão de assistir às apresentações de lançamentos de novos componentes, campanhas, novidades técnicas und so weiter.
 
Nesse verdadeiro calvário fui acompanhado de alguns colegas jornalistas e da minha querida e divertida amiga Carol Villanova, jornalista que escreve sobre carros, caminhões, Fórmula 1 e tudo mais que tiver motor. Uma expressão nos acompanhou em todas essas intermináveis e chatésimas apresentações: “agregar valor”. Tudo era agregação de valor. Brinde é agregar valor. Embalagem agrega valor. Botão colorido agrega valor ao rádio. Espelho retrovisor anti-ofuscante agrega valor. Qualquer porcaria agrega valor a uma porcaria que valia menos antes da agregação.
 
Começamos a ficar irritados e passamos a agregar valor a tudo. Se alguém pedia um cafezinho eu emendava: “pode agregar o valor de duas colheres de açúcar?”, ou “Sim, um café com creme para agregar valor”.
 
Cheguei mesmo à conclusão que as profissionais mais antigas do mundo não mais fariam programa. A partir daquele dia, as garotas que trabalham na casa da luz vermelham estariam apenas agregando valor à periquita.
 
- Moço, para dar uma agregada de valor são 100 reais, mais o táxi.
 
- Puxa, mas essa agregação é demais!
 
- Olha, podemos desagregar uns 20 reais, mas menos que isso o senhor terá de recorrer à auto-agregação de valor.
 
Nesse momento nascia a self-agregation, uma forma eufemística para a velha e desagregada bronha.
 
E o político corrupto?
 
- Olha para aprovar aquela obra o senhor precisa agregar mais valor à caixinha!
 
Tem muita obra pública que ficou mais cara por conta de uma agregação de valores por fora.
 
Em seguida fui à uma reunião de pauta e a palavra mais repetida na tarde foi “pegada”.
 
- Precisamos fazer uma matéria com uma pegada mais aventureira. Precisa mudar a pegada da revista. As fotos precisam de uma pegada mais emocionante. A diagramação precisa de uma pegada masculina.
 
Mas que batatada! No meu tempo pegada masculina era a marca deixada por um homem na areia.
 
Essa pegação só não é pior do que a tal atitude!!! Ai meu saquinho!
 
- Vamos lá, garota, mostre mais atitude! Para conduzir esse trabalho você precisa de atitude. A moda no próximo verão terá mais atitude.
 
Atitude de quê? A palavra atitude em si não significa pôla nenhuma! Precisa de um complemento, tipo “tenha atitude otimista”, ou “você precisa adotar uma atitude de liderança”, ou ainda “a moda será definida por uma postura mais sóbria” und so weiter.
 
Que pobreza!
 
Para as três opções “agregar valor”, “pegada” e “atitude” existem várias palavras na língua portuguesa que traduzem com muito mais fidelidade o que se pretende descrever. Mas parece que ao adotar expressões sem sentido como atitude e pegada o redator agrega valor ao seu texto. Pois que vá agregar valor na &$#@*&%
 
+          +          +
(em 800 metros 8 casas lavando a calçada!) 
 
Até quando???
 
Hoje (sexta-feira) fui passear com a Valentina e fiquei estarrecido. São Paulo está a mais de 30 dias sem chuva de verdade. O ar está seco, a pele ressecada, meu nariz sangra e é visível a péssima qualidade do ar. Sem chuva o fantasma do racionamento de água começa a rondar.
 
E o que eu vi?
 
Em 800 metros de rua nada menos que OITO donas-de-casa estavam “lavando” a calçada. Meu Deus, até quando essa “atitude” de desrespeito com a coletividade? São as mesmas pessoas que levam seus cachorros pra cagar no quintal dos outros. Que buzinam na porta para chamar o morador. Que fazem barulho até madrugada. Tenho certeza que essas pessoas posam de “preocupadas” com o aquecimento global, com as criancinhas da Etiópia e com o fechamento da Daslu. Mas jogam água pelo ralo como se água não fosse um bem valioso.
 
Por culpa dessa gente sem menor compromisso com o coletivo tenho certeza que muito breve o Estado terá de sobretaxar a água. E eu, com minha pegada econômica, pagarei por estas cornas. Ah, não eram empregadas, não, eram as donas das casas mesmo!
 
Algumas dicas de preservação:
 
1)      Recolha a água da máquina de lavar roupa e louça em baldes e use para lavar pisos.
2)      Se você não consegue fechar o chuveiro enquanto s ensaboa, coloque um balde ao seu lado e use essa água pra regar as plantas (mas sem sabão!)
3)      Não lave o carro em casa, os lava-rápidos são preparados para usar o mínimo de água.
4)      Procure pequenos vazamentos
5)      E mais importante: ensine a sua empregada a usar a água com parcimônia.
(30 dias de sol e a água escorrendo pela rua...)
 
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PoeTite
 
Todo escritor tem sua fase poética. A poesia é fundamental para ensinar a dizer muito escrevendo pouco. A poesia ensina a ser sintético. É um ótimo exercício para conhecer a língua portuguesa.
 
Uns 10 anos atrás eu escrevi centenas de poesias, algumas de corno, outras mais alegres e outras totalmente sem sentido. Era para ser um livro, mas quem nesse mundo de meu Deus compraria um livro de poesias??? Só os cornos do mundo!
 
Então, hoje você vai conhecer uma, afinal essa pôla é um Blog e Blog é pra escrever qq coisa que der na cachola. Pois então tome!
 
Sono
 
Que sono, que sono
por mais que durma
não passa este sono
meus olhos lacrimejam
passados de sono, profundo sono
 
À noite, ao dia, à tarde
sempre o sono, diário sono
os olhos arranham, ardem
caem de sono, cansado sono
 
misterioso toma minh'alma
de súbito sono, eterno sono
não há nada que acalma
este sono, implacável sono
 
consome fronha e lençol
este sono, insaciável sono
nunca mais verei o sol
por culpa do sono, escuro sono
 
no ônibus passo o ponto
lotado de sono, perdido sono
na moto roda o tonto
caindo de sono, desequilibrado sono
 
durmo na esteira da praia
torrado de sono, ardido sono
não vejo a garota de saia
por causa do sono, estéreo sono
 
Que sono é este?
estéreo, ardido
desequilibrado, perdido
escuro, insaciável
eterno, implacável
cansado, tedioso
profundo, misterioso.
Pois que não é sono com certeza
Mas disfarçada de sono, a tristeza

 

 

 

publicado por motite às 21:43
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Vida corrida de jornalista

 

(Corrida de kart indoor pra jornalista - sou eu pilotando!)

 

Corrida de jornalista
 
Logo que parei de correr de kart, em 1979, ingressei no jornalismo e todo ano o Mário de Carvalho (dono da fábrica de karts Mini) convidava alguns jornalistas para uma corrida de confraternização. Quando não me boicotavam eu ganhava fácil. Depois inventaram o kart indoor e as corridas pra divulgar as pistas. Nas primeiras eu ganhava tudo. As três mais importantes e que eu queria ganhar de qualquer jeito consegui vencer: uma organizada pelo Rubinho e que tinha como prêmio o capacete do próprio, que repousa na minha estante de troféus. Outra promovida pela Fiat, na qual o prêmio era um notebook e uma terceira, que merece detalhar.
 
Era uma pista ruim de dar dó, em um lugar mais feio ainda. A programação foi atrasando e boa parte dos jornalistas se mandou P*** da vida. Mas eu tinha visto o prêmio para o vencedor: um troféu de cristal, coisa mais linda do mundo. Babei na hora e só sairia dali com aquela estatueta. A última bateria da noite seria a nossa, mas não tinha mais do que quatro pangarés escribas. Então enfiaram uns convidados no meio, inclusive alguns artistas globais e ex-pilotos, e eu já via meu troféu indo pra cucuia. Nas primeiras voltas do treino saquei que a pista tinha sido pulverizada com uma meleca grudenta, mas nas baterias anteriores os karts tinham retirado boa parte da geleca. Então, para fazer uma volta rápida era preciso andar fora do traçado, coisa que ninguém se ligou. Larguei em primeiro, ganhei apertado, mas perdi o troféu!

Fizeram pódio, entregaram a bela estátua e eu já estava imaginando aquela peça magnífica no meio de um monte de troféu vagabundo de lata velha. Até que encostou um sujeito do meu lado e lascou:

- Você não é o Geraldo Simões?

- Depende, você é da polícia?

- Ah, você é o Tite, da Duas Rodas, da Motoshow...

Não havia dúvidas que eu estava diante de um fã. E não é que o maluco olhou pro troféu e ficou excitado! Quis comprar a peça na hora.

- Nem a pau – ameacei - acabei de ganhar, é o troféu mais bonito que já ganhei na vida!

O cara chamou a namorada, cunhada, mãe, todo mundo para fazer a foto ao meu lado e eu querendo sumir dali porque já passava das duas da madrugada e estava de moto! Fui saindo de fininho e o cara atrás:

- Pô, me vende o troféu, eu sou seu fã, li todas as matérias... E passou a recitar um monte de histórias da minha vida de cor e salteado. Era doido varrido e daqueles enormes.

De repente o sujeito enfiou a mão no bolso interno do casaco e eu tive uma crise de megalomania ao me imaginar fuzilado como John Lenon em frente ao edifício Dakota. Amarelei e fiquei de joelho mole. O doidão tirou um talão de cheque e mandou uma oferta que só mesmo banqueiro de bicho ou traficante faria algo parecido. Em valores de hoje seria algo como R$ 2.000!

- Caraca, é grana pra cacete! Não pensei duas vezes, joguei o troféu na mão do cara e fiz o desmiolado colocar telefone, CIC, RG, endereço atrás do cheque com ameaça de matá-lo caso não tivesse fundo. E não é que tinha fundo! Rapaz, até hoje nunca recebi tamanho prêmio em dinheiro por uma vitória tão ridícula!

Só que o tempo passou e os jornalistas aprenderam a pilotar kart. Hoje tem uns nanicos que chegam na pista de macacão importado, capacete de 5 paus, luva antichama, sapatilha, balaclava e eu de macacão vermelho de mecânico da Alfa Romeo. Fiquei sabendo que uns espertinhos treinam nas pistas antes da corrida e há suspeitas de favorecimento de equipamento em troca de uma cédula de 50 mangos ao fiscal de pista. Marmelada da pior espécie.

Parece que essas corridas ainda continuam, mas eu confesso que fiquei cansado de pilotar kart de aluguel. Os equipamentos são muito mal conservados e odeio perder corrida por causa de equipamento capenga. Sou ariano e se tem uma coisa que arianos odeiam é perder. Mesmo que seja par ou ímpar!

 

 

publicado por motite às 23:08
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

O melhor piloto de todos os tempos

 

(seria ele o melhor piloto de F1 de todos os tempos? Na foto Ayrton está segurando minha filha mais nova, a Nina - banguela. Foto@ Tite)

 

 

O melhor piloto do mundo

 

Quando eu era adolescente, costumava gastar o dinheiro da mesada em duas manias: carrinhos Matchbox e revistas estrangeiras de automobilismo e motociclismo. Foi assim que aprendi meia dúzia de frases em inglês e francês e aprimorei o italiano. Mais que isso, passei a admirar alguns jornalistas especializados, sobretudo os das revistas Motoring News e Grand Prix International (a gringa). Naquela época o Brasil já tinha um campeão mundial de F1, Emerson Fittipaldi, mas as revistas brasileiras davam notícias apenas da F1 e eu queria saber tudo.

Em um anuário "O Ano do Automóvel", versão brasileira (infelizmente efêmera) do "Automobile Year" que circula até hoje, tinha um artigo que me chamou a atenção na época, mas que tinha esquecido completamente até recentemente. O título era "Dragster to Paradise". Era assinado pelo jornalista francês Johnny Rives, com um texto saboroso e sempre surpreendente. Infelizmente joguei o anuário fora, mas o tema da narrativa era "o melhor piloto de F1".

Eram tempos de Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Jacky Ickx, Ronnie Peterson, Niki Lauda e sua turma. Época em que um campeão conquistava título na última etapa, com 5 ou 6 vitórias no ano. Tempos em que os carros quebravam que nem desfile de DKW. Uma época tão legal que eu lembro praticamente de cada corrida que via pela TV e ouvia pela Jovem Pan.

Johnny Rives escreveu um texto mais ou menos assim:
 
"Numa noite dessas, fui dormir pensando qual seria o melhor piloto de F1 de todos os tempos. Sim, porque não consigo mais agüentar esses jornalistas comentando sobre a genialidade de Jim Clark, a frieza de Juan Manuel Fangio, comparados com os atuais Stewart, Fittipaldi, Peterson, Lauda ou Ickx. São épocas diferentes, carros diferentes, mas sempre aparece alguém para instigar e ficar falando que um foi ou é melhor que outro.

Durante a noite acho que morri. Ou sonhei, não sei. Mas subitamente me vi diante de Deus. Isso mesmo, Ele, em ectoplasma e osso! Quando me vi face a face com Deus, nem quis saber se estava morto ou não, só uma coisa me ocorreu. Ele certamente sabe tudo, afinal é onisciente! Então só Ele pode me responder essa pergunta que me persegue há décadas. Não tive dúvidas e assim que me vi diante Dele perguntei:

- Senhor, já que sabes tudo, me responda, qual é o melhor piloto de F1 de todos os tempos?

Deus me olhou de forma estranha. Acho que normalmente as pessoas perguntariam outra coisa numa situação dessas, como qual a minha missão na Terra, qual o mistério da fé e da paixão etc. Mas Ele nem pestanejou e respondeu:

- É Hans Strudel!

- Quem? Nunca ouvi falar dele! Em qual categoria ele corre? Já ganhou alguma corrida?

- Não, ele é austríaco, mora em Zirl, é lenhador e nunca correu de carro!

- Mas, er... não estou entendendo!

- Ele é o melhor piloto de F1 de todos os tempos, só que não sabe disso, porque não se interessa por corridas de carro.

- Desculpe, mas continuo não entendendo...

- Strudel tem todas as qualidades humanas e físicas para ser o melhor piloto de F1 de todos os tempos. Tem uma visão fantástica, é habilidoso com as mãos, tem a maior rapidez de reflexos de todos os seres humanos, tem a maior capacidade cerebral para ser piloto. Só que ele não sabe disso e passa seus dias cortando lenha! Se tivesse a chance de correr de F1 seria o melhor de todos.

Acho que acordei. Ou ressuscitei, não sei. Mas logo em seguida estava em meu quarto, pensando nisso. E uma luz se abriu sobre essa discussão sobre o melhor piloto de todos os tempos. Isso não existe. Não existe o melhor em qualquer coisa de todos os tempos. O que podemos qualificar e dimensionar é qual o melhor piloto de determinada categoria naquele momento. É estupidez querer comparar esportistas de épocas diferentes. Isso é perda de tempo".

Bom, isso é o pouco que lembro daquele texto. Note que foi escrito antes de Prost, Piquet, Senna, Alonso e Schumacher. Logo, mais que um texto, é realmente uma visão! E é a MINHA versão, pois não me lembro bem dos detalhes.

Sempre vejo essa discussão tola sobre quem é ou foi o melhor piloto de todos os tempos. Isso não tem o menor cabimento, mas parece que a humanidade é movida por esse afã de revelar quem é melhor. A meu ver, isso é uma caretice sem tamanho. Cada esportista bem sucedido tem seu valor, dentro de um contexto e de sua época. Qualquer coisa que extrapole a contemporaneidade é uma bobagem sem tamanho. Como bem disse o meu amigo Marcus Zamponi: "Essa disputa entre Senna e Schumacher posso resumir da seguinte forma: Senna FOI o melhor piloto de F1, Schumacher É o melhor piloto de F1". Nada mais genial.

Além de calar essa discussão estéril, esse texto do jornalista francês serve pra abrir os olhos de todo mundo para o risco de cometer a bobagem de comparar pilotos de épocas diferentes. Lembro que uma das situações mais constrangedoras que presenciei no jornalismo foi justamente a tentativa de comparar pilotos de épocas distintas. Em uma festa de entrega do prêmio Capacete de Ouro, a jornalista diretora do evento, ao lado de Rubens Barrichello cometeu a gafe de colocar Rubinho em um patamar acima de Gilles Villeneuve só porque o piloto brasileiro tinha maior número de vitórias. Na hora me virei para o Zampa, sempre ao meu lado e cochichei:

- Porra, alguém precisa avisá-la que Villeneuve morreu!
 
A comparação só não foi mais constrangedora do que o texto que o jornalista diretor de redação da revista Racing cometeu ao impor um artigo ridículo na revista, no qual ele promovia uma corrida hipotética, organizada nos céus, entre os melhores pilotos de todos os tempos. O texto (chatíssimo do começo ao fim) resumia um campeonato entre pilotos como Fangio, Clark, Prost, Senna, Piquet, Schumacher etc e o campeão, claro, foi Senna. Essa tortura saiu na capa da Racing e ainda teve continuação em uma segunda edição.

Assim que vi a capa da Racing lembrei do texto do Rives, que li na adolescência. Se o jornalista leu aquele artigo, fez mal ao reescrevê-lo daquela forma insossa e desrespeitosa com a memória de outros pilotos. Se não leu, foi uma coincidência que serviu apenas para submeter os leitores de Racing àquela barbaridade. Sei de fontes seguras que as cartas criticando o artigo foram sumariamente censuradas. Mas as (poucas) elogiosas foram publicadas. Coisas da imprensa.

Voltando ao artigo original do jornalista francês, aquele texto me abriu a mente para esse fato de que não existe O melhor. Existe uma conjunção de fatos que levam a um resultado positivo. Nada filosófico, mas vou exemplificar. Quando eu mantinha meu curso SpeedMaster de pilotagem, recebi um aluno chamado Marcelo Mistrorigo, então com mais de 30 anos. Ele tinha ganhado uma moto esportiva em uma rifa e decidiu fazer o curso para aprender a pilotá-la. Logo nas primeiras aulas percebi que o cara tinha algo de especial. Ao final do curso de dois dias ele estava pilotando muito rápido. Algum tempo depois treinamos juntos em Interlagos e ele foi mais rápido que eu! Mais tarde se inscreveu para correr de 600 Supersport e um ano depois foi o campeão brasileiro de Motovelocidade naquela categoria. Tudo por causa de uma rifa!

Por isso eu pergunto: e se o Milton Silva, pai do Ayrton, nunca tivesse construído um kart para o filho de quatro anos? Se o pai de Michael Schumacher tivesse feito um campo de futebol, ao invés de uma pista de kart indoor? Não haveria essa discussão tola sobre qual o melhor piloto de F1 de todos os tempos.

 

 

publicado por motite às 21:15
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Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Vida corrida corporativa

 

(entrevista pra TV Cultura depois de ganhar uma corrida de quadriciclo. Não lembro a data!)

 

 

As competições produzem tanto conhecimento quanto uma universidade. Mas só alguns poucos são capazes de absorver esse conhecimento e levar para toda a vida, inclusive para o mundo corporativo.
 
Desde os primeiros passos em qualquer competição motorizada os pilotos aprendem regras que são universais e indeléveis. Uma delas diz respeito ao acerto do equipamento. O objetivo de todo piloto é tirar o máximo de desempenho da máquina. Por isso é tão importante o conhecimento de mecânica e, hoje em dia, de eletrônica.
 
Um bom piloto precisa desenvolver uma sensibilidade muito grande para descobrir onde e como a moto – ou o carro, kart, barco, bicicleta – pode melhorar o desempenho. Cabe à equipe fazer o monitoramento dos tempos de volta em cada trecho do circuito para avaliar em quais trechos o conjunto moto+piloto são rápidos ou lentos.
 
Isso tudo é meio óbvio, mas existem regras para isso. Por exemplo: nunca se deve fazer duas alterações ao mesmo tempo. Porque na hora de avaliar o resultado a equipe não terá como julgar qual foi a mudança que surtiu efeito. Por exemplo, se a moto está instável não é recomendado mexer em calibragem e endurecer a suspensão ao mesmo tempo. É preciso primeiro estudar um item, avaliar o resultado e só depois partir para o próximo item.
 
Durante meus primeiros passos no kart eu aprendi muito com o meu professor Waltinho Travaglini e também com preparadores e até com o Ayrton Senna, que foi um exemplo para toda uma geração de kartistas. Ele passava horas em Interlagos testando sem parar e avaliando os resultados.
 
Além disso, o piloto precisa ser muito regular e se concentrar para fazer todas as voltas da mesma forma, senão não saberá se o tempo de volta piorou por conta de alguma regulagem ou por um erro de pilotagem.
 
No mundo corporativo as empresas às vezes se perdem em estratégias porque querem atropelar etapas ou fazer muitas mudanças ao mesmo tempo. O diretor de produção cria uma nova linha de montagem, o diretor de marketing inicia uma nova campanha publicitária e o diretor de logística altera as cotas de distribuição da mercadoria. Depois de 30 dias ninguém sabe se os resultados (bons ou ruins) foram provocados pela produção, pelo marketing ou pela logística!
 
Ou ainda pode ocorrer uma anulação das causas&efeitos. Se a mudança na estratégia de marketing promoveu um incremento na venda pode ser que a distribuição não seja tão eficiente e isso compromete o desempenho obtido pelo departamento de marketing.Temos exemplos disso debaixo do nosso nariz.
 
Até mesmo o gerenciamento de uma equipe é igual ao de uma empresa. Uma boa equipe precisa de um chefe que seja capaz de DELEGAR funções e não querer fazer tudo ele mesmo. O chefe de equipe precisa conhecer profundamente tudo que envolve a competição. Ele não precisa saber trocar um rolamento de virabrequim, nem mesmo saber pilotar. Mas precisa saber escolher o melhor mecânico e o melhor piloto para trazer resultado à sua equipe e aos patrocinadores.
 
No mundo corporativo o que vemos muitas vezes é um chefe que se acha numa condição muito superior ao de seus pilotos e mecânicos. É comum ver chefes incapazes de delegar, mas apenas de cobrar! Já tive chefes que pagaram caro por executivos, mas que transformavam esses executivos em meros executores de suas “idéias”.
 
Assim como o Ron Dennis não precisa sentar no cockpit da McLaren para identificar os problemas do carro, um verdadeiro chefe precisa confiar na capacidade dos seus executivos e não querer fazer o trabalho deles.
 
(esse da esquerda sou eu - segundo lugar)
 
No jornalismo é muito comum esse tipo de chefe. Eles chamam para si a responsabilidade executiva e com essa atitude rebaixam o cargo de toda sua equipe. No momento em que o diretor editorial assume a função de editor-chefe este é automaticamente rebaixado a editor, que por sua vez rebaixa o verdadeiro editor à função de repórter. E o repórter vira estagiário...
 
Se o mundo corporativo tivesse a capacidade de copiar melhor o mundo das competições veria que tem muito a aprender. Principalmente o verdadeiro significado da competição pela valorização da própria equipe e não pela humilhação dos adversários. Cansei de ver editores desdenhando as revistas concorrentes em vez de melhorar seu produto.
 
Mas isso é papo pra outro dia!

 

publicado por motite às 15:36
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

SpeedMaster neste final de semana

(este salame em pé, de macacão sou eu mesmo!)

 

CURSO MOTORSCO/SPEEDMASTER EM PIRACICABA

 

Ae, Motiters, neste final de semana teremos o curso SpeedMaster/Motorsco de pilotagem na pista do ECPA em Piracicaba. Começa sábado de manhã e termina domingo às 17:00. Quem quiser aparecer pra conhecer o curso e passar um domingo cheirando a gasolina é só baixar na pista (veja o mapa no site www.ecpa.com.br).

 

E agurdem para breve o curso para motos abaixo de 500cc. Especial para quem curte moto pequena mas quer pilotar com estilo!

 

Para saber mais sobre o curso entre no site www.speedmaster.com.br

 

Espero vocês lá!

 

Tite

 

publicado por motite às 14:31
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Até o fim do Mundo

(Foto @ João Montovani)

 

Com a nova BMW GS 1200 viajar é melhor do que chegar
 
Imagine-se estressado. Tipo prestes a explodir. Uma forma de relaxar é pegar a estrada e deixar a mente livre de qualquer preocupação. Se a estrada é a cura, o melhor remédio no frasco de duas rodas é a BMW GS 1200. Nascida para ser a moto-para-dar-a-volta-ao-mundo ela chega ao Brasil na versão 2008 ainda mais viajável e com altíssimo poder anti-estressante. Posso garantir que é bem mais divertido – e econômico – do que ficar deitado de barriga pra cima, olhando o teto branco do consultório de um analista freudiano. Ah, e a BMW não tem contra-indicação e ainda melhora sua auto-estima (ou moto-estima).
 
A aparência volumosa engana e assusta. Mas na prática quase nem se percebe os mais de 230 kg (a seco). Boa parte desse peso está no motor de dois cilindros paralelos – também conhecido como boxer – de exatos 1.198 cc, que desenvolve 105 cv a 7.000 rpm. Esse motor é a prova de que a tecnologia supera muitos preconceitos. Quando alguém poderia imaginar em pleno século 21 que uma das motos mais desejadas do planeta teria motor arrefecido a ar de cilindros opostos?
 
Pois a insistência alemã em manter o motor com a mesma arquitetura do primeiro propulsor com o logotipo BMW de 1929 rompeu com todos os paradigmas da mecânica. Se alguns engenheiros apocalípticos condenaram os motores refrigerados a ar, alegando alto consumo e excesso de poluição, a tecnologia provou o contrário. Equipada com injeção eletrônica e catalisador essa BMW pode ser ligada na sala de casa sem matar ninguém. E dentro da proposta de ser uma moto pra dar volta ao mundo, um sistema de arrefecimento a ar elimina uma grande preocupação que é um radiador, uma ventoinha e suas válvulas.
 
Sobe e desce
Antes de colocar a big (e bota big nisso!) trail em movimento foi preciso uma aula sobre os comandos. Claro que nada é simples em se tratando de alemães. Se o idioma deles tem três gêneros (masculino, feminino e neutro) não seria diferente com as motos. Todas as motos têm apenas um botão para ligar e desligar os piscas. Na BMW são três: um pra esquerda, um pra direita e um terceiro pra desligar. O projetista deve ser polidáctilo! Até acostumar com o botão da buzina o novo dono de uma BMW viverá fortes emoções apertando o pisca!
 
A lição mais comprida foi do ajuste das suspensões. Essa GS conta com um sistema ESA – electronic suspension adjustment – que permite alterar 12 parâmetros de acerto das suspensões dianteira e traseira sem mexer um parafuso nem tirar o traseiro do banco. Basta ir clicando o botão ESA no punho esquerdo e sentir a moto subindo e descendo. E como o vocabulário alemão é cheio daquelas palavras com 9 consoantes e uma vogal, esses ajustes aparecem no painel de cristal líquido na forma de infográficos. Também no punho esquerdo está o controle de atuação do freio ABS e do controle de tração. Pra rodar na terra recomendo desligar o freio ABS e deixar o controle de tração na posição intermediária. Hehe, na verdade eu desliguei o controle de tração porque é muito divertido ver as pedras voando a cada acelerada! Até a calibragem dos pneus pode ser conferida pelo painel.
 
Há muito tempo as fábricas perceberam que os donos de motos big-trail usavam-nas quase exclusivamente nas estradas asfaltadas. A partir dessa ótica a BMW passou a oferecer duas versões da GS: uma mais on-road e a Adventure, com itens mais endurísticos como tanque de gasolina maior, rodas raiadas e proteções de alumínio para não despedaçar a moto a cada simples queda. A versão que avaliamos é a GS “normal”, voltada para uso mais civilizado. Mesmo assim ela encara uma estrada de terra de forma muito dócil, ao contrário do que sua aparência mastodôntica poderia supor. O banco tem até regulagem de altura para que pilotos prejudicados verticalmente possam colocar os pés no chão em situações de emergência. Posso atestar que funciona... felizmente!
 
 
Nas estradas de asfalto essa BMW passa a sensação de que o fim do mundo fica ali na esquina. Extremamente confortável para piloto e garupa, silenciosa e deliciosa de pilotar, chega a dar certa tristeza quando a viagem termina. O aspecto de moto de tiozão é enganoso porque ela chega fácil a 220 km/h (206 km/h reais) e tem estabilidade de sobra pra acompanhar motos mais esportivas. E só pra não ficar rasgando elogios, o pára-lama traseiro tem algum erro de projeto porque na chuva joga muita água e sujeira nas costas de quem está na garupa. Geralmente esse “alguém” já é naturalmente faladora. Imagine o tamanho da bronca!
 
Com um consumo médio na faixa de 15 km/litro, a autonomia da versão GS é de 300 km, enquanto na versão Adventure é de 495 km. Dá pra ir até o fim do mundo... e voltar!

 

+     +      +

Publicado originalmente na revista Car & Driver número 6.

 

E eu que prometi não publicar mais testes...

 

Não liguem se faltam dados como consumo, mas teste de moto em revista de carro é diferente mesmo!

publicado por motite às 00:34
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

A escolha de Sofia

 

 

Um dos filmes que melhor retrata a angústia de uma decisão é "Escolha de Sofia", baseado no romance homônimo. A história se passa na Europa, durante a II Guerra Mundial, sob a dominação nazista. Uma mulher judia é obrigada a escolher qual dos filhos seria levado à câmara de gás e qual sobreviveria. Se ela se recusasse a escolher o oficial mataria os dois filhos.

 

Só quem tem mais de um filho pode sentir a profundidade dessa cena. A atriz Maryl Streep merecia todos os prêmios do mundo pela interpretação desse momento de crueldade.

 

Essa introdução é só pra refletir sobre a importância de uma escolha. Seja ela qual for. Da simples decisão entre comer uma paçoca ou tomar sorvete, até a escolha por qual filho será sacrificado para que outro sobreviva.

 

Imagine, então, escolher qual moto comprar!

 

Quando percebo o nível de desequilíbrio emocional presente em comunidades do Orkut ou fóruns da Internet sempre lembro do filme "A Escolha de Sofia". Pow, se um cara é capaz de ofensas desequilibradas para defender uma motocicleta, o que seria capaz de fazer para decidir qual filho morrerá?

 

Por isso evito responder à famosa pegunta "Que mot'eu compro"?

 

"Compre a que te fará mais feliz". Essa é a resposta certa.

 

E se há uma maneira de saber qual fará mais ou menos feliz: comprando, rodando, usando, pagando as despesas etc etc.

 

Por isso é tão difícil fazer testes comparativos, pois o simples fato de ser feito por este ou aquele jornalista já compromete a decisão. Posso escrever "A Twister é a melhor 250 do mercado, mas eu recomendo comprar a Fazer" e não há nada de errado nisso, porque o conceito de "MELHOR" é tão amplo e variado que pode levar um sujeito à loucura.

 

Quem leu o livro "Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas" pode lembrar que o personagem principal, professor de filosofia, elouquece tentando definir o conceito de "qualidade". Se esse conceito leva alguém à loucura, imagine tentar definir qual a melhor moto?

 

Por exemplo: melhor é a que vende mais?

 

Não, claro que não, senão os Rolls Royce seriam os piores carros do mundo. E o Fusca seria o melhor!

 

A mais econômica é a melhor?

 

Também não, porque a economia é obtida geralmente em sacrifício de outro elemento, como desempenho, retomada de velocidade etc.

 

Então a mais veloz é a melhor?

 

Não, porque ninguém em juízo perfeito usa uma moto 100% do tempo na velocidade máxima.

 

O mesmo vale para freios, estabilidade, estilo etc

 

A melhor moto é aquela que satisfaz AS SUAS NECESSIDADES.

 

Por exemplo, entre as big nakeds Suzuki Bandit 1250 e Honda CB 1300 eu acho a Honda melhor em vários aspectos. Mas não compraria, porque é um veículo perfeito para assaltos e isso a faz muito visada e ter uma taxa de seguro elevadíssima.

 

Já no caso das 250 que tanto polemizam, eu gosto mais do estilo da Twister, mas compraria a feiosa Fazer, porque tem um motor mais econômico e menos exposição ao roubo/furto. Pelo menos até agora!

 

Cabe ao futuro usuário decidir qual das qualidades da moto mais lhe agrada. Eu prefiro ter uma moto mais econômica e menos visada a ter uma outra mais bonita e com rendimento em tiquinho melhor.

 

Sou um especialista em moto, mas de carro eu sou apenas um usuário normal. Quando estou interessado em um carro novo leio alguma coisa, sempre levando em conta QUEM escreveu, vejo quais itens do teste são relevantes, faço uma média e só depois vou nas concessionários olhar, fuçar, testar e terminar de decidir. Se mesmo assim uma outra concessionária concorrente oferecer um pacote econômico mais vantojoso dou uma banana pra todas as "qualidades" vejo como melhorar o carro escolhido com o dinheiro que sobrou.

 

Nas motos é a mesma coisa. Por exemplo, se eu comprasse uma Fazer um dia, faria as alterações estéticas e mecânicas para deixá-la do MEU jeito. Pena que algumas coisas são imexíveis, como o painel horroroso e a falta da sexta-marcha.

 

Ah, minha Biz está quase chegando: a ES amarela e já estou pensando nas minha personalização titeana!

 

publicado por motite às 02:19
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